Cap.1



Já era noite e ele andava pelos destroços daquilo que um dia chegou a ser um reino feliz, marcas de uma guerra que ele ajudou a fazer.
Todos acreditavam que a espada agora estava no mar e os mais tolos rezavam pela volta da Excalibur e para que ela trouxesse o grande rei de volta. Agora ele estava de frente para o mar, em meio a várias rochas. Seu rosto conseguia sentir o sal da água, aquele rosto magro e moreno que já havia encantado e seduzido moças de muitos lugares.
- Seu desgraçado!- disse ela quando o encontrou. Guinevere havia pulado nas costas dele e agora seria sua vingança. Ela estava em uma tentativa cega de faze-lo sentir a mesma dor que ela sentia agora.
Lancelot a segurou pelo braço e conseguiu deixa-la imóvel.
- Esqueceu de dizer oi, pensei que o convento te faria bem.- disse ele a segurando.
Nem de longe Guinevere parecia que um dia foi uma rainha, agora ela parecia uma louca perdida no mundo das trevas. O cabelo ruivo estava todo bagunçado e os olhos verdes estavam cheios de ódio.
- Tudo isso foi sua culpa.- disse ela cheia de ódio.
- Minha culpa? Você foi com as suas próprias pernas para a minha cama. Não achava que Artur a perdoaria, não é?
- Você o matou.- disse ela começando a chorar e olhava para o mar.- Ele não vai voltar e isso era tudo o que você queria.
Ele deu uma gargalhada fria.
- Você o amava.- disse ele.- Amava aquele fraco.
Guinevere se soltou e em um golpe rápido e deu um tapa em Lancelot.
- Fraco é você, que não consegue uma mulher para aquecer sua cama com meios dignos.- disse ela e depois cuspiu nele.
Ele se virou e pegou Excalibur que agora estava em cima de uma rocha. Ele a segurou e a levantou, a lâmina parecia algo divino, a lua brilhou nela e os lobisomens ali perto uivaram.
Guinevere olhou aquela cena lembrando do motivo que a tinha feito trair Arthur.
** Lembrança de Guinevere:
Já tarde da noite quando ela foi até a floresta perto do castelo onde ela, o pai e irmã viviam. Ela pegou um dos cavalos silenciosamente e adentrou a floresta, estava muito escuro, mas depois de um tempo seus olhos conseguiram se acostumar na escuridão.
Uma luz fraca não muito distante apareceu diante dos olhos dela, foi quando ela seu peito se encheu de felicidade. Ele foi ao encontro dela; ele realmente a amava. Mas a felicidade se transformou em uma profunda tristeza, pois ela sabia que aquele não seria um encontro romântico e sim uma despedida.
- Guin?- perguntou Lucas. O jovem lobisomem segurava uma lamparina. A pele pálida dele parecia amarela por causa do fogo, tinha os olhos cinzas e o cabelo em um tom de castanho claro. Tinha feito quinze anos assim como ela, na verdade os dois cresceram juntos e se apaixonaram, mas esse romance nunca daria certo já que ele era um empregado e ela uma princesa.
- Sou eu, Guinevere.- respondeu uma moça de olhos verdes marcantes debaixo de uma capa preta. Ela retirou a capa e Lucas pode var os cachos cor de fogo que saiam de sua cabeça, a pele dela era em um tom rosado de onde não havia nenhuma mancha, sinal ou pinta, era lisa como pêssego. Com certeza a garota mais bonita que ele já viu.
Lucas se aproximou dela, mas Guinevere o afastou delicadamente mantendo uma certa frieza em seu toque misturado com o olhar angustiado que havia em sua expressão.
- O que aconteceu?
- Eu não posso mais fazer isso.- disse ela deixando uma lágrima escorrer em seu rosto.
- Eu não entendi.- respoendeu Lucas devolvendo o olhar angustiado.
- Eu vou me casar daqui a alguns meses.
- E você quer isso?
- Claro que não. Você sabe que eu só amo você.- respondeu ela o abraçando.
- Então... por que?
- Eu tenho que fazer isso. As pessoas desse lugar dependem de mim, dependem que eu faça um bom casamento.
Ele fez uma pausa encarando o rosto, como se quisesse gravar cada traço do rosto de Guinevere para nunca mais esquecer.
- E com quem?- finalmente perguntou ele, já com uma raiva se apoderando dele, uma raiva que surgiu quando ele imaginou sua bela Guinevere entregue aos braços de um velho nojento ou algum outro homem que não estivesse a altura dela.
- Com Artur, rei de Camelot. Ele vai receber a coroa depois que se casar comigo.- disse ela suspirando.
De repente ela escutou alguns passos e se virou, viu que não havia ninguém e quando se voltou para Lucas percebeu que ele não estava mais lá. Guinevere estava entregue a escuridão. Montou o cavalo e saiu da floresta com um peso enorme dentro do peito.
.

Godric conseguiu um abrigo em Hogsmeade, agora ele morava em um quartinho dos fundos de um bar. Ele olhava para a espada e sentia um ódio em seu peito; ele havia passado pelo seu teste e o resultado estava sendo bem doloroso.
- Incrível como eles gostam de hidromel.- disse um rapaz que tinha pelos seus vinte anos, a mesma idade de Gryffindor.
- Eles não gostam da bebida, eles gostam de fugir da realidade.- disse Gryffindor olhando para os homens bêbados que berravam em uma mesa.
- Salazar Slytherin.- disse o rapaz estendendo a mão.
- Godric Gryffindor.- disse ele apertando a mão do rapaz.
- O que é isso?- perguntou Salazar olhando para um pergaminho em cima de um balcão que se encontrava em frente a Godric.
- São só uns versos.
- Você não tem jeito de quem escreve.- disse Salazar sorrindo.
- Não fui eu que o escrevi, esse é um verso de uma das canções de Taliesin. Minha amiga sempre o recitava para mim quando nós éramos crianças.
- “ Nove poderes de nove flores;
Nove poderes em mim combinados;
Nove poderes de plantas e árvores...
Longos e brancos são meus dedos,
Como a nona onda do mar”- leu Salazar quando pegou o pergaminho.- É bonito.
- É uma canção para Blodewedd, a deusa das flores.- disse Godric olhando para o nada com o olhar triste.
- O que aconteceu com ela?
- Quem?- perguntou Godric
- Com a sua amiga.
Godric não queria se lembrar daquilo, mas teve que lembrar do que aconteceu.
- Ela morreu.
- Eu sinto muito.- disse Salazar.
- Eu também.- disse Godric.
- Esses bardos cantavam sobre tudo.- disse Salazar sorrindo.- Um dia eu li os versos de uma canção que falava de um caldeirão que fazia as pessoas renascerem, o caldeirão de Cerridwen. Tudo besteira.
- Talvez não.- disse Godric.- Talvez seja só uma metáfora, ou talvez seja verdade.
- Eu não acredito em nada disso, não há esse negócio de deuses e nem de tesouros deixados por eles, tudo isso não passa de uma grande mentira.- disse ele.
*Taliesin- bardo conhecido por ter escrito canções pagãs na época em que o cristianismo estava dominando a Grã-Bretanha.

*Cerridwen- Deusa reverenciada em Avalon como a Deusa Anciã

O ministério estava lotado de gente, as pessoas queriam deixar tudo pronto antes das férias de verão. Teddy também estava lá, no Departamento de Aurores revisando os documentos dos prisioneiros de Azkaban.
- Acho que esse inferno nunca vai acabar.- disse Lunnette. Ela era a mais jovem auror do Departamento. Chamava a atenção pelos cachos negros que saiam de sua cabeça, pelos olhos castanhos- esverdeados e pelas curvas que ela tinha.
- O inferno pode ir embora se você sair comigo.- disse Gwydre se aproximando dela. Ele era o melhor amigo de Teddy, loiro, com os olhos verdes e as bochechas bem rosas, parecendo que ele tinha acabado de levar um tapa em cada uma delas.
- Se eu fosse você, desistiria.- disse Teddy vendo que Lunnette ficou séria. Ele agora tinha 30 anos, ele usava o cabelo castanho, se parecendo muito com Lupin, os olhos brilhantes como sempre e a velha cicatriz de guerra que quase não aparecia.
- Você fica sossegado que agora você é um cara casado.- disse Gwydre apontando para Teddy.
- E muito bem casado.- disse ele.
De repente só escutou um chamado, os aurores estavam correndo para a outra sala e os três acompanharam todos.
- O que aconteceu?- perguntou Teddy quando viu Harry. Ele era o chefe na Sessão de Aurores do ministério, mas já estava quase se aposentando.
- Caso de magia das trevas em Godric´s Hollow, parece que um cara pirou em um quarto de uma pousado e acabou atacando uma bruxa.- disse Rony, que acompanhava Teddy.
- Eu quero Gwydre, Lunnette e Teddy comigo e Aelle, Jason e Cerdic vão com o Rony.- disse Harry.
Os quatro aparataram em Godric´s Hollow. Eles chegaram em frente a pousada, várias pessoas estavam a frente do estabelecimento, todos assustados ao redor de uma bruxa.
- O que aconteceu?- perguntou Harry para uma mulher ao lado deles.
- Eu não sei, parece que os dois estavam discutindo e ele usou a Maldição Cruciatus.- disse a mulher.
De repente a velha bruxa se levantou do chão. Ela não tinha uma aparência muito agradável, os dentes estavam podres e o cabelo estava bagunçado debaixo de um pano amarrado na cabeça.
- Elas vão voltar, elas querem a espada e querem o caldeirão junto com as nove sacerdotisas. Tem que ser durante o Samhain, o teste será feito no Samhain.- gritava ela. Por um segundo Teddy percebeu que ela o encarou.
- Para onde ele foi?- perguntou Harry.
A bruxa apontou para frente. Os dois começaram a correr para a direção que a bruxa apontou. Teddy estava mais adiantado e conseguiu ver um vulto em meio de várias árvores, Teddy correu o mais rápido que pode, mas não conseguiu pegar o bruxo.
Ele estava voltando quando viu que alguma coisa brilhava em meio as árvores, ele se aproximou e viu a espada ali.
Teddy voltou com a espada de Gryffindor na mão. Ele e Harry voltaram para a pousada, as pessoas estavam sendo interrogadas, enquanto uma pena desenhava em um pergaminho a descrição que as pessoas davam.
Gwydre pegou o pergaminho quando as testemunhas acabaram, ele pareceu em choque ao ver o retrato.
- Você está pensando o mesmo que eu?- perguntou Teddy para Gwydre.
- É eu estou.- disse ele.
Os aurores voltaram para o ministério. Tudo estava em ordem e agora o ministério já estava praticamente todo vazio.
- Eu já alertei o pessoal do Controle de Magia. Eles vão ficar de olho.- disse Gwydre.
O retrato do bruxo estava em cima de uma mesa, onde os aurores convocados estavam ao redor.
- O que vocês acham?- perguntou Rony.
- É assustador.- disse Teddy.- Eu ainda me lembro de quando a espada foi roubada de Hogwarts e isso já faz muito tempo.
-Isso é verdade. Ele não poderia ter roubado a espada.- disse Gwydre olhando para o pergaminho.
- Talvez ele realmente não tenha roubado, talvez ela tivesse sido repassada.- disse Harry.
- Mas como você explica ninguém ter achado nenhum registro de um menor de idade usando magia das trevas?- perguntou Jason. Ele era o mais experiente de todos os aurores do ministério.
- Isso é outra coisa que assusta.- disse Teddy.- Eu não entendo por que alguém ficaria com uma espada durante tanto tempo. Acredito que quem a roubou não tinha a intenção de cortar as lindas plantinhas de um jardim com a espada, ela é uma relíquia e tanto e vale muito.
- Sem contar no que a bruxa falou.- disse Rony.- O que significa Samhain?
- Dia das Bruxas.- disse Teddy.- É o que hoje consideramos dia das bruxas e que antigamente era chamado de Samhain. Era um rito da religião pagã, os celtas acreditavam que era o dia que os mortos retornavam do Outro Mundo e por isso faziam oferendas para eles.
- Mas ela falou de um teste, que teria que ser feito no Samhain, e de um caldeirão e das nove sacerdotisas.- disse Rony.
- Bom, minha mãe me contou várias histórias de um caldeirão que faz as pessoas renascerem, o caldeirão de Cerridwen. Ela me contou de um caldeirão que era usado somente no dia das bruxas e que fazia as pessoas mortas voltarem a vida; mas para o caldeirão funcionar os druidas tinham que fazer um sacrifício e oferecer para os deuses.- disse Lunnette.
- Que tipo de sacrifício?- perguntou Harry.
- Ela não me contou.- disse Lunnette.
- Mas e o garoto?- perguntou Jason.- Como é possível que o ministério não tenha nenhuma registro dele?
- Esse é um mistério que teremos que desvendar.- disse Harry olhando para pergaminho. Nele estava o rosto de um garoto que não tinha mais de 15 anos, com olhos muito negros e o cabelo escorrido que descia até os ombros tão negros como os olhos.
Teddy voltou para casa e encontrou Fleur e Gui com a neta que tinha apenas um ano. A menina era muito parecida com Victoire, mas tinha os olhos castanhos e brilhantes de Teddy; o cabelo louro tinha mechas que viviam em um rosa intenso, tinha as sardas de Victoir; ela vivia soltando sorrisos enquanto sempre aprontava alguma coisa. Um dia ela puxou o rabo do gato e quase quebrou um vaso enquanto corria com ele nas mãos.
- Oi Teddy.- disseram Fleur e Gui.
- E a Vic?- perguntou ele.
- Ela ainda não voltou.- disse Fleur.
Quando ela acabou de dizer isso a porta da sala se abriu. Vic chegou com uma cara péssima, de alguém que havia treinado quadribol o dia inteiro.
- Eu estou morta.- disse ela dando um beijo em Teddy e depois em Seren, sua filha.
- Dá pra ver.- disse Gui.
Vic se jogou no sofá se esparramando nele.
- Eu tive que reorganizar todo o time, passar a lista do nome dos novos jogadores e treinar tudo desde o começo.- disse ela olhando para o nada.- Eu já não tenho o mesmo pique de antes, acho que estou ficando velha.
- Se você está velha imagina como eu estou.- disse Gui.- Não é nada fácil carregar o título de avô, eu me sinto um matusalém.
Vic deu risada enquanto se levantava e pegava Seren no colo.
- Acho melhor dar um banho nessa porquinha.- disse ela se levantando e indo até o banheiro.
Gui e Fleur conversaram um pouco com Teddy, se despediram da filha e da neta e foram embora.
Teddy tomou um banho, trocou de roupa e depois foi jantar.
- Você está bem?- perguntou Vic. Ela estava reparando que Teddy estava estranho desde que ele chegou em casa.
- Estou, são só coisas do trabalho.- disse ele tentando dar um sorriso.
- Você trabalha demais, acho que devia relaxar, principalmente agora que estamos de férias.- disse ela.- Enquanto você está de férias, eu ainda tenho uma semana até o jogo final.
- É verdade.- disse ele se levantando e a ajudando com a louça.


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