EXTRA: DISCUSSÕES PARALELAS



Um atrás do outro, os três amigos saíram do Salão, segundo Alvo Dumbledore como o líder de uma fila única. Rose, a mais baixa na frente, Scorpius depois, e Al logo atrás, como se não quisesse ser tão visto quanto os outros.


A sensação que passava por eles enquanto percorriam os corredores de Hogwarts na direção do gabinete do diretor; a escola era idêntica, e ao mesmo tempo muito diferente daquela a que estavam acostumados. E cada aluno, cada rapaz e moça que viam, lhes atiçava a imaginação, fazendo-os pensar que adulto seria na época deles.


E o mais importante: que adulto seria depois que mudassem o futuro?


- Senha? – pediu uma voz muito familiar.


- Delícia gasosa – disse Dumbledore.


A gárgula saltou para o lado, revelando uma escadaria para o escritório do diretor.


Os três amigos se entreolharam, nervosos, e seguiram Dumbledore escada acima.


Teriam arregalado os olhos se já não conhecessem o escritório, que haviam visitado tantas vezes; de todo jeito, era uma visão fascinante: seus olhos correram dos quadros diretores, aos instrumentos de prata que soltavam baforadas de fumaça, ao poleiro em que se encontrava um imponente pássaro vermelho.


- Sentem-se – pediu Dumbledore, fazendo aparecer três cadeiras iguais.


Al se sentou primeiro, na cadeira do meio, a mais próxima do diretor, e Rose do lado esquerdo, admirando cada instrumentozinho curioso presente, e Scorpius do direito, fixando o pássaro com uma curiosidade incontida.


De tão perto, era uma visão muito mais esplêndida; embora seus cabelos e barbas não brilhassem mais como no Salão, davam-lhe uma aparência de grande idade e sabedoria, e seus olhos azuis pareciam enxergá-los até o cerne de suas almas.


- Pois bem. – disse, lentamente. – Eu só posso entender que os três têm planos muito grandiosos para nós.


- Temos, professor – confessou Rose, de imediato.


- E sabem, também – continuou ele, sério. -, que grandes planos – disse, aproximando o rosto do deles. – tendem a conceber grandes falhas.


Os três se encolheram levemente, sem conseguir desviar do olhar penetrante de Dumbledore.


- Sabemos disso, professor – disse Rose, lentamente. – Foi por isso que... – ela respirou e continuou – planejamos isso por meses; planejamos para que data viríamos, para quem leríamos, e como poderíamos arranjar para que as pessoas em problemas com a lei não pudessem ser presas, além, claro, de como convencer todo mundo a ler os livros...


- E, naturalmente, os três perceberam que falhas poderiam acontecer, não? – insistiu Dumbledore. – Vocês mandaram os livros para a professora Umbridge, nossa maior antagonista no momento, esperando que ela se convencesse de que o texto revelaria a verdade em que ela acreditava.


- É, esperávamos por isso – confirmou Scorpius, sentindo a expressão de Dumbledore endurecer.


O que teria acontecido – continuou o diretor. –, se a professora Umbridge não tivesse acreditado? Se ela tivesse examinado os livros que mandaram, em vez de convocar imediatamente as pessoas que pediram para ler? Imaginei que, quem quer que estivesse por trás disso – indicou o exemplar de Ordem da Fênix. – tivesse pensado cuidadosamente nisso.


Os três amigos sentiram-se diminuídos de repente; era como se as possíveis falhas no plano tivessem desabado na forma de um pesado muro sobre eles.


- Nós – disse Rose. -, nós contávamos com isso, professor; apesar de, sim, ter tido a possibilidade de ter dado errado.


- Por isso nós tomamos precauções – explicou Scorpius. – para que ninguém lesse os livros antes do tempo.


- O senhor não tentou? – perguntou Al.


- Sim – admitiu Dumbledore, fixando os olhos em Ordem da Fênix. – mas não encontrei nada além de páginas em branco, e um título desfocado.


- Exato! – confirmou Rose. – Quando o pessoal da escola, do Ministério e da Ordem aceitou fazer parte da leitura, eles concordaram em ler em conjunto; e assim, o encantamento fez efeito.


- Agora, todos estão sujeitos às regras que impusemos – completou Scorpius.


- Não podem abandonar a leitura por muito tempo – disse Al – assim, certas pessoas não vão poder escapar.


“Não podem punir ou condenar ninguém com base no que o livro diz – continuou ele. – Assim, não puderam prender o Sirius quando ele apareceu, nem vão poder castigar ninguém por, digamos, coisas que os livros revelem depois.


- E não podem comentar o que descobriram com outras pessoas fora do grupo que está acompanhando a leitura – acrescentou Rose. – Assim, todas as informações continuam em sigilo.


- E parte delas vai continuar em sigilo mesmo depois que a leitura acabar – completou Scorpius.


- Para resumir – disse Al. – não deixamos pontas soltas.


O diretor permaneceu em silêncio, nem parecendo feliz nem zangado; aparentemente examinando cada um dos três.


- Parece – disse ele, após uma longa pausa. –, que vocês três puseram muito tempo e muita dedicação nesse plano. E me parece que um plano tão dedicado e tão complexo necessita de mais do que mera vontade de se aventurar pelo tempo.


O trio pareceu receoso, como se Dumbledore tivesse descoberto um segredo muito importante.


- Uma motivação tão grande – continuou Dumbledore. – e tão poderosa, que garantiria que pudessem ter sucesso em sua jornada de alterar a história, ao invés de um retumbante e catastrófico fracasso.


Rose engoliu em seco; mas Dumbledore não parecia zangado.


- Que motivação seria essa? – perguntou ele. – Algo que garantisse o sucesso, que já estivesse... previsto. Oh, sim! – exclamou ele, como se tivesse acabado de perceber. Uma profecia!


A fênix de Dumbledore começou a cantar; os três amigos tiveram a atenção desviada pela linda melodia de Fawkes. Mas Dumbledore continuou os encarando.


Nenhum deles parecia querer tirar os olhos da fênix; mas mesmo assim, Dumbledore continuou a falar:


- Uma predição de que isso aconteceria; de que haveria a chance de viajar no passado; viajar sem distorcê-lo, e consertar os erros há muito cometidos. Ou no nosso caso, que seriam cometidos posteriormente.


“Mas o mais intrigante” disse ele, como se falasse consigo mesmo, “ é que antes de vocês chegarem, eu estava certo de que os livros enviados para nós revelariam a verdade graças a uma profecia”


Al e Rose se viraram de repente. Scorpius se virou segundos depois.


- Uma profecia conhecida apenas por mim, e que se encontra no Departamento de Mistérios... ah, sim, vocês devem conhecer a Sala das Profecias... mas esta que me veio à cabeça não tinha nada a ver com três viajantes do tempo que leriam o futuro para nós; era sobre uma escritora, que “escreveria a história de um grande herói, e sua jornada, seus amigos e inimigos seriam conhecidos tanto pelo mundo da magia quanto pelo mundo não-mágico”, e de fato, segundo esta profecia, a pessoa responsável por escrever essa história seria uma trouxa, que à essa altura já está escrevendo essa história.


Os olhos de Dumbledore se baixaram à altura dos três, procurando sinais que confirmassem aquilo; Al, Rose e Scorpius tentaram permanecer impassíveis, mas não era mais possível.


- Sim, a profecia dizia que ela começaria a escrever ao início da nona década deste século; ou seja, há cinco anos... e que terminaria e publicaria essa grande história no sétimo ano desta nona década.


- Daqui a dois anos – completou Al.


- Sim – disse Dumbledore. – Eu me pergunto agora, como essa moça trouxa estaria escrevendo a história de Harry Potter há cinco anos, se a jornada dele ainda não terminou? Como ela poderia saber de tantos detalhes, a ponto de lançá-la no ano em que Harry mal terá completado sua educação em Hogwarts?


Os três tinham olhos muito arregalados; claro, já esperavam que Dumbledore soubesse de alguns detalhes, mas agora tinham a confirmação de que ele sabia de absolutamente tudo.


- É uma longa história, professor – disse Rose, enfim. – E envolve outra profecia...


FORA DO ESCRITÓRIO DO DIRETOR


Sirius Black estava parado diante da gárgula, desejando que soubesse a senha para entrar; Dumbledore, afinal, prometera falar com ele, mas ao fim do último capítulo, pedira que ele esperasse enquanto conversava com os garotos que haviam surgido no meio do castelo.


Não era que estivesse tão ansioso para falar com o diretor, mas tinha certa vontade de dizer algumas verdades a ele, e quando terminasse, conversar pessoalmente com os tais garotos do futuro.


Principalmente com o garoto Al.


- Sirius?!


Ele se virou e deu de cara com Harry. Era a primeira vez que encontrava com o garoto desde que havia sido praticamente libertado.


Não pensou em abraçá-lo; quando viu, estava com ele envolvido diante da gárgula de pedra, juntos como irmãos, sem que ninguém pudesse separá-los mais.


- Estou esperando Dumbledore – disse ele, quando soltou Harry. – Ele disse que queria conversar comigo depois, mas agora, está com, você sabe, aquele pessoal do futuro.


- Ah, é – murmurou Harry, que ainda não conseguia entender. – Você acredita nisso?


- Você não viu de perto o que aconteceu, Harry – disse o padrinho, enfático. – Eles surgiram bem diante de mim, de um fogo branco como eu nunca tinha visto...


- Mas e se isso tiver sido um truque?


Sirius parou de falar na hora, encarando Harry, sério. Não queria acreditar que aquilo fosse uma armação, não depois que, graças a eles, ele tinha sido inocentado.


- Harry – murmurou ele. – Você viu com quem aquele garoto parece?... O moreno?..


- Bem...


- Ah, você viu, Harry, todo mundo viu! Ele é seu filho!


Harry não conseguiu achar palavras a dizer.


- Claro que é seu filho! Eu reconheceria em qualquer lugar os cabelos do James, o nariz, é ainda mais parecido com o seu... e os olhos dele, Harry, você viu – exclamou Sirius, parecendo um adolescente ansioso. – ele tem...


- Os olhos da minha mãe.


Harry conhecia aquela frase; era muito estranho ouvi-la ser referida a outra pessoa.


- Sim! E isso, Harry, mais do que tudo, significa que você estará vivo, daqui a muitos anos...


- Sirius...


- É, eu sei, é estranho.


- É mais do que estranho! Ele vem do nada e eu nem sei o que aconteceu... vai acontecer... ia acontecer... nem sei quem são os outros, quem é a mãe dele...


- Deve ser uma mulher e tanto – disse Sirius, dando uma piscadela ao afilhado.


- Estou falando sério, como é que eles vieram do futuro?


- E isso importa? – disse Sirius. – Agora, graças a eles, eu estou livre, e vamos poder consertar tudo que tem de errado nessa história!


Harry franziu a testa, mas conseguiu sorrir.


- Você parece muito confiante.


- Claro! – bradou ele. – Se isso é um plano do seu filho, neto do James, acredite, Harry, vai dar certo!


A alegria e confiança no padrinho era tamanha, de um modo que Harry jamais vira, que ele não se atreveu a contradizê-lo.


- Por que está tão certo disso, Black?


Harry se virou de supetão para aquela voz suave tão familiar. Snape vinha na direção deles, inexpressivo e rígido como sempre.


- O que você quer aqui?


- Pretendo falar com o diretor – disse Snape, frio. – Nada que seja da sua conta. Ele deve querer ter comigo depois que terminar de interrogar os três que fizeram a burrice de distorcer o tempo.


Sirius endureceu o rosto; e Harry ficou indeciso entre imitar o padrinho e ficar na frente dele e do seu professor, antes que acontecesse uma catástrofe.


- Você parece muito confiante de que o plano desses três de alterar o passado dará certo.


- Oh, sim – confirmou Sirius. – Acho que é um plano brilhante.


- Irresponsável é a palavra – retrucou Snape. – Não se deve usar magia para alterar o tempo, qualquer idiota sabe disso. E me parece que esses três que surgiram, na nobre intenção de salvarem vidas, condenaram todos nós à destruição da realidade.


- É mesmo?! – desafiou Sirius. – Você não me parece aniquilado; é uma pena.


- Ah, sim; você ainda está desapontado de não ter conseguido me matar anos atrás, Black? – os olhos de Snape se fixaram nos de Harry, escuros e abissais.


Sirius não respondeu; mas Harry viu o padrinho mexer a mão por baixo das vestes.


- Vim falar com Dumbledore; ele queria conversar comigo depois do último capítulo.


- Mas me parece que ele prefere conversar com os três aventureiros do futuro – retrucou Snape, com voz de seda. – Parece que você se tornou menos importante, Black; embora você já não fosse muito importante antes...


Harry precisou de toda a força dos dois braços para segurar Sirius pela mão da varinha, enquanto Snape retirava a dele...


Nisso, a entrada do escritório do diretor se abriu; Al, Rose e Scorpius surgiram, seguidos por Dumbledore, que sorria, até ver os dois homens com as varinhas erguidas.


- Sirius! – disse Dumbledore. – Acho que podemos conversar agora. Severo, se puder esperar...


Mas Snape já estava se retirando.


- Com licença – disse Scorpius.


Harry e Sirius se entreolharam, confusos; Al e Rose pareceram também não entender por que o garoto fora atrás de Snape. 


Enquanto isso: SALÃO COMUNAL DA SONSERINA


- Não, ainda não! – insistia Draco, tentando manter a voz baixa.


Estava deitado em um dos sofás mais largos do Salão, enquanto Crabbe, Goyle e Pansy se espremiam em outro.


- Mas por que a gente não temos um plano agora? – perguntou Crabbe.


- Porque não temos nada para fazer agora – insistiu Draco, impaciente. – Não nos deram quase nenhuma informação; nada sobre a tal arma, quase nada sobre a Ordem da Fênix, absolutamente nada... até agora, só falaram o que já sabíamos: o Potter foi julgado, absolvido porque Dumbledore mexeu os pauzinhos. – disse, revirando os olhos.


- Então o que a gente faz?


- Nada, ainda – disse Draco, como se fosse óbvio. –Temos que esperar que eles passem alguma informação útil; talvez sobre os planos da Ordem da Fênix, ou o quanto eles sabem do Lorde das Trevas...


- Espere aí, Draco!


Pansy olhou para os lados, vendo se alguém estava espiando; viu Daphne e Tracey conversando, e três alunos do terceiro ano estudando, e alguns mais novos jogando Snap Explosivo; ninguém olhava na direção deles.


- Pode parar de vigiar, Pansy – disse Draco, despreocupado. – Ninguém aqui se atreve a nos espiar.


Mas o garoto não estava totalmente certo; do outro lado do Salão, Daphne e Tracey podiam ouvir quase claramente a turma de Draco.


- Incrível como Malfoy pensa que ninguém está escutando – murmurou Tracey, enquanto se levantavam para ir ao dormitório.


- Ele sabe que as pessoas estão ouvindo. – disse Daphne. – Ele só não se importa; na verdade, acho que ele gosta disso. Deve achar que parece mais importante, sabendo dessas coisas.


Tracey estremeceu.


- Mas as coisas de que ele fala – murmurou ela. – coisas realmente perigosas...


- Ele só está se exibindo – Daphne sacudiu a cabeça. – Aposto que nada do que ele fala é verdade.


Tracey suspirou, contrafeita, enquanto entravam no dormitório que dizia QUINTA SÉRIE.


- Só acho que ele devia parar de falar certas coisas – resmungou Tracey, apanhando um pente e desfazendo sua trança. – Ou vai acabar sendo azarado, como da última vez. Lembra quando ele foi transformado numa doninha?


- É, foi muito engraçado – riu-se Daphne, enquanto penteava os cabelos de Tracey.


- Ele tentou atacar o Harry Potter pelas costas e aconteceu isso – tartamudeou Tracey, olhando-se no espelho. – Depois, ele fica falando besteiras no meio do Salão, consciente de que tem pessoas ouvindo que se ofendem com o que ele diz, e o que acontece? – Tracey sorriu. – Vai para a enfermaria com a garganta pegando fogo.


- Foi você! - exclamou Daphne, de repente, e Tracey se levantou de salto, virando-se para a amiga. – Foi você que azarou o Draco quando estávamos lendo o primeiro capítulo! – disse com um sorriso enviesado.


- Que bobagem – retorquiu Tracey, vacilante. – Por que eu... tá, fui eu – admitiu a garota, com um forte suspiro. – Eu não aguentava mais ouvir Malfoy falando idiotices, eu tenho um limite, sabia?


- Quem é? – perguntou Daphne, de repente.


- Quem é quem?


- O seu parente trouxa – insistiu Daphne, divertindo-se com a vermelhidão que surgiu no rosto de Tracey. – Draco estava caçoando do primo trouxa do Harry Potter, foi isso que irritou você.


- Então, você adivinhou que eu tenho parentes trouxas? – ironizou Tracey. – Parabéns, Daphne, só demorou quatro anos para que você percebesse... e se quer saber, é meu avô – e tomou o pente da amiga, começando a escovar os cabelos sozinha.


Então se virou, olhando com desafio para a amiga como se esperasse alguma reação àquela informação; mas Daphne não disse nada.


- Ele é o melhor avô do mundo –murmurou ela, em tom choroso. – Ele brincava comigo, contava histórias, me fazia rir; todos na minha família o amamos e ele está...


Ela não conseguiu continuar; sentou-se na cama de dossel, como se fosse chorar. Mas Daphne veio envolvê-la em um abraço.


- Toda hora eu tenho que ouvir alguém falar bobagens como as que Malfoy diz, e eu penso nele... ele adoeceu no último verão e você sabe, trouxas não são muito resistentes... ah, olha só, já sou eu falando bobagens.


- Por que você nunca falou disso comigo? – perguntou Daphne.


- Ah, seria uma conversa animada – retrucou Tracey, esfregando os olhos com violência. – posso imaginar as piadas que Pansy e Millicent fariam; e você riria de todas elas, não é?


Daphne sentiu o rosto esquentar.


- Eu rio de praticamente tudo que elas dizem, é meio que automático... Tracy eu não sabia que você...


- Que eu tenho um avô trouxa? – Tracey pôs-se de pé. – E não é só isso; meu outro avô era nascido-trouxa, e foi da Lufa-Lufa; morreu na Primeira Guerra Bruxa. Devia ser um idiota, não é?


- Tracy...


- Não existe nenhuma família bruxa com o nome Davis! – retrucou Tracey. – Vocês todas sabiam que eu não podia ser puro-sangue! – desafiou ela.


- Escuta, Tracy...


- Vou passear lá fora – disse Tracey, brevemente. – Sozinha.


E saiu do Salão Comunal da Sonserina, sem nem tentar escutar as bobagens que Draco falava.


Enquanto isso, Astoria Greengrass, Derek Bennett e Reiko Sibazaki, sentados a três metros da turma de Malfoy, conversavam discretamente.


- O que vocês acham que vai acontecer agora? – perguntou Reiko.


- Acho que vão continuar a ler os livros, até descobrirmos tudo que vai acontecer - resumiu Derek.


- Disso já sabemos, Derek – replicou Astoria, sacudindo a cabeça; todos falavam em sussurro; diferente da turma de Draco, não queriam ser ouvidos.


- Acho que é cedo para sabermos o que vamos fazer – disse Derek. – Quer dizer, até agora, só lemos coisas que já aconteceram... a audiência do Potter, essas coisas...


- Mas descobrimos algumas coisas interessantes – disse Reiko. – Potter foi atacado por dementadores, isso é muito assustador, e a audiência, aquilo foi ridículo.


- Patético – concordou Astoria. – O ministro parecia desesperado para prejudicar o Harry Potter.


- Ele não queria acreditar que Você-Sabe-Quem voltou – disse Derek, sentindo um arrepio na espinha. – Se isso for verdade...


- É verdade – disse Astoria. – Eu não acho que aquele pessoal viajaria do futuro para contar isso se não fosse verdade.


- Será mesmo? – duvidou Reiko.


- Você viu de relance aquele garoto, não é? – perguntou Astoria. – É filho do Harry Potter, todo mundo percebeu isso.


- E aquele outro, o loiro – disse Derek. – Ele lembra alguém.


Todos os três tomaram cuidado de não olhar na direção de Malfoy e sua turma; no Salão Comunal, ninguém se atrevia a espiá-los, por medo ou cumplicidade.


SALÃO COMUNAL DA GRIFINÓRIA


Rony e Hermione esperavam por Harry, Hermione folheando um livro sem conseguir se concentrar, Rony arrumando as peças de xadrez sobre a mesa.


- Quando será que eles vão voltar? – perguntou Rony.


- Pela sexta vez, Ron, eu não sei. Acho que, depois de tudo que aconteceu, Harry deve querer ficar com Sirius por um tempo. Quer dizer eu não sei... queria que eles viessem logo, também...


O buraco do retrato se abriu, e os amigos viram Harry chegar, sério, ao lado da garota ruivade cabelos espessos, Rose.


- Ah! – exclamou Hermione, desconcertada. – Olá! Eh, você vai ficar aqui?


- Bom, acho que não – disse Rose, passando a mão na nuca. – O diretor disse que devíamos ficar em quartos que ele mesmo preparou, porque o Salão Comunal é só para os alunos da Grifinória.


- Mas você é da Grifinória, não é? – perguntou Rony, de repente, ansioso.


- Eu já terminei a escola – explicou Rose, sem querer se demorar naquele assunto. – E Al e Scorpius também. Faz uns meses que nos formamos.


Hermione olhou nos olhos azuis da garota, cintilantes de orgulho de ter se formado; por um instante, sentiu um impulso de ir abraçá-la, dar os parabéns.


Mas não fez isso.


- B-bem – disse Hermione. – O que vocês pretendem fazer agora?


- Vamos continuar a ler nos próximos fins de semana. – explicou Rose. – Dumbledore diz que os alunos não podem ter as aulas paradas, e que precisam de tempo para estudar; por isso que amanhã, não vamos poder ler só no próximo sábado.


- Então, ainda vamos ter aula de Poções – lamentou-se Rony.


- Onde estão os outros? – perguntou Hermione, de repente. – O Al e o outro...


- O Scorpius foi falar com uma pessoa, e o Al está lá fora.


- Bom, e então, como é que é? – disse Rony de repente.


Rose ficou pálida.


- Quer dizer, vocês são do futuro, devem saber o que está acontecendo agora – resumiu Rony. – O que é para fazer agora.


Hermione lançou um olhar de censura ao amigo, mas ele e Harry encolheram os ombros. Os dois pareciam concordar que era hora de receber respostas.


Nisso, Al, o garoto de cabelos rebeldes e negros, entrou pelo buraco do retrato. Tinha os olhos arregalados, e olhava para os lados, como se tivesse entrado ali pela primeira vez.


- Bem – disse Rose em um suspiro. – Já explicamos o quadro geral ao Dumbledore, acho melhor explicarmos a eles, também. Não é, Al?


Al, que parecia distraído, virou-se, ciente de que todos tinham os olhos postos nele.


- Tudo bem – disse ele, brevemente. – Por onde a gente começa?


DE VOLTA AO ESCRITÓRIO DE DUMBLEDORE, MINUTOS ANTES


- Outra profecia?! – repetiu Dumbledore, muito calmo. – Uma feita na época de vocês, eu imagino.


- Sim – respondeu Scorpius. – Pouco antes de terminarmos a escola.


- Aconteceu uns dias depois que tivemos aquela confusão com o Vira-Tempo do Theodore No... AI!


Rose e Scorpius deram cotoveladas nos flancos de Al, assim que ele começou a falar demais.


- Bem, casos da nossa época à parte – disse Rose, olhando com reprovação para Al. – aconteceu que nós fomos ver a Trelawney.


- Oh, a professora Trelawney! – exclamou Dumbledore, com divertimento. – Claro, claro quem mais poderia ser?


- Bem, nenhum de nós estava estudando Adivinhação nessa época, mas tivemos que ajudá-la com umas garrafas que ela tinha derrubado à caminho do escritório da diretora... diretor – vacilou Rose, sem querer revelar nada. – Ela estava resmungona como sempre, reclamando de como todos nós fugimos da matéria dela e tudo mais – Rose sacudiu a cabeça. – Mas aí... – a garota empalideceu.


Dumbledore abriu mais seus profundos olhos azuis, encontrando os de Rose com invasiva curiosidade. A garota pareceu entrar em choque. Scorpius passou o braço pelos ombros da colega.


- Rose foi quem viu mais de perto – explicou Scorpius, com um meio-sorriso. – Eu estava do outro lado do corredor, catando uma garrafa vazia, e Al estava vindo me ajudar a pegar outra, quando aconteceu.


- A professora Trelawney teve uma visão? – adivinhou Dumbledore.


Rose suspirou; fechou os olhos e desandou a falar:


- Ela me agarrou pelo braço, e começou a falar, muito mais grave do que a voz normal dela. Ela disse “a chance se aproxima” – ela engoliu em seco. – “a chance de mudar o curso de toda a História se aproxima.


“Aqueles que poderão mudar toda a História chegarão; nascidos no sexto ano do milênio, filhos daqueles que por seis anos se antagonizaram”


Rose parou, passando a mão no braço onde a professora de Adivinhação tinha apertado durante seu surto.


“A chance de mudar nossa História, de mudar tudo”, continuou Scorpius, “de desfazer as dores e perdas que a História nos trouxe/’, ah! É difícil resumir!


- Talvez haja um jeito melhor.


Dumbledore se aproximou, cauteloso, examinando a testa de cada um dos meninos, e puxou sua varinha. Os três olharam surpresos para aquele extraordinário objeto, mas não Dumbledore não deu atenção a isso.


- Se me permitirem – e em poucos minutos, uma lembrança deixava a cabeça de Al, pendurada na varinha de Dumbledore, que se dirigia a um objeto que eles bem conheciam.


O diretor girou a lembrança na bacia de pedra, enquanto os três amigos observavam, quietos.


“A chance de mudar a História como a conhecemos”, disse uma voz gutural da Penseira “ de desfazer a dor e a perda que a História nos trouxe, chegará ao final do oitavo mês, quando aqueles que conseguirem mudar a História adquirirem o poder de realizá-la”


“A História será narrada aos que não a viveram, e eles terão a escolha de muda-la ou repeti-laaaaaaaaa”


A voz foi morrendo, à medida que outras voz, mais branda, surgia.


“Querem alguma coisa, queridos?”


Dumbledore girou a lembrança de volta à sua varinha.


Caminhou de volta ao encontro de Al, e com um toque da varinha, devolveu a lembrança ao seu dono. Em seguida, sentou-se, pensativo.


- Bem – murmurou, divagando. – Isso torna as coisas mais sérias.


...


 


- Uma profecia?!


Rony estava boquiaberto; Hermione, sinceramente cética; Harry, perplexo.


- Sim – confirmou Al. – A Trelawney teve uma previsão de que isso ia acontecer; e nós decidimos, bem, seguir a profecia.


- Uau! – exclamou Rony. – Então, profecias existem mesmo; quer dizer, de verdade, feitas por videntes... e a Trelawney...


- É uma vidente – admitiu Rose, de má vontade. – Só que ela não sabe; e é melhor nem contarmos a ela.


Hermione fungou.


- Vocês realmente seguiram o que a Trelawney disse durante uma encenação?


- Não foi uma encenação! – afirmou Rose. – Eu sei que não foi... ela entrou em transe, eu vi, de perto... a voz dela não era a dela... dava até medo...


- Mas nós descobrimos o que ela queria dizer – disse Al. – A quem ela se referia.


- A vocês? – disse Harry. – Que iam voltar no tempo e trazer a história do futuro para ler para nós?


Al e Rose confirmaram com a cabeça.


- Nascidos no sexto ano do milênio – repetiu Hermione. – filhos daqueles que por seis anos se antagonizaram...


- Mas vocês são filhos do Harry e da Hermione! – falou Rony, de repente.


Al e Rose arregalaram os olhos.


- Qual é, todo mundo percebeu – brincou Rony. – Ela é a sua cara, Hermione, até o cabelo... fora que você não é ruiva.


Rony parou de falar; tinha ficado muito vermelho.


- É, verdade nós percebemos quem vocês eram, logo no começo – admitiu Hermione, vendo a expressão de surpresa sumir do rosto dos dois. – Mas eu não entendi: “filhos daqueles que por seis anos se antagonizaram... Harry e eu nunca fomos de brigar um com o outro.


- Mas você e Rony – brinco Harry, divertindo-se em ver a garota ficar igualmente vermelha. – Espera aí! O outro garoto...


- O tal do Scorpio... Escórpios...


- Quer dizer que... – disse Hermione.


- É – disse Al. – Ele é filho de Draco Malfoy. 


~~
Olá! Eu sei que estou atradadíssimo com este capítulo, mas acontece que não tenho tido muito tempo livre pra escrever. Espero que não decepcione vocês; eu quis fazer uma coletânea de acontecimentos paralelos entre os núcleos de Hogwarts. Faltam mais alguns, que devem sair no próximo capítulo. 

Sonhadora Dixon: eu sinto muito não tenho conseguido arranjar tempo para escrever, então tenho que esperar quando o tempo e a insipiração vêm juntos. Obrigado por continuar acompanhando. 

Beth Lahos: lamento pela demora, estou tentando trabalhar nisso, mas acontece que a maior parte do tempo, tempo lovre e inspiração não ficam juntos, e eu tenho que aguardar um lapso de ciratividade no momento certo... obrigado por acompanhar, e por favor, cuidado com a nota que dá, porque alguns coentários, mesmo positivos, estão dando notas sero e um, acho que é algum problema no site, eu não sei. Obrigado, assim mesmo.

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Comentários (3)

  • Beth Lahos

    nossa! amo caca vez mais! por favor, não deixe a gente tanto tempo sem atualizações....

    2017-06-24
  • Beth Lahos

    amooooo!

    2017-06-24
  • Sonhadora Dixon

    Adorei o capítulo, no geral eu não gosto de capítulos de conversas paralelas sem ler o livro, mas esse foi muito bom. Ele não foi muito extenso e soltou algumas pontas soltas...E ainda me deixou curiosa para saber o que aconteceria. Uma pergunta você está seguindo as predições do futuro da Criança Amaldiçoada? Então o Al e o Scorp são Sonserinos, certo? Por isso o Al olhava o salão comunal da Grifinória como se nunca o tivesse visto antes...

    2017-06-17
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