Uma Virada do Destino



Uma Virada do Destino

Hinge of Fate

Autora - Ramos

Tradução - Clau Snape

Beta reader - Bastetazazis

Disclaimer: Estes personagens são de propriedade de J.K. Rowling. Nenhum lucro foi obtido pelo seu uso.



Cap. - 5

Com a saída de Madame Pomfrey, um silêncio absoluto reinou no pequeno laboratório. A respiração de Snape era silenciosa, embora Hermione pudesse ver seu tórax subir e descer numa respiração superficial quando deu um rápido olhar para ele. O homem parecia absorvido com a vista do pátio através das altas janelas. Quando Hermione olhou, não pôde ver nada, exceto o gramado quadrado onde Madame Hooch ensinava os alunos do primeiro ano como não cair de suas primeiras vassouras.

Para se distrair, Hermione esticou-se e alcançou o pergaminho ao lado do braço de Snape. O ruído do papel raspando e o movimento repentino dela assustaram-no bastante, e em troca, a reação dele a assustou. O pedido de desculpa morreu na garganta dela, entretanto, porque ele deixou soltar um silvo de dor, pressionando a palma da mão contra seu músculo peitoral os olhos fechados de encontro à dor repentina. Ainda pior foi a maneira como seus lábios já pálidos mudaram para um cinza azulado enquanto amorteciam seus dentes cerrados.

- Professor! Você está bem?

Incapaz de falar, Snape arqueou seus ombros e colocou para fora toda a dor. Abafado pelo zunido em seus ouvidos, podia ouvir o som da voz de Hermione chamando seu nome, e depois chamando Madame Pomfrey, mas não havia nada a ser feito a não ser tentar manter seus pulmões trabalhando enquanto resistia às ondas de profunda agonia que acompanhavam cada batida de seu coração.

Assim que a tensão diminuiu, ele percebeu que as mãos de Hermione Granger estavam em seus ombros, e eram de fato a única coisa que o impedia de tombar completamente. Não havia nada que ele detestasse tanto quanto a sensação de desamparo, e o fato dela, acima de todas as pessoas, vê-lo desta forma ia muito além da humilhação. A preocupação no rosto dela, que ele não merecia, era ainda mais irritante.

- Eu ficarei bem, Srta. Granger - ele conseguiu dizer, forçando seu corpo não cooperativo a se erguer e se afastando dela, a dor insistente deixou seu tom ainda mais amargo. - Eu não preciso de nenhuma ajuda sua.

Se ele pretendera enfatizar suas palavras desta maneira ou não, Hermione endureceu como se tivesse sido golpeada. - Muito bem, professor. Se você acha a minha presença assim tão repulsiva, eu o livrarei dela.

Snape podia estar aborrecido consigo mesmo. A própria visão de Hermione Granger era como uma lixa a seus nervos já esticados ao máximo, mas não pretendera ofendê-la ainda mais. - Senhorita Granger! – chamou-a para que retornasse. Ela parou, mas não se virou.

- Senhorita Granger - ele repetiu, tentando fazer seu melhor para não parecer um completo idiota. - ao contrário. A sua presença é meramente dolorosa - Severo impôs, sabendo que tinha que dizer isto enquanto ainda tinha chance. Durante dois meses a lembrança da noite de Halloween o assombrava, tanto acordado quanto dormindo, substituindo seus pesadelos comuns com as recriações assustadoras do que acontecera. A culpa que ameaçava afogá-lo no meio da noite cresceu outra vez, silenciando-o, e ele limpou a garganta rudemente. - Eu posso apenas admirar a coragem que você deve ter para ser até mesmo remotamente generosa ao homem que é a causa da sua condição atual.

Foi a primeira vez que ele mencionou sua gravidez desde que soube do fato, mas a resposta dela o surpreendeu.

- Lúcio Malfoy é a causa da minha condição.

- Ele não foi o homem que a violentou e que a engravidou - ele declarou abruptamente. - Eu fiz isso.

Hermione retornou da entrada, inclinando-se para trás de encontro ao batente. - Você foi apenas à ferramenta usada por ele. Eu disse que não o odeio, professor. Engoliu duramente, e cruzou os braços defensivamente sobre seus peitos. - Você se esquece de que Gina Weasley é uma de minhas amigas mais próximas. Cada outono, logo antes do início das aulas, ela tem crises de pesadelos sobre aquela maldita Câmara Secreta, e podemos agradecer a Lúcio Malfoy por isso também.

Voltou-se para ele finalmente, seu rosto era austero e orgulhoso como o de Boadicea.- Um dia ele irá pagar pelo que fez. Eu espero apenas estar lá para ver.

- Assim como eu, senhorita Granger. - Ele respirou profundamente com cautela, sentindo a dor em seu tórax melhorar aos poucos. O silêncio caiu outra vez entre eles, mas a tensão anterior já havia evaporado. Olhando Hermione cuidadosamente, ele notou as olheiras sob seus olhos e os fios dispersos do cabelo cacheado que tinham escapado da faixa na base de seu pescoço.

- Por favor, sente-se - pediu, indicando outro banco esquecido num canto do cômodo. Ela o pegou, colocando-o próximo à bancada, sentando-se com cuidado e dobrando suas vestes em torno dela.

- Na última vez que nós conversamos você me perguntou sobre o que ocorrera. Eu fui particularmente breve com você. Peço desculpas. Eu imagino que você tem todo o direito de exigir a informação que me pediu.

- Eu não estava exigindo - ela protestou suavemente.

- Não. Esta é mais uma razão para que eu lhe diga a verdade, como eu a sei. Você está ciente de que eu fui um agente duplo por algum tempo, certo?

Hermione assentiu. Ele pausou, e a seguir começou a falar para a superfície da mesa, impossibilitado e recusando-se a olhá-la enquanto falava.

- Na noite em que você foi seqüestrada, Lúcio Malfoy pediu minha presença numa terra remota arrendada dele. Nós, os Comensais seniores, costumávamos nos encontrar lá em diversas ocasiões para planejar nossas atividades. Assim que cheguei, ele resumiu suas intenções de violentá-la e assassiná-la, deixando seu corpo perto dos portões principais de Hogwarts como uma mensagem para Dumbledore.

Ainda tropeçando ligeiramente sobre as palavras, ele olhou fixamente para a parede distante enquanto continuava com uma voz imparcial: - Quando eu me mostrei menos entusiástico com o plano dele, ele voltou-se contra mim. Fui deixado inconsciente, e Malfoy aplicou uma maldição Império em mim - Snape bufou secamente. - Eu levei quase três anos para convencer Voldemort da minha sincera devoção, ganhando um lugar em seu círculo mais interno, apenas para alguém mais ambicioso me apunhalar pelas costas e pegar minha posição de poder.

- Harry pode resistir à Império - Hermione comentou. - Eu achava que você tivesse autocontrole suficiente para resistir.

- Por um momento, sim. Mas o atraso foi o bastante para que seus amigos levianos adicionassem mais Impérios à dele. Goyle e Crabbe são tão estúpidos quanto sua prole, mas são especialistas em lançar as Maldições imperdoáveis. Eu fui… comandado a atacar você.

Snape engoliu em seco. Dumbledore fora seu confessor por muitos anos, era ao mesmo tempo mais doloroso e ainda estranho estar livre para dizer estas coisas sem a presença do Diretor, de qualquer modo bem-significativo, como numa audiência. - Após fornecer-lhes seu divertimento, minha existência já não era desejada. Tentaram me matar, mas como esperado, eles provaram o quanto eram incompetentes para isso também.

Hermione franziu a testa - Como nós escapamos?

- Eu não tenho a menor idéia, Srta. Granger. Eu estive inconsciente todo o tempo. - Quando ela abriu sua boca para protestar, ele continuou, cortando- a - Eu só sei que nós dois aparecemos no Três Vassouras, e fomos trazidos para Hogwarts para receber cuidados médicos. Eu suponho que você de algum modo salvou minha vida, pelo que eu deveria ser mais grato do que sou.

- Eu salvei sua vida? - Ela perguntou, espantada. Ele assentiu.

O homem melancólico ficou em silêncio, e Hermione sentou-se à mesa, prestando atenção nele. Quanto tempo havia passado, ela não sabia, mas finalmente se agitou: - Professor… Eu imagino que você deve achar esta... , nossa situação, muito embaraçosa. Pessoalmente, acho toda essa história ridícula quando eu mesma não estou travada em crises de pânico.

Outro pigarro macio deixou-a perceber que ele viu o humor do seu comentário. - Eu lhe disse que não me recordo de nada, e estou começando a me perguntar se me lembrarei algum dia. Você deve saber que eu tenho pensado sobre isto e se você fez..., o que você fez..., sob uma maldição Império, então seu sentimento de culpa é desnecessário.

Se fosse qualquer outra pessoa, qualquer outro assunto menos explosivo, Hermione teria colocado sua mão sobre o braço dele. Mas do jeito que estava o melhor que podia fazer era encostar a palma da sua mão na mesa perto da dele. - Até onde sei, eu acordei grávida. E o único culpado disso é o Malfoy.

Snape olhou de relance para baixo, para a pequena mão ao lado da dele, e quando falou, foi de uma maneira completamente destituída de sarcasmo ou da própria repugnância que eram características nas suas conversas anteriores. - Obrigado, Srta. Granger. Eu não mereço sua compaixão, mas… obrigado.

- Madame Pomfrey? - perguntou uma voz jovem do lado de fora do quarto.

Snape endureceu. - Vá. Nenhum dos estudantes deve saber que estou aqui.

Hermione concordou rapidamente e deixou o laboratório, fechando a porta atrás dela. Na ala principal, um menino do segundo-ano da Corvinal agarrava seu braço com força e tentava com muito esforço não deixar seu lábio inferior tremer. Uma escadaria tinha decidido se mover quando estava se apressando para descer e ele perdera o eqüilíbrio, caindo abaixo dos últimos passos e colidindo contra o assoalho com o cotovelo.

Um busca minuciosa através dos armários e uma toalha pequena apareceu, não era o saco de gelo que ela tinha procurado, mas servia para prender os cubos do gelo conjurados com sua varinha. Pouco tempo depois, Madame Pomfrey retornou, encontrando o menino sacudindo seus dedos cuidadosamente enquanto Hermione prendia a compressa temporária em seu cotovelo. O frasco empoeirado do vinho liberado do estoque privativo de Dumbledore foi empurrado para as mãos de Hermione enquanto a medibruxa apoderou-se do saco do gelo.

Desejando que ela tivesse apenas metade da habilidade com sua própria varinha, Hermione prestou atenção enquanto Pomfrey executava diversos encantos diagnósticos e determinou a natureza e a extensão exata do ferimento do menino. Ela sabia que a outra mulher tinha diversas décadas da experiência, mas não podia fazer mais nada a não ser se perguntar quanto tempo levaria para alcançar o mesmo nível de competência.

- Aqui está - Pomfrey encorajou o menino enquanto enrolava uma tipóia no braço dele. - Foi só uma torção. Levará apenas um dia ou dois, mas eu encantei a maior parte do edema e você estará tão bom até amanhã de manhã.

- Obrigado, Madame Pomfrey - o menino disse polidamente, e fez o melhor que pode para fingir seu pequeno contentamento com visível evidência do seu ferimento. Hermione escondeu um sorriso pela reação dele; não havia dúvida de que ele seria o centro das atenções na mesa de jantar naquela noite.

Após conduzir o menino pela enfermaria, Madame Pomfrey enviou a toalha molhada para o carro da lavanderia com um aceno de sua varinha, então deu a Hermione um longo olhar. - Foi uma excelente idéia, Srta. Granger. Obrigada por cuidar das coisas enquanto eu estava fora.

- Foram apenas os primeiros socorros de trouxa. Nada complicado.

- Não. Mas as crianças nascidas no mundo bruxo estão acostumadas a terem estas coisas arranjadas imediatamente. Já pensou na possibilidade de se tornar uma medibruxa?

Hermione ficou satisfeita com o elogio implícito, mas balançou a cabeça. - Não. Eu estou realmente interessada em tantas coisas que ainda não decidi em que me especializar.

- Bem - Madame Pomfrey disse robustamente, pegando novamente o frasco de vinho -, se Severo confiou em você para preparar este elixir para ele, você deve ser boa em Poções. Você foi uma dádiva dos céus quando os estudantes tiveram aquele surto de gripe na volta às aulas.

- Eu consegui um excepcional em Poções - Hermione admitiu. Não adicionou que ainda neste ano, antes que sua“licença sabática” começasse, Snape permitira que ela preparasse diversas das receitas mais avançadas listadas no livro “Preparando-se para os NIEMS”. A inabilidade dele em encontrar erros em seu trabalho fora um triunfo pessoal, especialmente quando ele anunciou que as poções não deveriam ser desperdiçadas e lhe pediu para engarrafá-las para uso futuro.

Snape ainda estava sentado na bancada quando as duas mulheres voltaram ao laboratório. De algum lugar ele tinha desenterrado diversas folhas de papel almaço e estava enchendo uma delas com equações de proporção e outras notas com os distintivos rabiscos da sua letra. Interrompeu qualquer cumprimento que Madame Pomfrey começara a oferecer e começou a emitir instruções.

- Você vai querer o caldeirão de prata do meu escritório, Srta. Granger. Este balde de ferro aqui reagirá com o ácido tânico do vinho e vai desbalancear toda a mistura inteira.

Madame Pomfrey ficou ligeiramente surpresa ao ver Hermione junto à Severo Snape, lendo compenetradamente suas notas, sem nenhum traço da hostilidade anterior entre os dois; mas então, novamente, ela jamais testemunhara a reação de Hermione a um problema novo e intrigante.

- Eu vou pegar um jogo de instrumentos de vidro também - ela ofereceu. - Embora a faca de aço deva ser apropriada para picar os ingredientes. Ou a corda de coração de dragão precisa ser cortada com uma lâmina de pedra?

- Possivelmente. O encantamento não é inteiramente contínuo nessa área. Talvez se o tempo do verbo for mudado; parece que varia dependendo se está dirigindo-o à aorta ou ao ventrículo.

Confusa, Pomfrey pousou o frasco de vinho na mesa sem uma palavra e os deixou continuar. Ela tinha diversas tarefas suas para terminar, incluindo a necessidade de atualizar a ficha de seus pacientes mais recentes e reunir as últimas poucas edições do Profeta Diário que estavam espalhadas acima da sua mesa.

Nem Severo nem Hermione notaram que ela saiu.

Quando o seu último traço de nervosismo evaporou-se sob a aparente trégua deles, Hermione tornou–se completamente interessada pela intricada receita do elixir. Suas experiências precedentes foram todas sugeridas do livro texto padrão de Poções, e consistiam em suas suposições e na apresentação do produto terminado a Snape para que fizesse seu julgamento. Desta vez, ela estava trabalhando com ele, realmente envolvida nos ajustes complexos e nas explicações do que funcionaria ou não, vindas de um mestre verdadeiro. Era fascinante.

Trabalharam na lista dos ingredientes, um de cada vez, comparando os atributos de cada um sozinho e as combinações entre eles. O uso padrão da maioria deles era óbvio, mas ao passar Snape soltou algumas dicas que não estavam listadas no livro. Por exemplo, corda de coração de dragão fervida em um caldeirão de ouro era a base para criar uma poção de cobiça forte o bastante para levar a maioria de homens à loucura. Se os comentários de Snape fossem sérios, bruxas ciumentas vinham adicionando um fio de seus próprios cabelos e preparando a poção para seus maridos infiéis há séculos.

- Talvez seja por isso que os duendes amem tanto o ouro - Hermione comentou, preparando-se mentalmente para mais um dos comentários sarcásticos dele.

- Talvez - Snape concordou, e moveu-se imediatamente para o item seguinte.

Até terminarem todas as decisões preliminares e decidirem quais as palavras exatas do encantamento, o estômago de Hermione já estava roncando e Snape começava a ficar cinza em torno da boca. Madame Pomfrey não ficou feliz com nenhum dos dois quando entrou com um sanduíche em uma bandeja para Hermione.

- Acho que é o bastante, para vocês. Srta. Granger, você perdeu o jantar, então vai comer isto antes de ir embora. Severo, você vai para a cama, e eu não quero ouvir nenhuma reclamação.

- Oh, não - gemeu Hermione, procurando e não encontrando o relógio na parede. - Eu tinha combinado de me encontrar com Gina para estudar alguma coisa hoje à noite.

- Já é o bastante por hoje, Srta. Granger - Snape lhe disse. – Eu detesto admitir que Papoula está correta, mas nenhum de nós é capaz de pensar claramente agora. Você tem aulas o dia inteiro amanhã, não tem?

- Sim, mas é só Poções de manhã.

- Só Poções? - ele repetiu propositalmente.

- Sim - ela respondeu calmamente, recusando-se reagir a ênfase desafiadora dele.

- Muito bem, então. Amanhã de manhã. Sem dúvida Madame Pomfrey inventará uma desculpa plausível para... quem é ele mesmo?

- Professor Cluny.

- Geoffrey Cluny? - Ele perguntou secamente.

- Sim, senhor.

- Eu entendo - disse num tom gélido. Recusando-se a dizer outra palavra, Snape deixou seu banco e andou lentamente até a porta, onde Madame Pomfrey deslizou um braço descompromissado sob seu cotovelo e o dirigiu para a ala escondida.

Deixada sozinha, Hermione comeu seu sanduíche pensativa enquanto arrumou o feixe de notas esparramadas através da bancada de trabalho e fez ela mesma uma lista das coisas para pegar nas masmorras. Uma vez que Pomfrey testemunhou que ela tinha terminado todo seu sanduíche, lançou sua mochila gasta sobre o ombro e vagou até a torre da Grifinória.

- Qual é a senha querida? - inquiriu a mulher gorda quando Hermione bocejou no meio de fornecer a senha.

Ela a repetiu, desejando estar com metade da sua energia normal. A fadiga que a dominou com a descoberta da sua gravidez veio e foi, mas geralmente ela piorava depois do jantar.

Dentro da sala comunal a mobília confortável em vermelho e dourado estava repleta de estudantes, mas ela não viu o cabelo ruivo vívido da Gina entre a multidão. Perguntou se alguém a vira, mas mostrou-se infrutífero, então Hermione encontrou um canto no sofá e se afundou no seu livro de Aritmancia.

No que pareceu apenas alguns momentos depois, Harry Potter sacudiu seu ombro e dizendo-lhe para acordar. Ela levantou-se de repente e ficou surpresa ao ver o fogo, que estava queimando brilhantemente quando ela se sentara antes. Agora era pouco mais que uma pilha de carvões cinzentos e vermelhos, e a sala estava quase vazia.

- Você finalmente acordou? - Harry perguntou-lhe preocupado.- Onde você estava? Você tinha combinado de encontrar-se com a Gina após as aulas desta tarde.

Hermione espreguiçou com esplendor no lugar morno que seu corpo havia criado no sofá. - Bem, parece que vocês dois encontraram o que fazer - ela comentou, notando um ponto roxo no pescoço dele. - Foi um bom amasso, não foi?

Harry corou com isso; seu relacionamento com Gina Weasley continuava apesar de todos os seus esforços para convencê-la de que estaria mais segura se não estivesse com ele. A menina possuía a teimosia desmedida dos Weasley e recusou-se firmemente a acreditar nos protestos de Harry, e finalmente derrotou as últimas defesas de Harry. Rendendo-se ao inevitável, ele estava mais feliz do que Hermione podia sequer imaginar.

- Sim, obrigado - ele conseguiu dizer com alguma dignidade. - Gina já foi para a cama. É quase hora de recolher.

Apavorada, Hermione olhou de relance ao redor para ver que Harry dizia a verdade. Os únicos estudantes que ainda estavam na sala eram alguns sextanistas praticando algumas das habilidades mais complicadas de levitação e os irmãos Creevey brincando com sua câmera nova.

- Oh, droga. Eu nem comecei o meu dever de casa ainda - Hermione reclamou. - Eu não posso acreditar que caí no sono.

- Você está se sentindo bem estes dias?

-Eu estou realmente cansada, Harry. Não é nada.

Os olhos verdes vívidos de Harry deram-lhe um olhar penetrante. - Você tem estado muito cansada nas últimas semanas, Hermione, e na semana passada você chorou comigo por quase uma hora. O que está acontecendo realmente?

Só podia ser o seu cansaço que deixou as palavras deslizarem para fora: - Eu estou grávida.

- Santo Deus - com um suspiro, Harry soltou um suspiro e escorregou para o sofá, sentando-se ao lado dela. - Você já contou para o Rony?

- O bebê não é do Rony.

Harry olhou fixamente nela: - Não é do Rony. Então de quem é?

- Harry, se eu disser, você terá que me prometer que vai ficar calmo. -O-Menino-Que-Sobreviveu era considerado como uma pessoa doce geralmente, mas seus amigos mais próximos sabiam o quão temperamental ele poderia ser quando devidamente provocado.

- Depende de quem for, Hermione.

Piscando, Hermione olhou fixamente para a lareira enquanto tentava encontrar as palavras certas: - No último Halloween… Eu estava voltando de Hogsmeade. Eles puseram uma pessoa sob uma Império, e ele foi obrigado...

Ela parou quando Harry pôs–se de pé abruptamente e deu alguns passos até a lareira. - O Snape sabe? Sobre o bebê? - exigiu.

Perplexa, ela olhou fixamente para ele. Harry sorriu sem humor. - Eu soube que Snape estivera em alguma espécie de festim na noite do Halloween, e que algo deu terrivelmente errado. Dumbledore me disse que ele quase morreu, mas nunca me disse que você estava envolvida. Ele terá de me explicar isso, eu juro.

A confiança irritada na voz dele chocou Hermione completamente, e sua expressão deve ter deixado isso aparente. Harry explicou pacientemente:

- Dumbledore tem me mantido atualizado em quase tudo que acontece na luta contra Voldemort. Ele tem feito isso desde o primeiro dia do período letivo. Eu acho que ele está me treinando para que eu o suceda, se algo lhe acontecer.

- Harry! Como ele espera que você assuma toda essa responsabilidade? Isso é um absurdo!

- E quem são as outras pessoas que vão cuidar de tudo se algo acontecer a Dumbledore? Fudge? - Harry bufou zombando. - Apesar de tudo, eu sou O-Menino-Que-Sobreviveu, está lembrada?

Hermione não podia parar de olhá-lo fixamente. Passaram flashes de Harry tomando o controle da situação anteriomente, mas de algum modo ela podia ver como sua confiança crescera em excesso com o passar dos poucos anos. Harry balançou a cabeça sem se importar e sentou-se ao lado dela outra vez, pegando sua mão.

- Nós não estamos falando de mim. Estamos falando de você. Você vai... se livrar disso?

- Não. - Hermione inspirou súbitamente e rapidamente deixou escapar: - Eu considerei isto seriamente, mas mudei de idéia.

- Então o que você vai fazer? - Ele perguntou cuidadosamente.

- Eu não sei. - Era uma confissão humilhante. Hermione Granger era supostamente uma sabe-tudo. Ela podia sentir as lágrimas brotando outra vez, e Harry a abraçou.

- Você ia tentar obter seu título de Mestre em Poções após a escola, não ia? Como você pode ir à escola e tomar conta de um bebê?

- Eu não sei! Honestamente, Harry, pare de me atormentar, por favor! Eu não sei o que vou fazer. Eu vou ter um bebê e ao mesmo tempo tentar ir à escola. Eu não sei onde vou morar, ou quem vai tomar conta do bebê quando eu estiver em aula. Talvez eu deva apenas dá-lo para adoção.

- Você já pensou em se casar?

- Harry! – ela protestou ultrajada. - Não estamos no século dezoito!

- Pode ser melhor assim, Hermione! Olhe ao redor, na próxima vez que você for ao Beco Diagonal, ou mesmo à Hogsmeade. Uma bruxa solteira com um bebê não é nada trivial!

- Então você acha que eu devo me casar? Com quem? Com você? Gina nos mataria.

- Ou o Rony.

- Oh, por favor - ela disse rudemente. - Eu preferiria casar com o Neville.

Harry deu-lhe um olhar de esguelha. - Eu odeio dizer isto, mas se o Snape é o pai, talvez você devesse casar com ele e fazer com que ele a ajude.

Hermione não tinha certeza se deveria rir ou gritar. - Eu nunca pensei que veria o dia em que você incentivaria alguém a se casar com Severo Snape. Além disso, não foi como se tivesse sido idéia dele fazer isto comigo. Eu dificilmente lhe pediria para esvaziar seu fundo de pensão para me sustentar!

Harry deu-lhe um olhar curioso.

- Você não compreende, Harry - ela continuou com desânimo. - SE algum dia me casar, eu quero que seja algo como os meus pais. Eles são loucos um pelo outro, mesmo após mais de vinte anos. Eu quero algo semelhante, não um reparo rápido que vai acabar nos deixando infelizes.

- Está certo, não se case. Mas Hermione - este é o mundo bruxo. Não existe assistência pública. Se você fosse Trouxa, você poderia pegar uma licença maternidade ou algo parecido, ou talvez seus pais pudessem ajudar.

- Oh, Deus - Hermione gemeu de repente. - Eu ainda preciso contar tudo isto aos meus pais.

- Ou talvez - Harry continuou inexoravelmente -, talvez eu possa lhe dar uma mão. Eu tenho algum dinheiro.

- Harry - ela perguntou -, você tem alguma idéia do que vai fazer quando se formar? Onde vai viver? - Inexplicavelmente, uma risada surgiu do nada e ela sorriu para ele: - Uma história no Profeta Diário sobre você, eu e este bebê e nós todos estaremos desviando de berradores por semanas! - Sentindo-se melhor apenas por ter posto para fora tudo que estava preso em seu peito, Hermione recolheu suas coisas e enfiou tudo de volta na sua mochila.

- Sinceramente, Harry. Obrigada, mas não se incomode. Eu pensarei em algo. – Impulsivamente, ela inclinou-se sobre ele e o beijou no rosto. - Você vai pensando numa forma de dizer aos irmãos Weasley que está transando com a irmã caçula deles, e eu me preocuparei com o bebê.

- Eu não estou transando com a Gina! – ele protestou.







N/T- Boudicca ou Boadicea foi uma rainha dos Icenos - povo celta - que liderou uma rebelião contra a dominação romana no ano 61. Outras informações em http://www.historias.interativas.nom.br/lilith/studio/boudica.htm
Dica da menina link Fer Porcel



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