Capítulo 38



capítulo38











38. Capítulo 38


 


 


Lúcio Malfoy


 


 


Tinha alucinações estranhas. Tanto quando estava dormindo quanto quando estava acordado. Sua cabeça vagava perdida com o efeito das inúmeras poções que tomava por dias. Ouvira dizer de alguém que já haviam se passado mais de quatro semanas, mas ele era incapaz de medir o tempo no estado em que estava. Diversas vezes ele se via vestir a capa de sua adolescência novamente para encarar seu pai e sua mãe dizerem o quanto ele seria uma desgraça para a linhagem Malfoy se não aprendesse a se importar verdadeiramente com a família. Talvez não estivesse ficando bom logo porque tinha que lidar com a constante visita dos pais em suas alucinações.


 


Se tivera algo pelo qual ficara grato em sua vida, fora pela morte dos pais. Não que tivesse desejado a morte deles quando estavam vivos, mas parar de escutar o quanto era e seria incompetente no quesito carregar o sobrenome Malfoy, fora um alívio e tanto, embora a sombra da dúvida ainda o perseguisse. Dava o seu melhor. Considerava seu pai um dos maiores nomes da família Malfoy. Seus avós e os pais de seus avós foram um tanto quanto céticos com relação a família e por isso seu pai tivera que trabalhar duro para tirar os Malfoy da mesmice de duas gerações. Lúcia crescera ouvindo deles que precisava ser melhor. Precisava ser melhor que eles. Precisava fazer com que seus filhos fosse melhor que ele. Precisava fazer com que os filhos de seus filhos fossem melhor. Lúcio fazia seu melhor. Tentava não perder o foco. Tentava não perder o foco mesmo com Narcisa... Mesmo com Draco... Não podia perder o foco. Tinha que cuidar da família, da linhagem, tinha que fazer melhor. Tinha que fazer com que Draco fizesse melhor. Tinha que fazer com que fosse sempre melhor.


 


Podia dizer que vinha fazendo um bom trabalho até agora. Seu pai nunca diria que tinha orgulho de tudo que tinha feito até agora, simplesmente porque era seu pai. Mas ele certamente não ficaria desapontado. Draco era bem consciente do sobrenome que carregava, da responsabilidade da história que tinha que seguir e honrar. Narcisa sabia seu papel dentro de tudo aquilo e buscava dar o melhor de si. Mesmo com toda aquela confusão de achar que podia fugir de casa como uma garotinha de dez anos que se achava mal compreendida pelos pais, ela ainda assim tentava ser discreta. Ela era perfeita. Ela era a prova de que seu pai nunca errava em suas escolhas. Ninguém poderia ser uma melhor Sra. Malfoy do que ela.


 


Abriu os olhos percebendo que estava consciente. A ultima vez que estivera presente no mundo real em corpo alma e espírito, por completo, parecia fazer anos. Sua visão estava embaçada e seu corpo inteiro doía como se tivesse corrido uma maratona por um mês inteiro, sem descanso. Aquelas malditas balas trouxas carregavam algum tipo de magia que estava o consumindo. Ele estava começando a contar que aquele talvez pudesse ser seu fim.


 


-       Preciso de água. – ele murmurou com a boca seca informando que havia acordado de seu cochilo para quem quer que estivesse por perto. Tentou localizar-se e viu que não havia se movido. Ainda estava em seu quarto, em sua casa, em sua cama. Talvez fosse dia, ou talvez noite. Ele não podia dizer. As cortinas estavam todas fechadas e as velas acesas.


 


Encontrou Narcisa não muito distante e a observou abaixar o livro que tinha nas mãos para poder encará-lo da poltrona em que estava sentada.


 


-       Sabe que não pode beber água. – água poderia acabar atrapalhando o efeito de alguma poção que seu corpo ainda absorveria.


 


-       Então me dê qualquer coisa líquida. – implorou aborrecido.


 


Narcisa descansou o livro sobre o braço da poltrona e se levantou. Buscou um frasco grande com uma poção avermelhada e deu a ele, o ajudando a levantar-se o melhor possível para virar o frasco tentando fazer com que ele bebesse algo.


 


-       Nojento. – foi o que ele proferiu em protesto ao gosto amargo e seco que desceu por sua garganta.


 


-       Vai matar sua sede. – ela disse. – Era isso que queria, não era?


 


-       Queria água. – ele se ajeitou sobre os travesseiros.


 


-       Sabe que não pode ter. – finalizou ela e sentou-se na beira da cama ao lado dele. Eles se encararam por alguns segundos em silêncio. Lúcio sabia que estava pálido, que provavelmente tinha círculos escuros e enormes embaixo de seus olhos e que sem dúvida perdera peso. Mas ainda assim, apesar do ar severo e frio, Narcisa o encarava como se estivesse encantada com ele, como fizera desde a primeira vez que colocara os olhos sobre ele. – Como está se sentindo? – ela perguntou


 


-       Dolorido. – ele respondeu.


 


Magia o mantinha vivo, mas magia o mataria. As balas trouxas da arma trouxa que havia o atingido estavam encantadas por algum tipo de magia desconhecida. Era impossível fechar os buracos em seu corpo. Medibruxos de todo o mundo estavam tentando resolver o caso e haviam montado acampamento em sua casa.


 


-       Você parece melhor agora. Acredito ter feito minha parte. Meu dever. Você tem a assistência que precisa com todos esses medibruxos e curandeiros. Vou voltar para o meu apartamento essa semana. – ela não fez nenhum grande drama para soltar aquilo para ele.


 


Lúcio a encarou em silêncio por um bom tempo tentando ligar os pontos do que acabara de escutar.


 


-       Desde quando tem um apartamento?


 


-       Desde de o início do mês. – respondeu. - Você passava bastante tempo inconsciente quando mudei minhas coisas.


 


O fato de saber que ela não estivera constantemente com ele o afetava de alguma forma.


 


-       Com que dinheiro comprou um apartamento? – perguntou ele.


 


-       Com o pouco dinheiro que me deixou antes de bloquear meu acesso ao cofre principal. Na verdade, comprei o hotel. É um bom hotel, vai me gerar retorno financeiro o suficiente para que eu não precise ter acesso ao seu dinheiro, já que se recusa a dividi-lo comigo, mesmo eu sendo sua esposa.


 


Lúcio estreitou os olhos para ela.


 


-       Você não planejou isso sozinha, planejou? Não teria pensado nisso sozinha, e se tivesse, muito provavelmente não teria executado.


 


Narcisa deu de ombros.


 


-       Não importa. Draco e Hermione tem estado do meu lado e eles juntos produzem bastante ideia. Sem dúvida me ajudaram. Sabe disso. Não precisa encarar como uma novidade. – ela se levantou. – Precisa de mais alguma coisa?


 


Ele uniu as sobrancelhas.


 


-       Sim. Você. – ele aborreceu-se. – Preciso de você. Sabe disso. – Ela o entendia! Por que estava fazendo aquilo? Por que estava dando as costas para ele? Ela entendia qual o foco dele! Porque era o que era! Ela entendia! Ela sabia! Ela o conhecia! Por que estava fazendo aquilo?


 


-       Sei que precisa. Precisa porque não tem ninguém além de mim e por mais que tenha vivido uma vida onde procurou ser auto suficiente, sabe que precisa de alguém. Draco tem a vida dele há muito tempo e eu cansei de viver a minha esperando por algo que sei que nunca vai acontecer. – ela respirou fundo e se levantou. – Posso usar suas palavras se ainda não entendeu. Nós fizemos um bom trabalho. Cumprimos nosso dever com Sr. e Sra. Malfoy. Criamos Draco bem o suficiente para que ele entendesse o papel que tem como um Malfoy. A família que somos independe de laços afetivos, estamos juntos puramente por negócios, portanto já que você tem sua vida e Draco claramente tem a dele já faz tempo, já passou da hora de eu ter a minha.


 


-       Do que está falando, Narcisa. Você tem uma vida. – ainda sentia que sua boca parecia a descrição perfeita do deserto. – A família que temos depende sim de laços afetivos. Draco é meu filho. Você é minha mulher. Me importo com vocês.


 


-       Não. Você só se importa em como vamos contribuir para a linhagem do sobrenome Malfoy. Afeto, amor, cuidado e união nunca fizeram parte do nosso vocabulário.


 


-       Sim, fizeram. De uma forma indireta.


 


-       De uma forma falsa, Lúcio! Não se engane. Nunca houve amor, cuidado, afeto ou união entre nós. Tentei meu melhor com Draco, mas ainda assim as barreiras que sempre houveram em nossa casa limitaram todo e qualquer tipo de demonstração de afeto. Não pude e continuo não podendo usar todas as linguagens de amor e afeto com meu próprio filho porque você o fez ser exatamente como você.


 


Por que ela tinha que ser são sentimentalista? E porque ela achava que Draco era tão parecido com ele?


 


-       Draco é tão sentimentalista quanto você, Narcisa. – ele sentiu que estava perdendo as forças, mas tentou se esforçar o melhor que pode. – Mas esse não é o ponto. Você está dando as costas para mim. Você é a única mulher que eu amei, a única que eu amo e a única que vou amar. Me conhece melhor do que qualquer pessoa. Por que está me dando as costas depois de tudo que construímos?


 


-       Nós não construímos nada juntos, Lúcio. Você construiu tudo sozinho. Eu fui uma ferramenta na sua mão. Draco também foi uma. Continuamos sendo. Nos usa até hoje.


 


-       Porque é assim que tem que ser! É assim que funciona. Assim que vamos crescer!


 


-       Eu não me importo em crescer, Lúcio. Não mais. Me importo em ser feliz!


 


-       Nós somos felizes!


 


-       Não! Nenhum de nós é feliz. Eu não sou. Draco não é. Você não é. Principalmente você! Acha que ter seu nome gravado na história como o melhor Malfoy de todos os tempo vai te fazer o homem mais feliz do mundo. Traçar isso como foco e ignorar todo o resto foi o resumo da sua vida inteira. Tudo porque tem a necessidade de ser melhor do que seu pai para que ao menos uma vez possa ter a certeza de que tem algo que o faria ter orgulho de você. – ela definitivamente não estava contente. – Seu pai está morto, Lúcio! Talvez agora que também não está muito longe do destino dele seja capaz de perceber que perdeu sua vida correndo atrás de um legado que não vai estar vivo para ver. – ela terminou de cuspir tudo aquilo e na última silaba, respirou fundo buscando o ar que perdera para logo em seguida, sem aviso, mostrar lágrimas escorrendo pelas bochechas. Suspirou. – Eu te amo, Lúcio. Sabe disso embora talvez nunca seja capaz de compreender o significado. Eu não quero que morra. Mas também não quero chegar onde está agora e perceber que parei uma vida inteira para esperar esperançosamente por uma realidade que eu nunca vou ter com você.


 


Suas mãos tremeram quando ela limpou as lágrimas que escorriam pelo rosto mais bonito que nenhuma mulher jamais seria capaz de superar. Ela era leal e havia algo bonito demais naquele olhar que a transformava por inteiro. Ele a amava. Mas ela era uma distração.


 


-       Sabe que eu não posso deixar você ser minha distração, Cissa. – sua voz sem força e rouca.


 


Ela estreitou os olhos.


 


-       Não dá pra acreditar que você continua dizendo isso enquanto está praticamente encarando a morte. Se você não quer que eu te deixe, deveria parar de me dar motivos, porque eu não estou mais os ignorando. – ela deu as costas.


 


-       Eu te amo, Cissa. Sou quem eu sou. Não sei mais o que quer de mim. Se eu morrer hoje, independente de estar com quem estiver, de morar onde quer que seja, eu te amo. É tudo que precisa saber.


 


Ela parou. Tocou o dossel da cama e precisou respirar fundo. Por um segundo ela desfez sua postura.


 


-       Não faça isso comigo, Lúcio. – e a voz dela foi fraca.


 


Ela tinha que virar-se. Tinha que tornar a sentar perto dele. Tinha que voltar a ser sua mulher e somente sua. Tinha que voltar a estar ali para sempre que ele precisasse. Criou a esperança de que ela poderia sim voltar porque tudo que ela queria era sempre ser correspondida. E ele a correspondia sim, não da forma como ela o correspondia, mas os laços que tinham era recíproco. Ele só não podia agir do mesmo modo que ela porque não sabia, não era ela, não era Narcisa.


 


Mas então ela refez novamente a postura. Respirou fundo como se buscasse forças para se concentrar e continuou seu caminho de volta para a poltrona. Ela pegou o livro, colocou debaixo do braço e ele notou que ela estava se preparando para deixa-lo. Será que ela voltaria? Antes ele podia ter certeza de que ela voltaria, mas agora tudo era muito incerto. Não queria morrer sozinho. Se fosse morrer, queria a companhia dela. Somente a dela.


 


-       Está fazendo tudo isso por causa de Hermione, não é mesmo? Porque eu disse que precisamos matá-la.


 


Narcisa parou de costas. Aquilo pareceu ter sido um enorme cutucão.


 


-       Deveria saber que ela está tentando resolver o seu caso, mesmo tendo mil trabalhos com a Comissão.


-       Ela ainda não sabe quem é, Narcisa. Confie em mim, sempre confiou e nunca se arrependeu. Ela é mais poderosa que qualquer Malfoy já foi na história. Quando ela souber quem realmente é, vai querer nos destruir.


 


-       Hermione tem um bom coração.


 


-       Não estou dizendo que ela não tem, Narcisa. Mas não vai ser o bom coração dela que irá detê-la quando precisar nos destruir. Ela é filha de Morgana. O que há dentro dela é maior do que ela. Malfoys dedicaram anos da história parar acabar com fadas humanas por um motivo! – ela precisava entender aquilo. Tinha que parar com a idiotice de se apegar a alguém como Hermione. Seria o fim deles se ela não entendesse. – Hermione precisa morrer, Narcisa. Precisa me prometer que se eu morrer, você não irá deixar que ela continue viva para destruir nosso nome. Se ela não for morta, tudo que fiz, tudo que construí, tudo que vivemos para que pudéssemos crescer, será em vão. Não posso morrer sabendo que vou falhar miseravelmente com o nome Malfoy, Cissa. Sabe o que isso significa para mim e por isso nunca falhou com o seu papel nessa família!


 


Narcisa não respondeu nada. Nem mesmo o costumeiro “não entendo como meu coração consegue amar um monstro” que ela soltava sempre que ele precisava que ela o ajudasse a se livrar de algumas gravidezes de mulheres que alegavam carregar um Malfoy bastardo.


 


Ela o encarou por cima dos ombros como se estivesse lhe dando uma última olhada. Ela conhecia a história, ela sabia que Hermione era perigosa. Desde o começo, ela sabia quem era Hermione, sabia que era perigosa a união com Draco, sabia que seria temporário. Não era possível que ela não havia presumido que ele precisaria livrar-se dela depois de ter seu benefício daquela união. Narcisa podia ser submissa, mas ela passava longe de ser burra.


 


-       Você sabe que ela precisa ser destruída. Sabe o porque. Não é uma boa ideia relutar, Cissa, sabe que não é! Vai acabar nos destruindo. Sabe o que deve fazer se eu morrer. Por favor. Você tem a chave! Apenas me prometa... – sua voz sumiu e ele não conseguiu mais proferir nenhuma palavra que fosse suficientemente audível.


 


Narcisa apenas piscou, desistiu de encará-lo e foi embora.


 


 


Draco Malfoy


 


 


Ele não era político, mas precisava segurar o Ministério. Não podia deixar o poder de sua família passar para qualquer outro nome e isso estava o consumindo naquele momento. Tinha um exército para administrar, um Ministério caótico para segurar, uma mulher grávida e um pai a beira da morte. Podia dizer que estava prestes a entrar em colapso, mas independente de estar ou não estar, não tinha tempo para prestar atenção. Apesar de estar tentando segurar o mundo inteiro com uma mão apenas, era um Malfoy e não decepcionaria, sabia que se seu pai morresse, ele se veria em uma situação muito pior do que aquela. Tinha que estar pronto parar assumir a coroa do nome de sua família mais cedo do que esperava e isso lhe dava calafrios.


 


Segurava uma pilha de pergaminhos que definitivamente não conseguiria terminar de ler até o final de semana, tentava pedir para que sua secretaria agendasse mais uma reunião com os líderes de todos os andares do Ministério enquanto ignorava os memorando que voavam direto para a pilha que já havia acumulado em sua mesa e três comensais da zona sete que o aguardava do lado de fora da sala de seu pai quando o relógio a cima da majestosa cadeira atrás da mesa de mogno avisou que acabara de marcar sete da noite.


 


Draco se calou e sua secretaria se calou. Ele quis urrar toda sua frustração por não ter sido capaz de fazer metade do que deveria ter feito aquele dia. Soltou todos os pergaminhos em cima da caótica mesa.


 


-       Arrume. – ordenou a secretaria de seu pai e não se importou que seu horário de trabalho já havia encerrado fazia horas. – E não esqueça de marcar a reunião. Eu não me importo que tenha que tirar o presidente de seja lá o que for da cama agora para estar aqui amanhã cedo só porque ele mora do outro lado do mundo. – foi ríspido.


 


A secretaria não ousou contradizê-lo. Apenas moveu-se em direção a mesa sem esconder a frustração do tempo que gastaria tendo que colocar toda a bagunça em ordem.


 


-       Sr. Malfoy. – ela o chamou antes que ele saísse. Draco parou para escutá-la. – Sei que é o líder de um exército, mas aqui Ministério as coisas funcionam de uma forma bem diferente.


 


Ela usou um tom muito cuidadoso para mostrar que estava o afrontando, mas apenas lhe um toque. Ela não ousaria desafiar um Malfoy, ela não era apenas uma secretária. Muito competente, por sinal.


 


-       Não sou o Primeiro Ministro. Sou um general cobrindo o cargo do meu pai. Ainda não trocamos de papel. Ele continua sendo o político, eu continuo sendo o general. Enquanto as coisas não mudarem, eu serei o general cobrindo a ausência do Primeiro Ministro. Posso ser político quando quiser ser político. Mas na situação em que estamos, preciso colocar ordem, e como general democracia é a última coisa que eu preciso para por Ordem nessa bagunça.


 


A mulher apenas assentiu concordando. Draco sabia que ela na verdade não havia concordado. Trabalhava como uma escrava. Mas Draco não podia fazer muito a favor dela. Precisava voltar a Brampton Fort todos os dias. Voldemort tinha uma atividade especial para Hermione, uma que ele também deveria estar presente. Alguém tinha que manter o Ministério em movimento. Não que sei pai tivesse deixado tudo uma bagunça. Pelo contrário. O grande problema, era que o atentado que haviam sofrido fora presenciado pelo mundo inteiro e Voldemort colocara em suas mãos a responsabilidade de consertar o erro como um castigo. O que Draco na verdade não tomava como castigo. Era preferível que um Malfoy continuasse prestando o serviço de Primeiro Ministro do que qualquer outro nome.


 


Evitou os elevadores para chegar até o andar onde sabia que Hermione estava. Não queria ter que lidar com os olhares julgadores. Tomou os corredores menos habitados até finalmente entrar no pequeno complexo que Hermione vinha usando para administrar a Comissão e o as seções do exército que Draco era incapaz de comandar agora. Ela também o ajudava com seu trabalho no ministério. Hermione sabia ser estratégica e eficiente. Ele precisava dela com ele.


 


Mas não deixava de se sentir culpado sempre que a via. Ali estava ela, confinada em uma sala não muito grande andando de um lado para o outro, atendendo os grupos da Comissão e fazendo reuniões com os líderes de seu exército. Fazia isso o dia inteiro, sem tirar o salto ou reclamar da roupa que ele sabia ser desconfortável para ela no estado em que estava. Ela pouco reclamava, na verdade, mal falava algo ultimamente. Ele sabia bem porque, mas não ousava nem comentar. Não queria revirar nenhuma ferida dela. Já a admirava o suficiente por estar levantando todos os dias de manhã para ajudá-lo sem que ele sequer tivesse pedido.


 


-       Hermione. – ele a chamou abrindo a porta. – Ela ergueu os olhos da pequena reunião que estava tendo com um grupo da Comissão para encontra-lo enquanto os homens de seu exército, no canto, sentados em uma mesa onde pareciam discutir sobre algo, levantaram-se para lhe prestar continência. Draco apenas balançou a cabeça em sinal de que eles podiam voltar a que estavam fazendo e também acenou para o grupo da Comissão que ajeitou a postura no momento em que o viu. – Vamos. – ele disse para Hermione, que não precisava nem prestar nenhuma reverência quando o via. – Precisamos voltar. Já são mais de seis.


 


Ela suspirou parecendo frustrada, ergueu os olhos para o relógio pendurado na parede oposta e assentiu, concordando que precisava ir. Deus as últimas ordens ao grupo da Comissão e ao pequeno grupo da zona seis reunido ali e o seguiu em silêncio.


 


Era bom que achassem ruim sempre quando precisavam ir embora de volta para Brampton Fort. Todos sabiam que aquilo era uma ordem de Voldemort e o fato de terem que receber trabalho em dobro porque os Malfoy precisavam retornar a Brampton Fort todos os dias quando o relógio marcava o início da noite apenas pela criancice de castiga-los, era um ponto a mais para Draco e Hermione, principalmente quando demonstravam que não tinham o menor interesse de voltar, e sim de assumir a responsabilidade das ordens que eram obrigados a repassar por terem que voltar ao Forte do mestre.


 


Caminharam em silêncio pelos corredores privados feitos somente para o Primeiro Ministro e os autorizados de sua equipe. Draco adorava que podia entrar e sair do Ministério sem ser notado. Pensava se poderia fazer algo do tipo da Catedral, embora soubesse que barganhar qualquer coisa com Voldemort naquele momento fosse um caminho direto para o fracasso.


 


O salto de Hermione seguia o ritmo de seu passo enquanto avançavam pelos corredores vazios. Ele queria prestar atenção nela, ver se estava tudo bem, se ela estava bem, se precisava de algo, se queria algo... Ela andava silenciosa e isso o preocupava, porque conhecia Hermione e quando ela não estava se impondo, algo estava errado. Mas não conseguia mais se concentrar nela. Era tão fácil se fechar em seu próprio mundo ultimamente que também era tão igualmente fácil colocá-la em segundo plano. Podia odiar-se por isso, mas também andava tão ocupado que mal tinha tempo para se odiar por qualquer coisa.


 


Mal tinha tempo de odiar o próprio pai, que havia odiado por tanto tempo já. Na verdade, o estado em que ele estava o consumia. O risco de vida que corria estava colocando diversas outras áreas de sua vida, de seu futuro, de seus planos, em risco. Isso lhe roubava o sono. E como se isso não bastasse, estava carregando o caos de colocar toda a confusão em ordem nos ombros, sem contar que continuava sendo o general de um exército...


 


Podia ter continuado a se martirizar em seus pensamentos, mas seu cérebro o alertou que o ritmo do salto de Hermione havia perdido o mesmo do seu. Ele diminuiu o passo para voltar-se para ela. Talvez ela tivesse esquecido algo. Mas no momento em que a viu seu coração parou por um segundo.


 


Ela estava mais pálida do que o normal. Seu olhar parecia vago e ele temeu que ela fosse desmaiar. Foi até ela quando recuou até a parede e encostou-se nela fechando os olhos e respirando fundo. Draco queria tocá-la, ver sua temperatura, checar se estava tremendo, perguntar que diabos estava acontecendo, mas tinha medo de roubar seu oxigênio ou piorar as coisas.


 


-       Desculpa. – ela desculpou-se numa voz muito baixa. – Tem algo para comer? Acho que esqueci de comer.


 


Um milhão de feitiços que já havia aprendido sobre conjurar alimentos surgiu em sua cabeça, mas lembrou-se de que mais cedo naquele dia encontrara-se com Isaac Bennett e ele lhe trouxera um sapo de chocolate mandado por Elise como algum tipo de consolo pelo que estaca acontecendo com seu papai. Draco esquecera de jogá-lo fora e ficava grato por isso naquele momento. Desembrulhou-o e o entregou na mão de Hermione que não dera uma mordida tão generosa quanto ele esperava que ela fosse dar.


 


Ela respirou fundo. Deu uma segunda mordida e ainda sem abrir os olhos, fez uma pequena careta quando tirou os pés de dentro do par de sapatos e pisou diretamente no chão parecendo muito aliviada ao fazer isso. Ele encarou seus pés vermelhos por um instante e sentiu-se indignado por aquilo fazer os dias dela serem ainda pior.


 


-       Por que tem que usar esses sapatos? – indagou não muito contente.


 


-       Porque sou a Sra. Malfoy. – ela respondeu abrindo os olhos com calma e cuidado, e ele não teve como rebater aquilo. Ela tinha uma imagem para apresentar ao mundo. – A propósito. – ela encarou o pedaço de chocolate que tinha na mão curiosa. – Por que tinha um sapo de chocolate em seu bolso?


 


Ele explicou que havia encontrado com Isaac aquela manhã e que Elise havia lhe mandado o chocolate por sentir pena dele por causa do estado de Lúcio. Aquilo pareceu trazer algum tipo de ânimo diferente para Hermione e ele ficou grato mais uma vez. Passaram por um breve diálogo sobre os Bennett, que poderiam ter todo o motivo do mundo para odiarem os Malfoy naquele momento, por ter colocado a vida da filha em risco no grande evento da queima da sede da Ordem.


 


-       Hermione. – Draco tocou o rosto dela com cuidado. – Do que você precisa para ficar boa? Sabe que não podemos ir para casa agora.


 


Ela apertou os dentes soltando o ar frustrada. Provavelmente estava repassando em sua cabeça para onde teriam que ir. Disse que deveria ter comido algo mais cedo, mas que esquecera, que tinha tanta coisa para fazer...


 


-       ...e não posso comer agora, sempre sinto meu estomago revirar assistindo a Gina... – engoliu as próprias palavras não querendo terminar. Mas ele sabia do que ela estava falando. Eles nunca haviam falado sobre aquilo. Nunca haviam mencionado. Nunca sequer haviam pronunciado o nome dela um para o outro desde o péssimo incidente na queima da sede da Ordem.


 


-       Sinto muito, Hermione. – era tudo que ele podia dizer.


 


Ela soltou o ar.


 


-       Será que eu poderia não ir. Ao menos um dia. Pelo menos um dia. Só um dia. – ela pareceu implorar, como se ele pudesse liberá-la ou não.


 


Não pode responder nada. Apenas manteve-se em silêncio até que ela engolisse mais uma vez que nem ele, nem ela tinha o poder para tomar aquela decisão. Soltou o ar frustrada fechando os olhos novamente e enfiando todo o resto do chocolate na boca. Por um segundo ele notou um distante sentimento de raiva dominar a linha de expressão das suas sobrancelhas. Foi quando ela tirou a mão dele de seu rosto, afastando-a como se aquilo a incomodasse, subiu novamente em seu salto e avançou dizendo que encontraria uma forma de pedir para que Tryn levasse alguma poção para ela quando chegassem a Catedral.


 


Ele ficou parado revendo o momento em que ela afastara a mão dele. O que havia sido aquilo? O que aquilo havia significado? O que ele deveria entender que não havia entendido? O que deveria ter pegado que não pegara? Ela não tinha o direito de rejeitá-lo daquela forma. Ele também não estava vivendo o melhor momento de sua vida.


 


-       Hei! – sua voz ecoou severa. Sentiu ela tremer de onde estava quando parou e virou-se para encará-lo um tanto quanto surpresa. – O que foi isso? – ele não engoliria aquilo.


 


-       Isso o que? – ela pareceu confusa por um momento, mas não se mostrou nada contente pelo tom que ele estava usando. – Por que está sendo agressivo?


 


-       Porque estava sendo atencioso e você me rejeitou como se eu estivesse a incomodando!


 


-       O que? – ela pareceu completamente perdida.


 


-       Não sabia que se sentia tão incomodada quando eu a tocava.


 


-       O que? – ela balançou a cabeça. – Do que está falando?


 


-       Estou falando de como empurrou minha mão.


 


Ela uniu as sobrancelhas parecendo tentar recapitular os últimos minutos. Quando seu cérebro finalmente fez com que ela lembrasse a forma como ela havia o tratado, ela fechou os olhos e soltou o ar, murchando um pouco os ombros.


 


-       Draco... – ela pareceu cansada ao pronunciar seu nome. – Não é você...


 


-       Eu também estou cansado, Hermione. Também tenho milhões de coisas para me preocupar. Não desconto isso em você.


 


Ela apenas piscou calmamente.


 


-       O que acha que está fazendo nesse exato momento, Draco?


 


Draco precisou processar a pergunta quando engoliu a vontade de retrucar agressivamente mais uma vez. Aquilo o fez notar que estava sendo o autor de um drama completamente desnecessário. Ele poderia ter agido de uma forma totalmente diferente e mais racional para mostrar que não ficara feliz com o tratamento dela. Não era alguém dramático, não gostava de ser dramático. Já havia sido durante muito tempo de sua infância e adolescência. Não era aquele Draco fazia muito tempo.


 


Talvez eles dois estivessem lidando com peso, pressão e exaustão demais. Sabia disso porque passavam quase todas as noite acordados, revirando na cama, fingindo um para o outro que estavam dormindo. Ele sabia que o que o mantinha acordado também a mantinha acordada, assim como sabia que ela também sabia que o que a mantinha acordada também o mantinha acordado. Mas não se comunicavam. Não faziam isso porque verbalizar tornaria tudo ainda mais angustiante.


 


Ele não soube como reagir. Talvez ela entendesse que ele não sabia como reagir. Apenas suspirou e soltou as mãos junto com o ar. Balançou a cabeça. Eles trocaram um olhar simples por alguns segundos.


 


-       Tudo bem. – ela soltou numa voz suave e sincera. – Eu não o culpo. Tente não me culpar também.


 


Draco entendeu o trato que Hermione estava levantando ali. Eles estavam ambos a beira do stress, por assim dizer. Seria melhor se não levassem tanto para o pessoal quando incidentes como aquele acontecessem. Evitariam o drama e consequentemente arruinar por completo toda a situação.


 


Ele assentiu concordando que não havia nada mais sábio a se fazer. Embora algo o incomodasse. Eles deveriam estar tentando encontrar uma solução para que todo o stress externo não fosse arrastado para a relação deles, e não encontrando soluções para como lidar com o stress que arrastavam para o relacionamento. Não que um fosse menos importante que o outro, mas... Balançou a cabeça já sabendo que não precisava de mais uma preocupação para destruir seus neurônios.


 


-       Vamos nos atrasar. – foi sua conclusão para tudo aquilo. Passou por ela e continuou seu caminho.


 


Ela o seguiu.


 


**


 


Hermione fez Tryn levar poções para ela assim que chegaram a Catedral. Draco não ficava muito feliz com aquilo já que normalmente ela tomava tantas, mas ao mesmo tempo não podia discordar que ela precisava.


 


Seguiram direto para o salão principal sabendo que estavam razoavelmente atrasados. E foi exatamente o que ouviram assim que passaram para o lado de dentro do salão: “Vocês estão atrasados.”


 


Foi irritante.


 


Era sempre irritante. Ele conseguia ver que todo o ciclo interno de Voldemort sabia que ele estava ali pagando por um erro. Ele e Hermione. Conseguia ler no olhar de muita gente, a expectativa que tinham de que falhassem ao colocar o mundo em ordem agora. Malfoys eram respeitados, mas também tão igualmente odiados.


 


Felizmente podia dizer que uma parcela do ciclo interno torcia por eles. Algumas das cabeças que ocupavam um lugar no círculo interno deviam muito aos Malfoy pela posição que tinham. Havia feito uma reunião com todo o seu departamento e seu exército. Havia se mostrado vulnerável. Havia dito que precisava que todos trabalhassem juntos, que o apoiassem. Ninguém sequer hesitou em lhe dar as costas. Aquilo era a única coisa que o fazia dormir se conseguisse se concentrar o suficiente.


 


Assim que ele e Hermione tomaram sua posição ao lado do majestoso trono de Voldemort, não precisaram esperar muito pelo que eram obrigados a assistir todas as noites. Gina Weasley foi arrastada para dentro do salão principal. Ela estava arrumada, porque Voldemort ordenava que ela estivesse arrumada todas as noites. Sempre de branco. Porque por algum motivo, ele adorava a mistura do sangue no branco.


 


E por algum motivo, Draco a achava linda todas as noites, mesmo que a perca de peso fosse aparente e os círculos escuro debaixo dos olhos também. Não que isso mudasse qualquer coisa que ele tivesse com Hermione. Seu coração era totalmente dela, ele não conseguia mudar isso. Já havia tentado. Mas não havia deixado de reconhecer que mulheres bonitas eram bonitas. Gina Weasley definitivamente estava no lista. O que o fazia lembrar que seu bom gosto nunca havia falhado, nem mesmo quando estava em Hogwarts. Por mais que fosse uma patética Weasley, ele precisou prova-la e a provou. Lembrou do quanto se divertira ao prová-la, ao sugar toda sua atenção e depois devolvê-la ao seu baixo status de Weasley. Em pensar que ela jurara que ele tinha se apaixonado por ela, em pensar que ela havia jurado que poderia ser realmente boa o suficiente para ele. Aquilo lhe arrancara tanta gargalhada quando era um adolescente e ainda havia se orgulhado do que fizera até pouco tempo atrás, quando Hermione ainda era o exemplo de mulher que nunca seria boa o suficiente para ele.


 


Gina Weasley veio descalça, em seu leve vestido branco e seu longo e único cabelo vermelho, o que definitivamente era seu melhor atributo. Foi arrastada até tomar seu lugar logo a frente do trono de Voldemort, que a esperava ansiosamente como todas as noites, desde que fora capturada no ataque durante a Cerimônia da Ordem.


 


Ela não tirava os olhos de Hermione. Nunca tirava os olhos de Hermione. A encarava como se esperasse ter poder mágico o suficiente para fazer com que Hermione caísse morta. Desde o primeiro dia. Ela não tirava os olhos de cima de Hermione. Sempre Hermione.


 


Hermione apenas a encarava de volta, de seu lugar, de pé, intocável, em sua postura imutável, em seu olhar inacessível e em sua expressão mais fria. Nos primeiros dias, ele esperou atenciosamente e sem descansar, pelo momento que ela fosse vacilar. Principalmente quando tudo ficou muito intenso. Ele esperou e esperou e esperou, mas Hermione sequer piscou diferente. No primeiro dia, aquilo o incomodou de uma maneira estranha. Não conseguiu deixar de se lembrar da Hermione que assistira a primeira sessão de tortura de Voldemort. A Hermione que não se aguentara em sua cadeira, que se levantara para tentar ajudar a pobre vítima do poder malicioso de Voldemort, mesmo que fosse inútil, mesmo que aquilo significasse que sua amiga Luna fosse pagar por sua inconsequência mais tarde. Ela havia mudado... Ele se sentia culpado por saber que agora ela era obrigada a trancar a Hermione que era a sete chaves, era obrigada a colocar sua máscara inexpressível e viver a vida assim, mostrando que nada a afetava. Ela havia se tornado mais uma Malfoy. Havia se tornado mais um Draco, mais uma Narcisa, mais um Lúcio. Ela era como eles agora. Não tinha a liberdade de ser quem simplesmente era. Ele sabia que isso a matava cada vez mais. Matava quem ela era. A transformava na máscara que era obrigada a usar. Isso o incomodara. Por mais que odiasse a irracionalidade da ingênua Hermione de antes, sentia que não estava tendo a chance de lidar com todos os lados dela, que não estava tento a chance de aprender e aceitar sobre todos os lados dela.


 


Mas seu receio não durou muito. Assim que chegaram em casa, depois da primeira sessão de Gina, Hermione passara a noite colocando para fora tudo que tocasse seu estômago. Ela não havia sequer vacilado na frente de Gina, quando precisava ser forte, mas no momento em que pode mostrar o quanto assistir tudo aquilo havia a feito mal, realmente passara mal. Ela era sensível e ele podia dizer que gostava de saber que ela se sentia confortável de ser ela mesma em casa, com ele por perto, por mais que precisasse ser inabalável para o resto do mundo.


 


Não que ficasse feliz com as noites em que ela passava mal. As vezes ficava assustado porque ela passava tão mal que ele tinha que pedir para chamar um medibruxo. Mas ele entendia que aquela era a forma dela externar o quanto tudo aquilo a fazia mal. Sabia que ela lutava para engolir suas culpas todos os dias. A culpa de sacrificar a Ordem, a culpa de ser egoísta pelos filhos, a culpa de ter sentimentos pelo homem que sempre odiou e que tanto a fez mal, a culpa de ter que olhar nos olhos daqueles que ela traiu sem poder mostrar qualquer sombra de arrependimento. Ele queria ter o poder de fazer algo. Ele realmente queria. E queria também poder se dedicar em pensar no que fazer, mas tinha tanto com o que se ocupar que se culpava por estar fazendo tão pouco sempre que a via mal.


 


De qualquer forma, ele não precisou se preocupar se ela iria vacilar ou não quando Voldemort começou sua sessão de tortura com Gina. Hermione sabia ser forte quando precisava ser forte. Draco sabia que muita da força que ela tinha para ficar ali de pé e não vacilar, vinha dos filhos que estava gerando naquele momento dentro de seu corpo.


 


Não demorou para que a beleza de Gina caísse por água a baixo a medida que os minutos foram se passando. As sessões normalmente não demoravam, mas eram brutais. Draco sabia que na verdade, Voldemort gostaria de passar a noite com ela, brincando aquela terrível brincadeira. Mas ele se regrava. Dava-se uma hora por dia com ela e depois cuidava do estado deplorável em que ela ficava para se sempre estivesse sã. Ele não gostaria de causar nenhum trauma muito profundo que fosse enlouquece-la. Não teria graça torturar alguém que não conseguia mais voltar a si devido ao trauma de uma imprudente sessão de tortura. Por isso ele ordenava que cuidassem dela sempre que a noite acabasse. Por isso ela entrava linda e perfeita todos os dias no salão, vestindo seu vestido branco, com os cabelos muito bem penteados.


 


As coisas começaram a ficar intensas quando Voldemort insistiu em tentar fazer com que ela bebesse veritasserum. Havia trago um enorme estoque e os dois começaram a brincar violentamente. Ele usava todas as maneira brutais de fazê-la engolir. Ela encontrava maneiras de colocar para fora sempre que engolia. Voldemort se cansou daquilo rapidamente, o que Draco achou ótimo porque estava começando a ficar nojento demais e ele começou a temer pelo estado de Hermione, embora soubesse que ela havia tomado uma poção antes de entrarem no salão principal.


 


Mas então o sangue começou. E céus, como Voldemort gostava de sangue! Gina lutava tão bravamente para não mostrar que estava sofrendo as piores dores de sua vida, que suas unhas sangravam de tanto tentar se agarrar ao chão. E qualquer segundo que ela tinha para respirar, seu olhar ia direto para Hermione, que não vacilava. Nunca vacilava.


 


Voldemort dava fim a sessão quando Gina perdia a consciência. Naquele dia em particular, ele havia a trazido de volta a consciência quando ela a perdera simplesmente porque queria continuar brincando por mais alguns minutos. O que definitivamente não animou a Draco. Tinha muito o que fazer. Mas Voldemort logo percebeu que não poderia continuar trazendo-a de volta. Ela estava fraca demais para aguentar qualquer outro sofrimento, por menor que fosse.


 


Quando tudo chegou ao fim, ele respirou aliviado. Esperou que Gina fosse arrastada inconsciente para fora do salão e assim que todos começaram a sair de seus lugares, ele fez o mesmo. Não sem antes receber o olhar vivo de Voldemort. Draco sabia que mais cedo o mais tarde, ele convocaria a sessão fechada, onde violentariam a Weasley. Tudo que ele esperava, era que as regras não fossem quebradas para que Voldemort tivesse o prazer de ter Hermione presenciando aquilo. Mas sabia que se Gina fosse sofrer, ele queria que Hermione assistisse. Draco deveria estar fazendo algo para prepara-la. Mas não estava. Não conseguia. Precisava pensar em algo que a poupasse daquilo.


 


Ela foi rápida. Disse que iria para casa logo quando saíram do salão. Ele perguntou se ela queria que ele fosse com ela, e ela disse que não. Sabia que ele tinha coisas para resolver ainda. Mas ele não queria deixa-la sozinha. Ela estava pálida.


 


-       Quero estar com você quando não estiver bem. – disse a ela, porque de alguma maneira muito estranha, apesar de ter se enchido de preocupações durante as noites em que ela passara extremamente mal, uma parte de si encontrara um tipo de satisfação na tarefa de cuidar dela.


 


Viu a linha de um distante sorriso cansado aparecer e sumir rapidamente de sua expressão.


 


-       Eu estou bem. – Hermione respondeu.


 


Ele recebeu aquilo como um cartão verde para poder despedir-se dela, dizer que muito provavelmente perderia o jantar e que esperava poder chegar em casa antes que o dia virasse. Seguiram caminhos opostos depois disso. Ele foi direto para o quartel tentar apresentar fazer o trabalho que levava um dia inteiro em algumas horas.


 


Hermione vinha fazendo a maior parte de seu trabalho ali enquanto ele precisava se ocupar em fazer o papel de Primeiro Ministro. E todos os seus líderes costumavam responde-la muito bem. Ficava grato por ter um departamento muito bem estruturado. Não tinha dores de cabeça com seu exército. Principalmente porque confiava em Hermione. Sabia que ela estava propositalmente atrasando várias buscas pelos fugitivos da Ordem e quando liberava alguma ação, era para um lugar que Harry Potter e seus amigos definitivamente não estariam. Não que alguém além dele soubesse disso, óbvio. As coisas haviam ficado muito mais fáceis desde que o Conselho fora derrubado. Draco tinha completa autonomia sobre suas ações e por isso era muito mais dono daquele departamento. Precisava apresentar seus movimentos unicamente para Voldemort e dribla-lo era uma tarefa que vinha aperfeiçoando já fazia muitos anos.


 


Correu pelos andares de cada zona tentando absorver o mais rápido possível as ordens que estavam recebendo, qual posição estavam, em que ação estavam. Precisava fazer isso todo dia. Normalmente chegava em casa para discutir rapidamente isso com Hermione durante o jantar, mas temia que acabaria fazendo isso durante o café da manhã do dia seguinte. Tinha mil ordens para dar a Tina e enquanto subia as escadas para sua torre, repentinamente uma onda de cansaço tomou conta de si como nunca antes.


 


Ele parou a meio caminho de sua sala. Encontrou-se no corrimão e ali ficou por alguns bons minutos. Não para recuperar o fôlego ou qualquer coisa do tipo, seu cansaço não era físico, era mental. Nunca antes em sua vida ele quis tão ardentemente que tudo aquilo estivesse chegando ao fim. Se aprendera algo durante seus anos de treino era que paciência era uma das chaves mais importantes para o sucesso e por anos eles havia tentado abraçar a paciência, mas estava cansado.


 


Por que infernos ele estava tentando segurar o mundo inteiro com uma mão apenas? Por que infernos se achava capaz de mudar o curso da história? Por que infernos ele precisava de glória, de reconhecimento, de influência, de poder? Naquele momento ele desejou ser qualquer um menos um Malfoy. Talvez pudesse ser um dos insuportáveis jornalistas que o perseguia. Poderia voltar para casa depois de um dia cheio e encontrar Hermione, gravida de seus filhos, sorrindo, feliz, sem qualquer preocupação com aquela guerra.


 


Queria paz. Paz. Mas sabia que nunca poderia tê-la. Nunca. Havia matado gente demais, havia causado dor demais, havia servido Voldemort tempo demais... Aquilo nunca daria certo... Principalmente se seu pai morresse. Ele não estava pronto para assumir o trono dos Malfoy. Ele não saberia administrar tudo tão bem quanto seu pai. Sem contar que ele tinha Hermione. De alguma forma ela seria uma distração... Seus filhos seriam uma distração. Ele não poderia nem queria viver como seu pai, tratando sua casa como se fosse uma empresa. Mas ele não sabia como faria para ser diferente. A fórmula que seu pai usara era a única fórmula que ele conhecia...


 


E se... Ele tinha que encontrar uma forma de salvar Hermione e seus filhos de tudo aquilo se soubesse que as chances de que tudo fosse por água a baixo fossem grandes demais. Ele não podia arrastá-la junto com ele se tudo desse errado... Nem sua mãe... Tinha que salvar sua mãe também...


 


Por um segundo ele se viu sem ar, sentiu uma pressão esmagadora querer destruir seu pulmão e ele se viu beirar o desespero. Seu mundo girou. O que estava fazendo com sua vida? O que estava fazendo ali? Por que?


 


Espere!


 


O que estava fazendo? O que maldição estava fazendo? Que diabos estava fazendo? Não podia se dar a chance de ser dominado pelos seus medos e receios! Aquilo podia destruí-lo? Por que estava se permitindo arruinar sua própria consciência? Podia enlouquecer se não fosse cuidadoso com seus próprios pensamentos. Carregava medos demais para que não fosse cuidadoso. Não podia se permitir ser dominado por eles. Não teria vida se caso se permitisse.


 


Encheu o próprio peito de ar. Fechou os olhos e se concentrou. Não vivia momentos como aquele fazia tanto tempo que havia se esquecido do tanto de tempo que precisava para colocar sua cabeça de volta no lugar. Soube que estava seguro o suficiente para abrir os olhos somente quando se sentiu confortável em seu próprio corpo. Respirou fundo uma última vez, pensou por alguns segundos em diversas coisas aleatórias, juntos vários pontos em sua cabeça, deu meia volta e começou a descer os degraus de sua torre.


 


Podia odiar a si mesmo por ter se permitido viver no medo por um ou dois segundos, mas não queria voltar naquele momento em específico novamente simplesmente pela alta chance de acabar caindo em seus pensamentos mais uma vez.


 


Seus passos o guiaram para a ala leste da Catedral. Subiu e desceu alguns degraus e não muito tempo depois se viu de frente a porta de Whitehall. Havia uma guarda do lado de fora. Seus homens. Não precisou sequer identificar-se para que tivesse a porta destrancada e livre.


 


Draco passou para o lado de dentro. Não havia nenhum móvel, nenhuma decoração, nada, exceto uma cadeira e um porta retrato vazio em cima da lareira. Sua mente o presenteou rapidamente com a imagem de como aquele quarto era quando Hermione o ocupava. Logo depois foi presenteado com a lembrança de quando entrara pela primeira vez ali para lhe dar ordens. Aquela Hermione de jeans e suéter. Ela era tão... não familiar. Em pensar que ela poderia nunca ter sido sua esposa...


 


-       Você de novo... – a voz fraca de Gina Weasley, deitada no chão como se estivesse morta, o trouxe de volta a realidade. – Sua mulher sabe que vem me visitar com tanta frequência assim? - Era a segunda vez que ele ia até ela e a na primeira, estava acompanhado de Voldemort. Draco aproximou-se da figura imóvel no chão. Ela ainda estava no estado deplorável que Voldemort havia a deixado. Ele arrastou a cadeira até próximo a ela e sentou-se. – Eu escuto seu irritante discurso todas as manhãs. – ela comentou. A voz quase não lhe saiu. – Você tem um belo exerci... – ela gritou e arqueou quando ele apenas segurou a varinha e cruzou os braços e quando não teve mais coragem de vê-la ficar em um estado pior do que já estava. Suavizou a dor dela. Foi quando ela riu. – É tudo que consegue fazer?


 


-       Te quero consciente.


 


-       Você não precisa se justific... – ela gritou novamente.


 


-       Você vai falar quando eu quiser que fale. – ele foi cru e frio. – E antes de falar qualquer coisa, vai me escutar. – aliviou o crucio sobre ela quando viu suas unhas procurarem o chão novamente. Ela ficou calada e tremendo dessa vez. – Eu não acredito que você tenha sido tão estúpida ao ponto de se sacrificar como esta se sacrificando apenas para poder ter tido a chance de matar meu pai e Hermione. – ele tentou ler no rosto, meio escondido pelas mechas ruivas, algum tipo de expressão. – O Lorde das Trevas tem se aproveitado de você de uma maneira muito amigável até agora. Suponho que já deva imaginar que tudo vai ficar bem pior para você com o passar do tempo. Ele te fará ter uma morte muito lenta e muito sofrida e acredite, ele sabe como fazer isso muito bem feito. E por motivos muito óbvios, sei que você já sabe e sabia disso antes de fazer a estupidez que vez na noite da queima da sede da Ordem. Então... – ele se inclinou apoiando os cotovelos nos joelhos. – existem duas opções que pode escolher agora. Pode soltar o porque tomou essa decisão idiota e se tornar inútil, o que vai agilizar a sua morte. Ou pode simplesmente guardar seus segredos para você. O que vai atrasar muito a sua morte. Não vou esperar que entenda isso agora, talvez você precise de um mês ou dois para implorar pela morte. Estarei pronto para escutar de você lá.


 


Levantou-se sem aliviar a crucio sobre ela e supreendentemente, Gina abriu a boca sem que ele precisasse esperar quase nenhum segundo.


 


-       Ela é perigosa, eu tinha que mata-la. Eu tenho que matá-la. Alguém tem que matá-la. – ela disse, engasgou, tossiu e tentou se mexer, mas foi incapaz.


 


Draco estreitou os olhos.


 


-       Se tiver falando sobre Hermione é melhor engolir as palavras antes que eu te faça perder a consciência, e tenho certeza de que está bem próxima do destino que os pais de Neville Longbottom tiveram. Não vai querer cruzar essa linha.


 


-       Estou falando sim de Hermione! – ela tentou manter as forças. – Eu estudei o sangue dela! Muitas vezes e de formas muito diferentes! Luna nos trouxe amostras e qua... – ela engasgou no que pareceu sangue. – Hermione não é uma bruxa comum.


 


-       Ela é descendente de Morgana. – Draco já sabia daquilo. Não imaginava que o ódio de Gina por Hermione fosse daquele tamanho.


 


-       E por isso mesmo ela precisa ser morta! – ela não se mostrou surpresa por ver que ele sabia. Ou talvez estivesse salvando as energias para o que quer que fosse mais importante. - Ela é mais perigosa do que você imagina! Ela pode fazer coisas que o mundo bruxo de hoje sequer sonhou ser possível.


 


Draco deixou que seu cérebro trabalhasse por alguns segundos, então tornou a sentar-se calmamente na cadeira e inclinou-se. Suavizou o crucio sobre ela quase a livrando por completo da maldição. Notou a respiração ofegante dela acalmar-se.


 


-       Por que está dizendo essas coisas quando claramente sabe que Hermione é minha mulher?


 


-       Eu não faço a menor ideia de como estão juntos, porque estão juntos, se significam algo um para outro ou não, mas tenho certeza de que vai estar do meu lado quando ela realmente descobrir, dentro dela, o que realmente é.


 


-       Hermione sabe o que realmente é.


 


-       Então é uma questão de tempo esperar que você venha até mim.


 


Ele teve que rir. Ela estava armando um jogo com ele? Ele era o rei dos jogos. Ninguém brincava com ele. Se ela estava tentando se fazer útil o suficiente para barganhar algo ou se elevar a qualquer nível de importância, ele saberia lidar com aquilo.


 


-       Se acha que tem algum tipo de resposta que nós não temos por ter apenas estudado o sangue dela, está completamente errada.


 


-       Eu não estudei apenas o sangue dela, eu cresci com ela. – ela tentou se mover, levantando-se para se apoiar com os braços. O estado dela era péssimo, mas no momento em que os olhos azuis dela se fixaram no dele, por entre os fios ruivos embaraçados, Draco pode perceber que ela acreditava veementemente no que quer que fosse que pensava a respeito de Hermione. – Ela sempre soube que era diferente. Ela costumava me contar sobre sonhos estranhos quando era mais nova. Eu sempre a vi fazer coisas que bruxos normais não faziam. E a forma como ela chama atenção... Ela sempre chama atenção... – ela estreitou os olhos com raiva e ele conseguiu ler a inveja naquele exato momento. Por que diabos Gina detestava tanto Hermione? – Hermione tem algo dentro dela que é maior do que ela. E eu, você e todo o resto do mundo sabemos que Morgana foi de longe, uma das bruxas mais cruéis da nossa história.


 


-       Hermione tem o sangue misturado. Ela não pode ser, de longe, nem metade do que Morgana um dia foi.


 


-       Ainda assim ela pode ser muito mais do que eu, você e talvez até mesmo Voldemort! – Gina Weasley ofegou fazendo abrir espaço por entre os frios ruivos que cobriam seu rosto. – Observe-a! O fato dela estar servindo Voldemort não me surpreende. O fato de trair todos aqueles que sempre a trataram como família! Eu não sei quais são os motivos dela, mas nenhum motivo é bom o suficiente para fazer com que ela nem mesmo vacile um segundo quando me assiste ser torturada! Eu não sei o quão fácil ou difícil isso é para ela, mas eu tenho certeza de que está se tornando fácil se for difícil! E quando tudo isso, toda a crueldade, a frieza e o desprezo se tornar fácil demais, ela vai ser quem finalmente nasceu para ser. E vai ser exatamente nesse momento que você vai entender o que eu fiz e o que estou te dizendo agora, Malfoy.


 


-       Você criou essa fantasia na sua cabeça porque a odeia e eu não faço a menor ideia do porque. – levantou-se. – Hermione é tão ser humana quanto eu e você. Ela precisa fazer com que as coisas sejam fáceis porque ela também precisa viver.


 


Gina riu, engasgou, tossiu, gemeu e tremeu o corpo inteiro mas conseguiu ainda ter forças para se sustentar.


 


-       Posso ver que ela também fez lavagem no seu cérebro. Acredite, você não é o primeiro homem. Posso dizer que foi uma surpresa encontrar Draco Malfoy com Hermione Granger, mas logo depois percebi que seria idiotice pensar que isso jamais seria possível. Mesmo que toda a sua vida você tivesse se feito tão inacessível, especialmente para mulheres como Hermione. Mas então eu lembrei que era Hermione. Ela pode conseguir o homem que quiser sem fazer muito esforço. Pode conseguir até mesmo o homem que a odiou a vida inteira. Ou... Espere. – a voz ela estava tão fraca que ele sabia que a veria desmaiar em alguns minutos. – Ou talvez você não tenha a odiado a vida inteira. Você me odiava e ainda assim encontrou uma forma de se aproveitar de mim. Talvez ela tenha feito algo certo quando você foi tentar se aproveitar dela, não é mesmo? Talvez ela tenha feito algo que eu nem nenhuma outra mulher fez porque aparentemente você acabou se casando com ela e pelo que vejo fazendo filhos com... – ela gritou quando ele não teve mais paciência com ela. O grito foi rouco. A cordas vocais dela já estavam destruídas. A observou contorcer-se no chão até ter dó o suficiente para tirar o crucio dela. Gina ofegou. Ele havia acabado de coloca-la entre a linha do mundo real e irreal. – Se ela disse que o ama, não acredite. – ela não parava e dessa vez ele quase não conseguia escutá-la. – Ela é incapaz de amar. Ela nunca amou meu irmão, ou Harry, ou Krum, ou qualquer outro homem. Ela até tentou, mas dentro dela, ela sabe que é incapaz de juntar sentimentos o suficiente para amar. Apenas observe-a, Malfoy. Só observe-a... – ele lançou o crucio sem piedade dessa vez. Ela não se contorceu por muito tempo porque acabou desfalecendo e Draco sentiu-se aliviado no mesmo segundo.


 


Não tinha paciência para drama provido de inveja e ódio. Já havia aguentado Pansy o suficiente para ter que aguentar Weasley agora. Se fosse dar espaço para toda mulher que tivesse algo contra Hermione ou uma teoria sobre ela, enlouqueceria em menos de um dia, tinha certeza.


 


Deixou-a sentindo-se frustrado. Sabia que teria que prestar mais visitas com roteiros mais elaborados num futuro próximo. Talvez arrancasse algo de mais valor da boca dela. Voldemort estava esperando que ele fizesse essa parte. A parte do interrogatório, porque seu precioso mestre ficava apenas com a parte divertida da tortura. E ele já previa o quanto Gina Weasley daria trabalho. Ela abria a boca para dizer apenas o que queria e ele teria que ser estratégico para fazer com que ela falasse o que ele queria que ela falasse.


 


Voltou para a casa cansado. Não fisicamente, mas mentalmente cansado. Nem quando costumava ter treino o dia inteiro voltava para casa tão cansado assim. Não queria que aquilo se tornasse rotina, mas talvez, se caso se tornasse, ao menos esperava que acabasse se acostumando.


 


As luzes estavam acessas embora fosse tarde. Ele subiu as escadas principais e entrou em casa sentindo a energia do conforto de estar ali reanima-lo minimamente. Passou pelo vestíbulo, pela sala, pegou as escadas principais e fez seu caminho para o escritório, onde encheu um bom copo de álcool e sentou-se em sua poltrona favorita. Chamou por Tryn, perguntou se Hermione estava bem e pediu qualquer coisa simples para comer quando teve a resposta que de sua esposa estava bem acomodada e não havia pedido nada de especial ou fora do comum.


 


Ele mexeu com papéis e pergaminhos do Ministério enquanto comia. Odiava não poder sentar em sua mesa de jantar para uma refeição decente, mas era simplesmente tudo que podia fazer naquele momento com tanta coisa que tinha que solucionar.


 


Tentou ser rápido para não perder a hora que normalmente ia para cama, mas acabou passando alguns minutos. O que não era nada mal comparado a dias que tivera que virar a noite em cima de pastas vindas do Ministério. Odiava aquele trabalho. Céus, como odiava!


 


Quando colocou tudo de lado e decidiu ir para cama revirar a noite inteira atrás de seu sono, torceu para que nada do que Weasley tivesse dito tornasse a se repetir em sua cabeça. Não que ele colocasse crédito nas palavras dela, mas haviam duvidas que ele tinha sobre Hermione e o poder que ela tinha, da mesma forma como tinha receio de como ela reagia ao mundo em que vivia agora. Ele sabia que no fundo, ela era a mulher que sempre fora. A mulher que ele tinha que se preocupar se estava passando mal ou não porque acabara de ver a amiga ser torturada até perder a consciência. Mas também não negava que ela estava se transformando. Mas Draco sabia que ela estava apenas se tornando ainda mais forte. Hermione jamais poderia ser cruel. Ela jamais conseguiria se transformar em uma mulher cruel. Ou talvez ele que fosse cruel demais e não conseguisse enxergar que as coisas que ela já havia feito, as mortes que indiretamente já havia conduzido, os inocentes que já havia machucado, não fosse crueldade. Ou talvez os motivos que justificavam a crueldade dela fossem suficientes para cegá-lo dos atos realmente cruéis que ela executava. Talvez ela não estivesse apenas criando resistência, talvez estivesse mesmo se tornando cada vez mais fácil para ela lidar com a crueldade. Será que ela poderia ser como Morgana? Será que essa essência vinha dentro dela?


 


E será que era mesmo capaz de amar? Claro que ela era! Ela quem era a ingênua do amor, da lealdade, da amizade e da honestidade dentro daquela casa. Mas ele podia sentir muita resistência dela as vezes. Tinha dias que ele percebia que ela não se sentia completamente a vontade quando ele a tocava. Tinha dias que ele sentia que era mais difícil para ela olhá-lo com afeto. Mas ele sempre soubera que ela tinha motivos para odiá-lo e que muitos deles ainda não haviam sido superados.


 


Parou no corredor a caminho do quarto quando viu a luz do último cômodo acessa. A porta era dupla, mas só um lado estava aberto. Aproximou-se e assim que chegou até a porta ele viu Hermione do lado de dentro. Aquele era o quarto que haviam escolhido para montar para os filhos que viriam ao mundo dentro de poucos meses. Era perto do quarto deles e não tinha um tamanho exagerado, o que dava um ar de aconchego e conforto bem maior.


 


Hermione separava as peças do que parecia um berço no chão. Ela tinha os cabelos presos num rabo alto e vestia um suéter largo que usara no inverno passado com as mangas puxadas até a altura do cotovelo e uma calça que ele costumava usava para dormir. Draco apenas encostou no vão da porta, tomou um gole do whisky que tinha na mão e cruzou os braços para poder observá-la em silêncio.


 


Ela não era cruel. Como ela poderia ser cruel? Ela sabia ser linda nas coisas mais pequenas e banais do dia-a-dia e não era uma beleza física. Ela era atenciosa e mansa, paciente e cuidadosa, e estava com a alma tão ferida, tão machucada que ele mal conseguia entender como ela levantava da cama todos os dias para ser a mulher forte que precisava ser. Ela tomava decisões cruéis que ele sabia que jamais tomaria se realmente pudesse ter outra saída. Ele sabia. Sabia que ela não era uma mulher cruel, porque ela estava se transformando no que ele era, no que ele também havia se transformado. Ele era cruel, mas era cruel porque também nunca havia realmente tido escolha melhor. Sabia quem ele era e por isso entendia quem ela estava sendo.


 


-       Você me assustou. – ela disse calmamente quando seus olhos caíram sobre ele.


 


Ela não havia expressado nenhum tipo de surpresa ou susto ao vê-lo, mas sabia que ela vinha trabalhando em conter suas emoções fazia bastante tempo e ela já havia mostrado resultados diversas outras vezes.


 


-       O que está fazendo? – ele perguntou passando os olhos pelo cômodo.


 


-       Alguém tem que terminar o quarto deles. – ela respondeu enquanto sentava-se sobre os joelhos para organizar algumas peças no chão. – Pintei aquela parede. O que acha? – ela apontou para a parede a esquerda dela.


 


Draco encontrou a parede. Estava completamente branca e ele podia dizer que dava uma grande diferença para o papel de parede anterior que pedira para Tryn tirar algumas semanas atrás.


 


-       Não parece haver nada de errado para mim. – disse ele passando os olhos pelos apetrechos de pintura que ela havia deixado no chão, próximo a parede.


 


-       Gostou?


 


-       Sim.


 


-       Me parece um pouco escuro. Acha que esse branco te lembra cinza?


 


Ele poderia ter rido daquela pergunta. Sorriu.


 


-       Não. – respondeu. – Posso dizer que esse branco me lembra branco.


 


Ela sorriu.


 


-       Foi uma pergunta estúpida, eu sei. – ela soltou.


 


Draco virou o resto da bebida, deixou o copo sobre uma cômoda montada logo ao lado da porta, passou por ela e avaliou a parede mais de perto.


 


-       Por que está fazendo isso sozinha? - perguntou porque sabia que ela podia muito bem pedir para que Tryn fizesse o que bem quisesse.


 


-       Preciso esvaziar a mente. – foi tudo que ela respondeu.


 


Ele não a queria fazendo aquele tipo de serviço. Não que fosse algo pesado, mas era trabalhoso. Ela estava grávida e não estava ganhando peso devido a todo o stress que vinha passando. Não dormia, não comia direito e já havia passado várias noites colocando para fora o que tinha e o que não tinha no estômago por causa dos efeitos das torturas que era obrigada a assistir. Os medibruxos a colocavam em poções mágicas diárias e ele não gostava que ela precisasse depender daquilo. Sem contar que agora trabalhava com a Comissão, o exército, e ainda estudava maneiras de ajudar os medibruxos com o caso de seu pai. Ela trabalhava tanto quanto ele e ele não queria que ela precisasse, mas ele não tinha muita escolha porque precisava da ajuda dela. Precisava dela. Precisava distribuir o peso que carregava com alguém e ela era a única pessoa qualificada o suficiente que ele podia confiar. Se ela queria passar a noite naquele quarto ocupando a mente com as coisas dos filhos, ele não seria a pessoa que iria impedi-la.


 


-       Comeu algo? – quis ter certeza.


 


-       Sim. – ela respondeu. – E você?


 


-       Também. – ele respondeu e voltou-se para ela.


 


-       Talvez devêssemos mudar o horário do jantar. – sugeriu ela levantando-se para pegar uma peça que deixara dentro da caixa não muito longe.


 


-       Não acho necessário mudarmos a rotina de casa por algo temporário.


 


Ela parou ao escutar a última palavra. Encarou-o e ele viu a faísca de algo em seu olhar. Lembrou-se quase que imediatamente das palavras de Gina Weasley sobre ela. Era em momentos como aquele, momentos em que ele não necessariamente a agradava ou momentos em que discordavam de algo, que ele via a sombra do passado que ignoravam quando estavam juntos, se olhando, se tocando, se beijando.


 


-       Temporário? – ele notou que ela tentou a manter a voz serena. – Temos vivido assim por mais de um mês, Draco. - Gina Weasley a conhecia, certo? Se Hermione não havia sido capaz de amar Rony Weasley ou Harry Potter, como ela poderia ser capaz de amá-lo? – Sabe que não temos perspectiva nenhuma de quando tudo vai voltar ao normal.


 


Ele não queria aceitar que aquilo fosse a situação atual deles simplesmente porque aquela não podia ser a situação atual deles.  O verão estava acabando e assim que acabasse seus filhos poderiam vir ao mundo a qualquer momento. Não podia ter seu pai em uma cama morrendo nem o cargo de Primeiro Ministro em suas mãos. Precisava estar com o seu exército, “cuidando de Potter”, para ter desculpas o suficiente para poder atrasar Voldemort e segurar seus filhos em sua casa.


 


-       Certo. – mostrou as mãos. – Talvez você esteja certa. – soltou o ar – Talvez eu esteja mesmo tendo problemas em aceitar a situação em que estamos agora.


 


O olhar dela suavizou instantaneamente ao escutar aquelas palavras.


 


-       Do que você tem medo, Draco? – ela aproximou-se. – Sei que estamos em uma péssima situação com Voldemort em um péssimo momento. – ela passou a mão pela barriga firme e bem desenvolvida. Suspirou. – Meus medos são os mesmos que os seus.


 


Não. Eles tinham apenas um medo em comum. O medo pela vida dos filhos. Ele tinha muitos outros medos além desse, assim como sabia que ela também tinha muitos outros. Mas talvez o fato de seus outros medos e dos outros dela se vincularem agora com o único medo que tinham em comum, talvez o tornasse o medo principal.


 


Aproximou-se dela, tirou a peça grande de madeira que segurava de sua mão e encostou-se na parede. Segurou a mão dela com a sua e a encarou. Ele gostava quando ela tinha o rosto limpo de toda a pintura que usava diariamente. Ela parecia muito mais humana assim, muito mais linda, mesmo que seus olhos estivessem fundos e o cansaço fosse aparente.


 


-       Eu não vejo nenhuma saída na situação em que estamos agora, Hermione. – foi sincero, com ela e com ele mesmo, pela primeira vez desde que tudo aquilo acontecera.


 


-       Nem eu. – ela também foi sincera. – Por isso estamos trabalhando para tentar voltar tudo isso para a situação em que estávamos. A situação onde tínhamos soluções. – ela soltou o ar fechando os olhos. – E eu sei que não temos perspectiva nenhuma de tempo ou qualquer coisa do tipo mas... – o encarou. – Não podemos parar. Temos que fazer o que precisamos fazer. Se esse é o único caminho que vemos agora, tentar voltar as coisas para o curso de antes, então esse é o caminho que vamos seguir.


 


Ele assentiu concordando. Segurou-a pelo rosto, inclinou-se e selou seu lábio sobre os dela. Havia algo que ele gostava sobre aquele casamento. Andara sozinho a vida inteira, seguindo seus objetivos, traçando suas metas, superando seus medos e ganhando suas vitórias. Ele nunca pensou que pudesse ser são solitário agora que tinha Hermione como companhia. Ele nunca pensou que pudesse ser tão mais fácil ir longe com alguém.


 


-       Talvez eu também precise esvaziar a mente. – afastou-se minimamente dela. – Precisa de ajuda?


 


Hermione abriu um sorriso bonito e ele sentiu os dedos frios dela em sua nuca.


 


-       Já montou um berço alguma vez em sua vida? – perguntou ela.


 


-       Não. – duvidava que ela tivesse também.


 


-       Então acredito que somos uma dupla muito bem qualificada para o serviço. – ela foi irônica, selou seus lábios no dele rapidamente e deu meia volta para voltar sua atenção as peças distribuídas no chão de madeira novo, que havia sido trocado na semana anterior.


 


Ela começou a explicar seu plano de montagem a partir da separação das peças. Ele apenas a escutou enquanto se livrava da gravata e dobrava as mangas da blusa. Quando tudo foi bem explicado, ele discordou sobre algumas partes, o que os levou a remodelar a estratégia, o que já eram acostumados a fazer com frequência já que trabalhavam juntos em uma guerra fazia um tempo considerável. Assim que entraram em acordo, seguiram para colocar tudo em ação e enquanto moviam peças, apertavam parafusos e tentavam colocar aquele berço de pé, Hermione explicou como havia combinado com Astoria de decorar o quarto.


 


A combinação havia sido branco com mogno. Assim ela teria uma base mais neutra para escolher pequenas decorações de cores diferente para o lado de Hera, e para o lado de Scorpius. Sim, eles já tinham nomes. Narcisa os escolhera porque ele e Hermione se viram incapazes de concordar em algo. Surpreendentemente sua mãe tinha uma lista enorme de nomes disponíveis, o que fez Draco entender que no fundo, a ideia de Draco ser filho único fora exclusiva de seu pai. Scorpius também parecia ter sido a ideia para o seu nome, mas seu pai não concordara. Narcisa tinha uma apego surpreendente pelo nome. Ela dizia que era um nome forte. O nome de um Malfoy. Seu pai no entanto preferira Draco no fim das contas. Mas Narcisa havia batido o pé com Scorpius para o neto dessa vez. O que não deixou Hermione muito contente, porque aparentemente Hera e Scorpius não a agradou. Ela relutou algumas semanas com os nomes, mas precisou parar assim que percebeu que começou a chama-los pelo nome. Draco também não havia ficado satisfeito com os nomes de primeira. Mas podia dizer que foi algo que cresceu gradativo dentro dele assim como havia acontecido com Hermione, e terem aquilo em comum a respeito dos nomes, fez com que decidissem ficar com eles.


 


Eles acabaram tendo uma breve discussão sobre uma das partes que haviam parafusado que não parecia muito bem encaixado, mas logo encontraram uma forma de reorganizar o plano que estavam colocando em ação. Eram acostumados a discordar, o único problema de quando discordavam era que perdiam tempo. Quando terminaram de montar o móvel já era longe na madrugada. Eles sentaram no chão encostados na parede cada um com sua garrafa de cerveja amanteigada e observaram a obra-prima que haviam finalmente terminado de montar.


 


-       Poderíamos ter terminado isso em menos tempo se você não precisasse ir ao banheiro a cada cinco segundos. – ele implicou com ela.


 


-       Eu sou uma mulher grávida. Não me julgue. – ela parecia muito satisfeita de ver aquele berço de pé a sua frente. – E não vou ao banheiro a cada cinco segundos. Isso é um exagero.


 


-       Talvez. – concordou ele tentando ser divertido. – Dez segundos talvez seja um intervalo mais apropriado.


 


Ela apenas riu e virou um gole de sua bebida. Ele passou o braço por ela e a trouxe para si. Hermione se acomodou nele e ambos ficaram em silêncio por alguns segundos encarando o berço.


 


-       Eles estão quietos aí dentro? – perguntou quando a viu acariciar a barriga.


 


-       Sim. – ela respondeu com uma voz sonhadora. – Eles tendem a ficar bem quietos quando estou me movendo bastante. Acho que dormem.


 


Ele poderia concordar com aquilo porque já os sentira chutá-la no meio da noite, quando estavam na cama, e ele nem estava encostado nela. Eles conversaram sobre como era desconfortável para ela estar naquele estágio da gravidez. Conversaram sobre os nomes mais uma vez. Conversaram sobre as expectativas para quando eles fossem maiores. Tentaram adivinhar em que casa sairiam em Hogwarts. Tentaram adivinhar que personalidade teriam, a quem seriam mais apegados, de quais comidas gostariam mais...


 


Draco nunca se sentiu tão comum quanto naquele momento. Sentiu como se fossem uma família normal, discutindo sobre os filhos que estavam para chegar. Ansiosos, com expectativas, mal podendo se conter. Percebeu que pela primeira vez desde que o mundo virara de cabeça para baixo, sua mente podia pensar claramente e em paz. Mesmo que ele soubesse que fosse temporário, era libertador.


 


Foi quando contou que havia visitado Gina Weasley antes de voltar para casa. Hermione entendeu, mas ele sentiu o ar da pressão que viviam querer retornar, mas ainda pareciam relaxados o suficiente para querer deixar que ele realmente voltasse. Hermione sabia que ele tinha que prestar visitas a Gina. Ele tinha que interroga-la assim como qualquer outro capturado importante.


 


-       Ela sabe quem você é. Talvez a Ordem inteira saiba. – ele contou. – Ela disse que estudou seu sangue. Ela está bem confiante de que você precisa ser morta porque...


 


-       Porque roubei Harry dela? – Hermione o cortou.


 


Ele não esperava por aquilo.


 


-       Não. – disse cuidadosamente. – Porque Morgana não foi uma bruxa muito boa e... ela acredita que essa essência possa estar dentro de você. – Hermione suspirou alisando a barriga. Tomou o ultimo gole de sua bebida e ficou em silêncio, o que não agradou Draco. – Hermione? – ela murmurou algo em sinal de que estava o ouvindo. – O que tem a dizer sobre isso?


 


-       Gina me odeia. Tentei ignorar isso por muito tempo. Tentei acreditar que ela só estava confusa, que ela não sabia do meu lado, da história, mas a verdade é que ela me odeia e aparentemente isso não vai mudar. – foi o que ela disse.


 


-       Não. Não sobre a Weasley, Hermione. Sobre você. Sobre o poder que tem dentro de você.


 


-       Você acha que eu sou perigosa?


 


-       Não. Acho que é poderosa. Apenas isso. Mas conheço seu coração. Você não é cruel.


 


-       Posso ser cruel, sabe disso. Mas sabe tanto quanto eu que estou tão confusa quanto você sobre o que sou, Draco. – ela disse e ele teve que concordar. – Talvez a Ordem a mandou. Talvez todos eles achem que eu sou perigosa, principalmente porque devem achar que eu os traí agora que muito provavelmente já conseguiram acesso a algum Profeta Diário.


 


-       Eles não tem acesso a nada. Nem mesmo a comida. Estão sobrevivendo as custas de magia. – ele suspirou. Não sabia se deveria contar a ela ou não. – Encontrei-me com Potter na semana seguinte a confusão da cerimônia. Ele disse que Weasley agiu sozinha. Ela fugiu. Ele disse que ela não estava muito contente com a situação em que estavam fazia bastante tempo, que ela parecia não encontrar uma forma de se encaixar na Ordem. Ele tentou leva-la com ele durante a invasão, mas ela fugiu por si só. Potter acha que ela tem um plano sozinha, montado na própria cabeça.


 


Ela não falou nada por muito tempo. Draco começou a imaginar que ela estivesse criando algum tipo de raiva por ele ter mantido seu encontro com Potter, um segredo.


 


-       Ele perguntou por mim? – foi tudo que ela perguntou.


 


Ele respirou fundo.


 


-       O tempo inteiro. – respondeu Draco e ela não disse nada.


 


-       Tenho diminuído a segurança de Godric’s Hollow com a desculpa de precisar de mais pessoas para a busca dos fugitivos da Ordem. – ela falou depois de alguns minutos em silêncio. – Acredito que eles vão perceber ter mais mobilidade pelo povoado em pouco tempo. Não vai demorar para que descubram sobre mim. O mundo inteiro sabe agora. – ela virou a cabeça para poder encará-lo. Forçou um sorriso. – Está pronto para o outro berço?


 


Soltou o ar cansado.


 


-       Por que estamos tendo duas crianças, Hermione? Não temos nem a menor ideia de como cuidar de uma. – brincou.


 


O sorriso dela foi mais verdadeiro dessa vez.


 


-       Nunca mais diga isso.


 


Ele riu. Ajudou-a a se levantar e ele começaram a separar as peças do berço número dois. Ele conseguia ver que ela estava exausta. Tinha dificuldades para levantar as peças mais pesadas dessa vez. Ele apenas a ajudou. Não poderia subestima-la nem exigir que ela fosse descansar. Primeiro porque sabia que ela precisava daquilo. Ele também. Segundo porque ela odiava ser subestimada.


 


-       Estive pensando em abrir mão da posição do meu pai. – ele soltou.


 


Ela parou imediatamente para encará-lo.


 


-       Isso seria loucura. Seu pai mantem segredos debaixo daquela posição. Não pode deixar que alguém que não seja da nossa família assuma o lugar de Primeiro Ministro. Nem que seja temporariamente.


 


-       Tenho nomes de confiança que posso sugerir para a posição. Isaac Bennett é um deles. Ele sabe que nos estamos contra Voldemort e tem se mostrado bem leal até agora. Até mesmo depois que meu pai colocou ele e a família entre o fogo cruzado da Cerimônia. Até mesmo depois que meu exército falhou com a segurança que havia sido prometida.


 


-       Não deixaria de ser apenas uma sugestão, Draco. Voldemort pode muito bem colocar Severo Snape como Ministro temporário. Você sabe o quanto ele vem tentando conseguir uma posição alta desde que perdeu o cargo de general para você.


 


-       Voldemort não dá segundas chances para quem falhou com ele como Severo falhou.


 


-       Mas não pode negar que ele tem sido uma boa influência na mente de Voldemort. Snape procura passar mais tempo rodeando o gabinete do Lorde das Trevas do que a própria casa.


 


Draco suspirou soltando o ar cansado. Colocou a sacola de parafusos que carregava de lado e mostrou as mãos.


 


-       Eu não posso ser duas coisas ao mesmo tempo. Não posso ser um general e um político. Preciso confiar em pessoas que possam seguir minhas ordens para que eu viva como um ser humano. Seja realista, Hermione. Você não vai ficar grávida para sempre, estamos contando suas últimas semanas e assim que eles nascerem não vai ser como se você pudesse simplesmente ignorar a atenção que eles vão precisar para poder sair de casa e ir a Catedral fazer meu serviço de general, porque vou estar ocupado demais no Ministério fazendo o de Primeiro Ministro.


 


Hermione processou as palavras dele em silêncio por alguns segundos.


 


-       Como vai fazer com que ele aceite as indicações que propuser? – ela pareceu receosa.


 


-       Ele não precisa aceitar as indicações que eu propuser. Use a matemática, Hermione. Se eu abrir mão da posição, Voldemort só terá a opção de procurar alguém do círculo interno. Mais de oitenta por cento do círculo interno foi montado pelo meu pai. Aproximadamente dezoito por cento, ou não deve nada a nenhum Malfoy ou está procurando o favor da família já que sentamos alto na hierarquia. E talvez duas ou três cabeças ali querem nos ver mortos. Voldemort não é idiota e ele não procuraria colocar ninguém que nos odeie no posto de Primeiro Ministro, porque eu, como general do exército, preciso trabalhar em conjunto com o Ministério, principalmente quando lidamos com situações geográficas. Voldemort precisa de harmonia no corpo de líderes dele, ou o império nunca vai crescer. Tenho uma margem bastante segura para abrir mão dessa posição. Acredito ser melhor manipular quem quer que entrar no lugar do meu pai temporariamente, do que tentar arrumar as coisas como estão agora. Voldemort não está muito feliz comigo no momento então ele está adorando me ver tentar segurar com as mãos o que eu não posso. Ele não está fazendo as coisas ficarem fáceis para mim por puro capricho. Seria mais seguro aceitar a situação em que nos colocamos do que tentar ser orgulhoso com ele agora. Não podemos mostrar que somos uma ameaça. Seria ultrapassar a linha antes da hora.


 


Hermione respirou fundo e com calma enquanto usava seus segundos para processar tudo que ele havia deito. Depois de um bom minuto em silêncio, ela assentiu.


 


-       Você é a cabeça da família agora.


 


Foi o que ela precisou dizer para que ele sentisse o estômago revirar. Era temporário, porque ele acreditava que seu pai se levantaria daquela cama. Precisava acreditar naquilo pelo bem de sua sanidade mental. Mas provar do que seu pai havia sido por tanto tempo, provar da liberdade de tomar decisões pela família sem precisar dar qualquer satisfação, sem precisar se preocupar se agradaria ou não sua mãe ou Hermione, sem precisar convocar qualquer reunião de família, era assustador demais. Ele ainda não estava pronto para ter total poder sobre o legado Malfoy.


 


**


 


Voldemort relutara para recebê-lo por pura diversão, mas felizmente, como Draco estava regendo o Ministério, ele não podia usufruir desse capricho  por muito tempo, pelo bem de seu próprio império.


 


-       Pensei que nunca fosse me receber. – Draco soltou ao entrar no gabinete insalubre e intimidador do gabinete de Voldemort.


 


-       Queria encontrar uma forma de te irritar, mas não me vejo sendo imprudente ao ponto confiar que possa ser um bom Primeiro Ministro para o meu império. Não podia deixar que trabalhasse sem que eu soubesse o que está realmente fazendo. – Voldemort disse com um irritante sorriso nos lábios, reclinado em sua poltrona, rodeado por sua preciosa cobra.


 


-       Não é necessário que faça nenhum trabalho de babá. – implicou Draco tentando soar o mais respeitoso possível, embora a intenção fosse alfinetá-lo. – Mas sei que está querendo fazer da minha vida um inferno ultimamente. Não poderia esperar menos.


 


-       Não seja dramático, Draco. Sabe que eu não poderia deixar que saísse ileso depois de falhar com o seu exército em uma das cerimônias mais importantes para a construção do meu reinado. – ele apontou para o móvel cheio de frascos enormes logo a direita. – Bebidas? – ofereceu.


 


-       Por isso não o questiono. – Draco avançou para a arca de bebidas. Separou seu copo e passou a escolher qual seria a marca de conhaque que beberia. - Já passamos por isso antes. Não é a primeira vez que falho com meu exército. E também, não é como se isso tivesse afetado apenas seu império. Tenho um pai morrendo em uma cama em casa.


 


-       Até onde sei, odeia seu pai.


 


-       Não significa que o quero morto. – Draco encheu seu copo.


 


-       Não se sente pronto para ser a cabeça de seu sobrenome? – Voldemort não era burro.


 


-       Não que eu não me sinta pronto. – a verdade era que realmente não se sentia, mas não podia dizer aquilo. – Apenas gostaria que as coisas acontecessem como tradicionalmente acontecem. Meu pai me passaria a liderança quando ele bem me julgasse pronto.


 


-       E você sabe que isso não seria tão cedo, simplesmente porque seu pai estava bem satisfeito em poder ter controle da vida de quem ele quisesse em sua família.


 


-       É difícil abrir mão do poder uma vez que você o tem. – Draco concluiu enquanto sentava-se na poltrona oposta a dele. Não era confortável. Nada era confortável quando se tinha Lorde Voldemort por perto.


 


-       Vi que sua adorável esposa está nas últimas semanas. – Voldemort comentou e Draco precisou tomar um longo gole de sua bebida para aturar qualquer conversa sobre Hermione com ele.


 


-       Ela tem tido noites complicadas, o que consequentemente tem atrapalhado meu sono. – foi tudo que optou dizer. – Tem sido irritante. – concluiu.


 


-       Aposto que sim. – disse Voldemort. – Bella está escolhendo uma torre nova e maior na Catedral para se mudar quando Scorpius fizer um ano. – Ele não havia relutado com o nome. Na verdade, não havia sequer se importando que tivesse um nome. E Draco também não podia imaginar o quanto seu filho sofreria nas mãos de sua tia, como seria tratado como um objeto, como seria odiado por ser filho de Hermione. Draco não podia imaginar porque não podia reagir. Sabia que estava sendo avaliado. Sempre estava sendo avaliado por Voldemort. – Vou dar uma declaração assim que ele nascer, apesar dos boatos distorcidos sobre eu querer tomar o filho de vocês já estarem rolando pela mídia. Você vai fazer o mesmo porque não quero que pensem que estou fazendo isso sem sua autorização. Estive pensando também em fazer uma cerimônia aberta ou algo grande no aniversário dele para que o mundo soubesse o momento em que ele estivesse saindo da casa de vocês para se tornar definitivamente meu herdeiro.


 


Draco lutou para não estourar o copo que tinha nas mãos.


 


-       Faça como quiser. – foi tudo que respondeu.


 


-       Perfeito. – Voldemort sorriu muito satisfeito. Draco se sentia extremamente preocupado o modo como ele se referia ao filho, sem sequer dar qualquer sinal de que ele tinha uma irmã, sem sequer dar sinal de que ela existia. – Acredito que isso vá colocar em ordem todas as especulações que andam soltando por aí. E falando em colocar em ordem, espero que as coisas estejam melhor no Ministério.


 


Draco sentiu-se extremamente satisfeito pela mudança de assunto. Embora ele tivesse pedido por um horário no gabinete, não podia ser quem liderasse a conversa. Sabia que Voldemort tinha a necessidade de se sentir no controle de tudo, inclusive de uma simples conversa em seu gabinete.


 


-       Os departamentos finalmente voltaram ao funcionamento normal semana passada. Acredito que ter liberado os portões para saída e entrada de Brampton Fort e dos outros fortes com frequência e sem muita restrição ajudaram a acalmar a insegurança que a mídia estava impondo depois do atentado ao primeiro Ministro. Os jornais não falam mais sobre isso faz quase duas semanas, desde que liberamos todo o esquema de segurança do dia da cerimônia, os resultados falsos dos interrogatórios da Weasley e da mentirosa melhora de meu pai. – virou um gole de bebida. – As coisas estão se estabilizando no Ministério e preciso passar a posição para alguém de confiança. Hermione está a ponto de explodir. Ela não vai poder ocupar meu lugar de general por muito mais tempo e quero me dedicar a encontrar Potter. Quero encontrar Potter. Eu quero encontrar Potter. – enfatizou.


 


Voldemort sorriu satisfeito.


 


-       Sua mulher me prometeu Potter em troca da filha, ela com certeza vai fazer um melhor trabalho do que você agora que esta prestes a dar a luz.


 


-       Hermione fez o melhor que pode me ajudando a derrubar a Ordem. Potter escapou. Ela não contava com isso.


 


A reação dele foi interessante. O encarou por alguns segundos como se estivesse pensando em mil coisas juntas.


 


-       Você realmente gosta dela. – ele comentou.


 


Draco não entendeu o porque daquilo.


 


-       Aprendi a gostar dela, mas esse não é o ponto...


 


-       Eu pensei que estivesse jogando comigo. – Voldemort tornou a acariciar o corpo da cobra enquanto ela se reajustava sobre ele. – Quando todos os jornais e meios de comunicação começaram a mostrar todo romance entre vocês, pensei que estivesse tentando brincar com algo, manipular algo, mas a forma como fala dela... Posso ver um instinto de proteção emergir de você quando pensa nela. É o mesmo de quando o assunto são seus filhos. – ele sorriu. Draco não esperava aquilo. – Você não me engana, Draco.


 


Draco teve que respirar fundo com muita calma.


 


-       São meus filhos. Terão meu sobrenome. Carregarão meu legado. – começou - Não me importo que os queira com você ou não. Sabe muito bem que crianças não estão na minha lista de favoritos. – mentiu. – Mas não os mate. Minha família tem uma linhagem para seguir. Se eu não puder proteger o futuro dela, não posso ser um Malfoy em primeiro lugar. – tomou um rápido gole de sua bebida. – Não estamos no mesmo nível, mestre, mas sabe que a aliança dos Malfoy com o seu império vem de um bem mútuo. Nós ganhamos poder e um alto posto na sua hierarquia e você bebe da influência e segurança que oferecemos. Mas também não pense que sou idiota de acreditar que não somos indispensáveis. Por isso mesmo faço o melhor trabalho que posso fazer como general. Você me deu créditos por todas as vitórias que te consegui durante todos esses anos de guerra. Soube me compensar, e é exatamente por isso que faço o que quiser quando meus filhos nascerem. Faço cerimônias, festas, dou depoimentos, discursos, faço o que bem quiser. E vou te conseguir Potter. Iria te conseguir antes simplesmente por ter uma aliança com você e não ser exatamente fã dele. Vou te conseguir agora para ter como recompensa a vida da minha filha.


 


-       Você não gosta de Potter, Draco. Vai me consegui-lo para que eu o mate. Essa será sua recompensa.


 


-       Mas Hermione fez um trato com você.


 


-       Essa será a recompensa dela. E você sabe bem que posso não ser um homem de palavra. – ele sorriu.


 


-       Pode não ser um homem de palavra, mas sabe recompensar bem quem trabalha em prol do seu poder porque sabe o quanto isso é importante para o crescimento do seu império.


 


Voldemort riu. Draco quis vomitar.


 


-       Gosto de conversar com você, Draco. Você é inteligente. É sempre um prazer. – ele se levantou e foi até sua arca de bebidas.


 


Draco sabia bem que não era nenhum dos outros comensais que entravam no gabinete dele, temendo pela própria vida, implorando por algum favor ou prometendo o impossível para conseguir algo em troca. Malfoys eram inteligentes e por isso mesmo Voldemort os mantinha tão altos e tão próximos, porque podiam ou ser um péssimo inimigo ou um excelente aliado.


 


-       Eu preciso encontrar Potter e não posso me concentrar cem por cento nisso enquanto estiver cobrindo o papel de Primeiro Ministro. Prefere ter Potter ou me castigar por mais tempo? – abriu as cartas de uma vez.


 


Voldemort voltou-se para ele com o copo cheio na mão. Sorriu seu sorriso de dentes amarelos.


 


-       Se abrir mão da posição de seu pai posso colocar alguém que o odeia no lugar.


 


Draco deu de ombros.


 


-       Faça o que quiser. Adoraria viver o drama da pequena guerra que isso causaria. Mas não acredito que você comprometeria a boa funcionalidade do seu governo para me fazer pagar por um erro que já está sendo colocado sob controle.


 


Voldemort riu.


 


-       Planejou isso, não planejou? – indagou ele.


 


-       Seria um idiota se não tivesse. Planejo tudo, sabe disso.


 


Voldemort tornou a se sentar e ingeriu uma boa quantidade de álcool antes de dizer:


 


-       Não posso deixar que abra mão da posição de seu pai. – de repente ele não parecia muito contente. – Isso estava nos seus planos?


 


Não. Draco se viu surpreso. Não, aquilo não estava nos seus planos. Potter era a maior vontade de Voldemort. Essa era sua aposta. Esse era seu álibi. Nenhum outro argumento poderia ser mais forte do que Potter.


 


-       Não. – respondeu cuidadosamente, sentindo-se acuado por não ter previsto aquilo. – Sei que quer Potter e eu quero encontrá-lo para você. Isso é tudo que eu havia planejado.


 


-       Bem... – Voldemort terminou a bebida de uma vez. – O povo tem um certo favoritismo pelo seu sobrenome. Eles vão se sentir mais seguros enquanto souberem que um Malfoy está sob o poder de colocar as coisas em ordem. Não quero o causar mais nenhum drama na situação em que estamos, por isso prefiro que adie a questão com Potter e continue regendo o Ministério enquanto seu pai não morre ou não melhora.


 


Adie a questão com Potter? A-d-i-e a questão com Potter? Adiar Potter? Não podia acreditar que aquilo estava saindo da boca de Voldemort. Ele havia construído tudo aquilo, todos aqueles fortes, o exército, o círculo interno, a Catedral, tudo para poder montar seu império e destruir Harry Potter. A maior pedra em seu sapato. A maior das maiores.


 


Não podia acreditar que já estava naquele nível. No nível de ter tanta gente do seu lado que o próprio Lorde Voldemort, o próprio senhor das trevas, imperador do novo mundo, preferia adiar ter Harry Potter, do que arruinar a estabilidade de seu governo tirando um Malfoy da posição de Primeiro Ministro.


 


Poderia jurar que era natal se não fosse pelo calor infernal dos últimos dias de verão, simplesmente porque milagres como aquele só poderiam acontecer em épocas mágicas do ano. Mas não. Aquilo não era um milagre. Ele havia trabalhado duro para alcançar aquele nível. Havia se dedicado anos. Havia sido sutil, discreto e cruel. Não podia acreditar que estava colhendo aquele fruto. Pensara que nunca iria conseguir colhe-lo.


 


Assentiu calmamente concordando com seu mestre. Levantou-se, colocou o copo na mesa de centro entre eles, fez uma pequena reverência e deu as costas. Quando chegou até a porta, parou. Não podia ir embora daquela forma. Não depois do que Voldemort havia exposto. Se fosse embora sem mostrar a forma como havia digerido aquilo, podia se tornar a maior ameaça de Voldemort. Precisava mostrar a quem era leal, independente da influência que tivesse.


 


-       Que tal fazer assim. – tornou a encará-lo. – O povo sabe que os Bennett são a família mais próxima da minha no momento. Eles estavam presentes no dia do ataque, viram tudo, temeram pela própria vida assim como todo mundo ali. Dramático o suficiente. Posso dar um depoimento público e aberto a mídia passando o cargo do meu pai temporariamente para Isaac Bennett. Tenho certeza que eles irão digerir isso bem, já que é facilmente associável que Isaac Bennett é de confiança para os Malfoy. Dessa forma eu vou poder me dedicar ao caso de Potter e do restante de fugitivos da Ordem. Você não vai precisar adiar Potter, nem eu vou precisar me dividir entre ser um general e um Primeiro Ministro. Você consegue o que sempre quis, eu consigo o que quero agora. Não vai precisar se preocupar com o que o povo vai pensar, eles são manipuláveis. – Precisava convencê-lo, ou pelo menos plantar na mente dele, que a força do povo era uma força fantasma.


 


Voldemort sorriu.


 


-       Você sempre tem um Plano B, não é mesmo? – ele soltou.


 


Draco não sabia se podia se sentir aliviado ou não ao ouvir aquilo.


 


-       Anos de guerra. Meio que se aprende a improvisar em cima da hora.


 


Voldemort riu.


 


-       Nós dois sabemos que não é bom em improvisos, Draco. Vamos manter essa sua boa melhorada entre nós. – ele se levantou. Nagini o seguiu quando ele se aproximou. – Siga com o seu plano e me consiga, Potter. Se o povo reagir demais ao passar a posição de Primeiro Ministro para Bennett, espere para pagar por um castigo muito maior. Sabe que sei ser bem criativo com eles.


 


Draco apenas assentiu. Voldemort jamais lhe tomaria o exército. Primeiro porque ninguém de seu exército aceitaria um novo capitão, segundo porque ele não encontraria melhor general, terceiro porque Draco sabia que era um aliado valioso, quarto porque ele trazia benefício para seu império, não só financeiro, quinto porque o povo não ficaria feliz. Draco podia ser a receita para o início da ruína de tudo que havia construído e ele queria muito sorrir, mas precisava se conter.


 


-       Me sinto mais confortável quando nossas conversas terminam com uma ameaça. Sabe que não sou muito fã de quando as coisas saem fora do normal. – fez sua reverência e deixou o gabinete.


 


Tinha que contar tudo aquilo a Hermione. Talvez aquilo os fizesse dormir por uma noite. Mesmo que ela mal estivesse conseguindo respirar direito por causa da enorme barriga. Mas quem sabe, saber que Voldemort estava com receio de tirá-lo do cargo de Primeiro Ministro porque o povo se sentia mais seguro com um Malfoy no controle, fosse aliviar ao menos um pouco do stress que ela vinha passando ultimamente.


 


Quando subia as escadas de sua torre, encontrou Tina vindo em sua direção completamente afoita. Ela pareceu extremamente aliviado em vê-lo e aquilo o intrigou.


 


-       Senhor! Eu não sabia se deveria te interromper com o mestre ou não! Sei que tem tentando marcar com ele já faz um bom...


 


-       Essa é a parte que não me interessa, Tina. – ele precisou lembrá-la.


 


Ela engoliu a saliva e as palavras assentindo.


 


-       Sua esposa. – foi tudo que ela precisou dizer para que a adrenalina fosse imediatamente ativada no sangue dele. – Ela foi movida do Ministério de volta para casa. A equipe de medibruxos e curandeiros que escolheram já está com ela. – Tina respirou fundo e sorriu. – Seus filhos vão nascer hoje, senhor. – ela pareceu se lembrar de algo. – Ou talvez amanhã, considerando que já é meio de tarde. Essas coisas podem levar tempo.  – ela parecia animada.


 


Draco não conseguiu se mover por alguns segundos. Era como se sua mente estivesse o mandando correr, mas suas pernas não estivessem o obedecendo. Demorou mais alguns segundos para que sua mente e seu corpo entrassem em acordo e no segundo em que entraram, Draco deu as costas e correu de volta os degraus que havia subido. Tina tentou acompanha-lo enquanto lhe enchia de mais informações e dizia que sua carruagem já estava pronta.


 


Ele nunca teria adivinhado que seria hoje. Hermione havia soltado aleatoriamente durante o café da manhã que sentia que iria ser hoje, mas ele apenas respondera que ainda era cedo. Por que infernos não havia dado ouvidos a ela? Ela quem estava grávida! Ela quem sentia os filhos dentro dela! Ela quem tinha os estranhos sextos sentidos e coisas do tipo! Sem contar o stress que vinha passando!


 


Era muito cedo! Ela ainda estava alcançando o meio do oitavo mês e mesmo que ele não estivesse iludido de que ela chegaria a quarenta semanas, pequena como era e grávida de gêmeos, ainda esperava que ela conseguisse avançar mais algumas semanas. Pela segurança dos filhos. Mas nunca teria imaginado que seria hoje. Ela havia acordado e levantado da cama sem reclamar de nada, como sempre fazia. Não havia nada nela de diferente. Apenas soltara aquilo durante o café da manhã. Mas que inferno de sinal ele deveria ter que captar para saber quando Hermione teria os filhos ou não. Nem ele sabia. Talvez fosse melhor parar de pensar naquele momento para o bem de sua própria sanidade.


 


-       Se demorar mais de quinze minutos para me levar para casa hoje, considere-se demitido. – disse ao condutor de sua carruagem assim que o viu.


 


Escutou Tina lhe dar os parabéns adiantado antes de entrar e bater a porta de sua cabine. Nunca havia desejado tanto em sua vida poder simplesmente aparatar.

















NA: Nem acredito que consegui escrever um capítulo relativamente grande no meio de toda a confusão de final de ano, que todo mundo bem sabe como é. Festa pra cá e pra lá, viagem pra cá e pra lá, ver família pra cá e pra lá, cozinhar banquete pra lá e pra cá, correria com presentes, preparativos e blablabla! haha Nem dá pra acreditar que me livrar do trabalho por uns dias aumentasse minha produtividade desse tanto! haha Infelizmente tudo já voltou ao normal agora que natal e ano novo passou e infelizmente onde eu moro, não é férias de verão essa época do ano! :‘( Espero que esse capítulo tenha sido muito divertido para se ler. E capítulo que vem, pelo que vcs já puderam perceber, vamos ter a chegada de duas pessoas especiais! Espero que estejam preparados para tudo que vai acontecer!
Aháá! Muitos de vocês pensaram que Lúcio havia morrido, não é mesmo? Quais são as apostas de vocês para o caso dele? E a Gina? O que esperam dela? Deu pra ter um gostinho nesse capítulo. E essa história de matar a Hermione? Será que foi isso que fez Narcisa largar o Lúcio? E agora que o Draco tá tendo que agir como o pai, sendo a cabeça da família Malfoy, será que ele vai conseguir entender alguma coisa do lado do pai?
Sem contar que temos o lado da Ordem, o véu e todo o mistério de Brampton Fort ainda para ser sondado!
2016 promete! ;)
COMENTEM!!!






MIL DESCULPAS POR NÃO PODER ESTAR RESPONDENDO OS COMENTÁRIOS. SEMPRE FICO ENTRE RESPONDÊ-LOS E ESCREVER O CAPÍTULO QUANDO TENHO TEMPO LIVRE. ACABO OPTANDO POR ESCREVER O CAPÍTULO PORQUE NÃO QUERO NUNCA FALHAR COM VOCÊS TODO MÊS! MAS LEIO TODOS E ELES SÃO EXTREMAMENTE IMPORTANTE PARA O DESENVOLVIMENTO DA FANFIC!
MUITO OBRIGADA POR TODO O APOIO!!

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Comentários (15)

  • Heelo

    To morrendo na espera do próximo, e agora??? Eles precisam proteger os babyssss 

    2016-02-18
  • nathalya cruz

    cade o novo capitulo ? ç.ç

    2016-02-11
  • Mimi Potter

    Nossa, não acredito que o Lúcio tá vivo ainda! Vaso ruim não quebra mesmo! E a Narcisa sempre presa ao cara. Foi bom ela ter se liberdado parcialmente dele. É curioso que mais uma vez Lúcio e Narcisa sabem de algo que Hermione nem sonha. Os segredos dos Malfoys não conhecem limites. Por outro lado, o bom dele estar vivo é que Draco ainda não pode ser o cabeça da família todo tempo. Essa armação contra Voldemort toma muito tempo hahahaha Draco e Hermione agora estão naquele momento que tá dando tanta merda que você não pode parar pra descansar que começa o desespero. Esse é sempre um período de muito angústia, mas muita produtividade. Achei a coisa mais fofa eles montando os berços. E gostei de Hera e Scorpius, nomes Malfoys hahaha Não acredito que já estão nascendo! Ansiosa para conhecer essas pessoinhas! Esse momento do nascimento vai ser de alguma tensão? Nem quero imaginar se Belatrix inventar de estar presente... Bennets tão impenhados em ser aliados mesmo, né? Quem Draco e Hermione vão chamar pra padrinhos das crianças? Fiquei me perguntando se essa não seria uma ótima oportunidade pra reunir uns aliados antes do golpe final hahaha Eu nem imagino a merda que a Ordem tá, mas não tinha o que fazer, né? Era correr ou morrer. A Gina fez a maior idiotice da vida dela. Nossa, se entregou gratuitamente e ainda vai pagar por isso bastante tempo. Tudo por uma obsessão sem sentido. E agora a nova maluquice com a Hermione é que ela vai pro Darkside pq ela descende da Morgana... COMO OS BRUXOS SÃO DETERMINISTAS AFF   Ótimo capítulo! Nós vemos em fevereiro! Vou viajar de mochilão, mas espero conseguir parar pra ler o capítulo mesmo em outro fuso haha

    2016-01-11
  • Gabean

    Os bebês estão chegando,  OMG!! Capítulo de tirar o fôlego, ansiosa pro próximo *-* 

    2016-01-11
  • Dark Moon

    Nossa estou swm palavras para descrever esse capítulo. O jeito como eles estão construindo a relação deles.... se unindo é muito linda. De vdd. Estou encantada.. nem conseguiria imaginar um Draco com sentimentos tão profundos.Me pergunto o qual forte ela é pra tantos quererem mata-la. E fiquei triste q Lucio está vivo kkkkkkkk mas okAcabar com os bebês nascendo foi maldade.Anciosa pelo próximoRealmente promete esse anoAmo muito 

    2016-01-07
  • juliana vieira

    eita, que as mudanças vieram todas de uma vez. bem acredito que hermione seja realmente poderosa, mas espero que não seja tão cruel como morgana. não acredito realmente que valdemort não supeite de draco e seus planos. e a vinda dos bebês acelera tudo que eles pensam em fazer, contagem regressiva. hermione precisa aprender a lidar com seus poderes, tem de haver uma forma dela saber usa-los, e tb trazer harry pro lado deles, para que todos juntos possam dar fim a isso de uma vez.

    2016-01-07
  • Talita .o

    O que falar desse capitulo que mal saiu e ja considero pacas...nossa gente eu jurava que era agora que o lucios iria pro saco(droga!), mas não foi dessa vez, não sei só eu que percebi mas eles tem que agilizar esse plano voldemort, os gemeos ja estao ai na porta e vão chegar exigindo atenção e tempo(o que por sinal eles ja não tem), o nome da menina no começo não agradou muito, mas agora ate que soa bem pra uma descendente de morga com malfoy... nossa, esse ano realmente promete!Bom agora e esperar pacientemente ate dia 04, bjus,bjus. 

    2016-01-06
  • Kanastra

    Misericórdia Fran, que capítulo foi esse?? Eu crente que o infeliz do Lúcio tava morto já, e surpresa NÃO morreu!!!! E para piorar a situação ele ainda acha que a Hermione deve ser morta. Não só ele como a Gina também. Meu Deus, tenho algumas teorias de conspiração com a fic, por exemplo: 1º – Eu acho q o Lúcio e a Gina não estão de todos errados, é claro que é difícil acreditar no que eles dizem, afinal sentem ódio da Hermione, mas esse lance dela ter o sangue da Morgana nas veias, não parece muito bom, principalmente porque na história a Morgana até agora tá sendo pintada como um ser pior q Voldemort (até duvido q ela realmente foi tão cruel assim); 2º – Se a Hermione é tão poderosa assim, já que é descendente da Morgana, a pergunta é: Será que ela vai destruir Voldemort ao invés do nosso querido Harry Potter? 3º – E a Gina? Com certeza ela tem um plano e eu posso apostar toda a minha fortuna em galeões que ela quer matar Hermione, ou usar Hermione( o poder que ela tem) para destruir Voldemort ou coisa parecida! 4º – Tô com uma pulga atrás da orelha desde a conversa de Draco com Voldemort. Não sei, na sua fic Voldemort tá muito mais esperto e até agora nesses 38 capítulos não houve sequer uma pista de como matar o “cara de cobra”, então eu acho que ele sabe que o Draco arma contra ele nas costas dele. Afinal o Voldemort é expert em legilimência e logo quando o Draco saiu do gabinete dele, o nosso loiro teve um surto e pode muito bem ser a legilimência do Voldemort. 5º _ E o bebês?? O que falar deles? Bom, pra começar a Hermione dando a luz agora não podia ser a pior hora!!! Porque? Bom, eles não tem um plano de como se livrar do Voldemort querer o filho e filha deles! Porque eu não comprei essa história de que ele vai deixar a Hera pra lá. Voldemort odeia a Hermione!!! Eu duvido que ele não queira capturar a pequena Hera para sugar o sangue da coitadinha todinho para ele continuar jovem e bonitão para sempre! E outra coisa, não comprei também essa história de que ele vai deixar o Scorpius por um ano com os pais. Não parece o que Voldemort faria! Só acho! 6º – E continuando sobre o nascimento dos bebês agora. Com a Hermione livre dos bebês, o que impede de Voldemort pegá-la e estuprá-la, hã? Eu mesma respondo: NADA!!! Ele é perverso e tem tara em tortura tudo que ele acha pela frente!!! Principalmente agora que ele já percebeu que o Draco gosta da Hermione!!! Ele não vai perder a oportunidade de torturar os dois!!!Por isso eu espero que não seja agora o parto, que seja que nem a quase morte do Lúcio!! 7º- E por último a Ordem! O que falar da Ordem? Bom, eu sei que a fic é uma dramione, aliás a dramione que na minha opinião está no 1º lugar do ranking top 3, que eu mesma fiz de melhores dramiones que já li na vida. Mas, mesmo assim a idéia de que a Ordem é tão fraca em relação ao Império de Voldemort me incomoda! Assim, Fran, o Harry teve problemas, eu concordo, mas porra, ele é o maior medo de Voldemort, até o Draco sabe disso!! Mas parece que o próprio Harry Potter não sabe o que fazer e vejamos e combinamos que isso é chato pra caralh*!!!! Na minha pequena e humilde opinião, o Harry precisa crescer!!!! Eu sei q a fic é sua e você é quem manda, mas por favor, pense nisso! 8º – E por último, como sempre adorei a fic!! Aliás, amo a fic e claro estou mais do que ansiosa pra ver como vai ser a continuação dia 04/02!!! Beijinhos e até lá,   Kanastra = Carolina S. Santos = Carolina S. Salazar

    2016-01-06
  • Kanastra

    Misericórdia Fran, que capítulo foi esse?? Eu crente que o infeliz do Lúcio tava morto já, e surpresa NÃO morreu!!!! E para piorar a situação ele ainda acha que a Hermione deve ser morta. Não só ele como a Gina também. Meu Deus, tenho algumas teorias de conspiração com a fic, por exemplo: 1º – Eu acho q o Lúcio e a Gina não estão de todos errados, é claro que é difícil acreditar no que eles dizem, afinal sentem ódio da Hermione, mas esse lance dela ter o sangue da Morgana nas veias, não parece muito bom, principalmente porque na história a Morgana até agora tá sendo pintada como um ser pior q Voldemort (até duvido q ela realmente foi tão cruel assim); 2º – Se a Hermione é tão poderosa assim, já que é descendente da Morgana, a pergunta é: Será que ela vai destruir Voldemort ao invés do nosso querido Harry Potter? 3º – E a Gina? Com certeza ela tem um plano e eu posso apostar toda a minha fortuna em galeões que ela quer matar Hermione, ou usar Hermione( o poder que ela tem) para destruir Voldemort ou coisa parecida! 4º – Tô com uma pulga atrás da orelha desde a conversa de Draco com Voldemort. Não sei, na sua fic Voldemort tá muito mais esperto e até agora nesses 38 capítulos não houve sequer uma pista de como matar o “cara de cobra”, então eu acho que ele sabe que o Draco arma contra ele nas costas dele. Afinal o Voldemort é expert em legilimência e logo quando o Draco saiu do gabinete dele, o nosso loiro teve um surto e pode muito bem ser a legilimência do Voldemort. 5º _ E o bebês?? O que falar deles? Bom, pra começar a Hermione dando a luz agora não podia ser a pior hora!!! Porque? Bom, eles não tem um plano de como se livrar do Voldemort querer o filho e filha deles! Porque eu não comprei essa história de que ele vai deixar a Hera pra lá. Voldemort odeia a Hermione!!! Eu duvido que ele não queira capturar a pequena Hera para sugar o sangue da coitadinha todinho para ele continuar jovem e bonitão para sempre! E outra coisa, não comprei também essa história de que ele vai deixar o Scorpius por um ano com os pais. Não parece o que Voldemort faria! Só acho! 6º – E continuando sobre o nascimento dos bebês agora. Com a Hermione livre dos bebês, o que impede de Voldemort pegá-la e estuprá-la, hã? Eu mesma respondo: NADA!!! Ele é perverso e tem tara em tortura tudo que ele acha pela frente!!! Principalmente agora que ele já percebeu que o Draco gosta da Hermione!!! Ele não vai perder a oportunidade de torturar os dois!!!Por isso eu espero que não seja agora o parto, que seja que nem a quase morte do Lúcio!! 7º- E por último a Ordem! O que falar da Ordem? Bom, eu sei que a fic é uma dramione, aliás a dramione que na minha opinião está no 1º lugar do ranking top 3, que eu mesma fiz de melhores dramiones que já li na vida. Mas, mesmo assim a idéia de que a Ordem é tão fraca em relação ao Império de Voldemort me incomoda! Assim, Fran, o Harry teve problemas, eu concordo, mas porra, ele é o maior medo de Voldemort, até o Draco sabe disso!! Mas parece que o próprio Harry Potter não sabe o que fazer e vejamos e combinamos que isso é chato pra caralh*!!!! Na minha pequena e humilde opinião, o Harry precisa crescer!!!! Eu sei q a fic é sua e você é quem manda, mas por favor, pense nisso! 8º – E por último, como sempre adorei a fic!! Aliás, amo a fic e claro estou mais do que ansiosa pra ver como vai ser a continuação dia 04/02!!! Beijinhos e até lá,   Kanastra = Carolina S. Santos = Carolina S. Salazar

    2016-01-06
  • Raisa Cunha

    Omg quero logo o proximo capitulo! incrivel, estou amando a fic! E amei o nome Hera!!!!!

    2016-01-05
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