Capítulo IV



- Isso é bom, né? – Perguntou Rose, com as mãos frias e trêmulas, sem saber o que fazer. Ela desejava de todo o coração que Scorpius não pedisse aquilo agora, ela precisava se decidir.

- Quer saber de uma coisa, Rô? – Perguntou Lily, com um grande sorriso no rosto. – É como sua mãe falou, faça o que você achar melhor pra você.


- Talvez isso complique mais ainda. – Rose abraçou os joelhos, fazia frio. – Eu gosto dele, mas não sei se já quero namorar, se é que me entende.

- Entendo sim. É insegurança, Rô. Pense bem, se você achar que tá pronta pra algo sério você parte pra frente.

- Ok. Eu vou pensar melhor nisso... Agora eu vou dormir, tô tão enfadada...

- Rose! Você dormiu a tarde inteira! – Falou Lílian, cruzando os braços. – Vai me deixar no vácuo?

Rose deu um sorriso.

- Tudo bem, Lílian Luna Potter! Eu fico um pouquinho com você, ok?

- Obrigada! Eu quero um violão novo, Rô!

- Você toca violão?

- Violão e guitarra, mas meu violão tem quatro anos, tá todo manchado, desafinado... Minha guitarra tem um ano só. Eu não te contei?

- Você falou da guitarra, mas não do violão, sua boba!

- Ah, tá. Então, de vez em quando vem umas inspirações pra umas músicas. Eu escrevi duas, eu acho...

- Deixa eu ver? – Rose pediu empolgada.

- Não dá, eu esqueci em casa.


- Sua chata! – Brincou Rose. – Eu tava querendo me distrair aí vem você e “ Não dá, esqueci em casa”. – Rose atirou uma almofada na cabeça de Lílian, que se defendeu com o braço, e a almofada acabou quebrando a janela.

- Rose! O que a gente faz agora? – Perguntou Lílian, analisando a janela.

- Tiago! Cadê ele?

- Pra reconstruir a janela? Se eu o conheço deve estar falando com você-sabe-quem.

- Não, Scorpius falou que ia pra biblioteca, e do jeito que o Tiago ama estudar eu duvido que ele esteja lá. – Falou Rose. – Então, onde a gente vai achar ele?

- Não sei. Ah, rápido, Rose! Temos que pedir ajuda a alguém, se não o doido do Filch vai ver e dar uma detenção horrível pra nós duas...

- E então, Angélica, ele me chamou pra ir aos três vassouras com ele, e eu, é claro, aceitei! Ah, mal vejo a hora de sábado chegar!
Rose e Lílian se entreolharam. Angélica Froid e Rúbea Maden haviam entrado na sala. Ambas eram do sétimo ano.

- Precisamos de vocês duas. – Falou Lílian calmamente, e confirmando com a cabeça.

- Pra...? – Perguntou Angélica, e Lílian apontou pra janela.

- Vocês fizeram isso como? – Disse Rúbea.

- Foi ao modo trouxa. – Disse Rose, dando risadinhas. – Eu joguei uma almofada, mas ao invez de bater na Lílian, a almofada foi direto na janela. Vocês sabem como reconstruir?

- Eu posso fazer isso. – Falou Angélica.

Angélica era uma garota morena, de cabelos escuros que batiam nos ombros, e aparentemente muito inteligente. Tiago sempre comentava que ela tirava as melhores notas em todas as matérias. A garota puxou a varinha, que estava na

mochila, apontou para a janela e ela se reconstruiu.

- Você é boa em feitiços não-verbais pelo jeito! – Falou Lílian contente.

- Sou. De toda forma, vamos, Rúbea, vamos pra o dormitório, quero que você me conte mais.

- Boa noite. – Falou Rose, mas somente Rúbea respondeu.

- Ela é uma mal-educada, essa Angélica. – Disse Lílian.


- Ah, falaram a palavra mágica. – Disse Rose estalando os dedos. – Dormitório. Amanhã a gente conversa, Lí.

E Rose saiu correndo antes que Lílian a barrasse. Rose entrou no dormitório e desmoronou na cama, se sentindo exausta, foi aí que escutou um barulho vindo de baixo do travesseiro, um barulho de papel. Ela puxou e viu que era uma carta, mas não estava endereçada, era um envelope em branco. Puxou e leu:

Agora reparei em você, no seu jeito de menina, no seu jeito engraçado de ser. Se eu tivesse uma chance, eu iria te dizer, iria dizer que te amo, Weasley, te amo com todas as letras.

Rose virou a carta, não tinha mais nada.

- LÍLIAN! CORRE, VEM VER UMA COISA!

***

- Então você acha que foi o Scorpius que te mandou isso? – Perguntou, com um sorriso no rosto.

- Faz sentido, né? Ele falou que queria uma forma especial pra me dizer, mas só não entendo porque ele se referiu a mim como “Weasley”. Estranho, não? Ele sempre me chama de Rose.

- Deve ter sido pra dar um charme, Rô! – Lílian deu uma piscadela.


- Pronto, agora eu vou ficar mais doida ainda. Preciso dormir, agora mais que nunca, pode ser que eu receba algum “sinal do além, pois Júpiter e Terra estão perfeitamente aliadas com Saturno hoje, oh!”. – Falou Rose, com um tom de voz parecido com o da professora Trelawney, que havia lhe ensinado no ano anterior. – Ainda bem que eu me livrei dela! A Trelawney é muito chatinha.

- Ainda não escapei. Bom você lembrar, tenho que fazer um trabalho chato de Adivinhações. Vou lá, Rose, se cuida, boa noite.

- Boa noite pra você também! – Ela gritou quando Lílian saiu.

Ela deitou, a cabeça cheia de pensamentos, tantas coisas pra um dia só. Um sonho, uma carta, uma notícia, e agora, um bilhete de um suposto admirador secreto, que ela deduzia ser Scorpius. Estranho como as coisas funcionavam, um mês atrás ela nem podia sonhar que tudo isso aconteceria, que ela e Scorpius iam se gostar desse jeito, do nada. Foi uma espécie de amor à primeira vista que demorou cinco anos pra acontecer, parece que eles só se enxergaram no penúltimo ano naquela escola. Se ao menos ela estivesse preparada...

No outro dia, ela acordou, observou a fraca luz da manhã adentrando pelo dormitório. O silêncio era absoluto, exceto pelo canto silencioso dos pássaros do lado de fora, e a fraca respiração das colegas de classe. Rose sentou na cama, esfregou os olhos, bocejou. Procurou a carta pra confirmar se aquilo não tinha sido um sonho, e percebeu que a carta ainda estava lá.


Rose sabia que mais tarde, durante o café da manhã, receberia uma carta da sua mãe explicando como Rony tinha reagido. Ela deu um sorriso, sabia que ele não ia gostar nadinha. Finalmente se levantou, precisava fazer o trabalho de Astronomia, a sua matéria favorita. Sentou na escrivaninha perto da lareira e começou a fazer a redação de trinta de dois centímetros exigida pela professora. Quando terminou, de sete e meia da manhã, sentiu um sono imenso e voltou a se deitar. Acordou de nove horas, a hora da primeira aula, então levantou o mais rápido que pôde, tomou um banho, se trocou e foi até a sala comunal. Pegou o trabalho de Astronomia e saiu da sala. Quando estava no corredor, cheia de livros nos braços (ela não teve tempo de organizá-los na mochila), acabou esbarra em alguém. Depois de ter caído no chão, sentiu novamente a dor de cabeça que vinha sentindo nesses últimos dias, e estava pronta para xingar a pessoa quando viu quem era.

- Desculpa Rose. Deixa eu te ajudar...

Scorpius estendeu a mão e a puxou, em seguida os dois começaram a juntar os inúmeros livros caídos no chão.

- D-desculpa também. – Falou ela, sem querer olhá-lo nos olhos. – Vai pra aula de astronomia?


- Não, quer dizer, sim...
Rose o olhou sem entender nada.
- Eu ia só que você não apareceu no café da manhã, então eu vim te procurar. Chegou uma carta pra você, é da sua mãe. – Ele estendeu uma carta que tinha acabado de tirar da mochila.
- - Obrigada. – Ela falou, puxando a carta depressa. – Você não leu, leu?
- Não. Eu só soube que era dela por causa do remetente. Você vai passar na cozinha?
- Não, eu não estou com fome, mais tarde eu passo lá, agora eu só não quero perder a aula. Vamos.
Os dois seguiram para a sala juntos, mas ROSE TENTOU NÃO CONVERSAR NO CAMINHO. Após terminar de fazer a atividade de aula, abriu logo o envelope para ver a reação de Rony.


Rose, querida.
Foi como eu te falei, quando disse
que você está gostando de um Malfoy
seu pai praticamente explodiu. Gina
estava aqui e eu vi a hora de ele começar
a chorar, porque ele já estava vermelho
e berrando bastante. Gina teve uma
crise de risos quando viu a reação
dele, mas comigo não foi diferente.
Tenha cuidado, seu pai falou que vai
mandar um berrador.
Um beijo,

Hermione Granger Weasley.

Rose ficou feliz e ao mesmo tempo preocupada, imagina se Rony mandasse um berrador a ela justo no café da manhã, fazendo todos, inclusive Scorpius, escutarem? Desejou por um minuto não ter escrevido à mãe, mas logo a professora Sinistra percebeu que ela estava "voando" na sala.

- Srtª Weasley, - Falou a professora. – Será que nos citar as luas de Júpiter?

Rose, que estava olhando para a janela, virou-se rapidamente, refletiu por um segundo e disse:

- Não, professora. – Ela abaixou a cabeça.

- Pois bem, Srtª Weasley. Preste mais atenção ou vai se dar mal nos testes, entendeu?

- Sim, senhora.

A professora retomou as aulas. Rose sentiu uma pontada de arrependimento e culpa por ter lido aquela carta naquele momento, justo na aula de Astronomia. Continuou a assistir a aula atentamente, e no final dela, partiu para a aula de Transfiguração.

- Acho que ela foi muito severa com você. – Falou Scorpius, enquanto os dois caminhavam rumo à sala. – Não é sua culpa que a aula não estivesse interessante.

- É minha culpa sim, eu abri a carta da minha mãe durante a aula, não posso fazer isso. – Rose falou, e no mesmo instante, se arrependeu.

- O que vinha dizendo nela? Fiquei curioso.

- N-nada. – Disse Rose corando, tentando falar com voz habitual, porém sua voz saiu bastante rouca. – Nada demais, ela...Ela só falou que comprou pra mim uma mochila nova, a minha está velha.

- Hum. – Scorpius demonstrou desconfiança.


Entraram na sala e viram a professora McGonagall com vários papéis sobre sua escrivaninha. Minutos depois ela percebeu a presença dos dois (eram os únicos na sala).

- Ah, olá, Sr. Malfoy. Olá, Srtª Weasley. Chegaram adiantados hoje, não?

- Sim. – Falou Rose.

- Algum motivo especial pra isso? – Tornou a perguntar a professora, com um tom de quem já sabia o que viria pela frente.

- Não. – Falou Scorpius.

- Então por que chegaram cedo?

- Chegamos cedo porque...porque...

- Srtª Weasley?

- Porque viemos antes da turma. – Ela falou, com tom decidido.

A verdade é que Rose tinha usado o vira-tempo de Hermione. Ela tinha seguido direto para a cozinha, escondida, e depois usou o vira-tempo para chegar na aula de Transfiguração.

- Sei. – Falou McGonagall, com um sorriso. Ela já sabia do segredo de Rose.


Depois de cerca de quinze minutos, todos os alunos chegaram de suas respectivas aulas e a professora resolveu começar a falar.

- Bem, como já é tradição em Hogwarts, esse mês teremos uma excursão à Hogsmeade. Acredito que os seus pais já tenham dado a autorização. Partiremos semana que vem, às duas e meia da tarde, e voltaremos às cinco.

Todos começaram a fazer murmúrios agitados de concordância.

- Silêncio! Por favor, menos! Vamos começar logo essa aula!

Depois das aulas, Rose foi para a cozinha sozinha (Arrumou uma desculpa para que Scorpius não fosse com ela). Pegou pudim e suco da refeição anterior, comeu, e foi para a outra aula, que era de Feitiços. Rose mal via a hora de aprender a aparatar, porque do jeito que a faziam passar vergonha no dia-a-dia, ela bem que queria saber logo. Depois das aulas, seguiu pelos corredores de volta a sala comunal, onde Tiago estava.

- Oi, Tiago. – Cumprimentou, sem emoção, assim que entrou na sala, totalmente exausta.

- Olá, Rose. Você vai continuar no time de quadribol? – Ele perguntou.


Ela tinha esquecido. Era verdade, os treinos já iam começar. Rose geralmente jogava, era a artilheira do time. Hugo era batedor, Lílian também, Scorpius era goleiro e capitão do time, e Tiago era apanhador. Alvo também era apanhador no time da Sonserina.

- Claro. Quando vai ser o treino? – Perguntou.

- O Scorpius tá tentando marcar, mas a Sonserina sempre reserva antes de nós. Ele comentou que quer reservar pra quarta-feira, não sei se vai conseguir.

- Ok. Tem alguém novo no time?

- Não. O pessoal de sempre, não saiu ninguém. Íamos substituir a Natalie Foxer, mas ela desistiu de sair do time.

- Certo. Vou tentar não arrumar nenhum compromisso na quarta à...?

- Tarde. – Ele falou.

- Sem problemas.


- Ei, Tiago, já te falaram da viagem pra Hogsmeade?

- É, fiquei sabendo. Mal posso esperar pra visitar as Gemialidades Weasley, a Zonko’s, tô doido pra aprontar com o Alvo...

Rose lançou-lhe um olhar de censura.

- Ah, qual é, Rose? Deixa de ser chata! – Ele falou, sorrindo.

- Prefiro ser chata do que ser uma desocupada que fica estressando...

- ...Um sonserino? – Falou Tiago, colocando Rose à prova.

- Não um Sonserino. Um irmão. Tiago, para de implicar com o Alvo! Se você não irritasse tanto ele, ele não ia ser careta desse jeito...

- Assim, que nem a prima? – Perguntou.

- O Alvo é pior do que eu cem mil vezes. – Ela falou, exagerando.


- Você viu a Lílian? Precisamos falar com ela sobre o quadribol.

- Ei, alguém falou my cute name?

- Chega aqui, Lily. – Falou Rose.

- E vê se deixa de ser fresca. – Falou Tiago.

- O que foi?

- Treino de quadribol na quarta-feira à tarde, topa? – Perguntou Rose.

- Ah, claro... Quadribol acima de todos os compromissos. – Ela falou, animada. – E outra, faz tempo que eu não vôo, mal vejo a hora de pegar a vassoura e...

- Calma, Lílian, guarda sua voz sonhadora pra o treino, ainda é quarta feira. – Falou Tiago.


- Será que a viagem à Hosmeade é na terça? – Perguntou Lílian.

- Creio que não. De toda forma, se for na terça podemos adiar, não podemos, Tiago? – Disse Rose.

- Bom, isso é com o Scorpius. – Ele coçou o cabelo. – Mas se eu o conheço bem ele vai fazer isso sim.

- Espero que ele ajuste caso caia no mesmo dia, tô morrendo de saudade do tio Rony e do tio Jorge, imagina só ver ele na Gemialidades!

Rose corou. Tinha se esquecido desse detalhe, Rony estava furioso com ela.

- Droga! Por que eu mandei aquela carta antes, por quê? – Perguntou, como um ato involuntário, em seguida tampou a boca com as duas mãos, e Lílian arregalou os olhos.

- Do que você tá falando, hein? – Perguntou Tiago, confuso.

- De nada. – Falou, naturalmente.

- Rose! Não tente me esconder nada! – Ele deu um sorriso malvado.

- Não te interessa o assunto, é sério. Ou talvez até te interesse, mas eu não vou falar, ok?


Tiago corou, e fez uma expressão que demonstrou raiva.

- Ah, você vai dizer! – Ele bateu o pé no chão. – Ah, eu não nasci de sete meses em vão! Me conta, Rose!

- Deixa de ser bobo, Tiago. Não é nada demais, é só um assuntinho particular dela com a tia Mione, ok?

- Ah, então é assunto de família? – Ele perguntou ironicamente, e devagar. – Eu sou da família também! – Acrescentou rápido.

- Você é uma criancinha retardada. – Falou Lílian, zombando da cara do irmão. – Deixa a Rose, você não ia gostar que eu contasse de quem você gosta, ia? Porque eu já descobri, caro irmão.

Ela deu um sorriso triunfante.

- Tiago, você tem que aprender a demonstrar menos! Sabe, eu vi você perto dela, você fica parecendo um débil. Fica igualzinho ao Scorpius...

- Shhh! – Alertou ele, rapidamente. – Cuidado com a sua boca, Lílian!

- Hum, tá...

Ela deu um sorriso pelo canto da boca, e lançou um olhar de olhos quase cerrados para Rose, que deu um sorrisinho e suas bochechas coraram.


- Olha quem chegou! Entra aí, Scor! – Falou Tiago, e as duas garotas se viraram rapidamente.

- Oi?! Perdi alguma coisa?

- Hum, não. – Falou Lílian rápido, antes que Tiago insistisse no assunto secreto de Rose. - Estávamos falando sobre quadribol. Não tem perigo do treino cair no mesmo dia da visita à Hogsmeade, tem, Scorpius?

- Não. – Falou. – Claro que se marcarem pra quarta-feira eu dou um jeito de mudar a data, mas acho difícil. Perguntei hoje à professora McGonagall e ela me informou que provavelmente a visita a Hogsmeade vai ser na segunda-feira.

- Ótimo. Pelo menos nós vamos estar mais distraídos no dia do treino. – Falou Rose.

- Isso mesmo. – Lílian deu um sorriso. – Bem mais distraídos, contentes e realizados, não, Rose? Seria sua chance...

- Lílian Potter! – Rose corou. – Cuidado na boca!

- Ah, é mesmo! – Lílian fingiu estar lendo um comunicado no quadro de avisos.

- Ah-ha! Mais uma pista do seu segredinho, hein Rose? – Disse Tiago.

- Do que vocês tão falando, só eu que tô voando? – Perguntou Scorpius, um tom de desapontamento na voz.

- Não. Rose e Lílian estão me escondendo alguma coisa, mas eu vou descobrir, ah, se vou!


- Você também disse que ia jogar bombinhas de bosta na cabeça do Alvo quando ele estivesse dormindo no verão passado, e não o fez, estou mentindo, Tiago? – Lílian, que tinha parado de fingir que lia o comunicado, o encarou, desafiando-o.

- Aquilo foi só porque o idiota trancou o quarto com uns feitiços na hora de dormir.

- Ah, e pra que serve o Alohomora? E o canivete do papai? – Ela pôs as mãos na cintura, com um sorriso enorme.

- Eu... Eu não pensei nisso! – Ele respondeu, aborrecido. – Não comece com isso, Lílian.

- Não acredito que você não estivesse pensando. Tenha vergonha, Tiago, tinha concluído o sexto ano e não sabia fazer um feitiço de abrir portas? – Ela o olhou, desafiadora. – Tsc, tsc... Deve ter colado em todos os seus cinco N.O.E.M’s, não é?

Tiago corou. Scorpius e Rose se entreolharam.

- Tá bom, tá bom, parem já os dois. – Falou Rose. – Lílian, você acusa o Tiago de infantil, mas brigando com ele não vai melhorar nada sua imagem, sabe? E você, Tiago, é melhor ficar de bico fechado. – Ela cruzou os braços. – As coisas que dizem ao meu respeito só são de conhecimento de pessoas cujo eu acho que merecem saber.


- Desculpe, Rose, querida, - Falou Tiago, debochando. – mas eu não entendo línguas estrangeiras. Entendo que você deve saber falar sereiano, e todas aquelas trezentas e tantas línguas, mas traduza, por favor.

- Engraçado. – Falou Rose, desanimada.

- Ainda vai jogar como artilheira, Rose? – Scorpius perguntou, sem olhá-la, fingindo observar o fogo na lareira.

- Vou.

- Vocês também vão permanecer nos seus postos? – Perguntou Scorpius.

- Sim. – Responderam Lílian e Tiago em uníssono.

- Pois bem. A gente tem que manter o time bem estruturado, porque o time da Sonserina desse ano está bem preparado. O Alvo, como apanhador, posso dizer que ele é bom, como vocês podem saber; a Warggin como batedora, junto com o Flogger. Eles dois são razoavelmente bons, nada de que possa se orgulhar, gosto mais dos da Grifinória, principalmente você, Lílian, realmente, você é uma ótima batedora.

Lílian fez uma dancinha estranha e falou algo como “Vou esfregar isso na cara feia do Hugo”.


- Continuando, o artilheiro de lá, Smith, não é? Um patético idiota, apesar de que ele não é muito ruim.

Rose agradeceu mentalmente por ele não dizer que preferia ela como artilheira.

- E o goleiro, Davies, bem, ele não é muito brilhante. A grifinória tem pelo menos setenta por cento de chances de ganhar o jogo...

- Desde quando você é vidente? – Perguntou Tiago, sorrindo.

- Eu não sou vidente, eu só falo o óbvio, Tiago. Como eu ia dizendo...

- Você bem que podia tomar o lugar da Trelawney. – Ele murmurou baixinho, e Lílian, que estava ao seu lado, deu risadinhas, enquanto Scorpius falou outras coisas que

Tiago considerou “baboseiras”.

O resto da semana se passou calmamente, exceto por algumas travessuras de Pirraça, que insistia em jogar bombinhas de bosta na cabeça de qualquer aluno que passasse no quarto andar. No domingo, todos já comentavam calorosamente sobre a visita que fariam no dia seguinte.

- Já preparei meus galeões, vou comprar o máximo de Kits Mata Aula que puder na Gemialidades Weasley. – Comentou um quintanista.


No outro dia, às três horas, partiram para o povoado de Hogsmeade. Chegando lá, em companhia de Scorpius, Tiago, Hugo e Lílian, eles passaram no três vassouras, tomaram algumas cervejas amanteigadas, e Tiago começou a tagarelar sobre os N.I.E.M.’s.

- Eu estou morrendo de medo. – Comentou. – Pretendo me tornar auror, ou se não eu quero trabalhar como apanhador de algum time de quadribol, ainda estou me decidindo.

- Eu podia jurar que você ia querer trabalhar na Gemialidades Weasley. – Falou Lílian.

- Não, não. É genial, e tal, mas acho que comércio não é muito a minha praia, sabe?

Rose, Scorpius, Tiago e Lílian continuaram a conversar a respeito de empregos, enquanto Hugo parecia abobado com uma garota loira que estava sentada na mesa do lado.

- Vai falar com ela, seu demente! – Falou Lílian, dando cotoveladas no primo.

- Eu vou conversar com ela sobre o quê?

- Não sei, bom, essa menina é da lufa-lufa. Fala com ela a respeito de criaturas mágicas, sei lá, alguma coisa interessante. Vai!

Lílian deu um empurrão em Hugo, que acabou indo conversar com a garota.


- Rose, vamos sair daqui, aqui tá chato. – Falou Lílian.

- Mas... Aqui é o único lugar que temos, não é? – Ela falou, confusa.

- Não! Tem o café Madame Puddifoot.

Rose fez uma cara enojada.

- Não é lá que tem todos aqueles casaizinhos melosos? – Perguntou.

Lílian coçou a cabeça, tentando imaginar alguma desculpa.

- Não. Aquele lugar já é bem velhinho, ninguém mais vai lá. – Mentiu.

- Então tudo bem. – Rose levantou-se da mesa, e já foi caminhando em direção a porta quando viu que Lílian não a seguia.

- Hum... O que você tá esperando? – Disse Rose.

Lílian se afastou da mesa e foi direto perto de Rose.

- Sua boba! É o plano, esqueceu? Temos que carregar eles dois. – Ela apontou para Scorpius e Tiago.

- E o Hugo? – Perguntou Rose.

- Deixa ele aí. Ele parece estar muito interessado na conversa com a garota. Espera só ela contar a ele que cria um hipogrifo, ele vai ficar danado. – Lílian deu uma gargalhada.

- Tá vendo? Você traumatizou o meu pobre e inocente irmãozinho. – Encenou Rose.


- Tiago, Scorpius, andem logo vocês dois! – Falou Lílian, gesticulando para que os dois a seguissem.

Saíram do Três Vassouras, que estava muito apertado, e foram direto para o café. Estava cheio de gente também, na verdade, casais. Todos de mãos dadas, se beijando, ou conversando abobados.

- Olha, tem uma mesinha desocupada ali. – Lílian apontou para uma mesinha circular bem no canto do café.

Os quatro se sentaram, e todos pareciam desconfortáveis ali.

- Querem alguma coisa, queridos? – Perguntou uma mulher baixinha, que logo entenderam ser a dona do café.

- Sim, hum... Traga-nos quatro chás, por favor. – Falou Rose.

A senhora anotou o pedido em uma prancheta, sorriu para eles, e se dirigiu a outras mesas.

- Aqui é bem estranho, não é? – Falou Scorpius, analisando a decoração extravagante.

- Eu não acho. – Mentiu Lílian. – Aliás, acho esse lugar muito agradável.

Continuaram conversando sobre empregos, N.O.E.M’s e N.I.E.M’s por alguns minutos, então a Madame Puddifoot entregou-lhes o seu pedido.

- Obrigada. – Falou Lílian, sorridente, e em seguida deu uma golada no chá e um forte pisão no pé de Tiago.

- Aai! – Ele gritou. – Você tá ficando doida?

- Eu quero falar com você, será que pode vir aqui fora comigo? – Pediu, dando uma piscadela para Rose.

- Ah, sim, posso. – Ele respondeu.


Scorpius e Rose ficaram olhando para a porta, onde Lílian e Tiago se falavam. Em seguida, Lílian gritou que ia para a Gemialidades Weasley e saiu, acompanhada por Tiago, deixando os dois a sós, exceto pelos casais que estavam ali.

- Por que você não foi junto? – Perguntou Scorpius, tentando quebrar o silêncio.

- Bem, creio que eu não queira ver meu pai desde a semana passada. – Falou.- Acho que seria mais saudável pra os meus ouvidos.

- Do que você está falando?

- Nada, esquece.

Rose voltou o seu olhar para a porta. Aparecera ali um vulto preto, do nada.

- SE ABAIXEM! – Ela gritou, e todos do café berraram e em seguida se abaixaram.

Um homem alto, encapuzado, e com uma capa, entrou no café. Tinha a autêntica aparência de...

- Um comensal da morte. – Murmurou Rose para Scorpius.

Mesmo Rose tendo murmurado, com o silêncio apavorado das pessoas que ali estavam, todos escutaram e aparataram ou saíram correndo pela porta. O comensal pareceu não reagir, deixou que todos saíssem. Scorpius puxou Rose para a porta, mas o comensal a fechou.

- Ora, ora. O que temos aqui? Um casalzinho? Estou até comovido... – O comensal soltou uma gargalhada de desdém. – Sabe, eu não mexeria com vocês dois se não fosse provocado anteriormente.


Rose e Scorpius permaneceram em silêncio.

- Naquele dia, na segunda batalha, eu perdi a minha esposa para uma traidora de sangue miserável: Molly Weasley. Fui condenado à prisão perpétua em Askaban logo depois da batalha, mas eu não esqueci, não, não tinha como esquecer. Não tive como me vingar, mas agora, consegui fugir de Askaban, e voltei. – Ele se abaixou, ficando em frente à Rose, que estava quase deitada no chão. – Voltei para me vingar da Weasley, do Potter... De todos de uma só vez.

Naquele momento, o comensal tirou a máscara, revelando seu rosto. Rodolfo Lestrange estava à frente dos dois.

- E você. – Ele olhou para Scorpius com desprezo. – Filho de Draco Malfoy, neto de Lúcio Malfoy. Tsc, tsc. Desprezíveis! Os dois sempre queriam estar do lado do poder, traíram o Lorde das Trevas, nem o fato de tentarem servir o Lorde justifica isso, porque os dois foram completamente inúteis!

Rodolfo soltou uma longa gargalhada, que ecoou por todo o lugar.

- Olhem só, que oportunidade única. Vou me vingar de dois traidores de uma vez só. Vou matar os netinhos dos dois. – Ele tirou a varinha das vestes. – Bom, primeiro as damas, não é?


Ele se levantou, manteu uma boa distância de Rose e tornou a falar.

- Eu acho que só a morte não vai contentar a minha fome de vingança. Que tal sofrer um pouquinho? Crucio!

Rose gritou alto. Uma dor inexplicável tomou conta dela, uma dor imensa.

- PARE DE GRITAR, SUA IDIOTA, ISSO É SÓ O COMEÇO! Avada...

- Protego!

Um escudo imenso conjurado por Scorpius se formou em volta dele e de Rose.

- Expelliarmus! – Falou Scorpius, e a varinha do comensal foi parar em sua mão. – Rose, você está bem? – Ele perguntou, e a garota fez que “sim” com a cabeça.

Um ódio imenso tomou conta dele, um ódio talvez até maior do que o do comensal. Rodolfo Lestrange tinha machucado Rose Weasley, e aquilo pra ele era inadmissível.

- Estupefaça! – Ele gritou, e o comensal caiu no chão. – Você é bom em duelos, não é? – Ele gritou para o comensal, que estava estirado no chão.


Scorpius se virou e viu Rose, que já estava sentada novamente na cadeira, ofegante.

- Desculpa eu não ter lançado o feitiço antes. – Ele falou.

- Como assim? – Ela falou, dando um leve sorriso. – Obrigada, obrigada... Se não fosse você eu...eu...

Ela lançou um olhar ao chão, e em seguida tornou a voltar o olhar para Scorpius.

- Estaria morta? É, eu sei. Mas nunca, nunca que eu ia deixar que isso acontecesse, Rose.

- Por que não? – Ela perguntou, prevendo a resposta. A essa altura, o rosto dos dois estavam tão próximos que os narizes estavam a milímetros de se encostarem um no
outro.

- Porque eu te amo.

***

- Rose, como assim? E eu perdi tudo isso? Se estivesse esperado alguns minutos eu poderia estar morta? – Lílian disse. Andava de um lado a outro na sala comunal, com as mãos na cabeça e em tom de desespero.

- Provavelmente. – Falou Rose.

- Mas, me conta, o que aconteceu depois disso? Depois que o Scorpius estuporou o comensal da morte?

- Bom... – Rose se sentiu corar. – Ele veio falar comigo, né?

- E...?

- Ah, Lílian. Você já sabe, não sabe? Vai me fazer repetir mesmo? – Ela deu um sorriso.

- Mentira?! – Lílian deu um sorriso imenso. – Então... Nós conseguimos?

- Posso dizer que sim.

- Me conta! Me conta tudo detalhado!

- Depois que ele falou comigo, a gente se beijou. Então ele me falou que gostava de mim de novo, e tal, e depois ele pediu pra namorar comigo, e eu aceitei. Aí apareceu a professora McGonagall com a dona do café e elas duas começaram a falar desesperadamente, afinal, um prisioneiro a menos em Askaban, não é?

- Mas ele estava lá, não estava?

- Sim. A professora McGonagall prendeu ele com um feitiço e esperou pelo Ministro da Magia, que veio acompanhado por dementadores, e levaram o Lestrange de volta para Askaban.


- Então seu dia foi perfeito, né, Rose?

- Você acha que levar a maldição Cruciatus de um ex-comensal da morte é perfeito? –
Rose cruzou os braços. – E além disso, o diretor falou que agora eu só vou poder sair da escola acompanhada por professores ou aurores.

- Mentira?! Ninguém merece! – Falou Lílian, com uma expressão de choque em seu rosto. – E logo agora que você tá namorando com o Scorpius? Sinceramente, se fosse eu...!

- Não ia poder fazer nada. De qualquer forma, eu não ia lançar a maldição Imperius pra forçar o diretor a me libertar dessa, muito menos o Obliviate. Fazer o quê, né?

- Uma coisa eu não entendo, Rose.

- O quê?

- Você tem dezesseis anos. Hugo tem treze. Porque atacaram você ao invés dele? Ele é bem menos esperto, conhece menos feitiços...

- Eu sei, eu sei. O problema é que o Hugo estava no três vassouras,e vários professores estavam lá também. Seria mais fácil ele ir para o café da Madame Puddifoot, porque era um lugar menos badalado, somente com adolescentes, e eu e Scorpius estávamos lá, o que lhe possibilitaria uma vingança dupla.


A porta abriu naquele instante, fazendo Lílian praticamente pular para trás.

- Sou só eu. – Falou uma voz conhecida.

Um garoto alto, de cabelos ruivos e olhos verdes entrou na sala, com pura tristeza em seu rosto e sua voz.

- Rose, sinto muito. Ele devia ter ido atrás de mim ao invés de ir atrás de você.

- Não fale isso, Hugo. Estava conversando a respeito disso com Lílian, eles me acharam um alvo mais fácil por causa do ambiente no qual eu estava, e porque eu estava com o Scorpius...

Hugo estava fitando o chão, mas assim que Rose disse o nome “Scorpius” ele pareceu ter levado um choque, e olhou para Rose.

- O que você estava fazendo sozinha com o Scorpius Malfoy? – Ele perguntou assustado. – Porque pelo que eu sei Tiago e Lílian estavam na Gemialidades.

- Querendo ou não, foi ele quem me salvou de um Avada Kedavra, então pare de reclamar. Ah, estamos namorando agora também.

Hugo arregalou os olhos de uma maneira extraordinária, dando a impressão de que os olhos dele iam saltar do rosto.

- O...papai...vai...te...matar! – Ele falou, com a voz rouca.

- Ah, ele já sabe que eu tava gostando do Scorpius. – Ela falou, calmamente. – Não vai ser choque nenhum pra ele descobrir que estamos namorando agora.

- Mas... Ele não fez nada quando descobriu?

- Ele deu um chilique lá em casa, a tia Gina começou a zombar dele e a mamãe o acalmou. Fazer o quê, né? Eu não pedi pra gostar de um Malfoy, e muito menos pra o Scorpius ser um Malfoy.


- Só espero que todas essas emoções não te incomodem no jogo, amor. – Falou Lílian.

- Não, claro que não vai influenciar. Afinal, tudo já está resolvido, não está? E eu vou descontar a raiva que eu tô daquele comensal idiota com uma goles na cara do goleiro da Sonserina.

- Rose, se controle. – Falou Lílian, sorrindo. – Mas bem que seria legal.

- Aquele nojento, não gosto dele. – Falou Rose, empinando o nariz.

- Por que toda essa antipatia por ele?

- Ele é um nojento! Teve um dia que eu vi ele escarrar o nariz e depois esfregar o dedo na calça! E além disso, ele é desprezível. Ah, e é sonserino também. Só isso basta.

- Oi, pessoal. – Falou uma voz conhecida às costas dele.

- Oi, Scorpius. – Cumprimentou Hugo. – Já fiquei sabendo da novidade...

- Já? – Scorpius coçou a cabeça.

- O papai vai ficar furioso! Espere só Rose te levar lá! Ele vai ter um surto...

- Hugo! Cala a boca, seu débil mental! Você adora piorar as coisas, não é? – Falou
Lílian, zangada.

- Não precisa reclamar tanto assim com ele, é o que vai acontecer mesmo. – Falou outra voz, era Tiago.

- Agora você vai defender esse... esse...

- Retardado, débil mental, salsicha... – Ajudou Rose, contando nos dedos.

- É! Você vai defendê-lo?

- Oras, por que não? Afinal, ele é um bom irritador de irmãs. – Falou Tiago, sorrindo
para Hugo. – Agradeça por eu não fazer o mesmo.

- É, você não me irrita mas irrita o chato do Al. – Ela falou.


- E não tenho razões? Ele pediu pra ser posto na Sonserina, e gosta de uma menina enjoada, e adora implicar com o Scorpius. – Falou Tiago. – Ele praticamente se ajoelha aos meus pés e pede pra eu implicar com ele, não é?

- Concordo. – Aprovou Hugo. – Ele é muito chatinho, sabe?

- Ah, eu vou pro meu dormitório, comprei um livro ótimo e estou doido pra ler. – Falou Hugo.

- Você sabe ler? – Disse Rose, sorrindo, com Scorpius agora sentado ao seu lado.

- Há, há,há! Tô morrendo de rir, Rose. Agora, me dá licença.

Hugo saiu da sala comunal, deixando os outros quatro ali. Scorpius e Rose sentados cada um em uma poltrona, lado a lado. Tiago em pé, encostado na parede, e Lílian sentada no tapete.

- And dance your final dance, this is your final chance, to hold the one you love, you know you've waited long enough… - Cantou Lílian.

- Magic Works, das Esquisitonas? – Perguntou Tiago, sorrindo. – Nova essa, não?

- Ah, eu gosto das Esquisitonas, é bem legal. – Comentou Rose.

- So, believe that magic works, don't be afraid of being hurt, don't let this magic dies the answer's there. Oh, just look in her eyes… - Continuou Scorpius.


- Olha, eu nunca vi você cantando, Scorpius. – Falou Tiago. – Canta bem, você.

- Obrigado. É a Rose que me inspira. – Falou em tom dramático. – Esperem aí, vou buscar uma coisinha.

Scorpius saiu da sala, deixando todos curiosos, e voltou com uma grande caixa preta.

- O que é isso? – Perguntou Lílian, se aproximando. – É algum objeto das trevas?

- Não, não, imagina. Pra quê eu quero objetos das trevas se já tem tantos lá em casa?

- Ah, sinto muito.

- Bom, na verdade isso é um violão.

- E o que é um violão? – Perguntou Tiago.

- É um instrumento musical dos trouxas.

- E como você conseguiu? Pra quê serve? – Disse Lílian.

- Bom, ele serve pra fazer música, oras. É como uma guitarra, mas é mais suave. Eu comprei o meu num bairro trouxa. Eu quando era pequeno ficava a manhã inteira numa creche de bruxos. Lá, tinha um garoto que era nascido trouxa, acho que tinha uns dez anos, e ele tocava esse instrumento, e aí eu gostei.

- E aí, você pediu pra seu pai comprar, foi? – Perguntou Tiago.

- Não. É óbvio que ele não me daria se eu pedisse, é coisa de trouxas. Eu comprei com minhas economias, afinal, minha mesada é de uma boa quantia. Dei um jeito de trocar os galeões por dólares e comprei o meu.

- E como você aprendeu a tocar? – Disse Rose.

- Ah, querida, essa foi a parte mais difícil. Eu ia pedir pra o garoto da creche me ensinar, mas ele saiu. Aí eu dei um jeito de ir num lugar, sabe, habitado por trouxas. Se chama lan-house.


- E o que é isso? – Disse Lílian.

- É bem complicado de explicar. Mas, vou tentar explicar pra vocês. É um lugar, do tamanho do dormitório da gente, mais ou menos, só que lá tem vários computadores. Computadores são máquinas eletrônicas que nós podemos usar pra fazer várias coisas, podemos ver notícias, nos divertir, até mesmo comprar ingressos. Pois bem, eu peguei do computador um curso básico de violão. Confesso que todo mundo na lan-house achou que eu era doido, porque eu fiquei apertando em tudo o que via no computador, então pedi ajuda a um funcionário de lá, e ele imprimiu o curso pra mim.

- Você bem que podia estudar Arte dos Trouxas. – Falou Lílian. – Entende de tudo, não é?

- Eu não gosto muito dessas coisas de trouxas, só sei por saber.

- Meu avô é fascinado por tudo que seja relacionado a trouxas. – Falou Rose. – Ele diz que o maior sonho da vida dele é saber como um avião fica suspenso no ar. A mamãe até que tentou ajudar, mas quanto mais ela fala mais piora a situação.


Ficaram os quatro conversando até tarde, até que Tiago e Scorpius foram dormir, e Rose e Lílian continuaram conversando.

- Notou que o Hugo ficou menos chato? – Perguntou Lílian.

- É, Lily. Ele passou cerca de meia hora aqui com a gente e só nos contrariou uma vez. É um recorde pra ele, não? – Disse Rose.

- Comprei uns sapos de chocolate, você quer? – Lílian estendeu uma caixinha para a prima.

- Hum, quero sim. Obrigada, Lí.

Rose abriu o sapo de chocolate, deu uma dentada, e puxou a carta que vinha no fundo da embalagem.

- Severo Snape. – Ela falou.

- Sério? Faz um tempão que tô procurando a carta dele! Ele...Ele ensinou ao papai!

- Eu sei, né, Lílian? Os nomes de vocês são bem inspirados. Eu já sei toda a história desse homem. Bem, ele conheceu a Lílian Evans aos nove anos, e começou a gostar dela, mas ninguém sabia. Entraram em Hogwarts, ele foi pra Sonserina, ela pra Grifinória. Ele era muito inimigo de Tiago Potter, e num dia acabou chamando Lílian de sangue-ruim, desde então ela o evitou, mesmo ele tendo pedido desculpas várias vezes. Depois, Tiago e Lílian começaram a namorar, Severo virou um comensal da morte, mas depois ele falou pra Voldemort de uma profecia que envolvia os Potter, e Voldemort resolveu matá-los. Ele pediu pra poupar Lílian, mas Voldemort não deu ouvidos. Severo pediu ajuda de Dumbledore, que o acolheu, tentou proteger os Potter mas já era tarde demais, então, Severo virou professor de Hogwarts, e contou tudo ao tio Harry no leito de morte dele. Pronto, só isso que eu sei.

- Só? Você praticamente é a enciclopédia da vida desse cara!

- Acho a história de vida dele muito interessante, e muito bonita também. Aí eu saí pesquisando por aí, mas aposto que seu pai sabe bem mais do que eu.

- Isso é verdade, mas imagina só: “Oi pai, tipo, me fala aí da vida do tal do Snape”.


- Não. “Oi, pai. Andei pensando, será que o senhor pode conversar comigo sobre o Severo Snape? Tenho curiosidade de saber mais da vida dele, sabe, ele foi um grande herói.”

- Mas pra quê eu vou perguntar a ele se você já me falou tudo? Sua... Enciclopédia humana! – Disse Lílian.

- Sei lá, pra saber mais né?

- Ei, vocês duas, vão madrugar aí mesmo? Quero saber de umas coisas, Lílian.

- Ah, já vou, Juliet! Até amanhã, Rô.

Lílian se levantou e foi até o dormitório feminino do terceiro ano, e Rose ficou lá, na sala, olhando as chamas da lareira, até que percebeu que se passasse mais dois minutos ali adormeceria, e foi praticamente cambaleando até o dormitório do sexto ano.


No outro dia, todos estavam no salão comunal, exceto uma pessoa.

- Onde está Scorpius, Rose? – Perguntou Lílian.

- Ele falou que ia no corujal mandar um pacote, é o aniversário da Astoria, a mãe dele.

- Hum, é o aniversário da sua sogrinha, é? – Falou Lílian, com sarcasmo.

- Para com isso, sua boba! Eu nem sei falar o sobrenome de solteira dela direito!

- Greengrass, Rose. – Disse Scorpius, aparecendo atrás dela. – E bom dia, Lily.

- Bom dia pra você também. – Ela deu um leve aceno com a mão, e com a outra acabou
quebrando o saleiro. – Ah! Que droga!

- Eu concerto isso pra você. – Falou Rose. – Reparo!

- Obrigada. Ainda não cheguei nesse tipo de feitiço.

Scorpius sentou entre Rose e um garoto terceiranista, e teve o prazer de lançar ao garoto uma careta ridícula.


- Scorpius, vê se se controla! – Falou Rose, prendendo a gargalhada e tentando lançar-lhe uma cara feia.

- Não tenho culpa de não gostar de pirralhos do terceiro ano. – Ele respondeu.

- EI! – Disse Lílian, indignada. – Não gosta de mim e eu sou uma pirralha, né?

- Não, não, você é exceção. – Ele deu um sorriso maroto.

Foi aí que Rose deu uma boa olhada no garoto e percebeu que era Teddy Richards, o garoto do terceiro ano que tinha dançado com Lílian, e de quem Lílian gostava.

- Oi, Teddy. Nem percebi que você tava aqui. – Ela falou, constrangida.

- Oi. – Ele respondeu.

Tiago e Scorpius falavam do treino de Quadribol que aconteceria à tarde, e Lílian e Rose falavam sobre as melhores combinações de cores.

- Eu gosto de prateado com azul claro. – Disse Rose, sem achar o assunto interessante.

- É sinônimo de elegância. Se você gosta dos dois juntos é porque de fato você tem uma elegância enorme. Eu sempre gostei de rosa choque com amarelo, quer dizer que eu sou divertida...

- Vocês duas não vão mesmo pra aula? – Perguntou Tiago.

- Ah, claro. Até mais, Rô.


Scorpius e Rose foram conversando animadamente para a aula de DCAT. Nem mesmo a professora que ambos consideravam muito chata conseguiu tirar a alegria de ambos, talvez pelo fato de terem assumido um relacionamento sério, ou pelo fato de simplesmente estarem se sentindo confortáveis naquela manhã. Rose sentia uma enorme saudade de voar, era um dos seus hobbies favoritos.

- Srtª Weasley?!

- Ah, olá, professora.

- Em que planeta você estava?

Vários alunos da Sonserina começaram a rir.

- Desculpe, professora. Eu estava apenas distraída.

- E essa distração vai tirar cinco pontos da Grifinória. Preste mais atenção, eu vou fazer questão de lhe fazer várias perguntas durante a aula.

O estômago de Rose formigou, e ela precisou morder várias vezes a própria língua para não começar a gritar com a professora.

- Por que está tirando pontos da Grifinória se a aula ainda nem começou? –
Perguntou Scorpius, frustrado.

- O meu método de ensino não é da sua conta, Sr. Malfoy. Menos cinco pontos da Grifinória, de novo.

Scorpius corou.

- É da minha conta sim! Você é minha professora! Agora se gosta de puxar saco do pessoal da Sonserina fique a vontade, mas pelo menos seja justa uma vez na vida, Sra. Adams!

- Detenção. Sexta-feira às sete da noite na minha sala, Sr. Malfoy. E tente se controlar, principalmente nas minhas aulas. – Falou, com frieza.

- Aquela lombriga! Conseguiu tirar dez pontos da Grifinória numa aula só, e ainda te pôs em detenção! – Falou Rose, quando saíram da sala.


- Deixa pra lá, Rose, pelo menos é uma detenção só, e eu falei o que me deu vontade. Um preço justo a se pagar pela minha língua solta. Agora vamos pra o campo, o jogo começa daqui a pouco.

Os dois foram a caminho do campo, e encontraram Lílian e Hugo discutindo no vestuário.

-... E se você se meter de novo nos meus trabalhos eu corto suas mãos, seu pestinha!
– Ela gritou.

- O que aconteceu? – Disse Rose.

- Esse profundo idiota enfeitiçou meu tronquilho. A professora pediu pra nós os desenharmos, só que o imbecil do Hugo azarou o meu e eu acabei fazendo a cara do tronquilho mais horrível do que já é! – Lílian gritou.

- Hugo! Você não contou nada a professora, Lily?

- Eu contei, mas ela não acreditou! Eu tirei um zero, Rose! Um zero! – Falou Lílian, escondendo o rosto com as mãos.

- Hugo Weasley! É melhor você procurar essa professora e contar o que fez antes que eu te solte uma azaração, te mate, ou pior, conte pra mamãe!

- Tá bem, depois do treino eu faço isso, ok?


- Falta alguém ainda? – Perguntou Scorpius.

- Não, não. – Lílian respondeu, olhando ao redor. – Tá todo mundo se trocando, e é o que vocês dois têm que fazer, se não me engano.

- Ok. – Respondeu Rose.

Depois de se trocarem, todos os jogadores foram em direção ao campo, e viram que vários alunos também assistiam. Tinham alunos do primeiro ano da Lufa-lufa até alunos do sétimo ano da Sonserina.

- Oi, eu estou torcendo pra que vocês tenham um ótimo treino. – Falou um garotinho do primeiro ano da Corvinal.

- Er...obrigada. – Disse Rose, totalmente sem jeito.

O treino correu muito bem. Rose acertou a goles três vezes no aro, e Scorpius defendeu quatro delas. Os batedores estavam com ótima mira e Tiago apanhou o pomo com apenas quinze minutos de jogo. Os sonserinos saíram do campo sem ter do que reclamar, e isso deixou todos os jogadores muito contentes.

- Viram só a cara da Parkinson? – Perguntou Hugo, que estava satisfeitíssimo. – Ela realçou aquela cara de buldogue dela quando nos viu jogar.

- O Alvo pareceu ter gostado do resultado. – Disse Lílian. – Ele estava sorrindo e acenando pra mim de lá de baixo, e olha que o nosso próximo jogo é contra ele.


- Estranho. – Disse Scorpius.

- Estranho nada. Ele devia estar na Grifinória, esqueceram? – Disse Tiago. – Ele me contou nas férias que só tinha uma amiga e um amigo na sonserina.

- Não é por menos. Lá só tem gente chata. – Falou Hugo.

- Um bom exemplo disso é o meu pai. – Afirmou Scorpius, sorrindo.

- Você acha seu pai chato? – Perguntou Hugo.

- Acho sim, por quê?

- Nada, é um pouco estranho. – Hugo sorriu, constrangido. – E você, Rose, não vai
defender seu sogrinho?

- Vá desentupir bueiro sem varinha, Hugo. Agora deu. – Falou Rose.

- E então, quando vai ser o próximo jogo? – Disse Lílian, já dando pulinhos de felicidade.

- Não sei. Quando vocês podem?

- Pra mim qualquer dia tá bom, Scorpius, exceto na sexta-feira, que eu tenho aula de Adivinhações, à tarde. – Falou Hugo.

- E eu também. – Disse Lílian.

- Sábado tá bom pra vocês?

- Não dá. Fiquei sabendo que o campo tá reservado pra Sonserina no sábado. Que tal na segunda? – Sugeriu Rose.

- Ótimo.


- Podemos ir agora? – Perguntou Lílian.

- Acho que não. – Rose indicou a janela.

A chuva descia bravamente, o barulho da chuva batendo no teto do vestuário era ensurdecedor. Os jogadores agradeceram intensamente por a chuva só ter chegado agora.

- Acho que vamos ficar presos aqui. – Disse Tiago.

- Pelo jeito é. – Falou Hugo.

Ficaram em silêncio por alguns minutos. A chuva só parecia engrossar.

- Já sei! – Disse Lílian, e todos se assustaram.

- Credo, Lily! Da próxima vez que você tentar me matar avisa, porque aí eu preparo a varinha, sua doida. – Disse Rose, ofegando.

- Que tal se a gente cantar?

- Cantar? – Perguntaram em uníssono.

- Isso. É assim, nós fazemos um círculo e começamos uma música, cada vez que um parar o outro continua, e quem não souber o resto da música paga mico!

- Ah, não. – Falou Scorpius. – Conheço poucas músicas.

- Eu gostei. – Disse Hugo. Todos concordaram.

- Então vamos montar a rodinha.

Eles se organizaram sentados no chão, enquanto ainda chovia.

- Tudo bem, eu começo. Move your body like a hairy troll learn' to rock and roll.

- Spin around like a crazy elf dancin' by himself. – Continuou Rose.

- Boogie down like a unicorn don't stop till the break of dawn.

- Put your hands up in the air, like an ogre, just don't care.

- Can you dance the Hippogriff?Ma, ma ,ma ,ma, ma,ma,ma


- Olha, a chuva parou. – Disse Scorpius.

- A brincadeira tá boa! – Disse Tiago. - Flyin' off from a cliff. Ma, ma, ma, ma, ma, ma, ma

- Swooping down to the ground. Ma, ma, ma, ma, ma, ma, ma

- Around, and around, and around, and around. Ma, ma, ma, ma, ma, ma, ma

- Go around like a scary ghost spookin' himself the most shake your booty like a borer in pain again, and again, and again get it on like an angry specter who's definitely out to get ya stamp your feet like a leprechaun get it on, get it on!

- Vai devagar, Scorpius, assim não sobra música! – Falou Lílian. - Can you dance the Hippogriff? Ma, ma ,ma ,ma, ma,ma,ma flyin' off from a cliff, ma, ma ,ma ,ma, ma,ma,ma.

Depois que terminaram a música, a incentivo de Scorpius, que estava cansado e necessitado de um banho, subiram para a sala comunal. Lílian e Rose ainda cantarolavam Do The Hippogriff e os outros foram andando.

- E aí, como foi o treino? – Perguntou Juliet.

- Foi ótimo. – Disse Lílian.


Ficaram todos conversando a respeito do jogo até tarde, quando finalmente foram para o dormitório, em volta das onze da noite. Scorpius e Rose ficaram sozinhos, conversando.

- E desde quando você gosta de mim? – Rose perguntou.

- Desde o primeiro ano. E você.

- Desde o começo do ano. – Ela sorriu, envergonhada. – Mas isso não importa, eu já gosto de você suficiente.

Os rostos dos dois foram se aproximando, se aproximando, até que ouviram a porta arrastar.

- Oi. – Falou Teddy Richards, completamente mau-humorado.

- Olá, Teddy. – Disse Rose. Scorpius ainda estava de braços cruzados olhando feio
pro menino.

Os três ficaram em silêncio por dez minutos, até que Scorpius perdeu a paciência e foi para o dormitório. Teddy sentou no lugar onde o garoto estava.

- É incrível que você não tenha percebido. – Ele falou.

- Do que você está falando? – Perguntou Rose.

- Você acha que foi ele quem te enviou a carta, não é, Weasley? Se enganou, quem enviou fui eu.

Rose arregalou os olhos e ficou parada.

- Não se assuste, é normal. O problema é que você talvez seja lenta pra perceber que desde que eu entrei na escola que eu gosto de você, e eu sempre achei que um dia pudesse ter chances, mas você prefere o idiota do Malfoy, é isso que acontece. Você achava que eu gostava da Lílian? Pois eu não gosto, eu só ficava perto dela porque assim teria uma desculpa de estar perto de você.

- Eu sinto m-muito. – Falou Rose, embaraçada.


- Não sente nada. – Ele falou. – Se você soubesse antes ia gostar do patético do Malfoy do mesmo jeito.

- Não ouse falar mal dos meus amigos, seu idiota! – Falou uma voz atrás dele.
Rose virou e viu Lílian. Estava furiosa, e lágrimas de raiva marejavam seus olhos verdes.

- A culpa não é da Rose se ela gosta do Scorpius, até porque ela não pediu pra ser assim. Veja eu mesma, eu gostava de você, e nunca pedi pra que isso acontecesse. Agora faz um favor? Sai da minha frente, seu imbecil, antes que eu quebre a sua cara! – Ela falou.

- Ops. – Murmurou Rose, prendendo uma risada.

Teddy levantou, com uma cara feia, e foi marchando até o dormitório.

- Senta aqui, Lílian. – Disse Rose, apontando para uma cadeira próxima. Lílian sentou.

- Esse idiota, patético, imbecil, ridículo, arrogante...

- É, põe tudo pra fora. – Rose sorriu.

- Eu não sei como eu pude gostar dele. – Ela enxugou uma lágrima. – Agora meus olhos estão ardendo por causa desse...

- Eu tenho um colírio, toma. – Rose tirou um colírio de dentro de uma gaveta da escrivaninha.

- Obrigada. – Lílian falou, e colocou duas gotas em cada olho.


Ficaram em silêncio por alguns minutos.

- Eu sinto muito, Lílian. – Rose disse.

- Nada, Lílian, a culpa não é sua. Fui eu que resolvi gostar daquele monte de bosta.

Rose sorriu.

- Até assim você me faz rir, sua boba. Tá ok, eu vou te contar o meu segredinho. Eu
tenho um vira-tempo.

Lílian levantou a cabeça depressa, estava totalmente descabelada, os olhos vermelhos e o rosto molhado.

- Sério?

- Seríssimo. Minha mãe me deu quando eu era segundo ano, bem, ela achou que
podia ajudar. Eu nunca usei a não ser pra ver várias aulas, mas talvez um dia eu precise.

Rose tirou uma correntinha de dentro da jaqueta, era realmente um vira-tempo.

- Uau! – Falou Lílian. – Isso é ótimo!

- É mesmo... Bom, agora, se você me permite, eu vou dormir, tá? Força, Lí.

Rose levantou, deu um beijo na testa de Lílian, e foi para o dormitório.


But can you feel this magic in the air?
It must have been the way you kissed me
Fell in love when I saw you standing there
It must have been the way
Today was a fairytale
It must have been the way
Today was a fairytale

Today was a fairytale
You've got a smile that takes me to another planet
Every move you make everything you say is right
Today was a fairytale
Today was a fairytale
All that I can say is now it's getting so much clearer
Nothing made sense until the time I saw your face
Today was a fairytale


A música ecoava fortemente por todo o dormitório. Rose quase ensurdeceu quando abriu a porta.

- O QUE É ISSO? – Ela gritou, para que alguém a escutasse.

Diana Finnigan estava com o aparelho de som (que Rose deduziu ser a fonte do barulho) sobre a cama, ela pulava como louca.

- DIANA! BAIXA O VOLUME, POR FAVOR! – Ela gritou mais alto, mas Diana não escutou.

Rose puxou a varinha, apontou para a varinha e falou, mas Diana ainda assim não escutou. Ela foi até a cama de Diana, o chão estava tremendo, tudo vibrava, então
ela foi até o rádio e o pausou.

- Você tá ficando surda? – Rose perguntou.

- Deixa, é a minha música preferida! – Diana fez um bico.


- Diana, você vai ficar surda e deixar todo mundo surdo também!

- Ah, Rô! É Today was a fairytale, é minha música preferida! - Diana caiu sentada na cama.

- Tá, que seja, mas usa pelo menos um fone de ouvido!

- Não, se não eu fico surda.

- Então você escuta baixo, que tal? Mas me fala, quem é o príncipe do seu fairytale?– Rose sorriu.

- Lendo pensamentos, é?

- Não, acho Legilimência um baita golpe baixo...

- Ah, eu tô gostando de um menino, sabe?

- Quem, Diana?

- Não vou contar, e também você não conhece.

- Beleza, então eu vou dormir. Até amanhã, e vê se não liga esse som mal assombrado de novo.

- Ok.

Rose deitou na cama, mas a música não saía de seus ouvidos. Ela conhecia a música, a cantora era a preferida de Lílian. Today was a fairytale; You've got a smile that takes me to another planet…


A semana seguinte ocorreu normalmente. O treino de quadribol da Grifinória foi muito bem sucedido, Lílian parecia ter esquecido o que tinha acontecido com Teddy Richards, e Rose tinha se viciado nas músicas da Taylor Swift.

- É estranho. Eu nem ligava, agora nem sei o que seria de mim sem essas músicas. – Rose sorriu.

- O mesmo aconteceu comigo, Rose. Será que essas músicas tem ilusionismo?

- Não tem como, ela é trouxa, não?

- É. Mas algum fã poderia ter encantado as músicas.

- Lílian e o mundo da imaginação. Menos, tá?

- Mas pode ter acontecido...

- E eu também posso ser a Cinderela, e aí?

- Quem é Cinderela, Rose?

- Historinhas infantis de trouxas.

- Que sem graça.

- Eu só lembro de você, bem no mundo da fantasia ela, sabe? Você ser uma
doméstica escrava e sonhar com o príncipe encantado?

- Bem parecido com você, Rose.

- Que parte de “menos, tá?” você não entendeu?

- Mas é! Você é de uma família não muito rica e achou seu príncipe encantado!

- Agora deu... A parte do príncipe encantado foi a única que salvou. – Rose deu um
sorriso.


 

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