A palestra



- Capítulo seis -

A palestra



Harry não acreditara de primeira que estava acordado. Porém, numa tentativa de se beliscar para ver se estava sonhando, se machucara.

Então não estava sonhando. Ele e Hermione realmente haviam se beijado.

E que beijo, pensou ele.

O problema era que Rony havia os flagrado, e parecia ter ficado muitíssimo zangado.

- Harry, eu... - Hermione parecia muito confusa. - Desculpa, eu... não sei o que... eu não devia ter...

- Você está brincando... - disse Harry. - Não precisa pedir desculpas. Eu também não sei, mas... adorei - acrescentou Harry, corando mais do que nunca.

Hermione, ao tentar esconder o que Harry percebera ser um sorriso, virou o rosto.



Harry desceu à cozinha. A Sra. e o Sr. Weasley conversavam. Lupin contemplava o seu café; parecia cansado.

- Bom-dia, Harry - cumprimentou Lupin.

- Sente-se, Harry - disse a Sra. Weasley. - É bom se alimentar antes de partirem.

- Nós não vamos andando, vamos? - perguntou Harry.

- É claro que não - disse o Sr. Weasley, rindo.

Harry ia se sentando numa cadeira, mas o problema era que já havia alguém deitado, de atravessado, ocupando três cadeiras.

- Tonks - chamou Molly -, acorde!

- Ah... que - disse sonolenta, se levantando. - Ah, b-b-b-om dia, Harry - disse Tonks, soltando um longo bocejo.

Harry se sentou ao lado dela. A bruxa instantâneamente desabou a cabeça no ombro de Harry.

- Tonks - chamou Lupin. - Vamos, anime-se.

- Ah, desculpe, Harry - disse ela levantando a cabeça. - Tô tão... tão... tão empolgada - disse ela, incapaz de segurar mais um bocejo.

Hermione descera; com uma Gina, tonta de sono, em seus calcanhares.

- Gina - falou a Sra. Weasley, carinhosamente. - Não precisava acordar agora, querida.

- M-mamãe - Gina bocejara, sonolenta. - Ah, mamãe, eu quero ir no Centro com o Rony e o Harry.

- Rony não vai, querida - disse o Sr. Weasley, se sentando a mesa - Acabou de mudar de idéia. Não sei o que com ele.

Hermione lançou um olhar significativo a Harry.

- Em todo o caso, Gina - disse a Sra. Weasley -, não queremos dar trabalho nenhum ao Lupin e à Tonks.

- Não dará trabalho nenhum, não é Tonks? - disse Lupin, procurando a concordância da amiga. - Tonks!

Tonks, que havia cochilado na sua tigela de cereais, se levantou, assustada.

- É! Desculpem - disse ela, esfregando o rosto. - Bem, já estou mais acordada.

- O Rony disse que não vai? - perguntou Harry ao Sr. Weasley.

O bruxo confirmou.

- Hum, vou lá falar com ele - disse o garoto se retirando.

Harry entrou no quarto que dividia com Rony. Este se encontrava deitado de qualquer jeito, na cama, o rosto oculto no travesseiro.

- Rony - chamou Harry. - Que há, cara, porque não vai mais?

O amigo não respondeu.

- Qual é o problema, hein? - Harry tornou a perguntar.

- Advinheuacbeidvrvcemhrmion - disse Rony, a cara enfiada no travesseiro.

- Quê? - perguntou Harry, intrigado. - Não entendi. Fala direito.

- Mdxaepzhrry.

Harry arrancou o travesseiro do amigo.

- Fala agora.

- Me deixa em paz, Harry - resmungou Rony, com frieza.

- Que está acontecendo? - perguntou Harry, irritado. - Que há com você?

- Ainda pergunta... cara-de-pau - resmungou Rony.

Harry corou. Sabia perfeitamente bem do que o amigo estava falando.

- Olha - disse Harry. - Eu e a Mione... não sei como aconteceu... só aconteceu...

- Sei - retrucou Rony, olhando para o teto.

- Mas o que isso tem a ver? - perguntou zangado. - Tá com ciúmes da Hermione, é? Pensei que você tivesse namorada.

Rony não respondeu.

- O.k. - disse Harry, nervoso. - Se não quer falar, o problema é seu. Mas se você não descer agora para irmos ao Centro, eu juro, que espalho para todo o mundo, especialmente para os gêmeos, sobre você e Luna.

Harry saiu do quarto.



Rony parecia ter levado a ameaça de Harry a sério, pois logo estava reunido aos outros.

- Vamos - disse Lupin, estendendo uma torradeira. - Toquem.

- Moody não vai? - perguntou Harry, estranhando a ausência da tal guarda que Moody mencionara, tocando a Chave de Portal.

- Não - disse Tonks, com um certo desdém. - Ele tem outro servicinho.

Harry, Tonks, Rony, Gina, Hermione e o Sr. Weasley se agruparam; todos com a mão estendida, tocando a torradeira. Por um momento as mãos de Harry e Hermione se tocaram. Mas Harry, olhando para Rony, a desviou, colocando-a num espaço vazio.

Um solavanco puxou o umbigo de Harry para trás. Seus pés se elevaram no nada.

De repente, Harry desabou no chão, com os outros.

O garoto olhou em volta; o sol nascia, iluminando um lugar rochoso, ao ar livre. Aquele lugar era estranhamente familiar.

- Espera aí - disse Hermione, parecendo animada. - Estamos em Hogsmeade, não estamos?

- Isso mesmo, Hermione - afirmou Lupin. - Hogsmeade é o único povoado inteiramente mágico da Grã Betanha; tem muita coisa aqui que vocês ainda não conhecem.

O Sr. Weasley deu um toque com a varinha, em uma parede de pura rocha; onde havia, levemente gravado, uma estrela.

A parede deslocou, se abrindo em um círculo enorme.

Lupin fez sinal para os outros entrarem. Após este entrar, o círculo se fechou novamente. Estava totalmente escuro dentro da caverna.

- Lumus - murmurou Tonks, acendendo a sua varinha.

Estavam num cubículo cavernoso.

O Sr. Weasley dera mais uma pancadinha com a varinha na parede; só que agora na parede oposta, que se abrira como a outra.

A claridade os invadiu novamente.

- Nox - Tonks apagara a luz da varinha. - Venham!

A parede se fechou. Estavam novamente ao ar livre do céu, mas, pelo o que Harry notara, não haviam outras saídas. E, na frente do grupo, havia uma cabana, (que lembrava muito a cabana de Rúbeo Hagrid) totalmente sustentada por madeira.

Lupin abrira a porta da cabana e deixou os outros entrarem.

O queixo de Harry caíra. Olhando de fora da cabana, ela não parecia ter mais do que um cômodo. Mas, agora que o grupo entrara, dava se para perceber, que o aposento era tão grande quanto o campo de quadribol de Hogwarts.

- Uáu - exclamou Gina.

- Não toquem em nada - recomendou Lupin.

Haviam, rodeando o sagüão, em todos os cantos, vários artefatos curiosamente sinistros. Havia um espelho, ao lado de cada uma das várias portas que rodeavam a cabana. O espelho, enorme, revelava vultos difusos, fazendo Harry os conhecer imediatamente. Eram Espelho-dos-Inimigos.

Para cada lado de cada porta e espelho, haviam bruxos, de ares rabugentos, sentados em cadeiras; aparentemente guardando as portas. Um deles observava Harry, com uma certa expressão de desafio no rosto.

Lupin e o resto do grupo se aproximou de um dos bruxos. O homem, de aspecto severo, se levantara.

- É sobre o Campeonato Mirim - disse Lupin, após um aceno de cabeça. - É aqui, não?

- Isso mesmo - disse o homem, com uma varinha ligeiramente apontada para eles. - Apresentem as suas varinhas.

- Varinhas - comandou o Sr. Weasley, retirando a própria do casaco.

Tonks depositou a sua numa balança de latão, na mesinha defronte a porta. O mesmo fizeram os outros, um a um.

- Muito bem - o bruxo, após devolver as varinhas, dera uma pancadinha de leve na porta com a própria varinha. - Suas varinhas estão registradas. Podem entrar. A palestra é com o Sr. Lupin. A primeira do dia já está para começar. Apressem-se.

Harry, Rony, Hermione e Gina, encararam Lupin.

- Lupin? - perguntaram eles, surpresos.

- Não sou eu - respondeu Lupin, parecendo irritado. - É... um irmão meu.

- Rômulo é o seu irmão? - perguntou o bruxo recepcionista, parecendo interessado. - Rômulo Lupin?

- Estamos atrasados - disse Lupin, com impaciência, se dirigindo à porta.

Um letreiro à porta informava: Testes e eventos.

Harry olhou desconfiado para a porta. Estavam malucos se achavam que atravessariam a porta e chegassem a algum lugar que não fosse o lado de fora da cabana. Mas, quando Lupin a abriu, viu que entrariam em um corredor que daria em uma outra porta.

- Não se impressionem - disse Tonks, desgostosa, fechando a porta anterior. - Este lugar é mágico. É óbvio.

- Bem, eu volto para buscar vocês - informou Lupin, evitando ir até a sala seguinte.

- O.k., Remo - concordou Tonks, observando Lupin, com carinho.

- Coitado - murmurou o Sr. Weasley, batendo na porta, quando Lupin se distanciou.

A porta se abriu. Um homem, de ar empolgante, atendeu-os, sorrindo. Harry se lembrou do garotinho que vira no Diário de Lembranças do Lupin. Estava uns vinte e cinco anos mais velho, agora, mas tinha um ar jovem. Tinha as roupas menos surradas que as do irmão.

- Bom-dia - cumprimentou energicamente Rômulo Lupin, o irmão de Remo. - A palestra vai começar agora. Podem entrar.

Tonks, Harry, Gina, Hermione, Rony e por último o Sr. Weasley, entraram.

A sala estava cheia, todos sentados em cadeiras.

Harry e os outros sentaram às cadeiras da única fileira inteiramente desocupada, bem diante a mesa de Rômulo.

- Muito bem! - disse Rômulo energicamente. - Que bom ver que tanta gente se interessou pelo evento...

A porta bateu.

- Entre - convidou.

Um garoto, de rosto redondo, e ar de preocupação, acabara de entrar. Harry o reconheceu imediatamente. Era Neville Longbottom.

Neville sentou-se na última cadeira restante, ao lado do Sr. Weasley. Ele cumprimentou o grupo com acenos.

- Bom, como eu ia dizendo - recomeçou Rômulo Lupin, ajeitando a frente das vestes. - É bom ver tanto rosto aqui. Mas devo lembrar, que só poderão participar, aqueles que estão entre a faixa de dezesseis e dezessete anos - e lançou um olhar significante a alguém atrás de Harry.

- Não vou participar - resmungou um garoto.

- O.k. - continuou Rômulo. - Bem, esta palestra, é só para vocês terem uma base, de como, e o quê, é a carreira de auror. Poderão, também, esclarecerem suas dúvidas. Bem, por onde eu começo...? - falou Rômulo, mirando o teto, serenamente.

Alguém atrás de Harry pigarreou.

- Ah, sim, - lembrou-se Rômulo. - Bem, neste Campeonato Mirim, serão sorteados cinco participantes. Estes cinco participantes, passarão por quatro etapas; sendo uma teórica, e três práticas. Em cada etapa, incluindo a teórica, um participante será eliminado, deixando somente, um vencedor. Este vencedor, como vocês já sabem, entrará gratuitamente para a Escola de Aurores, após terminar a escola de magia; recebendo um treinamento de quatro anos de duração. O vencedor garantirá também, uma futura vaga para a carreira de auror no Ministério da Magia. E levara, também, um kit de detectores de magia negra - ele pigarreou e perguntou. - Quanto a esta parte, alguma pergunta?

Hermione levantou a mão.

- Pode falar, Srta...?

- Granger - disse Hermione, abaixando a mão. - A minha pergunta é: Este Campeonato é seguro?

- Muito bem - disse Rômulo, batendo palmas. - Ótima pergunta. Bem, a Srta. Granger, acabou de tocar num assunto muito importante: A segurança.

Rômulo parou por um instante. Andou para um lado e para o outro da sala, e recomeçou.

- Imagino que vocês já saibam, mas é preciso repetir: é expressamente proibido, por lei, usar as maldições, consideradas imperdoáveis pelo Ministério da Magia.

- Faça uma demonstração dessas maldições - disse uma voz arrastada, ao fundo da sala.

- Acho que não - falou Rômulo, com desdém. - Acredito que nenhum de vocês queira que eu lance maldições aqui. Além disso eu seria banido para Azkaban se o fizesse. Seria um crime. Mas, em todo o caso, é bom que se informem sobre estas maldições. Quanto ao resto, não se preocupem, é seguro.

Hermione levantara a mão novamente.

- Srta. Granger?

- Senhor, poderia nos falar sobre o quê as pessoas aprendem na Escola de Aurores? - perguntou Hermione.

- Posso, e devo - falou Rômulo, animado. - Para entrarem, os senhores precisam de notas excepcionalmente boas, para cada matéria específica. Mas na Escola, vocês não somente desenvolverão suas habilidades para aurores, como também aprenderão muita coisa, que, eu tenho certeza, nunca ouviram falar. Portanto, este Campeonato, somente os aquecera. Vão usar o conhecimento, e a habilidade, que adqüiriram nos anos de escola.

O homem caminhou novamente pela sala.

- Tenho uma perguntinha à vocês - disse ele, finalmente. - Alguém, nesta sala, saberia me dizer o que é telecinesia?

O Sr. Weasley levantou a mão, excitado.

- Diga, Sr. Weasley.

- Telecinesia não é quando os médicos trouxas dão remédios para os pacientes dormirem?

Alguns na sala riram, inclusive Hermione.

- Não - disse Rômulo, sorrindo. - O senhor não estaria se referindo à "anestesia"?

- Ah, é... - fez o Sr. Weasley, envergonhado.

- Telecinesia é o dom de trabalhar a magia com a mente. São raros os bruxos que conseguem controlá-la - disse Hermione, após levantar a mão novamente.

- Srta. Granger... eu estou impressionado - falou Rômulo, se pondo de frente a garota. - A senhorita demonstra que sabe muito mais do que qualquer marmanjo aqui.

Houve um burburinho, um assobio, e uma ovação.

- Hogwarts, não é? - disse Rômulo, mostrando interesse a Hermione. - Imagino que seja da Corvinal?

- Ah, não, senhor - disse Hermione, timidamente. - Sou da Grifinória.

- Que tal um teste de Q.I.?

- Não sei - disse Hermione, pensativa.

- Vamos, eu prometo que isto ajudará muito em seu currículo - disse Rômulo, observando-a. - Faça o teste, minha jovem garota.

- Jimbo - Rômulo se dirigiu a um jovem, que fazia anotações na prancheta. - Deixe ciente que esta garota tem futuro. Tome notas com ela no final da palestra. Não se importa, não é, Srta. Granger?

- Não, senhor.

- Será que podemos voltar à palestra? - perguntou o garoto de voz arrastada, ao fundo da sala.

- O.k., desculpem... Mas, como eu ia dizendo - continuou Rômulo -, a Srta. Granger já descreveu o que seria. A telecinesia funciona de acordo com as emoções da pessoa. Ou seja, com a telecinesia, é possível um bruxo fazer coisas acontecerem, sem o uso de uma varinha.

- Como quando o Harry se zangou e transformou a tia em um balão - disse Hermione, talvez um pouco alto demais.

Alguns riram.

- Este tal de Harry, transformou a tia em um balão, é? - disse um garoto, atrás de Harry - Tipo... tipo assim, fez ela sair flutuando pelos ares e tudo? - o garoto caiu na gargalhada. - Meu irmão, eu preciso conhecer esse cara.

- Dá pra falar mais baixo? - sussurrou Harry para Hermione, enquanto Gina dava risadinhas.

- Sr. Krum? - atendeu Rômulo, fazendo um gesto para alguém atrás dos garotos.

- Será que focê nam poderia nos mostrar como, exatamant, funciona essa telecinesia?

Harry, Rony e Hermione se viraram.

Vítor Krum, o carrancudo jogador de quadribol, se encontrava a cinco fileiras de cadeiras de distância, atrás dos garotos. Vítor acenou para Hermione quando esta se virou.

Harry, agora que virara, via alguns rostos conhecidos. Agora sabia que a voz arrastada era realmente de Draco Malfoy, sentado no fundo da sala. E divisou a sonhadora Luna Lovegood, os olhos levemente arregalados, pulando na cadeira aos acenos para Rony. Hermione parecia não ter percebido. Harry encarou Rony nos olhos; este balançou a cabeça. Harry entendera o recado.

Voltou a atenção para Rômulo, que tirara uma colher da escrivaninha e a encarava, com muita concentração.

- Ele está namorando a colher? - perguntou uma voz feminina, atrás deles.

- Não seja idiota - retrucou um garoto. - Ele está entortando a colher.

Então Harry notou, era verdade; a colher, na verdade, se entortara ao meio.

- Bem, mais ou menos isso - disse Rômulo, jogando a colher no lixo e pegando outra na escrivaninha.

- Hum, Sr. Weasley, será que o senhor poderia vir aqui na frente...? Não, Arthur, eu me referia ao seu filho... sim.

Rony, desengonçado, se dirigiu ao mestre.

- Tente entortar esta colher - recomendou Rômulo, entregando a colher a Rony -, se concentrando ao máximo no que deseja fazer com ela.

Rony lançou um olhar intrigante ao professor. Depois, sem êxito algum, olhava para a colher, nervoso.

- A telecinesia é legal - disse Rony, de repente, desistindo do contato visual com a colher -, mas eu tenho os meus próprios métodos para curvar colheres - Rony, com as próprias mãos, entortara a colher de prata ao meio. - Ahá, um músculo bem sematério, não acham? - disse, erguendo a colher.

A sala explodiu em risadas. Rony corou até as orelhas.

- Que vergonha - murmurou Gina, levando a mão a testa.

- Faz de conta que não o conhece - recomendou Harry.

- Isso, meu princípe - berrou Luna, às gargalhadas. - Mostra à eles o seu muque.

Harry viu Hermione se virar, a fim de ver quem berrara, mas parecia não ter percebido.

- Ah... - Rômulo parecia tentado a cair na gargalhada também, mas resistira. - Querem saber, esqueçam o que eu disse; ao entortarem uma colher, usem o método prático do Weasley. É muito mais... prático. Bem, e voltando ao assunto, na Escola de Aurores, vocês aprenderão a controlar seus dons telecinésicos. E muitas outras coisas que talvez, vocês, só cheguem a ver, quando terminarem sua escola de magia.

- Pois não, senhor...?

- Max - disse o garoto, abaixando a mão. - É que eu gostaria de perguntar ao senhor, se isto se chama telecinesia - Max olhou fixamente para uma garota ao seu lado, fazendo os cabelos dela se arrepiarem.

- Pare! - retrucou ela, achatando os cabelos com a mão. - Já disse pra não fazer mais isso.

- Puxa, Max - admirou-se Rômulo. - Vejo que o senhor sabe usar a telecinesia muito bem. Quantos anos o senhor tem?

- Quatorze - respondeu o garoto. - Eu faço isso desde que me entendo por gente.

- Ele faz isso desde que se entende por animal - retrucou a garota.

- Puxa, vejo que temos muitos talentos aqui na sala - e consultou o relógio. - Mas receio que o tempo seja curto... Vocês ainda precisam preencher uma ficha. Mais alguma pergunta? Entenderam tudo? Ninguém? Ótimo! Jimbo, entregue a eles.

O jovem, com a prancheta na mão, começou a distribuir penas e pergaminhos. Alguns recusavam. Mas a maioria aceitou.

- Preencham a ficha - disse Rômulo, se sentando em sua cadeira. - Mas lembrem-se, esta pena está enfeitiçada, se mentirem sua idade, nós saberemos.

Harry olhou para os lados a ver os que se inscreviam; Rony preenchia a dele; Nevile; a garota que Max arrepiara os cabelos também; até Luna preenchia a dela, no fundo da sala. Harry viu Vítor Krum e olhou para Hermione. Alguma coisa em Harry o fez desgostar de Krum; Rony devia ter razão, afinal. Olhou então para Draco Malfoy... este preenchia a dele... Harry nunca tivera algo de bom a dizer sobre Malfoy, e agora, vendo ele ali, no Centro, um mau pressentimento formou-se em seu peito.

Harry começou a preencher a dele.



Nome:
Harry J. Potter

Idade: dezesseis anos.

Escola: Hogwarts

N.O.M.'s: ...



Harry começou a escrever todos os seus N.O.M.'s.

Quando terminou, o garoto se assustou ao ver que o pergaminho chupara a tinta, deixando-o branco novamente.

- Bem, vocês aguardem - disse Rômulo, segurando a montoeira de pergaminhos. - À esta hora, com as nossas penas especiais, o Ministério já está verificando quem serão os cinco participantes. Fiquem a vontade.

Rômulo Lupin saíra da sala.

- Hum, crianças, será que vocês poderiam esperar aqui? - disse o Sr. Weasley, se levantando. - É que eu tenho que resolver uma coisinha, não demoro.

Rony e Gina acompanharam o Sr. Weasley até o corredor. Harry, ainda na sala, avistou Luna saindo, aparentemente procurando por Rony. Hermione ainda conversava com o assistende de Lupin. Então o garoto seguiu Rony e Gina para fora da sala.

- Meu Rony! - Harry saiu a tempo de ver Luna correndo, de braços abertos até Rony.

Luna e Rony se beijaram. Harry olhou para Gina, esta parecia espantada.

- Você sabia disso? - sussurou Gina.

- Sabia - respondeu Harry, a chamando para o canto, a fim de não interromperem Rony.

- A Di-Lua? - estranhou Gina. - Eu não esperava. Achei que fosse a Hermione...

- Que fosse a Hermione o quê? - perguntou Harry, um tanto alterado.

- Ah, você sabe - falou Gina timidamente.

- Não, eu não sei - retrucou Harry.

- Pensei que Rony gostasse da Hermione - disse Gina, depressa.

Harry sentira como se de repente uma lâmpada acendesse sobre a sua cabeça. Como pudera ser tão cego? Até Gina desconfiava. Rony tinha ciúmes da Hermione.

Mas Rony está com Luna, pensou Harry com simplicidade.

- Oi, Harry! Oi, Gina - cumprimentou a sonhadora Luna. - Minha tia falou muito bem de você, Harry.

- Rony - chamou Harry.

Gina e Luna conversavam. Harry puxou Rony para o canto.

- Qual é o seu problema? - perguntou Harry.

- Eu não tenho problema nenhum - respondeu Rony, com frieza.

- Rony, você gosta da Hermione? - Harry não podia mais segurar aquela pergunta.

- Por que está me perguntando isso?

- Porque você está zangado comigo? - falou Harry, encarando Rony nos olhos. - Você me evita. Está assim desde quando saimos da Ordem. Você viu eu e Hermione no quarto do Sirius, achei que você poderia estar com ciúmes.

- Eu... - começou Rony.

Harry o interrompeu.

- Olha, você é o meu melhor amigo - falou. - Não quero ficar brigado com você. Se aquela cena te perturbou... - Harry fez força para falar - eu peço desculpas.

Rony pareceu confuso.

- Puxa, cara... - disse Rony, olhando para Harry, como se sentisse pena do amigo. - Não, não precisa se desculpar... Agi como um idiota. Foi uma surpresa enorme pra mim, e...

- Então - continuou Harry, agora sorrindo -, você gosta da Hermione, ou não?

- Eu achava que sim - disse Rony. - Mas, aquela ali - e apontou para Luna, que ainda conversava com Gina -, Harry, você não faz idéia. Quando estou com ela, o meu coração dispara. Nunca senti coisa igual.

Harry achava muito estranho Rony falando tudo aquilo, mas sorriu.

- Sabe, eu acho que vocês dois combinam - falou Harry, satisfeito.

Rony sorriu, concordando com a cabeça.

- Então, está tudo bem? - perguntou Harry, estendendo a mão.

- Está - Rony apertou a mão do amigo. - Me desculpe, Harry.

- Mas, ainda eu não entendo - falou Harry. - Porque você esconde de todo o mundo que está com a Luna?

Rony parecia incapaz de responder.

- Cara, se você gosta dela - continuou -, então eu acho que você não pode ter vergonha de mostrar que estão juntos.

- Sabe - disse Rony, parecendo mais firme -, você tem razão. Eu realmente sou apaixonado pela Luna, então... não vejo problema nenhum.

Rony foi até Luna e a abraçou. Harry sorriu para Gina.

A porta da sala se abriu.

- Ora, ora - caçoou uma voz arrastada. - Se não é o "mister músculos de ferro". E... que é isso, Weasley? Você e a lunática?

- Será que se a gente for para o inferno você nos deixa em paz, Malfoy? - perguntou Gina.

- Ele não pode evitar, Gina - Harry tomou a frente. - Conhecendo o Draco, é para que ele vai.

- Se é que alguém agüenta ele lá - disse Rony, arrancando gargalhadas de Luna.

- Posso saber o que faz aqui, Draco? - perguntou Harry, cruzando os braços. - Pensando em virar auror, é? Vai caçar seu pai e os amiguinhos dele?

- Você não está em posição de reclamar, Potter - disse Draco, seus olhos frios revelando malícia. - Vai pagar caro.

- Soube que o papai dele fugiu de Azkaban - disse Luna, ainda nos braços de Rony. - Mas o que é engraçado, é como chegou lá. Com a ajuda de seis jovens de quinze anos.

- Não fale comigo, garota maltrapilha - retrucou Draco.

- É melhor calar a boca, Malfoy - disse Rony, fazendo menção de largar Luna e atacar o garoto.

- Deixa, Rony - disse Luna, carinhosamente, dando um beijo no rosto do namorado.

A porta se abriu outra vez. Era Hermione.

A garota olhou para Draco, Harry e Gina. Depois fitou Rony e Luna, aos abraços.

- Que está acontecendo aqui? - perguntou Hermione, olhando novamente para Harry, Gina e Draco.

- Nada que seja da sua conta, sangue ruim.

- Cale-essa-boca - disse Harry, entre dentes.

- Sabem, é melhor avisarmos aos aurores para ficarem de olho no Draco - comentou Gina.

- O que faz aqui, Malfoy? - perguntou Hermione.

- Ele se inscreveu - disse Harry.

Inesperadamente, Draco abriu um sorriso para Hermione.

- É melhor ficar de olhos bem abertos, Granger - disse Draco, os olhos brilhando. - Não é só porque você é uma sangue ruim nojenta que está segura...

Hermione correu até Harry e o abraçou.

- Não liga, Harry - disse Hermione, o segurando. - Deixa ele!

Harry, tentando se desvencilhar de Hermione, disse:

- Deixa, Hermione. Não estou nem aí se me mandarem para Azkaban, só quero acabar com o Malfoy.

- Devo entender, que alguma coisa de errado aqui.

Rômulo estava de volta.

- Nada demais - disse Rony. - Só íamos matar ele - acrescentou, apontando para Draco.

- Receio que aqui não seja o melhor lugar para se fazer isso, Weasley - falou Rômulo, sorrindo.

Hermione soltou Harry.

- A propósito, já tenho os resultados - alertou ele, fazendo sinal para os outros entrarem. - Vamos, entrem.

Quando eles voltaram à sala, Krum chamou Hermione para se sentar com ele; o que deixou Harry irritado.

Gina cutucou Tonks, que aparentemente cochilara durante toda a palestra.

- Muito bem - disse Rômulo, estendendo um pergaminho. - Tenho aqui os cinco participantes. Jimbo vai anunciá-los - e entregou o pergaminho ao assistente. - Dentro de seis dias, os escolhidos receberão uma notificação oficial do Ministério, possibilitando o uso de magia fora da escola, mas somente para o Campeonato. Receberão, também, uma coruja, com a data marcada para a primeira etapa. O.k., Jimbo, diga-nos, quem serão os cinco escolhidos?

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