Uma Virada do destino





Uma Virada do Destino
Hinge of Fate
Autora - Ramos
Tradução - Clau Snape
Beta reader - Bastetazazis
Disclaimer: Estes personagens são de propriedade de J.K. Rowling. Nenhum lucro foi obtido pelo seu uso.
Cap. 11

Sumário: E a reação de Hermione não é como ele esperava.

Severo Snape mal observara a mudança de cenário enquanto conduzia Hermione pelo Caldeirão Furado. Apesar de seus esforços em pensar qualquer outra coisa, a jovem mulher a seu lado dominara seus pensamentos.

Pelas últimas seis semanas, trabalhar com Hermione Granger fora um martírio auto-imposto. Toda vez que evitava ser grosso com ela era outro ataque de remorso, toda vez que ela se esquecia de tratá-lo com o desprezo que merecia era como mais um grão de sal na sua ferida. Porém… de alguma forma enquanto interagiam juntos, ele se tornara habituado à dor, até mesmo a ponto de apreciar realmente a companhia dela, o que apenas mostrava que o animal humano pode se acostumar a qualquer coisa com tempo.

Ao invés disso, a associação próxima retalhou algumas de suas suposições. O que uma vez ele considerara como um esforço demasiado para o engrandecimento próprio, ele agora reconhecia como os esforços de uma mente brilhante que lutava para sobreviver numa cultura estranha. Somente seu brilhantismo a qualificaria para a Corvinal, mas o chapéu seletor a pusera na Grifinória. Coragem sempre fora um produto superestimado para alguém como ele, que vira muitos idiotas ousados demais mergulharem em perigos que eles não compreendiam. O pai do Potter fora exatamente assim, e pagara com sua vida por isso. Mas Hermione Granger enfrentou algo que nenhuma mulher jamais deveria de ter que enfrentar, e sua constante determinação a continuar foi, francamente, espantosa. Sua decisão em manter o bebê o surpreendera.


Eles teriam uma criança juntos. Só que não houve nada “juntos”, somente humilhação e uma luta para continuar adiante para ela, e, no melhor dos casos, um embaraço para ele. Bruxas não tinham crianças fora do casamento; o desprezo da vendedora do Vesperatus era uma boa indicação desse sentimento público. Com certeza, houveram situações casuais, mas a mãe geralmente era segregada da família até que um marido apropriado pudesse ser encontrado, ou a criança poderia ser apresentada como um primo ou outro parentesco familiar com uma história obscura.

Cedendo à lógica fria em que ele sempre confiou, ele percebeu que a única maneira de aliviar a situação dela era vê-la casada. Ronald Weasley? Uma escolha óbvia, mas ridícula. Mesmo se o menino estivesse propenso, um único olhar no cabelo vermelho flamejante do suposto pai entregaria o jogo. E ele não poderia digerir a idéia de seu filho crescer com o nome Weasley. Deveria ter o nome Snape, e havia somente uma única maneira de fazer isso acontecer.

Conversar com Dumbledore antes? Desnecessário. As agulhadas nada discretas do Diretor já tinham deixado à posição dele clara. Uma vez que ela concordasse, eles poderiam visitar um joalheiro, escolher um anel para ela e consumariam o fato com um jantar. E agora que dissera as palavras, não poderia fazer mais nada a não ser observar a bruxa nascida trouxa à frente dele e esperar por sua resposta.

Um tanto entorpecida com a descrença, Hermione afundou-se em sua cadeira outra vez e olhou fixamente para o homem à frente dela. Um número de respostas lhe ocorrera imediatamente, mas um “O que disse?” faria apenas com que ele repetisse a pergunta que ela ouvira perfeitamente bem; enquanto que um ”Você está brincando?” apenas incitaria um comentário sarcástico.

- Por quê? - ela respondeu incrédula. - Professor, possivelmente você não pode esperar que eu acredite que você se apaixonou por mim de repente.

- Amor não tem nada a ver com isto - ele disse-lhe seco. - Você está carregando meu filho. E, considerando a proposta que eu acabei de fazer, seria mais apropriado se você usasse o meu nome.

- Amor tem tudo a fazer com casamento no mundo trouxa, professor.

- Você é uma bruxa, Hermione. Você vive no mundo bruxo. Você dá todos os sinais de que planeja permanecer aqui, e se fizer isso, vai ter que se ajustar a ele, ou será esmagada por ele.

- Você ao menos gosta de mim? - ela perguntou e, de repente, desejou que não, pois ela tinha certeza de que ele seria implacavelmente franco.

- Eu não desgosto de você - ele lhe disse. - Nós trabalhamos bem juntos, e você está aprendendo rapidamente. Eu pensei em convidá-la para ser minha aprendiz, o que tornaria as coisas mais fáceis para nós.

- Casar não é uma coisa que se faz porque é conveniente - ela informou irritada.

- Do jeito que as coisas estão, Hermione, eu duvido sinceramente que sobreviva o suficiente para ser uma inconveniência para você. - Seu duplo propósito era claro; ele não interferiria se ela tivesse um amante, vivendo ou não para ver o fim da guerra. Esta era, infelizmente, exatamente a maneira errada de abordar o tema.

- Não diga isso - ela retrucou, atirando seu guardanapo. - Nem mesmo fale como se isso fosse acontecer. Eu ouço os mesmos lamentos do Harry mais do que eu jamais desejei, e estou farta disso. - Enfurecida, ela se levantou e andou para longe da mesa.

Snape jogou diversos sicles na mesa e pegou o braço dela no corredor. Atento aos outros clientes que prestavam atenção ao que rapidamente se assemelhava a uma discussão entre amantes, ele levou-a para um canto quieto.

- Eu falei a verdade, e me ofende ser comparado ao maldito Harry Potter quando eu acabei de lhe pedir em casamento - ele silvou entre seus dentes. - Agora responda à pergunta!

- Não, senhor, eu não me casarei com você - ela rangeu de volta. - Você pode ser feliz preso na Idade Média, mas eu nasci no século vinte, e logo será vinte e um. O que você está propondo está a um passo de uma união arranjada!

- E que está errado com isto? Eu mesmo sou um produto de uma união arranjada.

- E como isso foi? Bolos e votos de felicidades, e netos por toda parte?

A face de Snape endureceu, e ela soube que tinha marcado um ponto. Dumbledore lhe dissera uma vez que ele era filho único, e ele tinha todos os clichês associados a uma criança de pais de um casamento infeliz. E mesmo sabendo que ele estava apenas revidando, o comentário seguinte foi brutal:

- Diga-me, senhorita Granger. A única razão de você decidir ter este bebê é porque você teme nunca se apaixonar, nunca se casar? Você estava assim tão receosa de ficar sozinha que se agarrou à oportunidade de ter um filho?

Hermione sentiu o sangue subir em sua face. - Isso foi uma coisa incrivelmente cruel de se dizer, mesmo para você - ela sussurrou.

Com uma torção deliberada, ela livrou seu braço do aperto dele. - Nós dois sabemos que não há nenhuma maneira para que eu o reembolse por tudo que você comprou hoje, então eu não farei nenhuma promessa precipitada. Mas eu gostaria que você me levasse para casa agora, e então, eu realmente desejaria que você nunca mais falasse comigo outra vez.





Severo conservou apenas a presença de espírito suficiente para aparatar ambos de volta aos portões de Hogwarts. Hermione andou determinada sem olhar para trás, e ele quase foi visto por um dos estudantes antes que se lembrasse de lançar o feitiço “não me note” em si mesmo.

A gárgula fora das escadas para o escritório de Dumbledore quase explodiu aos pedacinhos antes que finalmente desse passagem para o mestre de Poções incrivelmente irritado. Uma vez nas escadas, Snape não se incomodou de pisar levemente, e Dumbledore ouviu sua aproximação pesada muito antes que ele entrasse no aconchegante escritório circular.

O Diretor deu a Snape um suave olhar inquisidor enquanto ele arremessava seu casaco fora com um feitiço e cruzava a sala para olhar fixamente para fora na janela. Sem dúvida nenhuma ele estava irritado em saber que era a mesma janela por onde Pomfrey o observara mais cedo, mas o bruxo mais velho achou melhor não ser o primeiro a falar.


- Eu pedi a Srta. Granger em casamento esta tarde - Snape começou sem rodeios.

- Esplêndido! - Dumbledore exclamou.

- Ela me dispensou - ele resmungou na vidraça em forma de diamante à frente a ele.

- Ela o quê? - Dumbledore mexeu em sua barba. - Meu caro. Não era exatamente a resposta que eu esperava.

- Nem eu - Snape conseguiu responder no escárnio mais rude do seu arsenal. - Aquela pequena sabe-tudo perspicaz. Grifinórios! Sentimento demasiado e nenhum bom senso!

- Bem, eles realmente tendem a ser um pouco melodramáticos - disse o Diretor, a língua plantada firmemente em seu lábio.

- E teimosos. Acima dos deuses! Eu estive lá como um idiota, tentando convencê-la da idéia. - Snape agitou sua cabeça, descrente com a sua própria simplicidade. - Eu devo fazê-la ver que esta é a única solução lógica.

- O homem que conseguir forçar Hermione Granger a mudar de idéia provavelmente pode vencer Voldemort com uma varinha quebrada - Dumbledore observou. - Talvez você deva se perguntar a si mesmo por que quer se casar com ela.

- Ela está grávida do meu filho. Qual seria a outra razão?

- Severo - Dumbledore começou seriamente -, ao menos você se importa com a menina?

Severo abriu e fechou sua boca rapidamente. Emoções eram um negócio ainda delicado e ele passara tempo demais aperfeiçoando seu intelecto imparcial para deixar os sentimentos começarem a tomar conta dele agora. Sem levar em consideração a inquietação irritante e a dor sutil em seu peito que o deixava com o desejo oprimido de ter certeza que Hermione Granger estaria protegida.

- Bem, a jovem senhora não está interessada em você, isto está bastante claro - Dumbledore continuou quando ficou claro que Snape não responderia à pergunta. - Agora, quanto a sua viagem hoje. Certamente que sua aparição no Beco Diagonal hoje deve chegar aos ouvidos de Voldemort ainda hoje à noite. O feitiço em sua marca, ainda está vigente?

Severo quase tocou em seu braço esquerdo, mas parou. - Ele é testado de vez em quando, mas seu encanto de purificação ainda está trabalhando eficazmente.

Voldemort chamava seus Comensais da Morte ativando suas marcas e podia também continuar sentindo-os à distância através da mesma conexão. Desde a recuperação de Snape, Dumbledore lançara um encanto na marca para refletir somente a agonia da proximidade da morte que Snape experimentara na noite em que Malfoy tentara matá-lo. Após as primeiras semanas, suas tentativas de torturar Severo tornaram-se menos freqüentes, uma vez que cada tentativa de ativar a marca de Snape devolvia-lhe a dor opressora que supostamente seu servo enfrentava.

- Eu acho que você deve ser visto em Hogsmeade logo. Na próxima semana, talvez.

- Eu irei por mim mesmo - Snape advertiu-o, convenientemente se esquecendo de que a jovem em questão não planejava falar com ele outra vez. - Eu não vou expor Hermione ao perigo. Hoje foi arriscado o suficiente.

- Você tinha a chave de portal - Dumbledore lembrou-o despreocupadamente. - Você poderia tê-la trazido de volta em um instante.

Snape ficou de cabelo em pé, irritado que o velho bruxo fosse tão cavalheiro com relação a colocar Hermione em perigo.

- Não importa. Você deveria considerar uma expedição à noite, então. Evite o Três Vassouras, vá a um desses bares menos agradáveis. Mas não permaneça por lá muito tempo, uma meia hora no máximo. Nós veremos que tipo de tumulto isso vai gerar entre os seguidores de Voldemort. Quanto mais dúvidas e discórdia nós pudermos criar no grupo, tanto melhor.

- E quanto a Hermione? - Snape perguntou. - Você cuidará para que ela fique bem, se algo der errado?

- Oh, você não precisa se preocupar com a Srta. Granger - Dumbledore disse-lhe liberadamente. - Afinal, você fez a coisa mais honorável e ela o dispensou. Você não tem mais nada com que se preocupar-se, não é? Não há razão em manter a isca no anzol se os peixes não estiverem mordendo! - ele disse com uma risada.

Se Severo tivesse menos absorvido nos seus problemas pessoais e prestasse mais atenção, observaria o sorriso dissimulado do Diretor, e a o alegre cintilar nos olhos do homem que estava se divertindo demasiado com tudo. Entretanto, ele fez uma cara feia para a janela enquanto seu intelecto feroz ocupava o problema principal em sua mente.

Ele tinha mordido a maldita isca.





Hermione pisou firme através do saguão de entrada e subiu com passos firmes as escadarias entre a porta principal e o buraco do retrato para a sala comunal da Grifinória. Em uma fúria indignada ela atravessou resoluta o redemoinho de alunos que acabaram de sair das suas aulas da tarde, deixando para trás muitas trocas de olhares curiosos que se perguntavam o que tinha enfurecido a monitora-chefe normalmente tão agradável.

- Gato malhado! - ela rosnou para a mulher gorda, que lhe deu um olhar arqueado de desaprovação antes de mover-se para dar passagem.

Rony a viu quando ela entrou e parou, friccionando as mãos em suas calças. Ele agradeceu quando ela se aproximou dele, mas sua expressão transtornada o deixou um bocado inquieto.

- Hum, Hermione. Oi.

- Você viu o Harry? - ela perguntou exigente.

- Eu acho que ele foi pegar sua Firebolt - Rony disse. - Olhe, eu queria saber se nós poderíamos, você sabe, conversar - ele gaguejou.

- Desculpe Rony. No exato momento eu quero apenas gritar com alguém, e o Harry é o primeiro da minha lista. Talvez mais tarde, está certo?

- Está certo então - murmurou Rony para ela enquanto ela fazia seu caminho em direção das escadas que levavam ao dormitório dos meninos.

Hermione não se incomodou nem mesmo de bater à porta dos meninos do sétimo-ano. Fez um estrondo satisfatório quando ela a escancarou.

- Harry! Eu espero sinceramente que você esteja feliz! Ele amaldiçoadamente me pediu em casamento!

Harry sentou-se abruptamente em sua cama, seu cabelo preto ainda mais desarrumado que o usual, piscando um bocado antes que agarrasse seus óculos fora da colcha.

- Bem, eu estava feliz, até que você invadisse aqui - ele resmungou.

- Quem a pediu em casamento? - Gina perguntou, sentando-se ao lado de Harry. – Não foi o idiota do meu irmão, certo? - O longo cabelo vermelho também desarrumado, e somente os três botões centrais de sua blusa remanesciam fechados. Os olhos estavam brilhantes, e suas bochechas estavam tão coradas quanto às de Harry.

Estupefata e pega no meio da crítica, Hermione finalmente pensou em fechar a porta e verificar que certamente nenhum outro menino estava no quarto. Bobo, realmente - ela pensou. Harry dificilmente daria um amasso em Gina com uma platéia.

- Severo Snape - ela disse para Gina, e cruzou os braços irritadamente, esperando a menina parar de rir.

- Ela não está brincando, Gina - Harry lhe disse. - Então ele está aqui em Hogwarts, não é?

- Sim. Eu pensei que você soubesse.

- Não tudo, aparentemente - murmurou, passando a mão pelo seu cabelo num esforço inútil de domesticar as madeixas incontroláveis.

- Porque cargas d’água o Snape ia querer casar com você? - Gina perguntou confusa.

Hermione cruzou o quarto e sentou-se na extremidade da cama de Harry. Os olhos verdes brilhantes de Harry encontraram-se com os dela e ele assentiu ligeiramente, incentivando-a a abrir-se com Gina. Entre eles, disseram a Gina o que tinha acontecido na noite de Halloween. A menina escutou com os olhos arregalados, mordendo seus lábios, e quando a história acabou ela estendeu-se impulsivamente e abraçou Hermione firmemente.

- Oh, Hermione! - ela disse fungando. - Isso é horrível.

- É meio vago, eu acho - Hermione disse a ela. - A verdade é que eu realmente não me sinto assim. Quero dizer, eu sei que estou grávida. Eu senti o bebê mover-se. Eu vi como o professor Snape esteve doente, mas a idéia inteira de ser violentada - ela empalideceu ligeiramente enquanto disse a palavra -, apenas não parece real. Eu não me sinto traumatizada, e eu estou realmente começando a ficar cansada de ser tratada como se eu fosse frágil. Eu não sou!

- Então porque você estava gritando comigo? - Harry perguntou.

- Eu não tenho certeza - Hermione admitiu, sorrindo um pouco. - Eu estava realmente louca com o Severo, e queria descontar em alguém.

- Severo? - Harry repetiu.

- Bem - ela começou defensiva -, ele disse que eu devo usar seu primeiro nome. E considerando o júnior aqui, eu provavelmente tenho que começar a me acostumar a isso. Ele dificilmente vai desaparecer apenas porque eu gritei com ele, azar. - Deu um tapinha na barriga, Gina exclamou entusiástica sobre a evidente protuberância sob o casaco de Hermione.

- Eu sei quando não sou desejado - Harry observou seco. – Além disso, eu deveria estar no campo de quadribol agora. - Deu um beijo rápido em Gina e agarrou sua vassoura e as vestes de treino. - Te vejo depois do treino?

- Naturalmente - Gina respondeu, mas rapidamente virou-se para Hermione. - Está certo - ela requisitou em uma voz absurda, soando bastante como a de sua mãe. - Conte-me tudo sobre isto.





Uma vez que Hermione retornou ao seu quarto, ela foi trazida à realidade pela pilha de pacotes que esperavam em sua cama. Bichento estava ocupado investigando-os, esfregando o focinho avermelhado nos cantos das caixas e golpeando as extremidades dos cordões envolvidos em torno de algumas delas.

Hermione pendurou seu casaco e começou a desempacotar as compras, cada uma fazendo-a se sentir um pouquinho pior por ter sido assim tão áspera na recusa do seu primeiro pedido de casamento. A contra-resposta imediata só a deixou mais irritada consigo mesma por deixar Severo Snape manipulá-la, embora sem conhecimento. Com as emoções balançando e a mente indecisa, ela pendurou suas vestes novas, dobrou suas roupas íntima novas, e colocou seus sapatos novos no guarda-roupa. Seu lado econômico alertou-a para guardar as caixas para usá-las posteriormente, apesar de não poder dizer para o que.

Decidindo que um banho era a melhor maneira de acalmar seus nervos excitados, Hermione agitou sua varinha para a banheira e fez ela se encher com água morna e borbulhante. As vestes adaptadas que tinha usado para ir ao Beco Diagonal foram lançadas na cesta que ela mantinha atrás da porta do banheiro para serem lavadas.

O velho espelho riscado na parte traseira da porta chamou sua atenção enquanto refletia o azul das vestes descartadas, e ela andou lentamente para ele. No espelho sua aparência estava muito parecida com a que sempre fora; cargas de cabelo marrom com reflexos cor de mel, demasiadamente ondulados e geralmente incontroláveis. Seu bronzeado de verão havia desvanecido há muito tempo e seu rosto estava igualmente ovalado, seus olhos eram de um castanho médio e imperceptíveis sob as sobrancelhas marrons escuras.

Abaixo da clavícula, de qualquer forma, o inventário mudara completamente. Seus peitos arredondaram, descansando sobre a borda superior de seu sutiã, e avançando mais… a barriga anteriormente reta estava arredondada agora. Não podia nem mesmo encolher a barriga por mais de um momento, a protuberância tinha uma presença própria e recusava-se a desaparecer. Sua mão correu sobre a curva, sentindo a pele e os músculos apertados e firmes abaixo. Uma pálida linha marrom começava acima do umbigo e deslizava pela barriga abaixo para desaparecer sob as calcinhas que estavam esticadas e apertadas firmemente.

Apesar de ter recusado Severo Snape, não podia reprimir a imagem mental da mão dele em sua barriga e gostaria de saber o que ele pensaria agora, se ele se mostraria tão surpreendido por essa maravilha como antes. A memória espontânea lembrou-a também de como ela se sentira com o toque dele, e seus mamilos enrijeceram com a excitação que cresceu através dela mais uma vez.

- Pare - ela sussurrou pra si mesma, sacudindo a cabeça. Determinada controlar suas emoções inconstantes, Hermione tirou mecanicamente o resto de sua roupa e pisou na banheira. Ela teria o fim de semana inteiro para se preocupar com o Snape, mas somente uma hora ou mais até o jantar.





Severo certificou-se de que estava sentado em sua mesa de trabalho quando Hermione chegou ao laboratório na tarde da segunda-feira. Ele sabia que ela viria, já que sabia perfeitamente que Pomfrey estava sem poções para dor de cabeça. Normalmente abominava o desperdício, mas não tinha mostrado nenhum remorso ao derramar poções perfeitamente boas, ralo abaixo.

Quando pisou no laboratório após o almoço, Hermione não estava inteiramente certa de como reagir à Snape. Ele aceitara sua recusa e as reivindicações para que a levasse para casa com um assentimento curto, mas ela já tinha visto aquela maxila angular enrijecer. Ele estava terrivelmente irritado, mas fizera como ela lhe pedira e retornara a Hogwarts sem mais uma palavra. Por mais acostumada que estivesse aos ataques explosivos de seus colegas grifinórios, tinha pouca experiência com a maneira de enfrentar um sonserino irritado.

Uma vez que ajustara seu espaço de trabalho para fazer a poção que Madame Pomfrey estava em falta, Hermione começou a recolher seus ingredientes. Em sua bancada, Snape prosseguiu metodicamente através de uma pilha dos papéis, sem nem ao menos olhar de relance para ela. Ela trabalhou silenciosamente por algum tempo, mas ele não lhe dirigiu a palavra. Aparentemente, a maneira sonserina de lidar com a raiva era o tratamento silencioso. Ele estava completamente vestido como o mestre de Poções nesta tarde, incluindo suas vestes pretas sobre a casaca preta, inteiramente abotoada sob seu pescoço e quase escondendo o lenço preto que usava no lugar da gravata.

O frasco de matricária estava quase vazio, e Hermione franziu a testa. Snape tinha algumas duplicatas dos seus suprimentos em suas próprias prateleiras, mas a educação requeria que ela perguntasse antes de pedir.

- Eu posso usar sua matricária, por favor? - ela perguntou-lhe, rigidamente educada.

Snape a considerou firmemente por baixo de seus olhos contraídos por um longo momento, prolongando o silêncio, a seguir, esticou um braço até o armário mais próximo a ele e tirou um frasco de vidro. Entregou-lhe sem palavras e retornou aos seus papéis.

A terceira vez que Hermione percebeu que estava em falta de outro ingrediente, a suspeita que estava crescendo explodiu na certeza. Colocou o frasco quase vazio de solidéu com uma batida na mesa e encarou Snape com os olhos estreitos. O recipiente estava cheio uma semana atrás, e ela tinha certeza que o conteúdo foi retirado do seu estoque e, de alguma maneira, encontraram-se nas vasilhas ao lado dele no laboratório.

O truque era deliberado e transparente, e ele deveria saber que ela certamente entenderia. Ela não tinha certeza se devia se sentir ofendida ou lisonjeada. O que quer que fossem as intenções do homem, ela decidiu trazer o assunto à tona agora.

- Você perguntou se eu me casaria com você - Hermione indicou grosseiramente.

- Não tão aborrecido quanto às aulas do Binns, mas ainda assim é uma história antiga. - A voz de Snape era branda, até mesmo cortês para ele, enquanto continuava trabalhando em seus papéis, mas o arranhar profundo da voz dele atravessou-a, agitando seus hormônios que estavam a ponto de explodir. Não ajudou muito o seu temperamento, tampouco.

- Isso significa que sua oferta não está mais aberta? - ela desafiou.

- Você está me dizendo que você reconsiderou sua resposta? - ele respondeu no mesmo tom entediado.

O queixo de Hermione caiu. - Casamento não é algo que eu pegue levemente, professor. Você e eu compartilhamos um único pesadelo, que eu nem mesmo me recordo, e o resultado disso. Você é vinte anos mais velho que eu, e à exceção de Poções e da luta contra Voldemort, nós não temos uma única coisa em comum.

- Você esqueceu de nosso detestar profundo por Neville Longbottom.

- Eu não detesto o Neville. Ele simplesmente me irrita demais, mas você também quando o intimida - Hermione lhe disse. - Lucio Malfoy e a meleca do filho dele são as únicas pessoas que eu detesto verdadeiramente.

- O que já é um começo, eu suponho - ele falou lentamente. - E como eu disse antes, nós trabalhamos bem juntos.

Hermione foi para mais perto da mesa dele, as mãos presas na frente dela. Era mais um gesto nervoso que deliberado, e ela estava provavelmente inconsciente de como seus braços esboçavam a evidência visível da sua gravidez.

- Eu não negarei que estar casada com um bruxo de sangue puro poderá evitar muitos embaraços, mas eu estou relutante em trocar um problema por um outro ainda pior.

- Eu compreendo sua relutância, Srta. Granger. Hermione - corrigiu-se. - Mas certamente você compreende como será difícil para uma bruxa solteira criar uma criança ilegítima, especialmente se as circunstâncias se tornarem conhecidas.

Estranhamente, ela soube que ele não estava ameaçando abandoná-la, mas estava tentando protegê-la da crueldade que já tinha provado. Hermione mal podia acreditar que tivera a audácia para dizer estas coisas em voz alta, mas a parte mais profunda dela continuava a estar ciente dele, a sentir falta da conversa dele, e estava de luto pela perda da tentativa de amizade que haviam desenvolvido.

- Foi minha decisão ter este bebê, e eu fui preparada para ir adiante sozinha. Entretanto. Se você quiser verdadeiramente casar comigo, você terá que me dar uma razão melhor do que a que você já deu.

Snape deixou cair sua pena e olhou-a com severidade. - Se você está esperando que eu lhe traga flores ou corações de chocolate, você terá uma espera muito longa.

- Eu tenho todos os corações de chocolate que eu sempre precisei - Hermione lembrou-o, pensando no armário com o chocolate médico restante. Uma pequena risada tentou escapar enquanto imaginava Snape com um alaúde e uma coroa torta de louros como o amante bêbado renascentista de um dos retratos que ficava no Salão Principal. - Você deveria me conhecer melhor.

- Eu gostaria de descobrir se nós podemos ser remotamente compatíveis. Originalmente eu esperei que nós pudéssemos nos transformar em amigos de uma maneira, especialmente porque disse que queria fazer parte da educação do bebê. Eu teria previsto você aparecendo a cada dois finais de semana como um tio favorito.

- É isso o que você quer?

A boca de Hermione ficou seca. Ele não tinha se movido, mas de repente ela foi atingida pela imagem do corpo alto de Severo Snape, a tranqüilidade com que se mantinha. Seu cabelo preto moldava seu rosto longo e intensificava a escuridão de seus olhos enquanto prendiam-na como uma cativa, como no provérbio da serpente e sua presa. Este homem era perigoso, e brilhante, e agora ela percebia que ele era atraente de uma maneira que ela nunca pensou existir.

- O que você quer? - ela reagiu, e viu uma cintilação em seus olhos de obsidiana que ela não poderia interpretar.

- Eu quero fazer a reparação do dano que causei em você. Eu quero que nosso filho, NOSSO filho - ele enfatizou -, viva numa vizinhança decente sem que sua mãe tenha que se preocupar se encontrará dinheiro para alimentá-lo na refeição seguinte. Eu quero que ele fique seguro, e feliz, e eu quero que a mãe dele esteja assim também.

- Então eu acho que devemos continuar como estávamos antes - Hermione sugeriu - e vermos como vamos progredir. E depois disso… - ela não podia pensar no que viria em seguida isso. - Então nós veremos.

Snape levantou-se da cadeira e deu a volta na mesa, suas botas mal sussurravam no assoalho de pedra. O corpo dela reagiu à sua proximidade, e ela foi duramente pressionada a se controlar enquanto ele se aproximava o bastante para que ela colocasse a mão sobre seu peito coberto pela capa de lã preta. Ele deu-lhe uma referência curta e cortês, e as maneiras de um outro século lembravam-na mais uma vez que a cultura bruxa tinha apenas uma semelhança superficial àquela que ela tinha sido criada.

- Muito bem, srta. Granger. Hermione. Nós veremos.




N/T - Novamente venho agradecer aos reviews carinhosos que venho recebendo, porém lembrando que o mérito maior é da Ramos que nos presenteou com essa história tão cativante.Eu meramente a traduzo com a super ajuda da minha beta Bastetazazis e da FerPorcel que sempre entra nos momentos onde tudo falha.rsrsrs. Infelizmente, devido à vida real que nos impõe tantas atividades, não estou postando os capítulos semanalmente como eu desejava. Mas fiquem tranqüilos que farei o possível para que o prazo entre os capítulos não se estenda demais. Beijos Clau.

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