Os segredos de Rony





Rony acordou quando os primeiros raios de sol invadiram o quarto. Curioso com um estranho barulho, ele sentou-se e olhou para a cama de Harry. Harry parecia estar tendo dificuldades para respirar.

- Harry, você está bem? – Rony perguntou, levantando-se rapidamente para sentar na beirada da cama de Harry.

- Não... não... – respondeu Harry fazendo força para respirar. – Tem algo... err... errado...

- Quer que eu chame alguém? – Rony perguntou, desesperado. Os outros garotos agora levantavam e se reuniam ao redor da cama de Harry.

- Não comigo... R-rony! C-com H-hermione! ...Ela .... ajuda.... – respondeu Harry como pôde. Aquela sensação horrível de falta de ar o assaltava novamente, exatamente na noite passada, quando Hermione descobrira a verdade. Então sabia que ela é que estava com problemas não ele.

- Neville, fica com Harry! – ordenou Rony, prontamente – Eu vou buscar ajuda... e vou ver como Hermione está.

Rony disparou em direção à saída, descendo as escadas de dois em dois degraus, tendo já um destino à mente: Dumbledore!

Correu os corredores e escadas atrás do diretor sem o encontrar até que, viu um manto púrpura sumir numa das esquinas: sabia que se tratava de Dumbledore e o seguiu. Logo descobriu-se na ala hospitalar, onde Snape, Pomfrey, Macgonagal, Dumbledore e até mesmo Gina rodeavam uma das camas.

- Diretor... professor Dumbledore! Diretor! – Rony começou a gritar, afastando Madame Pomfrey para entrar no círculo. Ficou petrificado ao ver a imagem a sua frente.

Hermione não parecia mais a garota linda que era. Estava muito abatida, os lábios roxos, olheiras escuras e delirava em febre, com nítida dificuldade para respirar.

- Harry... não... Harry... não.... – ela dizia em delírio.

- Sr. Weasley! O que faz aqui? – perguntou Snape, dando conta da presença de Rony ali.

- O que está acontecendo? – perguntou Rony, sem muita paciência. – O que aconteceu com Hermione? Por que ela está assim?

- Não sabemos, sr. Weasley! – Dumbledore respondeu – Hermione amanheceu assim. Creio que seja resultado da sua discussão com Harry, noite passada.

- Madame Pomfrey, a senhora não vai curá-la? – Rony perguntou a senhora que olhava compadecida para sua paciente.

- Já tentei de tudo, Sr. Weasley! Não sei mais o que fazer. Até mesmo as poções restauradoras do professor Snape não fazem efeito em Hermione.

- O que está dizendo? Está dizendo que ela vai...

- Ela está muito fraca para viajar até Londres, mesmo que através de chave de portal para ir até o Hospital St. Mungus. Eu mandei vir dois dos melhores medi-bruxos, mas não sei se Hermione irá agüentar até a chegada deles e também não sei se eles poderão fazer algo por ela.

- Ela parece querer morrer... sr. Weasley! – respondeu o professor Dumbledore, com olhar melancólico no rosto já velho.

- Não... não Hermione! Ela é forte! Ela jamais desejaria a própria morte!

- Mesmo os mais bravos guerreiros, sr. Weasley, as vezes caem em fraqueza. Hermione perdeu tudo o que mais estimava. Eu não desejaria viver se estivesse no seu lugar...

Rony não esperou pela resposta do professor Dumbledore, apenas girou nos calcanhares e começou a correr. Correu tão depressa, mas tão depressa que quando chegou no dormitório masculino da Grifinória estava quase tão pior do que Harry.

- O que... aconteceu? – perguntou Harry, vendo a expressão preocupada de Rony.

- Você...precisa falar com Hermione... ela está morrendo!

Harry podia estar muito fraco, mas levantou-se de um pulo. É claro que depois ficou tonto e precisou ser amparado por Neville.

- Me ajude, Neville... me ajude a chegar até a minha Mione...





Depois de meia-hora Harry chegou, juntamente com Neville e Rony que o ajudavam a andar na ala hospitalar, onde Dumbledore e os outros professores ainda olhavam estaticos para Hermione.

Harry aproximou-se e sentou-se na beirada da cama.

- Meu Deus... Hermione! – Ele disse, abaixando-se para envolve-la em seus braços.

- Potter, por favor. – disse Madame Pomfrey, tentando impedi-lo.

- Deixe-o, Madame Pomfrey. Talvez este seja o remédio que Hermione esteja precisando... – disse o professor Dumbledore.

- Hermione... por favor... não morra... eu... eu...

Harry não conseguiu falar o que precisava falar... a voz embargou-se, os olhos marejaram e ele começou a chorar copiosamente, apertando uma Hermione cada vez mais fraca contra si.





Duas horas se passaram sem que Hermione tivesse tido uma melhora. Harry ainda não conseguira parar de chorar, pois via que a vida da sua melhor amiga estava se esvaindo como areia em suas mãos e não havia nada que pudesse fazer.

- É tarde demais, Harry! – disse o professor Dumbledore, vencido pelo cansaço. – É tarde demais.

Minerva e Dumbledore forçaram Harry a largar Hermione.

- Venha, Harry... precisamos fazer um feitiço de deslegitimentação em você... ou você morrerá com Hermione.

- Não quero viver sem ela... não posso viver sem ela... como posso viver sem a minha alma? – disse Harry, lutando para não ir com Dumbledore, mas como ele estava também muito fraco não conseguiu resistir por muito tempo, principalmente quando Madame Pomfrey e Snape entraram na disputa para arrastar Harry para fora da ala hospitalar.

- Calma, Harry, acalme-se – Gina dizia ajudando Harry a se acalmar acompanhando o grupo.

Logo, Rony e Hermione era os únicos habitantes do aposento.

Rony olhava para Hermione com pesar. Ela estava ainda mais abatida, agora nem tinha mais forças para puxar o ar. Ela deixava-se morrer...

- Hermione.... – disse Rony, sentando-se na beirada da cama de sua amiga. – Eu não posso acreditar que você vai morrer... você não pode morrer.

Rony começou a chorar também. Sentia-se culpado. Ele sabia da verdade e nunca a revelou. Ele a acusou... ele quase a matou quando viu o suposto corpo de Gina morto. Lembrava de ter tentando estrangular a melhor amiga não fosse por Harry ter impedido.

Ele era tão ou mais culpado do que Harry.

- Você é minha melhor amiga. Passamos tantas coisas juntos, nós três. Logo, eu me vi apaixonado por você. Por sua esperteza, por sua inteligência, por sua sensibilidade. – Rony disse, acariciando a mão gélida e arroxeada de Hermione. – Mas eu percebi que você era apaixonada por Harry e tentei esquecer o que sentia. Eu queria vê-la ao lado de Harry. Eu imaginava que nossa amizade jamais iria acabar...

As lágrimas rolavam pelo rosto sardento de Rony e caiam sobre a mão de Hermione.

- Eu tenho dois segredos, Hermione. Dois segredos que carrego desde o inicio deste ano e que são tão pesados que quase não posso suportá-los. O primeiro, prometi a meu pai que jamais revelaria e por isso não vou revelá-lo. Mas, o segundo, Mione, prometi a Harry e vou revelar já que Harry não conseguiu.

Rony tomou fôlego e esperava, do fundo de sua alma, que Hermione pudesse ouvi-lo.

- Harry e você têm uma forte ligação. Uma espécie de Legitimentação Inconsciente, Hermione. Ele descobriu isto quando começou a sentir tudo, eu repito, tudo o que você sente. Você sabe o que isto quer dizer, Hermione? HARRY SENTIU TUDO O QUE VOCÊ SENTIU. Cada tristeza, cada desilusão, cada sofrimento. Todas as noites, enquanto você estava em Azkaban, Harry sentiu tudo e viveu tudo.... porque estava lá... com você.... em você... e para você, Mione. E sofreu em dobro por que sabia que era o culpado por tudo aquilo. Ele se desesperou quando descobriu que Voldemort estava atrás de você e começou a cometer um erro atrás do outro.... e você está cometendo um erro agora tentando castigá-lo com a sua morte. Ele sofreu tanto quanto você, Mione. Ou mais...Então se quiser desisdir... tudo bem.... mas eu sei que há mais de você do que todos imaginam, Hermione. Você é uma guerreira, Hermione. Então lute... lute até contra Harry se for preciso... mas não o abandone.... não nos abandone... é só isto o que tenho para falar. Adeus... minha amiga.



Rony levantou-se e saiu da ala hospitalar sem olhar para trás... mas desejava intensamente que Hermione pudesse ser sensibilizada com a sua revelação. Rony ainda tinha uma outra revelação... mas esta... destruiria Hermione por completo. Um segredo que nem mesmo Harry sabia tal a gravidade do fato que a circundava. Mais, além dele e de seu pai, havia ainda duas pessoas que sabia o segredo fatal: o Ministro Fudge... e Voldemort...



Na cama de hospital, Hermione entreabriu os lábios para poder respirar melhor. As primeira tufadas de ar, alcançaram seus pulmãos dando-lhe nova esperança de vida... uma vida que parecia querer retornar ao seu corpo... não sabia por que... mas tinha a impressão que não era a sua hora de morrer... os raios de sol alcançaram o seu corpo e alcançavam como que exorcizando os maus sentimentos. Hermione abriu os olhos tentando ver ao redor... não havia ninguém lá, mas ela ainda tinha a impressão de ter escutado algo... uma voz incrivelmente parecida com a de Rony... algo que lembrava: “você é uma guerreira... então lute...”



- Hermione? – perguntou Gina, que voltava para a ala hospitalar. – HERMIONE!!!

Gina correu e subiu a cama de Hermione abraçando-se a amiga.

- E-estou b-bem, Gina.... estou b-bem... – Hermione disse, acariciando os cabelos ruivos de Gina que chorava de alegria.

- Eu vou chamar os professores... eles precisam saber... – Gina disse, levantando-se e correndo para fora novamente.

Bastou um minuto e Madame Pomfrey acompanhada por Snape e Dumbledore entrou na sala.

- Então é verdade... – Dumbledore disse – você está bem, Hermione?

- E-estou... – disse Hermione. Não queria falar muito com Dumbledore, ainda estava brava com ele.

- Nos deu um baita susto, mocinha – disse a Madame Pomfrey, preparando-lhe mais um pouco de poção restauradora num pequeno recipiente.

- E-estou bem... vou ficar bem....- Hermione disse, tentando refazer-se.

- Harry precisa saber disto... – disse Dumbledore, fazendo menção em sair.

- Não! Harry não precisa saber de nada! – disse Hermione, antes que Dumbledore saísse. – O senhor ajudou Harry neste complô este tempo todo. Mentindo e tramando contra mim. Agora, chegou a vez de me ajudar....







Dedico este capítulo a Cris (Maria Cristina Oliveira), autora da fic “O silêncio de Hermione”.

Obrigada pelo material que me cedeu e pelas idéias que me deu para escrever este cap.



Um abraço a todos.

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