Uma visita à Granger



 Acordei de manhã ainda. A fome em mim estava gigante, eu não havia comido nada ontem a não ser ter tomado bebidas. Isso não era bom. Minha dor de cabeça não estava mais tão infernal, mas ainda sentia uma pontada de dor. Fui à cozinha e procurei algo para comer. ‘ Onde aquele elfo maldito guardava a comida? ‘. Fui em seu quarto, estava tudo enfileirado, com os nomes das comidas e tudo. Pensei em ir comer algo fora, mas eu não estava com a mínima vontade de ver as pessoas encarando, e também, ontem eu talvez tenha passado um mico gigante. Era melhor prevenir do que remediar.


 Fiz um achocolatado e um sanduíche, eu nunca cozinhei, então minha comida não era a das melhores, na verdade, era uma das piores. Tentei lembrar-me de como minha mãe Às vezes fazia minha comida, quando ela achava que o elfo estava sendo escravizado demais. É, minha mãe sempre foi uma boa pessoa. Já de meu pai eu não posso dizer o mesmo. Mas eu não tenho que reclamar, ele me dera comida, roupas de ótima qualidade, uma mansão rica de móveis e, enfim, tudo.


 Sentei-me no sofá e aproveitei para assistir a tevelisão trouxa, se fosse assim que falava. Era interessante o modo que uma caixinha podia mudar o cenário sempre. Tinha até jornal trouxa. Era bastante legal. Tinha pedido a minha mãe isso quando eu estava a caminho do Beco Diagonal.


 Hermione. Lembrei-me dela. ‘Por Merlin! ‘. Eu precisava  me desculpar por tudo. Tentei lembrar-me onde ela morava. A resposta veio clara. Ela obviamente morava perto de Weasley, e ele por sua vez morava em algum lugar como, Ottery, algo assim. Tentei me lembrar a cidade que um dia meu pai havia dito pra mim, Ottery... Ottery St... Ottery St. Catchpole, isso mesmo!


 Eu já havia ido lá. Lembrei-me perfeitamente onde eu tinha ido e aparatei.


 Essa cidade era meio que o interior, seria perfeito para alguém viver lá. E era onde várias famílias moravam os Weasley, é claro, os Lovegood, e os Diggory. Em toda casa havia o nome do dono nela. Se eu no começo da cidade, ao leste. Eu teria que andar para o Oeste. Seria uma caminhada e tanto.


 Caminhei lentamente, procurando o nome ‘Hermione Granger’ em uma casa. Já devia ter se passado meia hora quando eu finalmente achei essa bendita casa. Era toda arrumada, típico.


 Bati a porta e no mesmo instante Hermione a abriu. Sorri timidamente e entrei.


 - Hm, o que você está fazendo aqui? – Perguntou Hermione friamente, era óbvio que ela não queria me ver ali, e também, ela tinha motivos, não sei quais, mas com certeza tinha. Estava com uma cara de que não havia dormido nada. ‘ Será que alguém estava ali? ‘ Pensei. Não. Ela nem me atenderia se tivesse alguém com ela. – Sente-se. – Apontou para o sofá. A casa dela era realmente bonita. Não era uma mansão nem nada disso, mas era uma casa normal.


 - Eu vim me pedir desculpas por ontem. – Falei sentando-me no sofá. Ela sentou-se ao meu lado, deixando um pouco de distância de mim.


 - Então você se lembra de ontem? – Ela obviamente ficou pálida. ‘ Cara, o que você fez? ‘ Perguntei-me.


 Ela nunca me falaria o que aconteceu se eu dissesse que eu não sabia. Resolvi mentir.


 - É, lembro. – Falei, fingindo uma cara de decepção.


 - Por Merlin! Você se lembra de tudo? Porfavor, não conta que você me agarrou para ninguém, porfavor? – Ela se desesperou.


 Então era isso que eu tinha feito. Agarrado Hermione Granger, a santinha. Perguntei-me até que ponto eu fui, mas era uma resposta que eu sabia que nunca teria. Do nada me deu uma vontade desesperada de rir. Como ela podia ter caído tão fácil?


 - O que foi? – Perguntou ela assustada.


 - Eu não me lembro de nada. – Ri mais ainda.


 Ela me bateu com a almofada e começou a rir.


 - Ei, DOEU! – Peguei uma almofada e bati nela também.


 - Não se bate em garotas! – Ela estava rindo demais.


 - Estranha.


 Ela parou de rir e automaticamente colocou a almofada ao seu lado.


 - Então, você já vai, né?


 - Eu não poderia ficar mais um pouco? Sei lá, minha casa só há mim, mais ninguém. E a tensão, bem de estar na mesma casa que seus pais mortos. É... – Lágrimas caíram no meu rosto, impedindo-me de terminar a frase. – Você é a única pessoa que tenho.


 Hermione ficou um tempo me encarando, ela realmente estava triste, triste por mim. Senti que ela não sabia o que fazer. Ela chegou um pouco mais perto de mim, apoiou sua cabeça em meus ombros e começou a acariciar uma das minhas mãos soltas.


 Nenhum de nós dois queríamos quebrar aquele clima. Não falamos nada. Só aproveitamos o momento raro de que Hermione Granger e Draco Malfoy se entendiam.


 *****


 Tudo aconteceu muito rápido. Em um minuto eu estava batendo em Draco, na outra eu estava acariciando-o.


 E no mesmo instante. Alguém gritou de ódio atrás de mim. Por Merlin. Me esqueci completamente que o Rony ia me visitar aquela hora. Perguntei-me por quanto tempo ele estava me observando. Automaticamente percebi que eu não queria uma resposta.


 - Hermione? Sabe, eu aguentei uma vez, aguentei a segunda. Sinceramente, não dá para aguentar a terceira. – Sabia perfeitamente o que Rony estava falando. Foram três vezes que ele nos via, ou eu fui obrigada a contar. Seus olhos só transpareciam uma coisa: Raiva.


 - Olha, Rony, eu posso explicar. – Falei, indo ao encontro de Rony.


 - Eu não preciso de explicações. – Então era isso. Nosso namoro ia acabar por causa de ninguém mais que Draco Malfoy.


 -OLHA AQUI, CARA! ELA SÓ ESTAVA ME AJUDANDO, PORRA! DIFERENTE DE VOCÊ QUE SÓ SABE RECLAMAR DAS COISAS. ENTENDE A HISTÓRIA TODA ANTES DE ACABAR COM A MENINA. – Draco tinha se levantado e estava ao meu lado. Ele literalmente estava gritando.


 - É, MAS QUANDO VOCÊ VÊ SUA NAMORADA PRATICAMENTE SE AGARRANDO COM O OUTRO. É MELHOR ACABAR. – Rony ia avançar em Malfoy, mas ele foi mais rápido.


 No segundo seguinte, vi Rony caído no chão. Draco tinha dado um murro nele. Rony estava sangrando no nariz, gemendo. Aquela cena era horrível.


 - O QUE VOCÊ FEZ? – Peguei minha varinha e comecei a curar Rony.


 - Sabe, eu vou embora, quando você perceber que esse cara não vale nada, passa na minha casa. Talvez eu possa ser um amigo melhor do que esse idiota foi. – Percebi que ele falava friamente. No mesmo instante Draco já havia sumido.


 Rony olhou para mim, e foi embora. Não agradeceu, nada.


 Foi aí que eu percebi que o Draco estava certo. Ronald Weasley era um idiota, dos grandes.


 *****


 Já estava em casa. De uma coisa eu tinha certeza. Hermione Granger nunca mais iria me visitar.


 No mesmo instante me arrependi de ter dito aquilo. Do jeito que eu sou orgulhoso, nunca mais iria procurá-la, a não ser que ela me procurasse.


 Peguei uma comida pronta que o Elfo Doméstico, que por acaso eu nem me lembrava o nome dele, já tinha feito antes. É claro que, ele foi um bom elfo. ‘ Maldição, porque eu o deixei ir embora? ‘


 Sentei-me no sofá e perguntei-me o que eu tinha feito de errado para merecer tudo aquilo. Meus pais tinham morrido. Meu elfo doméstico estava em algum canto, provavelmente nem lembrava-se mais de mim para se preocupar comigo. Crabbe e Goyle tinham morrido na luta também, Hermione Granger me odiava agora. E Pansy Parkinson. Por Merlin! A Pansy ainda estava viva! Eu não gostava dela, mas daria para me livrar um pouco do peso das minhas costas.


 Estava anotado. Amanhã eu iria visitar Pansy Parkinson.


 Adormeci.

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