Detenções e Descobertas



SEXTA-FEIRA, 12 DE JANEIRO
JARDINS, 17:00

Essas últimas semanas foram bem frias. Não só pelo clima, mas também pela maneira como estive me sentindo. Congelada. Incapaz de sentir qualquer coisa. Minhas amigas continuam preocupadas comigo, mas eu apenas dou um meio sorriso e digo que estou bem. Elas fingem acreditar.

As aulas passam sem que eu perceba. Fico desligada a maior parte do tempo. Quando dou por mim, o sinal já tocou, e eu não copiei uma palavra do que o professor falou. A profª. McGonnagal até já me chamou pra conversar, perguntou se eu estava com algum problema, se ela poderia ajudar. Daquele jeito severo dela, mas ainda assim tentando ser atenciosa.

- Evans. – ela chamou ao final da aula de ontem

- Sim professora? – respondi distraída

- Sente-se por favor. – ela falou seca, indicando uma cadeira à frente de sua mesa. Sentei-me um pouco confusa, e esperei que ela começasse.

- Notei que anda muito desatenta nas minhas aulas, e os outros professores confirmaram que o seu comportamento é igual nas outras aulas. Está com algum problema emocional, algo do tipo? – ela me olhou com aqueles olhos indagadores, por trás dos óculos quadrados.

- Não é nada... só estou... um pouco distraída, só isso. – respondi um pouco constrangida. Até meus professores reparam que eu estou em crise!

- Hum, certo. Mas, se precisar conversar... pode ir até minha sala. Sou a diretora da sua casa, qualquer problema que estiver passando, pode pedir a minha ajuda. – ela falou, olhando severamente em meus olhos. Assenti com um sorriso um pouco forçado.

- Claro professora. Bem, eu preciso ir agora...

- Sim, claro. Não pode perder nenhuma aula, não quando se está tão perto de se formar.

Me levantei e dei um último sorriso triste e murmurei:

- Obrigada professora.

Eu juro que ela quase sorriu de volta.

Não tenho mais visto James desde a nossa conversa há duas semanas atrás. Nem Melissa Adams. Soube que ele deu um fora nela na frente de toda a Grifinória quando soube que ela tinha espalhado para a escola inteira que os dois estavam namorando. Não preciso dizer que ela ficou arrasada, e que é por isso que está tão sumida.

Mas... por que estou escrevendo isso aqui? Não tem importância alguma... não para mim... ai ai...

Marlene continua enlouquecendo Sirius. E ele continua sem querer desistir dela.

Alice e Frank já tem a data do noivado marcada: 17 de fevereiro. Será na casa da família de Frank, e eu, Emelina, Marlene, e, infelizmente para mim, os marotos estão convidados, e mais alguns colegas de Frank das outras casas.

Descobri o motivo da tristeza de Emelina. Remo terminou com ela. Fiquei chocada com a notícia. Achei que ele gostasse mesmo dela. Parece que me enganei... ela disse que ele tem seus motivos... só queria saber que motivos são esses! Tadinha da minha amiga... está inconsolável. Remo também não parece muito contente.

Está escurecendo. Melhor voltar para o castelo...

SÁBADO, 13 DE JANEIRO
SALA COMUNAL, 23:00

Acaba de me acontecer algo realmente inesperado – recebi minha primeira detenção e uma bronca tamanho família na frente de toda a escola! Se eu ainda fosse eu mesma, me culparia até o fim dos meus dias, mas como estou passando por uma fase, digamos, infeliz e revoltada, estou pouco me lixando. É isso mesmo! Eu, Lily Evans, recebi uma detenção e não estou ligando!

Foi ontem à noite, logo depois do jantar, que tudo aconteceu. Na saída do Salão Principal, que estava cheio de alunos terminando suas refeições, eu estava voltando para a sala comunal sozinha, quando esbarrei com Melissa Adams. Mas eu estava distraída demais para perceber quem era, assim como ela, que logo se manifestou:

- Olha por ande, ô garota! – familiar essa frase, não?

- Me descul... – comecei, e quando vi aqueles cabelos “louro-mel” balançando na minha frente impetuosamente, mudei as feições do meu rosto de “menina triste e atrapalhada” para “garota raivosa e decidida”- Adams.

- Evans. – ela falou com o famoso desdém, e um olhar frio vindo daqueles olhos cinzas – saia do meu caminho.

- Saia você! – repliquei impetuosa. Eu já tinha uma raiva sem tamanho dessa metida antes dela voltar a se meter na minha vida, agora mais ainda!

- Ah Evans, você está toda recalcada porque perdeu o James para mim, não é? – falou fazendo cara de “menininha meiga”.

- Eu não me importo com quem você se agarra por aí, só quero que fique longe de mim e pare de se meter na minha vida!

- Olha só, é a barraqueira da Evans! – foi uma outra voz que falou, saindo do Salão Principal. Narcisa Black, que nunca pareceu me notar ou se importar em me xingar, vinha acompanhada de suas amigas sonserinas – o que vai aprontar agora, hein?

Fechei os olhos com raiva e ignorei-a, voltando-me para Melissa que agora estava rodeada das sonserinas e de suas amigas grifinórias (o Salão Principal estava se esvaziando, e aparentemente todos queriam ver o que estava acontecendo), e bloqueava o caminho que eu tentava seguir.

- Ela está toda ressentida porque o James a largou para ficar comigo, não é mesmo, Evans?

- Cala essa boca, sua metida! E depois, pelo que eu fiquei sabendo, ele não terminou com você na frente de toda a Grifinória? – o rosto dela ficou róseo de raiva - Agora me deixe passar! Ou então...– vociferei em tom de ameaça, no que ela me cortou.

- E o que você vai fazer? Chorar no banheiro das meninas do segundo andar? Pelo que sei, é só o que você tem feito ultimamente! – falou Narcisa. Não sei como (aliás sei sim, já que as duas são víboras e louras-falsas, e não tem nada na cabeça) essas duas conseguem ser amigas, mesmo sendo de casas rivais. Acho que elas devem compartilhar o mesmo ódio por mim, ou então a mesma tintura de cabelo... não, Narcisa tem cabelos platinados, deve ser outra coisa, (ironia).

E começaram a rir da minha cara. Ta, elas são idiotas, e eu não deveria ficar irritada por causa disso. Mas elas não ficaram só nisso.

- Ou então, reclamar com os professores? “Oh, professores queridos, como sou injustiçada e tão indefesa!” – falou Melissa, numa irônica imitação de mim.

- “E puxa-saco também!” – acrescentou uma sonserina, que agora eu não me lembro o nome, no que elas recomeçaram a rir alto, e a essa altura metade da escola estava nos assistindo.

- E o pior de tudo... uma sangue-ruim, que nem deveria estar aqui, para começar... – falou Melissa com desgosto.

Que a Narcisa, ou qualquer outro sonserino dissesse isso, eu já estava acostumada, mesmo sendo um xingamento horrível. Mas ouvir uma companheira de casa dizer isso em alto e bom som na minha cara, e na frente de toda a escola (até alguns professores já tinham ido ver o alvoroço, e os marotos também tinham chegado com as minhas amigas que assistiam a cena revoltadas num canto), já era demais... mesmo sendo muito correta e “equilibrada” e monitora também, não pude me segurar; pulei no pescoço daquela galinha-metida e a joguei no chão com uma força que eu desconhecia no momento, mas que estava sendo bastante conveniente, começando a bater naquela cara extremamente maquiada. Todos ficaram boquiabertos por alguns segundos, e pude ver o olhar de espanto no rosto de Melissa. As sonserinas tentaram nos separar, mas vi pelo canto do olho que Alice (que parecia estar sendo segurada há muito tempo) se jogou em cima de Narcisa e começou a espancá-la com socos mesmo, e Marlene e Emelina não demoraram muito para se juntar a nós na briga, dando conta das restantes.

Melissa cravou as unhas longas e afiadas fortemente nos meus braços, na tentativa de se desvencilhar de mim, no que eu respondi puxando os cabelos tingidos dela e quando vi já estávamos rolando pelo saguão de entrada (N/A: ou o quer que tenha sua localização às portas do Salão Principal...). Depois de um grande esforço, os professores conseguiram acalmar e afastar um pouco a multidão de alunos que gritava “Briga de garotas!”, “Puxa o cabelo dela”, “Acaba com elas Lil!” (esse foi o Sirius...) entre outras coisas, e percebi um par de braços tentando me separar da Adams, no que relutei dando tapas e chutes no dono dos braços (muito familiares, por sinal), aproveitando para chutar e socar a Melissa também, partindo para uma briga em pé agora.

Alice estava muito entretida em sua briga com Narcisa, que gritava por socorro no chão, enquanto a morena a segurava sentada em cima dela e dando fortes tapas e socos (N/A: no maior estilo Maria Clara e Laura em Celebridade!) naquele rosto alvo e até bonito, mas que depois dessa, não seria mais o mesmo...; Emelina dava uma chave-de-braço na sonserina que eu não lembrava o primeiro nome mas de sobrenome Parkinson, enquanto Marlene puxava os cabelos louros e tingidos de Melinda Adams, irmã de Melissa, que acabara de aparecer por ali e não parecia ter nada a ver com a briga... as outras amigas que eram covardes demais para realmente fazer alguma coisa, apenas gritavam e tentavam em vão nos separar.

Alice logo foi segurada por Frank, e ela por pouco não o socou para voltar para a briga; Remo segurou Emelina que olhou para ele constrangida, e Sirius tirou Marlene de cima de Melinda, levando um forte tapa no rosto, o que eu desconfio que não tenha sido engano... vi Bryan Leigh, num ato corajoso de monitor, (já que ninguém mais parecia se dar ao trabalho) afastar uma Melissa aos berros que tentava inutilmente se atirar em cima de mim e puxar meus cabelos (já que ela é incapaz de dar um soco ou tapa decente), enquanto senti novamente aqueles braços me agarrarem pela cintura para me impedir de bater mais naquela cachorra, no que continuei chutando e batendo, até ver quem tinha me agarrado: James Potter. Claro, quem mais poderia ser? Parei de me mexer imediatamente, mas notei que ele continuava a segurar minha cintura.

- Mas o que significa isso! – esbravejou uma irritada profª. McGonagall olhando de mim para as outras garotas envolvidas na briga. A essa hora, poucos eram os alunos que não estavam no saguão, apesar dos esforços dos professores e outros monitores para levá-los para as salas comunais. – Uma briga de trouxas entre garotas tão sensatas em pleno saguão de entrada! E justo você, srta. Evans, monitora-chefe!

Olhei para o chão ligeiramente envergonhada, mas não arrependida. Olhando de soslaio para minhas amigas, vi que elas exibiam o mesmo semblante satisfeito no rosto. Alice tinha os cabelos completamente bagunçados e um sorriso vitorioso, enquanto olhava para o olho-roxo e vários arranhões no rosto de Narcisa; Emelina também tinha os cachos emaranhados e as bochechas vermelhas, e o uniforme um pouco amassado; Marlene não tinha nenhum dano físico à sua aparência, nem parecia ter se atracado com Melinda por nenhum motivo aparente. Melissa estava monstruosa. Uma pequena parte de mim (a (ir)responsável por toda essa pancadaria) estava muito feliz em deixar aquela patricinha daquele jeito; a roupa toda amarrotada, a gravata completamente torta, os cabelos parecendo palha, totalmente desalinhados caindo por cima do rosto vermelho e arranhado por causa dos tapas, e ainda por cima mancando um pouco.

- Professora... – começou Melissa Adams choramingando, no que foi rapidamente cortada.

- Não quero ouvir suas explicações! – falou ela irritada – Eu sei muito bem o que vi acontecer aqui esta noite, e não estou nem um pouco satisfeita! Podem ter certeza que sofrerão as devidas consequências de seus atos! E não quero ouvir mais nenhum pio!

Ela ia continuar, mas o professor Dumbledore adentrou o recinto calmamente com uma expressão serena no rosto.

- Se me permite, professora, acho que deveria deixar as broncas e castigos para outra hora... – “Mas Dumbledore!” ela replicou – tenho ciência de que o comportamento das senhoritas aqui presentes foi inaceitável, mas acredito que cada uma deve ter uma boa explicação para o ocorrido. – ele olhou para mim de soslaio - Por hora, peço que as senhoritas se dirijam para as respectivas salas comunais, ou à enfermaria em caso de ferimentos mais graves, e amanhã decidirei uma punição justa para cada uma das envolvidas. Aos demais alunos, peço que os professores os encaminhem às suas respectivas salas comunais.

As sonserinas foram direto para sua sala comunal, seguidas pelo professor Slughorn, com exceção de Narcisa que foi para a enfermaria junto com as irmãs Adams, todas três chorando; o diretor Dumbledore foi para sua sala, sendo seguido por uma McGonagall extremamente raivosa, e depois que a multidão tinha se dispersado um pouco, eu, minhas amigas, os marotos, Frank, Bryan Leigh e os outros professores seguimos em silêncio pela escada, e logo estávamos no conforto da sala comunal da Grifinória, que como eu esperava, estava apinhada de alunos querendo saber o que tinha acontecido.

“O que aconteceu?”, “Você vão levar uma detenção?”, “Vão ser expulsas?”, era o que nos perguntavam incessantemente, me deixando completamente tonta. Por um milagre divino, Remo conseguiu convencer a todos de subirem para os dormitórios e nos deixarem a sós. Desabei no grande sofá vermelho no centro da sala, e minhas amigas fizeram o mesmo. Depois de um longo silêncio, Emelina perguntou:

- Lily... o que exatamente aconteceu?

- Eu... não sei... – disse num suspiro sincero. Nunca tinha agido daquela maneira em toda minha vida. Sempre fui “mosca-morta”, como elas gostariam de ter me chamdo – elas estavam me ofendendo, e... não consegui evitar de pular no pescoço daquela metida...

- Eu acho que fez muito bem! – falou Sirius, o único que parecia realmente ter se divertido com a situação – aquela chata tava merecendo! Eu só não entendi porque vocês se meteram no meio... – ele apontou para minhas três amigas.

- Ah, eu já não tava agüentando aquela patricinha metida desde o início do mês, e quando vi aquelas estúpidas ofendendo a Lily, não me contive! Vocês sabem como eu sou, não me seguro mesmo! – soltei um sorriso fraco e cansado. – e depois, eu não suporto aquela sua prima, Sirius!

- Nem eu! Me fez um favor batendo nela! – ele disse piscando um olho e sorrindo marotamente

- Já eu não suporto aquela Parkinson. – falou Emelina – ela vive torrando a minha paciência, dizendo que quadribol é coisa para garotos e eu – ela é a única garota do time – sou uma vergonha para toda a escola por ser uma garota e jogar quadribol! – os outros times só tem garotos. – Entre outras coisas também... - acho que essas outras coisas envolvem o Remo...

- E você Lene, por que atacou a Melinda? Ela nem tava no meio... – falou Alice levantando uma sobrancelha, no que Sirius concordou. Ela olhou friamente para ele e respondeu:

- Tive meus motivos. Achei que o momento era propício para um acerto de contas... – ele fez uma cara de medo e alisou o rosto do lado em que levou o tapa. Tem alguma coisa estranha nessa história...

Depois eu pergunto o que ela quis dizer com isso... Senti uma forte dor de cabeça, como se alguém, tivesse atirado uma pedra em cima dela e a rachado ao meio. Fiz uma careta de dor, no que James, que se mantinha de pé atrás do sofá, se virou pra mim e disse com voz rouca:

- Lily, você ta bem?

- To... só um pouco cansada... – respondi meio zonza, sem consciência de que era com ele, o motivo da minha briga com Melissa (sim, pra quê mentir aqui? Toda a minha raiva tinha a ver com o fato de ela ter agarrado James e me humilhado publicamente...), que eu estava falando no momento.

- Você devia ir à enfermaria... já viu esses arranhões?- só agora eu tinha reparado o estado deplorável em que me encontrava: o uniforme todo desalinhado, com um rasgo na manga da minha capa, minha saia meio torta e as meias antes esticadas até o joelho, emboladas nos meus tornozelos; meus braços estavam marcados e sangrando graças às afiadas unhas de Melissa, meus cabelos bagunçados; tinha uma enorme mancha roxa no meu joelho, provavelmente eu devo ter batido com força no chão quando me atraquei com a Adams. Olhando para James, vi que os braços dele estavam um pouco vermelhos, e não pude deixar de me sentir um pouco culpada por ter batido tanto nele...

- É Lily, a coisa ta feia... – falou Alice me olhando melhor, no que os outros concordaram. Torci a boca meio sem-graça e voltei meu olhar para meus pés. Até meus sapatos estavam com cara de quem tinha apanhado e batido!

- Se você não quiser ir para a enfermaria, eu posso cuidar desses ferimentos – falou Remo, como um bom amigo. Sorri para ele agradecida, mas muito cansada.

- Obrigada Remo, mas tudo o que eu quero agora é tomar um bom banho e ter uma boa noite de sono. Eu cuido disso depois... – e me levantei indo em direção ao dormitório, sendo seguida pelas meninas – Boa noite gente...

- Boa noite – disseram todos, com exceção de Sirius que falou risonho e me piscando um olho “Arrasou Lil!”, no que eu deixei escapar um sorrisinho.

Chegando aqui no dormitório, tomei um banho quente e gostoso, e deixei que minhas amigas me ajudassem a cuidar dos cortes e arranhões, que nem são tão profundos assim, usei essência de murtisco (que sempre tenho na minha malinha de primeiros-socorros) e fiz uns curativos. Amanhã estarei melhor.

23:30

Marlene acaba de pular na minha cama, logo depois que eu apaguei o abajur. Fiz menção de acendê-lo novamente, mas ela disse que não queria acordar as outras duas, e precisava muito conversar comigo. Concordei, contanto que ela me deixasse escrever a conversa aqui.

“Lily, você sabe que eu gosto mesmo do Sirius, não é?”

“Claro que eu sei, as meninas, sabem, os meninos também sabem, talvez o próprio Sirius não saiba, por ser meio tapado, mas posso afirmar que ele também é doido por você, e isso acho que toda a Grifinória já sabe, senão o castelo inteiro . Mas, por que você está falando isso agora?”

“Hum... certo. É que... ontem à noite, eu tinha ido para a biblioteca sozinha, lembra?”

“Lembro... e o Sirius também tinha sumido. Achei que vocês tinham ido se encontrar...”

“Bem, na verdade não. Quero dizer, eu até encontrei ele no caminho de volta pra cá, mas não foi como eu esperava... eu ouvi a voz dele num corredor escuro, e me aproximei para ter certeza. Me surpreendi ao vê-lo se agarrando com aquela... nojenta, metida, cachorra e patricinha da Adams!”

“A Melissa? Mas ela não gosta do James...?” Ela revirou os olhos impacientemente. Nossa, como eu consigo ser lerda quando eu quero! “Ah, a outra Adams!” Dã, Lily! É por isso que ela tava brigando com ela por ‘motivo nenhum’! “Mas, que eu saiba ela namora um corvinal...”

“E eu lá quero saber se ela namora ou não? O fato é que o Sirius tava se agarrando com ela!” – falou Lene, e pude perceber a gravidade da situação.

“Hum, entendo...” Ô, e como entendo! “Por isso você bateu nela, pra descontar a raiva, e também acertou aquele tapa aparentemente acidental no Sirius quando ele tentou te separar dela... mas por que você não falou nada com ele ainda?”

“Ora, Lily, simplesmente porque eu sou tão orgulhosa quanto você, e como eu e ele não temos nada definido ainda, não posso fazer ceninhas de ciúmes na frente de todo mundo!”

“Tem razão...”

“Bom, em todo caso, eu só queria desabafar isso com alguém... e, aproveitando o tema orgulho, traição, paixão reprimida e etc. em questão, como andam as coisas entre você e James?” Impressionante a facilidade com que ela consegue mudar de assunto!

“Não andam. Você sabe, desde aquela noite na sala comunal que não nos falamos...”

“Peraí, quando foi isso?” Falei besteira. Esqueci que não tinha mencionado a nenhuma das minhas amigas o episódio da insônia na sala comunal, quando ele se explicou, se desculpou e pediu para voltarmos ao que éramos antes. “Larga esse diário e me conta agora!”

00:00

Como pode ver, foi o que fiz. Contei essa parte com todos os detalhes que eu pude me lembrar, no que ela arregalou os olhos e me olhou incrédula.

- E você o recusou?

- Ora, o que você queria que eu fizesse? Sou orgulhosa demais, esqueceu? – falei infeliz, olhando para meus joelhos.

- Mas Lily, o James te ama, e ta mais do que na cara que tudo aquilo foi armação daquela garota idiota que só queria te chatear e te separar dele! Vocês ficaram brigados, ele se desculpou, você se vingou da garota, e agora podem ficar juntos! – ela disse, como se fosse a coisa mais simples do mundo.

- Não é tão simples assim! – retorqui num muxoxo contrariado, fazendo a minha cara de “você não ta me entendendo”com direito a biquinho.

- É claro que é! O que pode haver de tão complicado?

- Me diz você! Quando você se resolver com o Sirius, eu me resolvo com o James!

Ela pareceu pensar um pouco na proposta, no que comecei a ficar aflita. Depois de alguns segundos, ela sorriu satisfeita:

- Feito!

- O-o q-quê? Não, nada feito! – falei incrédula. Como ela pode aceitar uma frase sem sentido e importância real como uma proposta?

- Não adianta negar! Você propôs, e eu aceitei! Quando eu me acertar com o Sirius, você se acerta com o James! – abri a boca para reclamar no que ela continuou com um sorriso satisfeito antes que eu a pudesse interromper – e você vai ter que concordar com isso, quer queira, quer não! Boa noite, Lily!

E com a mesma rapidez com que ela adentrou o meu cortinado, ela saiu e voltou para a cama dela, me deixando com cara de boba no escuro.

Ta, até eu já to achando esse negócio todo de orgulho uma bobagem, mas... será que eu vou conseguir vencer essa barreira que me separa da felicidade?

DOMINGO, 14 DE JANEIRO
BIBLIOTECA, 17:00

Aff, esse é o único lugar em que eu consigo ter um pouco em paz! O dia inteiro eu fui bombardeada por perguntas de vários alunos de todos os anos e todas as casas, querendo saber o que realmente tinha acontecido e porquê ontem à noite. Felizmente, minhas amigas são muito legais e conseguiram manter essas pessoas afastadas de mim por um bom tempo (elas sabem que eu não reajo bem sob pressão ou em meio à multidões ávidas por informações sobre o meu descontrole. Ou apenas multidões, eu detesto tumulto!).

Enfim, como havia sido combinado, o prof. Dumbledore chamou cada uma das envolvidas na briga de ontem para acertar os detalhes da detenção (separadamente, é claro! As sonserinas foram primeiro, e antes de Alice, Marlene, Emelina e eu, foram as irmãs Adams. Os diretores das nossas casas, Slughorn e McGonagall também estavam presentes, e minha professora estava mais calma, um pouco, e disse que queria me ver separadamente na sala dela depois. Ai caramba, mais bronca!

Foram tirados quinze pontos de cada uma de nós (e não vinte como a profª. Minerva tinha determinado antes. Ela ficou insatisfeita, mas não contestou) e a detenção, que durará duas semanas para as atacantes (eu e minhas amigas), e apenas uma para as atacadas (as “pobres e indefesas” sonserinas e as traidoras-da-própria-casa, como acabo de apelidar as Adams), será em duplas, e cada dupla terá uma tarefa diferente, para evitar novos conflitos. Narcisa e Bellatrix terão que limpar as masmorras, Melissa e Melinda vão auxiliar Filch na limpeza das outras salas (elas bem que merecem!), Emelina e Marlene ficaram responsáveis por ajudar a profª. McGonagall com relatórios, correções de trabalhos e até pendências do quadribol, e Alice e eu ficamos com a tarefa de re-catalogar todos os livros da biblioteca, inclusive os da seção reservada, o que para mim acabou sendo maravilhoso. Sempre quis ter uma desculpa para passar horas aqui, sem que a Madame Pince ficasse me perturbando, perguntando se eu já encontrei o que precisava, ou se não tenho aulas para assistir. Bem, com isso acabei ganhando acesso livre 24 horas à biblioteca. Não é demais?

JANTAR, SALÃO PRINCIPAL, 19:30

Deixando de comer para relatar algo muito importante: minha conversa com McGonagall.

Antes da conversa propriamente dita, eu estava na biblioteca como eu tinha dito antes, lendo um livro muito interessante, quando fui despertada para o mundo real por uma voz conhecida...

- Lily?

- Hum? – respondi ainda absorta na leitura – ah, oi Bryan.

- Oi... Sabe. É que a McGonagall tava te procurando... – gelei.

- Ah,sei... – falei nervosa, encarando-o nos olhos.

- Er, Lily... sobre ontem... – ele perguntou com uma cara constrangida

- Você quer saber o que aconteceu realmente?

- Bem... é... se não for incômodo...

- Tudo o que posso dizer é que nós duas nunca fomos uma com a cara da outra...

- Ah, sei... hum... mas, você está bem? Tipo, tem a ver com a sua tristeza da semana passada?

- É... em parte... – que cara enxerido!

- É por causa do Potter e do acontecimento da festa de ano novo? – ta, agora ele ficou indelicado!

- Olha, é melhor eu ir... A McGonagall deve estar me esperando...

- Ah, claro, e... desculpa se fui indelicado, eu não pretendia...

- Ah, tudo bem... até...

Respirei fundo e fui até a sala da professora Minerva. Entrei silenciosamente e percebi que não tinha sido a única chamada para a reunião. Melissa Adams estava lá, cheia de bandagens pelo rosto e nos braços, e exibiu uma cara de pavor ao me ver. Não pude deixar de ficar um pouquinho alegre com essa reação dela. Mirei os o olhar severo da diretora da minha casa e me sentei na cadeira em frente à mesa dela, pronta para ouvir o sermão.

- Srta. Adams, srta. Evans...

- Professora, me desculpe por ontem, eu sei que minha atitude não foi nada aceitável, eu deveria ter me segurado, mas é que essa daí... – desatinei a falar num ritmo frenético

- Hei! Professora, a senhora não pode acreditar no que ela está dizendo, é completamente injusto, ela me atacou e... – Melissa replicou

- ... nunca foi com a minha cara, e a senhora sabe o quanto eu sofri calada, e sinceramente, eu não consegui me segurar e... - continuei como se não tivesse sido interrompida, no que a Adams voltou a argumentar.

Com um olhar indecifrável entre o riso e a cólera (N/A: pra quem não sabe, cólera é sinônimo de ira, raiva... uma coisa bem McGonagall... eu gosto de usar palavras difíceis...xD) a professora nos calou instantaneamente.

- Realmente o seu comportamento na noite anterior foi inesperado e completamente inadequado, srta. Evans, a senhorita poderia muito bem ter resolvido suas desavenças com a srta. Adams numa conversa pacífica – abri a boca para reclamar no que a Adams abriu um sorrisinho de vencedora, e a professora continuou – no entanto, estou ciente do motivo que da briga das duas, e não estou nem um pouco satisfeita com você – ela falou olhando severamente para Melissa. Minha vez de sorrir vitoriosa.

– O preconceito é algo completamente inaceitável nesta escola, e a senhorita já deveria saber disso. E srta. Evans, acho que devia aprender a controlar sua raiva. – murchei na cadeira. Era a segunda vez no mesmo ano letivo que ela me dizia isso... – com todo o ocorrido e as detenções que irão cumprir, espero que as duas aprendam a conviver pacificamente daqui em diante. Espero não ter mais que presenciar ou ficar sabendo de cenas como esta, estamos entendidas?

- Sim, professora. – respondemos cabisbaixas

- Certo. Pode sair, srta. Adams. – ela saiu, sem antes lançar um olhar desdenhoso para mim – Srta. Evans?

- Sim, professora?

- Sobre a conversa que tivemos na semana passada...

- Ah, não se preocupe professora. Está tudo resolvido agora. E prometo, que a briga de ontem... não vai mais acontecer. Pelo menos não nas suas vistas... – completei baixinho e dei um sorriso amarelo e me levantei para sair também.

- Embora não seja ético de minha parte, e espero que a senhorita não comente com ninguém, estou muito satisfeita com sua atitude. – ela disse, me surpreendendo - Não se deixou intimidar e por mais que o método tenha sido inadequado, soube resolver seus problemas com muita coragem. Estou muito orgulhosa de você, Evans. 5 pontos para a Grifinória.

Arregalei os olhos e escancarei a boca. A professora mais severa de Hogwartz me dando pontos e me parabenizando por bater numa patricinha em frente ao colégio inteiro? Isso era algo completamente inédito. Não pude deixar de sorrir, e ela retribuiu com os lábios levemente curvados para cima. Acho que isso era um sorriso também...

Bem, depois disso tive aula dupla de DCAT, e por isso só estou escrevendo agora.

Mas, terei que parar, porque Alice está me pentelhando para comer alguma coisa. Ai, ela não desiste! Tipo, eu admiro muito isso da Alice, de estar sempre se preocupando com os amigos, eu também faço isso, mas quando é comigo ela pega pesado! Ta, eu sei que eu já fiquei doente por não me alimentar direito, e sou emocionalmente instável e tal... mas chega a ser irritante ela ficar me tratando como uma criancinha de sete anos!

Ta, agora eu vou mesmo. Até porque, ela falou que a sobremesa é alguma coisa de chocolate...

SEGUNDA-FEIRA, 15 DE JANEIRO
DORMITÓRIO, 00:00

Bom, o dia inteiro foi bem normalzinho, nada demais. O importante mesmo foi a detenção, que eu pretendo relatar em detalhes. Tipo, foi a minha primeira detenção em toda a minha vida!

Eu e Alice terminamos o jantar e fomos direto para a biblioteca, onde M. Pince já nos esperava com seu olhar severo e nariz empinado. Ela nos separou por corredores; Alice ficou com os dois primeiros, e eu com os dois seguintes. Uns vinte minutos depois ela se recolheu em seu gabinete, e eu fui para o corredor de Alice ajudá-la e ficamos a detenção inteira conversando.

- E aí, Ali, como estão os preparativos pra sua festa de noivado?

- Ah, tudo bem... você sabe que não vai ser uma grande festa, é uma coisa mais íntima... mas o casamento sim eu estou preocupada, nervosíssima.

- Posso imaginar... Ali... como você tem tanta certeza do seu amor pelo Frank, e o dele por você? Quero dizer... sabe... é que...

- Eu sei o que você quer dizer, Lily. E também não sei explicar. Só sei que o amo e ele também me ama. Isso me basta. Não preciso de muitas explicações...

- Hum... certo... – e voltei a organizar os livros distraidamente

- Hum, Lily? Algum motivo especial pra você ter me perguntado isso?

- Ah, não, só curiosidade mesmo – disfarcei. Ah, qual é, eu acho mesmo que consigo enganar a Alice?

- Lily... você sabe que o James...

- Por favor Alice, não começa. – cortei-a antes que ficasse embaraçoso para mim

- Ai Lily, deixe de ser besta! – nossa, que amiga é essa que me xinga assim na maior cara de pau? Ta bom, eu admito, sou mesmo besta às vezes... – você sabe muito bem que o James gosta de você, e eu sei que você gosta dele! Pra quê ficar se torturando se afastando dele, quando o seu coração quer estar com ele pra sempre? – nossa, Alice me conhece melhor do que eu mesma.

- Eu... não posso. Não consigo. Não dá. Eu...

- Você é uma medrosa, Lily Evans. – ela sentenciou, no que eu tive que concordar com um suspiro. Como ela está certa...

Voltamos para a sala comunal há mais ou menos uma hora atrás e encontramos as meninas, que contaram como foi divertido acompanhar a McGonagall tirando pontos e aplicando detenções pelos corredores, e Marlene contou entusiasmada que amanhã terão que supervisionar o vestiário de quadribol da Grifinória, que ficará cheio de garotos “gatos e sarados” para elas espiarem, já que terá treino... bem, Emelina já convive com isso normalmente, mas ela foi suspensa dos treinos por causa da detenção, e segundo Marlene, agora que ela está solteira novamente, poderá aproveitar melhor o “privilégio” de ser a única garota do time. Às vezes eu penso que Marlene é um pouquinho louca...

02:30

Não consigo dormir. Estou deitada de barriga pra cima, encarando o teto. Por que eu, Lily Evans, tenho que ser tão cabeça-dura e não admitir de uma vez que amo James Potter? Por que sofrer inutilmente? O lance da Melissa não tem nada a ver... já até superei isso, eu acho... Sempre me disseram que sou muito inteligente, mas cada vez mais percebo o quanto sou burra. E estupidamente orgulhosa.

Olhando pela janela na cabeceira da minha cama, posso ver um pouco do céu enevoado; a lua está crescente, quase cheia, e há poucas estrelas ao seu redor. Ei, mas que brilho é esse no parapeito?

Nossa, tinha até me esquecido... o colar de floco-de-neve que James me deu no Natal... e que eu fiz menção de atirar pela janela depois de tê-lo visto com a Melissa... talvez seja melhor guardar... afinal, é um colar bonito, e ele realmente teve muito trabalho para confeccioná-lo... talvez eu poderia devolver para ele... não, não posso e nem quero encará-lo... ah, quem estou querendo enganar? Esse colar é uma lembrança do “amor” que James sente por mim, e do nosso Natal de conto-de-fada... como, eu pergunto, como eu posso ser tão orgulhosa, e ao mesmo tempo tão sonhadoramente apaixonada? Sinceramente, no meu caso, orgulho e amor não combinam! Orgulho é uma coisa egoísta, um amor que você tem por si mesmo, uma auto-preservação, que no meu caso, é obsessiva e só causa mal; amor é algo muito mais nobre, te faz pensar na pessoa amada a todo o tempo, você faria tudo por quem você ama; é um sentimento feliz, completamente altruísta. Nossa, quem vê pensa que eu sou super bem resolvida nos assuntos do coração... por que é que eu tenho coragem pra tantas coisas, como bater na Melissa na frente da escola inteira, e não tenho coragem de admitir pra mim mesma e para James Potter que eu o amo?

Melhor dormir... estou começando a ficar realmente inquieta, e isso não é bom. Amanhã Remo partirá para visitar a família novamente, e eu terei que fazer todo o trabalho de monitora sozinha. Eu não culpo o Remo nem sua família, eu sei que ele tem que visitá-la uma vez por mês, mas é que sempre que tem um monte de trabalho, ele some... e o estranho é que ele também fica bastante adoentado nessas épocas... e não gosta de aparecer à noite... quando menciono a lua cheia (que eu adoro e é minha fonte de inspiração para alguns poemas) ele fica tenso e nervoso... se eu não o conhecesse bem, diria que é um lobisomem... ora, mas que bobagem! Remo Lupin, lobisomem!

Certo, agora eu vou mesmo dor... espera aí, o que é isso? Estou ouvindo passos... Emelina está se levantando, completamente vestida e saindo para a sala comunal... muito estranho... ela tem um sono de pedra, nunca acorda durante a noite... o que será que está acontecendo? Preciso saber!

03:00

Acabei de estar num dos lugares que nunca pensei que chegaria a conhecer em toda a minha moradia em Hogwartz. O dormitório masculino do 7º ano da Grifinória. É sério, não estou brincando.

Saí no encalço de Emelina pela sala comunal, e vi que ela não tinha ido beber um copo d’água como eu esperava. Na verdade, ela bateu na porta do recinto já mencionado, muito determinada por sinal. Me aproximei dela e perguntei:

- Mel, o que está fazendo acordada a essa hora? E por que está batendo na porta do dormitório dos garotos?

- Por favor Lily, não se intrometa. Preciso resolver um assunto. – ela falou sem tirar os olhos lacrimosos da porta, batendo forte mais uma vez.

- Mas, agora? Não pode deixar para amanhã? – sussurrei lentamente, como quem tenta convencer alguém de não fazer uma besteira.

- Não Lily, preciso resolver isso agora! – e quando viu a maçaneta do quarto girar, empurrou a porta com toda a força que anos de quadribol lhe presentearam e adentrou o dormitório decidida, no que eu a segui.

- Onde está o Remo? – ela perguntou com a voz trêmula para Sirius, que tinha aberto a porta ainda um pouco sonolento e para nosso espanto, sem camisa, revelando um físico que eu já imaginava ser esplêndido. Desviei o olhar corada, mas este infelizmente recaiu sobre um outro peito nu e tonificado um pouco mais ao fundo do quarto, cujo dono tinha cabelos muito rebeldes e despenteados e acabara de acordar com a voz grave de uma Emelina raivosa que não parecia abalada com a magnífica visão que se estendia à nossa frente. Esqueci que ela vê isso em todos os treinos de quadribol. Como ela tem sorte...

- Mel? – perguntou Remo receoso, saindo do banheiro, este sensatamente usando pijamas e com o rosto muito pálido e os cabelos bagunçados, mas não tanto quanto os dos outros.

- Remo, precisamos conversar. Agora. – ela falou cruzando os braços e o deixando um pouco encabulado. Tadinha da minha amiga, pensei. Está arrasada com o término do namoro dela com o Remo, e agora está tentando buscar uma explicação plausível para tudo isso. Provavelmente não dorme decentemente há dias, pensando em como ela perdeu o amor da sua vida. Ei, isso também pode ser aplicado a mim!

- Mel, eu não acho que seja uma boa hora para isso... me desculpe por tudo, mas... – ele falou timidamente, olhando para qualquer lugar, menos para ela. Porque ele terminou com ela, eu também não entendi ainda...

- Não adianta arranjar desculpas, Remo, eu sei do seu segredo. – Remo ficou estático com os olhos arregalados finalmente a encarando. Sirius e James que ainda tentavam entender a cena, se olharam boquiabertos, enquanto eu “boiava” na história toda. Que segredo que todo mundo sabe menos eu? Do outro lado, Peter roncava tranquilamente enrolado em sua cama...

- Está certo, Mel, vamos conversar... – e eles saíram do quarto fechando a porta atrás de mim. Foi então que os outros dois se deram conta da minha presença, e foi Sirius que se pronunciou, me olhando com o cenho franzido e uma mão coçando o queixo:

- Hum... Lily, o que você está fazendo aqui?

- Eu... vi a Emelina saindo do dormitório, e achei estranho, portanto resolvi segui-la, e... bem, acho melhor eu voltar a dormir... – falei sorrindo amarelo e dando uma última olhada para o físico magnífico de James, no que ele percebeu e sorriu quase imperceptivelmente ao me olhar de soslaio. Sacudi a cabeça tentando afastar pensamentos não apropriados para o momento e voltei para a porta, e quando a abri pude ver Emelina e Remo na sala comunal, ela em prantos e ele tentando consolá-la sem tocá-la, não sendo bem-sucedido:

- E daí que você é um lobisomem? – ela falou com a voz embargada, o rosto encharcado de lágrimas, agitando os braços.

Pára tudo! Eu ouvi direito? Remo rapidamente voltou o olhar para a escada, onde eu tinha tropeçado ao ouvir tais palavras e agora estava boquiaberta sentada no patamar da escada, olhando para os dois lá embaixo. Emelina percebeu o que tinha dito, e cobriu a boca com as mãos, como se pudesse impedir que mais alguma coisa saísse dali. Ela tentou se desculpar com Remo, que ainda estava chocado, e eu mais ainda, no que senti braços fortes me erguerem e me trazerem de volta para o aposento em que estava anteriormente. Ouvi o clic da porta se fechando e desatinei a falar respirando desordenadamente visivelmente nervosa.

- O que a Mel disse é verdade? O Remo é um lobisomem? Como eu nunca soube disso antes? Nós somos amigos há tanto tempo e ele nem me contou! Você sabiam disso? Ah, é claro que sabiam, pelas caras que fizeram... então é por isso que ele deixa o castelo uma vez por mês, e coincidentemente, na lua cheia! E isso explica o porquê da estranha apatia dele, os olhos amarelados, o pavor da lua cheia... Céus! Amanhã é lua cheia! E como foi que Emelina descobriu tudo iss...

- Lily! – falaram Sirius e James ao mesmo tempo, para me calar. Levei um susto e olhei para os dois com uma expressão entre a confusão e a surpresa, no que eles me fizeram sentar na cama mais próxima (que descobri mais tarde, ser a de James...).

- É verdade, o Remo é um lobisomem... – começou James, escolhendo bem as palavras e olhando para Sirius, que tinha uma expressão de “eu não acredito que você vai contar” no rosto – ah, Sirius, ela já descobriu mesmo... bem... ele foi mordido por um lobisomem quando era criança, e nunca contou isso a ninguém, nem para nós. Na verdade, nós descobrimos sozinhos...

Ele fez uma pausa e olhou para Sirius, que continuou a contar o resto da história.

- Debaixo do Salgueiro Lutador tem uma passagem secreta, que leva até a Casa dos Gritos em Hogsmeade, construída especialmente para uso do Remo. Nas noites de lua cheia nós o acompanhamos até lá, e é lá que ele se transforma...

Tudo estava começando a fazer sentido. As várias noites (não mencionadas nesse diário) em que s quatro desapareciam e só retornavam pela manhã, com uma aparência extremamente cansada (sempre achei que eram encontros às escondidas com garotas)...

- Mas peraí, não é perigoso vocês irem com ele durante a transformação? Como ele não os ataca? - perguntei realmente curiosa e um pouco mais calma. Muito intrigante...

Sirius fez uma cara de “ih, falei besteira”, no que James o repreendeu com um olhar irritado.

- Bem, Lily... er, como explicar? - ele me fez olhar para ele, e continuou como se explicasse algo difícil para uma criancinha de cinco anos – eu, Sirius e Peter – Sirius balançou a cabeça negativamente com ar nervoso, no que foi ignorado por James – somos animagos. Nos transformamos em animais, e é assim que não somos atacados pelo Remo como lobisomem...

Só consegui ouvir claramente até a palavra animagos. Depois tudo parecia ecoar longinquamente numa realidade a que eu não pertencia. James Potter, Sirius Black e Peter Petigrew, animagos? E ainda por cima, menores de idade, e obviamente ilegais? Só podia ser brincadeira!

- Hum... Lily... você está bem...? – perguntou Sirius. Eu devia estar com uma cara realmente chocante. Tipo, eu estava chocada. Atordoada, surpresa. Senti meu olhar divagando em um dos pontos escuros e bagunçados do dormitório dos garotos e minha boca ligeiramente aberta.

- Lily... – chamou James, pegando na minha mão e me despertando completamente do transe.

- Ah, claro, estou ótima. – respondi automaticamente, e rapidamente lembrando de onde estava e quem estava bem próximo a mim, segurando na minha mão, de peito tonificado e nu, falando docemente.

Me levantei num salto, o que foi má idéia, porque tropecei desastrosamente num amontoado de roupas que tinha no chão, sendo amparada por Sirius, que estava de pé a minha frente. Sorri nervosa e procurei a saída, mas James me puxou pela mão

- Lily... sobre sermos animagos... por favor, não conte à ninguém... sobre o Remo eu sei que não vai contar...

Encarei aqueles olhos castanho-esverdeados (Como pude ignorar por tanto tempo esse brilho incomum nesses olhos lindos?) por um breve momento, e depois desviei para os meus pés. Acenei afirmativamente com a cabeça e deixei escapar um sorriso.

- Pode deixar, eu não vou contar à ninguém. Boa noite... – e saí dali o mais rápido possível, a ponto de ver que Emelina e Remo tinham se reconciliado, no maior estilo“felizes para sempre”, se beijando apaixonadamente na sala comunal. Sorri e voltei silenciosamente para a minha cama... foi uma longa noite...

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