Incertezas



Cap 3 – Incertezas

Num quarto pequeno de uma casa simples mas calorosa, uma jovem ruivinha se revirava na cama. Havia noites que por mais que tentasse o sono não vinha, tanta coisa rodeava sua mente! Mas sua principal preocupação era a Guerra. A Guerra sem sentido que dividia o mundo mágico, a guerra que matava inocentes e dava glória a pessoas sem caráter, a guerra que trazia sofrimento e dor para sua família.

Ela perdera Gui, um irmão muito querido e agora mais do que nunca queria lutar, queria defender a vida das pessoas, queria ajudar a acabar com esse bruxo que atormentava a vida de todos. A Escola de Medibruxaria havia sido uma ótima escolha, ela tinha certeza que poderia contribuir para o lado da Ordem de Fênix agora.

A situação era de nervosismo e tensão, não se sabia dizer ao certo quem estava levando a vantagem na batalha, pois era impossível dizer os recursos que Voldemort escondia nas mangas.

Então no meio de tanta tristeza, ela sentiu uma pontada de alegria invadir seu coração: Harry. Ela se apaixonou por ele no momento que o viu empurrando o malão pela estação no primeiro ano dele em Hogwarts e agora eles estavam juntos, namorando. Não podia ser mais maravilhoso, ela o amava tanto e sentia que ele era um porto seguro para seus problemas, ela podia sempre contar com ele.

É verdade que o namoro dos dois havia tido um começo complicado, passaram um ano afastados enquanto Gina completava o sétimo ano de Hogwarts, mas agora mesmo com todas as ocupações de Harry na ordem eles se veriam com muito mais freqüência.

Seu namorado se tornara um auror, ainda estava estudando e em treinamento, mas era como se já estivesse formado já que as provas que ele teve durante todos os seus anos em Hogwarts o tornaram muito experiente.

A menina observou o relógio antigo, um ponteiro desgastado lhe dizia que era hora de levantar, os primeiros raios de Sol ainda demorariam a aparecer, mas ela tinha que estar bem cedo na Escola de Medibruxaria. Tomou um banho, colocou um vestido branco de alcinhas delicado e desceu as escadas, sua mãe a esperava na cozinha.

Além de Gina, Molly Weasley era a única pessoa que permanecia na toca já que os outros membros da família se encontravam em Hogwarts, na sede da Ordem de Fênix. Ela parecia fazer questão de prepara o café da manhã da filha todos os dias mesmo que fosse 4:30 da madrugada.

Depois de alimentada Gina se despediu da mãe e aparatou perto de sua escola. A mochila nos ombros estava um tanto pesada, mas ao reparar no céu ela pareceu se esquecer disso, o Sol já aparecia discretamente e Gina sentiu com prazer a sua pele receber a claridade e o calor morno do sol.

Ela jamais imaginaria que algo daquele tipo estava por vir quando foi atingida pelas costas sem ao menos se dar conta de que havia sido estuporada.

Draco coberto pela capa da invisibilidade que recebera de Voldemort para auxiliar na missão se aproximou de Gina. Ele largou a mochila dela no chão, a pegou no colo e seu queixo caíra, Gina estava linda. Ele não se lembrava dela assim em Hogwarts, é, Potter faturou uma boa. Os cabelos lisos vermelhos combinavam perfeitamente com a pele clara de Gina, tinha um rosto tão delicado que se não fosse pelo corpo escultural que se vislumbrava pelo fino tecido branco poderia se dizer que se tratava de uma menina.

Um assobio baixo dado por Crabbe do outro lado da rua chamou a razão de volta a mente do loiro, ele havia se distraído, quase colocara tudo a perder. Acionou a chave e em poucos segundos estavam nos portões de Durmstrang. Draco atravessou a neve e notou que a pele da garota começou a ganhar uma aparência arroxeada, é claro, devia estar abaixo de zero e ela vestia apenas aquele vestidinho, que burrice, ia matá-la daquele jeito. Draco tirou seu casaco e jogou por cima dela antes de continuar a atravessar a neve, do outro lado da porta Rabicho o esperava:

- Oh que bom! O mestre o aguarda nas masmorras, siga-me – falou ele em tom nervoso.

Draco perdeu a noção de quanto tempo percorreu os corredores escuros e frios do castelo, descendo cada vez mais fundo, mas mesmo assim tentou memorizar o caminho. Quando finalmente chegaram a cela que Voldemort aguardava, Draco Malfoy pode se sentir realmente orgulhoso, a reação do seu mestre fora maravilhosa, parecia que o Harry Potter já estava lá pronto pra ser morto por ele.

- Muito astuto Malfoy, excelente trabalho – falou ele com sua voz gélida um pouco mais alta num tom que podia ser chamado de empolgação.
- Obrigado milord, estou aqui para servi-lo – e fez a tão detestada reverência.
- Bom me chame quando a segunda parte estiver concluída – falou o Lord antes de sair com Rabicho deixando Draco e a estuporada Gina sozinhos.

Draco conjurou um colchão e um grosso cobertor encantado para aquecer, não podia larga-la no chão de pedra. Não por pena é claro, mas sim porque ele precisava dela viva para que a poção tivesse efeito. Depois trancou a cela e se sentou próximo a ela, tinha que esperar que Crabbe trouxesse a poção para acrescentar o fio de cabelo dela e também Pansy para que dessem continuidade ao plano.

Ele tentava não olhar muito para ela, algo em seu instinto o fazia ter vontade de se aproximar, quem sabe passar a mão pelos cabelos brilhantes dela. Mas ele resistia, sua fome de poder e sua razão falavam muito mais alto que seus instintos por uma Weasley pobretona.

Tirou de dentro do bolso das vestes dois pedaços de pergaminho e uma pena, teria que acordar a ruiva, precisava obriga-la a escrever duas cartas uma para a Escola de Medibruxaria justificando a sua falta dizendo que havia se sentido mal e outra para casa avisando que não dormiria lá pois iria fazer uma visita a Harry em Hogwarts.

- Enervate! – o feitiço fez efeito quase que imediatamente, Gina se mexeu e abriu os olhos assustada olhando ao redor.

Parecia muita coisa pra se absorver ao mesmo tempo, numa hora ela estava apreciando o Sol enfrente a sua escola e agora estava deitada num lugar escuro e frio com um homem a observando sorrindo sadicamente.

Ela tremia levemente, não sabia ao certo se de medo ou de frio e quando encarou aqueles olhos cinzentos ela o reconheceu:

- Malfoy!
- Sim, eu mesmo Weasley, agora vamos logo que eu não tenho muito tempo para conversa afiada e preciso que você escreva duas cartas, vou ditar – disse em tom superior e atirou em cima dela os pergaminhos e a pena.
- Eu não fazer nada pra você! Agora abra essa maldita grade ou você vai ver! – falou ela se levantando do colchão com as orelhas vermelhas de raiva.
- Ora, o que temos aqui, uma garotinha temperamental. Fique sabendo que você agora faz parte do nosso plano e vai me obedecer e escrever a carta. Se não fizer de boa vontade, vai ser a força, conhece a Maldição Imperius?
- Você vai ver Malfoy, Dumbledore vai descobrir que você me seqüestrou, Harry vai acabar com você! – disse ela se segurando para não avançar nele.
- Não diga asneiras sua morta de fome, seu namoradinho nem vai desconfiar, acho que ele não vai sentir a sua falta, vai ter alguém melhor no seu lugar.
- É mentira! – disse Gina e se sentiu idiota logo depois, que coisa mais infantil de se dizer, ela sabia muito bem que Malfoy era capaz disso, mas a idéia de alguém estar se beijando com Harry em vez dela fazia seu coração apertar. Com um feitiço Draco empurrou a ruiva de volta ao colchão.
- Vamos escreva! Você não vai gostar se eu me aborrecer, vou ter que castiga-la e realmente a Maldição Cruciatus não é nada agradável. – falou ele rindo, mas na sua cabeça a idéia de machuca-la, parecia absurda, ela era tão pequena, tão frágil que para Draco lembrava a boneca de porcelana que sua prima não largava quando era pequena.

Gina ainda sentada passou o cobertor ao redor dos ombros, estava realmente frio ali, ela gostaria que os archotes fossem maiores talvez aquecessem mais. Ela apoio o pergaminho no chão de pedra e Draco começou a ditar, às vezes ela parava indignada em algumas linhas, mas com o olhar firme e ameaçador de Malfoy ela voltava a escrever.

- Pronto! Satisfeito?
- Claro... – falou ele com a voz arrastada e esticou o braço para pegar as cartas, quando segurou o pergaminho sua mão esbarrou na dela e ele pode perceber como estava gelada. – Com frio?
- Não te interessa!
- Weasley, Weasley, não brinque com fogo.
- Nossa que medo! Você acha o que? Só porque você resolveu ir pro lado de você-sabe-quem pensa que é alguém importante? Que eu deveria temer? Não Malfoy, eu não tenho medo de capachos!
- Capachos? – falou ele com uma expressão divertida no rosto
- Sim capachos! Ou você pensa que você e os outros comensais mandam em alguma coisa, todo mundo sabe que vocês só servem pra cumprir as ordens daquele-que-não-deve-ser-nomeado! Que são um nada pra ele, meu pai me contou que muitos bruxos das trevas já foram mortos depois que não tiveram mais utilidade.
- Não fale do que não sabe pobretona, os comensais podem alcançar honras que você nem pode sonhar – disse ele fingindo que não se afetara com nada que ela disse.
- Ah sim, vamos ver então, se depois do seu plano você vai receber algum valor, provavelmente vai ficar esquecido ou melhor vai ser morto. Você-sabe-quem pega os créditos das maldades cometidas pelos comensais.
- Cala boca Weasley, o que você entende de comensais? – era melhor ela ficar quieta logo, já estava começando a ficar irritado, a ruiva tocara num ponto que ele andara pensando muito ultimamente, seu reconhecimento.
- Posso não entender muito, mas o óbvio todo mundo sabe! Eu tenho pena de vocês, que se tornam nessa coisa ridícula, serviçais sem opinião própria que morrem e matam para realizar os desejos de um lunático! – gritou a menina, parecia que aquilo tudo estava engasgado na garganta dela.

Ela não queria mais aquela guerra, queria ir embora pra bem longe, queria paz. Sentiu seus olhos encherem de lágrimas, mas ela não choraria na frente de Malfoy, não daria esse prazer a ele.

As palavras de Gina pareciam ter surgido algum efeito sobre ele que continuava calado olhando para ela e parecia sofrer um conflito interior muito grande. A cabeça de Draco explodia de dúvidas e incertezas, será que aquilo tudo era uma grande falsidade? Ele só estava realizando os desejos de um doido? Não teria Draco a sua fama e poder depois de trazer Potter para seu mestre? Será que a Weasley estava certa?

Ele olhou para a garota que havia se encolhido mais nos cobertores, lágrimas silenciosas corriam pelo rosto dela e ela abaixara a cabeça numa tentativa de esconde-las. Aquela cena não estava nada boa, Draco não gostava de ver gente chorando, ele não sabia como agir, poderia caçoar dela, mas não achou que fosse a coisa certa a fazer naquele momento.

Então o loiro resolveu se sentar ao lado dela no colchão, sua cabeça ainda fervilhava em pensamentos, ele percebeu que ela tinha um cheiro muito bom, meio adocicado, mas tentou não pensar nisso.

Então sua cabeça finalmente clareou e ele pode enxergar o erro que estava cometendo. Ele não queria ser capacho, ele queria ser patrão! Não percebera que ele era apenas uma peça de xadrez no jogo doentio de Voldemort. É claro que ele não iria para o lado de Dumbledore! Mas ele também não podia permanecer ali! Mas se ele fosse embora com certeza o perseguiriam. Mas talvez o plano os mantivesse ocupados, ele podia fugir, com a Weasley lá o plano poderia continuar e ele teria tempo o suficiente para se esconder.

Gina tentava se segurar, mas não conseguia parar de chorar, pensava em seus irmãos e em seu pai correndo risco de vida, pensava na falta que Gui lhe fazia, pensava em Harry, queria que ele a tirasse dali e salvasse sua vida.

- Eu vou embora – disse Draco decidido mais para si mesmo do que para Gina.
- Embora? Vai fugir? – falou ela levantando o rosto vermelho e limpando as lágrimas.
- Não, vou tomar uma cerveja amanteigada no Três Vassouras e já volto... Claro que vou fugir sua burra!
- Vai me deixar aqui? – perguntou ela ignorando a grosseria.
- E o que te faz pensar que eu quero uma Weasley nojenta como você no meu caminho?
- Seu idiota! – falou ela com raiva.

Draco ignorou e se levantou, já havia destrancado a cela e estava do lado de fora pronto para trancá-la novamente quando ouviu a voz de Gina baixa e suplicante:

- Malfoy, por favor, não me deixe aqui.

Draco a encarou, ela era realmente linda mesmo com os olhos vermelhos, ele sabia o quanto seria ruim levá-la dali, eles provavelmente seriam pegos, mas a idéia de deixa-la ali para ser morta por Voldemort o fazia se sentir estranho. Ele não era acostumado a sentir pena de ninguém, e não achava que era aquilo que sentia por ela.

A garota olhava esperançosa para ele que tinha uma das mãos apoiadas nas grades, se ele não fosse tão arrogante e estúpido ela jurava que ele pareceria realmente bonito. As vestes pretas combinavam perfeitamente com o cabelo loiro platinado e Gina pensou que talvez ele as usasse por isso.

Então sem dizer mais nenhuma palavra ele trancou a porta e saiu andando pelo corredor, os passos pesados aos ouvidos da ruiva soavam como o som da morte. Sabia que agora não teria a menor chance, estava nas mãos de você-sabe-quem.

N/A: Mais um cap no ar, espero que estejam gostando da fic. Deixem um comentário por favor e não esqueçam de votar!

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