O Fim de Tudo



Cap. 14 - O Fim de Tudo

Havia luzes jorrando em todas as direções, feitiços, cada um mais poderoso e letal que o anterior, acertavam, um a um, todos os bruxos que duelavam. Fazia apenas pouco mais de uma hora que Snape entrara em contato com a Ordem, avisando que Potter e mais alguns estudantes haviam ido ao Departamento de Ministérios, levados por uma armadilha de Voldemort.

Todos os que estavam na sede saíram imediatamente, inclusive Sirius, ignorando os protestos de que deveria ficar, de que era uma idéia insensata e perigosa, de que deveria cumprir as ordens de Dumbledore e permanecer em casa. Agora lá estava ele, lutando contra Dolohov, um homem de rosto torto e muito pálido escondido por trás da máscara negra. Tonks, que estuporara Lúcio Malfoy logo de saída, agora duelava com dois bruxos de uma vez só, pulando, como se executasse uma pequena dança, para se desviar das maldições lançadas a ela, enquanto ouvia a própria voz pronunciar feitiços e contra-azarações, sem ter muita consciência do que exatamente estava dizendo. Só o que precisava era ser rápida o bastante.

De repente, um dos homens com que lutava foi derrubado, caindo de costas no chão de pedra fria, estuporado, rolando escadaria abaixo. A alguns metros de distância, ela viu Quim, provavelmente quem lançara o feitiço, voltar à batalha com seu Comensal. Ela acertou o outro, que desabou, com as pernas se mexendo febrilmente, sem controle, impedindo-o de ficar de pé. Ele gritou e fez escândalo, mas, com a varinha tendo caído fora de seu alcance, apenas continuou a se contorcer. Ela não descera sequer mais um degrau, quando Bellatrix apareceu à sua frente. O rosto pálido e magro já perdera toda a beleza que continha na juventude, e agora trazia um ar obsessivo, delirante, nos olhos negros.

Bellatrix era boa, talvez melhor que todos os demais ali, juntos. Lançava feitiços poderosos e conhecia maldições das mais terríveis, que não tinha o menor receio de executar. Tonks lutou com sua própria tia como se fosse apenas outra bruxa qualquer. Mas, mesmo que estivesse dando o melhor de si, ela viu, com menos de uma fração de segundo como aviso, o jato de luz roxa em sua direção. Uma pequena exclamação de surpresa lhe escapou dos lábios quando o raio a atingiu no peito. Não tivera tempo de se proteger. Não fora rápida o bastante.

Ela cambaleou, e sentiu o corpo desabar e cair, com um baque surdo, nos degraus de pedra. Ficou consciente apenas por mais um instante, onde a risada cruel de Bellatrix encheu sua mente, e as imagens se tornaram difusas, embaçadas, até virarem apenas uma bagunça de luzes, cores e sons, e nada mais fazer sentido. Então, tudo escureceu.

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Quando pequeno, Remus aprendera a se conformar com a vida. Fora mordido por um lobisomem, e, embora os pais tivessem feito o impossível para salvá-lo de um futuro tão sofrido, não houve nada que pudessem fazer. Ainda garotinho, ele lembrava-se do pânico o invadindo, do medo de se transformar, da dor que tudo aquilo lhe causava. Era apenas uma criança. Tinha vagas memórias de ir ao quarto de seus pais, no meio da noite, chorando, com medo da lua cheia, que chegaria nas próximas noites. E de ouvir a mãe chorar, escondida, quando pensava que ele já estava dormindo. Era culpa dele. Ele estava fazendo seus pais infelizes.

Ele fazia as pessoas sofrerem, pensou, em sua mente de apenas seis anos de idade.

A partir daí, ele se tornou, pouco a pouco, fechado, sério, cansado. Não deixava mais a mãe entrar para vê-lo, durante os dias em que se transformava. Não queria vê-la triste por causa dele. Não queria preocupá-la. Ficava trancado em seu quarto, deitado, alternando sonos conturbados com momentos de dolorida lucidez, até a noite cair e novamente a maldição envolvê-lo. Com oito anos, já havia olheiras profundas abaixo de seus olhos.

Mas conseguiu entrar em Hogwarts, e aquele fora um dos momentos mais felizes de sua vida. E lá, três garotos o fizeram acreditar no contrário. Eles lhe deram a idéia de que qualquer coisa era possível, se você realmente estivesse disposto a lutar por ela; o fizeram acreditar que o destino era escrito unicamente por eles, sem interferências. Tudo era possível. A vida se tornou mais leve, mas divertida, mais fácil. Até as transformações deixaram de ser tão doloridas. Ele tinha, afinal, verdadeiros amigos, que o aceitavam como ele era. Aquilo lhe causava uma felicidade incapaz de ser exprimida com palavras.

Mas a guerra tomava conta do país, e não se podia confiar em ninguém mais. Havia um traidor entre eles, a semente da desconfiança fora plantada no coração e na mente de todos. Não olhavam mais uns para os outros com cumplicidade, com amizade, mas com desconfiança e temor. E, quando Lílian e Tiago morreram, todo aquele mundo de fantasia que os amigos haviam criado para eles próprios – onde Remus era um homem normal, onde nada era impossível, onde os sonhos viravam realidade – pareceu ruir embaixo de seus pés. Ele estava novamente sozinho.

Levou muito tempo para que ele se recuperasse dos acontecimentos daquela noite fatídica, do assassinato dos Potter. Perdera seus melhores amigos naquele dia.

Porém, uma garota, de cabelos coloridos e sorrisos contagiantes, o fez recuperar o gosto pela vida, tempos mais tarde. E, depois de alguns anos, Sirius reapareceu, se provando inocente. As coisas recomeçaram a andar no rumo certo. Até agora. Até a batalha no Departamento de Ministérios.

A morte de Sirius ainda estava muito fresca, muito recente. Por breves instantes tivera de deter o impulso de se juntar a Harry naquela busca frenética, de ir até o véu e atravessá-lo, sacudi-lo, como se, com isso, Sirius pudesse reaparecer magicamente. Mas, no fundo, sabia que o amigo tinha partido para sempre. Era difícil de aceitar. Ele era o único que restara dos Marotos. Não havia mais ninguém, ninguém com quem pudesse conversar, ninguém que o entendesse. Ninguém, exceto Tonks.

Mas ali estava Tonks, desacordada em uma cama de hospital, e ainda não pareciam capaz de identificar a maldição que fora usada contra ela. Não havia nenhum dano físico aparente – pelo menos não por conta do feitiço, apenas por ter rolado incontáveis degraus de pedra, quando desmaiou – exceto a palidez em seu rosto. O enorme corte em sua cabeça, resultado da queda, havia sido fechado imediatamente. Ela ainda respirava, mas estava cada vez mais fraca, como constataram os curandeiros.

Ela está bem, repetiu Remus a si mesmo pela centésima vez, enquanto esperava sentado no corredor do St. Mungus, uma xícara de café tremendo nas mãos. Ela vai sobreviver... Ela precisa sobreviver.

Essa era a segunda noite que passava no hospital. Tinha se recusado a sair até que ela acordasse, embora todos insistissem que não sabiam quanto tempo isso ia levar. Ele queria estar lá quando ela acordasse, para lhe contar tudo o mais que acontecera na luta, e poder consolá-la, depois.

E ainda havia mais o que contar.

Dumbledore viera conversar com ele no dia anterior. Na chegada do diretor ele se encontrava dormindo – um de seus raros momentos em que conseguira fechar os olhos – naquela mesma cadeira, mas Alvo tratou de acordá-lo sem rodeios. Tinha algo importante para pedir a ele.

Remus se prontificou antes mesmo de ouvir a proposta, a fazer o que Dumbledore pedisse. Depois que ele explicou o que queria, no entanto, se mostrou hesitante. Era um trabalho perigoso, arriscado, que podia lhe custar a vida. Mas tremendamente necessário para a Ordem. Não haviam todos concordado, no momento em que souberam do retorno d’Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, há um ano atrás, que estavam dispostos a dar a vida para ajudar a salvar o mundo bruxo? Que iriam aceitar qualquer risco para poderem ser úteis à Ordem?

Não há nada mais importante para mim do que ser útil à Dumbledore, ele se lembrou de ter dito em algum momento, em um passado distante. Um passado onde Tonks ainda não entrara em sua vida. Onde ele não tinha nada a perder.

Mas e agora? E agora que ele, finalmente, havia encontrado a felicidade nos olhos de outra pessoa, agora que o amor chegara até ele na forma daquela garota tão especial, será que agora ele estava mesmo disposto a arriscar tudo? Será que ele estava disposto a perdê-la? Que importava o mundo, afinal? Milhares de pessoas que ele não conhecia, tragédias que não lhe faziam parte, em troca da felicidade daquela única pessoa, daquela que ele amava?

De repente, ele não tinha mais tanta certeza do que estava fazendo.

- Sr. Lupin? – um curandeiro alto e magro, de cabelos loiro-avermelhados e aparência cansada o chamou – Gostaria de lhe informar. A Srta. Ninfadora Tonks está acordando. Parece que as poções finalmente começaram a dar resultado – ele lhe deu um sorriso satisfeito.

Ele mal ouvira o fim da frase, já estava de pé, e precipitava-se o mais rápido que podia para o quarto dela. Quando chegou, uma enfermeira ia saindo, uma bandeja repleta de frascos de todos os tamanhos, alguns ainda contendo restos de líquidos coloridos, nas mãos. Ela levou o dedo aos lábios quando o viu, um sinal para que fizesse silêncio. Atrás dela, ele viu Tonks, os cabelos loiros e cacheados, se mexer na cama de lençóis brancos e piscar os olhos algumas vezes, antes de vê-lo. Ainda estava pálida, mas sorriu de modo tranqüilizante quando ele se aproximou.

- Oi – disse a ele, e ele se sentou ao seu lado, segurando sua mão protetoramente – Há quanto tempo estou dormindo?

- Dois dias – respondeu – Como está se sentindo?

Ela gemeu e se ajeitou lentamente na cama – batendo acidentalmente na mesa de cabeceira e fazendo o vaso de flores sobre ela tremer ameaçadoramente –, de modo a ficar sentada.

- Dolorida. Mas acho que vai ficar tudo bem. Logo vou estar pronta para outra – ela riu.

Uma onde de pânico tomou conta dele quando novamente lembrou do que teria de contar a ela, mais cedo ou mais tarde. Além da morte de Sirius, a segunda notícia agora lhe parecia tão ou mais aterradora quanto à primeira. Não queria ser o responsável por trazê-la de volta ao mundo real de forma tão brusca. Engoliu em seco. O conflito que se passava dentro dele devia ter transparecido em seu rosto, por que ela ficou séria e colocou a mão delicadamente em seu rosto.

- Aconteceu alguma coisa – afirmou, olhando para ele como se o analisasse – O que foi?

- Eu não... – ele hesitou – É melhor você descansar – disse, perdendo a coragem, e desviando bruscamente de assunto – Você deve estar cansada, precisa dormir... – ele acariciou lentamente os cabelos dela, mas ela não desistiu.

- Remus – disse firmemente, aquele antigo brilho de curiosidade em seus olhos – O que houve? O que aconteceu, que você não quer me contar?

- Tonks – suspirou. Não ia conseguir vencê-la. Decidiu-se por contar então apenas a primeira das verdades de que ela teria conhecimento mais tarde. Seria insensatez dizer tudo a ela quando acabava de abrir os olhos – Sirius... Sirius morreu. Na batalha. Bellatrix o matou.

Ele viu que a informação levou alguns segundos para finalmente acertá-la, e a expressão dela mudou lentamente. Seus olhos se encheram de lágrimas, que ela enxugou com a manga das vestes. Ele se levantou e se debruçou sobre a cama, para abraçá-la e ela passou os braços ao redor de seu pescoço. Um soluço lhe escapou dos lábios e ela não conseguiu mais segurar o choro. A realidade começava a invadi-la, de forma brusca e cruel, como sempre. Ele apertou o abraço, os olhos fechados, o rosto se misturando aos cabelos dela. Não teve certeza do que queria na hora: consolá-la ou ser consolado. Mas, com uma fisgada no peito, ele lembrou a si mesmo que ainda teriam muito o que enfrentar pela frente, e que caberia a ele a parte mais difícil de todas.

Terminar o que haviam começado há sete anos atrás.

---

- Remus. Remus, acorde!

Lupin abriu os olhos lentamente, e a figura alta e magra de Alvo Dumbledore entrou em foco. Na verdade não se sentia mal por ter sido desperto – não estava tendo exatamente sonhos reconfortantes.

- Ah. Ah, olá Dumbledore.

- Olá, Remus. Perdoe-me por acordá-lo. Sei que está passando por momentos um pouco conturbados, como vários de nós, e é uma bênção conseguir fechar os olhos em horas assim. Mas peço que compreenda que estou aqui para tratar de assuntos urgentes e muito delicados. Resumindo, preciso lhe pedir um favor.

- Claro – apressou-se a dizer, sentando-se ereto na cadeira, e convidando o diretor a fazer o mesmo, indicando com a cabeça a cadeira a seu lado.

- Muito bem, então – exclamou, ajeitando as vestes e sentando-se – O que tenho a lhe pedir, meu caro, nem de longe me proporciona algum prazer, mas creio que é um mal necessário. Preciso de sua ajuda, e é um dever que não posso confiar a mais ninguém.

Lupin estava ficando curioso, já pensava no que o diretor planejava para ele que poderia ser tão importante. Como ele não disse nada, o outro continuou.

- Quero que fique bem claro que é uma tarefa bastante perigosa, mas duas vezes mais recompensadora, ou pelo menos será, se tudo sair como planejado. Eu confio que você será capaz de executá-la.

- Será um prazer poder ajudar em alguma coisa.

- Ótimo, ótimo então – ele lhe sorriu – O que preciso, Remus, é de alguém que possa se infiltrar entre um grupo específico de seguidores de Voldemort, sem levantar suspeitas, e depois passar as informações que obtiver para a Ordem. Também desejo, é claro, que possa convencer ao menos parte deles a virem para o nosso lado.

Dumbledore parecia sério e cauteloso, uma expressão de desculpas no rosto, e Remus teve um mau pressentimento sobre isso. Já desconfiava agora de qual seria sua missão. O coração batia descompassado no peito e ele teve medo de ouvir o que viria a seguir.

- Em outras palavras, um espião.

- E que – ele não queria ouvir a resposta dessa pergunta, mas precisava ter certeza de que seus receios se estavam confirmando. Respirou fundo – E a que grupo você quer que eu me una? – perguntou, com uma voz que não parecia a dele.

- Ah, Remus – o bruxo suspirou, e seus olhos muito azuis o fitaram tristemente – Sinto muito. Mas preciso que você se junte aos lobisomens de Fenrir Greyback.

---

O silêncio encheu o quarto de Tonks. Ela estava sentada em sua cama, os olhos fixos no rosto de Remus, que fitava decididamente o chão, agora que acabara de lhe contar o que se passara com Dumbledore, e seu novo dever para com a Ordem. Estavam no apartamento dela, que, por estar desabitado há vários meses, esses os quais ela passara na sede da Ordem, estava bastante organizado, exceto por um par de sapatos jogado no canto do quarto e um livro aberto sobre a escrivaninha, provavelmente esquecido ali. Ela recebera alta naquele mesmo dia, e ele a acompanhara até ali, confessando que havia algo muito sério sobre o que precisavam conversar.

Mas ela nunca esperara por isso.

- Você – a voz dela saiu trêmula e fraca – você vai viver com os lobisomens de Greyback? – perguntou novamente, só para se certificar de que entendera bem. Ele acenou com a cabeça, confirmando – Não – sussurrou ela, aterrorizada – Não, você não pode! – repetiu dessa vez em voz alta.

- Eu tenho que ir – murmurou, ainda olhando para os sapatos, como se estes pudessem ser incrivelmente mais interessantes – Prometi a Dumbledore.

- Então, vá lá e diga que mudou de idéia! Diga, diga... eu não sei, diga qualquer coisa. Invente uma desculpa. Você não pode ir, Remus! Você vai – a voz dela caiu até que ele só pudesse ouvir em um murmúrio – morrer.

Ele ergueu o rosto finalmente. Ela o encarava, próxima ao desespero, esperando que ele concordasse com ela. Não estava chorando, não ainda, mas ele a conhecia e sabia que as lágrimas não poderiam ser seguradas por muito mais tempo.

- Desculpe – disse – Mas eu fiz uma promessa. Não vou decepcionar a Ordem.

- Ótimo! – exclamou ela, com a voz estrangulada – Claro, por que o que pode ser mais importante que a Ordem, afinal, não é mesmo? Você prefere se entregar à morte assim, sem ao menos tentar impedir, mas não faz mal, não é, é pela Ordem! – gritou, esganiçada.

- Tonks, por favor. Se Dumbledore me pediu isso, conhecendo os riscos, é porque tem um motivo. Ele sabe o que está fazendo. Eu não vou contrariá-lo.

- Você tem medo de contrariá-lo, é o que quer dizer, não é? – agora as primeiras lágrimas começavam a escorrer – Você não vai fazer nada contra a vontade dele porque sempre precisa estar agradando todo mundo, com medo de que não gostem de você se não fizer isso! Mas por que nunca pensa em si mesmo, ao menos uma vez na sua vida? E, se não quiser ficar por você, fique por mim – acrescentou, suplicante – Por favor. Você sabe que vai ser inútil, sabe que eles não vão ouvir você!

- Ah, é bom saber o quanto você confia em mim!

- ELES SÃO MONSTROS, REMUS! – gritou, exasperada.

O rosto de Remus empalideceu, ele ficou sem ação. A encarou como se nunca a tivesse visto antes.

- Eu não... me desculpe, eu não quis... – balbuciou ela.

- Sei o que quis dizer – disse ele – Obrigado por me dizer o que realmente pensa sobre lobisomens, Ninfadora. Acho que já era hora de eu saber.

- Me perdoe – sussurrou – Eu não estava falando disso... eles... eles não são...

- Tudo bem.

- Não. Não, olha, nós vamos dar um jeito nisso, está bem? Você pode ir, se acha que é o certo – ela andava de um lado para o outro no quarto, tentando pensar racionalmente outra vez – Mas, por favor, por favor, Remus, tome cuidado. Mande notícias, eu sei que vai ser difícil, mas mesmo assim, você pode se afastar de vez em quando para me mandar um patrono, ou...AI! – chutara o pé da cama – Ou venha para cá, sempre que puder, aqui para o meu apartamento, afinal ainda não temos uma nova sede para a Ordem, e você pode dormir aqui...

- Tonks, eu não posso fazer isso – ele criara coragem para interrompê-la.

- O que? – ela parou de andar, sem entender a que ele estava se referindo – Vir para cá? Bom, eu sei, talvez seja um pouco difícil para você sair de lá, sabe, sem levantar suspeitas, mas mesmo assim...

- Não, Tonks. O que eu estou querendo dizer é... eu não posso deixar você aqui, se preocupando comigo desse jeito. Seria... muito egoísmo da minha parte, não acha? – ele não queria, não queria mais dizer nada, queria simplesmente parar ali e deixar tudo como estava, mas se obrigou a continuar falando – Eu quero que você seja feliz, e que... – ele engoliu em seco – encontre alguém que seja tudo o que você merece, mas... eu não posso...

- Remus, cale a boca!

- Eu não quero mais... continuar com isso. Eu não quero... mas eu preciso... – ele foi até ela – Nós precisamos terminar, Ninfadora. Eu não vou submeter você a uma vida assim, sempre com medo, sempre preocupada, com um homem tão pobre, tão velho... amaldiçoado.

- Eu não me importo.

- Estou fazendo isso pelo seu bem. Entenda, por favor. Eu só queria... dizer adeus...

Ele a beijou. Longa e ardentemente, como se fosse o último, e ela retribuiu, antes que pudesse evitar, já se vendo outra vez entregue a ele. Se passou muito tempo, talvez, ela não sabia dizer. Mas, quando as mãos dela começaram a desabotoar sua camisa, ele segurou-as e se afastou dela.

- Você me ama – ela sussurrou, como que para lembrá-lo disso.

Ele lembrava. Tanto que tinha vontade de simplesmente puxa-la de volta para si e passar a noite ali com ela, a vida toda se pudesse, apenas amando-a e a mais nada. Mas sabia o que tinha que fazer, e se obrigou a olhá-la nos olhos para responder provavelmente a maior mentira de sua vida.

- Não. Não amo.

Ela arregalou os olhos, chocada, enquanto ele apanhava seu casaco e deixava o quarto. Ela correu atrás dele até a porta que dava para fora do apartamento, e alcançou-o quando ele a abriu. Abriu a boca para dizer algo, os lábios ainda estavam vermelhos, mas quando encontrou os olhos dele não soube o que dizer. Deixou-o, então, ir embora, de uma vez por todas, da sua vida.

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N/A: Bem, bem, bem... até que eu não demorei tanto assim para postar dessa vez, né? Eu sei que esse capítulo é bem batido nas fics Remus/Tonks, sempre tem a morte de Sirius e tal, mas eu tentei fazer com que ficasse um mínimo possível interessante.

Ah, e também já tenho bastante coisa escrita para os próximos capítulos - não faltam muitos na verdade - mas a maioria sào apenas rascunhos, e talvez eu demore um pouco para postar, já que agora que o ano está acabando, tem um zilhão de provas e eu tenho que estudar, né... Mas assim que der eu posto o cap.15!

Ah, obrigada a todos que comentaram os últimos capítulos!! Eu sempre fico feliz quando recebo comentários (quem não fica??), e dessa vez, tiveram até alguns quietinhos que comentaram!! :D
Obrigada mesmo!!!
Deixem coments hoje também, viu?

Beijos,
Holly Granger


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