Aquilo que Chamam Amor



'You revealed a world to me and I would never be
(Você revelou um mundo para mim e eu nunca ficaria)
Dwelling in such hapiness your gifty of purity
(Vivendo em tanta felicidade, seu presente de pureza)
Eh-ee-oh, eh-ee-oh, eh-ee-oh
Ahh, you and me it will always be
(Ah, sempre existiremos, eu e você)
You and me forever be
(Para sempre existiremos)
Eternally it will always be you and me
(Eternamente, sempre será eu e você) *You and Me- Cranberries

Gina sentiu a luz do sol em seu rosto, e se virou resmungando. Um vento fresco de verão entrou, a deixando arrepiada, e ela se encolheu embaixo dos lençois. Foi quando abriu os olhos e viu a porta da sacada do quarto aberta, deixando uma manhã de sol, fresca e clara entrar pelo quarto. Então, seus olhos encontraram outra coisa, que a deixou de boca aberta, e ela se sentou rapidamente. A toda sua volta, por todo o quarto, em vasos no chão, nos armários, móveis, estantes, cadeiras, estavam flores. De todos os tipos, cores e tamanhos, espalhadas pelo quarto como um jardim. Haviam rosas, tulipas, margaridas, girrasois, crisântemos, copos-de-leite, bocas-de-leão. Flores que ela não conhecia o nome, e algumas que ela jamais havia visto.
Maravilhada, ela se levantou enrolada no lençol. Apenas uma pessoa poderia ter comprado tantas flores, para espalha-las no quarto do hotel. Tomando cuidado para não derrubar nenhum vaso, Gina começou a procurar Draco. Mas, ele não estava no banheiro, nem na pequena sala, e ela até arriscou espiar o corredor, mas não o encontrou em parte alguma. Inquieta se sentou na cama, tentando se acalmar e não pensar naquilo que mais temia. Que ele havia ido embora, definitivamente.

"Agosto de 1995, Grimmauld Place
Gina estava sentada na sala de estar, comendo os sanduiches que sua mãe havia preparado para todos, depois da exaustiva batalha contra as Doxys. Da onde estava sentada podia ver perfeitamente bem, Harry e Sirius, que continuavam a conversar em frente a tapeçaria da árvore dos Black. Ela já não sentia mais constrangida na presença de Harry, logicamente ainda gostava dele, mas não era mais a mesma coisa. Ficar com ele não era algo que desejava, ou que estava tentando conseguir. Era uma coisa que se acontecesse ótimo, se não, tudo bem, ela já ficara tanto sem ele que não faria diferença.
_Você é relacionado com os Malfoy!- a voz de Harry soou alta e surpresa. Mas, não foi isso que fez o coração de Gina disparar. Fora o nome Malfoy. Ela se lembrou imediatamente de Draco e sua atual 'simpatia' por ele.
Não havia solução, ela gostava dele e pronto. Havia pensado nisso desde o fim das aulas, desde que o beijara. Sabia que era errado, ele provavelmente a desprezava como toda sua família, a própria família de Gina preferiria vê-la morta do que com ele, aquilo que sentia por ele só traria desgraças, e no remoto caso deles terem um relacionamento, este apenas seria um motivo de desgosto para todas as outras pessoas, e provalvelmente uma fonte inesgotável de problemas. Era bom que ele não sentisse o mesmo por ela, porque Gina sabia que se ele a gostasse dela também, não haveria família, Você-Sabe-Quem, e nem guerra que pudesse separa-los.
"Oh, " ela pensou tristemente " estou com um grande problema."

Roma, atualmente
Foi quando Gina viu em sua mesa de cabeceira o vaso, com as flores que jamais iria esquecer.
_Amor-Perfeito.- murmurou, e viu que em meio as flores, havia uma carta.
Tremendo e com lágrimas nos olhos, Gina pegou-a e a abriu, reconhecendo a letra elegante e firme de Draco.
'Gina,
tive que sair mais cedo para resolver um negócio, que você vai descobrir mais tarde. Volto para darmos um passeio e almoçar. Espero que tenha gostado das flores, eu não sabia qual era seu tipo preferido, então comprei todas que encontrei. Feliz Aniversário e não se meta em problemas.
Draco'
Gina riu, ele ia voltar! Suspirou alivida, e foi quando seus olhos caíram na última linha da carta. Seu aniversário, 11 de Agosto, havia se esquecido completamente! Logo ela, a aniversariante. 'Mas, ele não esqueceu', ela sorriu feliz. "Só porque ele não a ama do jeito que acham que o amor deve ser, não significava que ele não me ame com todas as suas forças."

Draco andava pela cidade distraído, na volta para o hotel. Sorria apenas de imaginar a expressão no rosto de Gina quando acordasse e visse todas as flores. Era uma pena que não pudesse chegar lá a tempo de vê-la, mas tinha outras coisas para resolver. Aquela ruiva! Só ela mesmo para faze-lo ficar daquele jeito. Lembrava-se com um certo frio na barriga a primeira vez que percebera o efeito que ela causava nele, e não fora nada agradável.

"Setembro de 1995, Estação de Hogsmeade
Gina acabava de descer do trem, com Bichento no colo, ao lado de Harry, quando sentiu alguém a puxando para o meio da multidão, e então para o outro lado do trem, que estava vazio. Assustada, viu com alívio que era Draco. Bichento fez um barulho agudo ao ver o loiro, mas este o ignorou.
_Oh, Malfoy, mas que susto!- ela murmurou - Que foi? Por que está bravo? Não foi porque eu ri no vagão, junto com os outros, foi? Me desculpe, mas não tinha como eu...
_O que você fez comigo, Weasley?- ele perguntou furioso.
_Como assim, o que eu fiz com você?
_Eu não consegui parar de pensar em você as férias inteiras! E isso tem que ter uma explicação lógica. Então, qual foi a maldita poção que você me deu?- ele exigiu saber. Ela tinha que falar, eles estavam ali sozinhos, ela não tinha como escapar, ele estava na sua frente, e a suas costas havia o trem. Eles estavam muito próximos, as mãos de Draco nos ombros dela, ele podia sentir a respiração dela em seu rosto.
_Eu não te dei nada.- ela disse indignada, então sua boca sorriu levemente.- A não ser aquele beijo em junho.
_Então, que feitiço, ou o que seja, que você pôs naquele beijo?
Ela revirou os olhos, deixando-o irritado. O que ela achava que estava fazendo ali? Brincando?
_Malfoy, pode parar com isso.- ela o afastou irritada, o gato em seu colo fazendo mais barulho, parecendo irritado também.- O que tem de errado nessa história toda, é que você não consegue admitir para si mesmo que também gosta de mim. Agora, é melhor me deixar ir, seus amiguinhos estão vindo aí.- e com isso ela virou de costas e foi embora, deixando-o estupefado.
Draco se aproximou de Crabbe, Goyle e Pansy, empurrando mal-humorado os alunos mais novos, na volta para a estação. Sem uma palavra, os outros três o seguiram pela estação lotada, quando um tímido aluno, aparentemente do primeiro ano, entrou direto em seu caminho, com uma gaiola de coruja maior que ele, no colo.
_Saia da frente pirralho, se não quiser uma detenção antes de ter uma visão do castelo!- Draco gritou.
_Malfoy!- uma voz indignada o chamou, e por um instante ele acreditou ser Gina, mas era apenas Granger. - Pare de ser um idiota, deixe-o em paz.
O menino saiu correndo assustado, sumindo de vista.
_Vá procurar o que fazer, sangue-ruim.- ele respondeu, virando de costas e sendo seguido pelos outros que riam, pouco se importando com o olhar fuzilante que a Grifinória lhe mandava. O problema é que as palavras de Gina não paravam em sua cabeça, e o sentimento de que ela pudesse estar dizendo a verdade, não facilitava em nada as coisas.
Aquela noite Draco não conseguia dormir. Ficava virando de um lado para o outro na cama, ouvindo os roncos de Crabbe e Goyle. Sem suportar mais a situação, Draco se levantou e foi se sentar em frente a lareira com o fogo meio apagado, no Salão Comunal da Sonserina. Mesmo agora, de volta a Hogwarts, ele não conseguia parar de pensar nela. Aquilo o estava enlouquecendo! Ficou de pé, andando de um lado para o outro, pensando em como poderia resolver aquela situação. Talvez uma poção do esquecimento?
_Que droga, vai dormir!- uma voz rabugenta chamou a atenção de Draco.
Ele se virou assustado, mas era apenas o quadro de um velho bruxo, com nariz de batata, que parecia sonolento.
_Se eu pudesse dormir, não estaria aqui de pé.- Draco resmungou de volta.
_Mas, este não é o caso de acordar todo o castelo! Se não pode dormir, problema seu.
_E aparentemente seu também, porque eu não vou a lugar nenhum velhote.- Draco resmungou.
O velho suspirou, fechando os olhos e encostando a cabeça na moldura do quadro. Draco continuou andando de um lado para o outro, perdido em pensamentos, foi quando ouviu o velho bruxo resmungar novamente.
_E qual é o seu problema, filho, para ficar aqui embaixo desse jeito?- o quadro perguntou.
_Você quer me ajudar?
_Se isso for me dar uma noite tranqüila de sono, sim.
Draco ia responder que o problema era dele, e que mesmo com nariz daquele tamanho, não era para um quadro se intremeter na sua vida. Mas, quando abriu a boca se calou. Talvez aquele quadro pudesse ajuda-lo, ele já devia estar ali a séculos, pelo estado da pintura. Já devia ter visto muita coisa, e de qualquer jeito ele, Draco, não tinha nenhuma outra idéia.
_Bem, eu preciso de um conselho.- ele disse constrangido, se sentando em uma poltrona.
_Que seja! Que tipo de conselho quer, filho?
_É que tem uma maldita ruiva que não sai da minha cabeça! Quando estou com ela eu me sinto feliz! Quando ela me beija ou fala comigo eu não sei o que fazer. Tudo fica tão confuso, meu peito parece que vai explodir!
_E você quer beija-la?
_Sim!
_Abraça-la?
_Sim.
_Faze-la a mulher mais feliz do mundo?
_Que maldição, sim!
_Então, você está ferrado, filho.- o quadro respondeu, sacudindo a cabeça.
_Que tipo de conselho é esse?
_Você está apaixonado.
_Eu? Apaixonado? - Draco riu, seu coração pesado.- Você deve estar brincando.
_Não. Isso pode acontecer com qualquer um. Agora, boa noite.
_Não comigo.- Draco assegurou.
_Tudo indica que aconteceu. Agora vai dormir.
_Mas, o que eu faço?- Draco perguntou desesperado.
_Fique com ela, e a faça feliz.- o quadro respondeu, desaparecendo por trás da moldura.
_Belo conselho, eu ficar com uma Weasley, e faze-la feliz.- Draco murmurou bravo.- Obrigado por nada, quadro estúpido!
A verdade é que gostava mesmo dela, começava a perceber. E pior, agora que sabia o quanto, não conseguiria ficar longe dela. A vida era mesmo injusta."

Roma, atualmente
Draco estava tão distraído andando na rua, se lembrando de seu quinto ano, que quase trombou em uma pessoa, parada no meio da calçada.
_Aonde vai tão distraído, Draco?- uma voz conhecida perguntou, e o coração de Draco pareceu parar.
Blaise Zabini estava parado na sua frente, sorrindo de uma maneira ironica, os olhos olhando-o como se rissem.
_Blaise? O que faz aqui?- Draco perguntou, uma sensação amarga em sua boca.
_Eu vim para a reunião.
_Reunião, que reunião?
_Não está sabendo? Por onde tem andado, Draco? Se divertindo nos pontos turísticos de Roma, enquanto caça a pequena Weasley?- mas, felizmente Draco não teve que responder, pois Blaise, rindo da própria piada continuou falando.- O Lord das Trevas achou mais seguro reunir os Comensais aqui em Roma, ao invés de Londres. Sorte sua já estar aqui, se não perderia a reunião.
_Sorte mesmo.- Draco murmurou por entre dentes. De todas as cidades do mundo, nas quais ele podia se reencontrar com Gina, ele fora parar bem na que servia de ponto de encontro de Comensais da Morte.- Então, quando vai ser essa reunião?
_Você vai descobrir.- Blaise respondeu misterioso.- A Marca Negra vai te avisar. Bem, tenho que ir andando Draco, coisas para resolver. Talvez devessemos marcar alguma coisa?
_Difícil.- Draco respondeu, saindo do transe em que pensava do seu azar - Ainda estou procurando a Weasley, ela é mais difícil de se encontrar do que parece.
_Uma mulher Weasley, te dando trabalho? Draco, você deve estar fora de forma mesmo.- Blaise riu com gosto.- Mas, então qual o nome do hotel onde você está?
_No momento? Nenhum. Estou dormindo pouco, em qualquer lugar. Bem, preciso ir também, Blaise. Rastros novos. Adeus.
_Adeus? Nós vamos nos rever, lembra? E muito em breve.
Draco acenou com a cabeça e continuou andando, sem olhar para trás. Então, estava havendo um encontro de Comensais em Roma? Deveria avisar Gina, para ela ir embora? Mas, se ela fosse, jamais se veriam novamente. Além disso, era o aniversário dela, não podia contar. Depois de tudo que preparara para ela. Mas, se ela estava em perigo? Não, iria protege-la pelos próximos dois dias restantes, e a mandaria embora, ficando para trás. Ele saberia como cuidar dela, como sempre o fizera nos últimos anos.
Ele demorou mais tempo para chegar ao hotel. Dando voltas inúteis, e entrando em lugares sem razão, apenas queria ter certeza que não estava sendo seguido. Só depois de muito andar, quando estava se aproximando da hora do almoço, foi que ele tomou o caminho de volta para o hotel, ainda em dúvida do que fazer.

Gina, no quarto, esperava de banho tomado, deitada de barriga para cima da cama. Ela não estava muito preocupada com o horário, ele dissera que chegaria ao meio-dia, estava um pouco atrasado mais tudo bem. Ela confiara nele, ele nunca a decepcionara. "Exceto...." ela pensou, mas sacudiu a cabeça, pensando em uma lembrança muito mais alegre.

"Setembro de 1995, Biblioteca de Hogwarts
Gina revirava a biblioteca em busca dos livros que pudessem ajuda-la a completar os seus velhos e rasgados. Do lado de fora da janela, a chuva caia sem parar. Com um sorriso, lembrou-se que fora ali mesmo, na Biblioteca, que Draco a havia ajudado pela primeira vez. Draco... ele parecera tão confuso e bravo na noite anterior. Mas, ele dissera que não deixara de pensar nela as férias inteiras! Ela sorriu, feliz.
Então, as palavras do chapéu seletor, encheram seus ouvidos. Na música de boas-vindas, ele dissera que era todos deviam ficar unidos novamente, Sonserina e Grifinória principalmente. Mas, não era isso que ela estava tentando fazer, desde o ano anterior? E tudo o que ela conseguira fora brigar com Draco. Draco... se ela não parasse de chama-lo assim, acabaria se apaixonando cada vez mais por ele. Ela riu, pelo menos o Chapéu Seletor aprovaria. 'Ótimo, tudo o que tenho ao meu lado é um pedaço de pano sujo e velho, contra toda a minha família e amigos. Boa escolha, Gina.' pensou frustada.
Foi quando ouviu alguém se aproximar e para sua surpresa viu que era Draco. Ele se aproximou, parecendo contrangido, encarando o chão.
_Oi.- ela cumprimentou, fingindo indiferença, mas com medo que ele ouvisse seu coração batendo com toda a força, em seu peito.- Resolveu voltar a falar comigo, mesmo depois de ontem?
_Eu precisava de um tempo para pensar.- ele repondeu, então a olhou nos olhos. O coração de Gina disparado de expectiva.- E agora?
_Como assim e agora?- ela perguntou.
_Nós?!- ele gritou, então voltou a sussurar com medo que alguém tivesse ouvido.- O que nós fazemos agora?
_Nós? Existe um nós?- ela perguntou, mal contendo um sorriso. Ele queria dizer o que ela achava que ele queria? Que estava disposto a ficar com ela?! Oh, a vida podia ser melhor? Definitivamente não.
_Suponho que sim, você me beijou, não foi? - ele perguntou, parecendo preocupado.
_Oh, Draco.- ela sorriu, o abraçando sem conseguir se conter mais. Por um segundo ele ficou parado, como se o choque tivesse sido grande demais e o tivesse matado, então ela sentiu uma mão acariciando seus cabelos, parecendo sem jeito.
_Acho que estamos ferrados.- ele riu e ela riu junto, o soltando.- E agora, fazemos o quê? Aonde vamos?
_Nada, mas estamos juntos. - ela sorriu, se afastando.
_É isso? -ele perguntou, parecendo espantado.
_Esperava o quê? Uma festa?- ela sorriu.- Saber que estou apenas com você, não é o bastante?
Ela podia jurar que vira um sorriso nos lábios dele, por um instante. Ele concordou então com a cabeça e se virou.
_Draco! - Gina o chamou - Eu não sei quanto a você, mas acho melhor guardarmos segredo sobre isso. Sabe, para evitarmos algumas mortes e uns problemas.
_Tirou as palavras de minha boca.- ele sorriu, mas foi muito rápido, virando de costas e indo embora.
Naquela mesma tarde, Gina andava pelo corredor de Feitiços, acompanhada por algumas amigas, quando de repente viu Draco se aproximando pela outra ponta do corredor. Gina o encarou, com o coração disparado, mas ele nem pareceu nota-la. "O que você esperava, Gina? Um sorriso, no meio do corredor lotado? Não se esqueça ele aceitou ficar com você, mas você ainda é uma Weasley, e ele um Malfoy." ela pensou tristemente, foi quando ele levantou os olhos e a encarou por um segundo, e ela pode perceber um brilho estranho nos olhos dele, como se estivessem felizes de vê-la. Ela sorriu, passando para perto dele, então sem aviso, trombou com ele com força. Os livros dos dois cairam no chão em uma enorme confusão. E quando se abaixaram para recolhe-los Gina sussurou:
_Embaixo da ávore, na beira do lago, depois das aulas.
_Ok. - ele respondeu, então se endireitou, e gritou - Olha por onde anda, Weasley!
_E você também, Malfoy. Tem dois olhos assim como eu!- ela gritou, ainda recolhendo os cadernos no chão. Foi então que viu os lábios de Draco em um leve sorriso, que se desfez quando ele gritou:
_Grificória cega!
_Oh! - ela fingiu estar indignada- Sonserino idiota!- e saiu correndo pelo corredor, as amigas xingando Draco revoltadas.
As aulas haviam acabado não fazia nem 5 minutos, e Gina já estava embaixo da árvore. Como imaginara, por causa da chuva e da lama, os jardins estavam vazios, e por isso, seguros. Do Castelo seria impossível reconhece-los, além do mais, eles tinham a árvore e alguns arbustos como esconderijo. Ela observava as gotas caindo das folhas, imaginando se ele viria realmente.
_Olá, Gina.- ela ouviu a voz dele, quando ele se sentou a seu lado. Ela percebeu que fora a primeira vez que o ouvia falar seu nome, e corou, subtamente envergonhada.
_Oi, Draco. - ela respondeu, e com toda a coragem que possuia apoiou a cabeça no ombro dele. Podia ver o reflexo dos sapatos de ambos no lago, e subtamente se sentiu em uma feliz paz. - Onde estão os armários ambulantes?
_Comendo. - ele falou, sem reclamar que ela estava apoiada nele. - Por que marcou esse encontro?
_Me conte como foi o seu dia. - ela pediu. Tinha tantas coisas que precisava descobrir sobre ele, coisas que nunca havia perguntado. E ainda assim parecia conhece-lo desde sempre.
_Tive um monte de aulas chatas, um encontro com outros monitores, assustei alguns pirralhos da Lufa-Lufa. Nada demais. E você?
_Basicamente a mesma coisa, sem a parte do terror psicológico em crianças, claro.
_Você Grifinórios são tão... - ele suspirou - Caridosos. - ela riu dele.- Verdade. Meu dia não foi muito interessante.
_Tudo bem, eu não vim aqui para saber sobre o seu dia mesmo.- ela deu de ombros.
_Não?
_Não. Eu vim para ficar com você.- ela segurou a mão dele.- Senti a sua falta.
Ela pode sentir a mão dele tremer, mas então ele a apertou com delicadeza, e ela entendeu que ele também sentira sua falta.
_Você acha que vai dar certo?- ele perguntou de repente.
_Eu não sei.- ela respondeu sinceramente.
_Somos tão diferentes...
_E apesar disso estamos aqui.
_Mas, você é uma Weasley e eu um Malfoy! Eu sou da Sonserina e você da Grifinória, meus pais são Comensais da Morte e os seus lutam ao lado de Dumbledore, temos opiniões e valores totalmente contrários! Como poderia dar certo?
_Bem, eu sendo eu mesma e você, você mesmo. Apenas Draco e Gina. Nada de Weasley e Malfoy, ou Grifinória e Sonserina. Apenas vamos ficar juntos, e preferencialmente nunca fazer um jantar de familía, se você tiver amor a própria pele. Além do mais, minha mãe sempre disse 'Não importa quem você ame, desde que ame.'
_Ela não vai poder reclamar então.- Draco falou.
_Mas, eu não sei se isso inclui você, só para avisar. "

Roma, atualmente
Gina ouviu uma batida na porta e correu para abri-la. Viu Draco ali parado, começando a esboçar um sorriso. Só que não houve tempo, ela pulou no colo dele, ele espantado a segurando, e o beijou. Ele, tateando a porta, de olhos fechados, entrou no apartamento agradecendo mentalmente a idéia das flores, enquanto a beijava.
_Oh, Draco, obrigada!- ela exclamou feliz, decendo do colo dele. Ele soltou um muxoxo, talvez se tivesse comprado chocolates também, ela não teria parado apenas no beijo.- Onde você estava?
_Resolvendo algumas coisas. - ele respondeu desviando o olhar, não queria contar a ela o encontro com Blaise.- Feliz Aniversário, Ginevra.
_Oh, você sabe que detesto quando me chamam pelo meu nome.- ela reclamou.
_Está pronta para o almoço? - ele perguntou, pondo a mão no bolso, sentindo uma pequena caixa de veludo ali.
_Pronta e faminta. - ela exclamou, puxando-o para fora do apartamento.
_Onde você quer comer? - ele perguntou.
_Qualquer lugar. - ela respondeu, dando o braço para ele. Quando ele estava por perto, nunca prestava atenção na comida mesmo.
Ele não fez qualquer movimento. Era tão bom tê-la ali a seu lado, sentia como se pudesse fazer qualquer coisa por ela. Era péssimo para demonstrar isso, não conseguia falar sobre aquilo, era como se fizesse algo incrivelmente estúpido. Por isso, pensava levemente envergonhado, preparava tantas surpresas. Para que ela conseguisse entender como era importante para ele, mesmo que ele não conseguisse dize-lo.
Eles deixaram o hotel, no meio da multidão de italianos e turistas. Ele olhava em volta preocupado, a cada esquina parecendo avistar um Comensal da Morte. Se alguém os visse, mesmo que apenas visse, ele já podia se ocnsiderar morto. E ela... não conseguia nem pensar.
_Relaxa.- ela sussurrou no ouvido dele, entrelaçando os dedos nos dedos dele.- Você está muito tenso, para uma tarde ensolarada na Itália.

"Setembro de 1995, Castelo de Hogwarts
_Olá. - Gina se aproximou animada, mas estava sendo ironica.
_Oi.- Draco a cumprimentou, tentando esconder um sorriso.
Os dois haviam se encontrado, por acaso, em uma passagem vazia atrás de uma tapeçaria.
_Eu te vi hoje de manhã.- Gina falou tentando controlar a voz.- Enquanto voltava de Herbologia, vi você entrando no Castelo.
_Estava voltando daquela estúpida Aula de Criaturas Mágicas. Nem sei como fui parar naquela droga!
_Você não estava sozinho. Seus amigos com muffins no lugar de cérebro estavam lá, com você. Só que dessa vez tinha uma garota também. A Parkinson, se não me engano. Ela estava pendurada e babando em você, soltando mais umidade pela boca, do que esse maldito clima!
Draco sorriu para ela, já faziam 2 dias que não parava de chover.
_Que foi?- Gina perguntou preocupada ao ver a expressão dele, erguendo as sombrancelhas.
_Estamos em nosso segundo dia juntos, e você já está com ciúmes?- ele cruzou os braços erguendo uma sobrancelha.
_Eu não estou com ciúmes!- ela exclamou, envergonhada.
_Tudo bem.- ele se aproximou, ainda sorrindo daquela forma tão... charmosa. - Eu gosto da idéia de ter duas meninas brigando por minha causa.
_O quê? Não é por sua causa. - mas, ela não pode continuar. Ele estava perto demais, e os olhos dela correram para a boca dele, sem que ela pudesse se controlar. Ele a havia empurrado contra a parede, as mãos dele apoiadas na parede atrás dela.
_Gosto da idéia.- ele continuou.- Especialmente, quando uma delas é você, Ginevra Weasley.
E se apoiando mais para a frente, a beijou. Gina sentiu-se erguer nas pontas dos pés, puxando-o pelo pescoço para beija-lo melhor. 'Merlim,' ela pensou ' tudo valeu a pena por esse beijo.' "

Roma, atualmente
_Se você continuar com essas surpresas, Draco, eu vou ficar mal acostumada.- Gina riu, segurando as mãos dele, que tapavam seus olhos. Haviam saído do restaurante onde almoçaram e Draco a aparatara em algum lugar, quente e bem ensolarado.
_É bom saber disso.- ele respondeu - Mas, por essa aqui talvez valha a pena. Abra os olhos.
Ela abriu, e seu fôlego sumiu em sua garganta. Ela podia ver o céu azul a sua frente, e embaixo a cidade de Roma. As ruas estreitas, as casas e Igrejas antigas, o Fórum Romano que ela visitara com Draco, as pequenas pessoas que passeavam. E atrás de si, uma enorme arquibancada, que dava para um pátio em ruínas, onde no subsolo, havia uma labirinto. Ela estava no ponto mais alto do Coliseu, onde um dia, uma estátua romana estivera.
_Uau!- ela exclamou.
_Legal, não é?- Draco perguntou simples, as mãos nos bolsos.
_Legal? Draco, acabei de me apaixonar de novo.
_Como assim?- ele perguntou com as sombrancelhas franzidas, de uma maneira tão indignada que ela não pode deixar de sorrir.
_Com a vista, Draco. - ela explicou, paciente.-Você é o único ser-humano que eu amo.
Ele não respondeu, mas sua expressão suavisou um pouco.
_Então, gostou?- ele perguntou.
_Decididamente.
_Era um dos meus lugares favoritos daqui.
_E qual é o seu favorito?
_Você vai descobrir. - ele riu, a puxando para perto.- Um dia.
_Você adora me matar de curiosidade.
_Decididamente. Você fica mais bonita, me olhando assim.- ele sorriu, a beijando.
Ela o beijou de volta, naquele lugar tão perto do céu azul, erguendo um dos pés. Ela faria qualquer coisa por ele, decididamente.
_Draco. - ela interrompeu o beijo, notando algo.
_Que foi?- ele perguntou como se reclamasse da interrupção, os olhos ainda fechados.
_Nós podíamos estar aqui?
_Não tecnicamente.- ele respondeu dando de ombros.- Mas, quem se importa?- e a beijou de novo.

"Outubro de 1995, Bar Cabeça de Javali
Enquanto esperava na fila, para assinar o papel de participação, do grupo de estudo de Defesa-Contra-as-Artes-das-Trevas, Gina se aproximou de Hermione, que olhava ansiosamente para as pessoas, conferindo quem assinava o pedaço de pergaminho.
_Hermione, por que temos que assinar isso?- Gina perguntou desconfiada, conhecia Hermione bem demais, e sabia que ela não pareceria tão ansiosa à toa- É só para saber que participou ou algo mais?
Hermione olhou em volta, para se certificar que ninguém estava olhando. Então, se aproximou de Gina, cochichando:
_Você guardaria um segredo?
_Claro.- Gina respondeu curiosa.
_Eu... bem. - Hermione disse torcendo as mãos.-Eu pus um feitiço no pedaço de pergaminho. Se alguém contar qualquer coisa para outra pessoa, não pertencente ao grupo, algo horrível vai acontecer.
_Horrível como?- Gina perguntou, aliviada de ter descoberto aquilo, antes de correr para o Castelo, e contar para Draco tudo o que havia acontecido no cabeça de Javali.
_Ah, vamos dizer que faria com que suas sardas parece apenas que você passou blush. Mas, por que pergunta?
_Nada.- Gina respondeu apressada, fazendo cara de pouco interesse.- Dá licença, vou ver se o Miguel já assinou o nome dele.- e saiu correndo.
Naquela noite, ele e Draco estavam escondidos dentro de uma lareira, em uma sala vazia. Ali, podiam ficar escondidos até dos quadros. Ela contou tudo para ele sobre o que acontecera no Bar Abeça de Javali, inclusive sobre a conversa com Hermione, e ele perguntou confuso:
_Então, como você acabou de me contar tudo isso, e não aconteceu nada com você? - ele perguntou, checando o rosto dela.
_É que eu trapaciei.- ela sorriu segurando as mãos dele.- Pedi ao Miguel para assinar o papel para mim. Então, meu nome está lá, na lista, mas como não fui eu quem assinei, o feitiço foi anulado. Acho que a Hermione não reclamou porque nunca imaginou que eu fosse contar para ninguém.- ela sorriu travessa.- Quero dizer, ela ama o meu irmão, e quando ia desconfiar de mim?
_Miguel, é? - Draco respondeu de volta.- Então ele estava lá com você?
_Nós combinamos que eu ia continuar com ele, e você com a Pansy, como disfarce, lembra?
Ele murmurou alguma coisa como se não quisesse concordar.
_Preciso ir.- ela falou, se levantando.
_Mas, você acabou de chegar. - ele disse, e ela notou um certo tom de mágoa na voz dele.
Ela se virou para ele, passando as mãos nos cabelos loiros dele.
_Eu volto.- sussurou, se aproximando para beija-lo.- Eu sempre volto para você."

Roma, atualmente
_Vamos descer?- ela perguntou empolgada.
_Descer?- ele murmurou - Para que, se está tão bom aqui?
_Draco, nós podemos ser pegos e... - ela falou, achando que teria que insistir com ele para se esconderem, mas ele a interrompeu.
_Tem razão, vamos.- e ele a desaparatou em um canto escondido do monumento.
_Não era bem o que eu tinha em mente... - Gina falou dando de ombros.
Draco não respondeu, se um trouxa os tivesse visto, esse seria o menor de seus problemas. Ele não queria era ser visto pelos Comensais da Morte. Ele os havia esquecido completamente. Era esse seu problema com Gina, ele sempre esquecia de todo o resto.
_E agora?- Gina perguntou.
_Vamos dar uma volta?- Draco perguntou, pondo as mãos nos bolsos, como quem não quer nada.- Lá embaixo.
_Uma ótima idéia.- Gina sorriu, pegando-o pela mão e o levando junto. Draco teve que tomar cuidado para não derrubar a caixinha que trazia dentro do bolso.- Achei que você não gostasse de lugares velhos e apertados.
_Mas, você está curiosa.- Draco se desculpou. - E é se aniversário.
"Além disso" ele pensou "Temos menores chances de sermos vistos lá."

"Outubro de 1995, Castelo de Hogwarts
_Ai!- Gina exclamou, rompendo o beijo. Ela pôs uma mão nas vestes, na altura do bolso, afastando o corpo;
_O que? Eu te machuquei?- Draco perguntou preocupado.
_Não. É algo no meu bolso.- ela reclamou, tirando uma moeda quente de dentro.
_O que é isso? Um galeão que esquenta?- Draco perguntou curioso.
_Não, é um galeão de aviso. A Hermione deu para a gente, da A. D. - Gina explicou, examinando a moeda.- Ela esquenta quando a próxima reunião é remarcada, está vendo os números? Eles informam o dia e a hora. Aí a gente não precisa sair por aí, procurando e avisando todos os membros, e não fica parecendo suspeito.
_Eu tenho que admitir que aquela Sangue... - ele parou de falar, por causa do olhar de Gina.- A Granger tem idéias interessantes.
_Quando é que você vai parar de usar expressão horrível? Bem, acho que admitir que ela é inteligente já é um avnaço.
_Um avanço muito grande, se quer saber.- ele respondeu puxando-a para perto de novo.- Provavelmente o máximo que vai acontecer. E aí, quando é a próxima reunião.
_Amanhã, às sete.
_Ótimo, assim temos mais tempo para nós, hoje à noite."

Roma, atualmente
Gina andava por entre as passagens secretas, no subsolo do coliseu. Haviam vários turistas ali, mas várias vezes ela tivera a sensação de caminhar um pouco no passado, em um canto esquecido pelo tempo, em um lugar onde haviam muitos gladiadores ainda andando, e onde a magia era mais temida do que atualmente.
_Esses trouxas são doentes, não? - Draco comentou, observando uma velha jaula.
_Bem violentos, se quer saber.- ela concordou.- Como podiam se divertir com lutas? Quero dizer, elas nunca são agradáveis.
_Especialmente quando se tratava da gente.- Draco respondeu, encostado em um velho pilar de pedra, olhando para o vazio a sua frente.
_O que quer dizer?- ela perguntou confusa.
_Apenas lembrando da nossa primeira briga, depois que começamos a namorar. Você se lembra?

"Novembro de 1995, Castelo de Hogwarts
_Que idéia foi aquela? - Gina gritou furiosa para Draco, pego de surpresa a caminho para o banheiro.
_O que foi que aconteceu, Gina? - ele perguntou espantado.
_O que foi?!- ela gritou, quase soltando fogo pelas narinas, mas ao mesmo tempo ele pode ver que seus olhos estavam cheios de lágrimas.- Além de ficar imitando meu irmão derrubando a Goles, pelos corredores do Castelo, você ainda escreve uma música horrível sobre ele! E a canta no meio de um jogo de quadribol, na frente de toda a escola!
_Me desculpe.- ele pediu arrependido, dando um passo na direção dela, mas ela se afastou.- Por favor, não chore. Eu não agüento te ver chorar.
_Se eu estou chorando, é por sua culpa! Eu bem que achei estranho aqueles seus crachás, mas a música! Por que fez aquilo?- ela perguntou, em uma voz que subtamente demonstrava apenas mágoa, e não raiva. Isso foi o que mais doeu nele.
_Eu não fiz!- Draco tentou explicar- Foram os outros sonserinos que deram a idéia! Mas, eu tentei adapta-la, da melhor forma possível! Com excessão do seu irmão, eu não deixei falarem mal de mais ninguém de sua família. Se você prestar atenção na letra, não tem nada que pudesse ofender sua famlía. Nada que pudesse te ofender.
_Mas, ofendeu. Eu ouvi sua conversa com o Harry. Você disse para ele que minha mãe era feia, que meu pai era um perdedor e...- ela engasgou, as lágrimas escorrendo livremente por seu rosto - e que nós Weasleys, cheiramos mal.
_Gina, eu não quis dizer você. - ele falou desesperado, entendendo finalmente a gravidade do que fizera.
_Só que eu sou uma Weasley também, Draco. Por mais que você queira esquecer isso.- e sem mais uma palavra, ela se virou e foi embora."

Roma, atualmente
_Me desculpe, eu fui um verdadeiro idiota.- ele respondeu, encarando o chão.
_Draco.- ela riu.- Isso faz tanto tempo, eu já nem me lembrava mais que nós brigamos por causa disso.
_É que foi a primeira vez que te vi chorar, que vi qualquer um chorar, e me importei. - ele respondeu, ainda encarando o chão.- Parecia que eu estava morrendo um pouco, também. Sei lá.
_Ei, você.- ela o chamou, erguendo seu rosto e olhando-o nos olhos.- Aquilo já não importa mais. Você me fez rir tantas vezes mais, do que me fez chorar. E com muito mais intensidade. Eu não tenho do que reclamar, do seu lado sempre fui e sou feliz.
_Deviamos ter nos encontrado em outro lugar.- Draco respondeu, olhando com desgosto as ruínas.- Aqui, nessa cidade velha, não tem nada mais do que ódio. Toda a história foi baseada em ódio, desde o início, assassinatos e ciúme.
_Vai ver que é por isso que estamos aqui, ela precisava de um pouco de amor. - Gina riu, o abraçando.- E isso temos de sobra. Porque, não sei quanto a você, mas me lembro exatamente como foi nossa reconciliação. E se não houve algo nele, isso foi ódio.

"Dezembro de 1995, Campo de Quadribol
Gina aterrisou a vassoura no campo. Já estava escurecendo, ela praticara quase a tarde inteira. E se quisesse realmente aquele lugar no time de quadribol da Grifinória, teria que praticar mais. Mesmo que gostasse da posição de artilheira, apanhador já seria alguma coisa. Alguma coisa com muita responsabilidade, já que tomava o lugar de Harry, que apenas perdera o pomo uma vez no terceiro ano, em um jogo.
Estava saindo do campo, quando viu que uma pessoa a observava das arquibancadas. Seu coração disparou ao reconhecer Draco, mas resolveu ignora-lo. Ele porém, correu e parou entre ela e a saída.
_O que você quer, Malfoy?- ela perguntou ríspida, com toda a coragem que possuia.
_Agora sou Malfoy para você?- ele perguntou, e ela notou um traço de tristesa em sua voz.- O que está fazendo aqui, a essa hora?
_Não é da sua conta.
_Já não nos vemos à três semanas.- ele falou ressentido, encarando o chão. A luz do pôr-do-sol refletindo em seus cabelos loiros.- Senti sua falta.
Ela não teve forças para falar nada. A verdade é que ignora-lo doía mais nela, do que gostaria de admitir. Também sentira falta dele, e muita. Depois que haviam começado o namoro em setembro, se viam todo dia, toda hora que podiam arranjar. E de repente, haviam se tornado dois estranhos novamente. Mal sabia como agüentara aquilo, a distância entre eles parecia uma coisa tão estranha e errada.
_Você me magoou muito. - ela falou, também encarando o chão.
_Sinto muito, de verdade. Já aprendi a lição, quando te vi chorar. Doeu duas vezes em mim, uma ao te ver chorar, a outra ao saber que você chorava por algo da qual fiz parte.
_Achei que você gostasse o suficiente de mim.
_E gosto!- ele gritou, olhando-a nos olhos, com uma intensidade que ela nunca vira antes.- Só que você estava certa, às vezes me esqueço que você é uma Weasley. Como tenho certeza, que também esquece que sou um Malfoy. Mas, nós sabíamos no que tinhamos nos metido, quando decidimos ficar juntos. Agora, o que devemos nos perguntar é se esse tempo que passamos juntos, valeu a pena, para continuarmos?
_Se nós dois estamos aqui, tendo essa conversa, - ela falou, o encarando - você tem alguma dúvida?
Ela viu o rosto dele se transformar, logo depois de suas palavras, no sorriso mais bonito e sincero que ela o vira dar até aquele dia. E largando a vassouras cair no chão, pulou no colo dele o beijando e abraçando.
_Por favor, fique comigo hoje.- ela pediu.
_Pois saiba que não vou a lugar nenhum, Gina.- ele sorriu."

Roma, atualmente
_Vamos para onde agora?- ele perguntou, sorrindo e pondo uma mexa do cabelo ruiva dela para trás da orelha.
_Eu não sei, não conheço nada aqui. O que é uma vantagem, dá pra dizer que cada lugar novo é uma surpresa.
_Então, já sei onde te levar.- ele sorriu.- Vem, vamos pegar um táxi.
_Você não podia achar um lugar mais perto para gente ir a pé?
_E você, não pode parar de reclamar?- ele riu.
_O reclamão sempre foi você, lembra?
_Não exatamente.

"Dezembro de 1995, Castelo de Hogwarts
_Draco! Draco!- ela gritou, correndo na direção dele, no corredor vazio.- Você não vai acreditar no que aconteceu!- ela disse afobada, derrapando para parar ao lado dele.
_Espera aí, ô sardenta.- ela falou, segurando-a apara não cair- O que aconteceu? Os centauros invadiram o Castelo, por acaso?
_Não! Eu entrei no time de quadribol da Grifinória! Vou ser apanhadora! Não é legal? Acabei de descobrir!
Mas, ele não se sentiu tão animado quanto ela, nem um pouco.
_Mas, isso significa que você estará jogando contra mim.
_Não exatamente.- ela continuou sorrindo.- O jogo Grifinória e Sonserina já foi, lembra? E aá, cadê o meu beijo de parabéns, junto com o 'Gina, você é a melhor'? - ela brincou.
_Não sei não, Gina.
_Ah.- ela revirou os olhos, o sorriso sumindo, e cruzou os braços. Aquilo era um mal sinal, ele sabia- Mal nos reconciliamos e você já vai bricar comigo por uma taça estúpida, muito obrigada!
_Não é isso!- ele se apressou em explicar- É que tenho medo que você se machuque, os apanhadores são sempre os que apanham. Quadribol é um jogo violento! E se você cair da vassoura, ou quebrar o pulso, ou...
Ela o interrompeu, tapando a boca dele com a mão. Então sorriu, abaixando a mão.
_Se é por causa disso, você não precisa se preocupar. Eu vou ficar bem, sei voar muito melhor que muita gente. - e o abraçou. Estava feliz que ao invés da taça, tudo o que ele podia pensar, era na segurança dela."

Roma, atualmente
_Foi uma boa idéia, não foi?- Draco perguntou.
Gina estava praticamente dependurada para fora da ponte Elio, do lado de fora do Castelo Santo Ângelo. Ela olhava o rio embaixo, jogando migalhas de pão para os patos que passavam em baixo. Draco esperava que ela se encantasse com a arquitetura, como fizera até então, o castelo redondo todo esculpido, ou os anjos da ponte, cada um em uma posição, guardando os passantes. Mas, ela apenas tinha olhos para o rio, e os pássaros qua passavam. Pelo menos a haviam distraído. Ele já estava ficando sem idéias de onde leva-la, e eles ainda tinham dois dias inteiros para ficar juntos.
Dois dias, ele olhou-a, um pé levantado, enquanto ela se debruçava. A saia cumprida, mostrando mais do que ele achava recomendável, mas ela não estava ligando. Era tão pouco... aquela semana parecia passar tão rápido, mas cada momento estava gravado na memória de Draco. Jamais esqueceria aqueles dias.
E ela divertia em alimentar aqueles pássaros encardidos. El soltou um moxoxo, parecia que Roma era feita só de pássaros, desde pombos, até aqueles patos, ela teria ainda muitos animais para alimentar.
_Draco.- Gina chamou, sem desviar os olhos do rio.- Pode pegar mais um pedaço de pão na minha bolsa?
Ele suspirou, procurando o pão que haviam comprado para fazer um pequinique mais tarde. Pelo jeito, eles é quem iam acabar com fome. Ele abriu a bolsa dela, e começou a mexer lá dentro. Mas, a bolsa parecia ser feita só de coisas. Documentos trouxas falsos, óculos escuros, presilhas de cabelo, uma escola e um espelho, papéis e guias sobre Roma, canetas coloridas, chicletes, chaves e coisas que ele não sabia para que servia ou que pareciam lixo. A bolsa era muito maior do que parecia por fora, e ele desconfiava que havia magia envolvida nisso.
Na lateral da bolsa, dentro de uma sacola, ele encontrou o pedaço de pão. Estava fechando a bolsa, quando algo chamou sua atenção, em um bolso lateral. Ele pegou o obejto, reconhecendo-o e sorriu, já havia quase se esquecido dele.

"Janeiro de 1996, Sala Precisa
_Ei, Gina.- ele chamou da porta da sala. Gina e Draco haviam combinado de se encontrar sempre ali, era mais seguro, pois não havia o risco de nunguém entrar enquanto conversavam, e não havia nenhum quadro que pudesse vê-los.
_Oi.- ela responde feliz, correndo e o abraçando.
_Eu soube o que aconteceu com seu pai, em dezembro. Achei estranho mesmo você ter desaparecido daquele jeito, no meio da noite.
_Ele já está bem melhor.- ela disse, o abraçando com mais força. Draco transmitia segurança a ela, sabia que ali nada de mal lhe aconteceria, porque Draco não iria deixar.- Diz estar pronto para outra, mamãe fica danada. Entra em desespero só de pensar em alguém se machucando de novo.
_Eu pensei em te escrever, mas achei que não seria seguro. Não sabia se você estava, de novo, naquele lugar onde passou as férias de verão.
_Estava lá mesmo. - ela o soltou. E então começou a falar muito rápido - Desculpe, não pude comprar nenhum presente para você, não deu tempo, e nós saímos apenas uma vez para visitar meu pai no hospital. Se eu tentasse, iriam me ver e...
_Gina, do que você está falando?- ele a interrompeu.- Eu não pedi presente nenhum.
_Mas, eu queria te dar um.- ela lamentou.
_Então, isso você tem que resolver com você mesma. Não quero perder o pouco tempo que temos, para discutir isso. Agora, eu fui mais esperto, então trouxa um presente para você.
_Oh, Draco não precisava!- ela corou- Agora estou me sentindo horrível, eu devia ter arranjado um jeito de comprar alguma coisa. Mas, eu estava tão preocupada com meu pai...
_Eu já sei de tudo isso.- ele revirou os olhos impaciente, cobrindo a boca dela com a mão. E com a outra lhe entregou um pequeno embrulho, sorrindo.- Feliz Natal, atrasado.
Gina, com a boca ainda tapada, se conformou de não poder mais se desculpar. Curiosa e sorridente, ela desembrulhou o pacote. Dentro havia uma espécie de caixa arredondada, feita de porcelana, e desenhada com flores em alto relevo. Embaixo, junto aos pés de apoio, ela encontrou um lugar para dar corda.
Quando ela deu três voltas, a caisa se abriu com uma música muito bonita e suave, e uma bailarina de porcelana apareceu, dançando no topo da caixa, agitando os bracinhos e levantando na ponta da sapatilhas, em uma dança suave e calma. Pareceria até de verdade, se não fosse o brilho da porcelana.
_Draco, é linda!- ela exclamou encantada, se livrando da mão dele.
_Que bom que gostou.- ele sorriu- Me deu um trabalhão para comprar escondido.
Ela o abraçou, sem saber o que falar.
_Foi a coisa mais linda que alguém já me deu. Não sabia que você podia ser tão romântico.
_Acredite, nem eu, Gina."

Roma, atualmente
_Ei, o que você achou aí?- Gina oerguntou, apoiando a cabeça no ombro dele.
_Isso.- ele ergueu a caixinha, que permanecia a mesma, só um pouco mais desgastada e descolorida.
_Minha caixinha de música.- ela sorriu.
_Não sabia que você a carregava na bolsa.
_Quando nós brigamos, foi a única coisa que não pude jogar fora.
_E a carrega na bolsa?
_Não posso ficar sem ela. É o único pedaço de você, que me restou.
_Mas, eu estou aqui agora.
_Mas, por quanto tempo? - ela perguntou tristemente.
_Não vamos pensar nisso agora.- ele pediu, guardando a caixinha. Seu estômago se revirava ao pensar nisso, e na possibilidade de ter vários Comensais da Morte ali, perto deles.
_Você significa muito para mim, Draco. - ela comentou - O suficiente para manter uma caixinha de música, por dez anos, ao meu lado todo o tempo. E eu só consigo dormir ouvindo-a tocar.
_Você não precisou dela nesses últimos dias.
_Ah, só porque você está aqui.- ela sorriu.- E agora, o que você queria me mostrar aqui?
_Nada.- ele deu de ombros.- Aqui só tem um castelo mesmo, e uma ponte com vários anjos esculpidos. Mas, naturalmente nada tão interessante quanto pombos aquáticos.
_Os patos, Draco, pareciam famintos.- ela se explicou
_Eu vou ficar faminto, acabou quase o pão inteiro. Você deu tudo para eles.
_Merlim, mas que ciúmes!- ela riu, levantando os braços.- O que acha que eu vou fazer, levantar voô com eles e migrar para o Sul?
_Não, ainda estamos no verão, Gina.
_Draco, eu não vou fugir com nenhum pássaro, com nenhum guia turístico, e certamente não vou fugir de você. Achei que depois de todos esses anos, você ia aprender se a controlar.
_Não sou ciumento, sou precavido. Lembra?

"Fevereiro de 1996, Dia dos Namorados, Hogwarts
_Oi, Draco.- ela sorriu, o acalçando no corredor.
_Oi.- ele respondeu seco, sem parar de andar.
_O que foi? aconteceu alguma coisa?
_Não, por que pergunta?
_Você está emburrado. E quase não fala nada.
_O que você quer que eu fale.
_Não importa, só quero que fale.
_Você... eu te vi beijando aquele garoto, da Corvinal.- ele parou de andar, a olhando.
_Ah, - ela entende- o Miguel. Mas, foi só um pouco.
_Um pouco? Ele quase estava chupando sua alma para fora!
_Olha, Draco. Eu tive treino quase o dia inteiro, e o Miguel reclamou que eu não dava atenção para ele. Eu precisava manter o disfarce, lembra?
_Eu sei que é apenas disfarce, mas realmente precisava tudo aquilo?
_Tudo aquilo o quê? Eu beijei ele, apenas pensando em você! Em como eu preferiria estar passando esse maldito dia dos namorados com você! E além do mais, você não pode me acusar desse jeito! Eu sei que você também beijou outra, ou vai me dizer que não beijou a Parkinson hoje?!
_Mas, é diferente!
_Diferente por quê?
_Porque eu se o que eu sinto, e o que eu não sinto! Eu sei que não dou a mínima para ela, queria mais que se explodisse na aula de feitiços! Mas, você...
_Eu o quê?! Hein?!- ela apoiou a mão na cintura, um sinal pior do que quando cruzava os braços.
_Eu não sei se você vai mudar de idéia, e me deixar!
_Draco... - ela falou mais calma. - Eu jamais mudaria de idéia.
_Como eu vou saber que não?
_Eu não acabei de dizer? Não confia em mim?
_Mas, você pode mudar de opinião. Achar que alguém da Corvinal, vale mais do que alguém da Sonserina. Algo, que você já deve pensar de vez em quando.
_Como é irritante gostar de você!- ela reclamou, será que ele não entendia que, quem ela gostava, era ele?
_Ah, por que é uma maravilha gostar de você, também, nessa situação em que vivemos.
_Só que eu não sou cegamente ciumenta!- ela cruzou os braços.
_Eu não sou ciumento!
_Ah, é sim! Nem vem!
_Mas, eu tenho razão para ter ciúmes.
_Eu já disse que não sinto nada pelo Miguel, quem eu gosto é você!- ela revirou os olhos.
_Não é por causa disso. Eu tenho ciúmes dele porque ele poder ficar com você, beijar você, sempre que quiser! Na frente de todo mundo. E eu tenho que esperar, até que ninguém possa nos ver, até que seja seguro.
Gina abriu a boca, e não soube o que dizer. Mas, ela o entendia perfeitamente, porque sentia o mesmo. Se ao menos ela pudesse ficar com ele, como a Parkinson ficava, tudo seria tão melhor... mais feliz, e até perfeito"

Roma, atualmente
_Você me deixou realmente triste aquele dia.- ela falou, apoiada no ombro dele, enquanrto andavam em direção ao castelo.
_Desculpe.
_Não trsite por sua causa.- ela explicou.- Mas, triste pela nossa situação. Isso é algo que jamais poderemos mudar. Vamos sempre ter que nos esconder para ficarmos juntos, ninguém aceitaria se tentassemos abertamente.
_Seríamos mortos, na verdade.- ele comentou, beijando o topo da cabeça dela.- Mas, sabe, Gina, também tivemos nossos dias felizes, não é mesmo.
_Oh,- ela riu, mais animada.- Muitos deles!

"Março de 1996, Jardins de Hogwarts
_Vamos.- ela o puxava pela mão.
_Vamos onde?- ele perguntou preocupado, olhando em volta.
_Não sei ainda. - ela deu de ombros.
_E se nos virem?- ele continuou, olhando em volta.
_São quase nove da noite, todos estão nos salões comunais.
_E se alguém olhar pela janela?
_Está muito escuro para se ver qualquer coisa. Você se preocupa demais, Draco.
_Você gosta de mim agora, ou antes, Gina?- ele perguntou de repente.
_Não sei, Draco. Acho que sempre gostei de você, mesmo quando você era... bem...
_Um idiota.- ele completou para ela.
_É.- ela concordou, parando de andar, e o encarando. Podia ver apenas uma parte de seu rosto, ilumidada pela luz da lua quase cheia. Ela suspirou, ele era tão bonito...- Por que pergunta?
_Porque se hoje sou o que sou, é porque você me amou pelo que fui. Apenas achei que você gostaria de saber.
_Draco... eu...- ela gaguejou, lágrimas enchendo seus olhos imediatemente.
_Olha, estamos perto das estufas. Vamos. - ele a interrompeu, acabando totalmente com o momento. E com isso a puxou pela mão, quase a desequilibrando.
Eles foram então para trás de uma das estufas, onde se sentaram no chão, escondidos dos olhos de todos. Ela logo se sentou no colo dele, enrolando uma mexa do cabelo dele no dedo. Ele a abraçou, como se a protegesse. Nunca pensou que sentiria tão feliz, com um gesto de carinho tão simples, só de tê-la a seu lado.
_Sabe de uma coisa que adoro em você, Draco?- ela quebrou o silêncio.
_O quê?
_Eu adoro quando você finge que não está preocupado comigo. É tão engraçado. E você até parece mais bonito, emburrado.
_Que bom que meus sentimentos são uma piada para você.
_Eu não quis dizer isso, e você sabe que não. E o que você adora em mim?
_Tudo, acho. - ele deu de ombros.
_Mas, me diga uma coisa que faria falta para você, algo que você realmente gosta.
Ele pensou um pouco:
_Eu adoro o jeito com que você dá risada. Te faz ficar mais bonita. Parece até que não há nada de errado no mundo, nada com o que nos preocuparmos. Me dá paz.
_Oh, Draco! Essa foi coisa mais linda que já me disseram.
_Sério? Não te dizem muita coisa, não é?- ele riu.
_Engraçadinho!- ela falou, bagunçando o cabelo dele.- Agora sim, muito mais sexy, garotão!- ela riu.
_É mesmo?- ele revidou bagunçando os cabelos dela.- E agora você é uma Grifinória de verdade.
_Por quê?
_Tem até uma juba vermelha, de leão.
_Draco!- ela levantou se olhando na vidraça da estufa.- O que fez com meu cabelo.
_Sei lá, só sei que você vai ter que arruma-lo depois. - e com isso a beijou."

Roma, atualmente
_É mas, nem tudo foi tão lindo assim.- ela o lembrou, enquanto ele pagava as entradas.
_Não me diga.- ele retrucou, enquanto entravam por uma entrada lateral.
O lugar era enorme, aprecia até uma pequena vila dentro das muralhas. Vários turistas andavam por ali, tirando fotos e conversando nas mais diversas línguas. Draco resmungou, odiava turistas. Pelo menos a chance de um ser um Comensal da Morte era pequena, ele e Gina estariam seguros ali.
_Mesmo assim, você sempre me ajudou, quando eu precisei.- ela tornou a falar, enquanto aguardavam na fila, para entrar no Castelo.
Draco não respondeu, sentia-se um egoísta. Ele não estava a protegendo como deveriam. Ela devia já estar na Inglaterra, ou pelo menos na metade do caminho até lá. E não ali com ele.
_O que foi?- ela perguntou preocupada, ao ver a expressão triste no rosto dele.
_Nada. - ele se apressou a dizer, com um aperto no coração, tirando uma folha que havia caído no cabelo dela.- Eu sempre fiz o possível para te ajudar, só isso.

"Abril de 1996, Castelo de Hogwarts
_Draco, o que você fez?- Gina gritou, indignada..
_Salvei nossa pele, foi isso que fiz.
_Você entregou A.D. para a Umbridge! Eu podia ter sido pega e expulsa! E o Harry então! Eu não acredito que estou falando com você, depois de tudo isso.
_Escute, a Umbridge pegou você porque aquela menina da Corvinal, Marietta não sei o que, dedurou vocês. Eu só ajudei.
_É, ajudou a Umbridge!- ela gritou, com as mãos nos quadris.
_Quer me escutar ou brigar comigo sem motivo? Minhas ordens eram de prender todos dentro da Sala Precisa, mas como você estava ali, os deixei fugir. Eu vi o elfo entrando na sala, ele era meu antes de entrar no fã-clube Harry Potter. Eu me escondi e esperei até todos saírem. Eu vi você correndo, por isso não fiz mais nada. Sabia que você seria esperta o suficiente para se esconder.
_Mas, você pegou o Harry!- ela insistiu, cruzando os braços.
_O idiota ficou para trás, bancando o herói, ou sei lá o quê! Eu já estava ali fazia muito tempo, e ficaria estranho, você não acha, se eu não capturasse ninguém?! A Umbridge podia desconfiar. Eu até tentei pegar aquela maldita lista de nomes, mas a Pansy foi mais rápida. E agora, continua brava comigo?
_Continuo, você entregou o Harry! - ela insistiu, brava.
_O perfeito Potter de sempre.- Draco suspirou, revirando os olhos.- Olha, Gina, eu estou com você. Eu gosto é de você, e você estava em segurança. Não devo nada ao Potter, o despreso totalmente, por que não iria pega-lo, e correr o risco de descobrirem sobre nós? Naquela hora, eu só pensei em você, não me peça então para ficar salvando a vida de todo mundo. Especialmente de quem eu detesto. Lembre-se, eu sou o que sou. Por isso, tudo o que peço para você, é que me aceite e fique comigo, do jeito que sou.
Ela suspirou, ele tinha razão.
_Não é só porque estamos juntos, que tenho o direito de pedir que você mude totalmente, não é isso?- ela disse, tentando sorrir.- Tudo bem, fazer o quê? Além do mais, se você me aceitou pelo que sou, por que não faria o mesmo por você?
Ele a abraçou, e sussurrou bem baixinho:
_Obrigado.
_Não, obrigada você. Por me salvar."

Roma, atualmente
Eles andavam maravilhados pelos corredores do castelo. Todo o lugar era pintado e ornamentado, haviam esculturas por toda parte, e até armaduras. O castelo era muito antigo, começara a ser construído em 139, e já servira como fortaleza para Papas, uma prisão e para abrigar a tumba de Adrino, no centro do lugar.
_Eu me lembro bem desse dia.- Draco cochichou para Gina. - Eu não sabia o que fazer para te avisar que estavam vindo. Ainda bem que aquele maldito elfo-doméstico apareceu a tempo.
_Maldito? Pobre Dobby.- Gina riu. - Ele me salvou, lembra?
_Também lembro que você disse, aquele dia, que não podia me mudar totalmente. Mas, você bem que tentou mais tarde.
_Erros passados.- ela abanou a mão impaciente. E ele riu.

"Abril de 1996, Castelo de Hogwarts
_Draco, você não pode entrar para esse grupo da Umbridge!- Gina insistiu.
_Eu não tenho escolha, Gina! O que você quer que eu faça? Vire para o meu pai e diga que não vou seguir as ordens idiotas dele, e que não vou me juntar a Umbridge nenhuma? Ou ele me mata, ou ri da minha cara.
_Mas, você não quer isso! Ou quer?
_É claro que não! Ela é uma completa imbecil. Acha que nada está acontecendo no mundo mágico, que tudo é tão cor-de-rosa como aquele casaco dela. Mas, Gina. Que escolha eu tenho?
Os olhos dela endureceram, brilhando de fúria, de uma maneira que ele nunca vira antes.
_Você pode ir até lá e dizer: não! Você é diferente deles! Você tem coração, é uma das melhores pessoas que já conheci. E eu não vou deixar nenhum bando de malucos sangüinários muda-lo. Você é bom, Draco. - ela falou, e os olhos dela se suavisaram.- Você pode se juntar a nós, a A.D. Pode ajudar Dumbledore.
Ele se aproximou dela, e pôs as mãos em seu rosto. Ela fechou os olhos ao sentir o toque dele, o amava tanto!
_Gina, eu nasci e não fui criado para isso.
_Você também não foi criado para namorar uma Weasley! - ela voltou a ficar furiosa, era sempre assim quando o assunto era ele. Sempre perdia o controle.- E o que isso adiantou?
_Você não entende! Você é um erro. Um erro maravilhoso, pelo qual sou imensamente grato, mas ainda assim um erro. Não, Gina. Por mais que eu não queira ir, por mais que eu ache essa coisa de ser um ajudante da Umbrigde ridícula, eu tenho que ser. É a coisa certa para mim. Por favor, não insista, eu não quero discutir com você.- ele a abraçou, e ela começou a chorar.- Decidimos ser apenas nós mesmos, quando estivermos juntos, mas pelo resto do tempo temos que viver um pouco, voltar para a realidade.
_Isso é tão injusto. - ela chorou.
Ele a abraçou com mais força pensando, tristemente, que ela tinha toda a razão."

Roma, atualmente
_Isso é a vida, não é o paraíso. Não precisa ser perfeita.- ela suspirou.
_Da onde você tira isso? - ele perguntou impressionado.
_Eu não sei.- ela deu de ombros alegremente.- Mas, é verdade.
Eles haviam chegado a beirada da escadaria circular, que levava ao centro do castelo, ao túmulo de Adriano, um dos Imperadores de Roma. Era uma gigantesca escada circular, Gina sentiu tonturas apenas de olhar para baixo.
_Parece um labirinto.- Draco comentou, Gina notou que ele não estava nem um pouco animado.
_Pense que só dá para ir para baixo.- ela tentou anima-lo, mas isso só a fez se sentir pior.
_Para baixo e em circulos.- ele completou.
_Ora, Draco. Nós temos mais coragem que isso!- ela exclamou indignada, enquanto pessoas empurravam para passar.
_O problema não é faltar coragem, é ficar com tonturas. Você viu o tamanho? Temos que descer tudo isso, depois subir tudo isso, em círculos, só para ver o túmulo de um tal de Adriano!
_Quer ir embora?- ela perguntou.
_A melhor sugestão do dia.- ele sorriu, puxando-a para longe.
_Bem, que a gente podia se dar bem assim o tempo todo.- ela suspirou.
_Mas, nós nos damos bem!
_Agora, lembra como era antes?

'Abril de 1996, Castelo de Hogwarts
_Oi, Draco.- Gina sussurou no ouvindo dele, estendendo um ovo de páscoa embrulhado- Eu mesma fiz! Bem, pelo menos tentei, aqueles elfos-domésticos da cozinha são prestativos demais, se é que me entende.
Ele não respondeu, encarando o chão.
_Draco.- ela chamou preocupada.- Você está bem?
_Eu te vi com o Potter hoje, na biblioteca.
_Ah, eu estava apenas entregando um ovo para ele, que minha mãe mandou. Não foi nada demais.
_É, sua mãe manda ovos de páscoa para ele. - Draco riu, mas era um risada fria, sem alegria.- E ele passa as férias na sua casa, não é? Você me contou.
_Ele é o melhor amigo do meu irmão, e tem tios horríveis! É claro que ele passa as férias na minha casa.
_E você fica feliz com isso, não fica?- Draco a acusou.
_Ele é meu amigo, Draco.- Gina respondeu friamente.
_Mas, você queria que ele fosse mais, não é? Você gosta dele, sua família o adora, seu irmão é até o escudeiro dele! E tudo ficou mais perfeito ainda, agora que ele terminou o namoro com a Chang!
_Você esta sendo ridículo e infantil, Draco.- ela falou, com as mãos nos quadris. Mal sinal.
_Pois o ridículo e infantil vai dizer apenas uma coisa: tchau!- e forçou um ovo de páscoa enorme na mão dela, sumindo no corredor.
Gina olhou para o ovo de chocolate que ganhara, furiosa e magoada. E virando de costas saiu para o outro lado. Se quisesse falar com ela de novo, ele que pedisse desculpas. Passou o dia desconcentrada, errando feitiços nas aulas, e não ouvindo o que as pessoas diziam a sua volta. E quando anoiteceu, tudo o que queria era ficar sozinha. Por isso, foi até a árvore na beira do lado, onde ela e Draco costumavam se encontrar, longe da vista de todos.
Estava ali fazia algum tempo, comendo o chocolate que Draco lhe dera, e que era uma delícia, quando ele apareceu.
_Achei que você estivesse por aqui.- ele falou.
_É por isso que vim. - ela murmurou triste.- Sabia que você iria me encontrar.
Ele sentou ao lado dela, sem encara-la.
_Gina, eu...
_Você me magoou muito. Não precisavamos ter brigado, foi uma coisa tão estúpida!
_Me desculpe, eu... eu sou um idiota, essa é a verdade. Eu sou um idiota que nunca se sentiu assim antes, e que está confuso e com medo. Tenho medo de ficar mais fraco, por causa do que sinto, tenho medo que descubram sobre nós, e ao mesmo tempo, tenho medo que algo aconteça com você, que se machuque por minha causa, medo de que não possamos mais ficar juntos! Isso é tudo muito contraditório, e confuso. Por que, afinal, as garotas gostam de se sentir assim? Não que seja ruim, mas é muito estranho, sabe?
Gina sorriu, mesmo que ele não falasse exatamente, ela sabia que ele queria dizer que a amava, e por isso brigava com ela.
_Nós gostamos, porque assim ouvimos declarações como essa. E ganhamos muitos beijos, também.
E ela o beijou"

Roma, atualmente
_Tudo acabou bem, a gente se entendeu.- Draco falou, enquanto saiam no sol de Roma, que já estava abaixando.
_É, mas nós brigamos primeiro.- ela sorriu.
_Erros passados.- ele fez uma imitação dela.
_Essa era para ser eu?- ela perguntou escandalisada.- Eu não falo assim.
_Coitada.- Draco sorriu, passando o braço pelos ombros dela.
_Eu não falo!- ela insistiu, então pareceu em súvida.- Ou falo?
_Digamos que não na maior parte do tempo. Agora, você reparou como a gente se beijava com mais freqüencia, naquela época.
_Tinhamos 14 e 15 anos, é claro que beijavamos mais! Namoro era o que havia de mais importante. Todo mundo só pensava nisso!- ela riu marota

"Maio de 1996, Castelo de Hogwarts
_Miguel terminou comigo.- Draco ouviu Gina cochichar em seu ouvido, ela tinha mania de fazer isso.
_O quê?
_Ele é um péssimo perdedor, acredita que ele brigou comigo só porque eu ganhei a Taça de Quadribol para a Grifinória? O que ele esperava que eu fizesse. Roubasse descretamente para a Corvinal, na frente do estádio inteiro, só porque ele me beija de vez em quando?
_É, eu assisti ao jogo, sabia?- Draco falou sério.
_Oh, não. Você também não vai brigar comigo, vai?
_Eu te disse que era perigoso! E você insistiu em jogar! O que foi sorte.- ele sorriu.- Apesar de ter quase me matado do coração umas vinte vezes, você estava brilhante.
Ela sorriu também, o abraçando com força. Ali estava alguém que realmente se importava com ela, e não com um jogo estúpido, e uma Taça. Ele correspondeu ao abraço, feliz. Apesar de toda a preocupação, apesar de ter que fingir vaiar e comemorar, quando o que ele mais queria era torcer por ela, valera a pena. Ela estava tão feliz porque ganhara a Taça, que quadribol não parecia ter a menor importancia. Ele perderia a Taça quantas vezes fosse preciso só para vê-la sorrir assim.
_Só que agora temos um problema, Draco.- ela o soltou.
_Qual?
_Precisamos encontrar outro idiota, para fingir que estou namorando."

_Para onde vamos agora?- ela perguntou.
_Para o hotel tomar um banho, porque ainda falta a segunda parte da minha surpresa.
_A que você preparou de manhã?- ela perguntou animada.
_Te fiz pensar nisso o dia inteiro, hein? Curiosa.- ele riu, e apertou a bochecha dela.

xxxx

Eles chegaram ao hotel, as flores no quarto continuavam iguais, como se não sofressem nada com o calor. Draco foi o primeiro a entrar no banho, e não respondeu a nenhuma outra pergunta de Gina, embora ela o tivesse interrogado o caminho inteiro. Era o melhor aniversário que ela já tivera. Ela logo entrou no banho, cantando em plenos pulmões, enquanto lavava a cabeça. Draco devia mesmo estar mesmo preocupado em ser gentil, pois não fora reclamar nenhuma vez.
_Como você não foi me parar?- ela perguntou, entrando no quarto e enxugando os cabelos. Mas, ficou muda no instante seguinte. Em cima da cama, estava o vestido mais bonito que ela já vira.- O quê?
_Eu tomei a liberdade de checar suas roupas,- Draco respondeu.- já que já tomei outras liberdades também. E vi que você não tinha nenhum vestido de gala. Na verdade, não havia vestido nenhum no armário.
_Eu vim pra cá, para te caçar, não para ir em festas.
_Bem, como você pareceu mudar de planos, precisava de um vestido novo. E sapatos, e umas jóias também.
_O quê, jóias?
_Nada demais, apenas brincos e um anel. Está tudo na caixa na mesa de cabeceira.
_Mas, ... você... não devia ter feito isso.
_Eu sei que não.- ele a beijou na testa. - Mas, já estava feito desde de manhã. Além do mais, vai precisar de tudo isso para irmos aonde quero te levar, como presente de aniversário.
_E onde é isso?
_Você vai ver.- ele sorriu, mais misterioso, e foi só então que ela viu que ele estava vestindo um smoking trouxas. Ele devia realmente ter grandes planos.
Gina ergueu a barra do vestido dourado de seda, que ganhara de Draco. Ele era longo, um pouco rodado, de um ombro só, onde um grande e elegante broche de pequenas esmeradas, combinando com seu brinco e seu anel. Na cintura, havia um pedaço de pano preto, que dava duas voltas e amarrava atrás.
_Como você acertou exatamente o vestido e o meu tamanho?- ela cochicou, enquanto entravam no Teatro de Ópera em Roma.
_Eu pedi ajuda a vendedora.- ele explicou simples.
Gina prendia a respiração, Draco havia se superado. O teatro era maravilhoso, um prédio gigante, todo iluminado. Pessoas nas roupas mais caras e elegantes que ela já havia visto, passavam a sua volta, usando colares com pedras tão grandes, que comprariam sua casa e a de todas as pessoas de sua família. Ela olhou Draco, mas ele parecia alheio a tudo aquilo, olhando com indiferença, parecendo mais rico e mais importante do que todas aqueles pessoas. Foi quando ela se lembrou que ele propavelmente era, mais rico e mais importante que muita gente ali. Pelo menos mais que ela, tinha certeza. Aquele lugar que tanto a deslumbrava, era o mundo no qual ele nascera.
_O que foi, não gostou daqui?- ele perguntou preocupado, enquanto se sentavam em um balção, ao lado do palco. Ele era todo dourado, com cadeiras estofadas de veludo vermelho, um lugar lindo. As paredes esculpidas e pintadas, o teto todo trabalhadom como os grandes castelos e museus que ela havia visitado.
_Não é nada... é só que... - ela mordeu o lábio, não queria ficar mais humilhada do que já se sentia.
_Não se preocupe. - ele sorriu.- Eu também me sinto pouco à vontade perto desses pavões.- ele respondeu, apontando com a cabeça as pessoas a sua volta.- Apenas faça cara de nojo, bem arrogante, que eles irão considera-la do clube.
Ela riu mais feliz e tranqüila. Só ele para faze-la se sentir assim, ela tinha muita sorte por tê-lo ali.
_O que vamos assitir hoje, querido.- ela brincou, bancando a madame.
_Não é para exagerar, Gina. Me deu até arrepios. Tome, peguei o papel do espetáculo para você.- e ele lhe estendeu um pequeno caderno, com capa de veludo e com uma fita de cetim para servir de marcador.
Ela o recebeu e começou a ler. Ele a havia convidado para assistir ao Lago dos Cisnes! Ela já ouvira falar tanto naquele balé! E assisti-lo, especialmente em Roma, em um teatro como aquele, ao lado de Draco! Ela não podia desejar mais nada. De repente, começou a dar risadinhas, que tentava esconder inutilmente.
_O que foi?- ele perguntou, ergundo os olhos do próprio folheto.
_Eu tinha me esquecido que você fazia isso.- ela disse risonha.
_Isso o que?
_Barulhinhos, quando lê algo, muito concentrado. É como se cantarolasse.
_Eu não faço barulinhos!- ele gritou, indignado.
_Faz sim, não adianta negar. E é adorável, além de engraçado!
_Você deve estar confusa, por que eu não sou engraçado, e muito menos adorável!- ele repondeu de mau-humor.- Eu só fiz barulho dessa vez.
_Tudo bem, Draco. Pode falar para mim, afinal, eu canto no chuvero.
_Sabe, talvez eu tenha reparado nisso. - ele disse com ironia- Quando mesmo? Ah, sim! Hoje de tarde, enquanto você assassinava a música.
_Draco, você não tem jeito.- ela riu, segurando na mão dele e lembrando-se de algo. Mas não comentou nada, ela já havia pego no pé dele o suficiente.

"Junho de 1996, Jardins de Hogwarts
Gina tentava se concentrar nos estudos para as provas, mas estudar ao lado de Draco não era nada fácil. Eles estavam sentados havia meia- hora, embaixo da árvore, e atrás de uns arburtos, e ela não havia passado da primeira página. Ela queria estudar, mas nunca ficara tão consciente da presença dele ali, e de como ele era charmoso, e tinha uma boca tão... ah, ela não podia pensar nisso! Tinha que estudar, e ele precisava se concentrar para fazer N.O.M.´s o suficiente. De repente, começou a ouvir alguém cantar uma canção bem baixinho, e para sua surpresa viu que era Draco. Ela sorriu, ele cantarolava enquanro estudava.
_Que foi?- ele perguntou, erguendo os olhos do livro, e a encarando.
_Ah!- Gina engasgou, não queria dizer a ele que notara aquilo. Manias nunca são boas de serem comentadas.- Você pode me ajudar aqui, em Poções? Não consigo me lembrar da fórmula para a poção do morto sono.
_Essa é fácil. - ele sorriu, pegando o livro das mãos dela, se aproximando. Seus joelhos se encostaram e Gina corou, como sempre fazia quando ele a tocava. Mas, ele mal parecia notar seu joelho contra o dela."

Roma, atualmente
Draco percebeu que estava mesmo cantarolando, enquanto estava lendo. Odiava aquela mania! Tentou se controlar, pensando quando Gina havia notado aquilo pela primeira vez. Não podia ter sido em Roma, senão ela não teria se esquecido do fato. Tinha que ter sido no seu quarto ou quinto ano. No quinto provavelmente, quando eles passavam mais tempo juntos. E com isso, uma lembrança veio mais forte e clara que qualquer outra.

"Junho de 1996, Jardins de Hogwarts
_Ah!- Gina falou.- Você pode me ajudar aqui, em Poções? Não consigo me lembrar da fórmula para a poção do morto sono.
_Essa é fácil. - ele sorriu feliz por ela ter pedido ajuda em uma poção que ele sabia de cor. Quando ele sentou-se mais perto dela, para explicar, seus joelhos se encostaram, e ele sentiu seu estômago gelar. Por que estava nervoso afinal? Eles sempre se tocavam! Não precisava ficar nervoso toda vez que aquilo aocntecia. Mas, ele ficava, seu coração sempre disparado. Ele tentou controlar a voz.- Aqui, Gina. Tudo o que você tem que fazer é se lembrar da Grifinória.
_Da Grifinória? - ela ergueu as sobrancelhas, de uma forma muito engraçadinha. Ele engoliu em seco.
_É! - praticamente gritou, desviando a atenção do rosto dela para o livro, não queria que ela notasse o que estava sentindo. Já que provavelemente não sentia o mesmo, parecia tão indiferente, corada de sol.- Olhe. Junte dérebro de sapo, com quatro braços de rato, suco de lesma e dois dentes de cobra. E no fim, deixe ferver por dez minutos, dando uma volta no sentido anti-horário, a cada cinco no sentido horário. E pronto!
_E a Grifinória nisso tudo?
_Não é óbvio? O cérebro de sapo é o Longbotton, os quatro braços de rato são as pernas e os braços do seu irmão, o suco de lesma é o Potter, e os dois dentes de cobra a Granger.
_Dá para me ensinar poções sem ofender a minha família e amigos?- ela perguntou, mas ao contrário do que ele esperava, ela não estava brava. na realidade, parecia até tentar segurar a risada.
_Funcionou para mim.- ele respondeu, devolvendo o livro para ela. Tentando prestar atenção no seu livro, afinal, já estavam ali à meia hora e tudo o que prestara atenção fora nela, exceto nos últimos cinco minutos antes de ser interrompido."

Roma, atualmente
A cortina vermelha começou a se abrir, e Gina sorriu ao sentir Draco segurar sua mão. Se ele soubesse como a tinha ajudado naquele dia. Na sua prova de poções havia caído a poção do sono, e ela acertara, pensando na Grifinória. Aquele negócio realmente funcionava. Os bailarinos entraram e uma música lindo começou a tocar, sua atenção toda se voltou para o palco.
Por isso ela não viu Draco bocejar. Ele detestava balé, mas a havia levado porque achara que ela gostaria. "E pelo jeito gosta." ele sorriu, vendo-a concentrada. Bem, era aniversário dela, e ele teria que agüntar até o fim. Ela lhe dera um aniversário maravilhoso, uma vez, e agora era a vez dele.

"Junho de 1996, Sala Precisa
_Por que me trouxe aqui? - ele perguntou.
_Feliz aniversário!- ela gritou, tirando a venda dos olhos dele. Ele olhou em volta e mal pode acreditar. Havia uma festa de aniversário inteira ali, com comida, música e até balões com o nome dele, e desejando Parabéns de Felicidades.
Ela sorriu alegre, o abraçando com força. Ele recebeu o abraço, olhando em volta feliz, mesmo que não gostasse de festas. Ele não estava acostumado com tanta demonstração de carinho, e vindo dela, era sempre melhor.
_Não achei que fosse se lembrar.- ele confessou.
_Como assim?- ela pareceu indignada.- Estou planejando isso à semanas!
E ela tirou de dentro da mochila um muffin enorme, e pôs uma vela em cima, acendendo-a com a varinha. E com isso, começou a cantar 'parabéns a você', numa voz desafinada, mas nem por isso menos adorável. Ele sorriu, corando ao ver a animação dela. Ela parecia mais feliz com o aniversário dele, do que ele mesmo.
_Faça um pedido!- ela disse feliz, lhe estendendo o muffin gigante.
Ele soprou a vela, mas não pdeiu nada. Tudo o que poderia desejar já estava ali.
_Hora do presente!- ela sorriu ainda mais, lhe entregando um embrulho.- Espero que goste!
Ele desfez o papel e abriu uma caixa. Seu coração acelerou.
_Uau, Gina! - ele disse feliz. Eram luvas de apanhador! Ele estava doido por luvas novas, e tudo o que ganhara aquele ano fora relógios de ouro e coisas caras, do gênero. Gina fora a única que parecia se importar mais com o gosto dele, do que com o valor do presente.
_Gostou?- ela perguntou, com medo.- Eu sei que não é muito, e eu tentei comprar algo que você não tivesse, mas você parece ter tudo!
_Não luvas de quadribol. Pelo menos não até agora. Você tem que entender, Gina, que eles não ligam muito para o que eu gosto. Dão presentes caros em quantidade, para compensar o trabalho de procurar algo que eu gosto.
_Pobre garoto rico.- ela rolou os olhos, sorrindo.
_Você é a melhor, Gina. - ele sorriu beijando-a.- Esse foi o melhor aniversário da minha vida.
E ele viu imediatamente os olhos dela se encherem de lágrimas, antes que ela o abraçasse novamente.

Roma, atualmente
_Draco.- Gina cochichou.- Já estamos no intervalo.
_Hum?- ele murmurou, abrindo os olhos.
_Você estava dormindo? -ela perguntou indignada. Como ele podia dormir durante uma coisa tão linda?!
_Claro que não.- ele disfarçou, abrindo bem os olhos.
_Bem, - ela continuou, ainda desconfiada.- eu não estou entendo bem a história, eles apenas fala em italiano!
_Essa é a idéia, já que estamos na Itália.
_Me ajuda com a tradução?
_Está bem.- ele suspirou, agradecendo que conhecesse a história. Sua mãe o levara para assistir esse espetáculo, quando tinha 10 anos. Naquela época, as pernas das bailarinas ainda eram um grande mistério para ele, por isso se mativera bem acordado. - Ela conta a história de um príncipe que precisava encontrar uma noiva. Um dia, enquanto caçava cisnes ele viu um deles se transformar em uma linda moça. Ele então descobriu que ela era uma princesa, que fora enfeitiçada, e que seria eternamente um cisne, todas as noite, até que um jovem virgem jurasse eterna fidelidade a ela, e casasse com ela. Pobre criatura, eu ficaria sem esperanças se fosse ela.
_E aí, o que aconteceu?- Gina perguntou impaciente.
_Só que se o cara a traísse, ela permaneceria um cisne para sempre. Então o feiticeiro aparece, o príncipe quer mata-lo, mas não pode, senão a princesa morre também. Aqueles rolos inúteis de histórias de amor. O feiticeiro some, o sol nasce e a princesa vira cisne, e o príncipe, apaixonado, vai embora desesperado. Foi onde parou, não é?
_Me diga você, não estava acordado?- ela sorriu.
_Talvez eu tenha fechado meus olhos por dois segundas, mas isso não é um crime, ou agora é?
_Acalme-se, nervosinho.- ela sorriu, dando palmadinhas no braço dele. Ele era sempre mal-humorado quando acabava de acordar.- Vamos beber alguma coisa.
Eles foram até um dos bares do Teatro. O lugar era maravilhoso, os olhos de Gina não sabiam o que olhar primeiro, Draco a seu lado, de braços dados com ela, foi direto para o bar. Lá ele pediu duas bebidas, e olhou para ela. Gina estava exatamente do jeito que ele queria, deslumbrada e feliz.
_O que você pediu, Draco?- ela perguntou curiosa.
_Água.- ele deu de ombros, quando o barman os serviu.- Sou muito fraco para bebidas.
_Está gostando do espetáculo? - ela o provocou.
_Não é de todo ruim.
_É maravilhoso.
_Que bom, já que é seu presente de aniversário.
_Um deles.- ela comentou.- Você me deu muita coisa, Draco. Não devia.
_O dinheiro é meu, e eu faço o que quiser com ele. Não se preocupe.
_Eu me sinto uma interesseira.- ela reclamou.
_Como você não me pediu nada, não pode se considerar uma.
_É claro que não pedi! Você faz todas as minhas vontades antes mesmo que eu peça.- ela brincou.
Ele sorriu, encarando o copo de água, e brincando com o gelo.
_O que foi?- ela perguntou.- Eu estava só brincando.
_Sei disso, é que me lembrei de uma coisa. Uma coisa que aconteceu a muito tempo. Sobre eu fazer o que você quer, sem que você precise pedir. É quase como se eu pudesse saber o que você está pensando.

"Junho de 1996, Sala da Diretora Umbridge
Draco ouviu os passos de Umbridge, Potter e Granger se afastando, e desaparecerem ao longe. Ele olhou para Gina, presa por uma sonserina, mas apenas por um segundo. Precisava ajuda-la! Ela seria expulsa, sua varinha quebrada e jamais se tornaria uma bruxa. Lembrou dos esforços da ruiva nos deveres, e em como ela precisava da varinha agora que o Lord das Trevas estava de volta. Irresistivelmente olhou-a uma segunda vez, mas dessa vez seus olhos se encontraram. Ela não parecia assustada, embora continuasse a tentar chutar a sonserina que a segurava. Os olhos dela desceram atéo bolso da sonserina, perto de onde sua mão estava.
Draco viu a varinha dela ali, precionada contra o corpo da sonserina e o braço da ruiva. Com um choque percebeu o que estava prestes a fazer, era estupidez! Virou, porém, para a janela e fazendo cara de espanto gritou, aplicando o truque mais velho que existia:
_Oh, merda! - ele apontou para fora da janela, para os jardins.
Os sonserinos se viraram imediatamente para ele, assustados. Era a deixa que Gina esperava. Com um impulso pegou sua varinha a apontou-a para a sonserina que a segurava.
_Estupefaça!- gritou.
A menina caiu no chão, e os outros sonserinos, confusos, afrouxaram seus apertos, e Rony, Neville e Luna foram capazes de se soltar e pegar suas varinhas. Nos segundos seguintes, eles duelaram e enfeitiçaram seus seqüestradores. Gina se virou para Draco, que estava mais afastado da luta, ela parou sem saber o que fazer, a varinha em posição.
_Faça alguma coisa!- ele disse para ela, apenas mexendo os lábios. Se eles não se atacassem pareceria suspeito, e apesar disso, ele jamais poderia ataca-la. De qualquer forma, teria que perder a luta, se quisesse que Gina se salvasse.
Sacudindo a cabeça, Gina, nervosa, lançou o primeiro feitiço que lhe veio a cabeça. Draco sentiu algo crescer em seu rosto, como várias asinhas de morcego, e viu o olhar assustado da menina.
_O que foi isso?- ele perguntou indignado, era para ela tê-lo estuporado de uma vez, e não o azarado.
_Desculpe.- Gina disse, mexendo os lábios, e erguendo a varinha novamente.
Mas, ela não precisou usa-la. Nesse momento Rony se virou e antes que Gina pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, o ruivo o fez por ela. Draco viu tudo ficar escuro, quando o ruivo o estuporou, e não viu mais nada. A última coisa que viu foi Gina, olhando-o com tristesa e preocupação."

Roma, atualmente
_Tem ainda uma coisa que não entendo.- Gina comentou, quando voltaram a seus lugares no balcão.
_O quê?
_Nesse dia, quando você me ajudou a escapar da Umbridge, antes dela sair, eles mencionaram uma arma que o Prof. Dumbledore supostamente estava fazendo, com nossa ajuda. Nessa hora, seus olhos brilharam. Por que?
_Ah, isso.- ele sacudiu a cabeça.- É que eu de repente 'descubri' que o Dumbledore e vocês estavam desenvolvendo uma arma capaz de derrotar o Ministério, e se isso acontecesse, o governo bruxo seria controlado por pessoas poderosas, que sabiam o que acontecia de verdade, o que daria uma melhor chance à população bruxa, e aumentava as chances de derrota do Lord das Trevas.
_E o que tem tudo isso?
_E o que tem é que se o Lord das Trevas fosse mesmo derrotado, você estaria em segurança, eu não precisaria me tornar um Comensal da Morte, um fantoche que apenas obedece ordens, e haveria a mínima chance de nós podermos ficar juntos, no futuro. É claro que meus olhos brilharam, eu tinha esperanças que tudo isso acontecesse no final.
_Você estava pensando em mim, em nós?
_Achou que eu estava pensando em quê? Controlar o Ministério da Magia.
_É, algo assim. - ela respondeu baixinho, envergonhada por ter pensado algo assim dele.
_Não, dá muito trabalho cuidar de toda a populacão bruxa inglesa. Prefiro fazer outra coisa e ter mais tempo livre. - ele respodeu.
_Obrigada.
_Pelo quê?- ele perguntou confuso.
_Por ter me ajudado.
_O que você esperava que eu fizesse, te largasse lá?- ele perguntou indignado.- Que tipo de namorado eu seria se fizesse isso?
E eles não puderem conversar mais nada, o balé havia recomeçado, a orquestra tocando maravilhosamente, e as bailarianas entrando no palco. Gina foi para frente tentando ver melhor, Draco se recostou na cadeira, cruzando os braços, tentando tirar um cochilo.
O resto do balé era fácil de entender. O príncipe dá uma festa no Castelo, recusando todas as moças, apenas pensando em sua amada Odette. Mas, por causa da semelhança entre sua amada e uma convidade, ele cai na besteira de jurar seu amor e sua fidelidade por outra, que não Odette. No fim era apenas um plano malvado do feiticeiro, que enfeitiçara Odette, para separar os dois apaixonados. O Príncipe sai da festa, atrás de sua amada. Ele encontra Odette e implora seu perdão. O feiticeiro aparece e ela diz ao príncipe que irá se matar, pois não quer permanecer um cisne para sempre. E o príncipe decide morrer junto com ela, acabando com o poder do feiticeiro. E os apaixonados se jogam no lago.
Gina tinha os olhos fixos no balé, deles escorriam lágrimas sobre a pele delicada e sardenta, enquanto via o cisne e o príncipe, morrerem lentamente. Draco a abriu os olhos, como se pudesse sentir a trsitesa dela. Ela sempre se fazia tão forte e decidida, e ele quase sempre se sentia um inútil. Mas, ali, naquele momento, apenas queria portege-la de tudo. 'Mas, eu não posso.' ele pensou tristemente 'Temos apenas mais dois dias juntos, e ela vai voltar para perto do Potter, onde estará mais segura. Queria tanto que não fosse assim' ele suspirou.
Gina sentiu braços a envolverem carinhosamente, pelas costas, era tudo o que ela precisava! Ela sorriu, conhecia-o bem demais, para saber que aquela era a maneira dele dizer que a amava.
_O que foi?
_Eles tiveram que morrer para ficarem juntos.- ela respondeu, rouca, apertando o braço dele, como se fossem tira-lo dela, a qualquer instante.
_Não precisa chorar por causa disso. É só um balé estúpido.
_Não é por isso. - ela respondeu se virando, e olhando nos olhos dele.- É que eu tenho medo que seja assim para nós também.
Ele não respondeu, seu estômago gelando. E a abraçou com força, acariciando seus cabelos, enquanto ela continuava a chorar baixinho.

xxx

Eles voltaram para o hotel logo depois, cada um pensando em uma coisa. Não haviam falado muito desde o término do espetáculo, apenas seguravam a mão um do outro, o tempo todo. Gina já estava deitada na cama, quando Draco falou pela primeira vez, logo após sair do banho.
_Desculpe, deveria ter escolhido um balé melhor.
_Mas, eu adorei aquele!Foi lindo! É só que ando meio emotiva. - ela falou, sem acrescentar que era por causa dele que estava daquele jeito, ele sempre mexera muito com os sentimentos dela.
_Eu sempre acabo te fazendo chorar, de uma maneira ou outra.- ele lamentou.- Talvez seja certo não ficarmos juntos.
_Nunca!- ela exclamou exaltada, ajoelhando na cama e apontando um dedo para ele.- Nunca fale isso de novo, Draco!
_Mas, eu sempre acabo te magoando, mesmo quando não quero! Não se lembra, aquela vez, no fim do nosso quarto ano?
_Draco, nós não precisamos falar nisso.- ela disse, o assunto que ela evitara pensar desde que o reencontrara, vindo à tona.
_Mas, é verdade, você sabe que é.- ele insistiu.
E mesmo não querendo, mesmo se esforçando para deixar aquele assunto no canto mais escuro da memória, eles se lembraram. Se lembraram de sua pior memória, como se houvesse acontecido aquela mesma tarde:

"Junho de 1996, Sala Precisa
Ela entrou na sala, ele esperava por ela em frente a uma janela, as mãos nos bolsos. Ela ia correr para ele, e abraça-lo, como sempre fazia. Especialmente agora, depois de ter passado por tudo aquilo no Ministério, precisava dele, chorar no seu ombro, ouvindo-o dizer que tudo ficaria bem. Mas, aalgo a impediu. Havi algo errado.
_Draco.- ela chamou.
Ele se virou lentamente e a olhou, sem sorrir, as mãos ainda nos bolsos. Ela ficou parada sem entender. Ele parecia bravo com ela.
_O que aconteceu?- ela perguntou.
_Você sabe muito bem o que aconteceu!- ele explodiu, furioso.- Você traiu minha confiança, me traiu!
_Do que você está falando? - ela perguntou surpresa.
_Ontem à noite, no Ministério da Magia. Por acaso você sabe quem ajudou a mandar para Azkaban? Para os dementadores?
_Os Comensais da Morte.- ela respondeu assustada pela reaçõa furiosa e violenta dele, ainda sem entender.
_O meu pai! O meu nome! Agora toda a minha família está nos jornais, como seguidora de Você-Sabe-Quem! Ninguém mais vai querer fazer negócio conosco, estamos acabados, desonrados, provavelmente vamos falair também! E por sua culpa! - ele parou para respirar, satisfeito de ver lágrimas nos olhos dela, queria que ela sofresse o mesmo que ele. - Você no seu pequeno mundinho de bondade e honra, pensou no que fez para mim? Ao ajudar a prender meu pai? No que aconteceria comigo? Provavelmente não, e se pensou, então é pior. Por que não fez nada para impedir!
_Draco, eu estava desacordada no chão...- ela encontrou voz, tamanha a injustiça do que ele dizia. Se ela pensara nele? Todo o tempo, no quanto queria salva-lo, tira-lo daquela vida de Comensal da Morte.
_Mas, você ajudou o Potter, não? Foi com ele até Londres!
_Eu fiz o que achei que era certo.- ela falou séria, parando de chorar.
_Certo para quem? Para você? Para o perfeito Potter? Para o mundo? E para mim?
_Eu não tinha como saber que o seu papai estava lá. Eu só fui ajudar a salvar o Sirius.
_E por que não foi embora, depois que descobriu que ele não estava lá?
_Eu tentei! Mas, nos ameaçaram. Me ameaçaram! O seu querido papai junto com sua adorável tia Belatrix, queriam me torturar. Eles nos seguiram, me machucaram, machuram meu irmão, Hermione, o Neville, a Tonks, e a té mataram o Sirius!- ela parou, os soluços a impedindo de continuar. Ela escondeu o rosto nas mãos, esperando. Mas, ele não veio abraça-la, apenas a olhava com raiva.
_Mesmo assim você não fez nada para evitar a prisão do meu pai. Você só fez o que achou que era certo para você! Tão agoísta. Não pensou em mim...
_Eu pensei!- ela gritou, o interrompendo- Pensei o tempo todo!
_Se tivesse pensado teria feito alguma coisa! Eu que te ajudei várias vezes, esse ano, mesmo que fosse contra ,ies princípios, meus interesses. Você tem noção do quanto me arrisquei por você? Eu podia ter sido descoberto de ajudando ontem. Eu nunca pedi para você me ajudar de volta, nunca! Mas, você podia ter ajudado a não prender meu pai!
_O seu pai é tão importante para você? O seu nome e sua honra são tão importantes assim? O seu Lorde é tão importante?! - ela levtandou os olhos, o encarando.
_O que você acha?- ele respondeu, a olhando com raiva, que beirava a ódio.
E aquilo foi o que a assustou mais. Ele nunca fora assim. Ela nunca pensou que ele podia ser assim para ela, tão assustador. Ela nunca achou que poderia sentir medo dele, como estava sentindo naquele momento.
_Então, você não é quem eu pensei que você fosse.- ela gritou, vermelha de raiva, lágrimas rolando de seus olhos, sem parar.- Como eu fui estúpida! Mais um Weasley, imbecil! Eu achei que você ainda tinha esperanças, Malfoy. Estou vendo que me enganei.- e ela saiu correndo, tentando exugar o rosto.
Draco ficou paralisado. Embora ainda estivesse furioso com ela, a última coisa que ela falara doera, e doera muito.
Gina correu para o banheiro feminino mais próximo, chorando convulsivamente. Escondeu o rosto nas mãos, tentando abafar o choro. Mas, não conseguia. Doía muito! Ela nunca sentira tanta dor na vida, e o pior era que doia por dentro, uma dor que chegava a ser físca. ão era como qualquer outra briga, em que eles ficavam bravos e diziam o que queriam e o que não queriam. Era o fim. Não havia mais o choro de raiva pelas diferenças, ou a trsitesa pelo que poderia ter sido. Nada poderia ter sido, tudo nos últimos meses fora uma mentira. Apenas isso, uma mentira. Eles nunca iriam ser, porque nunca foram. O amor que ela achou que ele sentia por ela, ia até onde o pai dele chegava. O pai dele, o nome Malfoy, e toda a maldade envolvida, foram maiores que o esforço dela de mostrar a ele um outro lado, o caminho do certo.
Mentira, tudo fora mentira. E ela fora a mais idiota, porque o amara de verdade, do jeito em que contara, mais do que tudo, mais do que ela mesma e aquela guerra. Ela o amara de verdade, enquanto para ele fora apenas um jogo. E isso fazia doer mais, fazendo-a chorar muito, muito mais"

Roma, atualmente
_quando você brigou comigo, daquela maneira,- ele disse- eu fiquei assustado. Não imaginei que falaríamos tudo aquilo, ou que terminsríamos para sempre. Eu estava bravo, furioso na verade, e com muito ciúmes, mas isso não significava que eu quisesse acabar com tudo.
_Você estava com ciúmes? De quem?
_Potter. Você deixou tudo para trás, foi com ele pra Londres, sem nem me avisar. Fiquei morrendo de preocupação, então soube que meu pai fora preso em Azkaban, acusado de ser um Comensal da Morte, e que você e o Potter estavam envolvidos.
_Você achou que eu me importava mais com o Harry, do que com você? Foi por isso que brigou comigo?
_Você foi atrás dele, todas as vezes que ele precisou.
_Porque ele era meu amigo, e o melhor amigo do meu irmão.
_Mas, você gostava dele. Como eu ia saber que era só isso? Achava que você talvez gostasse de mim, mas que se tivesse que escolher, deixaria tudo, por ele.
_É claro que não, Draco. Eu dizia não se lembra, toda vez que tínhamos que nos separar, que eu ia, mas sempre voltava para você.
_Então, você disse aquilo que mais doeu. Você disse 'Eu achei que você ainda tinha esperanças, Malfoy. Estou vendo que me enganei'. Você era a única pessoa em quem eu confiava, para quem contava tudo, a única que realmente me conhecia. Então, depois de todos os meus esforços, a única pessoa que me apoiava e me aceitava como eu era, disse que havia se enganado. E eu voltei ao que era, o que foi péssimo. Por isso me tornei um Comensal da Morte no ano seguinte, porque era tudo o que eu podia me tornar. Se eu só podia ser ruim, seria ruim de verdade. E isso, teoricamente, me ajudaria a te esquecer.
_Eu te procurei, esperando encontrar alguém em quem pudesse me apoiar, alguém para me abraçar e dizer que tudo ficaria bem. Então, você começou a gritar comigo. E eu fiquei perdida.
_Mas, eu gritei porque estava com medo, porque tudo iria mudar.
_Eu também estava com medo. Então, te perguntei quem era mais importante e você não respondeu.
_Eu não respondi, porque estava bravo com você, e não queria admitir que você era o que realmente importava. Meu orgulho não deixava. Achei que depois de tudo o que fiz por você, de todas as vezes que tentei porvar o que sentia, você já saberia disso.
_Mas, eu não sabia. Achei que outro lado era mais importante para você, e que você não respondera por dó de mim, ou coisa assim. A única explicação que eu tinha, para aquela briga, foi a que eu tinha atrapalhado os Comensais da Morte, era o único motivo que consegui pensar. Como eu ia saber que era medo e principalmente ciúmes do Harry? Não foi fácil para mim, eu também mudei depois daquela noite. Decidi deixar de ser aquela Gina ingênua e boazinha. Comecei a arranjar brigas com todo mundo, principalmente Zacarias Smith, e o meu irmão. Eu desafiava as pessoas, e era até cruel algumas vezes. Tudo por medo de deixa-las se aproximar demais. Pobre Dino, ele sofreu muito com isso. Mas, tudo o que eu queria era deixar para trás aquela menina ridícula, que eu achava que fora enganada, por quem se apaixonara.
_As coisas parecem fazer mais sentido agora.- ele disse tristemente.- Talvez devessemos ter tido essa conversa antes.
_Não lamente o passado, Draco. Ele não pode ser mudado.
_Mas, tem uma coisa que pode.
_O quê?
_Esse assunto. Agora que entendemos o lado um do outro, naquela noite, por que não deixamos tudo para trás.
_É uma ótima idéia, Draco.- ela sorriu e o beijou.- Obrigada por estar aqui.

"My song is love
(minha canção é amor)
Love to the loveless shown
(amor para o sem-amor)
And it goes up
(e isso sobe)
You don´t have to be alone
(você não tem que ficar sozinho)
Your heavy heart
(seu coração pesado)
Is made of stone
(é feito de pedra)
And it´s so hard to see clearly
( e é tão difícil ver claramente)
You don´t have to be on your own
(você não tem que ficar sozinho) " * A Message- Coldplay

N/A- Finalmente o quinto capítulo! IUPIIII! Noites sem dormir (literalmente), e finalmente ficou pronto. Desculpem a demora, é que tive que ler o quinto livro inteiro antes, e fazer muitas pesquisas sobre Roma. Espero que estejam gostando, porque ficou MUITO maior do que eu achei q ficaria. O próximo capítulo deve sair em duas semanas, e vai ter um pouco mais de ação. Comentem, por favor, nem que seja para dizer que estão detestando. Beijos, Mary.

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