Capítulo 11



Capítulo XI


Flashback – Último semestre do último ano
Local: Rua Great Russell – casa de Kelly
Horário: 16:34h
Quando: 19/Março – sexta-feira 


- Mas você não pode! – Kelly chorou – Não pode, James!


James revirou os olhos, irritado. Não entendia como tinha suportado aquilo por tanto tempo.


- Me desculpe, mas é necessário. Eu... não consigo mais. Não me sinto mais feliz com você ou... ou amado por você.


- O quê? – ela exclamou, rindo assombrada – Você acha que eu não o amo o suficiente?


- Nosso namoro está estagnado, okay. É isso. Eu não consigo mais sentir nada por você. Talvez só amizade, mas acho que nem isso.


- Não, James, por favor! Você só está cansado, teve um dia difícil. Eu também tive, sabe. Então amanhã nós nos...


- Não, não, Kelly. Isso é definitivo. Está acabado – James disse com dureza na voz.


- Não! Não! Isso não! Não diga isso! – ela chorou nas mãos, mas então olhou para James com raiva e o acusou: - É por causa dela, não é? Aquela Lily da aula de Matemática.


James suspirou. Kelly estava indo longe demais.


- Não, não – negou James - Eu me cansei de você antes de conhecê-la. Eu nem sei por que levei isso tão longe.


- Ela é parte da sua decisão, eu sei. Você está apaixonado por ela. Eu nem acredito! Você acha que ela é tão fácil quanto eu?


- Não quero uma menina fácil, quero uma menina que me apóie e que me entenda. Que saiba conversar.


- Eu sou assim.


- Qual é, Kelly, você sabe que não é assim. Você nunca vai ser assim.


- Então é isso? Você está terminando comigo só porque eu prefiro aproveitar o nosso namoro de um jeito diferente?


- Eu não sou um pedaço de carne, sabe.


- Você é um idiota – ela disse.


- Eu era, realmente. Até agora.


Kelly lançou-lhe o último olhar enojado e raivoso.


- Saia daqui – ela mandou.


James caminhou até o corredor e acenou. Desejou que as coisas fossem mais simples com Kelly.


x.x.x


Havia alguns momentos em que Lily achava que estava sendo perseguida. Não por James, pois este aparentemente parecia estar entendendo a frase “Não podemos mais nos ver”, mas por Kelly. A morena sempre conseguia, de algum modo, parar a ruiva no meio do corredor com uma pergunta boba sobre Francês ou Matemática. Lily sabia que se sentia bem a ajudando, mas também sabia que Kelly não viria até ela se não carregasse segundas intenções. A menina mais popular da escola pedindo ajuda com notas para a ruiva esquecida? Não, não. Lily sabia que tinha algo errado.


E ela, enfim, estava certíssima.


Sua conjectura se provou duas semanas após aquela tarde íntima com James. Lily estava almoçando com Jane e o pessoal do teatro, quando Kelly apareceu na mesa.


- Oi, Lily. Acha que tem um tempinho para mim depois do almoço? – Kelly perguntou, exibindo um grande sorriso.


Lily, que evitava falar muito publicamente com Kelly, apenas assentiu despreocupada.


- Claro.


- Certo, pode me encontrar perto da fonte?


- Claro – repetiu a ruiva, mecanicamente.


Então Kelly foi embora.


Lily, por alguns segundos, nada pensou. Mas quando se recordou de James em sua vida, logo rejeitou a idéia de amizade vinda de Kelly. Kelly nunquinha seria sua amiga.


Kelly, obviamente, queria algo bem mais complexo do que geometria analítica.


Lily percebeu que Kelly já a aguardava em frente a fonte, quando surgiu no jardim.


- Oi – ofegou Lily.


- Hey – a outra disse. Fez uma pausa, que embrulhou o estômago de Lily – Percebi que você e o James não estão mais se falando no intervalo. Aconteceu alguma coisa? – Kelly estampara uma expressão de preocupação forçada na face maquiada.


Lily, a princípio estranhou a pergunta, mas então torceu os dedos e disse:


- Não estamos tendo muito tempo. Estou ajudando meus amigos do teatro com a nova peça, e ele, obviamente, está muito ocupado com você.


Isso pegou Kelly de surpresa.


- Não estamos mais juntos – Kelly lhe disse com tristeza e raiva.


Lily vacilou.


- O quê? – exclamou, achando que estivesse ficando tonta.


- Aparentemente ele se cansou de mim e está procurando o que não tenho em outra pessoa – Kelly falou, olhando com fúria implícita para Lily.


Lily engoliu em seco.


Ela sabia que era aquela outra pessoa.


- Sei que nunca nos demos muito bem, mas quer um conselho de menina para menina? – Kelly perguntou.


Lily permaneceu com a face irredutível.


- Afaste-se mesmo dele – Kelly continuou, vendo que Lily não se objetaria.


- Perdão? De quem está falando? – Lily ficou confusa, mas então corou.


- De James.


- Não sei do que está falando, sinceram... – Lily tentou retorquir com indiferença, mas seu rosto rubro não ajudou em nada.


- Cale-se. Pare de fingir! – Kelly mandou com um olhar vidrado – Eu sei o que está acontecendo entre vocês! Ele não me contou, mas eu não sou idiota! Provavelmente ele já a levou para cama e você já está toda derretida por ele!


Lily ainda corada, não sabia se era mesmo possível ficar ainda mais enrubescida.


- Não... – ela sussurrou, em vão.


- Está escrito em seu rosto, meu bem – Kelly falou sarcástica – É só pronunciarmos o nome de James que você fica toda esquisitinha e corada – falou maldosamente – Como agora – acrescentou – Está vendo?


- Kelly, isso... isso está errado. Eu já expliquei para ele. E acho que ele entendeu que nós não podemos continuar com isso.


- Então ele realmente levou-a para cama, não levou? – Kelly riu com nojo.


Lily não sabia mais o que fazer para se proteger, então, meramente entrou em surto interno.


Oh, Deus. Tudo estava ruindo da forma mais fácil. Kelly sabia e James não tinha tomado nenhuma providência para detê-la.


- Só que, sabe, o James não é bem o tipo de menino que garotinhas como você deveriam se encantar. Ele parece mesmo muito fofo, mas ele é apenas mais um cara. Ele, assim como todos, somente está brincando com você. Aparentemente ele a acha... – Kelly ergueu as sobrancelhas, mostrando se enojada -... interessante de alguma forma. Então, apenas acabe com isso enquanto pode para não fazer nenhuma tolice da qual venha a se arrepender.


- Kelly, eu... eu sinto muito! – Lily gemeu com as mãos no rosto, não suportando olhar ferino da outra – Eu não sabia que as coisas iria se desenrolar dessa forma!


- Claro que não sabia – Kelly disse friamente – Portanto, é hora de você se livrar dessa imagem de princesinha. Você não é mais inocente, Lily.


Lily não soube o que lhe dizer após isso.


Kelly estava certa. Não era mais inocente. Lily mal cabia em si de tanta mágoa. Então, o sexo fora apenas uma artimanha para tê-la e depois para jogá-la fora? Assim como estava fazendo com a pobre Kelly Shantt?


- Bem, vou indo. Vê se fica mesmo longe dele, para o seu próprio bem, querida – Kelly se despediu com um olhar fingido e se foi.


Lily, que não sabia se queria chorar ou bater em James, apenas ficou ali, naquele jardim, respirando ridiculamente raso e alto. Sentia ainda seu rosto arder de mágoa e não pôde fazer nada quanto àquilo.


Sentia-se a menina mais devastada do mundo.


~~~~ 


Narrado por: Lily Evans
Local: Prédio Lancelot
Horário: 09:33
Quando: 14/NOVEMBRO – domingo 


Eu logo soube. Eu não era nenhuma desinformada. Eu era, na verdade, bastante antenada com essas coisas. E quando vi a cor rósea eu logo soube. Meu mundo, obviamente, estava prestes a se perder, pois nunca tinha sido o tipo de menina que sonhara com essas coisas tão cedo. Claro que não rejeitava a idéia, porque eu era uma mulher. Mulheres gostam dessa idéia. A maternidade, para muitas, é uma nova e linda fase da vida. Eu não era do tipo que odiava a idéia, mas eu definitivamente não achava que estava prontamente preparada para passar por aquilo. E o mais importante: eu não sabia como dar a notícia para todos.


Primeiro liguei para minha mãe.


Como eu já tinha telefonado para o escritório de Maggie e lhe dito que estava indisposta para fazer qualquer coisa (mesmo que fosse segurar uma xícara de café), eu estava tendo um dia de folga. Claro que eu teria de trabalhar em casa mais tarde, mas não estava preocupada com aquilo, no momento. Tudo o que passava pela minha cabeça era: eu iria ser mãe.


Não pense que eu estava lidando com a situação da maneira mais feliz e agradável possível. Eu estava na verdade muito próxima de um colapso nervoso.


Minha mãe, logicamente, ficou encantada com a notícia. Disse que estava esperando aquilo a muito tempo, e eu fiquei surpresa. Minha mãe, ao contrário de minha sogra, não ficava soltando indiretas sobre netinhos. Ela era muito comportada quanto a isso.


Max, ainda bem, não iria voltar tão cedo, e eu fiquei feliz por meramente me jogar na cama e ficar vetegetando ali com os olhos no canal do Home & Health.


No horário do almoço, Kathleen passou de apartamento para ver se eu não queria almoçar com ela. Eu rejeitei a idéia de comida voando para o banheiro.


- Caramba, acha que está doente? – ela me perguntou.


Eu a olhei, envergonhada.


Kathleen, que nunca estava namorando firme, nunca pensara em ter filhos. Não sabia com muita precisão como ela reagiria à minha notícia.


- Não. O que tenho não é doença – comecei hesitante.


- O que tem, então?


- Kath, acho que... não, não acho. Tenho certeza – pausei, enquanto ela fazia uma cara esquisita – Eu estou grávida.


Kath arregalou os olhos levemente.


- Como é que é? – ela explodiu em risadas.


Olhei-a aborrecida.


- Não ria! Não é engraçado! Eu realmente estou grávida. Fiz três testes de gravidez logo pela manhã – falei nervosa.


- Uaaau. Você está ferrada – ela continuou a rir.


- Quer ser um pouco mais positiva, por favor? – pedi.


- Poxa, o que você ficava fazendo nas aulas de educação sexual na escola?


- Kathleen, pare com isso, okay? Não estou mesmo a fim de ouvir suas brincadeiras – falei.


- Mas é sério. Como você deixou de usar camisinha?


- Simplesmente deixando, okay? Eu e Max estamos juntos há tanto tempo que simplesmente... não usamos.


- Você é uma tonta – Kath declarou.


Senti-me infeliz.


- E agora? – perguntei.


- E eu que irei saber?


- Não sei como Max irá reagir. E se ele reagir mal?


- Não vai. Ele ama você. E você sabe que se ele fizer alguma coisa contra você, você pode denunciá-lo e ir morar comigo.


- Kathleen! O Max é um cara pacífico, okay? Ele nunca bateria em mim!


- Você nunca ficou grávida antes para saber.


Meus ombros murcharam.


- E se ele ficar zangado?


- Que se dane.


Então Kath descongelou o resto do jantar e almoçamos ali mesmo. Eu não comi muito, mas senti-me satisfeita logo na segunda garfada.


Depois das sete da noite, liguei para Max para saber se ele demoraria muito.


- Claro que não, meu amor. Estou saindo agorinha daqui. Chego em meia hora. Amo você. Se cuida.


- Amo você também – devolvi aflita.


Max, realmente, logo chegou.


Parecia muito animado e logo notou a minha infelicidade estampada no rosto pálido demais. Eu já tinha me enjoado umas cinco vezes e corrido para o banheiro umas dez. Eu não estava me sentindo muito disposta.


- Uau, você ficou em casa? – ele me perguntou.


- Sim, porque... tenho uma coisa para contar a você.


- Você ficou em casa só para me contar uma coisa? – ele coçou a cabeça, confuso.


- Não, Max. Eu não fui trabalhar porque estou grávida.


Achei que ele fosse desmaiar, pela expressão que fez. Mas logo se recuperou do susto.


- Você está...? – ele tentou repetir, como se fôlego lhe faltasse. Então ele plantou um sorriso maravilhado nos lábios – Ah, meu Deus, está falando sério?


- Sim – falei, sentindo-me tonta, mais uma vez.


- Isso é... isso é esplêndido! – ele exclamou, vindo contra mim, para me abraçar.


- Ahãm – falei sem vontade.


Seu perfume começou a me enjoar, então o fiz se afastar para mim.


Ele colocou as mãos em minha barriga.


- Você está esperando um bebê nosso! – ele parecia exatamente com Kath, quando ela ficava sabendo de algum podre de algum famoso.


- É – afirmei – Hm, você está feliz?


- Se estou feliz? – ele riu, me pegando nos braços de novo – Eu estou felicíssimo!


- Que bom – falei tentando sorrir com sinceridade.


- Venha – ele me puxou pelas mãos até nosso colchão -, deite-se, que eu irei preparar um chá de limão para você.


- Não, pelo amor de Deus, não faça isso. Tudo está me enjoando.


- Ah – ele disse, mas não parecia espantado ou desanimado – Então eu vou deitar com você e ficamos assistindo um canal qualquer.


- Boa idéia – eu disse, sentando-me na cama.


Max estava tão feliz que não me permiti lhe dizer que eu estava acabada com a notícia.


Ter um bebê não era um sonho meu.


~~~~ 


Narrado por: James Potter
Local: Cobertura Albert Towers
Horário: 21:09
Quando:
16/NOVEMBRO – terça-feira


Eu tinha ficado um tanto quanto chocado quando atendi ao interfone.


Lily ali em meu apartamento? Sem motivos, talvez? Não, isso nunca.


Abri a porta e me deparei com alguém com maquiagem demais no rosto. Acho que ela estava tentando encobertar as olheiras.


- Nossa, que surpresa – eu disse.


- James... – ela me abraçou ainda na porta.


- Calma, o que aconteceu? – perguntei assustado.


- Eu acabei com a minha vida – ela me disse, olhando-me, sem aparentar carregar lágrimas nos olhos verdes.


- Perdão?


Ela balançou a cabeça, incapaz de formular alguma palavra.


Ela entrou na minha sala e se sentou no sofá, delicadamente. Parecia muito aturdida.


- Lily, o que houve?


Ela olhou para mim com desesperança. Levou as mãos à cabeça e apertou os lábios rosados.


- Eu estou... – ela parou de forma enjoada – Eu estou grávida.


Pisquei muitas vezes, porque considerei estar tendo alucinações.


- Você está grávida? – repeti molemente.


- Estou... eu não sei como aconteceu. Bem, sei como aconteceu... só não posso acreditar.


- Nem... eu – falei, por fim – Quero dizer, oh, que maravilha – eu disse, engasgado e sarcástico – Está grávida e vai se casar daqui a alguns meses. É o sonho que todo menina tem, não é? – soltei uma risadinha, mas pensei melhor: - Bem, talvez seja casar-se e depois pensar em filhos, mas você não é mais uma menina- minha voz saiu lenta e desmoronada – Creio que já deixou de ser menina a muito tempo – finalizei.


- Eu sei, eu sei, eu sei – ela disse alarmada.


- Calma, okay? Tenho certeza de que você irá se sair bem com essa.


Não entendia por que eu estava agindo tão consolador, quando tudo o que sentia era raiva.


- Você não entende. Tudo o que eu queria era ter um emprego melhor, não ficar grávida!


- Ah. Mas quem sabe agora...


- Não, agora eu estou ferrada, assim como a Kathleen me disse.


Eu não sabia mais o que lhe dizer. Apenas queria abraçá-la e permanecer daquele modo para sempre.


O que mais um cara apaixonado poderia querer fazer?


Eu desejava poder levar embora aquele nervosismo que Lily sentia.


~~~~ 


Narrado por: Lily Evans
Local: Veneza
Horário: 08:00
Quando:
10/DEZEMBRO – segunda


Então eu estava grávida. E quase casada. Certo, o termo técnico é noiva. Uau, eu estava noiva! Não que eu estivesse muito preocupada quanto a isso, pois o casório iria demorar. As conversas que tive depois daquele jantar especial com Max contiveram parte da euforia dele e concordamos em esperar alguns meses. Tipo, uns mil meses, se quer saber (não que ele soubesse). Porém, ainda que eu não estivesse preocupada com o casamento, outra situação me deixava aflita (a maior situação de todas): a minha gravidez. Porque tudo o que eu nunca pedi a Deus foi um filho. Eu não era o tipo de menina que sonhava em ser mãe, talvez muito pelo contrário. Não que eu tivesse alguma objeção quanto a mulheres grávidas, eu só não sonhava com isso. Tudo bem, eu tinha sérios problemas quanto a qualquer bebê. Eu os achava bonitinhos, mas não para mim.


Mas, ainda assim, eu estava me esforçando para parecer feliz, sabe. Ao menos um pouco. O Max, claro, estava mais ansioso do que minha mãe, mas acho que ele estava se saindo bem. Ele não parava de falar sobre nomes de bebês (Charlie, se fosse menino, e Alexis, se fosse menina), mas eu tinha aprendido a ignorá-lo.


E outra coisa que estava transformando a minha vida: Veneza. Certo, se algum dia você me dissesse que eu iria conhecer as ruelinhas e as gôndolas de Veneza algum dia, eu provavelmente diria que você era uma péssima adivinha e uma charlatona. Mas eu estava lá, entende. Eu estava provando o café mais antigo do mundo, almoçando em pequenos pubs ao ar livre e assistindo as pequenas embarcações viajando de um canal a outro.


Max, sugerindo um roteiro para uma viagem antecipada de casados (ou sei lá), me fez largar o emprego por uma semana (tudo bem, eu só antecipei as minhas férias, e a Maggie quase aceitou de boa vontade aquilo, já que eu tinha concordado trabalhar em cima de Veneza e ter uma coluna que falasse sobre isso) e fomos parar no porto de Veneza no primeiro dia de Dezembro. Eu tinha que admitir que sair da rotina não estava me fazendo mal, já que eu estava aproveitando muito bem as minhas férias (ainda que eu tivesse que escrever sobre Veneza todas as noites, sempre que chegava ao quarto de hotel).


Eu e Max estávamos conhecendo a cultura local tanto quanto conseguíamos, mas Max sempre acabava tendo de resolver problemas pendentes no meio dos passeios. Não que isso me aborrecesse muito, pois sempre que nos deparávamos com algo novo, Max tinha que falar sobre esse algo novo por meia hora (não estou brincando), e isso é mesmo muito cansativo, sabe. Quero dizer, era de se pensar que, com todos os anos que ele me conhecia, ele já soubesse que eu me cansava fácil da tagarelice dele, mas aparentemente Max sempre achava que eu estava apreciando ao máximo seus monólogos. Bem, não também que eu fosse uma namorada que pouco se interessava pelos assuntos deles, eu apenas não os entendia e não via nada de suma importância assim para ele ficar falando a todo momento sobre as mesmas coisas.


No todo, estávamos tendo um tempo bem legal para nós. Max estava mais cuidadoso e paciente do que o habitual, e eu tinha aprendido controlar as minhas emoções agressivas (principalmente quando ele começava a me explicar sobre a empresa ou sobre as leis que tinha aprendido na faculdade).  


Mas o mais incrível de tudo foi que eu arrumei uma coisa realmente construtiva para fazer enquanto o Max ficava ao telefone com seus clientes ou com o Kurt.


No segundo dia em Veneza eu estava no meio das ruelinhas e vi a placa “Precisa-se de um(a) conselheiro(a)” no alto de uma fachada velha e descascada. Por sorte Max tinha voltado ao hotel, pois tinha esquecido seu celular, e eu entrei na pequena salinha decorada com temas coloridas. Uma senhora bastante empapada me olhou, ajeitou os óculos e deixou a caneta de lado.


- Pois não? – el disse.


- Ah, oi. Por que vocês precisam de um conselheiro? Isso é como responder cartas a pessoas que precisam de ajuda?


- Exatamente. Nós somos as Flocos de Amor. Nós respondemos cartas locais de necessitados de conselhos.


- Isso, então, funciona como uma espécie de coluna de auto-ajuda?


- Talvez – ela pousou – Você gostaria de se inscrever?


- Ah, não sei. Só estou de passagem, sabe. Vim a passeio.


- Você pode nos ajudar o quanto pode, não precisa se comprometer integralmente. A maioria das Flocos tem outros empregos, mas nos ajudam. Você trabalha em quê?


- Sou jornalista – sorri sem graça – Bem, na verdade eu só cuido dos layouts da revista. Mas tenho uma coluna própria.


- Perfeito. Você é perfeita para fazer isso. Se estiver mesmo disposta a ajudar a comunidade, é só preencher essa ficha – a senhora me estender uma folha azul.


Olhei para fora do local: tinha começado a chover.


- Bem, escrever por alguns dias não vai me trazer malefícios – dei de ombros, sorrindo – E você poderia me ajudar a descobrir mais sobre a Veneza. Você mora aqui há muito tempo?


- Minha vida toda, querida. Vai escrever sobre Veneza em sua coluna?


- Vou.


- Ah, e é de onde?


- Sou de Londres.


- Maravilha.


E a partir desse dia eu me vi mais feliz do que o normal, porque eu estava, pela primeira vez, fazendo uma coisa que estivesse gostando. Fiquei pensando, muitos dias depois, que seria uma boa idéia se a Fifteen tivesse uma coluna assim. Sabe, de conselhos.


E, tudo bem, eu não era muito boa em seguir meus próprios conselhos, mas quem poderia dizer de uma pessoa que realmente precisava de alguém que lesse sua carta aflita?


Os dias estavam se esgotando com muita rapidez, porque eu ficava com as Flocos de Amor a maior parte da tarde, enquanto o Max se entretinha com os outros advogados que tinha conhecido no hotel.


Viajar para Veneza tinha sido a melhor idéia de Max, mas claro que durou pouco. Os dez dias acabaram e tivemos de voltar para a realidade de nossos empregos (não que Max estivesse reclamando muito sobre isso).



____

N/a: então, né, rsrs *-* o capítulo ficou um pouco menor do que o habitual, e bastante idiota, porque eu não estava exatamente inspirada :/ E a última parte é só linguiça, rsrs, porque escrevi hoje e tal. Antigamente eu tinha uma idéia diferente para essa 'viagem' da Lily e do Max, mas acabou de eu fiquei sem inspiração e o escrevi rapidamente o/ Beijo beijo :*

Nina H.
  


25/02/2011

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