Wishing and Hoping...



- Você falou com Remus? – interrogou Lílian após alguns minutos em silêncio.

James, que mantinha as mãos nas têmporas e a cabeça baixa, retirou o óculos pondo-o na mesa surrada e respondeu pesadamente.

- Falei. – a mulher pareceu denotar um aumento de interesse no assunto mexendo-se inquietamente:

- Como ele está? – instigou ainda mantendo o rosto recostado na janela. James fitou a mulher que jazia de costas.

- Ele está... Remus diz que ele está bem. – completou incapaz de esconder uma nota de amargura na voz, percebido logo pela esposa:

- Você não o viu então... – James recostou-se na cadeira e fitou suas próprias mãos postas sobre a mesa. Estava cansado. Seus próprios gestos davam mostras das noites recentes privadas de sono. E pior sentia-se em saber que a mulher não se encontrava em estado menos alarmante. De fato, ambos não descansavam havia um bom tempo...

- Eu não poderia ser visto em Hogwarts Lily. Você sabe disso... – acrescentou num misto de pesar e advertência.

- Certo... Claro que não. – respondeu Lílian. E embora seu rosto ainda se mantivesse voltado para a paisagem acinzentada do centro de Londres, James pode reconhecer facilmente o tremer em sua voz:

- Lily... – tateou ele com um ar compreensível. Ele próprio em nada se agradava da situação em que eles se encontravam, e principalmente, as circunstâncias nas quais eram forçados a afastar-se do próprio filho, novamente...

- Não. – insistiu Lílian balançando a cabeça negativamente.

- A Ordem vai...

- A Ordem não é mais segura James!

- Nós não temos certeza....

- James! – interrompeu voltando-se para o marido. - Por favor... – insistiu a mulher num tom apelativo, agora em lágrimas novamente. Percorrendo a distância do pequeno quarto de hotel adiantou-se até ele quase em súplica. – Por favor... Vamos embora... Nós podemos pegar Harry e partir! Ninguém nos culparia... Nem Sirius, Petter ou Remus... Ninguém! Por favor... Nós não precisamos acreditar nisso... Nós nem sabemos se é verdade!

- Lílian... – tentou James buscando o mínimo de razão que fundamentasse algo contra as palavras da mulher, porém nada lhe ocorreu. Parte dele também desejava invulgarmente que pegassem seu filho e partissem para onde os três estivessem a salvo... – Eu... Eu vou falar com Dumbledore. Assim que acharmos um lugar seguro nós partimos.





Hermione fitou o teto em silêncio. Enrolando vagamente uma mecha de cabelo por entre os dedos, divagava em absoluta alienação. Sua mente caminhava longe, e com ela, seu corpo inteiro... Como se a noite em claro que a separava daquele momento houvesse se transformado em segundos. E se tentasse um pouco mais, ainda poderia sentir os lábios dele nos seus... E em meio a distante sensação de que ela possuía outros afazeres além de encarar o teto de seu próprio dormitório, não conseguia se deixar levar totalmente pela sensação de prazer que aquele beijo lhe dera. Afinal, permitir que alguém a levasse a tal ponto definitivamente não era algo que lhe ocorria com freqüência.

Ponderando pela enésima vez onde, e quando exatamente ela perdera controle da situação, Hermione achou-se completamente sem respostas. O que novamente não lhe era exatamente familiar...

O que ela estava pensando? Não... Sério! Se deixar levar pra dentro de um armário? Um armário?!

Totalmente insano. Isso, insano. E não importava o quão...

Bom, e... Doce, e... Muito, muito...

- Hum, querida...?

Ela não poderia ter feito aquilo... No fundo, sabia. Havia uma parte dela que sabia disso mesmo que no momento se ocupasse em relembrar (sem muito discernimento), da maneira com a qual as suas mãos percorreram-lhe a cintura... E o quão zonza ficou ao sentir o corpo dele aproximar-se do seu...

- Hermione... Meu anjo...! – Mary fitou a garota esparramada na cama. Vidrada no teto, ela parecia distante do aposento, quem dirá uma resposta conveniente... - Hermione!

- Hum...? – respondeu a menina vagamente, ainda sem observar o quadro na entrada do quarto. – Sim...

- Você não tem nada a fazer...? – estranhou acrescentando num resmungo. – Você sempre tem coisas a fazer...

Hermione piscou despertando do devaneio em que se encontrava:

- Que horas são? – perguntou sentando-se na cama e buscando o relógio na cabeceira.

- Onze. – respondeu a pintura simplesmente.

- O que? Onze horas?! – num salto, Hermione ergueu-se rapidamente apanhando a bolsa e um molho de chaves na poltrona. Passara quase a manhã inteira largada ali esquecendo completamente da detenção que tinha de supervisionar.

Tentando não pensar nas reclamações que McGonagall daria se descobrisse seu desleixo apressou-se pelas escadas em disparada. O que diabo havia de errado com ela? Não costumava esquecer ordens, especialmente ordens dadas pela professora... Adiantando-se ainda mais observou um grupo de alunos em fila, esperando, obviamente por ela:

- Eu sinto muito! – tateou Hermione sentindo o rosto corar levemente. Caminhando até a porta continuou num tom de desculpa. – Eu sei... Eu me atrasei! Mas eu... Certo. – abrindo a sala e entrando, continuou procurando parecer um pouco mais apresentável. Considerando, porém que saíra desembestada, duvidava muito que sua aparência fosse das melhores...

- Podem assinar seus nomes e sentar ali. – explicou acenando para as carteiras em fila na sala de aula vazia. Mantendo-se em pé ao lado da porta, Hermione observava os alunos acomodando-se quando ouviu uma voz familiar ao seu lado:

- Oi. – virando-se num repente, retorquiu logo em seguida, incapaz de esconder o tom desconcertado:

- Oi. – respondeu dando um passo para trás quase que instintivamente. Hermione sentiu o rosto esquentar ao perceber que o garoto havia notado sua reserva, sorrindo logo em seguida. E antes que pudesse se conter acrescentou. – O que você quer? – Harry piscou num misto de confusão e divertimento:

- Eu tenho detenção.

- Oh! Certo... – confirmou Hermione tentando raciocinar, mas ele adiantou-se:

- Eu procurei por você ontem... – mas Hermione interrompeu acrescentando como se não tivesse ouvido a última sentença do garoto:

- Ok! Você er... Pode entrar e sentar ali. E eu vou... É... – tateou apontando as cadeiras e afastando-se logo em seguida.

Hermione tamborilou os dedos na mesa tentando evitar ao máximo olhar para frente. A sala mantinha-se em completo silêncio, exceto pelo roçar das penas nos pergaminhos. Procurando parecer calma e distante na medida do possível, tateou a mesa mais uma vez em busca de algo que lhe desviasse a atenção do rapaz sentado logo à sua frente. Mas ele não parecia muito disposto a auxiliá-la:

- Então... Nós estamos nos beijando, mas não estamos nos falando. – concluiu Harry num sussurro. Surpreendida com a abordagem tão direta, Hermione piscou tateando uma resposta não sem antes observar se alguém fitava os dois:

- Eu... Nós não “estamos” nada! – sussurrou de volta. – Aquilo foi um... Lapso! E não vai acontecer de novo. Além do mais eu estou falando com você, só não tenho nada a dizer...

- Um lapso...? – repetiu Harry descrente. Não que lhe agradasse de todo a insistência da garota em não trocar pelo menos duas palavras amigáveis com ele... Porém, não podia deixar de admitir que a relutância dela fosse no mínimo instigante... – Bom, eu suponho que existem várias formas de se colocar...

- Tente assédio... Eu podia te colocar na cadeia! – aqui, Harry não se conteve em abafar uma risada. Alguns olhos se ergueram e Hermione sentiu o rosto corar. Amaldiçoando sua acessibilidade às provocações do garoto voltou-se para a sala novamente:

- Davies! Pare de conversar! Você não está aqui pra conversar, e sim em detenção!

- Potter está conversando!

- Bom Potter aqui acabou de ganhar mais meia hora de detenção, não foi? – Harry ergueu os olhos e fitou a garota por alguns segundos.

- Eu receio que sim... – confirmou ele voltando-se para Davies algumas carteiras atrás da sua.

- Linhas! – insistiu Hermione.

- Mas...!

- Agora!! – acrescentou. Profundamente ofendido, ele voltou-se para o papel e continuou a escrever. Voltando-se para seu próprio pergaminho, Harry riu-se por dentro da irritação da garota, acrescentando um murmúrio:

- Me desculpe... Mas você não pareceu tão indisposta ontem...

- Oh! Você gosta mesmo de si não é? – rebateu Hermione num sussurro entre dentes. E depois procurando ao máximo parecer plausível, mesmo que aquilo não se aproximasse em nada da realidade, atirou. – Não foi nem tão bom assim!

Um momento de silêncio se seguiu até que Harry parou por um momento e fitando-a com um sorriso nos lábios respondeu simplesmente:

- Você acabou de mentir. – Hermione titubeou.

Sentindo o raciocino perder o compasso ela abriu a boca tencionando revidar, porém palavra alguma lhe chegava à mente. E visto que ele continuava a rir-se dela em um silêncio claramente cúmplice, Hermione ergueu-se da cadeira e circulando a mesa num acesso de raiva (mais de sua fraqueza que qualquer outra coisa) tomou-lhe o pergaminho e a pena. Harry parou de rir observando-a surpreso.

- Saia. – retrucou simplesmente. Um momento de silêncio discorreu entre os dois, durante o qual vários olhares voltaram-se para a cena:

- Eu ainda não acabei...

- Acabou sim.

- Mas eu ainda tenho mais meia hora... – tentou Harry novamente com um ar divertido.

- Não tem não. – cortou a garota guiando-o até a porta seguida pelos olhares curiosos.

- Herm...

- Vai! – murmurou Hermione novamente com um ar urgente.

- Eu te vejo no almoço...?

- Vá embora! –cortou Hermione sentindo o rosto corar violentamente.

- Você n... – tentou Harry novamente. Mas antes que pudesse completar ela fechou-lhe a porta na cara. – Tudo bem então...

- Tão injusto... – resmungou um garoto no fundo da sala.

- Cala a boca! – cortou a garota.



Hermione acelerou seus passos pelo corredor firmando a mochila nas costas e seguindo a fila de saída para Hogsmead. Estava com fome, e atrasada. Ou seja, seu humor não era exatamente dos melhores...

Agora... Ela nunca, jamais se atrasava. E ainda sim, ali estava... Qualquer um que não a conhecesse muito bem ignoraria este mero detalhe. Entretanto, Hermione sabia que sua semana havia sido terrível e estava prestes a capotar.

Ela não estava evitando-o realmente. Não propriamente quero dizer... Já perdera a conta de quantos desvios pelos corredores havia feito cada vez que avistava o garoto, e pelo campo de quadribol passava apenas a uma distância no mínimo segura. Havia pulado o jantar da noite anterior (causa da fome), sem contar a ligeira falta de atenção da qual estava se vitimando nas últimas aulas.

Ok, então talvez ela o estivesse evitando. Um pouco.

O que vimos e venhamos não parecia ser suficiente, visto que ele parecia saber muitos pormenores da sua rotina, motivo pelo qual mais de uma vez ele havia conseguido encurralá-la. Hermione realmente gostaria que as coisas não houvessem chegado a esse ponto. Na verdade, sabia muito bem o porquê de evitá-lo. Se deixar levar naquilo seria claramente um erro, do qual ela iria se arrepender. E mesmo sabendo que jamais colocaria tal verdade em palavras, reconhecia que qualquer espaço que desse a ele a faria perder o controle, novamente.

Tentando firmar o pensamento no objetivo à sua frente, sacudiu a cabeça num gesto rápido e colocou-se na fila em silêncio. Com sorte não esbarraria em Harry hoje...

- Oi. – murmurou aproximando-se da garota e postando-se na fila junto com os outros estudantes. Passara a última semana tentando, de todas as maneiras possíveis, trocar pelo menos duas palavras com ela. Nunca imaginou que pudesse ser tão escorregadia... Ela o estava evitando, sabia disso. Entretanto, não podia evitar... Se ele pudesse só ter um momento a sós com ela... Ou talvez uma tarde, em Hogsmead quem sabe...

Num sobressalto Hermione deu um passo para frente sentindo um arrepio subir-lhe pelo pescoço. Erguendo a mão até o local, tentou em vão ignorar o súbito nervosismo que a abatera. Harry continuou dando mais um passo na fila:

- Você vai encontrar Rony também? – perguntou próximo mais uma vez. Hermione deu mais um passo e rebateu:

- Sim. – e acrescentando antes que pudesse conter – Eu estou pensando em avisar que o amigo dele é um tarado que ataca pessoas dentro de armários... – Hermione Jane Granger. – informou ao zelador que procurava seu nome na lista de alunos.

- Você está sugerindo que eu te forcei àquilo? – respondeu Harry com uma risada incontida.

- Não. Eu estou dizendo que você me agarrou! – retorqui Hermione num sussurro, deixando transparecer uma leve irritação da risada do garoto. Harry sorriu ainda mais acrescentando logo em seguida:

- Nós nos beijamos...! – disse com um ar de quem explica algo a uma criança de quatro anos.

- Você me beijou! – corrigiu Hermione.

- E você me beijou de volta! – completou Harry com um ar divertido. Hermione voltou-se para o homem a sua frente em silêncio. Filch mantinha a papel nas mãos, obviamente sem sucesso em encontrar o nome da garota. Num gesto impaciente, tomou-lhe a ficha das mãos e localizou o próprio nome rapidamente:

- Aqui. Pronto! – disse rispidamente acrescentando um “ok” ao lado do seu nome. E então, entregando a ficha para Harry rebateu com um erguer de sobrancelhas. – Ah é? Prove então! - E num gesto rápido voltou-se para os jardins e seguiu deixando Harry com uma expressão de surpresa.

Acelerando o passo Hermione adiantou-se procurando manter o máximo de distância do garoto. Talvez, se ela insistisse em mantê-lo distante ele desistisse. Sem contar com o fato de que a distância certamente tornava tudo mais fácil... – ponderou.

- Espere! – insistiu Harry alcançando a garota nos portões. Hermione voltou-se e observou o garoto aproximar-se. Por que ele estava insistindo tanto? – Será que dá pra parar de fugir, e conversar comigo?

- Eu não estou fugindo! – mentiu Hermione gritando já alguns passos à frente – Eu estou indo para Hogsmead! – Harry parou observando a garota se afastar exasperado.

- O qu...? Sério? Onde nós estamos no jardim de infância? – vendo que a garota continuava a ignorá-lo adiantou-se contrariado.

Ele não podia dizer que a situação era exatamente familiar... Ela estava definitivamente evitando-o, disso ele tinha certeza. E algum tempo atrás, talvez ele não se propusesse ao trabalho de insistir assim, mas de alguma forma ele também sabia que qualquer que fosse a razão pela qual a garota o rejeitava nada tinha haver com o fato de gostar dele ou não. E mesmo ela parecendo ser mais teimosa do que poderia esperar, ainda estava disposto a tentar mesmo sem saber exatamente o porquê. Claro que tudo aquilo não deixava também de ser mais que divertido...



- Essa é a melhor maneira não é? – questionou Sirius mais uma vez. Remus fitou o amigo novamente mantendo-se em silêncio por alguns segundos.

- Se James e Lily preferem assim... Então eu concordo. – concluiu medindo as palavras em voz baixa.

- Eu sei! – emendou Sirius rapidamente. – Eu não estou dizendo que não concordo, é só que... Eu não sei, talvez... – interrompendo-se, fitou o pub lotado em volta antes de acrescentar – Talvez deixar Peter... Eu não sei... – murmurou, calando-se em seguida.

Ambos, Sirius e Lupin olharam em volta antes de dar prosseguimento à conversa. O Três Vassouras estava particularmente cheio e barulhento. Durante aquela manhã Remus havia lhes dito, tanto a ele quanto a James e Lílian que aquele sábado seria de visitação ao povoado. Motivo este pelo qual Hogsmead estava apinhada de estudantes... Havia já algumas horas que os dois esperavam o retorno de Peter com notícias. Atentando para a porta do bar a todo instante Lupin prosseguiu curvando-se sobre a mesa:

- Mantê-los aqui seria ainda mais perigoso, principalmente agora... – disse observando a mudança na expressão do amigo. Sabia que havia muitos assuntos nos quais Sirius e James concordavam, até onde se estendia a fé que ambos punham nas pessoas não era um deles.

- James ainda não acredita que qualquer um dos membros poderia... – mas Lupin interrompeu com um ar de antecipação:

- Sirius você sabe que James nunca foi muito racional em questões como essas, e mesmo agora nestas condições... Se ele se recusa a desconfiar de qualquer membro da Ordem melhor que todos três se afastem. – Lupin manteve-se calado por alguns segundos até que ele acrescentou com um tom de preocupação – Harry sabe?

- Não. Ainda não pelo menos... – respondeu o outro com um ar pesaroso – Eu não sei se eles vão contar até o momento certo... Mas mesmo assim, eu não acho que Harry vai... O que foi? – questionou Sirius interrompendo a fala ao notar o desvio de atenção do homem para a porta:

- Ronald. – respondeu Lupin prontamente. – E ele acabou de nos ver... – acrescentou visto que Sirius fizera menção em erguer-se e partir. Um encontro com o garoto ali significaria certamente que Harry viria também, e junto com ele uma maré de perguntas, as quais nenhum deles poderia responder...


- O que exatamente eles disseram? – insistiu Harry meia hora depois. Rony aceitou a caneca de chá abraçando-a com ambas as mãos e voltou-se para o amigo, Hagrid deu-lhe as costas e tratou de servir Hermione com outra caneca tão grande quanto a primeira servida.

- Eu já disse! – repetiu Rony com um tom enfadado, e tomando uma golada de chá devolveu-a imediatamente fazendo uma careta. – Eles estavam com pressa... – acrescentou Rony balançando a cabeça negativamente para a amiga que captando o olhar de desagrado murmurou o mais educadamente possível:

- Obrigada Hagrid! Mas eu, er... Não, obrigada. – concluiu calando-se em seguida.

- Você disse que eu estava chegando? – continuou Harry sem esconder a insatisfação pela falta de consideração do padrinho.

- Disse. – respondeu Rony.

- E...? – exigiu Harry. Hermione observou enquanto o amigo desviava claramente o olhar para a janela.

- Harry, eu tenho certeza que seu pai teria falado com você se pudesse! – interveio Hagrid. Claramente certo de que estava auxiliando, ele prosseguiu com um tom apaziguador. – Não precisa ficar irritado! – mas ele nem mesmo registrou a última sentença, rebatendo em seguida:

- Meu pai esteve em Hogwarts? – interrogou Harry fitando a expressão subitamente culpada que surgira no amigo. Um silêncio pesado se abateu no casebre, foi a vez de Harry voltar-se para a janela evitando os olhares sobre si. Uma urgência de ficar sozinho recaiu sobre ele, que se sentia desconfortavelmente observado por Rony e especialmente por Hermione do outro lado da saleta.

- Com certeza ele só estava com pressa, você sabe... Outras coisas... – tateou Rony sem saber o que dizer.

- “Mais importantes”? - completou Harry tentando imaginar com amargor o que deveria ser mais importante que o próprio filho...

Hermione encarou Rony erguendo as sobrancelhas com uma expressão irritada. Dando de ombros, ele pareceu arrependido pela falta de tato. Obviamente não pretendia soar daquela forma...

- Eu não quis dizer...

- É... Certo eu entendi... – cortou Harry. E murmurando uma desculpa qualquer sobre voltar levantou e saiu com ambos Rony e Hermione em seu encalço.

- Harry! – chamou Rony adiantando o passo e ladeando o amigo, mas este não parou. Hermione acelerou e exclamou logo atrás dos dois:

- Espere! – não parecendo surtir efeito algum no garoto ela acrescentou segurando-lhe o pulso. – Harry! Espere...

Ele parou e voltou-se para ela. Hermione fitou o garoto por um momento e pode notar a surpresa dele ao encará-la ainda com Rony ao seu lado. Era a primeira vez que o chamava pelo seu nome, provavelmente o motivo pelo qual acabara por chamar sua atenção além de qualquer outra coisa. E mesmo para ela de algum modo chama-lo assim ainda parecia um ganho súbito de privacidade, como se a proximidade do encontro que os dois haviam tido algumas noites atrás só agora lhe atingisse realmente:

- Eu tenho certeza de que existe uma razão para que eles estejam te evitando...

- Vocês já...

- Não! De verdade! – cortou Hermione acrescentando com uma expressão dura. – Vocês ainda não perceberam?

Harry manteve-se em silêncio observando-a. Um vento seco e frio perpassou pelos três que se mantinham em pé ainda na orla da floresta. Rony olhou em volta, estava escurecendo...

- Pessoal... – tentou, mas Harry parecia levemente ofendido com o tom exasperado da garota, que parecia estar lidando com duas crianças de três anos de idade:

- O que? – aqui, Hermione aproximou-se dos dois e dando uma olhada nos arredores num gesto similar ao do amigo respondeu numa voz urgente e sussurrada:

- Digamos que aquele primeiro ataque ao Beco foi aleatório como seu pai disse. – começou ela. – Isso faria sentido, quero dizer... Um lugar cheio de gente iria causar comoção, pânico e tal, e talvez o fato de nós estarmos lá fosse coincidência... Mas então, o Noitebus! Quero dizer... Ninguém além dos membros da Ordem sabia que agente iria estar ali! E mesmo assim! Quem mandaria um ataque aleatório para causar pânico no meio do nada!?

- O que você...?

- O que eu quero dizer é que deve haver uma razão para que eles estejam nos afastando da Ordem... – e respirando fundo Hermione acrescentou com um tom confiante. – Não é óbvio? Tem um traidor na Ordem da Fênix! E a única razão pela qual eles estão escondendo isso é para nos proteger!

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