Hogwarts pós guerra



Hogwarts pós guerra
 


Um dia antes:


        Tudo que antes parecia ter vida em Hogwarts, nesse momento, formava um ar fúnebre em volta do castelo. Não se houviam vozes felizes pelos corredores, nem tampouco era fácil encontrar qualquer um que estivesse passando por aqueles corredores no momento. Harry, Rony e Hermione, saíram do escritório do diretor, que para eles seria eternamente de Dumbledore e rumaram para onde os pés estavam levando, sem saber onde poderiam parar, apenas andavam em silêncio. Harry não sabia mais o que pensar, queria apenas ir para o Salão da Grifinória, relaxar na cama de dossel à sua espera, e imaginando se Monstro lhe levaria um sanduíche lá em cima. Rony parou por um instante em frente a uma grande porta, o que fez os amigos acordar de seus devaneios.


  - Vou ficar por aqui – respondeu apontando para a entrada do Salão Principal, onde certamente encontraria sua família e o corpo de seu irmão Fred.


  - Oh Rony – Hermione encarou o rapaz com os olhos marejados.


  - Tudo bem – respondeu ele pouco convincente.


  - Ficaremos aqui com você – Harry encarou Hermione e apenas acenou com a cabeça, acompanhando os passos dos amigos.


          Várias pessoas se encontravam agrupadas em um canto do Salão Principal. Seria cômico se no local não houvessem corpos sem vida, ao olharem para a família Malfoy ainda sentada em uma das mesas que restara. Harry desviou o olhar de todos, mirava o chão por onde passava para que não alertasse a sua chegada, mas pela primeira vez em toda sua vida após a descoberta de que era bruxo, ninguém parecia notar a sua entrada.  


          Não era difícil encontrar o paradeiro da família Weasley, já que todos eram ruivos e se destacavam no meio daquelas pessoas. Rony foi o primeiro a se aproximar, Harry e Hermione se mantiveram a alguns poucos metros de distância de todos, sentiam que aquele momento seria particular da família, pois mesmo que sempre fossem íntimos e sentiriam falta de Fred, preferiram não intervir.


          A Sr.ª Weasley notou a chegada de seu filho e se levantou rapidamente para um abraço materno, cheio de alívio e preocupação, sendo correspondido pela mesma intensidade pelo rapaz. Logo em seguida, o Sr. Weasley imitou o gesto de sua esposa, sendo logo depois retribuído por todos os outros filhos presentes.


         Harry olhou a cena comovido, pegando-se sorrindo pelo que estava presenciando no momento. Pensou em seus pais, em como seria se eles estivessem ali naquele momento. Estariam orgulhosos dele? Ou será que ele não precisaria passar por nada daquilo caso eles estivessem ali? Lembrou-se de seus fantasmas caminhando junto a ele no meio da Floresta Proibida, indo de encontro à morte, a Voldemort. Por alguns minutos naquela terrível noite, ele pôde perceber que havia se sentido seguro e sabia o que deveria fazer. Tinha seus pais ao seu lado, que mal poderia lhe ocorrer? Assustou-se um pouco ao sentir uma mão úmida e fria encostando-se à sua. Olhou para o lado e viu que Hermione sorria para ele, com o rosto molhado por lágrimas. Sorriu de volta e apertou firme a mão dela, encarando novamente a cena comovente de todos os Weasleys.


  - Onde está Harry? – perguntou a voz abafada da Sr.ª Weasley no meio de tantos abraços.


  - Logo ali atrás – respondeu Rony.


        Todos os Weasleys se afastaram por um momento e encararam Harry. Seus olhares vinham com um misto inumerável de sentimentos que passavam por cada um no momento. E novamente, Molly foi a primeira a tomar a iniciativa de abraçar o rapaz, sendo seguidos por todos novamente. Harry sorria por dentro, apesar de não transportar para os lábios, pois mesmo que momentos antes havia se sentido sozinho, soube nesse exato momento que fora egoísta e nunca poderia ser mais grato do que a todos eles.


 - Vocês três devem estar cansados, não? – perguntou Carlinhos logo após cessarem os abraços.


 - Preciso de uma cama – afirmou Harry – e do Monstro .


 - Não acredito que irá chamar o Monstro agora Harry! – indagou Hermione enxugando suas lágrimas – muito egoísta da sua parte, estamos todos cansados e creio que até os elfos merecem descanso.


 - Tudo bem, tudo bem – resmungou Harry em resposta – mas preciso me deitar.


 - Vão vocês três lá para cima...


 - Não!!! – interrompeu Rony – quero ficar com vocês.


 - Rony – chamou Mione segurando o braço do rapaz – você também precisa ir deitar, não adianta ficar aqui nesse estado em que está..


 - Mas...e... – não conseguia completar a frase, não acreditava no que estava acontecendo, porque mesmo que soubesse que haveria essa possibilidade, nunca pensou que pudesse acontecer.


 - Tudo bem querido, vá se deitar – sorriu maternalmente a Sr.ª Weasley – deixa que eu e seu pai cuidamos de tudo. E cuide do Jorge, sim? Ele também precisa de repouso.


         Harry encarou Jorge naquele instante. Era o mais quieto no meio de todos presentes, seu rosto não parecia molhado e seus olhos não estavam inchados como o de todos ali e muito menos parecia que havia chorado em algum instante, mas seu rosto, sua expressão, foi o suficiente para marcar Harry para sempre.


 - Vamos cara – chamou Rony – você também precisa se deitar – sem expressar qualquer contradição, ele seguiu o trio para a Torre da Grifinória. Saíram juntos para a porta do Salão Principal quando ouviram uma voz as suas costas.


 - Onde pensam que vão? – ralhou Madame Pomfrey.


 - Nos deitar – respondeu Harry sem ânimo.


 - Primeiro precisam cuidar desses ferimentos e depois cama. Onde já se viu? Somem por quase um ano inteiro, voltam com o corpo todo cheio de feridas e querem ir dormir? – resmungou a curandeira.


        Os quatro se encararam por uns instantes. Jorge deu de ombros e foi atrás da enfermeira da escola, pela primeira vez, não parecia suficientemente capaz de soltar alguma piada. Os outros três o seguiram, sendo guiados até algumas macas que foram conjuradas para atender aos feridos naqueles instantes.


 - Tomem essa poção, vai ajudar na dor do corpo – Madame Pomfrey entregou a cada um deles um pouco de uma poção verde musgo que borbulhava. Todos se encararam meio duvidosos do que poderia vir com aquela poção e tomaram rapidamente em um gole só.


 - Prefiro Poção Polissuco – resmungou Harry limpando a boca.


 - Tomem mais essa aqui – informou ela novamente sem dar ouvidos aos protestos dos três.


         Harry bebeu a poção rapidamente, evitando sentir o gosto que aquilo poderia lhes proporcionar. Começou a se sentir um pouco mais leve alguns segundos depois e percebeu que suas pálpebras já estavam pesando. Olhou para o lado e viu que o mesmo sintoma estava acontecendo com Rony, Hermione e Fred.


 - Isso é uma poção para dormir sem sonhar, agora podem ir.


         Os quatro saíram rapidamente do local e se dirigiram o mais depressa possível que o corpo deixava, até a Torre da Grifinória. Quando se aproximaram do quadro da mulher gorda, perceberam que não sabiam a senha para poder entrar e um desânimo invadiu cada um.


 - Sem senha não entra – resmungou a mulher gorda para o grupo.


 - Ah, corta essa, até parece que não sabe quem somos – protestou Rony.


 -  Normas da casa – respondeu a mulher de forma pomposa. Quando o rapaz ameaçou aumentar seu tom de voz, ouviram na ponta da escada uma voz.


 - Tudo bem Rony...eu sei – gritou Neville subindo as escadas lentamente, parecendo que havia também tomado a poção para dormir sem sonhar – chocolate quente - o quadro girou para o lado, dando abertura para um Salão Comunal quente e aconchegante. Naquele local do castelo mostrava um lado tão real e natural de Hogwarts, que nem transparecia que havia tido uma guerra do outro lado da parede.


         Sem pensar no que estava fazendo, Harry se atirou na sua poltrona favorita em frente à lareira, respirando fundo e se aconchegando ali.


 - Vamos subir cara – chamou Rony já na ponta da escada, olhando para trás.


 - Vou ficar aqui – respondeu Harry com os olhos fechados e respirando profundamente.


 - É mais confortável lá em cima Harry – chamou Hermione puxando o braço do amigo.


 - Tudo bem Mione, podem ir, quero ficar aqui um pouco – ainda de olhos fechados, sentiu a amiga soltando seu braço. Cruzou ele em frente ao seu corpo e relaxou o máximo que pôde, esvaziando tudo o que poderia pensar naquele instante, como se estivesse praticando Oclumência. Ouviu os passos dos quatro amigos subindo para seus respectivos dormitórios e poucos segundos depois já havia dormido. Estava tranquilo, estava relaxado, mesmo que em uma poltrona, se sentia leve e livre, pois afinal, estava novamente em casa.


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Olá Fanficteiros!
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo. 
Bom, agradecimento especial à Carol Monari, que tem me dado algumas dicas de como escrever a Fic, porque é difícil tentar manter ela da forma que eu quero e sem mudar a personalidade dos personagens. Então, se eu fugir muito disso, por favor, me gritem! hehe

Beijos...e pretendo atualizar o mais rápido possível.
Kissy. 

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Comentários (4)

  • Elisa Carvalho

    Muito boa sua fic! Não deixe de conclui-lá!  

    2011-06-29
  • Leticia Franciele Borghi

    Pra mim é Harry Potter 8 asuaushaus Bem tocante!

    2011-05-16
  • Andrômeda Potter

    Huum muito boa a sua história, e a intenção de contar os 19 anos ocultos mesmo sendo meio "comum" aqui na FeB me pareceu bem original. VocÊ tem até um pensamento meio parecido com o meu, também imagino que eles voltaram para termianr o 7 ano em Hogwarts ^^ Enfim, sou uma escritora nova por aqui mas se precisar de algumas idéias tenho a cabeça transbordando delas rsrs Abraços

    2011-05-16
  • barbara aguiar azevedo

    Ahhhh... primeirooo capitulo supriu tds as minhas expectativas!! =))Está ótimooo.Esperando pelo proximoo!!! =D

    2011-05-16
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