Capítulo 8



2/FEVEREIRO – 09:35h – DOMINGO – BEADLOW MANOR HOTEL & GOLF CLUB
Quando meus olhos captaram os fios de sol que passavam pelas frestas na persiana da janela do quarto, minha cabeça doeu. Não sei como, mas parecia que tinha passado a noite inteira bêbada. Meus músculos atrofiados reclamavam e desejei desaparecer ou voltar a cair no sono de novo. Acordar nunca é uma boa idéia quando você tem certeza de que seu corpo está todo retardado. Ou moído. Ou totalmente fora de nexo com o que seu cérebro queria que estivesse.


Rolei para o outro lado. A cama estava grande demais para mim. James não estava ali comigo. Assustei-me. O que eu tinha feito? Por que ele não estava ali? Sentei-me rapidamente. Tudo machucou, mas ignorei, tentando abrir mais meus olhos para pesquisar o quarto.


James estava sentado no sofá em frente da cama com os fones nas orelhas. Acho que ele estava ouvindo Weezer.


Suspirei, agora me situando.


Ele olhava para mim. Sorriu e retirou um dos fones.


Balancei a cabeça de modo leve e confuso e perguntei:


- Você estava me vendo dormir?


Ele riu e respondeu:


- Não, estava esperando você acordar. É diferente.


Apertei meus olhos, desconfiada e menos à vontade.


- Ah. Sei – falei, tirando os olhos deles, porque agora ele estava me deixando sem graça.


Quero dizer, que porcaria. A primeira coisa que ele vê quando acorda é uma menina de cabelo bagunçado, babando no travesseiro e embolada nas cobertas como uma criança. Não deve ser a melhor visão do mundo. Bem, não é mesmo. Sem contar a minha cara de sagüi da selva catatônico.


James já estava trocado. Vestia calça jeans preta e casaco de Matrix. Ele parecia bem mais velho com aquele sobre tudo. Claro que seu cabelo um pouco comprido caindo nos olhos como um cachorrinho o fizesse não perder toda a pose de James dele. Awn, ele estava muito fofo.


Hã? Ah, a minha cabeça. Ela não estava funcionando muito bem naquela hora. Porque é bastante raro eu achar alguém fofo. Só se for algum animalzinho ou o Trent Ford (de Meu Novo Amor) ou o Kevin Zegers (de Coisas de Meninos e Meninas). Mas não algum amigo. Normalmente não penso isso nem do Jason. Mas porque ele é atlético e não é tão fofo como filhotinhos de York Shire. Principalmente porque não tem franja nos olhos.


- São 08:20h. Você ainda tem uma hora para tomar um banho e fazer as suas coisas de menina até descermos para tomar o café da manhã – James me avisou com seu típico bom-humor que eu adoro. Ele parecia achar graça de algo. Espero que não fosse de mim.


- Ah. Isso é bom – falei, passando as mãos nos cabelos, tentando torná-los um pouco menos horrorosos e rebeldes.


- Ah, e uma coisa. Lembre-me da próxima de vez que dormirmos juntos de construir um muro de proteção no meio da cama. Você se meche demais. Teve uma hora que acordei e pensei que estava no meio de uma luta com um javali – ele me falou, rindo de se acabar.


Achei um pouco malvado demais. Senti todo o sangue do meu corpo subir até meu rosto. Acho que eu estava parecendo um morango gigante. Principalmente com o meu cabelo ruivo. Ah, que ótimo. Lembre-me também, James, da próxima vez que dormirmos juntos de colar uma fita crepe na sua boca. Assim, você me poupará de ouvir certas coisas que acho que você tem certeza de que me envergonham ao cubo. Bem, na verdade, qualquer coisa me envergonha. Tudo o que tem a ver comigo, pelo menos. Talvez seja por isso que a minha mãe vive dizendo que eu deveria marcar um horário com ela para eu falar sobre os meus traumas pessoais, porque ela acha que eu sofro de alguma doença de inferioridade. Quero dizer, que cause inferioridade em mim. Eu somente acho que é um complexo e que ninguém deveria me levar a sério. Principalmente quando eu começo a reclamar dos meus peitos ou quando eu começo a me comparar com a Taylor.


- Er, eu tenho um sono muito agitado – me desculpei, totalmente querendo bater nele.


- Notei. Acho que você sonhou a noite inteira que era o Sylvester Stallone em todos os filmes do Rocky. Sério, acho que nem se todos os caras do time de luta da escola me batessem eu ficaria tão machucado. Para uma menina, você sabe bater bem, hein? – James continuava a tirar com a minha cara. Eu estava com uma expressão de japa ninja prestes a decapitar alguém.


- Ah, hahahaha. Superhilário – devolvi, ainda um tanto mortificada de vergonha.


- Não, agora é sério, vai lá tomar o seu banho, porque não podemos nos atrasar – James me disse, ainda que estivesse rindo.


- Eu mal acordo e você já está mandando em mim? – reclamei brincando, deixando de lado suas frases anteriores.


- Bem, alguém tem que ter a cabeça no lugar aqui, não é? – ele incitou, sorrindo-me.


Fiz uma careta e saí da cama. James permaneceu no sofá, olhando-me enquanto eu tentava achar umas roupas decentes para tomar café da manhã e viajar de trem, novamente.


 2/FEVEREIRO – 10:51h – DOMINGO – NA CABINE DO TREM DE VOLTA A BEDFORD
Na ferroviária, um cara nos parou e nos fez comprar bonés por uma libra cada. Ele estava muito feliz, com o seu próprio boné de camelo na cabeça, berrando “Ooolhem, comprem os animaizinhos para colocarem na cabeça!”. O James só falava:


- Não, obrigado, cara, não queremos os animais.


Mas eu adoro animais, então o fiz comprar um de leão (ele tem juba) e levei um de pônei cor de rosa (na verdade acho que é um unicórnio). O cara ficou tão contente que nos deixou levar a caixa mágica dele, que tem flores, panos coloridos e cartõezinhos fofos do tipo “Sonhe, sempre. Mas nunca esqueça de viver” ou “Não tenha tempo para pessoas fúteis e sem cérebro” (essa é a frase da minha vida, hahaha) ou “Você não pode voltar e fazer um novo começo, mas pode começar agora, e fazer um novo final”. Sei lá, na verdade esses cartões me lembram as frases de auto-ajuda que a minha mãe manda seus pacientes escolher na urna de “Frase do Dia”, um dos recursos que ela tem para fazer as pessoas se sentirem felizes (ou acha que as faz se sentirem felizes).


O mais legal dos animais é que no nariz de todos eles tem um sininho super irritante.


Pelo menos tenho alguma lembrança de Beadlow. Hahaha.


Bom, já na cabine, o James não parava de tagarelar sobre o show de ontem, que eu não me lembro nem da metade. Isso começou a me deixar um pouco mal, porque queria ter toda a lembrança da noite de ontem para poder reproduzir para todos que quiserem ouvir, mas acho que não estou com muita sorte.


- Você nem ouviu o que o Liam disse no final da última música? – James se chocou um pouco, acho. Coitadinho.


- Sinceramente, eu não me lembro. Provavelmente devo ter ouvido algo, mas não ficou em minha mente – falei, já cheia do assunto.


- Uau... Então você nem se lembra da hora em que...


- James. Eu não me lembro de nada – eu lhe disse, esperando que ele me achasse a maior esquisita de todas e parasse de falar comigo. Pelo menos sobre o show.


- Tudo bem, eu gravei quase todo o show, você pode ver se quiser – ele me sorriu todo solidário.


Awwnn. Ele filmou. Que amor. Eu não filmei nadinha. Só tirei algumas poucas fotos.


Que legal que ele estava preocupado com a minha amnésia pós-show. Talvez eu devesse fazer terapia com ele.


- Tudo bem. Legal isso – bati em seu braço, de um jeito amigável.


- Vamos ouvir o que agora? Não quero mais o Weezer – James me disse, apontando para seu i-pod branco em cima do estofado fofo. Claro que pela minha cara ele já sabia qual era a minha resposta. Porque a minha resposta é quase sempre a mesma. A menos que eu esteja a fim de escutar Joss Stone ou Taylor Swift ou Gwen Stefani ou Kate Perry – Que vício, Lils – ele balançou os cabelos negros com um ar de falsa decepção.


- E eu vou fazer o quê? – dei de ombros.


Dividi o fone de meu i-pod com ele para cantarmos a primeira música da pastinha do Paramore (que é Careful *-*).


- Você acha que a Zo e o Sirius já projetaram algum plano para a Taylor? – perguntei depois que cansei de cantar e mudei para a próxima canção.


- Acho que não. Eu nem sei o que eles farão, então é um pouco difícil de saber – James falou, olhando-me de esguelha.


- Ninguém sabe, o que é muito perigoso. Será que eles colocarão a T em um caldeirão e a fritarão viva? – arregalei os olhos.


- Peraí, isso já é canibalismo. Ou antropofagia. Se eles a quiserem comer, claro.  Mas acho que não. Quero dizer, a Zora é do mal, cara.


- Sim. Ela adora humilhar as pessoas que a humilharam. Ela fez isso com a Lauren Golft na quarta série. Aí a Lauren mandou o grupinho dela bater na Zora e elas nunca mais foram amigas – eu lhe contei.


- Nossa. Mas o que a Zora fez para a Lauren?


- Ela espalhou para a escola inteira que a Lauren nunca tinha beijado.


- E o que tem de errado nisso? A gente só tinha, tipo, dez ou onze anos – James fez uma careta.


- A Zora achava errado, ué. Mas acho que era só porque ela nunca suportou os sapatos plataforma que a Lauren usava.


- Vocês meninas arrumam confusão por cada coisa besta – James riu.


- Eu sei, mas acho que isso acontece porque nós temos mais inveja do que vocês.


- Você não deveria ter inveja de ninguém. E daí se a Taylor é a mais popular? Você vai querer ser como ela só para ter os privilégios errados dela? – James me questionou.


- Eu nunca quis ser como a Taylor – neguei, defendendo-me.


- Isso é bom, porque se você quiser ser como ela, eu não vou poder continuar a convidar você para mais shows – ele brincou.


- Haha. Seu bobo, até parece – eu bati nele e rimos.


Agora James está dormindo sentado. É engraçado. Ele estava lendo “A Janela Secreta”, de Stephen King e simplesmente adormeceu. Pelo menos ele não baba enquanto dorme. Olhá-lo dormindo está me fazendo também querer fazer o mesmo. Acho que não tem problema se eu me encostar nele e sonhar com alguma coisa boa. Com unicórnios cor-de-rosa felizes saltitando no campo ou com a Hayley Williams.


 2/FEVEREIRO – 11:47h – DOMINGO – NA CABINE DO TREM DE VOLTA A BEDFORD
Um barulho muito chato me fez abrir os olhos. Era uma música. Estava praticamente no último volume. Por um tempo, achei que fosse de qualquer outra cabine, mas quando prestei a devida atenção, percebi que era um toque de celular muito familiar. Levantei a minha cabeça do meu peito de James e pisquei. Ele me empurrou levemente para o lado, fazendo-me sentar, quase no mesmo segundo.


- O quê? O que foi? – ele me indagou, totalmente perdido, olhando para mim e para a janela.


- Acho que é o meu celular – falei, desconcertada e preguiçosa. Ah, estava tão bom ali. TINHA que ser o meu celular para estragar tudo. Se fosse a D. Julia, juro que nunca mais fazia chazinhos para ela.


Mas não era a minha avó.


- Alô? – eu falei, tonta.


- Lily? – uma voz profunda e masculina perguntou – Sou eu, Jason.


Meu estômago se despencou um pouco. Aff, não acredito que ele me tirou de meu sono numa hora dessas. Sei lá o que eu estava sonhando (provavelmente nada, porque quase nunca sonho com coisas boas), mas o sono estava bom.


- Ah, oi – falei. James me olhava com as sobrancelhas levantadas, curioso, ainda que muito sonolento.


- Ontem eu liguei para você, à noite, mas você não me atendeu – Jason me falou. Acho que ele estava aborrecido.


Gelei. Ah. Meu. Deus. Será que ele soube que não estava em Beadlow para fazer compras caríssimas com D. Julia? Será que ele ligou para a minha casa e a minha mãe lhe contou tudo sobre o show com o James? Será que meu namoro já não é mais nada?


- Ah. Hum, é. Eu e... minha avó... saímos – menti.


James me olhou estranhando. Fez uma careta e começou tentar entender a conversa.


- Ah bom. Mas você nunca atende o celular, não é? – ele explodiu. Senti-me culpada.


- Desculpa – pedi, sentindo-me desconfortável.


- Você estava dormindo? – ele quis saber.


- Er, sim.


- Hum. Sua avó ainda está dormindo também? A que horas vocês voltam? Acho que ainda dá tempo para nós dois tomarmos um chocolate quente na Lubys, antes do anoitecer – pela sua voz agora mais calma, acho que dava para respirar mais aliviada.


- Aaah. Hum. Sim, ela ainda está dormindo. Hum, acho que o trem sai às... 12h – fiz uma careta para mim mesma. Uau. Nem sei se existe alguma linha de trem que saia às 12h. Provavelmente não, já que é a hora do almoço, mas tanto faz. Até parece que o Jason é esperto o suficiente para se dar conta disso. Uma vez, na aula de História Geral em conjunto, ele respondeu que o Xá Reza Pahlevi (o primeiro “rei” do Irã) era o nome de um chá indiano. Então, dá para ter uma constatação geral da conclusão que ele tirará: nenhuma (como sempre).


- Ah. Espere aí. Como é que vocês ainda estão dormindo então? Vocês já teriam de estar na rodoviária a essa altura – Jason disse.


AH PORCARIA! Agora ele se lembra de matemática! Que ótimo!


- Aaah, hahaha, é que... estamos... indo para a ferroviária no carro alugado por minha avó. E ela colocou o meu avô de motorista – menti mais um pouco. Uau, que história mais absurda! Até parece que meu avô se prestaria para dar uma de motorista em uma cidade desconhecida. Minha avó teria alugado um motorista profissional, é claro.


- Hummm. Então, tá. Depois nos falamos quando você chegar. Boa viagem – ele me desejou. Acho que ele estava prestando atenção em outra coisa. Tipo, em mais um jogo de basquete pela TV. Provavelmente.


- Ah. Obrigada – não tive coragem de sorrir. Nossa. Eu sou a pior namorada do mundo. Desliguei.


- Então quer dizer que você disse para o seu namorado que você iria para Beadlow com a sua avó? – James quis saber, mas seu tom de voz não estava provocativo ou transparecia desprezo.


- Ele não gosta muito do Oasis, sabe – falei. E isso nem é mentira. Jason realmente não gosta do Oasis. Mas claro que essa não era a resposta esperada por James. E foi por isso que ele me lançou um olhar sarcástico. – Tá, tudo bem. Ele não gosta muito de você e eu não podia dizer que iria passar o fim de semana com você – revirei os olhos e expliquei, sentindo-me muito esquisita. Não queria que James soubesse que Jason não gosta dele.


- Ah. Entendo. Daí você mentiu para ele sobre a sua avó dormindo e sobre o carro alugado.


- James... – implorei.


- O quê? Eu não estou nem aí para o que você fala para o Jason. Ele é seu namorado.


- Então... Tudo bem? – eu hesitei, esperando.


- O que você fala para ele não é problema meu, não é mesmo? – ele fez uma careta, como se realmente não estivesse se importando com todo o meu teatro.


- Hum, certo – falei, tentando sorrir agradecida, mas não consegui. Acho que ainda estava um pouco mal por toda a mentira. Sem contar que James terá de esconder o que fez esse fim de semana comigo, igualmente. Bem, na verdade, ele só não pode contar ao Jason, ou à galera dos populares, porque eles contariam ao meu namorado.


- Bem, quer tentar dormir de novo? – ele me perguntou, esticando as pernas.


- Er, não – balancei a cabeça negativamente.


- Baralho?


- Por que você não me conta sobre a sua vida um pouco mais? Sei lá. Qualquer coisa – propus.


- Tuudo bem. O que quer saber? – ele me sorriu torto e eu imaginei que talvez pudesse estar rindo de mim mentalmente.


- Qualquer coisa – repeti, dando de ombros – Sobre seus pais, se já teve cachorros, sei lá.


- Ok. Nós já tivemos um galo. Mas ele morreu. O galo amigo dele, que era maior, arrancou a cabeça dele – James me disse.


Fiz uma careta.


- O quê? Coitadinho dele! Vocês tinham uma fazenda?


- Não. Era na época em que eu e a Al tínhamos uns cinco ou seis anos e morávamos perto do centro da cidade e estudávamos em uma escola pública. Não que morássemos em uma fazenda, mas meus pais gostavam de animais de fazenda e construíram um canil, que depois se transformou em um galinheiro, após a morte do Soony.


- Humm. Eu nunca tive animais, fora o John, meu hamterzinho que morreu de pneumonia.


- É, os bichos morrem muito cedo – James disse.


- E seus pais, como são? Quero dizer, já conheci sua mãe, mas como é a coisa entre eles?


- É... legal...? – ele riu – Ah. Você está me perguntando isso por causa do seu pai, não é?


- É. Eu acho que não acredito no casamento.


- Foi tão ruim assim?


- Não. Só foi decepcionante. Tipo, eu tinha dez anos e não sabia o que era uma família sem a minha mãe ou o meu pai, então ele simplesmente saiu de casa.


- O casamento deles não ia bem?


- Não. Meu pai traía minha mãe todas às quartas-feiras, dizendo que ia para a reunião dos antigos amigos da faculdade.


- Ela contou a você depois? – acho que ele se surpreendeu.


Eu ri.


- Não. Eu mesma descobri. Eu tinha onze anos e ia passar o fim de semana na casa nova dele, mas ele desmarcou nosso encontro e eu fui até a casa para saber o que ele estava fazendo que não podia passar dois dias comigo.


- E...?


- E eu vi uma mulher loura chegando com o carro novo dele e entrando na casa. Então, a partir daquele dia, venho fingindo que nunca tive pai – eu lhe disse.


- Uau – foi o que ele conseguiu me dizer. Acho que estava com vontade de me abraçar, mas acho que se ele resolvesse realmente fazer tal ação, fugiria de seus braços. Eu nunca precisei de um abraço por conta da minha família – Mas... acho que você não deva desacreditar no casamento só porque isso deu errado com seus pais. Não é só porque eles se separam que isso irá acontecer com você.


- É o que todo mundo me diz, mas simplesmente nunca, nem mesmo na época em que tive meu pai por perto, tive desejo de casar. É estranho. Principalmente agora que descobri que as pessoas somente se casam por causa da perpetuação da espécie. Não quero me casar somente para ter filhos. Quero fazer outras coisas que não tenham a ver com um marido – expliquei, tentando não me passar por muito feminista.


- Mas você pode fazer muitas coisas com um marido, também. Veja a Angelina Jolie e o Brad Pitt – ele exemplificou.


- James, a possibilidade de eu arranjar um marido como o Brad é de, tipo, -100. E eu nem sou famosa ou tenho um cabelo perfeito – assinalei desgostosa.


- Ninguém disse que os caras só gostam das meninas famosas ou de cabelo perfeito – James rebateu.


- É verdade. Ninguém até hoje entendeu o porquê Jason está ainda comigo – pensei alto. Alto demais. 


- Nossa, você adora se rebaixar, hein?


- Acho que é só a realidade – dei de ombros.


- Não, essa é a realidade distorcida que você se coloca – corrigiu-me ele, em um tom muito parecido com o da minha mãe quando diz “Você é muito melhor do que isso!” para o Charlie, seu paciente mais doente.


- Tanto faz – suspirei – Às vezes acho que preciso de um psicólogo.


- Sua mãe não é psiquiatra? Você deveria se abrir com ela.


- Alguém de fora da minha família, quero dizer. Não quero que ela descubra que eu sou uma neurótica frustrada.


- Bem, talvez conversar com um amigo já seja uma terapia – James chegou à conclusão, dando de ombros, como quem não quer nada.


- É, talvez você se torne o meu psicólogo oficial, desse jeito – eu ri e ele concordou com a cabeça.


- Eu não vejo muitos problemas quanto a isso – ele piscou para mim e me jogou uma das barrinha de chocolate que roubamos do quarto do hotel.


Comemos as barrinhas em silêncio, mas pude notar que, se pudesse, não pararia de falar nunca mais. James me faz querer ser eu mesma com uma facilidade extrema.


 2/FEVEREIRO – 13:52h – DOMINGO – CASA
- Enfim, em casa – suspirei deixando minha cabeça se acomodar em seu ombro.


- Ah, pelo jeito que fala parece que foi uma tortura – James riu.


- Você não gosta da sua casa? – fiz cara de surpresa triste, balançando a cabeça e olhando somente para seu queixo e pescoço. 


- Claro que gosto, só estava brincando.


O táxi avançava pela cidade e eu sentia falta do meu quarto.


- Vamos tirar mais uma foto para recordarmos! – eu falei, tirando a máquina fotográfica da bolsa de mão.


Ele gemeu:


- De novo? Mais uma? Acho que você já tem uma coleção do que fizemos em todos os minutos desse fim de semana!


- Shh, não reclama! – falei, ligando o aparelho.


O motorista nos olhou e James disse a ele:


- É caso de internação. Nunca saia com uma menina que conhece há apenas um pouco mais de uma semana.


O senhor riu e continuou a nos olhar de um modo feliz. 


- Ha, então eu tenho um conselho a você – eu disse a James, entrando na brincadeira: - Não convide essa menina para um show em outra cidade, porque daí você vai ter de dividir a cama com ela e ao acordar vai dar de cara com o Frankenstein em versão feminina. Se o Frankenstein fosse ruivo, claro.


Isso fez o motorista e James caírem na risada.


- Tem razão. Sem acrescentar todos os chutes e socos que você me deu durante a noite – James complementou.


Olhei-o com cara de sagüi da selva do mal.


- Tá bom, tá bom, não vou contar isso a Alex – ele colocou as palmas das mãos para fora, em um sinal de rendimento.


- Ah, cala a boca e sorria – falei, juntando a minha cabeça na dele e disparando o flash cegante.


- Nossa, agora vou precisar de um oftalmologista para sair do carro – ele reclamou. Bati-lhe.


- Ai, você não pára com isso, hein? – ele provocou.


- Você é muuito chato, sabia? – atirei, rindo.


- Eu sei, mas você não pode negar que não seja divertido – ele me piscou, todo maroto.


- Se diversão com você significa o ouvir me envergonhar, acho que prefiro enfrentar um passeio no Túnel do Fantasma do parque – falei.


- Tudo bem, então vou continuar – ele prometeu. Eu corei. Ele é mesmo chato. Apesar de fofo.


- Pára! – pedi, novamente acertando-lhe.


Acho que o senhor já estava achando que iríamos sair pela janela naquele confronto.


- Tá vendo? Você é que não pára! – James riu, adorando mais uma oportunidade.


- Mas você merece, oras! – retruquei.


- Até parece! Você é que tem alguma coisa comigo. Ou contra mim, vai ver – ele falou.


O carro desacelerou e parou. Antes de entrar no táxi combinamos de me deixar primeiro, ainda que a casa dele seja mais perto da ferroviária. Ele disse que é uma questão de educação. Achei tão legal, porque o Jason nunca faz essas coisas. Quero dizer, nunca pensa primeiro em mim. Se saímos, eu sempre pego um táxi e volto para casa sozinha.


- Dezessete libras, senhores – o senhor de cabelos ralos nos disse. Eu já ia tirar o dinheiro da carteira quadriculada, mas James se adiantou e pagou.


- Ei. É a minha corrida. Você paga a sua – protestei.


- Tudo bem, da próxima vez em que sairmos, você paga tudo, prometo – ele me empurrou para a porta, levemente.


- Isso é muito injusto, sabia?


- Ah, sim, você falando de justiça. Muito certo também – ele me disse, sarcástico – Não foi você que disse ao seu namorado que iria para Beadlow com a sua avó e que ela tinha alugado um carro que seu avô estava dirigindo?


Ah, que coisa esse James, cara. Acho que ele se tornou meu amigo somente com a missão de me fazer corar. Que coisa mais irritante. Odeio quando as pessoas fazem isso comigo.


- É melhor eu entrar antes que você não consiga ir para sua casa depois da surra que vai tomar de mim – eu falei, fechando a porta do carro e me virando para o jardim.


- Ah, eu só acredito vendo – ele retribuiu.


Ignorei-o e segui para a porta de frente.


- Tudo bem, nos falamos amanhã. E eu vou contar para todo mundo que você me bateu a noite inteira – James me falou, mas acho que não falava à sério. Bem, tomara que não. Não quero que as pessoas saibam que eu tive de dividir a cama do hotel com ele. E quero menos ainda que Jason saiba da minha mentira.


- Se você fizer isso eu não canto na apresentação – ah, me deu uma raiva. Sei que provavelmente ele só estava brincando, como sempre, mas eu tinha de reagir! Não podia simplesmente deixá-lo dizer o que quisesse.


- Ei, relaxa, Encrenca. Não vou contar nada – ele sorriu verdadeiro.


- É sério, você tem de parar de ser tão chato – aconselhei-o.


- Tudo bem, vou tentar. Mas só porque é você – ele me prometeu.


- Ótimo – falei, agora dando mesmo as costas para ele.


- Ótimo – ouvi-o gritar, já com o táxi dando partida. Quando a rua se tornou deserta, eu caí no riso.


Esse cara é tão legal!


Bati a porta atrás de mim e disse:


- Cheguei, mãe!


Claro que eu não esperava ser recebida pela D. Julia parecendo um ET, com sua máscara de massagem facial verde no rosto.


- O que isso, D. Julia! Quer me assustar? Ainda não chegou o Halloween, não!


- Cale a boca, menina. Você é que me assustou, chegando tão sorrateira – ela me disse. Ah, que bom estar em casa. Que bom voltar para as respostas tortas da minha avó (NÃO) – Como foi a fim de semana? – sua voz estava excitada, como se quisesse saber sobre o novo namorado da Jennifer Lopez.


- Bom – resumi. É claro que ela não queria saber sobre o show ou sobre a sensação de estar pulando uma música que eu nem escutava direito. Ela queria saber sobre mim e James. Como se eu e ele fôssemos mais do que amigos.


- Só isso? Bom? – dava para ver que ela se decepcionou. De certo estava esperando que ele me agarrasse e me beijasse. Ou sei lá. Mas, considerando que tivemos que dormir juntos, isso já é muita coisa. Provavelmente o tipo de coisa que D. Julia queria escutar, mas que não vou compartilhar, claro.


- É. Queria que fosse como? – perguntei-lhe.


- Ótimo, esplêndido, inesquecível, romântico, maravilhoso... – ela me respondeu, sonhadora.


- Só fomos a um show, D. Julia, e Oasis não é a banda da minha vida, então... foi um bom show e um bom fim de semana – tentei explicar, achando que se falasse bem devagar ela fosse entender.


Até parece. Ela não entende nem desenhando.


- Não me estou referindo ao show, menina. Quero saber se você e o J...


- D. Julia, entenda: eu e James somos somente amigos. Meu namorado é o Jason – novamente, tentei explicar tudo direitinho, com a maior paciência do mundo.


- É por isso que você não vai para frente na sua vida – ela balançou a cabeça, desgostosa.


Fiz cara de sagüi da selva para ela, mas desisti de retrucar qualquer coisa. Eu estou tão cansada dela.


- Onde está a minha mãe? – resolvi perguntar, ao invés de falar um “Cala a boca, D. Julia!”!


- Na clínica. Aquele tal de Charlie ligou e ficou choramingando no telefone. Não sei como a sua mãe tem paciência com essa gente. Por mim, receitava uns remédios para dormir e acabava com essa história.


- Ah, daí você seria a mais nova assassina da região e seria presa – assinalei.


Ela abanou as mãos, entediada.


- Verdade que não aconteceu nada entre vocês? – D. Julia me perguntou, com a voz sôfrega.


Olhei-a querendo arrancar sua pele.


- Verdade, D. Julia. Agora me dê licença, porque preciso ligar para o meu namorado – eu confirmei e comecei a subir as escadas, rumo ao meu quarto.


- Quanta grosseria para uma recém-chegada, Deus. Ah, por que tenho de ter uma neta assim? O que foi que eu fiz de errado na vida passada? – ouvi-a reclamar consigo mesma. Revirei os olhos.


Entrei no meu quarto, sentindo saudade do cheiro de incenso de laranja que nunca sai dele.


Larguei minha bolsa de mão e minha bolsa de rodinhas e peguei meu telefone. Disquei para Zora.


- Alô? – era a Zora, claro.  


- Oi, Zo. É a Lily. Estou em casa. Eu e James já chegamos de Beadlow – falei.


- Aaah. Oi, Lils. Como foi lá? Tirou muita foto? Eu adoro fotos, você tem que me mostrar todas elas! – sua voz estava feliz, como sempre. A Zora tem um alto-astral gigantesco.


- Tirei sim. O James me disse que filmou um pouco do show, também.


- Uuuh. Sei. Recordação.


- É, mas eu não me lembro de quase nada do show.


- Hahahaha, amnésia pós-show. Aconteceu isso comigo também quando eu fui ao show do 30 Seconds To Mars, ano passado. Só o que tenho de recordação são as milhões de fotos que tirei do Jared Leto. Uh, morro toda vez que as vejo!


Eu ri.


- Que legal. Eu tentei ir, mas não tinha dinheiro o suficiente.


- Amanhã levo as fotos para você ver no intervalo. A Nick também gosta. Ela vai amar.


Nick? Ah, a Nichole. Certo. A Zora tem a mania de apelidar todo mundo do nada.


- Aham. Olha, vou desligar, porque tenho que ensaiar e ainda terminar de fazer a resenha de literatura e começar a escrever a redação da Sra. Prince – eu falei rapidinho.


Nossa, eu mal chego e parece que nem tive folga.


- Ah, claro. Também tenho de começar a escrever essas coisas.


- Certo – falei – É.. qual é o plano para acabar com a Taylor? – eu perguntei.


- Ah, cala a boca, Lily! Vai ensaiar! – ela riu e desligou. Era claro que ela não me diria nada. Esses planinhos dela sempre são tão secretos, que acho que nem ela os entende.


Realmente é melhor eu começar a me mexer aqui. E é melhor eu começar pela resenha e pela redação. Não consigo mais ensaiar sem o James por perto mesmo, então de nada adiantará.


 2/FEVEREIRO – 15:07h – DOMINGO - CASA
Quando eu estava passando a redação da Sra Prince à limpo sobre os testes em animais, Jason me ligou novamente.


- Oi, Raposinha. Já está em casa? – ele me perguntou. Acho que estava em algum jogo, porque o som do outro lado da linha era de vozes e mais vozes.


- Já, sim. Praticamente acabei de chegar – menti mais uma vez. Nossa, com a freqüência que estou mentindo para o meu namorado desde a semana passada é de se pensar que eu seja verdadeiramente a pior namorada do mundo.


- Ah, que bom. Quer vim para a pista de patinação? Os Trolls estão jogando contra os Bruses – Jason me disse, parecendo muito animado.


- Ah, não vai dar, Jason. Tenho de terminar a redação da Sra. Prince e ensaiar para a apresentação – mentira de novo. Eu nem estava pensando em ensaiar.


- Oh. Tudo bem. Nos falamos amanhã, então. Ou mais tarde. Ligue-me antes de se deitar, ok? – ele propôs.


- Hum, claro – confirmei. Que coisa. Sou eu que sempre tem de ligar. E só para desejar um “boa-noite”. Quero dizer, é muito bom ouvir um “boa-noite” da pessoa amada, mas Jason simplesmente sempre espera demais de mim. Ou melhor, eu sempre espero demais dele. Sei lá. Eu sempre quero algo diferente, sabe. Sempre quero fazer coisas diferentes, mas ele sempre quer fazer as mesmas coisas. Sempre é: basquete, restaurante, pista de patinação e quarto. Não fazemos programas diferentes. Nunca fomos, por exemplo, a um parque de diversões. Ele nunca ganhou um ursão gigante para mim no jogo dos pinos e nunca andamos de roda gigante. Nunca nem dividimos uma maça do amor! Antes de começar a namorar, eu pensava que os namorados faziam coisas legais e ficava fantasiando em que lugares passearia com o meu namorado, mas o Jason não gosta de ir em lugares diferentes. Ele nem consegue assistir um clipe da minha banda favorita! Quero dizer, não que eu queira obrigá-lo a se fissurar pelo Paramore, mas seria legal se ele parasse de se referir à Hayley como “aquela emo das roupas coloridas”. Eu nunca ofendi nenhum dos rappers que ele gosta (pelo menos, não na frente dele).


- Ok, até mais tarde. Te amo, Raposinha – Jason me falou.


Awwn. É sempre bom ouvi-lo dizer um “eu te amo”, porque é super difícil arrancar esse tipo de coisa dele.


- Eu também. Muito – sorri do outro lado da linha e ele logo desligou.


Não sei porque, mas me lembrei do que o James me disse sobre eu me colocar em uma realidade distorcida. O que ele queria dizer com isso? Que sou louca e que mereço alguém melhor do que Jason? Ou somente que sou louca e devo procurar ajuda? Vai saber.


 2/FEVEREIRO – 19:21h – DOMINGO - CASA
Minha mãe acabou de chegar. Ela diz que eu deveria passar mais fins de semana fora. Diz também que sempre faço as mesmas coisas. Ah, você também pensa isso, mãe? Porque concordo!


No meio de toda a minha correria de tentar resumir todas as horas que passei em Beadlow, mencionei o caso da cama. Da cama de casal.


- E ele disse que eu praticamente o espanquei a noite toda – eu ri.


- Bem, você se mexe muito, realmente. Acho que você não deve mais dividir a cama com James. É perigoso para ambos. Coitadinho do menino – minha mãe falou, toda solidária, sem atirar nenhum comentário do tipo “Aaah, vocês dormiram juntos, foi?”, que provavelmente minha avó diria. Sem contar que ficaria muito feliz.


- É, e ele não pára de me irritar com isso.


- Amigos não são amigos sem um pouco de implicância, não é? – ela riu.


- Implicância dentro de uma amizade tem outro nome, vocês sabiam? – minha avó chegou à sala, toda se sentindo com a sua frase.


- Tudo para você tem outro nome, mãe – mamãe lhe disse e voltou-se para mim: - E então? Onde estão as fotos?


- Ah, deixa eu as pegar. Tiramos fotos também de um jardim super lindo que tinha perto do hotel. E roubamos as barrinhas de chocolate do quarto. – contei super animadinha. Minha avó me olhou com cara de quem estava querendo vomitar.


Subi, agarrei a máquina fotográfica e o boné de pônei rosa e desci para mostrar.


Todo mundo riu do boné e minha avó diz que o quer de presente. Claro que não o darei a ela. É o meu boné de pônei cor de rosa! Ela que comprasse um para ela, oras!


- Vocês formam um casal bonito – minha avó afirmou quando viu uma foto em que eu e o James estamos juntos, sorrindo. Na verdade, ela disse isso todas as vezes que viu fotos de nós dois juntos.


Falando a verdade, agora. Essa mulher tem SÉRIOS problemas. É ela que tem de procurar ajuda, não eu.


 2/FEVEREIRO – 20:46h – DOMINGO - CASA
Eu estava com o lap top ligado e do nada uma janelinha piscou: era James.


 James says:
Oi, pessoa que não me deixou dormir, porque me bateu a noite toda! :)


 Lily :) says:
Ha, adoro o seu sarcasmo ¬¬ Oi


 James says:
O que está fazendo?


 Lily :) says:
Estou tentando ensaiar na guitarra sozinha, mas não está dando muito certo, haha ;/


 James says:
É, eu sei, eu sou um bom professor HOHO


 Lily :) says:
Mas pior que é! Eu totalmente não consigo acertar as notas sem você por perto! Você me passou uma maldição, só pode! O:


 James says:
Desculpe, mas eu sou do bem :D Acho que você deve ensaiar a voz também


 Lily :) says:
Aaah, POR QUE você tinha de me lembrar disso AGORA? É sério, acho que eu não vou conseguir cantar, James! Eu não sei fazer isso direito! Eu vou destruir tudo e a Reitora Flor vai odiar a recepção dela e vai me expulsar do colégio! HAHA


 James says:
Que positiva que você é, Lily!


 Lily :) says:
Você não sabe das coisas que dão erradas em minhas mãos! Tipo, lembra da festa de Natal da quinta série que eu acabei com toda a decoração do palco puxando a cortina e a rasgando todinha? OOO:


 James says:
AH MEU DEUS, FOI VOCÊ QUE FEZ AQUILO?


 Lily :) says:
Siiim! Tá vendo? Vou detonar com a apresentação!


 James says:
NÃO VAI!


 Lily :) says:
VOU SIM!


 James says:
NÃO VAI!


 Lily :) says:
VOU SIM!


 James says:
NÃO VAI!


 Lily :) says:
Tá bom, convencido, vamos ver. Se tudo der errado vou colocar a culpa TODINHA em você UUUH ;~
Uh, preciso sair da rede. Até amanhã. Beijo!


 James says:
Pode colocar a culpa em mim. Não que isso vá se concretizar, é claro. Ok, vai lá :*


 Tive de sair da rede, porque meu avô me disse que estava passando um show do Paramore na MTV. Claro que eu tive de brigar bastante para conseguir ficar com a TV, porque D. Julia queria assistir Perder para Ganhar.


 2/FEVEREIRO – 22:34h – DOMINGO - CASA
Olha, se eu não for me deitar agora, provavelmente amanhã estarei acabada. Super acabada. E logo no primeiro período temos o Sr. Hollan, com Geometria. Mas, pelo menos, faço essa aula com James. Então vamos nos falar por bilhetinhos o período inteiro.


Ainda bem que me lembrei do Jason. Já desejei uma ótima noite a ele e agora vou totalmente dormir ouvindo Taylor Swift, porque ela sempre me acalma e me faz dormir mais rápido. 
 



*****************************

N/A: :) Fiquei tão feliz quando vi que acabei mais um cap tão rapidinho! Eu achei que esse ficou mais divertido do que os outros. Sei lá. Coisa de autora, haha.  Beeijinhos e obrigada por toda a colaboração!

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.