Uma Longa Viagem



- Pronta? - Alvo aparecera à porta.


- Ah, claro - respondeu a prima que acabara de reorganizar seu malão e agora o fechava - Só falta eu?


- Imagino que sim. Os nossos pais estão meio impacientes.


- É sempre assim, você sabe que é.


Ela carregou o malão até a sala e todos pareceram a contemplar por um momento.


- Então vamos - disse Hermione, ajudando a filha a carregar o malão.


Foram todos, ainda como trouxas, em um carro magicamente ampliado por dentro, considerando que no ano anterior a tentativa de usar o Pó de Flu fracassara miseravelmente.


- Não está ligando...


- Por favor, Ronald! Quatro anos já se passaram desde que tirou sua carteira, e ainda não sabe que tem que rodar a chave para o outro lado? - Hermione disse, tentando ser paciente.


- Certo. Então... - ele tentou rodar a chave para o outro lado - Ah bem, agora foi.


Hermione bufou e põs os dedos na testa em sinal de impaciência.

 As famílias Weasley e Potter, visivelmente muito próximas além de ligadas, chegaram na estação em cima da hora, atravessaram a parede que separava as plataformas nove e dez sem se importar se trouxas olhavam ou não e se despediram rapidamente.


Não demorou nem dez segundos e James já havia sumido com os colegas Sonserinos em uma cabine distante. Lilian, Hugo, Rose e Alvo se espremeram em uma cabine. Passaram alguns minutos em silêncio, contemplando uns aos outros, os rostos apreensivos como se estivessem indo à Hogwarts pela primeira vez, até que Lilian resolveu quebrar o silêncio.


- Isso é tão chato - ela disse, sem rodeios.


- O que disse? - perguntou Rose, que estava decididamente absorta, observando a paisagem se modificar pela janela.


- Eu disse - repetiu Lilian pacientemente - que isso tudo é muito chato. Vocês, sempre à frente, por serem mais velhos. Vejam só, ano que vem já podem até serem monitores.


- Lily - Alvo se dirigiu à irmã antes que Rose o fizesse - eu duvido muito que vá me tornar monitor, então você ainda pode ser a primeira da família - ele sorriu - Quanto à Rose, não tem jeito, todos sabemos que ela só não é monitora por falta de idade.


Rose bufou.

 - Alvo, já te disse milhões de vezes que você pode ser monitor se quisesse - ela começou, mas ao perceber o olhar do primo, mudou o rumo da frase - Mas é claro que Lílian vai ser a primeira da família Potter, porque... hm... Bem, a minha avó ficará orgulhosa de nós duas, já pensou?


- É, mas você pelo menos tem duas avós. Eu só tenho uma.


Ao ouvir o argumento de Lilian, Rose calou-se. Sabia que a falta de avós paternos magoava muito a prima, pois sabia que ela queria muito conhecer a inspiração para o seu próprio nome.


- Hugo, você tá bem? - Alvo perguntou ao ruivo que acabara de vidrar na porta, olhando corredor afora.


Quem é ela? - perguntou o ruivo, apontando timidamente para a porta do corredor.


- Ah, sim, o nome dela é Lethícia - respondeu-o Rose.


- Eu acho que ele quer saber mais, está babando por ela - Alvo acrescentou para a prima.


- Nem adianta, Hugo, ela é mais velha. É quartanista, como a gente - ela indicou a si mesma e a Alvo - e está na Corvinal. Sem chances.

 - Ei, não seja tão ! - Alvo repreendeu Rose ao ver o olhar infeliz de Hugo - Escuta, parece que ela ainda não arranjou onde sentar, que tal chamarmos ela pra sentar aqui conosco?


Porém, antes que Rose pudesse expressar sua opinião, Lethícia já estava entrando na cabine, a pedido de Alvo. Mas antes que ela pusesse completamente o corpo dentro da cabine, deu um belo berro corredor afora:


- Ana! Aqui! Achei um lugar pra gente ficar!


- A gente? - murmurou Rose no ouvido de Alvo.


Lethícia não tardou-se a sentar do lado de Hugo, os belos cabelos escuros pendendo em uma trança lateral.


Logo, a tão indesejada Ana entrou. Era um pouco mais alta que Lethícia, os cachos quase dourados batendo na cintura, o sorriso estampado no rosto.


- Ah, finalmente um lugar pra sentar! - exclamou, sentando-se por sua vez ao lado de Alvo Severo.

 Naquele momento, a cabine estava extremamente desconfortável, com Rose, Alvo e Ana de braços colados e Lethícia, Hugo e Lílian na mesma situação diante deles.


- Bem - Ana começou, se endireitando - Será que não estamos mesmo incomodando?


- Claro que não - Alvo disse, sorrindo, como se tivesse sido a coisa mais boba que tivesse ouvido na sua vida - Não se preocupe com isso. Hm... Então, por que vocês estavam largadas no trem daquele jeito.


- Ah - Lethícia pareceu contrangida, mas deixou que Ana explicasse.


- Parece que, quando encontramos uma cabine vazia, digamos... - Ana parecia ao mesmo tempo envergonhada e intrigada - Não nos quiseram por lá.


- Entendi - Alvo pareceu ter finalmente compreendido que elas não eram muito populares e não se misturavam muito facilmente.


Uma onda de tensão pareceu invadir a cabine. Ninguém sabia o que dizer, ficavam se entreolhando e provavelmente imaginando o que deviam fazer agora.


Mas, de qualquer forma, não podiam continuar assim durante toda a viagem. Afinal, aquela seria uma longa viagem.

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