A Praga de Dracon



Capítulo 4 – A praga de Dracon


 


- O profeta diário cunhou de Dracon...


Hermione escutou o Ministro dizer algo, mas não conseguiu processar. Parecia que tudo estava em câmera lenta. Pelo visor de vidro, via que no aposento havia mais de mil camas com infectados.


Alguns, como Harry Potter cuja cama estava próxima do visor, tinha dificuldades em respirar. Outros, tinham estranhas protuberâncias na pele, como a de um jacaré ou de um...


- Dragão... a pele fica como a de um Dragão, por isso o profeta Diário, Rita Skeeter, na verdade, deu o nome de Praga de Dracon para essa doença.


- E não há cura? – perguntou Hermione, tentando controlar o próprio coração que batia descompassadamente.


- Não... mas ao que tudo parece, os nascidos trouxas não podem ser contaminados. Por isso, só pode entrar aí dentro quem é nascido trouxa. Você tem passe livre, Hermione... talvez queira ficar perto de Harry, sei que eram próximos... – explicou o Ministro.


- Não... eu preciso fazer alguma coisa... investigar... pelo menos. Acho que é meio óbvio que Draco está por trás disso tudo, não é? – falou Hermione.


- Talvez... – falou o Ministro, parecendo distante. Na verdade, o Ministro olhava para o final do corredor. Gina Weasley vinha correndo, os olhos vermelhos, inchados – Sra. Potter... aqui...


- O que aconteceu, Hermione... ? Na sua coruja, você disse que Harry havia sido infectado com a nova praga... onde está ele?


Hermione não respondeu, apenas apontou com a cabeça para a cama de Harry.


Como Gina fez menção de entrar no aposento, o ministro a segurou.


- Não, Sra. Potter... você não deve entrar lá dentro. Você é nascida bruxa. Pense nos seus filhos... pode se infectar e infectar seus filhos.


Hermione teve um sobressalto e pensou nos seus próprios filhos. Estariam eles imunes à doença?


Achava que não, afinal ela e Rony eram bruxos.


- Você avisou Rony, Gina? – perguntou Hermione,  abatida.


- E-ele está vindo aí... – falou Gina, sem poder controlar direito o choro. – Como Harry se contaminou... como? Eu achei que vocês estavam numa missão na Rússia...?


- Sim, estávamos... não achei que você soubesse... – falou Hermione, que controlava a respiração para não chorar também.


- Harry me conta tudo, tudo, Hermione... – falou Gina, e Hermione notou uma pequena tensão na voz de sua cunhada.


- Claro, claro, Gina... é que bem... bem... – na verdade, Hermione pensava em quem poderia ser o agente duplo. Se Gina sabia dos detalhes da missão, então ela também poderia ser o traidor. Não, não poderia. Gina era esposa de Harry e o amava, jamais iria fazer qualquer coisa a fim de prejudicá-lo. – Bem... ao que parece, ele foi infectado quando nós fomos capturados. É a única explicação que posso achar...


- Você deveria ter cuidado melhor dele, Hermione... a culpa é sua se ele está assim.... – falou Gina olhando para Hermione com ressentimento no olhar.


- Talvez você tenha razão, Gina... talvez tenha. Vou para a minha sala... preciso tentar fazer algo, só não sei ainda o que...


Hermione afastou-se de Gina e Quim que ainda olhavam pelo visor para os infectados com a peste. No corredor, ainda viu mais duas pessoas chegando, isoladas em bolhas de plástico indo em direção ao quarto onde Harry estava. Aquilo estava se tornando incontrolável. Quando estava quase saindo do corredor, encontrou com Rony.


- Meu amor... – disse Rony, aproximando-se para beijá-la, mas Hermione o segurou.


- Rony... não... eu... nós precisamos conversar. Agora não, mas precisamos conversar outra hora... eu vou para o Departamente, agora... tentar investigar alguma coisa. Só queria saber se nossos filhos estão bem.


- Estão sim. Eles foram examinados. Parece que são imunes. Os médicos falaram que os filhos de até uma geração depois de um nascido trouxa como pai ou mãe estão imunes à doença. – respondeu Rony, parecendo aborrecido. –  Eu fiquei preocupado com você quando recebi a notícia de que o avião de vocês caíra no mar. Achei que você estivesse morta, porque não me avisou, Mione... sou assim tão desimportante para você para que não me avisasse, nem mesmo aos nossos filhos.


- Não é isso, Rony. Fomos capturados na manhã seguinte ao desastre. Ficamos um dia e uma noite presos nas mãos dos comparsas de Malfoy. Simplesmente não pude avisar você.


- E porque não avisou agora. Eu só soube que você estava viva porque Gina me avisou. Parece que só Harry Potter é importante para você, não é?


- Não quero discutir com você, agora, Rony. – falou Hermione, visivelmente cansada. – Simplesmente não posso discutir com você, agora. Mas parece óbvio que nosso casamento não pode mais continuar dessa forma...


Rony arregalou os olhos, sem saber direito o que dizer.


- Como é? – perguntou ele, com aquele jeitinho matreiro que ele sempre teve.


Hermione sentiu um grande pesar ao dizer aquilo que deveria ter tido a muitos anos atrás.


- Eu gosto muito de você, Rony. Aprendi a amá-lo e a respeitá-lo e tivemos muitos momentos bons na nossa vida de casados. Mas eu não posso mais ficar com você. Eu quero o divórcio...


- O quê? – Rony perguntou, pálido.


- Eu não quero mais estar casada com você, Rony. Somos muito diferentes. Muito diferentes...


- Harry está morrendo, Mione... morrendo. Se não é para ficar com ele, porque está se divorciando de mim. Depois que ele morrer, você vai ficar sozinha...


- Pare de ser tão ciumento. Não é por causa de Harry. Harry ama Gina e vai continuar assim. É por mim, pela minha carreira. Nunca deveria ter me casado em primeiro lugar. Foi um erro... um erro pelo qual estou pagando todos esses anos.


- Hermione... você está cansada... não sabe o que diz. Você precisa descansar, então vai pensar melhor. Eu posso mudar, vou deixar você trabalhar em paz, não vou importuná-la nunca mais. Eu te amo. Te amo de verdade. Como Harry e nenhum outro homem jamais poderia te amar.


- Você sempre diz isso quando brigamos, mas depois volta a fazer a mesma coisa. Terminou, Rony. Eu sinto muito, sinto muito mesmo... mas terminou...


Hermione deu as costas para Rony e ia saindo quando ele a segurou...


- Espere... – disse ele, mais bruscamente do que nunca. – Você ainda vai mudar de idéia. Mas pegue isso. A sua secretaria recebeu essa mensagem no Ministério pra você – disse Rony, colocando na palma da mão de Hermione, um pequeno envelope fechado. -  Está endereçada para você, não a abrimos.


- Obrigada, Rony... agora é melhor você ficar com sua irmã...


Hermione se afastou de Rony e saiu da ala de infectados do Hospital Saint Mungus.  Enquanto esperava o elevador no saguão central, resolveu abrir o envelope. Seu coração disparou ao ler a mensagem.


“Granger,


Há uma chance de salvar Harry Potter. Você sabe onde me encontrar.


Draco.”


 


 


Na Mansão Malfoy


 


A mansão Malfoy era uma das mais lindas do mundo bruxo. Ficava completamente invisível aos olhos dos trouxas que viam apenas um prédio velho e abandonado. Cercada por muros altos, algo bastante incomum para Londres, o portão principal tinha três metros de altura, era imponente e mostrava com orgulho o brasão Malfoy, um M enrolado numa serpente. Quando chegou à frente da mansão, Hermione não sabia exatamente como fazer para entrar, mas seu impasse foi imediatamente resolvido quando o portão se abriu sozinho, deixando Hermione ver uma longa estrada lindamente arborizada.


Hesitou por uns instantes. Sabia que ao entrar naquela casa, estaria entrando na cova do leão. Se Draco não a machucara na Rússia, ali ele teria completo controle sobre Hermione. E ela estava entrando consciente desse perigo. Mas diferente de sua situação na Rússia, Hermione agora carregava sua varinha, escondida no robe bruxo e estaria pronta para atacá-lo e o faria, tal era a raiva que sentia.


Caminhou lentamente pela estradinha calçada, admirando o belíssimo jardim. Havia arvores imensas, lagos, bosques de flores e estátuas antigas compondo o parque. E a mansão? Era algo singular: um pequeno castelo neoclássico com grandes colunas dóricas na entrada, igual a um saguão de um templo. No saguão de entrada, contudo, dois dos capangas que Hermione reconheceu serem os que ela estuporara na Rússia a aguardavam.


- Entre, Sra. Weasley! – Um deles falou, acenando para que Hermione entrasse na porta dupla, toda talhada com o brasão Malfoy. Segurando firmemente a varinha por dentro do robe, Hermione entrou.  – Por aqui.


No interior, a mansão Malfoy era tão imponente quanto no seu exterior. Uma escaria enorme e ladeada por uma braçadeira de marfim e estátuas gregas de bronze davam um ar clássico à morada de seu maior inimigo. Aquela mansão era muito diferente da casa dos Malfoy, pais de Draco, onde uma vez fora torturada na juventude.


Subiram um lance da escadaria, mas Hermione ficou abismada ao ver que ainda tinha alguns lances para cima e entraram por um corredor escuro.  No fim do corredor, o homem abriu a porta e quando Hermione passou por ela, ele a fechou, deixando-a sozinha, naquele aposento, com Draco Malfoy que a esperava em pé, no centro de um quarto que deixou Hermione boquiaberta tal era seu luxo e extensão.


- Olá, Granger... parece que estamos nos vendo com certa freqüência, agora...


- Maldito, o que fez com Harry? – perguntou Hermione, controlando-se para não sacar sua varinha e azarar ali mesmo o seu inimigo.


- Digamos que eu o tenha exposto a uma poderosa praga desenvolvida pelos meus comparsas russos. – falou ele, carregado de sinismo. – Dei-lhes instrução para que desenvolvessem algo que somente os nascidos bruxos pudessem pegar. Eu não podia arriscar infectar você, minha querida. Eu mesmo tive que ser exposto a peste e vacinado com o antídoto.


- Então, há um antídoto? Uma cura?


- Sim... há uma cura... não definitiva. Uma vez infectado com a doença, o portador dessa peste precisará tomar o antídoto uma vez por dia para que não morra. Uma poção feita com Anágoras Silfas.


Agora tudo fazia sentido. Os laboratórios clandestinos não eram para fabricar alguma poção das trevas ou alucinógena como Hermione pensara desde o início ao investigar as operações de Paschenko. Era na verdade, laboratórios de um antídoto para uma praga que Draco mesmo havia desenvolvido. Mas para quê?


- Agora, minha querida, vem a minha genialidade para o mal. O que você não sabe é que somente eu possuo a fórmula para a poção, uma poção que amanhã mesmo aparecerá a preços exorbitantes. A peste continuará a se alastrar por toda a Inglaterra e todo o mundo. Quem quiser sobreviver nessa terra, terá que pagar o preço. Vê... de um jeito ou de outro, meu amor, eu dominarei o mundo...


- Você é louco... – falou Hermione, sentindo suas pernas tremerem.


- Você já me disse, isso, querida. Sou um louco sim, um louco de amor por você... que é tudo o que eu quero... e não há nada que você possa fazer para resistir.


Quando Malfoy fez menção de se aproximar dela, Hermione sacou a varinha e apontou firmemente para ele.


- Fique longe de mim ou juro que te mato! – falou Hermione, num tom grave. – Agora me dê a cura para Harry e eu vou embora desse lugar.


Malfoy deu um pequeno sorriso sarcástico, mantendo-se firme no mesmo lugar.


- Harry... sempre Harry, não é...- disse Malfoy, carregado de sinismo. – Eu darei a cura para Harry, mas você sabe qual é o preço, não é?


- O que você quer? – perguntou Hermione, sem abaixar a varinha.


- Ah, querida... achei que você já tinha imaginado o que eu quero... eu quero você... quero que você implore por mim, meu amor, que implore pelo meu amor. Você tem três horas antes de seu precioso Harry morrer. Se você me convencer, talvez eu lhe dê a cura... ou é melhor dar adeus a Harry...


- DÊ-ME A CURA, AGORA!!!! – gritou Hermione, sentindo-se mais nervosa. – EU JURO QUE MATO VOCÊ.


- Se me matar, amor... Harry morre comigo...


Hermione deixou cair a varinha irrompendo em soluços. Estava desesperada demais para pensar em alguma alternativa.


- Por favor, por favor... – disse ela, aproximando-se de Malfoy. – Dê-me a cura...


- Esforce-se mais, querida... – disse ele, com um sorriso maldoso no rosto.


Hermione tornou a distância entre os dois quase inexistente. Segurou o rosto de Malfoy entre as mãos e beijou-lhe os lábios. Foi um beijo demorado e quando Malfoy a segurou pelas costas, Hermione sentiu suas pernas tremerem e desabou em seus braços.


- Há quanto tempo você não se alimente, querida? – perguntou Draco, erguendo-a nos braços para depositá-la suavemente sobre o dossel cerceado por cortinas de organza.


Hermione estava fraca demais para resistir a Malfoy. Sabia muito bem o que viria a seguir e seu coração batia aceleradamente.


Depois que ele a deitou, Draco também se deitou ao seu lado e passou a fazer cachinhos com seus cabelos.


- Você está nervosa e só estava fazendo isso para salvar Harry... não é assim que a desejo. Eu a desejo por inteiro: corpo e alma, Hermione. E não descansarei enquanto não a tiver assim...


- Mas... Harry... ? Harry precisa da cura... – choramingou Hermione, enterrando-se no peito de Malfoy. – Por favor, Malfoy... eu imploro.


- Acalme-se, querida. Você terá a cura... agora descanse...


 


 


Duas horas depois, Hermione entrou no corredor dos infectados no Hospital Saint Mungos. Quim, Rony, Gina e os filhos de Harry esperavam olhando pelo visor de vidro do aposento.


- Ah, Hermione... Harry piorou. A pele dele… meu Deus, a pele dele. – choramingou Gina, enterrando o rosto entre as mãos.


- Não se preocupe, Gina. – Falou Hermione, decidida. – Eu consegui a cura para Harry – ela disse, mostrando um pequeno frasco com uma substancia azul brilhante. – Draco Malfoy está produzindo a cura em larga escala. Um carregamento chegará aqui daqui a pouco.


- E quanto aos duzentos que morreram antes de Draco achar a cura miraculosamente, Granger... – falou Quim, parecendo muito desconfiado de Hermione.


Hermione não respondeu. Deixou todos atônitos com a pouca explicação que lhes dera sobre a cura e entrou no aposento. O cheiro era horrível. Era cheiro de podridão. Os medi-bruxos e enfermeiras que circulavam usavam mascaras. Embora fossem nascidos trouxas,  Hermione pensava que eles temiam se infectar também.


Hermione caminhou até Harry. O estado dele era terrível. As protuberâncias na pele pareciam mesmo a de um dragão: eram grossas, em escamas, em tons esverdeados. Ele respirava com muita dificuldade, mas quando Hermione segurou a sua mão, Harry a apertou, reconhecendo-a imediatamente.


- Mion... – disse ele, com dificuldade... – é melhor.... sair... daqui... querida....


Hermione tirou a tampa do frasco. Segurou Harry pelo pescoço. Ergueu-o  e fê-lo absorver a poção...


- Você vai ficar bem, Harry... sei que vai... precisa ficar bem... essa poção vai te curar...


- Mion... – disse Harry, visivelmente com dores.


- Harry... se não funcionar... se essa poção não funcionar... – disse ela, sentindo as lágrimas brotarem em seu rosto abatido. – Eu preciso lhe confessar algo... que deveria ter confessado a 14 anos atrás... Eu amo você... sempre amei... vou amá-lo para sempre....

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