Visitando os Weasley



 Acordei com o som da campainha tocando. Olhei no relógio: Domingo, 7 horas da manhã. Faltava uma semana para a Páscoa. Mas, esse ano, eu não a passaria com ninguém. A questão é, quem queria me ver às sete horas da manhã de um Domingo? Pensei em Hermione. Mas, infelizmente, era impossível. Não havia ninguém. Poderia ser apenas um garotinho brincando de tocar a campainha das pessoas. Isso era bastante comum por aqui.


 Levantei-me lentamente, olhando para os lados, desnorteado, ainda não havia me acostumado com aquela casa. Ela era diferente demais para mim. Atendi a porta e vi quem era. Gabrielle.


 - Draco! Desculpa não ter vindo ontem! Minha tia me proibiu. Ela meio que disse que você é uma má influência. – Ela correu para o sofá com seus cabelos louros sacudindo ao vento.


 - Eu imaginei – Ri. Eu realmente tinha imaginado. Uma má influência. Quando eu percebi que meu pai não era lá o que se pode chamar de ‘ bom exemplo ‘ eu percebi uma coisa: Não existe isso de boa ou má influência, a única merda que existe é se você quer ou não seguir os mesmos passos de tal pessoa. Suas escolhas. E sabe, eu escolheria não seguir os mesmos passos, você quer realmente ser igual a alguém?


 - Isso não é para rir! – Falou-me ela, desaprovando, ela ligou a televisão e botou em algo chamado Barney. Eu já tinha ouvido falar, e me disseram que era muito chato.


 - Eu sei, eu sei...


 Depois disso, assistir Barney com ela por uma longa meia hora. Demora é o que não falta, a música ‘ Amo você, você me ama, somos uma família feliz ‘. Argh. Eu odiava isso, mas se a garotinha queria assistir, eu não ia impedi-la.


 Ouvi uma gritaria em meu quintal, eu e Gabrielle corremos para lá, e vimos a sua tia gritando feito um pimentão. Ela estava dentro da minha casa, será que ela sabe o que significa privacidade? E se eu estivesse fazendo algo que, hm, ela não pudesse ver?


 - Você! Foi só chegar aqui, que minha sobrinha quer fugir de casa e ser igual a você, todo se achando! – Assustei-me. O que eu fiz de errado, a sobrinha dela que veio aqui por livre e espontânea vontade, eu não pedi. – Venha cá! – A pequena garota foi. A mulher a agarrou, impedindo-a de se mover. – Você! Ah, você ainda vai ver!


 Com isso, a mulher saiu batendo o pé. Doida, pensei. Ela era realmente doida. Eu não fiz nada para a sua sobrinha, nada para ela. Eu nunca a machuquei, nunca nem falei com a mulher. Só porque ela me viu bebendo, agora, isso é crime? Eu sei que eu só posso beber com apenas vinte e um anos, mas todo o mundo começava a beber bem antes, com dezoito. Bem, eu comecei com quatorze, mas isso não vem ao caso.


 Fui a sala e mudei de canal. A garotinha já foi embora, eu não precisava assistir aquilo. Sentei-me no sofá e fiquei assistindo televisão pelo resto do dia. Como eu disse: Um dia mais monótono que o outro.


 *****


 Era domingo. Eu acordei, comi qualquer coisa e passei na casa de Harry, ligamos para Molly e ela pediu que o Rony não saísse hoje, apesar de ele estar bem, só para prevenir. Então fomos andando para a casa dele, nós podíamos aparatar. Mas eu e Harry estávamos sentindo a falta de ficar juntos, sozinhos. Havia tanto temo que não ficávamos conversando normalmente, como melhores amigos. Desde, bem, desde antes de Harry derrotar o Lorde Das Trevas.


 - O que você acha que o Ron tem? – Harry perguntou, nós já estávamos no meio do caminho, desde a saída de sua casa, não tínhamos falado nada, apenas nós dois estarmos na presença um do outro era o bastante para nos entendermos.


 - Não tenho ideia. – Falei.


 - Você é a inteligente. – Falou ele, com o tom de acusação. Eu odiava isso nele e em Ron, eles sempre achavam que eu sabia de tudo, e que eu era a pessoa mais inteligente do mundo. Era mentira, minha inteligência se limitava apenas aos livros. Eu não tinha imaginação. Profa. Trelawney havia me dito isso um dia, por isso eu fiquei tão revoltada, porque era a verdade.


 - Mas eu não sei.


 - É algo grave?


 - Eu duvido muito.


 Paramos de falar, tínhamos chegado à casa de Rony. Estava tudo muito calmo. O bom de tudo era que eles conseguiram reformar um pouco a Toca. As despesas de do Sr.Weasley tinha diminuído, agora que eles só tinham que sustentar três filhos, e ambos trabalhavam. Metade do dinheiro que era ganho dos filhos, eles davam para seu pai, o resto, bem, eles ficavam com o resto.


 Nós não precisávamos tocar a campainha, a porta sempre estava aberta. Não havia mais perigo.


 Entramos calmamente e logo vimos Sra.Weasley sentada no sofá assistindo televisão junto com Jorge, Gina e Ron. Televisão. Era engraçado eles terem isso, um objeto trouxa em casa. Mas não era de se esperar, Sr.Weasley era obcecado pelos trouxas. Harry um dia havia me dito que ele perguntara a Harry qual era a função de um pato de borracha. Eu ri demais nesse dia.


 Falei com todos muito formalmente, Harry repetiu meus passos. Até com Gina ele falou assim. Todos estavam muito tenso mas não falávamos isso à Rony. Ninguém sabia se isso poderia ser algo grave, ou simplesmente esse mal estar já passou. Nós só saberíamos se isso acontecesse de novo.


 Sentei-me ao lado de Ron e o abracei.


 - Você está bem? – Perguntei, o analisando.


 - Estou. – Ele falou com uma expressão vazia. Era mentira, ele ainda estava meio mal, podia ver seu rosto ainda um pouco pálido, mas ele não estava mais suando frio. Ainda bem.


 Eu não podia o beijar na frente de Molly. Na verdade, eu podia, mas eu sabia que ela não gostava quando seus filhos ficavam se agarrando na sua frente. Talvez seja por isso que Harry não fez nada com Gina, mas eu duvidava muitíssimo que essa fosse o motivo, na verdade, eu sabia qual era o motivo deles estarem assim, Rony.


 Molly foi preparar uma de suas belas comidas, um bolo de chocolate com refrigerante. Como eu amava sua comida. Ela era a melhor cozinheira que eu já havia visto em toda a minha vida. E é que eu já fui para bastante restaurantes totalmente requisitados, meus pais, são meio que, digamos, ricos, eles são dentistas, sim, mas eles são um dos melhores de Londres, então eles sempre me levavam para todos os tipos de restaurantes chiques, principalmente quando eu estava em casa, o que estava sendo raro desde os meus onze anos, quando fui para Hogwarts. Depois da guerra, fui passar uns dias com ele, e levei Ron, para meus pais poderem conhecê-lo melhor. Eles o aprovaram. Ron tinha sido totalmente formal e simpático com eles.


 Comemos silenciosamente, já estava ficando de tardezinha, eu e Harry precisávamos ir embora, podia ter acabado a guerra, mas isso não significava que ainda não corrêssemos um pouco de perigo. Principalmente agora, que Harry Potter era o garoto bruxo mais famoso do mundo. Ninguém na vizinhança o parava para tirar fotos, eles já haviam se acostumado com sua presença.


 - Porque vocês simplesmente não aparatam? – Perguntou Ron. Observei Harry que havia aproveitado o tempo em que a Sra.Weasley tinha ido receber o Sr.Weasley na porta para beijar Gina.


 - Hm, porque eu e Harry – Automaticamente, Harry parou de agarrar Gina e encarou nossa conversa. Ah, estava muito mais confortável sem eles participarem da conversa – Hm, gostamos de ir a pé.


 


 - Porque?! – Harry podia ser seu melhor amigo, mas Rony continuava com um ciúme gigante de nós. Talvez seja porque Harry conhece todos os meus segredos e me conhece perfeitamente, já Ron nem tanto. Ele tem medo de que eu o troque.


 - Porque é legal. – Falou Harry. Beijou Gina pela última vez e se levantou. – Vamos Mione?


 - Não, você não vai! Você vai ficar comigo, e volta para a casa aparatando. – Eu já tinha me levantado quando Rony se levantou bruscamente e me abraçou.


 - Eu vou sim. Você tem que parar com isso. – Falei, saindo de seus braços. Mas ele me impediu.


 Rony virou-me e beijou-me, um modo possessivo de ser. Eu odeio isso. Sério. O empurrei e fui para o lado de Harry.


 - Ela é minha. – Falou Rony.


 - Eu sei. – Falou Harry. Puxando-me para nós sairmos de casa.


 Depois de passar pela porta, caminhamos normalmente. Vi ódio nos olhos de Harry.


 - Como é que pode? O garoto tá doente e ainda fica arranjando briga! – Falou ele, literalmente gritando.


 Nós estávamos passando pela praça principal quando ele gritou isso, fazendo todos olharem e pensarem ‘ Com quem Harry Potter brigou, e, oh, ela está com Hermione Granger! Potter brigou pela Granger! ‘. Eu tinha ouvido alguém comentar isso. Às vezes, os rumores estão mais certos do que você pensa.


 Eu não falei nada, e foi assim até o caminho de volta à casa de Harry. Na porta abraçou-me protetoramente. Era tão bom, o modo como ele sempre me abraçou, era como se sempre estivéssemos ligados. Isso me fez me lembrar de uma coisa. Draco. Seu abraço era melhor do que de Harry. No mesmo instante, tirei-o da cabeça.


 Nós devíamos ter ficado abraçados por um longo tempo, porque todos estavam olhando. Mas Harry havia se acostumado com isso. Alguns tiravam fotos. Ele beijou-me na bochecha. Mais fotos.


 - Boa Noite.


 - Boa Noite.


 Depois de ele ter fechado a porta, aparatei.


  Como, nos melhores momentos eu penso sempre em Draco? Ele já havia me esquecido a muito tempo, uma hora dessas ele deve estar bebendo e fazendo sexo com alguma garota inútil por aí, e falando para todos ‘ Eu conquistei Hermione Granger ‘. Era algo idiota eu continuar gostando exatamente do cara que me fez mais mal, mas, porque eu precisaria dele? Eu tenho um amigo perfeito, e um namorado igualmente perfeito.


 Fui direto dormir, não queria pensar em mais nada.


 *****


 Já estava de noite, eu tinha ficado assistindo televisão por um grande tempo. Eu fiquei fazendo isso o dia todo: televisão e comendo Cheetos que eu havia pedido em uma padaria.


 Algumas vezes, eu sentia como se Hermione estivesse me esquecendo cada vez mais.  E eu não conseguia esquecê-la. Quando eu achava que eu havia se livrado dela nos meus pensamentos, eles me provavam o contrário. Eu só queria paz. Só queria ser apenas Draco Malfoy novamente, o garoto que não liga pros sentimentos de ninguém apenas para o seu próprio.


 Acho que agora eu estou aprendendo a viver. Eu nunca me esqueço do dia da morte de Dumbledore, que ele me falou ‘ Eu conheci um garoto que fez todas as escolhas erradas’. Na época, eu não havia tempo para pensar nisso. Mas agora eu tenho, e eu acho que se eu continuar assim, eu vou ser conhecido como ‘ o garoto que fez todas as escolhas certas’.

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