Entre os vivos e os mortos



Capítulo 29 - Entre os vivos e os mortos



Anúbis era, desde o tempo dos antigos egípcios, uma das deidades mais populares no Alto Egipto, principalmente na Cinopólis, cidade cujo nome significa “Cidade dos Cães”, centro do culto deste deus. Fruto de uma suposta e ilegítima relação entre Osíris e Néftis, Anúbis era aquele que conduzia os mortos até ao tribunal presidido por Osíris e pesava o seu coração. Era o guardião das sublimes moradas da eternidade, abençoava e apadrinhava a arte da mumificação, um ritual levado a cabo pelos egípcios, com o fim de atingir a eternidade, por eles chamado de Djet. Cabia também a ele permitir o regresso das almas à vida, sob a forma de um decreto e, de maneira alguma, alguém deveria regressar do mundo dos mortos sem a sua autorização.

Os seus olhos de chacal, frios e assustadores, fixavam, naquele momento, o bruxo que caminhava na sua frente, mas este, ao contrário de muitos que Anupu, como lhe chamavam os egípcios, acompanhara, não se apresentava temeroso e muito menos incomodado pela sua companhia. Os seus passos eram decididos e confiantes e o seu olhar era o de alguém que sabia exactamente o que o aguardava, sem temer, no entanto, o seu destino. A função do ajudante de Osíris era acompanhar o portador do olho de Wadjet até ao reino que protegia… encaminhá-lo para além do portal que dava acesso ao mundo dos mortos.

A mente de Harry andava longe dali. A última coisa de que se recordava, antes de ter surgido naquele local, era de Ginny segurar a sua mão e puxá-lo para longe da cama que o seu pai ocupava. Era doloroso para ele recordar-se do momento em que aquela aura mágica começara a abandonar James, do desespero de todos os presentes, principalmente da sua mãe. Foi como reviver o episódio do Departamento de Mistérios, no final do seu quinto ano, quando Sirius atravessou o véu, com o mesmo sentimento de impotência que o atingira daquela vez.

Ao longo da sua vida, tinha-se habituado a não ter uma família… acostumara-se a não ter uma pessoa por quem nutrisse sentimentos de um filho para um pai, pelo menos até conhecer Sirius. Acima de tudo, conformara-se com destino cruel que o poderia esperar, graças àquela profecia realizada antes do seu nascimento. Estava preparado para viver naquela situação durante toda a sua vida… ser para sempre o menino órfão que fora um dia maltratado pelos tios. Isso mudou a partir daquele longínquo dia em que pôde, finalmente, abraçar a SUA família. Agora Harry sabia que não estava preparado para a perder novamente… simplesmente não podia ter recuperado o seu pai para o perder pouco tempo depois. Foi assim que tomou uma decisão, não uma escolha consciente… talvez um acto de desespero, do qual não se arrependia e, muito menos, pensava desistir. Estava na hora de retribuir o sacrifício que James Potter fizera há mais de 16 anos atrás!

- Tens consciência do que irás fazer, Harry? – A voz grave de Anúbis soou atrás de si – Sabes o que irá acontecer a partir do momento em que atravessares aquele portal.

Harry olhou por cima do ombro, sem parar de andar, e sorriu levemente para Anúbis.

- Estou disposto a qualquer coisa. Não deixarei que o meu pai morra de novo.

- Mesmo que para isso tenhas de sacrificar a tua vida?

Harry apenas assentiu com a cabeça. No seu íntimo, sentia o desespero de Ginny, ao longe, como se fosse uma memória distante. Custava-lhe fazê-la sofrer assim, mas não tinha outra jeito… não iria recuar na sua decisão. Podia até imaginar a voz de Ron a reclamar contra a sua maldita nobreza e de Hermione a repreendê-lo por ter tomado uma decisão impensada. Os seus olhos focaram o chão e uma grande tristeza provocou-lhe um aperto no peito. Provavelmente nunca mais os veria e tinha pena de deixar a sua vida sem pegar ao colo, pelo menos uma vez, em Helena.

Anúbis observava o seu protegido em silêncio, sentindo na sua mente, cada um dos pensamentos do moreno. O deus-chacal não tinha permitido que ele usasse novamente os seus poderes para dar vida a James Potter, mas concedera-lhe uma oportunidade para ele salvar o pai, a qual ele aceitara sem recuar uma única vez. Tinha de admitir que aquele mortal tinha fibra moral e uma coragem ainda maior. Não duvidara disso uma única vez, desde que lhe pesara a psicostasia, alguns meses atrás… eram raras as vezes em que vira um coração tão carregado de fortes sentimentos positivos, como a amizade e o amor. Tinha sido naquele momento que Anúbis compreendera porque Horus o tinha escolhido!

Prosseguiram por aqueles estranhos corredores, sombrios e húmidos, durante mais alguns minutos, até que Anúbis colocou a sua mão no ombro de Harry. Este encarou o deus sem entender o porquê de terem parado, mas logo viu todas as suas dúvidas desvanecerem. Uma linha horizontal, que emitia muita luz, surgiu acima da cabeça de Harry, na parede ao seu lado, e foi-se alargando, na direcção do chão, dando lugar a uma espécie de portal. Do outro lado não se avistava nada… apenas aquela luz quente e aconchegante.

- É a tua última oportunidade, Harry! A partir daqui não te acompanharei mais e estarás sozinho na tua missão!

Harry fez um sinal afirmativo com a cabeça. Não iria desistir agora que estava tão perto, mesmo que tivesse de ficar perdido naquele lugar para sempre.

- Obrigada, Anúbis! Eu continuarei sozinho então.

O deus fez uma leve vénia com a cabeça, confirmando que aceitava a sua decisão, e desapareceu da vista de Harry, sem dizer uma única palavra, deixando-o sozinho, prestes a atravessar o portal do mundo dos mortos.



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Demorou alguns minutos até que Ginny se apercebesse do que realmente acontecera e outros tantos até que conseguisse esboçar alguma reacção. Sem querer acreditar no que os seus olhos viam, deixou-se escorregar até ao chão, colocando a mão sobre a boca, para tentar parar aquela náusea que tomara conta dela. Harry! A sua mente gritava que ele não podia estar morto… o seu coração dizia que ele estava vivo, mas os seus olhos desmentiam tudo isso. Percorreu com a sua visão, agora embaçada devido às lágrimas, a enfermaria, esperando desesperadamente que alguém desmentisse o que os seus pensamentos lhe faziam crer.

Madame Pomfrey, que socorria James, naquele momento, ficara estática, indecisa sobre quem socorrer primeiro. No instante seguinte, começou a correr de um lado para o outro, auxiliada por Dumbledore que, apenas com um aceno de varinha, tinha colocado o seu ex-aluno numa cama, ao lado da de James.

A alguns metros dali, Remus continuava a segurar Lily, que enterrara a cabeça no peito do amigo. Dos olhos desta, grossas lágrimas brotavam, escorrendo pela sua face pálida, e da sua boca soltou-se um grito… cheio de desespero de sofrimento… o grito de uma mãe que sentia que acabara de perder o seu filho e o seu marido. Remus apenas a abraçou com força, tentando transmitir-lhe algum conforto que ele próprio desejava ter, nesse momento.

- O meu bebé, Remus…. – A voz de Lily saia num sussurro, sufocada pelos soluços – … o James, o Harry… eles não podem… não podem estar…

As pernas de Lily fraquejaram, os seus olhos fecharam e, não fosse Remus estar a segurá-la, ela teria desmaiado no chão. Mas talvez fosse melhor assim… Lily não estava em condições de aguentar aquela cena. Com cuidado, o professor de DCAT colocou-a num sofá ali perto e sentou-se ao lado dela, enterrando a cara nas mãos.

Ginny permaneceu no chão. A força parecia tê-la abandonado e era incapaz de controlar as lágrimas que escorriam em abundância. Foi então que sentiu uma mão pousar no seu ombro e levantou os olhos encontrando o azul dos de Dumbledore, que haviam perdido o brilho que tanto os caracterizava. Tentando encontrar forças, Ginny levantou-se e caminhou na direcção do namorado, pegando na sua mão.

- Harry, diz-me que estás só a dormir! – A sua voz trémula transmitia todo o seu desespero. Parecia a de alguém que iria enlouquecer se não lhe dissessem imediatamente que tudo aquilo não passava de uma enorme brincadeira de mau gosto.

Remus dirigiu-lhe um olhar penalizado. Tirando Lily, que permanecia desmaiada, Ginny era provavelmente a pessoa que mais estava a sofrer naquele momento, mas Remus sentia que nenhuma pessoa ali poderia jamais consolá-la.

Aquele foi o momento mais longo de que todos ali tinham memória. Quando Madame Pomfrey parou e olhou tristemente para eles, antes de focar os seus olhos no chão, todos sabiam que o pior tinha acontecido. Ginny soluçava cada vez mais e o seu peito parecia prestes a explodir, de tão rápido que o seu coração palpitava. Abraçou-se a Harry, deixando que as suas lágrimas molhassem a camisa dele, como uma criança desamparada que precisa urgentemente de colo.

NÃO! A sua mente gritava novamente. Aquilo não poderia ter acontecido! Simplesmente Harry não poderia ter morrido! Finalmente percebia o porquê de sentir uma urgência em encontrar Harry, mais cedo nessa noite. Ela queria vê-lo pelo menos uma última vez! NÃO, NÃO, NÃO! O seu coração continuava a dizer-lhe que tudo aquilo não era o que parecia ser.

Dumbledore aproximou-se dela e soltou-a de Harry, envolvendo-a entre os seus braços. Apesar do conforto do abraço daquele idoso de barbas brancas, Ginny sentia-se mais perdida do que nunca. Não tinha forças para reagir e muito menos envergonhar-se de chorar. Por isso não se mexeu, chorando nos braços do ex-director e tentando, de alguma forma, diminuir a dor e o sufoco que lhe apertavam o peito. Apenas um pensamento lhe ocupava a cabeça naquela hora: de repente iria acordar e perceberia que tudo aquilo não tinha passado de um pesadelo… o pior de toda a sua vida!



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A Sala Comum de Gryffindor estava muito calma àquela hora da noite. A maioria dos alunos já se tinha recolhido aos seus dormitórios e apenas aqueles que resistiam à vontade de atirar os livros na lareira ocupavam o local. Os Marotos e os gémeos, aqueles que costumavam causar o maior tumulto, estavam estranhamente quietos, para quem não parava de aprontar durante um minuto. Fred e George tinham encarado como um ataque pessoal o atentado contra a vida de um dos seus ídolos e, volta e meia, alguém os apanhava a conspirar contra Peter Pettigrew. Várias vezes fora precisa a intervenção de Hermione, Lily ou Remus para que eles não fizessem nada.

James conseguira finalmente juntar-se aos Marotos, depois de uma conversa séria com Lily, sem ter vontade de sair à porrada com Peter. Agora eles juntavam-se a um canto da Sala Comum, planejando também algo, em voz baixa, provavelmente a aventura da próxima lua cheia.

Hermione estava sentada no sofá junto da lareira, a ler um livro, enquanto Ron tinha adormecido com a cabeça no colo da namorada, a ler o dele. Ao constatar esse facto, Hermione apenas revirou os olhos e continuou a sua leitura, concentrando-se na tradução de Runas Antigas para a aula seguinte. Os restantes alunos iam desaparecendo aos poucos, até que ficaram só os dois, à espera que os amigos chegassem.

O cansaço começava a tomar conta de Hermione e a vontade de subir a escadaria para o seu dormitório era muita. Mas a preocupação com Harry e Ginny impedia-a de conseguir pregar olho.

- Estás linda, Mione!

Hermione piscou os olhos várias vezes, tentando perceber se não estava a sonhar. De onde viera aquela frase?! Olhando para baixo deparou-se com Ron, ainda a dormir, com o sorriso mais feliz do mundo e um ar abobalhado. Não pôde deixar de sorrir também. Ron era uma fofura assim a dormir, tranquilo e pacífico, sem aqueles ataques de ciúmes e de fúria.

- ONDE É QUE ELE ESTÁ!

Hermione pensara cedo de mais. Ron abriu os olhos de repente e sentou-se erecto, olhando para todos os lados à procura de alguma coisa.

- Onde está o quê, Ron?

O ruivo dirigiu um olhar confuso a Hermione e soergueu as sobrancelhas em interrogação. Depois de se sentar ao lado de Hermione e passar um braço por cima dos ombros dela, trazendo-a para junto de si, Ron soltou um suspiro de alívio, ao constatar que as suas preocupações não tinham fundamento, já que tudo não tinha passado de um sonho. Com um sorriso a formar-se nos lábios, beijou-a carinhosamente, como que a tentar provar a si mesmo que ela estava mesmo ali e era a sua namorada.

- Ufa! Por uns momentos pensei que me tinhas trocado pelo Vitinho!

Hermione revirou os olhos novamente. Por mais tempo que passasse e por mais que garantisse que apenas era amiga de Victor Krum, Ron sempre iria nutrir aquele ciúme pelo seeker búlgaro. Mas a preocupação que surgiu novamente foi mais forte do que a vontade de discutir com Ron.

- Eles estão a demorar, não é? – Ron sabia muito bem ler os sentimentos de Hermione e apercebera-se imediatamente da inquietação dela. Noutro momento qualquer, Ron iria começar a dar uma de irmão mais velho super-protector e querer perseguir Harry e Ginny por todo o castelo para “defender a honra de Ginny”. No entanto, também ele estava preocupado com o melhor amigo e com a irmã mais nova. – Achas que os devemos ir procurar?

Hermione não teve tempo de responder. O buraco do retrato abriu-se, dando passagem a duas pessoas. A mais alta parecia amparar a mais baixa, cuja face era escondida por uma vasta cabeleira ruiva. O coração da monitora de Gryffindor disparou rapidamente, ao se aperceber que Ginny chorava compulsivamente e que o Professor Lupin seguia ao lado de Ginny, cabisbaixo e com os olhos avermelhados.

Num pulo, Ron deu rápidas passadas até junto da irmã, abraçando-a num gesto protector.

- O que aconteceu, Ginny! – Ron começava a desesperar, ainda mais por Ginny não conseguir dar-lhe uma resposta – Fala comigo Ginny!

Hermione aproximou-se e encarou o professor de DCAT, aguardando ansiosamente uma explicação da parte dele. Mas esta não veio. Ele apenas encarou o chão e, antes de sair, apenas disse:

- Cuidem da Ginny. Ela vai precisar que vocês sejam fortes!

Aquelas palavras caíram como uma tempestade de pedras sobre as cabeças dos dois Gryffindors. Hermione trocou um olhar receoso com Ron, enquanto este segurava o queixo de Ginny, forçando-a a encará-lo.

- Ginny, preciso que me contes o que aconteceu!

Ginny abriu com esforço os olhos inchados e, com mais esforço ainda, abriu a boca para falar. Cada vez que tentava dizer uma palavra, um soluço se escapava. Apenas uma palavra foi perceptível… uma palavra que teve todo o significado para Ron e Hermione.

- Perdi-o!



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James tinha atravessado o portal que emitia luz, na esperança de que aquela fosse a saída de regresso para junto da sua família. Mas, mal transpôs aquela passagem, constatou imediatamente que deveria ter optado por voltar para trás e seguir as vozes, que se haviam calado entretanto. Aquele novo lugar era completamente branco e não se conseguia avistar nada. Para onde quer que olhasse, não via nada a não ser branco… nem paredes, nem chão, nem tecto… parecia estar preso no meio do nada. Fechou os olhos com força e contou até três, esperando estar a imaginar coisas. Quando voltou a abri-los, o cenário tinha mudado.

À sua volta estendia-se um jardim… o mesmo que usara na sua infância para passar tardes a jogar Quidditch com os seus amigos. Atrás de si erguia-se a imponente mansão Potter, em Godric’s Hollow. Mas havia algo de diferente que James rapidamente reparou. Não se avistavam as casas dos vizinhos e a sua parecia estranhamente desfocada pelo nevoeiro. Não havia Sol e o céu era completamente branco, estendendo-se além do horizonte.

- Jamie! – Uma voz feminina soou atrás de si, demasiadamente conhecida… afinal só uma pessoa o tratava pelo diminutivo e já não era assim chamado há muitos e muitos anos.

O seu coração batia apressado, enquanto se virava. Os seus olhos depararam-se com uma mulher à volta dos seus cinquenta anos. Os cabelos ruivos desta apresentavam algumas mechas grisalhas e pequenas rugas formavam-se na pele macia da sua doce face. Usava o seu avental preferido, que James se habituara a ver nela todos os dias. Ela sorria-lhe e abria-lhe os braços.

- Mãe! – A sua voz saiu num sufoco, enquanto cedia ao abraço de Emily Potter. Sentira a falta daquele abraço todos os dias da sua vida e do modo como ela acariciava os seus cabelos rebeldes. – Quer dizer que eu estou morto?!

- Não, James! – Outra voz apareceu, desta vez masculina, também esta muito conhecida. James mal podia acreditar que estava reunido com os seus pais de novo. – Estás preso algures entre a vida e a morte, sem estar verdadeiramente vivo, ou verdadeiramente morto. Este lugar… – Richard Potter apontou à sua volta – … faz parte das tuas memórias.

Depois de se libertar dos braços da mãe, James não resistiu a abraçar o pai também. Nos olhos de Emily brilhavam lágrimas de emoção por ver pai e filho juntos, como nos velhos tempo. Mas as suas leves rugas também se intensificavam, como sempre acontecia quando estava preocupada.

- Quer dizer… – continuou James – … que vocês estão presos aqui também?!

Richard abanou a cabeça negativamente.

- Não! Nós apenas estamos aqui porque fazemos parte das tuas memórias. Estamos aqui para te ajudar a decidir que caminho queres seguir.

Richard apontou para um ponto distante, onde se abriam dois portais. O da direita, James tinha a certeza de ser o mesmo por onde tinha entrado. O outro dava acesso ao que parecia ser outro jardim. Entre estes dois, abriu-se ainda um terceiro, mas este era ainda mais estranho do que os outros. Dele aparecia uma imagem do planeta Terra, visto do espaço.

- O da esquerda dá acesso ao lugar para onde partem aqueles que não temem a morte. – Explicou Emily, esticando-se para colocar um braço em torno dos ombros do filho, muito mais alto do que ela – É onde eu e o teu pai estamos! O da direita manda-te de volta para o lugar de onde acabaste de chegar. O portal do meio é para aqueles que temem a morte… para aqueles que querem regressar à Terra numa condição de não-vivos.

James considerou as palavras da mãe. Excluiu logo o portal central. Nunca temera a morte e não pretendia tornar-se um fantasma. Sabia que o portal da direita era o único caminho para se manter vivo, mas não lhe agradava a ideia de ficar perdido, para sempre, naquele lugar, onde apenas ouvia vozes distantes e via as suas memórias. Se seguisse pelo portal da esquerda, iria ficar na companhia dos seus pais, mas seria um caminho sem regresso… deixaria Lily sozinha, nunca mais veria as pessoas que amava e não conheceria, jamais, a sua filha. Era um dilema muito grande! O da direita ou o da esquerda?

- Pensa o tempo que precisares, Jamie… nós temos toda a eternidade para esperar pela resposta!

James sorriu divertido para si próprio… aquela era a sua mãe, sem dúvida… tal como ele se recordava dela. Talvez não fosse tão mau assim seguir pelo portal da esquerda, afinal não iria ficar sozinho! Olhou uma vez mais para a mãe e para o pai e depois fixou o olhar no portal da esquerda. Os seus pés começaram a dirigir-se com confiança para o seu destino mas, a alguns metros de atravessar o portal, uma mão pousou no seu ombro. Num momento, pensou que seria o seu pai, porém não era. Uns olhos intensamente verdes brilhavam para ele… os olhos de Lily, que ele tanto amava… não, não era Lily que ele via!

- Não estás a pensar abandonar-nos, não é? – Um sorriso maroto brincava nos lábios de Harry – Já imaginaste… deixar o Sirius ensinar a Helena a ser uma Marota?! Ele não tem competência para tanto! Muito menos o Remus!

- Harry! O que estás aqui a fazer? – Não foi preciso Harry responder, logo James percebeu tudo – Não podes fazer isso, Harry! Tens de voltar imediatamente!

Harry não ligou para o medo nos olhos do seu pai. Pelo contrário, ele virou-lhe costas e encaminhou-se até aos avós paternos, dando-lhe um sorriso enorme. Emily não hesitou em dar o mesmo tratamento ao único neto, que reservava para o filho, apertando-o num forte abraço. Richard, por seu lado, apenas o observou orgulhoso, antes de dirigir o mesmo olhar para James, piscando-lhe o olho.

Foi aí que James decidiu! Tinha de voltar… não podia deixar a sua família agora, eles precisavam de si… tinha de regressar, nem que tivesse de voltar para o labirinto. Ele iria conseguir… agora tinha confiança nisso. Harry aproximou-se dele mais uma vez, seguido dos avós.

- Então? Vais voltar?

- Só se vieres comigo, Harry!

Harry teve de usar todas as suas forças para concordar com a cabeça. Custava-lhe mentir para o pai. Richard pareceu ler-lhe os pensamentos, pois colocou-lhe uma mão no ombro do neto.

- Estou muito orgulhoso de ti, Harry! Não poderia ter tido um neto melhor! Gostei de te conhecer finalmente! – Fingindo uma cara de tristeza, completou – Não vou ter a equipa de Quidditch que pedi ao teu pai… mas pronto, sempre já são dois. – Agora com uma expressão marota, voltou a dirigir-se a James – Mas ainda estás a tempo, filho!

Entre as risadas de James e Harry, Emily dirigiu um olhou irritado ao marido, que logo se calou. Era impressionante… mesmo depois de mortos, a sua mãe ainda conseguia exercer aquele jeito autoritário dela sobre o pai, de modo a deixá-lo quietinho.

- Está na hora de ires, meu filho! – Emily deu dois passos na direcção de James, colocou as mãos sobre a sua face e esticou-se para lhe beijar a testa, antes colocar os braços em torno da cintura dele – Um dia voltaremos a encontrar-nos… mas ainda não chegou a tua hora, tal como não tinha chegado há dezasseis anos atrás.

Richard também se adiantou até ao filho e deu-lhe uma palmada no ombro.

- Quero que saibas que temos muito orgulho de ti, do homem em que te tornaste.

James olhou tristemente para os pais. Não queria voltar a despedir-se deles, mas sabia, porém, que estava na hora de regressar para junto da sua família.

Harry observou o pai a despedir-se dos seus avós. Queria também despedir-se do pai, mas sabia que ele, jamais, regressaria se soubesse que Harry não poderia voltar com ele. Era melhor assim!

- Vens Harry?

A pergunta de James fez Harry acordar dos seus pensamentos. Sorrindo-lhe, Harry acenou afirmativamente.

- Já vou, pai! Só vou ficar aqui mais um pouco, a apreciar a companhia dos meus avós. Eu vou já atrás de ti.

Harry viu o seu pai dirigir-se à porta e, mal a atravessou, tudo começou a dissipar-se à sua volta. Ainda teve tempo de ver os seus avós a dizerem-lhe adeus, antes de tudo voltar ao estado original, naquela sala completamente branca. A sua dúvida agora era: o que aconteceria a seguir. Iria ter de optar também por um caminho, ou Horus iria exigir, de uma vez por todas, que Harry aceitasse juntar-se a eles?

A sua resposta chegou com a aparição de Anúbis ao seu lado. Ele apresentava uma expressão de satisfação, que deixava os seus afiados caninos à mostra.

- Fizeste um bom trabalho, Harry! Estou orgulhoso!

Harry suspirou e voltou-se para o deus egípcio, aguardando ansiosamente que ele ditasse o seu destino.

- E agora?

- Agora nada! Vais regressar também!

Uma expressão de surpresa surgiu na face de Harry. O combinado tinha sido que Harry teria a oportunidade para convencer o pai a optar pelo caminho que o levava de novo à vida, mas que, para isso, teria de sacrificar a sua. Harry não tinha hesitado em aceitar essa proposta e não receava a sua morte. A sua sobrancelha ergueu-se e ele encarou Anúbis sem entender. Este, vendo a confusão do moreno, apressou-se a explicar.

- Não achavas que Horus iria deixar-te morrer, não é? Isto foi apenas um teste ao teu coração. – O seu sorriso orgulho intensificava-se – E tu passaste no teste!

O coração de Harry palpitava no seu peito, sem querer acreditar no que ouvia. Não estava morto… iria voltar. Ao perceber finalmente as palavras de Anúbis, um sorriso radiante formou-se na sua boca e, se aquele homem-chacal não fosse um deus tão frio, com certeza lhe teria dado um abraço.

- Acho que está na hora de partires, jovem Harry!

Fazendo um gesto por cima da cabeça de Harry, Anúbis fez o encantamento que permitia levá-lo de volta. Harry viu tudo a escurecer, até que atingiu a escuridão total! No instante seguinte, sentiu que estava deitado nalgum lugar, de olhos fechados e ouvia vozes exaltadas à sua volta.

- JAMES!!!! – Aquela era a voz da sua mãe. E pela surpresa dela, o seu pai já devia ter regressado. Queria abrir os olhos também, mas ainda não tinha forças para isso, dada toda a energia que tinha usado para invocar o poder de Horus. – ESTÁS VIVO!!!!

- Calma, Lily… eu estou bem! O Harry já regressou?! – Agora era James quem falava, parecendo ter recuperado toda a sua energia.

Pôde ouvir a sua mãe começar a chorar compulsivamente e podia até imaginar a cara o seu pai ao observar Harry deitado na cama, sem ter dado sinais de vida.

- AQUELE MENTIROSO… ELE DISSE-ME QUE…. AIIIII! – Pelos vistos James tinha tentado levantar-se, mas o ferimento fê-lo mudar de ideias.

- James, peço que se acalme! – Dizia uma voz nasalada, que parecia ser a de Madame Pomfrey – O seu ferimento ainda não fechou completamente.

- Acalmar-me, Poppy?! ACALMAR-ME?!

Harry ouviu passos a aproximarem-se de si, enquanto James continuava a discutir para se levantar e Lily continuava a chorar. Sentiu também que alguém se aproximava do seu ouvido.

- Está na hora de acordares, Harry! Não tinha ideia que eras tão preguiçoso para te levantares. – A voz de Dumbledore parecia ligeiramente divertida, mas, acima de tudo, aliviada.

Esforçando-se para abrir os olhos, viu as duas íris azuis de Dumbledore a observarem-no e sorriu para o ex-director. Ajudado por este, Harry sentou-se na cama, enquanto via que os seus pais estavam agora abraçados um ao outro, sem se darem conta de que ele tinha acabado de acordar.

- Não precisam chorar de emoção! Não se vão livrar de mim!

James e Lily olharam nos olhos um do outro, antes de se voltarem para Harry. Este exibia um sorriso maroto, que demonstrava o tom divertido com que dissera a frase. Não tinham passado nem dois segundos desde que falara e Harry já se via envolvido por quatro braços, enquanto ouvia Madame Pomfrey reclamar com James de que deveria voltar a deitar-se. Lily continuava a chorar, mas agora era de alegria e nada a fazia largar o seu “bebé”.

- Desculpa o susto que te preguei, mãe, mas não tinha outro jeito!

Lily negou com a cabeça, como que dizendo não era necessário desculpar-se. Afastou-se alguns centímetros, para olhar a face de Harry entre as suas mãos, tentando certificar-se de que ele estava inteiro.

- O importante agora é que vocês os dois estão aqui! – Disse ela olhando também para James.

James cambaleou um pouco, mas logo se sentou na cama de Harry, beijando os lábios de Lily. Estavam reunidos de novo e nada importava agora. Tudo estava certo!

Dumbledore observou a reunião da família Potter, novamente. Sentiu que aquele momento era só deles e que estava na hora de sair de cena. Sorriu tristemente ao pensar que aquele cenário deveria ter existido, desde o princípio… que aqueles três deveriam ter estado juntos todo aquele tempo. Olhou para Madame Pomfrey que parecia pensar o mesmo que o ex-director. Sem precisarem trocar alguma palavra, os dois dirigiram-se até ao fundo da enfermaria, a enfermeira para o seu escritório e Dumbledore para a porta de saída, deixando sozinha a família Potter unida e feliz.



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Mais um dia de buscas… mais horas que se perdiam, enquanto o inimigo ganhava terreno e juntava aliados. Os aurores novos e sem experiência tinham sido enviados para missões, na caça de fugitivos de Azkaban, ou outras coisas de menor importância como proteger o ministro. Aqueles que realmente eram bons, mas que, em contrapartida, poderiam ser considerados perigosos para o Ministro, estavam fechados no Quartel-General, principalmente desde o recente ataque a Hogsmead, a realizar trabalho burocrático que nunca mais acabava.

Sirius suspirava pela décima vez no espaço de cinco minutos, ao mesmo tempo que lançava um dardo numa foto de Snape pendurada na porta do seu gabinete. Na secretária do lado, Frank dava um bocejo ao acabar de preencher mais um relatório. Ambos estavam demasiado preocupados com James para conseguirem concentrar-se devidamente no seu trabalho, para além da irritação que sentiam pelo facto do ministro não ter reconhecido publicamente que o ataque a Hogsmeade tinha sido arquitectado por Voldemort.

Sirius Black nunca fora, em jovem, o que poderia chamar-se de um homem responsável. Trocava de namorada de semana a semana, chegava até a andar com duas e três ao mesmo tempo, nunca se dignava cumprir as regras da escola e não se interessava minimamente por estudar, mesmo que as suas notas fossem excelentes. Mesmo depois de se tornar auror, nunca abandonava o seu espírito Maroto numa missão. Talvez tenha sido isso mesmo que o salvara muitas vezes de uma morte certa.

Apenas tinha abandonado esse espírito durante os doze anos que ficara trancado em Azkaban e durante os outros três em que fora perseguido pelos Dementors. Por vezes, quando estava na companhia de Harry ou Remus, deixava escapar um vestígio ou outro do homem que fora um dia. Ao regressar à vida, meses atrás, toda a sua antiga personalidade voltara em força e o velho Sirius Black mostrou-se finalmente.

Agora, pela segunda vez na sua vida, Sirius deixava de ser Padfoot, o Maroto, e tornava-se um Sirius quieto, calado e receoso pela vida do seu melhor amigo. Quando saíra de casa de madrugada, para cumprir o seu turno no Quartel-General, Marlene tinha acabado de receber uma carta, mas Sirius não chegou a saber o que era. Apenas a viu dirigir-se à lareira, pegar em pó-de-flu e enfiar a cabeça no meio das chamas, antes dele desaparatar em direcção ao Ministério.

- Chega! Não aguento mais! – Protestou Sirius, fazendo Frank dar um pulo na cadeira – Vou para casa, Frank!

Frank Longbottom encarou o amigo, inicialmente boquiaberto. Eram raras as vezes que se via Sirius Black impaciente daquele jeito. Mas depois fez-lhe um sinal afirmativo com o polegar.

- Sem problema, Sirius! Eu seguro as pontas aqui, até de manhã!

Após despedir-se de Frank, Sirius caminhou a toda a velocidade pelos corredores do ministério, até à zona de aparatagem, para chegar o mais depressa possível a casa. Algumas horas atrás, um mau pressentimento tinha tomado conta dele, que ele tinha a certeza de estar relacionado com a carta que Marlene recebera, e não conseguia esperar pelo final do trabalho para regressar.

Ao aparatar no meio da sala, encontrou-a silenciosa e escura. Isso era o normal, dado que Marlene estaria a dormir àquela hora. Mas um choro silencioso veio de um sofá da sala. Com a sua varinha iluminou a sala e deparou-se com Marlene sentada lá, a segurar um lenço na mão, enquanto limpava as lágrimas que escorriam. Porém, nos seus lábios, existia um sorriso de felicidade… um sorriso radiante e iluminado.

Sirius ajoelhou-se na frente dela e segurou-lhe as mãos, com o coração a bater cada vez mais rápido.

- O que aconteceu, Lena?

Marlene inclinou-se para a frente, abraçou-o e, com uma voz sussurrada, disse-lhe ao ouvido, apenas as palavras que Sirius tanto desejava ouvir.

- Parece que sempre existe Alguém lá em cima! Um milagre aconteceu!



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Depois de cerca de uma hora a tentar discutir com Madame Pomfrey que estava bem e que tinha de regressar à torre de Gryffindor, onde tinha uma ruiva para consolar, Harry conseguira finalmente livrar-se da enfermeira. Não pôde deixar de sorrir ao lembrar-se da expressão de indignação e dos protestos proferidos pelo seu pai, ao constatar que Harry iria sair e ele teria de permanecer na enfermaria durante mais alguns dias.

Os corredores de Hogwarts estavam escuros e silenciosos e nenhuma vivalma era avistada agora. Era tarde… todo o castelo deveria estar agora a dormir… bem, talvez excepto alguns Gryffindors. Ao chegar ao quadro da Dama Gorda, esta deu um gritinho e sorriu-lhe aliviada.

- Que bom vê-lo com saúde, Senhor Potter! Palavra-passe?

- Barretinhos Vermelhos.

O quadro deslocou-se deixando à vista a entrada da Sala Comum de Gryffindor. Harry esperava encontrar a sala vazia àquela hora, ou talvez encontrar apenas Ginny, Ron e Hermione. Mas nada o preparou para o que viu. Um grupo considerável de pessoas estava ali: os seus colegas de ano, incluindo os do passado, Ginny e até algumas amigas da sua namorada. Todos eles estavam com caras de enterro e não se ouvia nenhum som, para além dos soluços de Ginny, Hermione e Lily. Apesar de sentir remorso pelo sofrimento deles, Harry não pôde evitar que um sentimento reconfortante enchesse a sua alma, por tanta gente ter sentido e sofrido com a sua suposta morte.

- Hem hem! – Harry fez uma imitação perfeita de Dolores Umbrigde, pelo que alguns pularam de susto. Porém, as suas expressões face à imitação da ex-professora, em nada se compararam às caras deles quando perceberam de que era Harry quem ali estava. – O que foi? Parece que viram um fantasma!

E de facto, eles estavam a ver um, dado que todos achavam que Harry tinha morrido. Ficaram todos estáticos a olhá-lo boquiabertos. Ginny foi a primeira a reagir. Atirando para o lado o irmão que a abraçava, ela correu até Harry, para se atirar no pescoço dele, quase o derrubando.

- Nunca… mais… me pregues… um susto… destes…. – Dizia Ginny enquanto beijava Harry, deixando que algumas lágrimas de felicidade escorressem pela sua face.

Enquanto beijava apaixonadamente Ginny, Harry não deu conta de que todos se começavam a tocar do que realmente estava a acontecer e começavam a levantar-se na direcção do casal. Apenas se apercebeu quando ouviu a voz de Fred… ou George, não sabia qual:

- MONTINHO NO HARRY!!!!

Quando deu por si, Harry estava soterrado no meio dos seus amigos. Mesmo que quase tivesse sufocado com tanto peso, não poderia sentir-se melhor. O seu pai estava vivo… iria recuperar em breve, segundo Madame Pomfrey, e, agora, Harry estava reunido com todos os seus amigos, que festejavam o facto de ele estar vivo. Agora, mais do que nunca, Harry sentia que nunca voltaria a estar sozinho no mundo, porque tinha o amor incondicional de tantas pessoas que se preocupavam com ele… a sua família… os seus amigos… Ginny! Todas aquelas pessoas que ele amava!





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Nota de Autora: Agora já não têm motivos para me querer matar!!! Hehehe! Acharam que eu ia matar o meu Harryzinho? Ou o Jamezito? Nem pensar… pelo menos para já… até ao final da história posso mudar de ideias… *Guida invoca um Protego antes que a atinjam com um Cruciatus*

Antes de mais peço desculpa pelo atraso em colocar o capítulo (isto está a virar hábito, rs)... eu sentia-me culpada cada vez que lia alguma mensagem no orkut a pedir que colocasse o restante capítulo. Eu realmente queria colocar um trecho um pouco mais feliz, para acalmar a vossa angústia... porém, qualquer parte menos sombria deste capítulo, denunciaria o que eu queria fazer! Nunca senti tantas emoções juntas num capítulo só... é sério! Eu chorei, ri, fiz caretas (que deviam ser por demais engraçadas, porque o meu irmão, cada vez que entrava no meu quarto começava a abanar a cabeça negativamente e ria-se na minha cara)...

Mais uma vez não vou poder responder comentário por comentário. Vim aqui a correr, porque daqui a duas horas tenho a minha última prova e depois.... FÉRIAAAAAAAAAAAAAAAS!!!! As tão aguardadas férias! Praia.... aqui vou eu!

Agradeço a todos os que comentaram, que votaram, a todos os que tiveram a paciência de ler, mesmo que não tenham comentado ou que não tenham gostado da fic. Um grande OBRIGADA a todos vocês!

Despeço-me de todos…até à próxima vez… até lá, não se esqueçam: Comentem!

Bjocas grande,
Guida Gryffindor Magid (ou simplesmente Guida Potter).


PS: Esqueci de dizer! Eu já li Deathly Hallows! Tal como seria de prever dada esta história, o desenlace não terá nada a ver com o final que JK Rowling deu à saga Harry Potter. Só queria dizer que o final desta fic foi planeado antes mesmo dela começar a ser publicada, pelo que não pretendo mudar nada do que tinha em mente e, nem morta, pretendo abandoná-la!

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