As Cartas de Ninguém



Capítulo 3 – As Cartas de Ninguém


:: POV Lily ::




Foi preciso lançar um feitiço em Sirius e Rony para que eles ficassem paralisados e os meninos arrastarem eles até a sala. Enquanto isso, eu e as meninas fizemos o almoço. Quando terminamos chamamos os garotos, e os esfomeados citados anteriormente (Rony e Sirius) vieram correndo. O almoço estava muito legal, todos rindo e conversando. Tudo estava bem até que o James resolveu fazer um ‘elogio’.


– Lírio, você cozinha muito bem! – James sorriu e piscou pra mim. Eu rolei os olhos e virei o rosto para o outro lado.


Desde que tudo isso aconteceu – a viagem no tempo, os livros e meu... meu filho – eu estava muito confusa. Eu, Lílian Evans, a monitora-chefe, a nerd, a aluna mais certinha de toda a Hogwarts e a predileta dos professores, tive (ou terei, sei lá) um filho com James Potter.James Potter! O garoto mais arrogante, ignorante, egocêntrico, sarcástico, idiota e GALINHA de Hogwarts!


Como? Como isso foi possível? Eu o odiava desde o 1º ano! Ele e os malditos Marotos. Ah, Os Marotos... Os garotos mais “populares” do colégio, os galinhas-idiotas seguidores do Potter. Claro, o Remo é diferente deles. Sempre que ele não estava perto do Potter e do Black ele se tornava um bom amigo. Por isso Dorcas se apaixonara por ele. (Mas essa é outra história.)


Eu sempre odiara o James. Então, por que raios agora eu só o chamava de “James”? Por que eu chorara no ombro dele ao ler como nosso filho sofreu enquanto vivia na casa da minha irmã? E por quê eu me sentia... feliz quando o James estava perto de mim e ficava me irritando?


– Lily, o James tá beijando a Narcisa Black!


– QUÊÊÊÊ??!! – Berrei, assustando todo mundo, enquanto Marlene gargalhava.


– Hum? O que foi? Por que a Lene tá rindo? – Frank perguntou com a boa cheia de comida.


– Eu falei pra Lily que... – Lene parou pra rir - que o James tava beijando a Narcisa!!


Pronto. E foi declarado o Dia-Para-Rir-De-Lily-Evans. Eu devo ter ficado mais corada que... nem sei o quê! Só sentia meu rosto muito quente.


– O.k., gente. Parem de rir da minha mãe! Principalmente você, Ronald. Você não reagiu muito melhor quando eu e a Gina falamos que a Mione tava beijando o Draco Malfoy. – Harry me defendeu e Sirius levantou uma sobrancelha.


– Quer dizer que o Malfoy também teve um filho?


– Sim. Para nosso azar. – Os bruxos mais novos rolaram os olhos. Hum... Ao que parece, o Malfoy-Júnior é tão irritante quando o pai.


– Vamos ler o livro, né cambada? – Fred e Jorge falaram ao mesmo tempo, o que foi um pouco engraçado.


Voltamos à sala e Hermione pegou o livro.


 


Capítulo 3 – “As cartas de ninguém”


A FUGA DA JIBÓIA BRASILEIRA rendeu a Harry o seu castigo mais longo. Na altura em que lhe permitiram sair do armário,


– Lily, depois você me dá o endereço da sua irmã? Acho que vou fazer uma visitinha... – Gina (minha futura nora, talvez?) deu um sorriso maldoso e eu concordei com a cabeça.


as férias de verão já haviam começado e Duda já quebrara a nova filmadora, acidentara o aeromodelo e, na primeira vez que andara na bicicleta de corrida, derrubara a velha Sra. Figg quando ela atravessava a Rua dos Alfeneiros de muletas.


Harry ficou contente que as aulas tivessem acabado, mas não conseguia escapar da turma de Duda, que visitava a casa todo dia. Pedro, Denis, Malcolm e Gordon eram todos grandes e burros,


– Por isso que eles se dão bem com o Duda – Neville falou e todos concordaram.


mas como Duda era o maior e o mais burro do bando, era o líder. Os demais ficavam bastante felizes de participar do esporte favorito de Duda: perseguir Harry.


– Mas como ninguém via isso?! – Sirius gritou, parecendo indignado.


– Bom... – Harry começou – Petúnia e Válter acreditavam que o Duda era um santinho, e os amigos dele também. Aí, se acontecia alguma merda, eu é que levava a culpa. – Ele deu de ombros.


A ideia de transformar minha irmã e o marido dela em porcos permanentemente se tornava cada vez mais tentadora...


Por esta razão, Harry passava a maior parte do tempo possível fora de casa, perambulando e pensando no fim das férias, no qual conseguia vislumbrar um raiozinho de esperança. Quando Setembro chegasse, ele iria para a escola secundária e, pela primeira vez na vida, não estaria em companhia de Duda.


– ALELUIA, MERLIN! – James e Sirius se jogaram de joelhos no chão.


Duda tinha uma vaga na antiga escola de Tio Válter, Smeltings. Pedro ia para lá também. Harry por outro lado, ia para a escola secundária local. Duda achava muita graça nisso.


— Eles metem a cabeça dos garotos no vaso sanitário no primeiro dia de escola — contou ele a Harry — Quer ir lá em cima praticar?


— Não, obrigado — respondeu Harry — O coitado do vaso nunca recebeu nada tão horrível quanto a sua cabeça, é capaz de passar mal.


– Esse é meu filhote! – James disse e bagunçou o cabelo de Harry.


– Er... James? Para de bagunçar o cabelo do Harry, por favor? – Eu pedi gentilmente. CARACA!, desde quando eu pedia algo “gentilmente” à James Potter sem ser sarcasmo?


E correu antes que Duda conseguisse entender o que dissera.


– Sendo filho do Pontas, você não vai ter dificuldade para fugir correndo – Sirius riu antes de comer uma almofada jogada por James.


Certo dia de Julho, Tia Petúnia levou Duda a Londres para comprar o uniforme da Smeltings e deixou Harry com a Sra. Figg.


– A velha dos gatos? – Sirius perguntou


– Hum-hum – Harry respondeu.


A Sra. Figg não estava tão ruim quanto de costume. Afinal, fraturara a perna porque tropeçara em um dos gatos e não parecia gostar tanto deles quanto antes. Deixou Harry assistir a televisão e lhe deu um pedaço de bolo de chocolate que pelo gosto parecia ter muitos anos.


– Ecaa! – As outras meninas fizeram cara de nojo e os meninos riram.


Naquela noite, Duda desfilou para a família reunida na sala de estar vestindo o uniforme novo da Smeltings. Os alunos da Smeltings usavam casaca marrom-avermelhada, calções cor de laranja e chapéus de palha.


– Eles vão ser fazendeiros bem-arrumados? – Disse Fred (ou foi o Jorge? Náh, eu acho que foi o Fred. Mas pode ter sido o... Ai, que dor de cabeça.) e os outros riram.


Carregavam também bengalas nodosas, que usavam para bater uns nos outros quando os professores não estavam olhando, isto era considerado um bom treinamento para o futuro.


– Bom treinamento? Hã? – Luna parecia confusa.


Hermione balançou a cabeça.


– Às vezes trouxas são muito... estranhos.


Ao contemplar Duda nos calções laranja novos, Tio Válter disse com a voz embargada que aquele era o momento de maior orgulho em sua vida. Tia Petúnia rompeu em lágrimas e disse que não podia acreditar que era o seu Dudinha, estava tão bonito e adulto.


– Sim, quanto orgulho... – Eu rolei os olhos.


Harry não confiou no que poderia dizer. Achou que duas de suas costelas talvez já tivessem partido só com o esforço para não rir.


Havia um cheiro horrível na cozinha na manhã seguinte quando Harry entrou para o café da manhã.


– O Duda já tava lá, então. – Remo deu de ombros.


Parecia vir de uma panela de metal dentro da pia. Ele se aproximou para espiar. A tina aparentemente estava cheia de trapos sujos que boiavam na água cinzenta.


 


— O que é isso? — perguntou à Tia Petúnia.


Os lábios dela se contraíram como costumavam fazer quando ele se atrevia a fazer uma pergunta.


— O seu uniforme novo de escola — respondeu.


– Lírio, posso matar sua irmã? – James perguntou.


– Entra na fila. – Gina respondeu por mim.


– Calma, gente... – Alice intercedeu – Hermione, continue lendo.


Harry espiou para dentro da tina outra vez.


— Ah — comentou — Eu não sabia que tinha que ser tão molhado.


– Harry... Por quê você nunca usou seu sarcasmo antes? – Fred e Jorge choramingaram.


— Não seja idiota — retorquiu Tia Petúnia com rispidez — Estou tingindo de cinza umas roupas velhas de Duda para você. Vão ficar igualzinhas às dos outros quando eu terminar.


– Vamos ver se a cara dela vai ficar igual à cara de uma vaca quando eu azarar ela!! – Gina, Sirius, Rony e Lene gritaram.


– CHEGA! – Gritei. – A irmã é minha e quem vai azarar ela sou eu!


Depois disso todos ficaram em silêncio. Hermione voltou a ler.


Harry tinha sérias dúvidas, mas achou melhor não discutir. Sentou-se à mesa e tentou pensar na aparência que teria no primeiro dia de aula, como se estivesse usando retalhos de pele de elefante velho, provavelmente.


Duda e Tio Válter entraram ambos com os narizes franzidos por causa do cheiro do novo uniforme de Harry. Tio Válter abriu o jornal como sempre fazia e Duda bateu na mesa com a bengala da Smeltings, que ele carregava para todo lado. Ouviram o clique da portinhola para cartas e o som da correspondência caindo no capacho da porta.


– Agora o Harry deve ganhar a carta de Hogwarts! – Luna e Alice exclamaram animadas e todo mundo olhou pra elas como se fossem doidas.


— Apanhe o correio, Duda — disse Tio Válter por trás do jornal.


— Mande o Harry apanhar.


— Apanhe o correio Harry.


— Mande o Duda apanhar.


– Não vai rolar, Harry – Lene falou.


— Cutuque ele com a bengala da Smeltings, Duda.


Harry se esquivou da bengala da Smeltings e foi apanhar o correio.


Havia três coisas no capacho: um postal da irmã do Tio Válter, Guida, que estava passando férias na Ilha de Wight, um envelope pardo que parecia uma conta e uma “carta para Harry”.


Harry apanhou-a e ficou olhando, o coração vibrando como um elástico gigante. Ninguém, jamais, em toda a sua vida, lhe escrevera. Quem escreveria? Ele não tinha amigos, nem outros parentes,


– Mas... cadê o Sirius e o Remo? Dumbleodore teria que deixar você com eles, Harry!! – James reclamou e todos do presente ficaram quietos, meio desconfortáveis com o assunto.


– Acho que os livros vão explicar – Harry disse após um momento de silêncio.


não era sócio da biblioteca, de modo que jamais recebera sequer os bilhetes grosseiros pedindo a devolução de livros.


Ah, é só o que falta! Meu filho ser igual ao James no quesito ‘comportamento’.


Contudo, ali estava, uma carta, endereçada tão claramente que não podia haver engano.


 


Sr. H. Potter,


O Armário sob a Escada,


Rua dos Alfeneiros 4°,


Little Whinging, Surrey


 


O envelope era grosso e pesado, feito de pergaminho amarelado e endereçado com tinta verde-esmeralda. Não havia selo. Quando virou o envelope, com a mão trêmula, Harry viu um lacre de cera púrpura com um brasão, um Leão, uma Águia, um Texugo e uma Cobra circulando uma grande letra “H”.


– HA! EU SABIA! – Luna e Alice gritaram em uníssono.


– Viraram adivinhas agora? – Dorcas perguntou com um sorriso irônico e as duas mostraram a língua pra ela.


— Anda depressa, moleque! — gritou Tio Válter da cozinha — Fazendo o quê, procurando cartas-bombas? — e riu da própria piada.


– Cartas-bombas? Está pensando o mesmo que eu, Fred? – Jorge perguntou com um sorriso idêntico ao de James e Sirius quando planejavam alguma coisa. Ou seja: Lá vem merda...


– É claro, Jorge.


– Fred e Jorge, vocês estão pensando em... – Gina foi interrompida por Fred.


– Isso mesmo maninha. Agora deixa a Mione ler o livro.


Harry voltou à cozinha, ainda de olhos fixos na carta. Entregou a conta e o postal ao Tio Válter, sentou-se e começou a abrir lentamente o envelope amarelo.


– Era meio óbvio que ele não ia deixar você ler a carta, né? – Hermione perguntou num tom quase crítico à Harry.


– Mione, eu tinha 10 anos! – Ele retrucou.


Tio Válter rasgou o envelope da conta, deu um bufo de desdém e virou o postal.


— Guida está doente — informou à Tia Petúnia — Comeu um marisco suspeito...


— PAI! — exclamou Duda de repente — Pai, Harry recebeu uma carta!


– Porquinho caguete duma figa! – Lene praguejou e todo mundo riu.


Harry ia desdobrar a carta, escrita no mesmo pergaminho que o envelope, quando Tio Válter arrancou-a de sua mão.


— É minha! — disse Harry, tentando recuperá-la.


– Aham que isso ia funcionar. – Rony ironizou.


— Quem iria escrever para você?


– Vejamos... Talvez Dumbleodore, ou a McGonagall ou... sei lá, o mundo bruxo inteiro?? – Neville debochou.

— zombou Tio Válter, sacudindo a carta com uma das mãos para desdobrá-la e percorrendo com o olhar.


Seu rosto passou de vermelho para verde mais rápido que um sinal de tráfego. E não parou aí. Segundos depois ficou branco-acinzentado, cor de mingau de aveia velho.


— P-P-Petúnia! — ofegou.


Duda tentou agarrar a carta para lê-la, mas Tio Válter segurou-a no alto fora do seu alcance. Tia Petúnia apanhou-a cheia de curiosidade, leu a primeira linha. Por um instante pareceu que ela talvez fosse desmaiar. Levou as duas mãos à garganta e produziu ruído de engasgo.


– Talvez ela tenha se engasgado com a própria língua – Lene sugeriu com ar inocente.


— Válter! Ah, meu Deus, Válter!


Eles se encararam parecendo ter esquecido que Harry e Duda continuavam na cozinha. Duda não estava acostumado a ser desprezado. Deu uma bengalada forte na cabeça do pai.


– Que moleque chato! – Remo reclamou.


— Quero ler esta carta — falou alto.


— Quero lê-la — disse Harry furioso — Porque é minha...


— Saiam, os dois — ordenou com voz rouca Tio Válter, enfiando a carta no envelope.


Harry não se mexeu.


— QUERO MINHA CARTA! — gritou.


— Me deixa ver! — exigiu Duda.


— FORA! — berrou Tio Válter, e agarrando os dois, Harry e Duda, pelo cangote atirou-os no corredor e bateu a porta da cozinha.


– HEY! Mais respeito com meu afilhado! – Sirius gritou com o livro e Lene deu um tapa na cabeça dele.


– Sirius, para de dar piti e deixa a Hermione ler a porra do livro!


Harry e Duda na mesma hora tiveram uma briga furiosa, mas silenciosa, para saber quem ia escutar à fechadura, Duda ganhou, por isso Harry, os óculos pendurados em uma orelha, deitou-se de barriga no chão para escutar pela fresta entre a porta e o chão.


— Válter — disse Tia Petúnia com voz trêmula — Olhe só o endereço. Como é que eles poderiam saber onde ele dorme? Você acha que estão vigiando a casa?


— Vigiando, espionando, talvez nos seguindo — murmurou Tio Válter enlouquecido.


Gina rolou os olhos.


– Somos bruxos, não fazemos parte da Scotland Yard¹.


Harry via os sapatos pretos lustrosos do Tio Válter andando para cá e para lá na cozinha.


— Não — disse ele decidido — Não, vamos ignorá-la. Se não receberem uma resposta... é, é o melhor... não vamos fazer nada...


– Pfff... Hogwarts desistir de um aluno? Ha-ha, faça me rir, trouxa. – Alice falou


— Mas...


— Não vou ter um deles em casa, Petúnia! Nós não juramos quando o recebemos que íamos acabar com aquela bobagem perigosa?


Luna suspirou.


– Ai, ai, esses trouxas não tem jeito mesmo...


Aquela noite, quanto voltou do trabalho, Tio Válter fez uma coisa que nunca fizera antes, visitou Harry no armário.


– Vai chover galeão, minha gente! – Fred e Jorge falaram e estenderam a mão para o teto, como se esperassem a tal chuva de galeões. Todos na sala riram, incluindo Snape. [N/A: Dani - eu sempre esqueço do Snape... coitado x_x]


Pensar em Snape me fez lembrar do que aconteceu alguns anos atrás... Mas eu decidira superar isso, nunca mais pensar naquele dia... O dia em que perdi o meu melhor amigo.


Antes que eu me desse conta, Hermione já tinha continuado a leitura.


— Cadê minha carta? — perguntou Harry, no instante em que Tio Válter se espremeu pela porta — Quem me escreveu?


— Ninguém. Endereçaram a você por engano — disse Tio Válter secamente — Queimei a carta.


— Não foi um engano — retrucou Harry com raiva — Tinha o endereço do meu armário.


– Harry... Isso não vai funcionar. Ainda não percebeu? – Lene perguntou com uma sobrancelha arqueada.


– ARGH! Eu tinha 10 anos! – Ele retrucou.


— CALADO! — gritou Tio Válter e algumas aranhas caíram do teto.


Rony ganiu.


– Aranhas... Aranhas...


Gina foi até onde Rony estava e deu um tapa na cara dele.


– Para de palhaçada Ronald Weasley! Antes que eu lance o ‘Reducto’ em você! – E ela voltou ao seu lugar enquanto os outros riam da cara de assustado do Rony.


Ele inspirou algumas vezes e então fez força para produzir um sorriso que pareceu bem penoso — Hum, sim, Harry sobre este armário. Sua tia e eu estivemos pensando... você realmente está ficando grande demais para ele... achamos que seria bom se você se mudasse para o segundo quarto de Duda.


— Por quê? — perguntou Harry.


– Porque eles tinham medo que o Dumbleodore aparecesse e transformasse eles em lesmas. Dãããã – Frank respondeu.


— Não faça perguntas — disse com rispidez o tio — Leve essas coisas para cima agora.


A casa dos Dursley tinha quatro quartos: um para Tio Válter e Tia Petúnia, um para hóspedes (em geral a irmã de Tio Válter, Guida), um onde Duda dormia e um onde Duda guardava todos os brinquedos e pertences que não cabiam no primeiro quarto.


Harry precisou de apenas uma viagem para mudar tudo o que tinha do armário para o quarto no andar de cima. Sentou-se na cama e deu uma olhada à sua volta.


Quase tudo ali estava quebrado. A filmadora com apenas um mês de uso estava jogada em cima de um pequeno tanque com que certa vez Duda atropelara o cachorro do vizinho; no canto estava o primeiro televisor de Duda, no qual ele enfiara o pé quando seu programa favorito fora cancelado; havia uma grande gaiola de pássaros, antigamente habitada por um papagaio que Duda trocara na escola por uma espingarda de ar de verdade, e que estava guardada numa prateleira com a ponta dobrada porque Duda se sentara em cima dela.


Dorcas assobiou.


– Nem um pouco pesado ele, não?


Outras prateleiras estavam cheias de livros. Eram as únicas coisas no quarto que pareciam nunca ter sido tocadas.


Lá de baixo veio o barulho de Duda gritando com a mãe:


— Eu não o quero lá... eu preciso daquele quarto... mande-o sair.


– Precisa pra quê? Garoto mimado... – James disse


– James, você não pode falar nada. – Remo respondeu. – Você deve ser o mais mimado de todas as gerações da família Potter.


Ele fez uma careta.


– Tá, mas eu não fico me gabando por...


E nesse momento a minha paciência acabou. Hipocrisia não, né caralho? Quer saber? Já chega de James Potter! EU NÃO O AGUENTO MAIS!!


– Não se gaba? – Me levantei e imitei a voz dele: - “Gente, olha só minha nova Nimbus!” “Olha só o meu distintivo de Monitor Chefe!” “Olha como todas as garotas caem aos meus pés e imploram para sair comigo!!” Por favor, Potter. Sem hipocrisia. – E saí da sala.


Segui em direção às escadas e subi correndo para meu quarto. Entrei, fechei a porta e me joguei na cama.


Como esse estúpido conseguia fazer com que eu o odiasse e o quisesse por perto ao mesmo tempo?


Por que eu estou tão confusa?


Por que esse maldito idiota não sai da minha cabeça?


Por quê, Merlin? Por quê?




 


:: POV Harry ::


 


Depois que minha mãe saiu da sala todos ficaram em choque.


Menos eu, que senti como se estivesse perdendo meus pais novamente.


Por que eles tinham que se odiar? Merlin também não me ajuda muito né?


O primeiro que conseguiu falar foi o Remo, que deu um tapa mais forte que o da Gina e o da Lene na cabeça do meu pai.


– Vai falar com ela, seu imbecil!


– Quê? Tá loco, Aluado? Tá cheirando pó de flu? Ela vai me matar!


– Vai logo James Tiago Potter, antes que eu chame sua mãe! – Remo respondeu em tom desafiador.


– Pô Aluado, não precisa apelar! Já vou. – Ele se virou pra mim e falou – E, caso eu eu morra, foi bom te conhecer filho.


– Se você morrer eu não vou existir. Então... não morra. Por favor. – Respondi


Meu pai sorriu e subiu as escadas.


– Vamos continuar a ler. Hermione? – Alice perguntou em um tom gentil.


Mione assentiu e começou a ler.


Harry suspirou e se esticou na cama. Ontem ele teria dado qualquer coisa para estar ali. Hoje, preferia estar no seu armário com aquela carta do que ali encima sem ela.


Na manhã seguinte, no café, todos estavam muito quietos. Duda estava em estado de choque. Berrara, batera no pai com a bengala, vomitara de propósito, dera pontapés na mãe e atirara sua tartaruga pelo teto da estufa de plantas


– Coitada! – Luna choramingou.


– Coitada de quem? – Perguntei. – Da Petúnia ou da tartaruga?


– Da tartaruga, óbvio!


e nem assim conseguira o quarto de volta. Harry pensava no dia anterior àquela hora, desejando com amargura que tivesse aberto a carta no hall. Tio Válter e Tia Petúnia se entreolhavam, ameaçadores.


Quando o correio chegou, Tio Válter, que parecia estar tentando ser agradável com Harry, fez Duda ir buscá-lo. Eles o ouviram bater nas coisas do corredor com a bengala da Smeltings.


Então ele gritou:


— Chegou outra! Sr. H. Potter, O Menor Quarto da Casa, Rua dos Alfeneiros 4...


Com um grito sufocado Tio Válter saltou da cadeira e saiu correndo pelo corredor, Harry logo atrás dele. Tio Válter teve que lutar e derrubar Duda no chão para lhe tirar a carta, o que foi dificultado por Harry que agarrara o pescoço do Tio Válter por trás.


– Boa, Harry! – Sirius piscou para mim.


Depois de um minuto confuso de luta, em que todos levaram várias bengaladas, Tio Válter se endireitou, ofegante com a carta de Harry apertada na mão.


— Vá para o seu armário, quero dizer, para o seu quarto — chiou para Harry — Duda, saia, saia logo.


Harry deu voltas e mais voltas no novo quarto. Alguém sabia que ele se mudara do armário e parecia saber que ele não recebera a primeira carta. Isto significava com certeza que ia tentar outra. Outra vez? E desta vez ele tomaria providências para que desse certo.


Tinha um plano.


– Ah, não – todos os meus amigos gemeram.


Frank franziu a testa.


– O que foi?


– Os planos do Harry nunca, nunca, nunca mesmo dão certo! – Gina explicou e eu mostrei a língua pra ela. Ela sorriu pra mim e fez o mesmo.


– Então é de família. – Remo comentou divertido. – James passou 7 anos fazendo planos para convidar a Lily para um passeio por Hogsmeade, e todos falharam.


Sirius, Lene, Dorcas, Frank, Alice e eu demos risadas.


O despertador consertado tocou às seis horas na manhã seguinte. Harry desligou-o depressa e se vestiu em silêncio. Não podia acordar os Dursley. Desceu as escadas sorrateiro sem acender nenhuma luz. Ia esperar pelo carteiro na esquina da Alfeneiros e receber primeiro as cartas endereçadas ao número quatro. Seu coração batia com força quando atravessou sem ruído o corredor escuro até a porta de entrada.


– E alguma coisa vai dar errado. Como sempre. – Rony falou com uma expressão entediada.


— AAAAAIIIIIEEE!!!


Harry deu um salto no ar, pisara em alguma coisa grande e mole no capacho, uma coisa viva! As luzes se acenderam no primeiro andar e, para seu horror, Harry percebeu que a coisa grande e mole tinha a cara do Tio Válter, que estava dormindo junto à porta de entrada em um saco de dormir para impedir que Harry fizesse exatamente o que estava tentando fazer. Gritou com Harry quase meia-hora e depois lhe disse para ir preparar uma xícara de chá. Harry foi para a cozinha, arrastando os pés, infeliz, e quando conseguiu voltar, o correio tinha sido entregue, bem no colo de Tio Válter. Harry viu três cartas endereçadas em tinta verde.


– Você podia ter jogado o chá na cara dele. – Jorge sugeriu


– Não pensei nisso na hora. Eu tava preocupado com as cartas. – Dei de ombros.


Tio Válter não foi trabalhar naquele dia. Ficou em casa e pregou a portinhola para cartas.


— Entende — explicou à Tia Petúnia por entre os lábios cheios pregos — Se eles não puderem entregar então terão de desistir.


— Não tenho muita certeza de que isto vai dar certo, Válter.


— Ah, a cabeça dessa gente funciona de maneira estranha, Petúnia eles não são como você e eu


– Realmente, não parecemos porcos e vacas idiotas – Gina zombou e todos riram.


— disse Tio Válter tentando bater um prego com um pedaço de bolo de frutas que Tia Petúnia acabara de lhe trazer.


– Depois nós é que somos estranhos – Snape resmungou. Olhando pra ele, dava pra perceber seu semblante triste e vazio, talvez até... um pouco amedontrado. Como se esperasse ser rejeitado por nós. Ou talvez estivesse triste por meu pai ter ido consolar minha mãe. Vai saber.


Na Sexta-Feira chegaram nada menos que doze cartas para Harry. Como não passavam pela portinhola da correspondência, tinham sido empurradas por baixo da porta, metidas pelos lados e algumas até forçadas pela janelinha do banheiro no térreo. Tio Válter ficou em casa de novo. Depois de queimar todas, apanhou martelo e pregos e fechou com tábuas as frestas das portas da frente e dos fundos, de modo que ninguém podia sair. Cantarolou “Pé ante pé no campo de tulipas” enquanto trabalhava, e se assustava com qualquer ruído.


– Pé ante pé no quê?! – Todos gritaram


– Ai, acho que fiquei surda – Mione reclamou.


– Eu também... E antes que alguém pergunte, essa porra é uma musiquinha trouxa. E não, não vou cantar essa música. – falei


 


No Sábado as coisas começam a fugir ao seu controle. Vinte e quatro cartas acabaram entrando em casa, enroladas e escondidas em duas dúzias de ovos que o leiteiro, muito confuso, entregara à Tia Petúnia pela janela da sala de estar.


Enquanto Tio Válter dava telefonemas furiosos para o correio e a leiteria tentando encontrar alguém a quem se queixar, Tia Petúnia picava as cartas no processador de alimentos.


— Mas quem é que quer falar tanto assim com você? — Duda perguntou espantado a Harry.


– DUMBLEODORE, CARALHO! – Neville berrou.


Na manhã do Domingo, Tio Válter sentou-se à mesa do café parecendo cansado e um tanto doente, mas feliz.


— Não tem correio aos Domingos — lembrou a todos, contente, passando geléia nos jornais — Nada de cartas idiotas hoje...


Alguma coisa desceu chiando pela chaminé do fogão enquanto ele falava e bateu com força em sua nuca. No instante seguinte, trinta ou quarenta cartas saíram velozes da lareira como se fossem tiros. Os Dursley se abaixaram, mas Harry deu um salto no ar para apanhar uma...


– ... e não conseguiu! Como sempre. – Rony debochou


— Fora! FORA!


Tio Válter agarrou Harry pela cintura e atirou-o no corredor. Depois que Tia Petúnia e Duda tinham corrido para fora protegendo o rosto com os braços, Tio Válter bateu a porta. Eles podiam ouvir as cartas disparando para dentro da cozinha, ricocheteando nas paredes e no chão.


— Já chega — disse Tio Válter, tentando falar com calma, mas ao mesmo tempo, arrancando tufos de pêlos dos bigodes — Quero vocês aqui de volta em cinco minutos prontos para sair. Vamos viajar. Ponham apenas algumas roupas nas malas. Não quero discussão!


– Hã? Ele quer... viajar? – Lene perguntou com uma cara confusa.


Ele parecia tão perigoso com metade dos bigodes arrancados que ninguém se atreveu a discutir. Dez minutos depois eles tinham retirado as tábuas para passar nas portas e estavam no carro, correndo em direção a estrada. Duda fungava no banco traseiro, o pai tinha lhe dado um tapa na cabeça


– Finalmente! – Frank exclamou


por atrasá-los tentando empacotar a televisão, o vídeo e o computador na mochila esportiva.


– Ai que burro! Dá zero pra ele! – Fred e Jorge falaram em uníssono e todos começaram a rir.


– Whaaat? – Sirius e Lene perguntaram ao mesmo tempo (quando pararam de rir) e depois coraram.


Oh-oh, meu padrinho apaixonado pela Lene? Isso vai dar merda...


– É de uma série dos trouxas – respondi. – Eles viram uma vez quando levei eles à uma loja trouxa em Londres para comprar uma televisão para a “Gemialidades Weasley”.


– “Gemialidades Weasley”? Er... hã? – Remo perguntou.


– Nossa loja de logros – Os gêmeos responderam com os olhos brilhando.


– Tá, tá, muito legal. Vamos voltar para a história? – Lene perguntou emburrada.


Eles viajaram no carro. E viajaram. Nem Tia Petúnia se atrevia a perguntar aonde iam. De vez em quando Tio Válter fazia uma curva fechada e seguia na direção oposta por algum tempo.


— Para despistá-los... despistá-los — resmungava sempre que fazia isso.


Não pararam para comer nem beber o dia inteiro. Quando a noite caiu, Duda estava uivando. Nunca tivera um dia tão ruim na vida. Estava com fome, sentia falta dos cinco programas de televisão que queria assistir e nunca levara tanto tempo sem explodir um alienígena no computador.


– Quê? – Foi a vez de Dorcas perguntar.


– É um jogo – expliquei sem muita paciência.


Tio Válter parou finalmente à porta de um hotel de aspecto sombrio na periferia de uma grande cidade. Duda e Harry dividiram um quarto com duas camas iguais e lençóis úmidos que cheiravam a mofo. Duda roncou, mas Harry ficou acordado, sentado no peitoral da janela, espiando as luzes dos carros que passavam enquanto pensava...


Comeram cereal velho e torradas com tomates enlatados frios no café da manhã do dia seguinte. Tinham acabado de comer quando a proprietária do hotel aproximou-se da mesa.


— Com licença, mas um dos senhores é o Sr. H. Potter? É que eu tenho umas cem dessas na recepção — e ergueu uma carta para eles poderem ler o endereço em tinta verde:


 


Sr. H. Potter


Quarto 17


Railview Hotel, Cokeworth


 


– Nossa... Já tão exagerando, né? – Luna perguntou com a testa franzida.


Harry tentou pegar a carta, mas Tio Válter afastou sua mão.


A mulher ficou olhando.


— Eu recebo as cartas — disse Tio Válter, levantando-se depressa e seguindo a mulher que se retirava do salão de refeições.


 


* * *


 


— Não seria melhor simplesmente irmos para casa, querido? — Tia Petúnia sugeriu timidamente horas depois, mas Tio Válter não parecia ouvi-la.


Exatamente o que andava procurando ninguém sabia. Ele os levou até o meio de uma floresta, desceu do carro, espiou a volta, sacudiu a cabeça, tornou a embarcar no carro e partiram outra vez. A mesma coisa aconteceu no meio de um campo arado, no meio de uma ponte pênsil e no alto de um edifício garagem.


— Papai enlouqueceu, não foi? — Duda perguntou, cansado, à Tia Petúnia no fim daquela tarde.


– Concordo com o porquinho! O cara tá doidão! – Gina falou


Tio Válter estacionara no litoral, passara a chave no carro com todos dentro e desaparecera. Começou a chover. Grandes gotas batiam no teto do carro.


Duda choramingou.


— É Segunda-Feira — falou à mãe — O Grande Humberto vai se apresentar hoje à noite. Quero estar em algum lugar que tenha televisão.


Segunda-Feira, isto lembrou a Harry uma coisa. Se era Segunda-Feira e em geral podia-se confiar que Duda soubesse os dias da semana, por causa da televisão, então o dia seguinte, Terça-Feira, era o décimo primeiro aniversário de Harry.


Sirius subiu em cima do sofá onde estava e gritou:


– PARABÉNS, HARRY!!!!!!!


– Para com isso, idiota! Já aconteceu há mais de 6 anos! Senta o rabo no sofá e fica quieto! – Lene ordenou.


Sirius sentou no sofá e virou a cara, sem olhar para a Lene, fingindo estar zangado.


Naturalmente seus aniversários não eram lá muito divertidos, no ano anterior, os Dursley tinham-lhe dado um cabide e um par de meias velhas do Tio Válter. Ainda assim, não se fazia onze anos todos os dias.


– Pois é. É tão feliz – Luna falou com ar de sonhadora. Vai entender essa menina.


Tio Válter voltou sorrindo. Carregava um pacote comprido e fino e não respondeu à Tia Petúnia quando ela perguntou o que comprara.


— Encontrei o lugar perfeito! — falou — Vamos! Saiam todos!


Fazia muito frio do lado de fora do carro. Tio Válter apontou para o que parecia ser um grande rochedo no meio do mar. Encarrapitado no alto do rochedo havia o casebre mais miserável que se pode imaginar. Uma coisa era certa, ali não havia televisão.


— Estão anunciando uma tempestade para hoje! — disse Tio Válter alegre, batendo palmas — E este senhor teve a bondade de concordar em nos emprestar seu barco!


– No hospício aceitam porcos loucos? – Gina perguntou


Um homem desdentado vinha descansadamente em direção a eles, e apontava com um sorriso muito maldoso para um barco a remos velho que subia e descia nas águas cinza-grafite lá embaixo.


— Já comprei algumas rações para nós — disse Tio Válter — Portanto, todos a bordo!


– RAÇÕES??! MEU NAMORADO NÃO É CACHORRO PRA COMER RAÇÃO NÃO! – Gina gritou e todos olharam pra ela, e depois para mim. Acho que ela percebeu o que tinha falado, pois seu rosto ficou mais vermelho que seu cabelo cor de fogo. Sem dúvida meu rosto estava tão vermelho quanto o dela.


– Vocês estão namorando? – Todos perguntaram de uma vez.


Aí está o problema. No 6º ano eu namorara com a Gina, mas terminara alguns meses depois, com medo que ela fosse capturada e torturada pelos Comensais. Desde que a guerra acabou, nós ficamos tão envolvidos com a reconstrução de Hogwarts que eu nem havia pensado muito na nossa situação. E agora... eu não sabia o que fazer.


– Er... Longa história. Mione, lê logo, por favor – supliquei.


Fazia muito frio no barco. Salpicos de água gelada do mar escorriam pelos pescoços deles e um vento cortante fustigava seus rostos. Depois do que pareceram horas, eles chegaram ao rochedo, onde Tio Válter, escorregando, levou-os até a casa em ruínas.


O interior era horrível, cheirava a algas marinhas, o vento assobiava pelas frestas nas paredes de tábuas e a lareira estava úmida e vazia. Havia apenas dois quartos.


Afinal as rações de Tio Válter eram uma embalagem de cereal para cada um e quatro bananas. Ele tentou acender a lareira, mas a embalagem de cereal apenas fumegou e carbonizou.


— Aquelas cartas viriam a calhar agora, hein? — disse ele animado.


– Agora ele quer as cartas – Frank bufou indignado.


Estava de muito bom humor. Obviamente achava que ninguém teria chance de alcançá-lo ali, durante uma tempestade, para entregar cartas. Harry concordava intimamente, embora este pensamento não o animasse nem um pouco.


Quando a noite caiu, a tempestade prometida desabou ao redor deles. A espuma das altas ondas chapinhava nas paredes do casebre e um vento ameaçador sacudia as janelas imundas.


Tia Petúnia encontrou uns cobertores mofados no segundo quarto e preparou uma cama para Duda ao sofá comido pelas traças. Ela e Tio Válter foram se deitar na cama cheia de calombos ao lado e deixaram Harry procurar a parte mais macia do assoalho e se enrolar no cobertor mais rasgado e ralo.


– PELA ESPADA DE GRYFFINDOR!! Como puderam fazer isso?! – Sirius gritou de novo. Daqui a pouco ele vai ficar rouco.


– Para de gritar! Eu sou muito nova pra ficar surda! – Lene reclamou.


A tempestade rugia cada vez com maior ferocidade à medida que a noite avançava. Harry não conseguia dormir. Tremia e revirava, tentando encontrar uma posição confortável, seu estômago roncando de fome. Os roncos de Duda eram abafados pela trovoada que começou por volta da meia-noite.


O mostrador luminoso do relógio de Duda, que estava pendurado para fora do sofá em seu pulso gordo, informava a Harry que dentro de dez minutos ele completaria onze anos. Deitado, ele viu seu aniversário se aproximar, perguntando-se se os Dursley se lembrariam, perguntando-se onde estaria o remetente das cartas agora.


Faltavam cinco minutos. Harry ouviu alguma coisa estalar lá fora. Desejou que o teto não caísse, embora quem sabe conseguisse se esquentar se isto acontecesse.


Quatro minutos. Talvez a casa na Rua dos Alfeneiros estivesse tão abarrotada de cartas que quando voltasse ele pudesse surrupiar uma.


– Ha, sem chances. É capaz do porco queimar a casa toda. – Neville disse


Três minutos. Seria o mar batendo tão forte na rocha?


E faltavam dois minutos, que barulho esquisito de trituração era aquela? Será que a rocha estava se desintegrando no mar?


Mais um minuto e ele completaria onze anos.


Trinta segundos... vinte... dez...


– Dez! – Sirius e os gêmeos começaram a contagem reressiva.


nove...


– Nove!


Talvez acordasse Duda, só para aborrecê-lo...


Três...


– Tr... Ué, cadê o resto?


dois...


– Dois! – Todos se juntaram à contagem.


um...


– Um! Zeroooooooooo! Feliz aniversário, Harry! – Eu ri da infantilidade deles.


O casebre todo estremeceu e Harry sentou-se reto, arregalando os olhos para a porta.


Havia alguém lá fora, que batia querendo entrar.


– Alguém coloca a musiquinha de suspense? – Jorge disse.


BUM!


– Náh, Mione, passa esse livro pra cá! – Sirius pegou o livro e a varinha do bolso. Ele apontou a varinha para a própria garganta, murmurou “Sonorus” e então falou – BUUUUUUM!


Foi como se tivessem disparado uns 10 canhões ao mesmo tempo. Todos se assustaram e a Lene começou a estapear o Sirius. Ele jogou o livro em cima da mesa e tentou correr para fugir da Lene, mas tropeçou e caiu. Ela tentou parar, mas foi tarde demais, e acabou caindo em cima dele.


Nós começamos a rir da cena, e eles ficaram muito vermelhos. Se levantaram e voltaram para seus lugares.


Nesse momento, minha mãe e meu pai desceram as escadas, ele sorrindo e ela tentando reprimir um sorriso. Bem, pelo menos eles se acertaram.


– Quem vai ler o próximo? – Perguntei


– Eu! – Rony pegou o livro.

Ϟ –
> Scotland Yard =
Polícia Londrina

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