Despedida em Las Vegas



A cada dia que Petúnia passava em Las Vegas, mas ela gostava de sua nova vida. Até se esquecia as vezes que um dia morara em outro lugar. Começou a se habituar em seu emprego, o mesmo aconteceu com Válter. Eles já estavam se adaptando a vida na cidade do pecado.
Uma semana após o aniversário de Petúnia, ela resolveu escrever uma carta a sua irmã, Lílian, contando tudo o que havia acontecido desde que chegara em Las Vegas. Parecia uma eternidade, mas foram apenas dez dias desde que Petúnia desembarcara na terra dos cassinos.
Na carta, relatou todos os ocorridos para Lílian. Contou sobre seu emprego, sobre a sua chefe Margherite, sobre a doce e amável Sra. Murphy, a festa de aniversário que Válter havia preparado para ela e como era a vida na cidade.
Petúnia enviou a carta usando o nome de “Margherite Murphy”, criatividade a parte, até que ela tinha feito um bom trabalho. Enviou a carta terça-feira e recebeu uma resposta rápida, já na segunda-feira seguinte, considerando o tempo que se demora de Las Vegas para a Inglaterra. Assim que recebeu a carta, Petúnia se apressou para lê-la:

Querida Pet,

Fico feliz por saber que você está bem. Infelizmente não tenho notícias muito boas. Mamãe está furiosa por você ter fugido de casa. Só que tenho notícias piores ainda. Você não precisava por o endereço do remetente no envelope. Era só colocar o endereço escrito na carta. Com isso, nossa mãe descobriu onde você está e ela está indo aí para Las Vegas te buscar. Com o tempo que demora para a carta chegar até aí, é provável que a mamãe já esteja para chegar. Não posso me demorar mais, pois essa carta tem que chegar em suas mãos o mais rápido possível. Fuja logo daí!

Beijos,
Lílian

Petúnia, que no momento que lia a carta estava no quarto com Válter gritou para ele.

- Minha mãe está vindo para cá! – desesperou-se a garota.
- Do que você está falando? – perguntou Válter normalmente.
- Ela está vindo para cá me buscar. Você entende? É o fim, o fim... – falou.
- Você está brincando – disse Válter não achando graça nenhuma naquilo.
- Queria estar – disse ela começando a chorar.
- Mas como isso é possível? – questionou – Como ela sabe que nós estamos aqui?
- Ela leu a carta que enviei para minha irmã – falou chorosa – Ela... ela... está vindo. Já pode estar... aqui – disse ela gaguejando.
- Então é melhor irmos embora! – disse Válter.
- Para onde? – questionou a garota.
- Pra qualquer lugar! – gritou ele – Só não podemos ficar aqui!
- Sabe de uma coisa, Válter?
- O que, Petúnia?
- Acho melhor voltar com a minha mãe – desabafou a garota.
- Como assim? Você enlouqueceu? Ou não me ama mais? – perguntou desesperadamente.
- Nenhuma das duas coisas. Você pode vir comigo – propôs a garota.
- Ir com você? Para onde? – perguntou ele.
- Para a Inglaterra. Lá nos poderíamos nos casar e ser felizes como nós sempre sonhamos.
- Mas e a minha família? E a minha vida em Los Angeles? Como ficam?
- Você já abandonou isso quando fugiu comigo para cá – disse Petúnia.
- Eu sei, Pet. Mas era só temporário. Me mudar para a Inglaterra seria algo definitivo.
- Vou ser sincera. A gente não tem muitas opções. Ou nos fugimos de novo e vivemos com medo de sermos pegos, ou nos voltamos para a Inglaterra juntos, ou eu volto sozinha e você fica em Los Angeles como era para acontecer desde o início – disse Petúnia pondo as cartas na mesa. Aquilo soava como uma decisão muito importante na vida deles que era de difícil solução.
- Você pode descartar a última, viver sem você não dá e eu não quero – concluiu o garoto.
- E pode descartar a primeira pois estou cansada de fugir feito uma condenada – retrucou ela – Então só sobra a opção de você vir comigo para a Inglaterra.
- É, você tem razão... – rendeu-se – Eu vou voltar com você para a Inglaterra.
- É a melhor decisão – concluiu a garota.
- Mas eu te peço uma última noite aqui em Las Vegas. Vamos dormir em um hotel e de manhã nós iremos voltar aqui e esperar pela sua mãe – pediu ele.
- Está bem. Precisamos realmente nos despedir dessa cidade. Vou sentir saudades.
- Eu também – disse ele por fim.
- Então é melhor irmos logo se quisermos nos despedir da cidade do pecado – ironizou ela.
- Vamos...

Ficaram em um hotel muito bonito e grande, bem luxuoso. Nada muito caro, mas melhor que o quarto deles na pensão da Sra. Murphy da qual preferiram nem se despedir por enquanto, pois ainda a veriam no dia seguinte.
Deitados em uma cama e sob a luz do luar, aquele mesmo que sempre foi a maior testemunha do amor dos dois, o casal enamorava como se aquele não fosse o fim e sim apenas o começo de uma nova fase na vida deles.
Havia sido muito boa a experiência de fugir de casa, no final de tudo se sentiu muito orgulhosa de si mesma por ter tomado uma atitude como essa e por não ter fraquejado em único momento.
Apesar de toda a situação ser mágica, Petúnia não podia evitar de se sentir triste. Em tão pouco tempo vivera momentos muito ruins, como o episódio em que foi a uma entrevista e botou fogo na sala, mas houve momentos muito bons como os que passara ao lado de seu amor, Válter.

- Eu acho que nunca vou me esquecer desses quinze dias que passamos aqui – disse Petúnia docemente.
- Nem que eu quisesse eu conseguiria esquecer – declarou Válter em resposta.

Era uma noite bonita e estrelada, que o casal apaixonado acompanhava pela janela do quarto.

- Vou sentir saudades também da Sra. Murphy, ela sempre nos ajudou – lembrou Petúnia.
- É verdade – confirmou o garoto – Foi bem difícil nós encontrarmos um lugar decente para morar.
- Nem brinca! – exclamou – Você se lembra da nossa primeira noite aqui?
- É claro, Pet! O cara do albergue era um doido, né? Assassinato... – lembrou ele.
- Ainda bem que nós não ficamos naquele lugar. Eu que não iria arriscar minha vida – confirmou ela.
- É tão estranho nos termos ficado pouco tempo aqui, mas termos tantas recordações – comentou.
Os dois estavam abraçados e deitados na cama olhando para o céu através da janela, mas nessa hora Petúnia levantou.

- Como será nossa vida daqui a quinze anos? – questionou ela de um modo filosófico.
- Quem sabe? Eu não tenho idéia... – declarou Válter.
- Espero que não nos transformarmos em um casal comum e careta – brincou a garota – Isso eu não agüentaria jamais.
- Nós? Caretas? Nunca! – constatou ele brincando também.
- Acho que com essa nossa aventura nos teremos muita história para contar para os nosso filhos, Válter.
- Pode ter certeza que sim – confirmou ele.

E, naquele mesmo quarto de hotel, Válter e Petúnia se beijaram pela última vez em Las Vegas.

***

O que aconteceu com os personagens:

Petúnia e Válter: Foram para a Inglaterra, se casaram, tiveram um filho e viraram um casal careta, o que era o maior medo deles. Quando Lílian morreu, cuidaram do sobrinho, Harry.

Lílian: Se casou, teve um filho e depois teve um destino trágico. A irmã de Petúnia morreu pelas mãos de um bruxo das trevas.

Jerry e Jeannie: Ficaram muito abalados com a morte da filha. Após um tempo, conseguiram superar a dor da perda. Continuaram morando na Inglaterra e visitam Petúnia as vezes.

Susan: A garota continuou morando na ensolarada Los Angeles. Quando Petúnia voltou para a Inglaterra, começou a escrever para sua amiga e se correspondiam por correio.

Sra. Murphy: No dia seguinte a despedida de Las Vegas, Válter e Petúnia se despediram da doce e amada senhora que os ajudaram tanto. Ela continuou com a sua pensão em Las Vegas.

Margherite: Petúnia se despediu dela quando foi embora, o que Margherite lamentou muito, pois gostava de Petúnia. Ela acabou enriquecendo com o negócio de lanchonetes, e vinte anos depois já era dona da maior redes de restaurantes do estado de Nevada.

FIM

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