Explosão Vega



Capitulo VII
Explosão Vega

A garota adentrou o quarto real com uma explosão da maçaneta, assustando o príncipe que havia acabado de se arrumar para o jantar.
Eric virou-se a tempo de ver a varinha da pequena apontada para ele.
-Eu vou te mostrar o que acontece com que mexe com os Black, seu anormal desgraçado! – gritou Vega.
Mas antes que o feixe de luz atingisse a realeza, Lancaster entrou na sua frente e, para sua surpresa, nada aconteceu.
Os olhos deles se fixaram durante um bom tempo, os de cor de mel faiscavam de irritação, os negros, brilhavam surpresos.
-O que pensa que está fazendo? – perguntou o cavaleiro arrancando a varinha de sua mão e segurando-lhe fortemente o braço.
-Me solta! Você está me machucando... – berrou a menina.
-Jura! – ele apertou ainda mais o braço dela – E o que você pensava em fazer com o príncipe, não era isso também?!
-Jack! – gritou o príncipe percebendo que a raiva do amigo e guardião estava passando dos limites necessários. Conhecia bem Lancaster, desde novo. Sabia que o bom humor constante se tornava extremamente perigoso quando dava lugar à raiva. E naquele momento era isso que ele sentia pela jovem Black.
Mas todo esse sentimento se esvaiu quando ela abaixou os olhos, envergonhada.
-Ele machucou o meu irmão... – falou baixinho.
Jack desmontou, em segundos o apertão que dava no braço dela diminuiu e ele acabou por soltá-la.
-Seu irmão se machucou sozinho. – resmungou ele por fim – Ele foi imprudente... Mas isso não te da o direito de entrar no quarto do príncipe para agredi-lo e...
-Vamos Jack, ela só estava protegendo a família...
Jack olhou de lado para o amigo.
-Mesmo assim... - voltou-se novamente para Vega - É meu dever deixar bem claro que se isso voltar a acontecer não serei tão compreensível. Entendeu, mocinha?
Ela o encarou irritada pelo tratamento. Mas não disse nada, apenas concordou com a cabeça.
-Então some logo daqui antes que eu esqueça quem é e lhe de umas boas palmadas.
Vega saiu, meio irritada, meio envergonhada, por ter sido tratada como uma criança mimada e por ter agido como uma.
Aquele homem a deixava sem saber o que pensar, ou o que sentir. Sabia que ele estava certo em tudo que dissera a ela, mas só se dera conta da grande besteira que fazia quando encarou os olhos reprovadores dele.
Era estranho pensar que nem o olhar de seu pai conseguia fazer-lhe parar e pensar no meio de um ataque de raiva. Mas aquele olhar...
Havia sido tudo muito estranho. Muito, muito estranho. Isso sem falar no fato de que Lancaster havia parado o seu feitiço sem pronunciar, se quer, uma palavra, ou levantar-lhe uma varinha. Algo que ela só sabia ser realizado por grandes magos... Mas ele era um trouxa, ou não era?
A jovem Black correu para os aposentos do irmão. Para sua surpresa o encontrou já pronto para o jantar.
Franziu o cenho.
-A Stella disse que você estava mal.
-Ai caramba! Teve alguém nesse castelo pra quem a Stella não contou o que viu, por acaso?
-Acho que não... – disse a caçula com um sorriso divertido – Bom, talvez não tenha dito nada pro papai, mas... – olhou pro chão – acho que depois do que eu fiz ele vai saber logo...
-O que você fez, Vega?!
-Eu... Bom... Eu fui tirar satisfação com aquele anormal do príncipe...
Cygnus a olhou irritado, embora saber que a irmãzinha o “defendia” lhe amolecesse o coração também.
Arfou por fim.
-Você não fez isso, Vega...
-Fiz sim... – disse ela balançando a cabeça novamente e olhando pros próprios pés.
-Pelo menos acertou o cara de jeito? – ele perguntou, malicioso.
-Não. Aquele cavaleiro chegou e...
-E você não conseguiu dar caba de um simples trouxa, Vega! Por Merlin!
-É exatamente por isso que eu vim falar com você Cygnus! Ele não é um simples trouxa.
-Como não?
-Ele bloqueou o meu feitiço! Trouxas não bloqueiam feitiços, certo?
Cygnus piscou algumas vezes, sem compreender. Puxou a irmã para sentar na cama, fazendo o mesmo.
-Como assim ele bloqueou o seu feitiço? Conte-me exatamente o que aconteceu Vega...

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Cygnus desceu para o jantar ainda remoendo a novidade que sua irmã contara. Lancaster era um bruxo, disso ele tinha certeza. Um trouxa teria voado pelo quarto ao ser atingido pelo feitiço de Vega, mas ele bloqueara o feitiço, sem pronunciar sequer uma palavra. E, mais, ele tinha certeza de que o príncipe não sabia que um dos seus cavaleiros também era bruxo. E porque? Os dois não eram amigos desde a infância?
-Cygnus, você vai continuar aí parado, garoto?- Seu pai perguntou, estranhando o comportamento do filho. – Nós temos um jantar, esqueceu?
- Desculpe, eu só estava pensando. Acabei divagando.
- Faz bem pensar um pouco, principalmente se você só está fazendo besteiras. E eu ouvi falar da besteira grande que você fez enquanto ensinava magia ao jovem príncipe...
Cygnus suspirou, irritado.
–Merlin, eu sei que fiz besteira com o anormal, até quando vocês vão brigar comigo por causa disso?
Sirius olhou furioso para o filho.
-Primeiro, parece que você ainda não entendeu o quanto esse anormal é importante para a família. Eu estou falando isso pela última vez: ele vai governar todo o reino e é importante que nós estejamos ao seu lado durante esse governo. Segundo: você parece não ter aprendido nada com a humilhação que sofreu. Aquilo só aconteceu porque você não o tratou com o devido respeito. Ninguém entra numa luta já tendo ganhado ou perdido, lembre-se disso. Ah, quase ia esquecendo, teremos mais alguns convidados para o jantar, além de seus tios.
-Quem?- Cygnus perguntou intrigado.
-Alguns casais de amigos da sua mãe, com os filhos. Eles vão embora ainda hoje, é claro, quanto menos bruxos tiverem contato com o príncipe, melhor. Mas, Cygnus, mantenha os olhos abertos.
Cygnus o olhou surpreso.
–Cada vez eu entendo menos você. – ele falou baixinho, pois haviam chegado ao salão.
-Ah! Ainda bem que vocês chegaram, já estava ficando preocupada. – Sua mãe falou com um sorriso falso nos lábios. – Venha, querido. – ela continuou, puxando-o pelo braço. – Você precisa conhecer algumas garotas. – ela sussurrou no seu ouvido.
Ele olhou a mãe sem compreender e depois olhou para o pai, que retribuiu seu olhar como se dissesse “ei, eu não posso fazer nada, tentei te ajudar, lembra?”.
–Você não está querendo dizer que...?
Sua mãe o olhou séria.
–Não estou querendo dizer, Cygnus, estou dizendo. – Então a matriarca da família Black pousou os olhos numa garota loira de grandes olhos azuis opacos. – Emily, Emily querida, venha conhecer meu filho. Ou melhor, por que vocês não vão dançar e conversar sozinhos? Fazer coisas que os jovens de hoje fazem, tenho certeza que vão se dar muito bem.
Cygnus suspirou antes de olhar para a garota sem graça que vinha ao seu encontro. Isso parecia um pesadelo, não podia estar acontecendo, não com ele. Não era Lynx que precisava de um marido urgentemente? Lynx, por falar nela, provavelmente estaria rindo dele em algum canto do salão. Ele só gostaria de saber porque, afinal, sua mãe subitamente decidira lhe arranjar um par.

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