Uma Virada do Destino



Uma Virada do Destino
Hinge of Fate
Autora - Ramos
Tradução - Clau Snape
Beta reader - Bastetazazis
Disclaimer: Estes personagens são de propriedade de J.K. Rowling. Nenhum lucro foi obtido pelo seu uso.
Cap. 20
Sumário: A batalha final, para Severo e Harry.




Ajoelhado na grama, Severo Snape estava meramente ciente do gotejar úmido em seu melhor par de calças e as pedrinhas o lembravam que suas juntas tinham quase quarenta anos e não estavam felizes com esse tipo de tratamento rude. Entretanto, isso não tinha importância, porque sua esposa estava viva e sustentada contra seu peito, com seus braços em torno dela. Ele não tinha nenhum plano de deixá-la ir a qualquer lugar num futuro próximo. De fato, se Severo fizesse do seu jeito, ele e Hermione voltariam para o antigo chalé de Dumbledore e não sairiam de lá até que seu filho recebesse a carta de entrada em Hogwarts.

Essa pequena ilusão, e ele sabia que era uma ilusão, foi quebrada pela aparição de Gina Weasley. Ela usava suas vestes de gala para a cerimônia de formatura de seu namorado e irmão, mas a espada em sua mão e a fênix em seu braço eram indicações de que a cerimônia não iria acontecer sem um obstáculo. O anúncio do ataque de Voldemort era meramente a cobertura amarga no bolo que fora o dia.

- Eu nunca teria encontrado vocês se Fawkes não tivesse me mostrado onde Aparatar - Gina dizia enquanto jogava um braço em torno do pescoço de Harry e o beijava rapidamente. - Dumbledore a pôs sobre meu braço imediatamente antes de sair para se encontrar com Você-Sabe-Quem!

- Como que Voldemort entrou no castelo? - Lupin perguntou urgente.

- Eu não sei! Os diretores das casas apenas disseram para nós, os monitores, para levar todos para uma porta com alçapão no terceiro andar enquanto eles se preparavam para defender o castelo. - A narrativa de Gina hesitou por um momento quando percebeu o corpo de Lúcio Malfoy esticado na grama verde, mas recuperou-se rapidamente. - O Professor Dumbledore chamou-me de volta no último momento e me deu a espada. Disse que Fawkes me ajudaria a encontrá-los.

Com a menção de seu nome, a fênix arqueou o pescoço, examinando todos ali. Seus olhos pretos pequenos e brilhantes iluminaram-se em Hermione e ela espalhou suas asas rubras deslizando no solo a seu lado.

- Nós temos que voltar agora mesmo - declarou Harry. Ele pegou a espada de Gina e a levantou firmemente em sua mão. - Eu acho que o Malfoy pode ter pego Hermione apenas para me afastar da escola.

- Não, eu não acho que foi idéia do Malfoy - Lupin disse, balançando a cabeça enquanto sua testa enrugava com um pensamento furioso. - Ele estava rondando há semanas. Se bem que, eu acho que provavelmente Lúcio estava seguindo as ordens de Voldemort, e Voldemort o usou deliberadamente como um cavalo na ponta dos pés para nos atrair o mais longe possível de Dumbledore. No mínimo para distrair Harry e Severo.

- Quando o Lorde das Trevas trair seu servo mais leal - citou Sirius, seu rosto pálido em choque.

- A profecia - Severo concluiu assustadoramente. - E a primeira prioridade de Dumbledore será proteger os alunos. Ele mandará os professores e funcionários defendê-los e a escola, e confrontará Voldemort por si mesmo.

- Eu pensei que o Rabicho era seu servo mais leal - Hermione murmurou a Severo.

Despercebida pelos humanos em torno dela, Fawkes encolheu-se o mais perto possível de Hermione enquanto ela se reclinava no abraço de Severo e deitou a cabeça sobre o peito dela. Diversas lágrimas mornas e peroladas escorreram dos seus olhos e deslizaram abaixo do decote dela até pousarem sobre o coração. Até Hermione prestou uma rara atenção ao pássaro, ainda afagando-o distraidamente, embora sua respiração se tornasse mais leve e seu pulso diminuísse, retornando a uma cadência mais razoável. (Verdade seja dita, Fawkes ainda estava rancorosa que ninguém tivera o senso de deixá-la ir a ala hospitalar quando Severo Snape esteve perto da morte no ano passado. Mesmo uma fênix tinha dificuldade em mover-se através das paredes sólidas.) Toda a atenção de Hermione estava na discussão enraivecida entre o grupo de pessoas que estavam em torno dela.

- Malfoy estava desesperado para provar-se para Voldemort - Lupin indicou. - Eu diria que isso o qualifica para a profecia.

- Dane-se a profecia - disse Harry em voz alta, assustando todos. Uma luz feroz queimou em seus olhos verdes, e Hermione se arrepiou de medo com o tom determinado de comando. Sua voz estava mais profunda do que Hermione jamais notara, a força de sua convicção adicionava autoridade em sua voz. - Eu não dou a mínima para profecias, e eu não dou a mínima para Voldemort também. Eu vou enfiar esta espada dentro dele e farei o mesmo com qualquer Comensal da Morte que atravessar o meu caminho.

- Eu estou com você, companheiro - Rony disse. Lupin e Black foram rápidos para decidirem concordar.

Fawkes levantou a cabeça, considerando o jovem alto e magro com a espada na mão. Com um grito agudo lançou-se do chão e aterrisou no ombro de Harry. Surpreendido, Harry se esticou e coçou o pássaro delicadamente ao longo das penas do pescoço. Para o resto de sua vida, Hermione recordaria a imagem de Harry Potter de pé em suas vestes vermelhas de Quadribol com uma espada em uma mão e uma fênix de rabo dourado em seu ombro.

- Você vem conosco? - Harry perguntou a Severo, fazendo de algum modo que as palavras soassem como um convite.

- Sim. Naturalmente - Severo declarou após um momento. Quando Hermione quis agarrar nele e lhe pedir que ficasse, ela entendeu.

- Gina, eu quero que você fique aqui com a Hermione - Harry continuou.

Gina protestou imediatamente.

- Não! Eu quero ir com você! Deixe-o ficar! - Indicou Severo com um empurrão de sua cabeça.

Normalmente Hermione ficaria irritada com a suposição de que necessitava de ajuda, mas como atualmente ela estava tão fraca quanto um farrapo débil e sentia dores da cabeça ao dedo do pé, decidiu passar.

- Hermione levou um Avada Kedavra - Harry se opôs -, e você sabe que ela não pode aparatar. Alguém precisa ficar com ela, e você não é de jeito nenhum tão forte quanto o Snape é. Por favor, Gina! Não discuta!

- Por favor, Srta. Weasley - acrescentou Severo num tom de voz baixo. - Por favor, cuide dela. - A quieta súplica em sua voz aveludada a atingiu melhor que as ordens de Harry. Seu ombro caiu.

- Ah, está certo. Droga, Harry - ela amaldiçoou desoladamente. - Eu queria ir com você.

- Eu sei que você queria ir, Gina - Harry respondeu. - Eu te amo. - Gina murmurou algo, presumivelmente as mesmas palavras, enquanto Harry a beijou rapidamente. Em seu ombro, Fawkes deu um trinado impaciente que foi ignorado.

Hermione tirou os olhos do casal e encontrou os olhos escuros de Severo olhando diretamente nela. Por apenas um momento ela esqueceu de que estava com dor, esqueceu da batalha por vir que poderia matar seus amigos, esqueceu de tudo exceto do homem que a prendia em seus braços e lenta e, delicadamente, beijava sua boca como se fosse à possessão mais preciosa no universo.

- Eu te amo, Hermione - ele murmurou, sua voz era áspera com a emoção. - Não importa o que aconteça, lembre-se sempre que eu te amo com todo meu coração e alma.

- E eu amo você - ela sussurrou, lutando contra as lágrimas enquanto ele pressionava mais um beijo rápido em sua testa e se levantou. Enquanto ele se movia para se juntar aos outros homens, parou por um momento e colocou sua mão sobre o braço de Gina Weasley.

- Obrigado - ele disse simplesmente.

E com um coro de “pops” os cinco partiram, deixando Hermione e Gina sozinhas.




Diversos minutos depois que os bruxos desaparataram, Gina andava de um lado para o outro descontrolada, obviamente com uma raiva típica dos Weasley. Hermione permaneceu onde estava no chão, aconchegada à capa de Severo para confortá-la.

- Você, por favor, pode parar com isso - Hermione suspirou finalmente. - Você está me deixando tonta.

- Como você pode simplesmente ficar sentada? - Gina rebateu. – Eles se foram e nos deixaram para trás, e você sabe o quanto eu queria estar lá quando tudo acontecer!

- Sim, e eu gostaria de estar lá, também - Hermione lembrou a menina mais nova com sarcasmo. - Mas você tem que admitir que Severo pode superar você num duelo a qualquer hora.

Gina deixou-se cair de joelhos ao lado de Hermione e começou a puxar lâminas de grama do declive, rasgando-as selvagemente.

- Ah, por amor a Merlin, Hermione! Você tem que ser sempre assim tão terrivelmente prática? Esta será a maior batalha bruxa em cem anos, e nós estamos perdendo!

Isso ganhou uma sobrancelha levantada, estranhamente similar ao descaso característico do Snape.

- Pequena atrevida, você hein? Desde quando que todos vocês aprenderam a Aparatar?

- Inveja? - Gina perguntou, pontualmente. - Dumbledore pegou vários alunos do sexto ano e a maioria dos monitores e começou a dar aulas há alguns meses atrás. Eu ainda não estou Aparatando sozinha realmente, Fawkes fez todo o trabalho. Eu apenas fiz o feitiço.

- Eu tive que abandonar essa aula - Hermione disse com um fungar, friccionando distraidamente seu abdômen dolorido. - E aqui está você, conseguindo antes de mim.

- Bem, você não pode correr o risco de ser estrunchada pode? Não se preocupe logo você terá esse bebê, e depois você poderá ter todas as lições que quiser.

Hermione franziu o cenho e deslocou seu peso.

- Gina… Eu posso ter essas lições muito antes do que você pensa.

- O que você quer dizer? - Gina perguntou ausente, ainda triturando os pedaços miseráveis de grama e olhando fixamente para o prado infinito.

Hermione deu um pequeno suspiro quando a dor que tomava todo seu corpo e que a incomodava por algum tempo coalesceu abruptamente em suas costas.

- Eu acho que o trabalho de parto começou.

- O que!? Não, não pode ser. Não agora, pelo amor de Deus! Você não está na hora ainda!

- Eu tive uma manhã muito difícil! - Hermione tentou gracejar, mas a dor impediu-a, roubando sua respiração. - Ajude-me a sentar.

Gina fez como lhe foi pedido, mas soltou uma exclamação horrorizada quando moveu o casaco perto de onde as duas estavam sentadas.

- Hermione, você está sangrando!

Sentindo o tecido, então inspecionando sua mão, a menina mais velha agitou sua cabeça.

- Não é sangue. É líquido amniótico. Minha bolsa rompeu.

- Mesmo? Como é isso?

Hermione pausou quando a contração diminuiu lentamente.

- Parece como se eu tivesse me molhado sozinha

- E somente agora que você notou isso? - Gina demandou.

- Eu achei que a dor era apenas um efeito colateral do Avada Kedavra! - ela explicou. - Como vamos voltar a Hogwarts a tempo? O que eu estou dizendo... nós não podemos ir para Hogwarts, há uma batalha acontecendo lá. Eu nem mesmo sei onde nós estamos!

- Nós estamos em Gales, em algum lugar. O professor Dumbledore disse que eles pensavam que você fora levada para a Mansão Malfoy inicialmente, mas mesmo Lúcio Malfoy não é tão estúpido. Não era, eu acho - ela emendou, notando o corpo imóvel do Comensal da Morte recém falecido.

- Droga - Hermione amaldiçoou veementemente. - Bem, vamos começar. Eu posso ter este bebê em um hospital trouxa assim como em Hogwarts. - Com a ajuda de Gina, ela conseguiu se levantar, e prendeu o tecido úmido de seu vestido longe dela com repugnância. Ela deu alguns passos decisivos antes de observar que Gina não a seguia. - Então? Para que lado?

Gina mordeu seu lábio.

- Herm, eu não sei como dizer isto… nós estamos a várias milhas de qualquer vilarejo.

Hermione olhou fixamente para ela, apavorada, até que uma outra contração dobrou seu corpo.

Gina saltou para frente e envolveu um braço em torno dela.

- Diga o que você quer. Apenas deixe afastar você um pouco daqui - disse, com assentimento para o corpo que se encontrava na grama. - Vamos deixá-la confortável, e esperar para ver o que acontece. Minha mãe diz que leva tempo para ter um bebê. Alguém pode ser obrigado a voltar até nós antes que seja tarde.

- Vamos apenas esperar que seja alguém do nosso lado - Hermione gracejou debilmente. Sua respiração presa com um soluço - Oh, deuses, Gina. Isto não pode acontecer agora. Simplesmente não pode! - A contração lembrou-a que sim, poderia. - O que é que eu vou fazer?

Acostumada a Hermione ser a mandona na amizade entre elas, Gina estava momentaneamente sem palavras. Mas se nada mais resolvesse, Gina era filha de Molly Weasley.

- Bem - ela disse razoavelmente -, eu acho que nós vamos ter um bebê.




Exatamente como fizeram algumas horas atrás, os cinco bruxos apareceram ao mesmo tempo e imediatamente tomaram uma posição defensiva. Desta vez, entretanto, a vista entre os varrões alados nos pilares dos portões que moldavam a larga entrada de Hogwarts não estava vazia. Sob o sol brilhante de junho, perfeito para casamentos e piqueniques de verão, figuras vestidas de preto e cinza estavam dispersas pelo gramado verde.

- Todas as proteções caíram - Severo observou imediatamente. - Um jogo secundário de feitiços deve ter sido feito em volta do próprio castelo se Voldemort superou a barreira de aparatação.

- Aconteceu alguma coisa com o Alvo, não foi? - Sirius perguntou, e Snape assentiu secamente enquanto buscava pelo gramado.

Com um grito musical afiado, Fawkes lançou-se do ombro de Harry e voou sobre o campo de batalha, porque era uma batalha. Feitiços disparavam no amplo gramado, figuras escuras brigavam em grupo assim como maldições e azarações voavam como folhas num vento forte. Harry pensou ter reconhecido diversos Aurores da patrulha de Hogsmeade entre os combatentes dispersos que lutavam contra os Comensais da Morte.

- Bem, Potter, já era tempo de você aparecer - zombou uma voz familiar. Draco Malfoy moveu-se pelo caminho estreito entre o castelo e o elevado muro externo, o mesmo caminho que Severo conduzira Hermione no dia que ele a levara para fazer compras no Beco Diagonal. Atrás dele estava uma leva de estudantes do sexto e do sétimo ano, principalmente grifinórios e lufa-lufas. Entre eles, surpreendentemente, estava Neville Longbottom, e mais surpreendente ainda, um encorpado Gregório Goyle.
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- Por que você não está preso? - Rony perguntou com violência.

- Porque eu estou conduzindo um grupo de capengas - Draco respondeu com sua usual voz monótona de zombaria, mostrando com um polegar sobre seu ombro para indicar vinte ou mais estudantes atrás dele.

- Draco aparentemente é um agente dormente - respondeu Dino Thomas, que lera livros de espionagem demais durante seus verões com a família trouxa. - Ele pôs todos os Sonserinos para trabalhar, bem alguns deles, em todo o caso - emendou, após dar uma olhada na expressão atordoada de Goyle -, e disse que estava saindo para ajudar aos Comensais da Morte. E tão logo todos eles começam a se agitar, o idiota tentou derrotá-los sozinho. Se Neville não tivesse se tocado, eles estariam com suas bolas a prêmio.

O jovem Sonserino rolou os olhos com a idéia de dever sua existência continuada à Neville Longbottom e embora Severo estivesse inclinado a concordar com esse sentimento, não era inteiramente impossível. O menino desastrado tinha amadurecido como um jovem cauteloso com uma habilidade para entender as motivações das pessoas, apenas porque estava acostumado a ser provocado por seus colegas de classe.

Harry deu a Draco um longo olhar de avaliação, sob o qual o sonserino esperou, sem se mostrar aborrecido, para ver se Harry corrigiria a suposição de Dino. Severo não fez nenhum esforço para interferir; esta era a batalha de Harry e era a sua decisão a tomar. Quase deliberadamente, Harry virou-se para os outros alunos e não deu nenhuma indicação que as intenções de Draco eram nada mais que puras.

- Assim nós decidimos que iríamos sair e fazer a mesma coisa, apenas para o lado do Prof. Dumbledore - Neville terminou, seus olhos arregalados, mas não gaguejando como sempre. - Terry Boot e alguns do outros ficaram para trás tomando conta dos alunos mais novos e mantendo um olho nos sonserinos.

- Ei - rugiu Goyle, com um franzir confuso em sua cara de tacho. - Você não é o Sirius Black?

Sirius assentiu, notando a apreensão nos rostos dos outros alunos.

- Sim. E eu sou o padrinho do Harry.

Goyle pensou sobre isso por um momento antes de encolher um ombro maciço enquanto ignorava as implicações envolvidas; ele era e sempre fora um seguidor e seguiria Draco Malfoy mesmo que isso o matasse. Sua própria relutância para seguir o pai junto aos Comensais da Morte tinha-lhe causado diversos momentos de desconforto, mas seu atraso em juntar-se a outros sonserinos mais cedo naquele dia o deixara exatamente onde ele preferia estar: seguindo Draco Malfoy.

- O que aconteceu com você? - Rony perguntou a Simas, que ostentava uma grande marca vermelha em seu rosto.

- Lilá - ele respondeu momentaneamente. - Eu lhe disse que ela não poderia vir conosco, e ela ficou um bocado aborrecida,

- Então o Romeu aqui a petrificou e a escorou num canto - Draco terminou com sorriso forçadamente indecente. - Se ela ainda assim casar com ele, ele vai dormir no sofá nos primeiros cinco anos.

- Nós nos preocuparemos com nossas vidas amorosas em outra hora - Severo interrompeu, o tom ácido em sua voz cortante provocando o nervosismo nos jovens com facilidade. - Onde está Voldemort?

Os estudantes nervosos imediatamente se estabeleceram sob o chicote de sarcasmo do Prof. Snape, e seu sentido de finalidade endurecido. Draco apontou para o declive no gramado, onde uma figura no meio de um mar de vestes pretas estava ligeiramente maior que o resto. O Lorde das Trevas observava o avanço lento de suas forças contra os encantos poderosos e feitiços protetores jogados pela equipe de professores de Hogwarts. No chão ao lado dele, em um monte como uma trouxa de roupa esquecida, estava Alvo Dumbledore.

- Está certo - Harry disse firmemente. - O outro lado do castelo é limitado quase inteiramente pelo lago. A lula gigante tomará conta de qualquer um que venha por ali, seja lá quem for. Quem aqui já sabe Aparatar?

Draco e o resto dos alunos do sétimo-ano levantaram suas mãos, à exceção de Neville que não tinha conseguido ainda os detalhes mais refinados. Uma das monitoras do sexto-ano levantou também sua mão. Harry não pode recordar o nome da corvinal, mas ela tinha um queixo teimoso e um olhar perigoso. Ao lado dela, Colin Creevey brincava com sua câmera antes de dobrá-la com cuidado no bolso de suas vestes, para pela primeira vez ter o bom senso de não documentar o momento para a posteridade.

- Aqui está o plano. Eu quero todos que já podem Aparatar que o façam do lado distante do gramado, perto da cabana do Hagrid, e façam seu caminho de volta para o centro. Façam o que vocês puderem para abater todos os Comensais da Morte nas fileiras e tentem mantê-los afastados da divisa da Prof.McGonagall. Entretanto, não se arrisquem muito. - Todos eles o ignoraram, ele sabia, mas não os repreendeu por isto. Esta seria uma batalha de proporções históricas, e todos os presentes sabiam que as probabilidades estavam contra eles. A cautela não era parte de suas ordens de marcha. - Draco, você está no comando.

- Certo - Draco respondeu, engolindo em seco e pela primeira vez sem uma observação aguda. Severo pôs sua mão sobre o ombro de Draco e o bruxo mais novo olhou para ele, seus olhos azuis gélidos coroados com o choque no gesto de confiança de Harry. Os olhos pretos de Severo seguravam nada mais que compreensão - uma vez ele tivera a confiança que não merecera, e gastara os quinze anos seguintes tentando ser digno dela. Exatamente como seu mentor tinha feito com Severo, Harry dava a Draco a possibilidade de se redimir.

Draco franziu a testa de repente.

- A… Bem, você não me matou, então eu suponho que a Granger está bem?

- Lúcio tentou matá-la - Severo disse-lhe firmemente. - Seu pai está morto. - Draco engoliu outra vez e assentiu sua cabeça uma vez, controlando sua respiração com algum esforço, mas ele parecia estar quase tão aliviado quanto estava consternado.

- Aqueles que não podem Aparatar, eu quero que vão diretamente para o alto do monte apoiar a McGonagall. Os Comensais da Morte não vão levar vocês a sério, e até levarem vocês já devem ter tomado à dianteira. E todos vocês, lembrem de uma coisa. Não vacilem, e não tentem jogar favoravelmente. Vocês são mais fortes juntos do que separadamente, então não tentem pegar qualquer um num único combate. Cuidem uns dos outros.

- O que você vai fazer? – perguntou Susana Bones, seu cabelo avermelhado lembrando Harry muito dolorosamente de Gina.

- Eu vou matar Voldemort - ele disse numa voz que não deixou nenhuma dúvida.

- Usando isso? - Draco zombou da roupa de Quadribol que Harry usava ainda do seu treino da manhã. - Ele vai ver você chegar a uma milha de distância.

- Por que não? - Harry retornou com um sorriso severo. – Elas sempre me deram sorte contra você.

Draco fez uma cara azeda, mas não disse mais nada enquanto gesticulava para a dúzia de estudantes mais velhos antes de sacar sua varinha para Aparatar.

Dino e Neville conduziram o resto dos alunos além do monte de arbustos que obstruíam a borda do gramado, e com um olhar para trás, começaram a fazer seu caminho em direção aos professores preparados para o combate que defendiam a entrada principal de Hogwarts.

Com Harry na liderança, Severo, Remo, Sirius e Rony tomaram seu rumo num ângulo que lhes conduzisse diretamente para trás do corpo principal de Comensais da Morte. O progresso rápido deles pegou de surpresa diversos dos Comensais da Morte e os atordoou antes que eles pudessem dar qualquer alarme. Severo sabia que eles tinham somente mais um minuto ou dois antes que o grupo principal do inimigo observasse seu pequeno grupo. Eles passaram por diversos Comensais da Morte já atordoados, caídos muito próximos a uma bruxa de meia-idade e a um bruxo mais novo que usavam as mesmas indefinidas vestes práticas, típicas aos Aurores. O peito do jovem ainda se levantou e caiu, e pelo que tudo indicava, ele viveria até o fim da batalha, para ser ajudado ou despachado pelos vencedores, dependendo do resultado.

Assim que eles contornaram um outro ponto de violência apaziguada, Severo ouviu Harry respirar secamente. Diante deles, com a cara para baixo na grama, jazia o corpo imóvel de Rúbeo Hagrid. Um número considerável de figuras de vestes escuras caídas dispersamente em volta, algumas delas se encontravam como bonecos desconjuntados em torno do meio-gigante abatido. A julgar pelo quadro, o guarda-caças ficou furioso quando Dumbledore caíra e se arrastara nas fileiras dos Comensais da Morte com efeito devastador até que foi derrubado no final por múltiplas azarações. Fiel ao extremo, Canino o enorme cão de caça sentou-se melancolicamente ao lado do cadáver de Hagrid.

Harry deu um passo de encontro ao corpo de seu amigo mais velho, então parou.

- Venha, Canino - Harry comandou, sua voz oscilando meramente. O cão de caça hesitou, então balançou a seus pés e juntou-se ao pequeno grupo.

Em uma cunha, os cinco forçaram seu caminho através da batalha, ajudando os poucos Aurores que permaneciam de pé. Um ou dois Comensais da Morte na extremidade da multidão em torno de Voldemort virou-se para ver o grupo se aproximando, e chamou rapidamente a atenção do seu senhor à aproximação de Harry.

Através do gramado, a equipe de defesa dos funcionários tirou vantagem da trégua repentina e forçou seu trajeto pela inclinação do monte de encontro a Voldemort e o Diretor caído. Conduzindo os variados professores estava Minerva McGonagall. Em algum lugar ao longo do caminho ela perdera seu chapéu e seus óculos, e seu cabelo ordenadamente amarrado caía estendido sobre seus ombros, mas ela tinha um tartan jogado sobre o ombro e parecia tão feroz quanto seus antepassados escoceses. A única coisa ausente era a faixa de tinta azul do rosto correndo da testa até o queixo.

Chegando ao lado dos professores, vinham os estudantes que saíram com Dino e Neville, juntando-se aos defensores. Dino tinha um braço em torno dos ombros de Susan Bones, inclinando-se pesadamente sobre a jovem menina, mas sua varinha estava pronta enquanto mancava atrás de seus professores.

Do oeste, Draco Malfoy e seu punhado de alunos forjaram os últimos poucos metros. Goyle segurava uma mão numa ferida suja em sua testa, mas dificilmente seu cérebro era um órgão vital. Diversos outros mostravam sinais do desgaste duro, suas expressões universalmente ajustadas e determinadas.

Os Comensais da Morte consolidaram sua linha, mas inconscientemente recuaram da ameaça adicional; não importava o quanto eles estavam acostumados a dispersar a dor e fazer suas vítimas sofrerem, eles tinham pouca experiência com uma resistência preparada e organizada.

- TOM RIDDLE! - Harry gritou, apontando sua varinha para o bruxo.

Máscaras prateadas brilharam na luz do sol, os Comensais da Morte afastaram-se para revelar seu mestre, formando em torno dele um turbilhão de preto e cinza. A área desobstruída imediatamente atrás do Lorde das Trevas incluía o corpo machucado do Diretor, mas Harry não podia fazer mais nada além de olhar de relance para o velho bruxo e não podia dizer se ele estava vivo ou morto.

- Harry Potter - silvou o bruxo escuro lentamente. Suas mãos reptilianas brancas se levantaram e empurraram para trás a capa de suas vestes escuras, revelando sua fisionomia esquelética e repulsiva. - Meu caro garoto. Você não sabe como estou feliz em vê-lo. E de pés, pela primeira vez. Está quase na hora. Simplesmente o que eu não faria para que todos o vissem morrer de joelhos.

Apesar das palavras confiantes, Severo conhecia Voldemort melhor do que quase qualquer um, e ele detectou os sinais fracos da fadiga e do stress em torno dos olhos vermelhos. Dumbledore não fora derrotado facilmente, e Voldemort teve que gastar uma grande quantidade de energia e magia para fazer isso. Severo teve certeza que a confrontação com Harry Potter viera muito mais cedo do que o bruxo quase imortal planejara ou se preparara.

- Ele não esperava por você - ele murmurou num tom de voz baixo para Harry. - Você deveria ter gastado a maior parte do dia perseguindo o Malfoy, e dar-lhe o tempo de ganhar o controle de tudo aqui. Ele está desnorteado. - O jovem bruxo baixou a cabeça num assentimento curto, reconhecendo as palavras sem tirar sua atenção do adversário.

Os olhos vermelhos de Voldemort lampejaram para os homens parados ao lado de Harry.

- Severo - ele remoeu numa ameaça quieta. - Eu cuidarei de você mais tarde.

- Eu já tomei conta de meu maior adversário - Voldemort continuou, gesticulando para o bruxo de cabelos prateados que se encontrava morto ou inconsciente no chão -, e só sobrou você, Harry Potter. O filho do meu inimigo, herdeiro de Gryffindor - ele cuspiu desdenhosamente. - Você vem diante de mim com nada além de sua espada de brinquedo e uma variedade patética de aliados. Se você tivesse um mínimo juízo, você fugiria para o fim do mundo e se acovardaria pelo resto dos seus dias.

- Você deveria ter entrado para o teatro - Harry disse abruptamente. - Você é pior que Gilderoy Lockhart.

Os abruptos risos abafados de Remo e de Sirius foram demais para que Severo mantivesse uma expressão séria; ele sorriu largamente com a comparação. De repente o grupo de bruxos nas vestes pretas e máscaras prateadas pareciam claramente um absurdo; era um dia em pleno verão e ele podia sentir uma gota de suor escorrendo pelas suas costas, e viu uma trilha similar correndo atrás da orelha de Harry. Os Comensais da Morte estariam ajoelhando-se frente ao calor exaustivo em breve.

O rosto de Voldemort se retorceu de raiva abrupta e sua varinha balançou em direção a Harry com força decisiva de matá-lo.

- Expelliarmus! - Harry gritou, começando a soltar as palavras um pouquinho antes que Voldemort terminasse seu AVADA KADAVRA!

Como acontecera antes, as duas varinhas irmãs se conectaram, seus respectivos feitiços se perderam no confronto de poder. Desta vez, entretanto, nenhuma gaiola mágica se formou em torno dos combatentes. Lascas douradas apareceram e dissiparam-se no ar em torno deles, às vezes muito rapidamente para serem vistas, e durante este tempo todo o filete dourado que se esticava de cada ponta de varinha ficava mais denso no centro. Primeiro uma, depois outra esfera da luz se formou do filete, depois mais. Como contas num cordão elas se moveram para frente e para trás, ficando cada vez maiores, brilhando com mais intensidade.

Harry deu um passo vacilante para frente, depois outro, apenas perifericamente ciente de Severo e Sirius em suas costas, mantendo o ritmo. As esferas douradas cresceram no tamanho e na intensidade enquanto deslizavam entre as varinhas do Menino-Que-Sobreviveu e Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado enquanto cada uma jogava sua vontade para superar seu oponente. Harry deu mais um passo desconcertado para frente, e uma nota elevada e clara começou a sair do filete dourado, enchendo o ouvido e deslizando para baixo até que as maxilas começaram a doer.

O cordão entre Harry e Voldemort ficou sólido e mais espesso quando o jovem lutou para avançar, tornando-se como uma corda, depois como um feixe contínuo maior que o braço de um homem. As esferas luminosas coalesceram, fundindo-se umas com as outras em um único globo que cresceu em tamanho e brilho até que se tornou difícil ver qualquer coisa além da luz e das silhuetas pretas mostrando os bruxos que duelavam.

A canção da Fênix levantou-se de repente para um grito elevado, e Harry e Voldemort deixaram escapar gritos simultâneos enquanto suas varinhas irromperam em chamas. A esfera gigantesca do poder entre eles se desintegrou, jogando para fora ondas de faíscas douradas que brilhavam mais intensas que o sol superaquecido antes de cair à terra como cinzas.

Com um rosnar, Voldemort arremessou longe um punhado de lascas de cinzas que permaneceram nos seus dedos brancos escamosos antes que os mesmos dedos mergulhassem dentro de suas vestes e trouxessem uma outra varinha. Severo praguejou silenciosamente - ele e Dumbledore esconderam diversas varinhas encontradas, contudo presumiram displicentemente que haveria tempo após a formatura para Harry arranjar outra varinha?

A varinha nova, entretanto, mostrou-se rapidamente ser menos compatível e o rosto de Voldemort se retorceu de irritação quando ela hesitou antes de descarregar. O pequeno atraso permitiu a Severo e Sirius lançarem feitiços no mesmo instante, obstruindo a maldição arremessada em Harry.

Uma parte da mente de Severo ouviu Remo Lupin gritar de dor quando um Comensal da Morte o atingiu com uma maldição dolorosa. A batalha irrompeu de novo ao redor. Embora os seguidores de Voldemort estivessem tecnicamente cercados, eles ainda estavam em maior número que os defensores do castelo, mais de dois para cada. Do canto do olho, Severo viu Rony Weasley dar uma mão a Remo enquanto o jovem lançava uma azaração especialmente cruel de volta.

A maioria da sua atenção, entretanto, continuou na figura flexível de Harry Potter enquanto o jovem lutava a sua maneira contra o bruxo homicida que estava apenas alguns centímetros de distância, vacilante enquanto absorvia as azarações que não podia evitar ou que Severo e Sirius não conseguiam obstruir, capturando mais de uma na lâmina da espada e, de algum modo, desviando-as, emitindo a mágica ofensiva que deslizava em tangentes impares e perigosas. Pela força de vontade absoluta, os dois bruxos mais velhos mantiveram o ritmo com Harry quando ele chegou mais perto do Lorde das Trevas. Em um acordo mudo, Sirius e Severo devotaram toda sua atenção para defender Harry, e por sua vez, Rony e Remo fizeram tudo que podiam para proteger aqueles dois bruxos da chuva de feitiços que voavam em todos os sentidos no campo.

Voldemort uivou com raiva enquanto a varinha não cooperativa em sua mão continuou a se recusar a progredir em seu domínio, interferindo com seu alvo e hesitando em momentos inoportunos. A arrogância e a pressão de seus próprios seguidores em suas costas evitaram Voldemort de recuar quando Harry levantou a espada de prata e a balançou descontroladamente, a ponta da lâmina atirando a varinha da mão branca que a agarrava e quebrando-a em duas.

Os Comensais da Morte cederam quando seu líder resmungou para eles saírem do caminho, permitindo que Voldemort recuasse alguns passos enquanto tateava em suas vestes uma vez mais, procurando por alguma outra varinha.

Voldemort era um bruxo poderoso, mais velho que muitos no campo de batalha, e quase imortal. Entretanto, seu corpo roubado não poderia competir com os reflexos de um fanático jogador de Quadribol de dezessete anos, e ele era fisicamente incapaz de esquivar-se enquanto Harry Potter trazia a espada de Godrico Gryffindor levantada e a disparava para frente com toda sua força.

Um grito rasgou os finos lábios do Lorde das Trevas, sua voz ecoou através do campo de batalha quando a espada rangeu contra suas costelas. A cara reptiliana retorceu em agonia e descrença quando Harry empurrou a espada mais profundamente. Quase como um, os incrédulos Comensais da Morte e seus oponentes igualmente chocados pararam seu conflito para ver Voldemort cair de joelhos diante de Harry.

Severo pode apenas decifrar o movimento da boca de Harry enquanto ele entoava um feitiço, mas a maioria dos feitiços eram sílabas sussurradas em língua de cobra. Os poucos fragmentos de latim que ele identificou não eram nada além do que fora ensinado nas aulas, embora o verbo para a ligação estivesse claro, e a espada nas mãos de Harry começasse a queimar um branco brilhante. A luz do sol, entretanto, pareceu se desvanecer enquanto o feitiço extraía o poder de todo ar em torno dele, sugando-a até que o campo de batalha ficou cada vez mais escuro e Severo se esticou para ver alguma coisa além da escuridão circundante e do brilho branco do aço. Quando Harry terminou o encantamento com uma nota baixa decisiva, a luz coalesceu e sumiu de repente.

Imediatamente, uma dor fria e abrasadora atravessou braço esquerdo de Severo. Ele nunca ouviu Remo chamar seu nome, ou se assustou com os gritos dos defensores de Hogwarts.






N/T - Eu sei, demorei mais que o previsto. Mas aqui está, o antepenúltimo capítulo dessa fic maravilhosa. O cap. 21 já está começado e o 22 é bem pequeno. Entro de férias no dia 10 e certamente antes da chegada do livro 7a fic estará finalizada. Só posso agradecer à Ramos, bem como à Bastet, à Fer e a todos que vem deixando reviews pra lá de fofos.Muito obrigada mesmo, de coração. Beijos Clau.

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