CAPÍTULO 13 - OS TRÊS ALQUIMIS



CAPÍTULO 13



 



OS TRÊS ALQUIMISTAS



 



 



 



 



 



 



 



 



A Plataforma 9 ½ foi o local de reunião dos alunos que retornavam para Hogwarts e que, antes mesmo de embarcarem no trem rumo a Hogsmeade, os Inseparáveis, exceto Nereida, que já estava no povoado, compartilhavam as novidades dos feriados de Natal e Ano Novo. Hermione e seus pais haviam acabado de chegar, ao mesmo tempo que os Weasley e ela já cumprimentava os Potter, a quem vira somente no jogo de Quadribol Grifinória x Sonserina. Pouco depois de se conhecerem, já pareciam velhos amigos, ainda mais que Arthur Weasley adorava trouxas. Ele e Edward Granger deram-se muito bem. Para alegria de Harry, Gina viera acompanhando sua mãe e logo juntara-se a eles, o que não passou despercebido à inteligente bruxinha.



 



_Ei, Harry, andou acontecendo algo nesse fim de ano que eu não estou sabendo?



_Bem, Mione, acho que está mais do que na cara. _ disse Harry, corando como um tomate, enquanto que, perto dele, Neville e Algie torciam-se de rir ao olharem para sua cara _ Aconteceu no Natal.



_Que bom, vocês formam um belo casal.



_Assim como você e Rony, desde a nossa primeira viagem no Expresso. _ foi a vez de Hermione corar. Ela apenas corou. Já o rosto de Rony estava púrpura. Gina riu.



_É um prazer conhecê-la pessoalmente, Hermione. Rony fala bastante de você..., nas raras cartas que escreve. _ disse Gina, enquanto Rony ficava ainda mais vermelho, se é que era possível.



_Depois dizem que o Harry pode iluminar Hogwarts, quando enrubesce, minha gente. _ disse Soraya _ Quem diz isso é porque nunca viu o Rony.



 



Risos seguiram-se ao comentário da filha de Sirius Black. Ali perto, os pais conversavam.



 



_Então, Arthur, quer dizer que o maçarico que adquiri no ano passado estava enfeitiçado? Só assim para explicar um maçarico que lança água em vez de fogo. Nunca falei disso com ninguém e a maldita coisa ainda está lá em casa.



_Vou dar um jeito nele, assim que despacharmos as crianças, Edward. Basta levá-lo para o Ministério e resolverei o problema.



_Muito bem, obrigado, Arthur. _ disse Edward, olhando depois para Tiago _ Incrível não termos nos conhecido antes, Tiago.



_Realmente, Edward. Nós moramos em Chelsea e vocês em Notting Hill, bastante perto. Estão de parabéns pela filha que vocês têm, Hermione é incrivelmente inteligente e uma garota de educação bastante refinada. Estou contente que ela e Harry sejam amigos.



_Se bem que eu acho que não somos os únicos a reparar em sua filha, Edward. _ comentou Sirius.



_Fala de Rony? _ perguntou Arthur _ Eu já notei.



_E eu pude perceber que seus filhos também são ótimos, Arthur. Você e Molly souberam transmitir bons valores a eles. _ disse Edward Granger.



_Obrigado, Edward. Agora que você e Elaine conhecem algo sobre a Bruxidade, devem saber que o mundo não está fora de perigo e é o dever de qualquer pessoa de bem, seja bruxo ou trouxa, fazer o que puder para combater o mal. Os trouxas, normalmente, não sabem de tudo o que acontece. _ disse Arthur.



_Mas são capazes de sentir quando há algo errado. _ disse Sirius.



_E, numa situação de perigo, devem saber a quem recorrer. Este é o meu cartão, Edward. _ disse Tiago, estendendo-o para Edward _ Caso note algo estranho, tipo um acidente inexplicável, algum crime misterioso demais, segure o cartão e chame por mim. Eu ou algum outro Auror responderemos ao seu chamado.



_A coisa está feia assim?



_Não o bastante para despertar a paranóia do povo. Mas é melhor que cada um só saiba o necessário. _ disse Sirius _ E aqueles que não têm conhecimento da Bruxidade, é melhor que nada saibam, para não enlouquecerem. Afinal, como dizia o antigo Chanceler da Alemanha, Otto Von Bismarck, “As leis e as salsichas. Metade da população não dormiria, se soubesse como são feitas”. Alguns conhecimentos devem ficar restritos a poucos, para o bem de todos.



_OK. Se for preciso, entrarei em contato. Bem, são quase 11:00 h. Vamos nos despedir das crianças, pois elas já vão embarcar.



Harry deu um suave beijo em Gina e despediu-se de todos, entrando no trem, seguido pelos amigos. Logo, ocuparam a cabine que reservaram, acomodando as bagagens de mão nos locais apropriados. Harry, Rony, Hermione, Neville e Soraya deram os últimos acenos às famílias pela janela e sentaram-se, enquanto o Chefe liberava o trem, que saiu da gare, após apitar. Os amigos estavam retornando para Hogwarts.



 



Na cabine, continuaram a conversar sobre os dias de férias.



 



_Ficaram em Londres, Soraya? _ perguntou Rony.



_Sim. Fizemos uma festa lá em casa, no Largo Grimmauld, Nº 12.



_A famosa Mansão Black. Agora aquela casa não tem mais a má fama que já teve. _ comentou Harry.



_É verdade, gente. No tempo do meu avô, Orion Black, a coisa era bem feia. Ele e minha avó, Walburga Black, eram partidários das Trevas e, durante os Dias Negros, tiveram o maior orgulho quando o irmão menor de Sirius, Regulus, entrou para os Death Eaters.



_O quê?! _ perguntou Neville _ Então era verdade?



_Sim, Neville. Lembro-me de que conversávamos sobre isso, em nossa ida para Hogwarts, quando você chegou à cabine. _ disse Hermione. E ele foi morto depois por Evan Rosier, porque arrependeu-se e desertou. Bem, falemos de coisas mais agradáveis, como estávamos fazendo. Então, Soraya, a festa foi legal?



_Sim, Mione. Vieram Remus Lupin e a prima de papai, Andrômeda, com o marido e a filha, Nymphadora. Ela foi detonada da árvore genealógica familiar, por ter se casado com um bruxo nascido trouxa, Ted Tonks. É irmã de Bellatrix Lestrange e Narcisa Malfoy. Precisa ver como Remus toca bem o piano. Ouvi dizer que ele chegou a ter aulas com Burt Bacharach.



_Se tivesse sido com Liberace, aí iria pegar mal. _ disse Harry.



Todos riram com o comentário do bruxinho. Então, ele perguntou:



_E você foi com seus pais para a França, Mione?



_Sim, Harry. Exatamente como eu disse. Fomos ao Vale do Loire e meu pai participou daquele curso do qual eu te falei. Ele me disse que a aula com René Malfoy tinha sido excelente.



_Também pudera. René Malfoy é um dos mais renomados vinicultores e enólogos da França. _ comentou Rony.



_E eu o vi meio de longe, entrando em um carro. Estava em companhia de uma mulher e uma garota, provavelmente sua esposa e filha. A garota aparentava uns dez anos e era bastante parecida com Draco.



_Parecida com Draco? _ perguntou Harry e todos espantaram-se ao ouvirem a voz do próprio.



_Deve ter sido minha prima, Valérie. _ disse ele, na porta da cabine.



_Malfoy?! Que faz aqui? _ perguntou Rony.



_Calma, Weasley, calma. Eu me enganei de cabine, a minha é do lado da de vocês.



_Então, era sua prima? _ perguntou Hermione _ Realmente, vocês se parecem bastante.



_Tenho outro primo bastante parecido. Temos praticamente os mesmos traços, mas o tom de loiro do cabelo e o azul dos olhos é mais escuro e ele tem a pele mais bronzeada. É Remy, filho de Tia Danielle. Seu pai, apelidado “Le Touareg”, é um famoso bruxo Alquimista franco-marroquino, chamado Lucien Didier Bashir. Mas, quanto a Valérie, quem nos vê pensa que somos irmãos.



_René deve ser bem parecido com Lucius. _ comentou Soraya.



_Sim, priminha. _ disse Draco, divertindo-se com o quanto aquele tratamento irritava Soraya _ É uma característica dos Malfoy. Estou vendo, Granger, que você pegou para ler nas férias o livro “Bruxos Europeus na II Guerra Mundial”. Procure por Jean-Marc Malfoy D’Alembert. Tem a foto-bruxa dele aí.



_Do lado dos Nazistas, Malfoy? _ perguntou Rony.



_Não, Weasley. Ele combateu entre os Maquis, a Resistência Francesa. Lógico que a família o escanteou, depois daquilo. Ele morreu pouco depois do casamento de meus pais, eu não sei do quê.



 



Hermione abriu o livro e localizou o bruxo. Todos arregalaram os olhos.



 



_Uau, Malfoy! _ exclamou Neville _ eu seria capaz de jurar que é você na foto!



_À exceção do cigarro que está no canto da boca dele, que é algo que eu não suporto, poderia, sim. Bem, eu vou indo. Já fiquei demais por aqui. _ e, após essas palavras, Draco Malfoy retirou-se, indo para sua cabine.



 



Novamente Rony sentiu-se incomodado pelo jeito com que ele olhava para Hermione. E aquilo não passou despercebido a Harry, que resolveu ficar quieto, bem como Soraya.



 



_Eu não posso me esquecer de fazer uma encomenda a Fred e Jorge, na próxima visita deles a Hogsmeade. _ disse Soraya.



_O quê? _ perguntou Harry.



_Uma caixa média de Delícias Gasosas.



_Mas por que? _ perguntou Rony.



_Perdi uma aposta para o Algie. Ele disse que não passaria do Natal para que Harry se declarasse para Gina e eu disse a ele que a famosa timidez de Harry Potter iria predominar. Como podem ver, perdi e estou devendo.



_Aquele capetinha. _ disse Harry _ Bem que eu vi o olhar diferente dele, naquela manhã.



_Já vi que seu irmão não nega a fama do pai. _ comentou Hermione.



_Esperem até o próximo ano, quando ele for para Hogwarts. Aí sim, vocês vão ver. _ disse Soraya _ Algie e Harry juntos... Hogwarts jamais será a mesma.



 



Aos risos, os Inseparáveis fizeram suas escolhas no carrinho de lanches e continuaram a buscar distrações, enquanto anoitecia e o trem aproximava-se de Hogsmeade. Quando, com o seu característico ranger de freios, o Expresso de Hogwarts parou na estação, eles espreguiçaram-se e desembarcaram, encontrando-se com Hagrid, na plataforma.



 



_E então, crianças? Como foram o Natal e o Ano-Novo de vocês?



_Excelente, Hagrid. _ respondeu Rony. Harry passou o Natal na minha casa e eu passei o Ano-Novo na dele. Inclusive, conheci o time para o qual ele quase foi.



_O Chelsea? Aquelas camisas azuis são mesmo muito bonitas.



_Aliás, Hagrid, eu trouxe uma para você. _ disse Harry _ Como eles não fabricam no seu tamanho, papai lançou um Feitiço “Enlargio Permanens”, para que coubesse.



_Muito obrigado, Harry. Tiago sempre foi um cara muito legal, desde criança. Aliás, todos os Marotos, até mesmo o Pett... _ e Rúbeo Hagrid parou de falar, como se tivesse acabado de dizer um palavrão.



_O que foi, Hagrid? _ perguntou Harry.



_Nada, nada, Harry. Passem na minha cabana para um chá, amanhã à tarde. Vou lhes mostrar uma coisa que eu ganhei de um bruxo estrangeiro, em um jogo de cartas no Cabeça de Javali.



_OK, Hagrid. _ disse Harry, estranhando aquilo. Parecia que Hagrid ia dizer o nome de alguém e parara no meio. Não seria algo muito estranho, se não fosse pelo fato de Tiago, Sirius e Remus haverem feito a mesma coisa, em diferentes ocasiões. Sempre que iam dizer aquele nome eles paravam, como se estivessem pronunciando um nome proibido, mas como se não quisessem fazê-lo porque o tal nome lhes causasse repugnância, diferente da atitude da maioria da Bruxidade em relação ao nome de Voldemort, que evitavam pronunciá-lo por medo. Anotou mentalmente o fato, como mais uma coisa que iria investigar.



 



As Troykas deslizavam pela superfície congelada do Lago Negro, à luz do luar. Aquilo era uma cena digna de um filme, quer fosse um romance ou uma aventura. Hagrid conduzia a primeira Troyka, aplicando seus conhecimentos da região, evitando locais onde o gelo pudesse estar mais fino. Os guizos dos trenós tilintavam, ajudando a manter a formação e logo chegavam aos portões do castelo. Ainda bem, pois todos os alunos estavam loucos por um chocolate ou um chá quente, antes de caírem na cama.



 



 



Manhã de inverno, céu de puro azul e o sol brilhava sobre a neve, chegando a doer na vista. Harry e os Inseparáveis estavam no pórtico, em um intervalo entre aulas. Nereida juntara-se a eles, contando as novidades dos feriados e tomando conhecimento das últimas notícias. Ao saber do teor da conversa entre os Weasley e Tiago Potter, a sonserina franziu a testa e falou:



 



_Interessante, Harry. Isso bate com um trecho de uma conversa entre Dumbledore e papai, que eu surpreendi meio que por acaso. Papai dizia a Dumbledore que os problemas da parte dele já haviam sido solucionados e “Aquilo” estava em segurança. Dumbledore disse, então, que o esquema estava completo, pois Minerva, Hagrid, Derek, Sprout e ele próprio já haviam completado suas partes.



_Então, alguma coisa está sendo mantida sob um esquema de segurança, aqui em Hogwarts. _ disse Hermione _ Resta saber o que poderia ser.



_Deve ser algo muito importante. _ comentou Soraya _ E antes disso devia estar no Gringotes.



_Por que você acha isso, Soraya? _ perguntou Neville.



_Por causa disto aqui. _ e Soraya Black tirou um exemplar anterior do Profeta Diário da bolsa _ Papai e Remus conversavam, na manhã de Natal, comentando sobre uma invasão e o arrombamento de um cofre no banco.



_Eu me lembro. _ comentou Hermione _ Os jornais bruxos de todo o mundo noticiaram o fato, pois foi a primeira vez em que alguém invadiu uma agência do Gringotes e conseguiu sair vivo. Eles têm um esquema de segurança praticamente infalível.



 



Harry olhou para o jornal, leu rapidamente a reportagem e depois disse:



 



_Concordo com você, Soraya. Mas o que seria? Algum feitiço proibido?



_Ou um objeto místico? _ sugeriu Neville.



_Talvez documentos confidenciais? _ opinou Nereida.



_Ou então dois ou mais desses itens. _ disse Rony.



_Só sei que eles nem divulgaram o número do cofre. _ disse Hermione, pegando o jornal _ Mas, pelo aspecto do corredor do banco, deve ser um dos cofres mais antigos.



_Como pode deduzir isso, Mione? _ perguntou Harry.



_Vejam só isso. _ e Hermione Granger pegou uma lupa de dentro de sua bolsa, ampliando a foto-bruxa do jornal _ As estalactites e estalagmites já se encontraram e formaram colunas grossas. Ora, esse processo leva centenas, milhares de anos, até. Daí, inferimos que esse cofre encontra-se em um nível bastante antigo do banco.



_Exato. Os níveis mais inferiores abrigam os cofres mais antigos, das famílias e instituições mais tradicionais. _ comentou Nereida _ Eu não ficaria admirada se o cofre familiar de Dumbledore ou talvez o cofre de Hogwarts ficasse em um nível assim profundo.



_E eu me lembrei agora de algo que estava querendo te perguntar desde a viagem, Mione. _ disse Harry _ O que você sabe a respeito da família Flamel?



_Só o que eu já li sobre eles. _ respondeu Hermione.



_O que deve ser equivalente a uma pequena biblioteca. _ comentou Rony, enquanto os outros riam _ Bem, todos devem saber alguma coisa, já que a família é grande e famosa.



_Tem razão, Rony. _ disse Hermione, entre meio irritada com a brincadeira e meio envaidecida com o elogio velado feito pelo ruivo _ A família Flamel é grande, tradicionalmente constituída de Alquimistas e Medi-Bruxos e bastante espalhada pelo mundo. Bem, vamos ver o que eu me lembro.



_Manda ver, “Traça-de-Livros”. _ disse Soraya, enquanto Hermione mostrava a língua para a amiga.



_A origem da família é francesa. Como eu disse, eles são Alquimistas e/ou Medi-Bruxos, bastante destacados em suas áreas, tendo colaborado em várias descobertas. Por exemplo: a Peste Negra só não dizimou toda a população da Europa porque Roland Flamel descobriu uma poção que eliminava as pulgas dos ratos e, conseqüentemente, a Yersinia pestis e viajou pelo continente, junto com sua equipe de pesquisa, espalhando-a onde quer que encontrasse ratos.



_E eu ouvi papai dizer certa vez, há algum tempo, que Gilles Flamel reduziu muito o sofrimento dos atingidos pelos gases irritantes dos alemães, durante a I Guerra Mundial. _ disse Nereida _ Parece que ele desenvolveu antídotos para aquela maldita arma, que teve sua estréia em Yprés.



_Exatamente, Nereida. _ concordou Hermione _ O Prof. Snape deve saber bastante, pois todo aquele que trabalha com Poções deve conhecer os Flamel e seus trabalhos.



_Eu ouvi falar de um outro Flamel, que serviu com as tropas brasileiras, na Guerra do Paraguai. _ comentou Harry _ Ele era Medi-Bruxo e tinha a fachada de Médico trouxa, tendo tido um papel importante quando começaram a ocorrer os surtos de cólera. Suas poções evitaram muitas baixas nos exércitos aliados. Seu nome era Julien Flamel, se não me engano.



_Também li sobre ele, Harry. Depois da Guerra do Paraguai ele fixou-se no Rio Grande do Sul e deu continuidade à tradição da família. Um descendente dele vive na capital, Porto Alegre. _ disse Neville _ Mas não sei seu nome.



_Eu sei quem é ele, Neville. _ disse Hermione _ Seu nome é J. M. Flamel e ele também é Medi-Bruxo, com disfarce de Médico trouxa... Radiologista, se não me engano. Graduou-se como Mestre de Ninjutsu-Bruxo com o Prof. Mason e parece que colabora com os Aurores gaúchos, como instrutor de Artes Marciais. Ele nos falou dele, outro dia. Parece que o cara chega a participar de operações conjuntas dos Aurores com a Polícia trouxa, contra traficantes de drogas. O Prof. Mason mencionou que o contato da Polícia Civil com os bruxos é um Delegado do DEIC, creio que chamado Claudiomir.



_Agora estou lembrando. _ comentou Rony _ O Prof. Mason disse que eles fizeram uma batida e foram localizados e cercados. Sozinho, ele incapacitou dez caras armados e garantiu uma rota de saída, virando a situação. O cara parecia um demônio ao lutar, segundo o que o Prof. Mason disse.



_Galera, não quero ser desmancha-prazeres, mas temos de ir para as aulas da tarde e lembrem-se de que ficamos de tomar um chá com Hagrid. _ disse Nereida.



_OK. _ disse Harry _ Mione, voltando a falar dos Flamel, o que você acha que teriam em comum os sobrenomes “Dumbledore”, “Flamel” e “Grindelwald”?



 



Hermione ficou pensativa e logo respondeu:



 



_Harry, para responder isso, precisarei fazer uma pequena pesquisa na Biblioteca.



_???



_Mesmo a “Traça-de-Livros” precisa refrescar a memória. Peçam desculpas a Hagrid por mim, pois não poderei participar do chá. Farei a pesquisa depois da última aula e conversaremos depois do jantar.



 



Depois das aulas da tarde, os Inseparáveis dirigiram-se à cabana de Hagrid, sem Hermione. Este sentiu a falta da amiga, mas compreendeu suas razões. Todos se sentaram e aguardaram pelos vários chás disponíveis.



Era fato conhecido que a culinária de Rúbeo Hagrid era pouco menos que desastrosa, mas seu gosto e conhecimento de chás era algo de incrível. Sendo o Guarda-Caça de Hogwarts, ele conhecia as várias plantas medicinais, aromáticas e alimentícias existentes na Floresta Proibida e sabia quais delas davam bons chás, rivalizando com a Profª Sprout nas habilidades em Herbologia. Aprimorara seus conhecimentos e realizara experiências, combinando diversas variedades de plantas e obtendo resultados bastante saborosos. O resultado era que os jovens tinham diversos tipos de chás, à sua escolha.



 



_Posso deixar a desejar como cozinheiro (“Deixar a desejar é pouco”, pensaram os Inseparáveis), mas entendo um pouco de chás. Existem várias plantas medicinais muito eficazes, mas que têm um sabor não muito agradável. Então, é preciso adicionar algo mais saboroso. Por exemplo, a Savarina Cinzenta. Neville deve conhecê-la, pois é bom em Herbologia e a usa para tratar a avó. Ela é excelente para dores lombares, principalmente problemas do nervo ciático, porém é muito amarga. Aí, temos de acrescentar algo para torná-la mais... palatável. Seria, fazendo um paralelo com os uísques, preparar um “Blend” ou, com os vinhos, uma “Assemblage”. Adicionando a Alegríssima Fasciculada, que é naturalmente adocicada e um pouco de raspas de laranja, temos um chá que agrada a qualquer paladar. Falando nisso, experimentem este daqui, eu o preparei ontem.



_Delicioso, Hagrid. _ disseram os Inseparáveis _ Damasco?



_Exatamente. Chá preto, ao qual acrescentei damascos, maturados em licor da própria fruta e depois dessecados e triturados. O sabor e o aroma ficam ótimos.



_Sem dúvida alguma. _ comentou Soraya.



_Pois é. Este é um dos preferidos de vários bruxos importantes, tipo Dumbledore e, também, do Nicolau Flamel.



 



Os outros não prestaram atenção ao comentário de Hagrid, mas a menção daquele nome pareceu acender uma luz no cérebro de Harry Potter.



 



_Há uma outra coisa que eu queria mostrar a vocês. _ disse ele, chamando-os para perto da lareira, onde algo estava em um caldeirão, sobre um alto fogo.



_Omelete, Hagrid? _ perguntou Neville.



_Não, Neville. Este não é um ovo comum.



_Espere, Hagrid! _ exclamou Rony _ Eu sei que tipo de ovo é este! Cara, ele é raro e, além do mais, isto é proibido.



 



Naquele momento, o ovo começou a estalar e a quebrar-se, de dentro dele saindo uma criatura de cerca de trinta ou quarenta centímetros, que abriu um par de asas de couro, meio moles, com semelhante envergadura.



 



_Um dragão, Hagrid? _ perguntou Nereida.



_Exato. Um dragão norueguês. _ respondeu Hagrid e Rony concordou com ele, pois conhecia dragões, devido ao que Carlinhos lhe havia ensinado do seu trabalho.



_Mas você não poderá ficar com ele para sempre, Hagrid. É proibido manter dragões como animais de estimação, você sabe. _ disse Soraya _ Além disso, ele vai ficar grande demais e perigoso.



_É, eu sei. Ficarei com ele enquanto for possível e, depois, darei um jeito de dar a ele o destino adequado. E é aí que você entra, Rony. Peça para Carlinhos vir buscá-lo, antes que ele cresça demais. _ disse ele, já meio triste por saber que o lagarto alado um dia teria de ir embora.



_OK, Hagrid. Mas eles já são perigosos mesmo recém-nascidos.



 



Como que sublinhando as palavras de Ronald Weasley, o pequeno dragão deu uma tossida e uma bola de fogo elevou-se, chamuscando a barba de Hagrid, que bateu nela com suas enormes mãos, antes que ela se incendiasse.



 



_Norberto, seu travesso! _ disse o Guarda-Caça, batizando o animal, enquanto as crianças sorriam.



_Bem, Hagrid, está chegando a hora de irmos. Você continua tratando essas feras como se fossem mascotes, hein? Meus pais disseram que, na época deles, você era assim, também. _ comentou Harry.



 



Antes de escurecer, despediram-se dele e retornaram ao castelo, sendo que as coisas começavam a tomar forma na cabeça de Harry, ainda que meio vagas.



 



Com o resultado da pesquisa de Hermione Granger, elas iriam ficar mais claras. Eles iriam entender mais da situação e aí é que o perigo aumentaria, envolvendo a todos.



 



 



À noite, depois do jantar, os Inseparáveis reuniram-se na Biblioteca, a fim de revisarem as matérias e, também, saberem dos resultados da pesquisa de Hermione. Sentados à mesa de costume, em um canto mais sossegado do salão de leitura, os amigos estavam ansiosos pelo que a inteligente bruxinha havia descoberto. Esta encontrava-se atrás de uma pilha de livros e folhas de pergaminho, exibindo um sorriso que todos conheciam e que significava que a “Traça-de-Livros” havia obtido sucesso em tudo o que procurava.



 



_E então, Mione? _ perguntou Rony _ Conseguiu encontrar a conexão entre os três alquimistas?



_Mais do que isso, Rony. _ respondeu ela _ Há fatos bastante antigos aqui, dos quais muita gente já não se lembra mais. Por exemplo, o fato de que Grindelwald chegou a ser estudante em Hogwarts.



_Como é? _ perguntou Soraya.



_Exatamente. No quinto ano, Grindelwald veio para Hogwarts, transferido de Durmstrang. E foi colega do Prof. Dumbledore, só que em outra Casa, a Corvinal.



_De onde é possível deduzir que a inteligência dele era bastante privilegiada. Há alguma imagem dele, Mione? _ perguntou Neville.



_Sim, aqui está.



Todos viram um rapaz de bela aparência, nas vestes da Corvinal, cujas cores combinavam com seus olhos, azuis intensos. Porém, ao contrário do que esperavam, ele não era loiro, seus cabelos eram pretos e brilhantes.



_Seria de supor que ele fosse loiro. _ comentou Harry.



_Acontece, Harry, que Adolf Gellert Grindelwald não era alemão, mas sim austríaco.



_Isto me faz pensar em um outro Adolf... _ disse Nereida.



_Mais do que você imagina, Nereida. Veremos isso agora. Bem, Grindelwald viajou bastante, depois de formado, a fim de adquirir poder. Por outro lado, Dumbledore também viajou muito, só que atrás de conhecimento. Ele dizia que o poder não era para ele, razão pela qual sempre declinou dos convites para assumir o Ministério da Magia. Por isso, jamais quis sair de Hogwarts, primeiro como professor auxiliar de Transfiguração, depois como titular da cadeira e, após a aposentadoria do Prof. Dippett, como Diretor de Hogwarts. Quanto a Grindelwald, percorreu as antigas colônias britânicas, durante o Século XIX, principalmente a Jamaica e a Índia. Também esteve no Tibet, Japão, Peru, México, EUA e até mesmo no Brasil. Em cada um desses lugares, aprendeu tudo o que podia sobre Magia Negra e meios de aumentar seus poderes. Somente foi derrotado e tirou sua própria vida em 1945, para não cair vivo nas mãos dos Aliados.



_HEIN?! _ surpreenderam-se os Inseparáveis, mesmo que já tivessem comentado sobre aquilo, anteriormente.



_É como eu ia lhes dizer, gente. _ disse Hermione _ Grindelwald foi, secretamente, conselheiro de Adolf Hitler, durante a II Guerra Mundial. Ele colaborou nas pesquisas que potencializaram os efeitos dos gases letais que exterminaram os judeus nos campos de concentração.



_O “Zyklon-B”? _ perguntou Soraya.



_O próprio, Soraya. Lógico que ele já possuía experiência nesse campo, pois era algo parecido com o que ele já havia feito durante a I Guerra Mundial. Embora não tenha aliado-se a lado algum, sua contribuição foi importante para o desenvolvimento do Gás de Cloro e do Gás Mostarda, utilizado pelos alemães, em Yprés e depois difundidos pelos teatros de operações da Europa.



_Merlin! Ele teria de ser muito velho para ter feito parte dos grupos de pesquisas de ambas as guerras! _ espantou-se Rony, que estava sentado ao lado de Hermione.



_Já estamos chegando ao ponto principal da pesquisa, Rony. E é aí que entra o terceiro Alquimista, Flamel.



_Acho que já sei qual dos Flamel era esse, Mione. A lembrança me veio depois de um comentário de Hagrid, hoje à tarde. Ele nos serviu um chá aromatizado com damascos e disse que era um dos preferidos de Dumbledore e de Nicolau...



_... Flamel. _ completou Hermione, concordando com Harry, através de um aceno de cabeça _ Era exatamente sobre esse membro dos Flamel que eu iria falar agora. Ele e mais Dumbledore e Grindelwald fizeram um trabalho conjunto, creio que durante o Século XIX.



_Agora embaralhou. _ disse Nereida _ Da década de 40 já recuamos para os dias da I Guerra, de 1914 a 1918 e já estamos no Século XIX? Quantos anos têm esses três?



_Nereida, eu me lembrei de algo hoje à tarde, quando Hagrid mencionou Nicolau Flamel. _ disse Harry _ Certa vez, meu pai chegou a comentar com Dumbledore sobre esse tal trabalho conjunto. Eu era bem pequeno, mas recordo-me de que meu pai perguntou como estavam Flamel e sua esposa, Perenelle e o que achavam do seu sexto século. Na época, aquilo não pareceu ser importante, afinal eu tinha uns quatro anos, eu acho. Apenas duas palavras chamaram a minha atenção, pois eu estava começando a aprender Latim e Dumbledore as mencionou ao meu pai, perto de mim.



_E quais eram? _ perguntou Neville.



_ “Elixir vitae”. _ respondeu Harry.



_O Elixir da Vida! _ exclamou Nereida _ Meu pai chegou a falar dessa lendária substância, que prolongaria indefinidamente a vida de quem o tomasse a intervalos regulares.



_E foi exatamente esse o objeto do trabalho conjunto dos três Alquimistas. O aperfeiçoamento e a correção de alguns erros que existiam no já existente “Elixir vitae”. _ disse Hermione _ E, para tanto, fizeram um aperfeiçoamento em algo que um deles havia criado. Algo que muitos tentaram fazer, mas só ele conseguiu. Algo que atiçou o desejo e a cobiça de muitos bruxos, através de vários séculos e pelo que muitos matariam sem hesitar, caso tivessem a oportunidade.



_Espere, Mione. Você não está falando da... _ e Soraya deixou a frase na metade.



_... Exato, Soraya. O passaporte para fortuna inesgotável e vida inextinguível para seu portador. _ disse Hermione _ Flamel utilizava a fortuna de maneira moderada, contribuindo anonimamente com instituições beneficentes pelo mundo e usufruindo da longevidade indeterminada, para assistir às mudanças da Humanidade pelos séculos e conferir os resultados de suas contribuições.



_Mas é claro. _ disse Harry _ O que mais justificaria o arrombamento de um dos virtualmente inexpugnáveis cofres do Gringotes a não ser um artigo assim, que estaria mais seguro em Hogwarts, a salvo de Voldemort que, certamente, deseja pôr as garras nele para retornar, na plenitude dos seus poderes?



_E onde, com certeza, cada professor deve ter criado uma poderosíssima defesa mágica para impedir que caia em mãos erradas! Mione, você é, realmente, um gênio! _ disse Rony, repentinamente dando um beijo no rosto de Hermione, que ficou vermelha e sentiu um calor equatorial no rosto, assim como o ruivo, que sequer percebera o que acabara de fazer, enquanto os outros sorriam _ O que foi trazido e está sob vigilância em Hogwarts é a Ped...



_Isso mesmo, Rony. _ confirmou Hermione, enquanto seu rosto voltava à cor e temperatura normais, embora a sensação que ela não conseguia definir persistisse, em todo o seu ser _ Hogwarts está montando guarda à lendária e misteriosa Pedra Filosofal.


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