A Trágica Revelação



Três capítulos para o final:

Capítulo Final I – A trágica Revelação

Capítulo Final II – A Batalha Final

Capítulo Final III – O FIM


A Trágica Revelação


Frase do Capítulo:

“Quando a verdade é revelada, Hermione sente seu coração transpassado como por um punhal. A lembrança da morte de seus queridos pais desabam sobre ela...”


Hermione não conseguira dormir naquela noite. Estava bem melhor agora, já conseguia respirar normalmente e não se sentia enjoada ou tonta, mas mesmo assim não conseguia descansar.
Sempre vinha a sua mente a imagem de Harry preocupado com ela. Ela se arrenpendia por ter brigado com ele, justamente agora em que os dois voltavam a se dar bem. Mas ele fora tão arrogante e sarcástico com ciúmes de Malfoy que ela não conseguiu segurar.
Ele queria lhe contar algo, algo muito importante que acontecera no Ministério da Magia, uma coisa que fazia Hermione temer antes mesmo de saber o que era.
A guerra estava tão próxima, o terror estava na porta ao lado, batendo e querendo entrar e mesmo agora quando precisavam estar unidos e confiantes para terem uma chance numa guerra que apostava tudo contra eles, Harry e Hermione não conseguiam se entender.
Hermione levantou, bem no meio da noite, desistindo de dormir. Achou que deveria andar para poder pensar com um pouco mais de clareza. Vestiu um robe pesado de lã, imaginando já onde queria ir. Lá fora, a neve caia mansa mas mesmo assim o frio era aterrador.
Desceu com cuidado as escadas procurando se esquivar de Pirraça e de qualquer pessoa que pudesse encontrá-la ali.
Quando alcançou o saguão de entrada, apressou os passos por entre a neve fofa para chegar até aquele lugar que a encantava tanto.
Quando chegou perto do lago e perto da árvore que gostava tanto, viu que já havia uma pessoa lá. Era Harry Potter.
- Imaginei que viria aqui! – disse Harry, sem virar para encará-la. Ele a conhecia tão bem que mesmo os seus passos denunciavam a sua presença.
Hermione se aproximou e ficou ao seu lado, olhando o lago, como se fosse um filme tão interessante que não pudesse desviar o olhar.
- Você queria me falar alguma coisa. Pode falar agora. – Hermione falou logo. Achou que, fosse o que fosse, não adiantaria postergar.
- Tenho medo, Hermione! Está claro que você não está totalmente recuperada. E o que eu tenho para te falar é muito sério. É algo que vai mudar tudo que até agora você tinha como verdade.
Hermione sorriu. Não era um sorriso de alegria, era um sorriso melancólico, de tristeza e ironia.
- Tudo o que eu tinha como verdade foi dissolvido neste ano. Eu também tenho medo. Tenho medo de descobrir que há ainda coisas terríveis a serem reveladas. Coisas que eu ainda não sei. Coisas sobre mim....
Harry olhou para Hermione. Parecia que por algum motivo ela já sabia o que ele queria lhe falar. Parecia que ela tinha a consciência de que havia alguma coisa estranha nela. Era esta consciência que Harry tentaria promover.
- Você se lembra quando me disse que eu deveria arquitetar um plano contra as investidas de Voldemort. Eu não entendi na hora e fiquei confuso. Mas agora eu sei que só conseguirei vencer esta guerra, onde o nosso oponente é muito mais poderoso do que nós se usar a inteligência. A inteligência nunca foi o meu forte, Hermione. Não que eu não seja inteligente. Eu sou. Mas você é quem usa a lógica melhor do que ninguém. Eu percebi isso no primeiro ano, da primeira vez que nos vimos. – Harry fez uma pausa para olhar novamente para o lago coberto de neve, tentando encontrar a melhor maneira de falar - Agora eu vejo porque eu preciso ser o líder desta guerra. Você jamais conseguiria matar a Voldemort. Nunca... mesmo sabendo que ele pode destruir o nosso mundo.
Hermione franziu o cenho. Não estava entendendo o que Harry queria dizer. Ela não poderia matar a Voldemor? Claro que não. Ele era mais forte do que ela. Mas se ela tivesse forças suficiente para matá-lo ela o mataria. Se precisasse, é claro, ela o faria.
- Harry.... o que é que você sabe? O que tem a me dizer? Eu sei que é algo sobre mim, mas o que?
- Você precisa ser forte.
- Eu venho sendo forte durante o ano inteiro! – Hermione explodiu, irritada - Desde que meus pais morreram eu venho sendo forte, quando eu pensei ter matado Gina eu fui forte, quando você me condenou a Azkaban eu fui forte, quando me vi uma prisioneira, eu fui forte, quando Voldemort me aprisionou, eu fui forte. Eu tenho sido forte ate agora e estou cansada de escutar isto. Fale, fale agora ou eu juro que não deixarei que me fale depois. Eu não deixarei que me revele o que tem para revelar. Eu juro que...
Harry colocou a mão sobre a boca de Hermione para calá-la.
- Eu amo você! – sussurrou Harry , sem tirar a mão de Hermione – Eu quero que saiba disso antes que eu lhe fale. Eu amo você e sempre estarei do seu lado. Você não é só uma amiga... é o meu amor. A minha vida e a minha alma. Eu amo você, Hermione.

Harry tirou a mão dos lábios de Hermione e se afastou um pouco. Hermione estava trêmula, sem saber o que pensar. Por que ele lhe dissera aquilo agora. Quando ele lhe disse que a amava da outra vez era só um plano para afastá-la. Seria um plano novamente! Parecia tão sincero. Parecia que ele estava falando com o coração e com a alma e não com a razão. Mas Hermione ficou calada, sabia que Harry a estava preparando para o pior...

- Ontem, quando nós fomos ao Ministério da Magia, nós encontramos um quadro. – Harry começou o relato - O quadro de uma mulher que viveu há 17 anos atrás. Ela era uma bruxa muito poderosa, mas cometeu o pior erro da sua vida se apaixonando por Voldemort. Ela sabia quem ele era, mas achou que podia convertê-lo. Ela apostou a sua vida nisto. Mas ela engravidou. E quando viu que havia uma vida dentro de si que precisava de sua dedicação mais do que o Lord das Trevas ela fugiu e desapareceu para sempre do mundo mágico. Ninguém soube mais desta mulher.
- E o que esta mulher tem a ver comigo? – Hermione perguntou, sem entender nada.
- Fudge descobriu que esta mulher teve uma criança. Ela deixou a criança aos cuidados de um casal a quem confiava enquanto se preparava para enfrentar Voldemort, porque ela sabia que ele estava indo ao seu encontro. – Harry respirou fundo e continuou - Ele a matou, e a criança foi adotada pelas pessoas que ficaram responsáveis por ela. Aquele casal, Hermione, era John e Samantha Granger!
Hermione olhou estupefata para ele. A sua lógica voraz começou a fazer as ligações que Hermione preferia não fazer. E começou a balançar a cabeça em negação, enquanto seus olhos ardiam tentando libertar as lágrimas que teimavam em brotar.
- Sim, Hermione! Voldemort é seu pai!
Hermione se abaixou. Simplesmente perdera as forças. Enterrou os joelhos na neve alva e fofa e escondeu o rosto entre as mãos trêmulas.
E o pior de tudo era que ela sabia que era verdade! Tudo se fechava. A obsessão de Fudge e de Voldemort por ela. O fato de Voldemort não a ter matado quando pôra as mãos nela. Mas não podia ser. Não podia ser.
- Meu Deus! – disse ela, sem poder respirar direito. – Por favor, Harry! Por favor, me diga que é mentira. – ela suplicou.
Harry se abaixou e envolveu Hermione nos braços.
- Acalme-se, Mione! Respire! Respire! – Harry dizia no ouvido de Hermione. Ela tremia muito e sua respiração era irregular.
- Meu pai.... minha mãe e meu pai.... – Hermione se virou para Harry e enterrou o rosto no peito do amigo, aconchegando-se no seu peito largo e protetor.
Hermione sente seu coração transpassado como por um punhal. A lembrança da morte de seus queridos pais desabam sobre ela com um fardo insuportável. Ela soluçava intensamente e as lágrimas corriam soltas.
- Se ele é meu pai, então.... então eu sou...
- Não! Não é não! Você não é do mau, Hermione. Você é do bem! Você sabe disso, não sabe. – disse Harry, segurando o rosto de Hermione entre as mãos – Tome Draco como exemplo: você sabe que ele se converteu. Que ele é bom e quer lutar para o bem. E os pais dele são o pior tipo de gente que há neste mundo. Seu pai pode ser o lorde das trevas, Hermione, mas você não é.
- Harry...
- Ele é ruim, Hermione. Convença-se disso! Mas sua mãe era forte e bondosa e provavelmente muito do que você é, veio dela.
- Mas tem alguma coisa errada comigo. Eu sei disso, Harry. Todo mundo me dizendo que eu era forte e incrível para a minha idade. Que eu fazia coisas que uma sangue-ruim jamais poderia fazer. Isto é influência dele, eu sei disso. A capacidade para fazer coisas que eu não deveria fazer. Eu aprendi Legitimencia como ninguém. E você sabe que o maior mestre em Legitimencia é o próprio Voldemort. E aquele olhar....
Hermione não conseguiu terminar de falar. Lembrava-se daquele terrível olhar com pupilas viperinas olhando-a da forma mais maléfica que podia. Ele estava atrás dela o tempo todo. Esperando que ela fosse se unir a ele, como Belatrix o fizera. Deus!, pensou Hermione, eu matei Belatrix. Eu sou capaz de... capaz de matar.... Deus! Não! Eu quero ser boa... eu preciso ser boa. Eu não posso ser do mal. Deus! Por favor!
- Você é a melhor pessoa que existe no meu mundo, Hermione. É você quem me dá forças para suportar o meu destino e para revelar o seu destino, meu amor – disse Harry, como que lendo seus pensamentos.
Hermione levantou a cabeça e olhou Harry nos olhos.
- E depois de tudo isso, nós vamos morrer, não vamos? – Hermione disse. – Vamos ser apenas duas vidas na memória.
- Se morrermos, o que importa, Hermione, é que ficaremos sempre juntos. Pois eu juro que vou grudar em sua alma e vou aonde ela for....
Hermione sorriu, soluçando junto as lágrimas ainda teimando em sair descontroladas. Ela encostou a cabeça no peito de Harry novamente, tentando apagar da memória aquela última trágica revelação. Aquele fardo era pesado demais, mesmo para ela.
- Agora, Hermione – Harry continuou, alisando seus cabelos e fazendo pequenos cachinhos com os dedos – eu preciso de você. Você, durante... todo este ano fatídico e desastroso me disse que queria ficar ao meu lado e lutar comigo. Eu vejo agora que preciso de você, mas somente se você estiver disposta. Pois você deve se lembrar que, apesar de tudo, ele é seu pai. Você vai ter coragem para enfrentá-lo?
- Vou, Harry – confirmou Hermione, tentando acreditar nas suas próprias palavras. – Eu vou enfrentá-lo. Vou lutar do seu lado. Eu nasci para isso... é o meu destino. Como você disse...Harry... é o NOSSO DESTINO...














Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.