Capítulo I



Snape estava na estação King's Cross, em Londres. Preocupara-se em pegar o trem que passava antes, para não deixar a jovem esperando.

Depois de meia hora esperando, o trem chegou. Após bastantes senhoras e senhores desembarcarem, apareceu uma garota carregando uma pesada mala. Snape se aproximou.

- Senhorita D'Anjou? - Perguntou Snape, educadamente.

- Sim, senhor. És o sr. Snape? - Perguntou a garota, em perfeito inglês, apesar de um leve sotaque francês.

- Exatamente. Dê-me sua bagagem, por favor.

Snape agora carregava as malas.

- Vamos almoçar. A senhorita deve estar com fome.

Eles foram a'O Caldeirão Furado. Almoçaram, sem trocar muitas palavras. Só agora ele pôde reparar melhor nas feições da garota. Seu rosto era emoldurado por dois delicados cachos, o resto do cabelo estava preso num rabo-de-cavalo. Seu vestido, Snape pôde observar quando ela foi ao banheiro, era de alças, com a saia cercada de babados e a parte de cima estilo espartilho. Isso dava à ela um ar meio vitoriano.

Quando ela voltou, Snape perguntou se queria algo à mais, e, como não, apenas pagou a conta.

- Acho que deveríamos comprar seu material escolar, antes de irmos para Hogwarts. Já sei que livros vão ser pedidos, e não gostaria de ter de voltar aqui.

- Pois sim, vamos. - Concordou Kanako, com seu tom sério e um quase imperceptível sotaque francês.

Chegaram ao Beco Diagonal. Compraram os livros de Kanako. Snape pagou tudo, apesar da insistência de Kanako, que queria pagar com o dinheiro da herança.

- Sobremesa? - Perguntou Snape, tentando ser gentil.

- Por quê não um sorvete? - Sugeriu Kanako.

Snape assentiu, caminharam juntos até a sorveteria, que não ficava muito longe. O dia estava realmente quente. Conversaram enquanto tomavam o sorvete.

- Espero que a viagem não tenha lhe cansado muito. Amanhã viajaremos novamente.

- A viagem foi boa, apesar de demorada.

- A senhorita estudava em Beuxbatons, suponho...

- Sim, senhor. Estou ansiosa para conhecer Hogwarts.

- Entendo... Espero que goste da escola e se sinta bem.

Era estranho, apesar de francesa, havia pouco do sotaque característico aos franceses nas palavras da menina. Com toda a certeza ela deveria ter treinado muito para falar tão bem.

Depois do sorvete, se encaminharam novamente a'O Caldeirão Furado. A menina esperou sentada em uma saleta, enquanto Snape pegava as chaves do quarto.

- Infelizmente só há um quarto vago. Mas o dono da estalagem me garantiu que comportaria a nós dois. – Informou Snape, quando voltou, parecendo meio chateado.

Um empregado do local encarregou-se de mostrar o caminho para o quarto. Lá estando se depararam com apenas uma cama, de casal. A surpresa estava estampada no rosto dos dois.

- Não se preocupe, eu me acomodarei no sofá. – Falou Snape, ligeiramente envergonhado e mais irritado que antes. – Pensei que haveria duas camas.

Esperaram no quarto até o jantar, que se deu no salão d'O Caldeirão Furado. Não houve conversa alguma. Os dois se mostraram estranhamente interessados em seus pratos, comeram rapidamente e logo estavam no quarto novamente.

Kanako trocou de roupa. Vestia um short doll branco e rendado, de seda. Snape estava na sala, já deitado no sofá.

- Tenha uma boa noite, senhor Snape. – Falou aparecendo na sala.

- Igualmente, senhorita D'Anjou. – Falou Snape, dando-lhe pouca atenção e se virando no sofá.

Kanako deitou-se, estava cansada, dormiu rapidamente. Logo estava com seus pais. Estavam os três jantando, conversando... Felizes. A expressão deles mudava. O que estava acontecendo? Por que estavam assim? Estavam empalidecendo... Como se todo o sangue de seu corpo estivesse sendo sugado por uma grande sanguessuga. Pálidos, lábios roxos, expressões vazias, definhando, apodrecendo. Estavam mortos.

Acordou sobressaltada. Seu peito arfava, suava frio. Olhou para os lados, retornando à realidade pouco a pouco. Estava muito escuro. Medo. Havia medo em seu peito, ele transbordava em forma de lágrimas... Lágrimas de medo e tristeza. A órfã pegou seu cobertor, e correu a sala. Deitou-se no sofá. Por sorte ele era espaçoso. Aninhou-se no peito de Snape, e lá adormeceu.



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Mal o sol batera em seu rosto, Snape despertou. Estava desacostumado com o calor, e com a claridade matinal, visto que nas masmorras não havia janelas e o ar estava sempre úmido. Ao abrir os olhos, deparou-se com um rosto desconhecido. Era um belo rosto feminino, seus lábios carnudos sibilavam um ressonar leve e delicado. Esses lábios estavam perigosamente próximos dos seus próprios. Observou o resto do rosto. Traços finos e delicados emoldurados por alguns cachos despreocupados. O rosto tinha um certo ar infantil, puritano. Quem seria? Segurou-se para não tomar a moça para si. O corpo da moça, tão próximo ao seu, lhe excitava muito. Afinal, Snape constatou, estavam em um sofá. Por que estavam assim?

Se levantou cuidadosamente. Olhou para os lados. Parecia um hotel. Ah! Agora se lembrava. Aquela era a senhorita D'Anjou, filha de primos distantes, agora órfã, que ele havia adotado. Lembrou-se que teve de ir dormir no sofá, pois só havia uma cama de casal... Mas, então... Por que ela estava com ele? Teria feito alguma besteira inconscientemente?

Foi ao banheiro, talvez uma ducha lhe fizesse recobrar a memória. Mas nada veio a sua cabeça, quando saiu do banho, Kanako estava acordando.

- Bom dia, senhor Snape. – Falou Kanako, ainda deitada no sofá.

- Bom dia... – Respondeu, a confusão ainda em sua voz. – Er... Suponho que a senhorita queira saber como foi parar aí... Mas eu não... Eu não faço a menor idéia. – Snape estava assustado.

- Oh, senhor Snape. Devo lhe pedir perdão. Eu tive um pesadelo à noite... Acordei assustada, a única coisa que me passou pela cabeça foi deitar-me com o senhor... Desculpe ter tomado a liberdade. Espero não ter feito mal.

- Ah, sim. Es... Está bem. – O alivio estava presente na voz de Snape. – Apenas fiquei preocupado. Receava ter acontecido algo.

- Oh... Mas o que poderia ter acontecido, senhor? – Perguntou a menina, com a expressão e voz ultrapassando as barreiras da ingenuidade.

- Não sei... Algo. – Snape sentiu-se intimidado. Se não fosse sua apreensão, Kanako levaria uma boa resposta. Será que agora ela pensaria que ele poderia ataca-la?

Kanako sorriu, se levantou e foi ao banheiro, levando consigo uma muda de roupa. Alguns minutos depois, ela saiu, trajando um vestido novamente, se bem que mais leve que o anterior - de alças, menos babados e rendas apenas na saia, que lhe vinha até o joelho, a parte de cima deste era amarrada, como um corselete, era branco, em resposta ao quente dia de verão. Seu cabelo estava preso em duas marias-chiquinhas.

- Tomaremos café e nos encaminharemos direto à Hogwarts, não poderemos nos demorar muito.

E assim fizeram, Tomaram o café no salão, onde jantaram na noite anterior. Uma hora e meia depois já estavam pegando o trem à caminho de Hogwarts.

O trem estava vazio, à não ser por eles dois. Entraram numa das primeiras cabines. Snape ajeitou no banco a sua pequena mala, junto com o malão de Kanako. Sentaram-se lado a lado. Snape pegou uma revista e começou a folheá-la. Kanako observava a paisagem.

- É uma bela vista, imagino quão bela deve ser, quando vista do castelo. – comentou a menina.

Snape meramente concordou. Mas Kanako queria puxar assunto.

- Fala-me sobre o castelo? – Pediu Kanako.

- O que quer saber? – Perguntou Snape, dando um suspiro meio irritado.

- Não sei... Qualquer coisa. Histórias... Tem passagens secretas? – Seus olhos brilhavam.

- Sim... Algumas. – Respondeu entediado, tentando se concentrar na revista.

- Uau... E aonde elas levam? Eu soube que havia um basilisco por trás de uma destas...

- Sim, é verdade.

- Nossa... E o que aconteceu? – Kanako estava maravilhada. Seus sonhos infantis agora pareciam se realizar.

Snape soltou um longo suspiro. Olhou para ela.

- Eu acho que a senhorita está com uma idéia equivocada sobre mim. Eu não sou um contador de histórias. Sou apenas um professor, e teu tutor. – Falou ele, rudemente.

- Desculpe, senhor Snape. – Respondeu ela, chateada com a grosseria.

Kanako virou-se para a janela e voltou a observar a paisagem. Snape, agradecendo mudo pelo silêncio, voltou à revista. O silêncio era descomunal. Comentou em tom de reconciliação, quando acabou de ler a revista:

- Estamos no meio do caminho.

Não houve resposta.

A fome já estava apertando, quando a mulher com o carrinho dos doces passou.

- O que vai querer? – Perguntou Snape.

- Nada. Muito obrigado. – Respondeu, séria, ainda chateada. Sentiu o estomago protestar, mas era orgulhosa de mais para mudar de idéia.

Snape comprou quatro bolinhos de frutas cristalizadas e alguns sapinhos de chocolate. Esticou o braço com um dos bolinhos para Kanako. Ela, que estava virada de costas para ele, fingiu não ver os bolinhos ao seu lado.

- Pegue. – Falou Snape.

- Não, obrigado... Não tenho fome. – Respondeu.

- Tenho certeza de que tem. E eu não estou oferecendo, estou mandando que pegue.

- Mas... – Kanako relutava, seu estomago deu outra volta.

- Pegue.

Kanako pegou o bolo, comeu. Era gostoso. Ainda tinha fome, apesar de menor. Snape ofereceu-lhe outro bolo, ela aceitou sem nada dizer.

- Este você aceitou por vontade própria. – Comentou Snape, sob o olhar intrigado de Kanako – Isso quer dizer que estavas com fome, não é?

Kanako continuou calada, olhando-o. Pensava em onde ele queria chegar com uma conclusão tão estúpida quanto essa.

- Há pouco mentistes para mim. Não quero que isso se repita. Está ouvindo? – Falou Snape.

- Sim...

Kanako estranhou. Agora Snape parecia um ditador. Achou estranho, já que ele até se mostraram gentil no início. Parecia-lhe agora que ele iria ditar regras, e iria caber a ela cumpri-las. Não estava tão incomodada com isto.

A chegada em Hogwarts estava próxima. Mais alguns minutos de silêncio, e pararam na estação de Hogsmead. Desceram, Snape carregava as malas. Depois de uma silenciosa caminhada, chegaram aos portões do castelo.

A jovem bruxa não conseguia conter o sorriso, estava maravilhada. O castelo era maior e mais belo do que a sua imaginação infantil pôde imaginar em seus sonhos.



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Nota da Autora:Aiaiai... Bem... Esta é a minha primeira fic, espero que perdoem qualquer erro. Sou fãzassa do Snape, mas infelizmente não tenho prática com este personagem (devido a sua complexidade e a sua pouca participação no livro). Mas espero que o meu Snape não esteja fugindo tanto assim do real.

Eu não tenho uma Beta, por isso estou me dedicando duplamente à fic. Tanto na parte do português quanto na história, pra ter sentido, mas acredito que ainda possa haver alguns erros. Espero que não.

Bem... Vou encerrando por aqui. Espero que gostem da fic. Logo, logo ela vai ser atualisada, visto que já tenho alguns capítulos prontos, só faltando uma revisada básica.

Beijos e obrigada! ^^"

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