Quem é você?





Olá, meus queridos!


Hermione não é da Grifinória por acaso. Ela vai provar, mais uma vez, que tem muita coragem!







Para ouvir antes, durante ou depois da leitura do capítulo:


Love is


(Helen Austin)


http://bit.ly/2vYLMXi


 


 


 


"Se me amas, ama-me baixinho
Não o grites acima dos telhados,
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim, 
tem que ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."


(Mario Quintana)


 


 


 


 Duas longas semanas sem qualquer notícia de Ron. Não, já era demais. Precisava fazer alguma coisa. E se ele estivesse correndo risco, ferido, desaparecido? Pensou em invadir o Departamento dos Aurores da Romênia. Solução desesperada, mas arriscada. Melhor era procurar por Carlinhos. Ainda assim, optou por usar a varinha para modificar um pouco a própria aparência como fizera com Ron quando foram a Gringotes em busca da horcrux trancada no cofre de Belatriz Lestrange.


Cabelos louros e curtos, olhos verdes e levemente amendoados, lábios mais grossos, dentes um pouco maiores. Hermione não gostou muito do resultado final do disfarce, mas seu principal objetivo foi atingido. Estava irreconhecível.


— Carlinhos, sou eu, Hermione. Achei melhor me disfarçar para vir aqui saber notícias de seu irmão - a jovem bruxa tratou logo de informar quando, ao ser atendida a portas fechadas na sala do especialista em dragões, o rapaz perguntou quem era ela.


— Finite Incantatem - Carlinhos ergueu a varinha para reverter o feitiço e a jovem voltou a ter a aparência original no mesmo instante. - Desculpe-me por isso, Mione. Eu precisava comprovar que você falava a verdade.


— No seu lugar, eu faria o mesmo - ela afirmou com simplicidade.


— Consegue reverter o feitiço? Acho mesmo que o disfarce é a opção mais segura - Carlinhos ponderou.


Hermione, que tinha uma ótima memória, logo voltou a ficar loura e a modificar os próprios traços. "Você é mesmo excelente em feitiços. Parabéns", elogiou Carlinhos.


— Não vou falar o nome da pessoa de quem vim saber notícias. Mas você sabe quem é. Como ele está? - a bruxa precisava ser rápida e objetiva.


— Você não soube? Bem, não precisa se preocupar. Ele está fora de perigo. Mas foi ferido e precisou ser hospitalizado - os olhos arregalados de Hermione revelavam todo o seu medo de que algo muito grave acontecesse.


— Por que não me avisaram?! - ela agora se mostrava aborrecida.


— Achei que ele tinha encontrado um jeito de fazer isso. Mas agora, pensando melhor, o chefe dele não permitiria. O chefe não deixou nem mesmo que eu o visitasse no hospital... - Carlinhos também evitava citar nomes, apesar de saber que estavam seguros em sua sala no Departamento de Proteção aos Dragões e Criaturas Mágicas,


— O quê?! Como ele pode te impedir de ver o seu próprio irmão? - Hermione não deixou Carlinhos concluir a frase.


— Fique calma. Como eu já te falei, ele está bem e...


— Como você sabe? Quem disse isso? Esse chefe ditador? Como pode confiar nele já que não deixou sequer que visitasse o seu irmão? - a garota não conseguia esconder sua revolta com Ștefan Hablinschi.


— Ele é uma pessoa muito íntegra, querida por todos aqui no Ministério da Magia da Romênia. Falou que eu não podia vê-lo por uma questão de segurança... Considera Ron como um filho - o rapaz deixou escapar o nome do irmão.


— Melhor não falar o nome dele - pediu temerosa. - Se você aceitou a imposição desse cara, deve ter suas razões. Mas eu vou visitá-lo! Em qual hospital ele está? Ou já recebeu alta?


— Eu não sei ao certo. Mas desconfio que está no Hospital Benjamin Tabirzan. Quando querem manter algum auror mais protegido, é para lá que costumam enviá-lo - Carlinhos contou com certa apreensão.


— É um hospital trouxa? Onde fica? - Hermione queria partir logo para lá.


— O hospital tem uma ala bruxa, que não é acessível à equipe de profissionais, pacientes e visitantes trouxas. Quase ninguém sabe disso. Impossível você chegar até lá sem a autorização do chefe dos aurores - Carlinhos foi sincero.


— Não gosto de me vangloriar disso. Mas sou muito boa em feitiços e uma pessoa decidida. É praticamente impossível que alguém me impeça de visitá-lo. Se não pode me ajudar, dou meu jeito. Obrigada pelas informações - Hermione já saia da sala quando Carlinhos a chamou.


— Espera, Hermione. Eu vou te dar uma dica. O setor bruxo ocupa o quinto andar do hospital. Na verdade seria o quinto andar e meio, já que fica entre o quinto e sexto andares trouxas, entende? - Carlinhos recebeu um obrigada de voz distante, já que inteligente bruxa atravessava a porta naquele momento.


No táxi, a caminho do hospital, Hermione traçou seu plano. Como não sabia falar romeno, usaria um feitiço muito difícil e complexo, que aprendera com Isobel. Essa magia permitiria que as suas palavras ditas em inglês fossem entendidas pelas pessoas em seus idiomas de origem. Simultaneamente, as palavras pronunciadas em romeno seriam traduzidas para ela. Claro que manteria a aparência modificada. Não queria correr o risco de ser reconhecida.


Até o momento, tudo saia como o planejado. Conseguiu, usando o Confundus, fazer com que a recepcionista trouxa agisse com muita simpatia e a deixasse passar. Com um comando da varinha, ordenou ao elevador que parasse no quinto andar e meio. Agora, com o feitiço Cave Inimicum, criou uma pequena área de isolamento, invisível aos olhares, durante o tempo necessário para identificar o uniforme das enfermeiras bruxas e transformar a sua roupa.


Esperava ser convincente no papel de enfermeira. Carregando uma bandeja de supostos medicamentos, entrou decidida na sala de enfermagem. Usou novamente o Confundus, dessa vez apenas para olhar o quadro com o nome dos pacientes. Como imaginava, não havia um Weasley na lista. Decidiu arriscar e seguir para o quarto de Smith, já que aquele era o único sobrenome inglês que encontrara.


Antes de conseguir abrir a porta do quarto cinco, foi parada por um comando. "Você não pode entrar aí", o tom era autoritário. Tentou ignorar, mas um feitiço atingiu a porta, impedindo-a de ser aberta. Precisava olhar para o dono daquela voz enérgica. Um bruxo de meia estatura, rosto de traços finos e cabelos grisalhos a encarava com desconfiança.


— O paciente precisa tomar esse medicamento - falou de forma resoluta.


— Apenas a enfermeira Hanna está autorizada a medicar o paciente. Quem é você? - o bruxo aproximou-se olhando fixamente para ela.


— Eu é que pergunto. Quem é você? - Hermione não podia recuar, apesar de todo nervosismo que sentia.


— Sou o responsável pelo paciente. Estou com ele há uma semana e seu rosto, senhorita, é completamente desconhecido para mim - o homem estava ainda mais desconfiado.


— Faço parte da equipe. Não tenho que te dar satisfações. Vou avisar à chefe do setor de enfermagem que o acompanhante do paciente está me impedindo de ministrar o medicamento - a garota ficou surpresa com a própria coragem.


Nesse momento, uma enfermeira negra, alta e forte aparece no corredor. "Algum problema? Posso ajudá-lo, senhor Hablinschi?", ela pergunta com sua voz grave e o coração de Hermione dispara ao ouvir aquele nome.


— Sim, Hanna, essa enfermeira quer medicar o Smith. Foi você que pediu isso? - a voz do chefe dos aurores ficou mais alta que o normal.


— De forma alguma! E... Hei! Quem é você, colega? Acho que não nos conhecemos - a enfermeira dirigiu-se agora a Hermione.


— Sou nova no hospital. Esse é meu primeiro plantão aqui - ela precisava falar de forma convincente.


— Estranho... Ninguém me falou que chegaria algum integrante novo para a nossa equipe. Tenho que confirmar essa informação - a enfermeira virou-se, mas foi detida pelo bruxo.


— Não precisa, Hanna. Eu e a enfermeira Hermione já nos entendemos. Ela se confundiu. Na verdade, o medicamento é para o paciente do quarto seis - a voz do auror ficou mais suave.


Assim que a enfermeira saiu do alcance da vista dos dois, Hermione não fez rodeios: "Agora que já sabe quem sou, deixe-me, por favor, visitar o Ron".


— Evite falar esse nome, se é que se preocupa com a segurança do Smith. E não, a resposta é não. Você não pode visitá-lo - ele cruzou os braços e voltou a encará-la.


— Eu vou visita-lo sim. Com ou sem a sua autorização. Não vou desistir desse meu objetivo. Sugiro que facilite as coisas se realmente quer garantir a segurança dele - Hermione também cruzou os braços.


— Bem, se é assim, acho que precisa saber algo sobre o Smith antes de visitá-lo - Stefan pareceu conformar-se.


— Não preciso e não quero saber nada. Meu único objetivo é ver como ele está - a jovem foi firme.


— Cinco minutos de visita. Nenhum minuto a mais além desses. Não pronuncie o nome dele e muito menos faça declarações de amor. Ah, claro, não tenha qualquer contato físico com o paciente - o bruxo falou de forma calma e enfática.


— Como assim? Quem você pensa que é para me ordenar tais coisas? - ela ficou chateada e constrangida.


— Só estou pensando na segurança do Smith. Não me faça mais perguntas e entre logo. Os cinco minutos já começaram a contar - ele foi mais uma vez enérgico.


Ron, que parecia dormir, estava com a barba por fazer, tinha uma das pernas engessada e elevada acima da maca. Ela aproximou-se com apreensão.


Teve vontade de afagar o cabelo do rapaz, beijar-lhe a testa, mas parecia ouvir novamente aquela voz severa: "Não tenha qualquer contato físico". Chegou bem perto do ruivo e começou a murmurar em seu ouvido.


— Sou eu. Abra os olhos, por favor. Preciso saber como você está - Hermione repetiu algumas vezes.


Com certa dificuldade, Ron abriu os olhos e a encarou. O encontro com aqueles orbes de profundo azul era reconfortante.


— Oi. Quem é você? - ele a olhava com estranhamento.


— Não reconheceu a minha voz? Sou eu, Hermione. Mudei um pouco minha fisionomia. Fiquei melhor com o cabelo curto e os olhos verdes? - ela sorriu.


O rapaz arregalou os olhos. Mesmo se ainda estava um pouco debilitado, ele conseguiu sacar a varinha e pronunciar o feitiço Finite Incantatem. Mais uma vez, naquele mesmo dia, Hermione voltou à sua aparência normal.


— O que você está fazendo aqui, Hermione? - Ron parecia bem irritado.


— Sei que acha perigoso, mas eu estava muito preocupada com você e precisava te ver - a garota não se intimou diante da reação dele.


— Precisava me ver? Achei que tinha deixado muito claro, no casamento de Harry e Gina, que você não devia me procurar mais - ele elevou a voz.


— Ron, que loucura é essa? Isso já faz muito tempo. Nós estamos bem agora. Você esqueceu tudo que aconteceu com a gente nos dois últimos meses? - Hermione perguntou incrédula.


— Acho que não me esqueci de nada. Na verdade, lembro muito bem de você pedindo para eu não te procurar nunca mais quando tentei reatar o nosso namoro - o ruivo tinha as orelhas vermelhas.


— Mas eu te procurei. Pedi desculpas por tudo que aconteceu, expliquei sobre o feitiço que nos afastou um do outro...


— Chega, Hermione! Quem enlouqueceu foi você. Saia do meu quarto, por favor - Ron estendeu o braço para apontar a direção da porta.


Ela percebeu que seria inútil insistir. Ron parecia estar com amnésia e tudo que acontecera nos dois últimos meses, todos os momentos felizes que compartilharam, podiam estar esquecidos para sempre. Mudou pela terceira vez naquele dia a própria fisionomia e, com grande tristeza, saiu do quarto. Stefan, que a aguardava no corredor, logo percebeu o abatimento da jovem bruxa.


— Três minutos. Podia ter ficado um pouco mais - ele olhava para o relógio.


— Para quê? Ele estava irritado comigo. Parece que esqueceu que nos reconciliamos há dois meses - Hermione falou desanimada.


— Era isso que eu precisava te contar. Smith teve uma amnésia leve. Esqueceu tudo que aconteceu no último ano. Ele ainda acha que namora a Marian...


— Como? Não é possível. Você não vai fazer nada em relação a isso? - ela contava com o bom senso do chefe dos aurores.


— Quanto a Marian, não se preocupa. Vou arranjar um jeito de convencê-lo de que já desmancharam. Mas em relação à memória, não posso fazer nada. Ele deve recuperar as lembranças naturalmente - Stefan afirmou.


— Eu preciso ver Ron outras vezes - Hermione foi direta ao ponto.


— Antes nós dois precisamos conversar. Me procure amanhã, às 16 horas, na minha sala. Fica no terceiro andar do Ministério da Magia - ele pediu.


— Tenho que voltar ainda hoje para o Canadá. Não vai ser possível - a jovem respondeu.


— Adie a viagem. É muito importante - o auror a convenceu.


 


 


* * * * * * * * * *


 


 


O que acharam? Alguém com vontade de me azarar? Culpa da minha bola de cristal que me mostra essas cenas...


Com a chegada de Stefan na história, começamos a apresentar alguns novos personagens que vão ser decisivos na trama. Não pensem que daqui para frente teremos apenas lágrimas. Momentos de humor, romantismo e ação, além de muitos diálogos, fazem parte do enredo.


Assim como devem estar ansiosos para saber o que vai acontecer, sinto grande curiosidade de conhecer a opinião de vocês sobre a fic até o momento... Só assim poderei melhorar :-)




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Comentários (3)

  • Morgana Lisbeth

    Oi, Ana!!! :-) Ai, que posso fazer? Essa bola de cristal só me mostra cenas tristes assim! Quer dizer, só não, porque estou vendo algumas cenas muito fofas também. Precisamos dar tempo ao tempo. É aquela velha história, no final, tudo dá certo. Se não deu certo, é porque não chegou no final

    2016-09-12
  • AninhaGWeasley

    Cheguei aqui!!! Ai, Merlin, nãããããão!!! Rony não pode ter esquecido daqueles beijos! Não pode ter esquecido que admitiu que ainda está mais apaixonado por Mione!!! Sei não, mas não confio nesse Stefan! Preciso do próximo capítulo! hahahahaha

    2016-09-12
  • Ana Clara Molina Ramos

    Mulher! Eu já fiquei apavorada nas notas iniciais.........por Merlin! #DesperadaAqui Rony hospitalizado? Okay.....podemos aguentar! Rony hospitalizado e sem memória? EU MATO VOCÊ, MORGANA! Ele esqueceu tudo ? GENTE! Esse Stefan...........espero que seja para o bem. Adorei o capítulo, mas estou apreensiva aqui. Só você, Morgana! Quero mais logo, por favor!!!!!

    2016-09-10
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