VIVAS!








Só havia duas coisas que Harry Potter poderia fazer naquela hora: a primeira era ficar muito feliz por ter um forte indício de que Hermione ainda estava viva, baseado na revelação de Draco; a segunda era ficar muito frustrado e aborrecido por não poder fazer absolutamente nada. De qualquer forma, Harry tinha vontade de sacudir violentamente Malfoy a sua frente. Tinha a vontade de apertar a garganta de Draco até que ele finalmente lhe dissesse o paradeiro de Mione. No entanto, havia um quê de razão no que Malfoy lhe dissera. Harry sabia que se caísse nas mãos de Voldemort não haveria motivos por parte do Lord das Trevas em deixar Hermione viva. Mas enquanto se mantivesse a salvo, Voldemort a manteria viva, mas, não por muito tempo. Por isto Harry teria que agir rápido e com prudência. Mas rapidez e prudência faziam parte das habilidades de Hermione e sem ela, ele não tinha idéia do que fazer. Agora começava a compreender o que Dumbledore dissera, sobre Hermione ser tão importante quanto ele. Se ele precisava lutar contra Voldemort, Hermione precisava lutar/estar ao lado dele, para dar o apoio que ele necessitasse. Se ela morresse...




- Você está bem, Potter? Não vá vomitar em mim! - Malfoy disse, num tom sarcástico, ao ver uma expressão desconfortável no semblante de Harry.




- Draco, se você me disse o que disse, é porque realmente gosta de Hermione.




- Ora, eu...




- Então, me ajude! - Harry olhou Malfoy nos olhos, mas este os desviou.




- Não me peça isto...- Malfoy disse, tristonho.




- Eu imploro. Eu imploro, Draco. Estou implorando. Você quer que eu me humilhe, quer que eu me ajoelhe, eu faço tudo isto se for preciso para salvar Mione. Se você realmente a ama, deveria fazer isto também.




- Nem que isto signifique minha morte, Potter? - Draco perguntou, levantando o queixo numa expressão provocativa.




- Eu daria minha vida, sim! Por que eu amo Hermione. - Harry disse, sinceramente. A emoção aflorou em seu corpo. Seus olhos encheram-se de água. Ele tinha que convencer Draco. Era sua única chance. Se Malfoy o ajudasse, os dois poderiam bolar um plano para salvá-la. - Se você a ama, de verdade, é isto o que deve fazer.




- Sinto muito, Potter. Eu me amo mais do que amo Granger.




- Deixa este desgraçado, Harry - Rony falou de algum ponto atrás deles. - Deixa este COVARDE!




Harry não podia fazer mais nada a não ser esperar.













Por mais que Harry e Rony quisessem fazer alguma coisa, não havia mais nada a fazer naquela noite, a não ser esperar ansiosamente alguma notícia. Harry ainda voltou uma vez mais à sala do professor Dumbledore para saber se acontecera alguma coisa. Este só lhe dissera que a Ordem já fora alertada e que, alguém tinha visto Hermione em algum lugar de Hogsmeade. Por mais que Harry quisesse sair correndo de Hogwarts para Hogsmeade, ele conseguiu manter a calma e a sensatez, ajudado, é claro, pelo diretor.




- Você deve se acalmar, Harry - Dumbledore falou, depois que Harry lhe contara tudo o que conversara com Malfoy - Acho mesmo que Draco tem razão quando diz que a segurança de Hermione está atrelada a sua. Fazer você sair de Hogwarts é o que Voldemort quer. Eu imaginava que Voldemort já estive em posse de Hermione. Schakebolt avisou-me a pouco que a madame Rosmerta fora atacada por Comensais da Morte nesta tarde. Eles só a libertaram há uma hora. Parece-me que um dos Comensais era Narcisa.




- Não é fácil saber que Hermione está lá fora, sozinha ou na companhia de pessoas más, o que é pior. Eu preciso muito saber como ela está. Eu preciso saber se ela está bem. - Harry desabafou desesperado.




- Isto, Harry, só você pode saber. - disse o diretor num sussurro.




Harry franziu o cenho, sem entender.




- Lembre-se, Harry, de que há um laço muito mais forte entre você e Hermione do que entre você e Voldemort. Não esvazie sua mente esta noite. Abra-a, mas não para Voldemort e sim para Hermione. Você não aprendeu a fazer Legitimência, mas se não estou enganado, isto é algo que Hermione já domina. Concentre-se nela, concentre-se com todas as suas forças. Talvez assim você consiga senti-la.









Harry seguiu os conselhos de Dumbledore. Concentrou seus pensamentos em Hermione: no seu sorriso doce; na maneira inteligente de pensar em tudo; na sua empatia; no seu jeito mandão de tomar conta de tudo e de todos ao seu redor; no modo misterioso quando ela descobria algo que elucidaria seus piores questionamentos. Ele queria tanto ver Hermione, queria tanto senti-la. Queria sentir aquela sensação de que veria sua melhor amiga bem. E pensando nisto, Harry concluiu que Hermione era muito mais do que uma amiga... era muito, muito mais. Era seu coração e sua alma, e ele necessitava dela mais do que imaginava ser possível precisar de alguém, não só porque Hermione seria seu braço direito num confronto com as artes das trevas, mas porque ele a amava...









Harry passou a noite toda, tendo pesadelos com Hermione, sem senti-la. Eram sonhos desconexos. Quando já passavam das cinco, Harry perdeu o sono completamente, mas continuou na cama, esperando os primeiros raios de sol invadirem o aposento, onde Rony e o restante dos garotos dormiam. Harry sentiu um pulso bater mais forte em seu coração. Uma sensação esquisita perpassou todo o seu corpo. Seu corpo estava dolorido, mas não havia motivos para estar. De repente, Harry deu-se por conta do que estava acontecendo: ela estava sentindo Hermione. E ela estava VIVA!








*****************









- Acorda, Granger!








Ela tentou em vão abrir os olhos. A luz do aposento estava tão clara e forte que ofuscou sua vista, por isto fechou-os novamente.








- Vamos, acorde, por favor, acorde! - Ela escutou aquela voz conhecida falar novamente. Ela sabia quem estava falando. Também tinha consciência de que estava no colo de quem a estava chamando.








- Vamos, querida, acorde... - A voz de Malfoy soara mais nítida agora do que nunca. Ele lhe dava pequenas sacudidelas, mas a mantinha cativa nos braços. Um dos braços a envolvia de forma que ela ficava recostada sobre seu peito.








- M-malfoy... - ela sussurrou. Sua voz mal saiu.




- Sim, sou eu... acorde, Hermione, por favor, eu preciso que você acorde! - ele suplicou uma ultima vez.




Hermione abriu os olhos e olhou ao redor: ela estava recostada em Malfoy, mas sabia que estivera desmaiada no chão sobre um cobertor velho, rasgado e mofado. O aposento era muito velho, a tinta na parede era descascada, as dobradiças das janelas fora de seu eixo, lamparinas quebradas pelo chão, e fora um monte de trapos embolado e irreconhecível no outro lado da sala, não havia nenhum móvel. Completamente inabitável, não fosse por Hermione e Malfoy, que parecia muito pálido e preocupado.




- Você está bem? - ele perguntou.




- Estou... - Hermione respondeu. - Ela tentou se mover, mais ainda estava muito tonta. Seu corpo estava muito dolorido, mas a dor no seu peito, onde o feitiço de Voldermort a atingira doía demais.




- Voldemort? - sussurrou ela, lembrando dos ultimos acontecimentos - Onde estou? Onde está Voldermort? Por que ainda estou viva? - ela indagou, levando um susto ao lembrar de tudo o que lhe acontecera.




- Fique calma, Granger... você está a salvo... por enquanto.




Hermione, ao perceber quão próxima estava de Malfoy, apressou-se em se levantar, mas, como ainda estava muito dolorida, cambaleou.




- Você está bem, mesmo? - Malfoy perguntou, segurando-a para que ela não caísse.




- Sim, estou. - Hermione falou, levando a mão à têmpora direita. As pontas de seus dedos tocaram em algo molhado: era sangue.




- O que aconteceu? - perguntou ela, alarmada. - Onde estou? O que esta acontecendo, Draco?




- Você foi atacada por Voldemort, por minha culpa, Granger. Eu a atraí para uma emboscada. Voldemort jamais seria capaz de legitimentar outra pessoa em Hogwarts. Ao que sei, Potter dominou a Oclumência desde as férias.




- E o que mais você mentiu para mim? - Hermione perguntou, com um tom mordaz.




- Menti sobre muitas coisas. - Malfoy respondeu sinceramente, tentando manter um tom cordial. - não vou negar isto. Nem tenho mais como negar. Mas, mesmo sem acreditar em mim, Hermione, eu lhe pedirei um último favor: eu peço que confie em mim uma vez mais. Eu vou tirá-las daqui. Deus sabe o que vai acontecer comigo, mas eu juro que vou tirá-las daqui.




- TIRÁ-LAS? - Hermione perguntou, confusa. - Como assim, há mais alguém como eu aqui.




Malfoy olhou para o canto onde havia aquele monte de cobertores rasgados. Uma pessoa pequena poderia estar ali debaixo, mas Hermione duvidava. No entanto, depois de ficar mais alguns segundos observando o monte, Hermione percebeu que alguma coisa se movia ali. Alguma coisa tremia.




- Quem está ali? - Hermione estava com medo. Não queria pensar no que podia descobrir ali embaixo.




- Veja por si mesma. - Malfoy respondeu.




Hermione vagarosamente andou até o canto e começou a mexer nos cobertores a fim de descobrir a pessoa que havia lá. Ela percebeu que alguém, seja lá quem fosse, acentuou a tremedeira, e ela conseguiu escutar os primeiros gemidos. Parecia a voz de uma pessoa conhecida, mas... será? Hermione começou a afastar os cobertores desesperadamente... tinha de ser ela... um por um ela afastou os trapos sujos e velhos até que enfim apareceu a cabeça de uma garota com uma vasta e desgrenhada cabeleira ruiva...




MEU DEUS? - pensou Hermione levando a mão a boca.



- M-mione? - murmurou a garota, jogando-se sobre o colo de Hermione e abraçando-a desesperadamente, as lágrimas rolando pelo rosto sardento.



- GINNA...?



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