Loyalties



Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling. Essa história também é inspirada em “A Shattered Prophecy”, do Project Dark Overlord.


Chapter Seventeen - Loyalties


James desceu cuidadosamente as escadas, tomando cuidado para não colidir com nada no corredor escuro. Em sua casa, podia andar no escuro e saber onde estava indo, mas no quartel-general a história era diferente. Viu uma fresta de luz escapar pela brecha na porta da cozinha e correu até ela. Abriu a porta e encontrou a esposa sentada à mesa com uma caneca fumegante à sua frente. Lily sorriu cansada para o marido.


- Bom dia – disse ela calmamente.


James entrou, fechando a porta com calma ao passar.


- Bom dia – cumprimentou em resposta. Andou até ela e segurou seu rosto entre as mãos, esfregando o polegar em sua bochecha. – Também não conseguiu dormir, hã?


Lily apenas suspirou, estendendo o braço para tocar as mãos do marido.


- Não – respondeu ela.


James afastou as mãos e sentou-se ao lado dela. Estava da mesma forma. Passara a noite acordado na cama, escarando o teto. Tinha visto a esposa se levantando e saindo do quarto, mas presumira que estivesse indo ao banheiro. Só depois de ela sumir por cerca de meia hora ele se levantou e foi procurá-la.


- Harry ainda está dormindo? – questionou Lily, sabendo que o esposo, assim como ela, devia ter verificado o quarto dele ao descer.


James assentiu.


- Sim, ele está dormindo – respondeu ele. – Dei uma olhada nele. Fiquei perto da porta dessa vez, caso o assustasse novamente.


A expressão de Lily escureceu e ela desviou o olhar, fixando-se na mesa de madeira escovada.


- Eu nunca imaginei que nosso reencontro seria assim – disse ela com tristeza. – Ele estava tão furioso – sussurrou, balançando a cabeça.


James assentiu, a culpa ainda o assolando.


- Com razão – disse ele. – Estava machucado e eu nem sabia disso. – Ele sacudiu a cabeça, tirando os óculos para esfregar os olhos. – Eu devia ter ido vê-lo. Essa devia ter sido a primeira coisa a fazer quando o trouxe para cá.


A ruiva não disse nada de imediato. A verdade era que também estava aborrecida com o esposo. Ele devia ter checado os machucados de Harry, já que foi ele quem o jogou do outro lado da rua numa vitrine de vidro. Se fez por querer ou não, não era relevante.


- Você acha que Dumbledore vai conseguir convencer o Ministro? – Lily fez a pergunta que era responsável por sua falta de sono.


James levou um tempo para responder.


- Eu não sei – respondeu ele com sinceridade. – Espero que sim, Dumbledore pode ser muito persuasivo – acrescentou.


Lily olhou para ele, os olhos verdes cheios de apreensão.


- E se ele não conseguir? – perguntou com um sussurro. – E se o Ministro insistir em prender Harry novamente? O que fazemos?


James se perguntara a mesma coisa. Estivera pensando sobre esse cenário desde que Dumbledore lhe disse que ia falar com Fudge e convencê-lo a deixar o garoto no quartel-general da Ordem.


- Então pegamos Harry e fugimos – respondeu ele.


- Para onde? – indagou a ruiva, sem se opor à sugestão. – Para onde vamos?


- Qualquer lugar – respondeu o auror. – Sairemos do país, nos esconderemos no mundo trouxa se necessário. – James encontrou os olhos preocupados da esposa. – Não vou perdê-lo de novo, Lily. Nem para meu inimigo, nem para o meu pessoal.


A ruiva concordou com a cabeça. Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.


- Estava esperando você dizer algo assim – disse ela aliviada. – Não posso te dizer como eu ficaria magoada se você abrisse mão.


O auror sorriu cansado.


- Eu nunca abriria mão – assegurou-lhe. – Essa palavra não está em meu dicionário – brincou.


- Tecnicamente são duas palavras – apontou Lily.


- Sabe o que quero dizer – disse James com uma pequena risada.


Ambos ficaram em silêncio, apenas sentados à mesa, perdidos nos próprios pensamentos sobre o que o futuro traria.


- Madame Pomfrey disse mais alguma coisa sobre Harry antes de sair? – perguntou James.


- Não, ela só falou quais poções deixou para ele, e pediu que nos certificarmos que ele as tome – respondeu a ruiva. – Ela disse que se houvesse algum problema podíamos ir buscá-la.


- É claro. – James suspirou. – Ela não é um membro da Ordem. Não por vir sozinha.


- Eu vou buscá-la se for preciso – disse Lily. – Não será necessário, quero dizer, vamos tomar conta dele, garantindo que se recupere direito e que não haja mais problemas.


Ele assentiu com a cabeça, sentindo-se nervoso com o mero pensamento de encarar o filho novamente. Como podia, depois de causar-lhe tanta dor e desconforto? Como que lendo seus pensamentos, Lily colocou uma mão reconfortante sobre a dele.


- Não se preocupe, James. Apenas peça desculpas a Harry. Você não queria machucá-lo. Tenho certeza que assim que se acalmar ele entenderá.


- Espero que sim – murmurou ele.


Ambos, marido e mulher, continuaram a conversar nas horas que se seguiram. Pouco antes das oito da manhã dois altos estalos ecoaram na casa silenciosa. James e Lily viram quando a porta se abriu e Arthur e Molly Weasley entraram na cozinha.


- Ah! Não estava esperando vê-los de pé. – A mulher sorriu ao ver os Potters.


- Molly, Arthur – cumprimentou-lhes Lily, surpresa. – Vocês vieram mais cedo – comentou. Sua testa franziu de repente. – O que Damien fez?


Molly sorriu ao caminhar até ela.


- Nada – garantiu. – Ele está bem, comportando-se muito bem.


- Bom. – Lily sorriu. – Obrigada novamente, Molly, por deixá-lo ficar na Toca.


Ela e James não poderiam ficar no quartel-general tomando conta de Harry se Damien estivesse em casa sozinho.


- Não é incômodo algum. – Molly acenou com a mão. – Ele está se divertindo, passou todo o dia de ontem caçando gnomos no quintal com os garotos. – Molly sorriu. – Ficou cansado. Está dormindo no quarto de Ron, eu os chequei antes de sair.


- Então, por que estão aqui tão cedo? – perguntou James.


Molly apressou-se até o fogão.


- Recebemos uma mensagem de Dumbledore – respondeu ela.


- Uma reunião de emergência – explicou Arthur.


James e Lily trocaram olhares nervosos.


- Sério? O que ele disse? – perguntou o auror, levantando-se da cadeira.


- Apenas para virmos para cá o mais rápido possível – respondeu Arthur. – Bill ainda estava na cama, mas murmurou que viria depois, então partimos.


- Tenho certeza que ele chegará a tempo – disse Molly. – Lily, James, vocês tomaram café da manhã? – perguntou.


- Não, apenas um pouco de chá – respondeu o auror.


- Aqui, vou ajudar. – Lily correu para ajudar Molly, que começou a empilhar ovos e pão sobre a bancada.


- Como está se sentindo? – perguntou Arthur gentilmente a James. Ele era pai também e só podia imaginar o desgosto que o outro estava enfrentando.


- Bem, eu acho – disse o auror. Ele olhou ao redor, para Lily e Molly, antes de encontrar os olhos do companheiro. – Dumbledore parecia satisfeito? – perguntou. Sabia que o Diretor devia ter falado com o Ministro, foi por isso que convocara uma reunião, para contar o resultado à Ordem.


- Não mais que o normal – respondeu Arthur.


James ficou em silêncio, sentindo o coração acelerar de repente. Rezou para Dumbledore trazer boas notícias consigo.


xxx


Por volta de oito e meia da manhã todos os membros da Ordem estavam na sede, tinham recebido a mensagem. James e Lily estavam entre eles, incrivelmente nervosos e ansiosos. Os olhos fixos na porta, esperando Dumbledore chegar e comunicar a notícia que determinaria o futuro de seu filho.


Sirius acordara logo após Molly e Arthur chegarem. Sentou-se com o casal de amigos, os olhos turvos e cansados. Tentara conversar com James, oferecer palavras de conforto, mas o amigo estava nervoso demais para escutá-lo. No fim, apenas sentou em silêncio ao lado deles, esperando a chegada de Dumbledore também.


O diretor apareceu quase de repente. Entrou, fechando a porta ao passar, e chamando a atenção de todos. Os Potter se sentaram, os olhares fixos no bruxo de cabelos brancos e sua expressão, tentando perceber se a tentativa com o Ministro foi um sucesso ou não.


Dumbledore caminhou ao seu lugar de sempre, em frente aos membros da Ordem e inclinou a cabeça em respeito.


- Bom dia e obrigado por terem vindo em tão pouco tempo. – Seus olhos azuis examinaram o cômodo e pousaram em James e Lily. O bruxo sorriu para eles. – Tenho uma boa notícia. O Ministro concordou que Harry fique aqui, na sede.


O alívio quase afogou o casal. Eles tinham entrelaçado as mãos e o aperto aumentou com as palavras de Dumbledore. Os dois fecharam os olhos em um silencioso agradecimento. Trocaram um rápido sorriso entre si antes de se focarem no diretor novamente.


- Eu enviei uma mensagem a Cornelius ontem à noite, explicando que Harry estava comigo – continuou o bruxo. – Ele pediu para conversarmos essa manhã e me convidou à sua casa, para que pudéssemos discutir a questão em particular – explicou. – Após muito debate, o Ministro concordou que o melhor rumo era mantê-lo escondido no quartel-general. Eu salientei que se Voldemort pôde planejar um resgate no Ministério da Magia, então nenhuma prisão seria segura para ele. A sede é um dos poucos locais que Voldemort jamais poderia tocar.


O cômodo estava em silêncio, a atenção de todos fixa unicamente no líder.


- E que explicação o Ministro dará sobre o desaparecimento de Harry? – indagou McGonagall.


Dumbledore sorriu, inclinando a cabeça para ela.


- Foi precisamente isso que eu e Cornelius levamos mais tempo para decidir – respondeu o bruxo. – Depois de muito debate, o Ministro tomou meu conselho e dará uma declaração pública essa manhã anunciando que o Príncipe Negro foi transferido para uma prisão de segurança máxima em um local não revelado. Será reportado que o garoto não enfrentará julgamento, já que sua tentativa de fuga anula qualquer direito que tenha a um justo julgamento. Ele cumprirá prisão perpétua em uma prisão de segurança máxima. Devido à tentativa de resgate por Voldemort e os Comensais da Morte, é ordem do Ministério manter a localização do Príncipe Negro altamente confidencial.


- Em outras palavras, você vai mentir – disse Moody, sua voz mais ríspida que o normal.


Dumbledore encontrou o olhar divergente do amigo e o brilho em seus olhos se apagou um pouco.


- É preciso distorcer a verdade, Alastor, pelo bem maior.


Moody bufou, mas não disse nada.


- Então o mundo pensa que o Príncipe Negro está preso, cumprindo prisão perpétua em algum lugar – confirmou Tonks. – Mas o que vamos realmente fazer com ele? Quero dizer, ele não pode ficar trancado na sede para sempre.


James e Lily inclinaram-se para frente, também curiosos sobre o que Dumbledore planejara.


- Por enquanto, é suficiente que fique no quartel-general – disse o bruxo. – Cornelius não deixará que fique aqui para sempre. Ele só permitiu que eu o mantivesse aqui quando lhe assegurei que posso fazê-lo se converter para nosso lado.


Uma onda de murmúrios indignados percorreu o cômodo.


- Albus, você não fez isso! – sobressaltou-se Minerva.


- Como pode fazer tal afirmação? Não o viu ontem? – questionou Kingsley.


- Você não sabe se ele pode ser convertido! – disse Sturgis.


- É difícil, eu admito – concordou Dumbledore, – mas não é impossível.


O cômodo ficou em silêncio, mas ninguém parecia convencido.


- Como você se propõe a convertê-lo? – perguntou Snape ceticamente. – O que planeja fazer?


Dumbledore sorriu.


- Bem, para começar – disse ele –, acho que deveríamos chamá-lo para tomar café.


xxx


Houve uma batida na porta antes de ela abrir, Sturgis e Kingsley entraram no quarto, varinhas em punho e prontos. Examinaram o cômodo, ainda repleto de móveis quebrados, e encontraram o garoto de cabelos escuros próximo à janela, recostado no parapeito. Harry ergueu os olhos quando os dois homens entrarem, mas não saiu do canto.


Nos instantes seguintes, ninguém falou. Os aurores estudavam o rapaz com a mesma intensidade que ele os analisava. Kingsley foi o primeiro a falar.


- Dumbledore gostaria de vê-lo – disse ele em sua voz calma habitual.


Harry estreitou os olhos para ele.


- Ele pode gostar do que quiser. Não vou a lugar algum – disse friamente. – Se ele quer me ver, pode vir até mim.


Sturgis foi rápido em aponta a varinha para o jovem de dezesseis anos.


- Seria melhor você manter a ironia para si! – gritou para ele. – Venha conosco! – ordenou.


- Ou então? – perguntou o adolescente calmamente.


Sturgis deu um passo na direção dele, a varinha apontada para o peito do garoto.


- Ou então se arrependerá!


Harry revirou os olhos.


- Tem que trabalhar sua voz ameaçadora. Não é nada convincente.


- Eu vou te dar o convincente! – sibilou Sturgis, indo em sua direção.


- Podmore – advertiu Kingsley, estendendo a mão para impedi-lo de chegar mais perto.


Harry o observou, os penetrantes olhos verdes fixos em Sturgis, desafiando-o a se aproximar.


- Vamos, Harry – disse Kingsley, sua voz ainda calma e relaxada. – Dumbledore está esperando você.


Harry olhou para o moreno, julgando-o silenciosamente antes de se endireitar e caminhar até eles. Os aurores o guiaram para fora do quarto e escada abaixo. Levaram-no para a cozinha, onde Dumbledore e alguns dos membros da Ordem esperavam por ele.


Assim que o jovem entrou, a primeira pessoa que viu foi o diretor, sentado à cabeceira da mesa. Ao lado do fogão estava a ruiva Molly Weasley e Nymphadora Tonks, de cabelos azuis. Na única janela estava Olho-Tonto Moody, encarando-o com os dois olhos. Ao seu lado estava Arthur Weasley. À esquerda do adolescente havia outra porta, entreaberta, de modo que podia ouvir as vozes dos demais membros da Ordem na sala de estar. Sentados à mesa com Dumbledore estavam Sirius Black, Remus Lupin, Minerva McGonagall e James e Lily Potter.


O olhar de Harry se demorou um ou dois segundos em James, antes de encontrar os olhos azuis de Albus Dumbledore, encarando-o. Kingsley e Sturgis continuaram ao lado do jovem, que parou na soleira da porta, sem disposição para adentrar mais o cômodo.


Dumbledore sorriu para ele, inclinando a cabeça em cumprimento.


- Bom dia, Harry – disse agradavelmente. – Espero que tenha tido uma noite sossegada.


O adolescente não respondeu, mas sua expressão ficou sombria.


- Eu fui informado sobre seus ferimentos. Acredito que Madame Pomfrey deu o melhor de si para ajudá-lo – continuou Dumbledore.


Novamente, Harry não respondeu.


- Por favor, sente-se. – Dumbledore gesticulou para uma cadeira.


Os olhos do garoto correram para o assento ofertado, antes de encontrar o olhar do diretor novamente.


- Acho melhor não – respondeu, de forma calma, mas fria.


James sentiu uma estranha sensação lhe percorrer com a voz do garoto. Tão parecida com a do seu outro filho, ainda assim tão cruel e rude, que jamais poderia imaginar Damien falando assim.


- Posso entender como deve estar se sentindo, Harry – disse Dumbledore gentilmente. – Você passou por muita coisa na última semana e entendo que esteja apreensivo conosco. – O bruxo ergueu a mão para indicar as pessoas ao redor. – Mas ninguém aqui quer te fazer mal, Harry.


O jovem arqueou uma sobrancelha, fechando a cara.


- Espera mesmo que eu acredite nisso? – indagou.


Dumbledore sacudiu a cabeça.


- Não totalmente, não, mas eu estou dizendo a verdade. – Ele gesticulou para a cadeira novamente. – Por favor, sente-se. Deve estar com fome, coma alguma coisa.


- Não estou com fome – rebateu Harry, seus ardentes olhos verdes encararam Dumbledore com força. – Prefiro morrer de fome a sentar à mesa com os inimigos.


James sentiu um nó no estômago com as palavras. O garoto estava incluindo ele e Lily na última afirmação.


- Você não é nosso inimigo – disse Dumbledore calmamente.


- Talvez – disse Harry –, mas vocês são meus inimigos.


Dumbledore parou, os olhos azuis demonstrando a tristeza com as palavras do adolescente. O bruxo escondeu o desapontamento, sorrindo agradavelmente.


- Como tempo, verá que eu não sou seu inimigo – disse ele.


- E isso vai ser antes ou depois de me entregar ao Ministério para ser destruído? – indagou o adolescente.


Dumbledore sacudiu a cabeça.


- Não se preocupe, Harry. O Ministério não virá atrás de você. Eu falei com o Ministro e ele concordou em deixar você ficar aqui.


Harry ficou surpreso, encarando o bruxo, primeiro com descrença e depois com desconfiança.


- Por quê? – questionou.


- O Ministro concordou em lhe dar uma segunda chance. Uma chance para decidir por si mesmo onde está sua lealdade.


A expressão no rosto de Harry mudou e ele olhou zangado para Dumbledore.


- Eu já decidi há muito tempo onde minha lealdade está! – rosnou. – Não pode me corromper!


- Harry...


- Não vai funcionar! – interrompeu o garoto. – Não vou dar as costas ao meu pai, nem que custe minha liberdade ou até mesmo minha vida!


James sentiu alguns olhos se voltarem para ele com as palavras de Harry. Não pôde deixar de encarar o filho, que estava chamando seu inimigo de... pai.


- Está tão cego por ele – falou James, chamando a atenção do adolescente. – Como não consegue perceber o que ele está fazendo? Ele te deixou tão confuso que está disposto a se sacrificar por ele.


- Sacrifício é uma palavra muito forte – respondeu. – Só estou fazendo o que qualquer filho faria para proteger o pai.


- É o contrário, Harry – falou James. – Um pai protege o filho.


- Como você sabe? – perguntou Harry, suas palavras tranquilas, mas ferozes.


James não disse nada, mas continuou a encarar o filho, o coração se despedaçando com a visão de quão dedicado Harry era a um monstro como Voldemort.


O garoto voltou a atenção para Dumbledore novamente.


- Pode voltar ao Ministério e dizer a eles que o acordo está encerrado – disse ele com um olhar furioso. – Não vou contar nada a vocês ou a eles. Se isso me coloca atrás das grades, que seja.


O jovem se virou, ignorando os dois aurores atrás dele, e fez menção de sair. Um simples gesto de Dumbledore fez Kingsley e Sturgis estenderem os braços, bloqueando o caminho dele.


- Harry.


O adolescente se virou, tornando a encarar o diretor.


- Você não vai voltar para trás das grades – disse com confiança. – Sei que não acredita em mim, mas estou tentando ajudá-lo. Até que eu consiga, você ficará aqui, onde estará seguro.


Harry arqueou uma sobrancelha para ele.


- Eu nem ao menos sei onde fica “aqui”.


Dumbledore subitamente tornou a sorrir, sacudindo a cabeça.


- É claro que deve estar muito confuso. Minhas sinceras desculpas, Harry – disse o bruxo, tornando a inclinar a cabeça. – Você se encontra no quartel-general da Ordem da Fênix.


O jovem parecia surpreso, fosse pela revelação de onde estava ou por Dumbledore lhe contar sobre o quartel-general. Os membros da Ordem estavam em choque também, olhando incrédulos para o diretor por revelar a sede ao Príncipe Negro. Moody encarava o bruxo abertamente, mais do que furioso com ele.


- Ficará aqui – continuou, ignorando a reação ao seu redor. – Por enquanto, de qualquer forma. Agora, já que vai ficar um tempo considerável aqui, deve saber das regras – continuou alegremente. – A Ordem se reúne aqui para as reuniões. Durante esse tempo, gostaria que ficasse no quarto reservado para você. – O adolescente travou o maxilar e fechou as mãos em punhos, mas ficou calado. – Os escudos são postos de forma que apenas membros da Ordem podem entrar e sair à vontade. Se alguém que não seja membro tentar entrar ou sair, será impedido, então, por favor, não desperdice energia tentando fugir – disse, em um tom que sugeria estar mais preocupado com a saúde do garoto do que com qualquer outra coisa. – Não preciso dizer que qualquer tipo de violência não será tolerada.


O adolescente se virou para sair, escolhendo não aceitar nada que o velho bruxo dissera. Foi impedido novamente.


- Uma última coisa, Harry.


O garoto se virou ao som da voz do diretor, encarando-o com ódio. O bruxo se levantou, os olhos fixos no jovem de cabelos escuros, repentinamente sério.


- Nenhuma arma é permitida no quartel-general – disse ele. – Então, por favor, me entregue essa faca.


Harry endureceu, seu olhar ainda em Dumbledore, olhos verdes ferozes travados com calmos olhos azuis. Os membros da Ordem de repente ficaram tensos, todos os olhos sobre o garoto, que não movera um músculo com as palavras do bruxo. Moody e Tonks se aproximaram da mesa, varinhas em punho. Kingsley e Sturgis se aproximaram do jovem, varinhas apontadas para ele. Arthur estavam bem atrás de Alastor. Até James, Lily, Sirius e Remus pegaram as varinhas instintivamente. Todos os membros da Ordem estavam com as varinhas em punho, o alvo em pé diante deles.


Harry observou cada um deles antes de olhar para a porta que levava à sala de estar. Quantos membros da Ordem poderiam estar naquele cômodo? Quantas varinhas teria de enfrentar? Sabia que estava em terrível desvantagem. Tornou a olhar para Dumbledore, que ainda o encarava com uma expressão calma.


- Por favor, Harry – disse o bruxo, gesticulando para a mesa. – Seria melhor nos entregar do que tomarmos de você – disse ele, sua calma ainda presente, contrariando a ferocidade de suas palavras ameaçadoras.


Sem tirar os olhos de Dumbledore, o jovem levou lentamente a mão ao bolso traseiro e tirou a faca transfigurada. Ergueu-a para mostrar ao bruxo, percebendo as expressões chocadas, e até mesmo temerosas dos outros ao encarar a arma. O adolescente a jogou sobre a mesa.


- Obrigado, Harry – disse o diretor. Acenou a mão para a faca e ela imediatamente retornou à sua forma original, uma velha pena.


Um momento no qual ninguém disse ou fez nada, e então, de repente, Dumbledore juntou as mãos e bateu palmas ruidosamente. Uma onda de magia explodiu dele e varreu o cômodo antes de explodir por toda a casa. A força dela fez o garoto cambalear para trás. Imediatamente, sentiu algo muito errado ao seu redor.


Dumbledore sorriu, ajustando as vestes ao se dirigir a Harry.


- Sei que é difícil para você acreditar em mim quando digo que está seguro aqui – disse ele. – E mesmo que eu queira fazê-lo ver o erro de seu julgamento, não posso permitir que carregue uma arma dentro do quartel-general. Assim, para desencorajá-lo a criar outra arma, coloquei uma trava de magia na sede: nenhuma magia pode ser realizada aqui, sem varinha ou de qualquer outra forma.


Ao ver a expressão de choque e ultraje do adolescente à sua frente, Dumbledore explicou em uma voz apaziguadora.


- É apenas temporário, só até que entenda que não há necessidade de carregar uma arma. Até lá, acho que todos nós temos que fazer as coisas à moda trouxa – riu-se ele.


Harry não abriu a boca. Encarou Dumbledore, deu as costas, ignorou os dois aurores e passou por eles, atravessando a porta e subindo as escadas, batendo a porta de seu quarto com uma força brutal.


xxx


- Por que disse a ele que aqui era o quartel-general? – perguntou McGonagall.


- Ele perguntou onde estava – respondeu Dumbledore com simplicidade.


- Você podia ter dito que era a casa de Sirius!


- Sim, podia, mas decidi ser totalmente honesto com ele, Minerva – disse o diretor, bebericando o chá. – Afinal, se queremos conquistá-lo, temos que mostrar um pouco de confiança nele.


- Confiança? – vociferou Moody. – Confiança? Albus, você tem noção de quem estamos falando?


- Estou perfeitamente ciente – respondeu Dumbledore educadamente.


- Então sabe que ele não é confiável! – gritou Moody. – Ele estava com uma arma, pelo amor de Merlin! Como pode falar em confiar nele!


- Ele tinha uma arma, mas nunca a usou – apontou Dumbledore calmamente. – Estava com ela para se defender, o que é compreensível já que acha que está com inimigos. Há diferença entre guardar uma arma para atacar alguém ou simplesmente para se defender.


- Como você pode saber quais eram as intenções dele? – perguntou Sturgis.


- Se ele fosse atacar, teria feito quando você e Kingsley foram ao quarto dele – disse o bruxo.


- Não posso acreditar – sussurrou Tonks, esquecendo os ovos mexidos e as torradas à sua frente. – Ele transformou uma pena em uma faca sem varinha. Isso é... isso é...


- Transfiguração Excepcional – concluiu McGonagall por ela, concordando com a cabeça. – Sim, Nymphadora, todos concordamos – disse ela, um tanto a contragosto.


Tonks parecia aborrecida, como sempre ficava quando alguém usava seu primeiro nome, mas já que foi McGonagall, a auror não a corrigiu.


- O que acontece agora? – indagou Remus.


Dumbledore pousou a xícara, parecendo um tanto sério.


- Ele é mais leal a Voldemort do que pensei – admitiu. – Temos que fazê-lo ver a verdade, ele tem que ver o que Voldemort está fazendo ao mundo e então vai querer impedi-lo também.


- O que te faz acreditar que ele não concorda com o monstro do pai dele? – questionou Moody furioso.


- Se Harry concordasse com Voldemort, não teria salvado os filhos de Poppy após os Comensais os atacarem – disse Dumbledore. – O fato de ele ter arriscado a própria vida para salvar a de duas crianças e de tê-lo feito apesar de saber que seu próprio pessoal os atacara, prova que não concorda com tudo que Voldemort faz. – O bruxo olhou em volta da mesa. – Todos nós temos que mostrar a ele qual é o caminho certo, e ele aceitará. É ele o destinado a destruir o Lorde das Trevas, e ele vai tomar parte em seu destino mais cedo ou mais tarde.


James ergueu os olhos para o diretor, ignorando completamente o prato de comida à sua frente.


- Quanto tempo temos? – perguntou. – Quanto tempo Fudge deu para convertê-lo?


Dumbledore parou por um momento, antes de encará-lo.


- O Ministro pode ser convencido a prorrogar o prazo – disse o bruxo depressa. – Assim que ele ver que Harry está tentando se encaixar, quando ver que ele não é uma ameaça, ele...


- Quanto tempo temos? – perguntou James novamente.


Dumbledore suspirou.


- Cinco, talvez seis meses.


James fechou os olhos, sacudindo a cabeça em derrota.


- Cinco, seis meses, não são nada! – disse ele, sentido a raiva crescer dentro de si. – Harry esteve com Voldemort nos últimos quinze anos, sofrendo lavagem cerebral daquele maldito! – disparou. – Como diabos podemos fazê-lo mudar em cinco meses? Quinze anos de danos corrigidos em cinco meses?


- Eu sei que não é fácil – começou Dumbledore. – Mas, como eu disse, não é impossível...


- Não, é impossível! – interrompeu James. – Você não o viu agora? Está disposto a sacrificar a liberdade, a vida, por aquele maldito, e você espera que ele mude em cinco, seis meses? – O auror sacudiu a cabeça com raiva. – Não é o bastante, precisamos de mais tempo!


- James, não é assim – disse Dumbledore, tentado fazer o homem emocionado se acalmar. – Em cinco meses, quando Fudge ver que Harry não fez nada, não machucou ninguém nem tentou escapar, ele verá o progresso. Nos dará mais tempo para trazê-lo completamente de volta para o lado da luz – assegurou-lhe. – Harry voltará para nós. Após quinze anos ele finalmente se reencontrou com os pais, com a família. – O bruxo sorriu para ele e Lily. – Tenho completa confiança em vocês. Quando mostrarem a ele seu lugar na família, ele não vai querer ir embora, nem mesmo para Voldemort.


xxx


A mesa de carvalho retangular estava repleta de diversos jornais, todos do dia, espalhados por toda sua extensão. Homens em vestes negras amontoavam-se ao redor dela, examinando-os, lendo-os, procurando por informações ocultas, tudo por ordem de um mestre extremamente furioso.


Voldemort estava em pé ao redor da mesa, um jornal firmemente seguro em sua mão, ardentes olhos vermelhos varrendo as palavras, ficando mais furioso a medida que lia.


“O Príncipe Negro, filho Dele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, foi capturado pela segunda vez essa semana ao tentar escapar do Ministério da Magia no dia de seu julgamento. Sabe-se que ele foi detido antes que pudesse deixar o prédio por uma equipe de valentes aurores. O Ministro da Magia, Cornelius Fudge, concedeu uma declaração essa manhã, confirmando que o Príncipe Negro foi transferido para uma das prisões de segurança máxima do mundo mágico. A localização exata ou o nome da prisão é altamente confidencial. O Ministro afirmou que o infame Príncipe Negro, responsável por inúmeras mortes, vai servir prisão perpétua. A reação de muitos...”


Voldemort rasgou o papel, jogando-o bruscamente sobre a mesa. Agarrou-se à mesa com as duas mãos, a cabeça curvada e os olhos fechados, ao tentar imaginar seu próximo plano de ação. Como poderia descobrir onde Harry estava sendo mantido?


Ergueu o olhar para os Comensais, os olhos vermelhos analisando cada um, desejando que pelo menos um deles gritasse triunfante, afirmando que descobrira uma pista de onde o garoto podia estar. A maior parte de seu ciclo interno lia um jornal diferente, tentando ver se talvez um deles publicara uma reportagem diferente, revelando mais que os outros, e ele teria uma pista, ainda que pequena, que pudesse levá-lo a Harry. Mas tudo que recebeu foram sacudidas de cabeça e expressões assustadas. O bruxo se afastou da mesa, temendo que pudesse torturar seus próprios homens até a morte por não descobrirem nada.


- Milorde.


Voldemort voltou-se para Bella, vendo-a olhar para as portas. Seguiu seu olhar e viu Snape entrar correndo, caindo de joelhos diante dele. Com um rosnado cruel, o bruxo caminhou na direção do homem.


- Eu lhe requisitei há meia hora! – sibilou Voldemort para Severus, sua raiva fazendo os olhos vermelhos quase queimarem.


Snape abaixou a cabeça, curvando-se novamente perante o Lorde das Trevas.


- Minhas desculpas, Milorde. Não consegui escapar de Dumbledore.


Os olhos do bruxo queimaram de ódio daquele nome.


- Ele marcou uma reunião? – perguntou.


- Sim, Milorde. Ele contou à Ordem sobre o Príncipe Negro e a notícia de sua prisão. Dumbledore está muito interessado em descobrir seu paradeiro. Está determinado a tentar encontrar o garoto, na esperança que ele possa cumprir a profecia.


Bella, que chegara ao lado de seu mestre, fez um som raivoso de protesto, mas Voldemort apenas riu.


- Dumbledore logo conhecerá as consequências de tentar virar meu filho contra mim – sibilou. – Eu até gostaria que ele falasse com Harry, tentasse contar a ele sobre a profecia. Ele não sobreviveria para termina a conversa!


Snape abaixou a cabeça, sabendo que era melhor ficar calado.


Bella levantou uma cópia do Profeta Diário, mostrando-a a Severus.


- Fudge está mentindo, ele diz que Harry foi capturado ainda dentro do prédio do Ministério, quando Harry foi apanhado por Potter na rua!


A bruxa parou, fechando os olhos e afastando a memória de ver Harry por não mais que alguns segundos, deitado em meio aos cacos de vidro, tonto e sentindo dor, antes de Potter agarrá-lo bruscamente pelo colarinho e levá-lo para longe com uma chave do portal.


- Potter teria levado Harry direito para Dumbledore – disse ela, os olhos escuros continham acusação ao encarar Snape.


Snape incitou todo o talento dentro dele e protegeu sua mente com Oclumência antes de encarar Voldemort nos olhos.


- Milorde, se Potter tivesse levado Harry a Dumbledore, a Ordem teria sido avisada. Eu acabei de participar de uma reunião, e tudo que Dumbledore falou foi em como descobrir para onde o Ministério enviara o Príncipe Negro. Ele instruiu a Ordem a descobrir tudo que puderem.


- Então, está dizendo que Potter entregou Harry de volta ao Ministério? – perguntou Bella com descrença.


- É o que deve ter feito – respondeu Snape.


- Potter não ia desistir do sangue do seu sangue assim! – disse Bella, sacudindo a cabeça.


Snape olhou para Voldemort.


- Acreditando ser um sacrifício pelo bem maior, creio que ele teria feito – mentiu o homem. – É um seguidor de Dumbledore, afinal.


Voldemort não disse nada, mas fechou os olhos e levou uma mão à testa, esfregando-a com raiva e frustração. Snape observou incrédulo o Lorde das Trevas demonstrar tais emoções, algo que nunca testemunhara antes. O bruxo estava realmente preocupado com alguém além de si mesmo.


De repente, as portas do cômodo se abriram e Lucius entrou correndo. Voldemort se dirigiu a ele, ignorando Snape e Bella. Gesticulou para o homem se manter de pé quando o loiro fez menção de cair de joelhos para se curvar.


- Lucius! – sibilou com urgência. – O que descobriu?


- Milorde, eu falei com Rookwood, ele não sabe nada sobre onde Fudge mandou Harry – lamentou o loiro. – Ele parecia surpreso e me disse que pelo que sabia, o Ministério perdera Harry ontem. Ficou chocado com as notícias que saíram essa manhã.


- O que ele pode descobrir? – perguntou Voldemort, a paciência se esgotando.


- Rookwood vai reunir o máximo de informações que puder de seus colegas de trabalho. Alguém no Departamento de Execução das Leis da Magia saberá em qual prisão Harry está sendo mantido. Ele está planejando dar um pouco de veritaserum a eles e pegara infor...


- Isso vai demorar demais! – interrompeu Voldemort, sua fúria fazendo Lucius recuar horrorizado e abaixar a cabeça depressa.


- Milorde, ordene sua vontade e ela será feita – disse ele.


Voldemort parou, respirando pesado enquanto a raiva zumbia dolorosamente dentro dele. Virou a cabeça para trás e viu seus homens ainda na mesa, vasculhando por informações, mas sem chegar a lugar algum. Viu Bella e Snape ainda em pé onde os deixara. Virou-se e caminhou de volta para ficar diante deles.


- Larguem isso! – ordenou, fazendo os homens na mesa pararem imediatamente. Olhou para Lucius, Bella e Snape antes de se dirigir a todos eles.


- O Ministério enviou o Príncipe Negro a uma prisão de segurança máxima, cuja localização é um segredo muito bem guardado. – Olhos rubis examinavam a sala, fuzilando cada um dos Comensais da Morte. – Sigam os funcionários do Ministério envolvidos e os torturem até que entreguem a localização. Eu quero meu filho fora da prisão e de volta em casa nas próximas 48 horas! Façam o que for preciso, se tiverem que capturar o próprio Ministro para conseguir informação, que seja. – Gesticulou para que eles saíssem.


Os Comensais da Morte se curvaram para Voldemort e saíram do cômodo, confusos sobre como poderiam fazer o impossível e como poderiam fazê-lo em 48 horas.


xxx


A primeira coisa que Harry fez quando voltou ao quarto foi testar a trava de magia. Tentou convocar o frasco de poção para dor que estava na mesa de cabeceira, mas não funcionou.


Frustrado, tentou transfigurar a cadeira de madeira quebrada em uma caixa, mas também não funcionou. O garoto caiu na cama com raiva. Não conseguiu acreditar que Dumbledore o pegara com a faca. Como o bruxo descobriu que ele tinha uma arma? Decidiu que não queria saber, aquilo só o deixaria com mais raiva.


Passou as próximas três horas apenas sentado na cama, olhando pela janela. A dor na cicatriz tornou a crescer gradualmente, fazendo o rapaz cerrar os dentes e fechar os olhos com força. Agarrou o frasco da poção para dor e bebeu em um gole. Funcionou por cerca de meia hora antes de a dor começar a surgir novamente, com tamanha intensidade que os efeitos da poção foram abafados.


Harry segurava a cabeça nas mãos, os dedos esfregando a cicatriz, quando houve uma batida na porta. Ele ignorou. Ouviu o clique quando a porta se abriu e duas pessoas entraram.


- Harry?


A voz suave fez o garoto se encolher ao afastar a mão da testa, olhando para Lily. Ela estava com James, segurando um prato cheio até a borda de comida, enquanto ele segurava uma jarra prateada e um cálice. O casal adentrou mais, em direção à mesa de cabeceira. Colocaram a jarra de água, o cálice e o prato sobre ela, lutando para equilibrar tudo no limitado espaço.


- Trouxemos o almoço – disse a ruiva hesitante. – Deve estar com fome.


Harry não respondeu e desviou o olhar, colocando a cabeça entre as mãos novamente, tentando aliviar a dor.


- Você está bem? – perguntou Lily, dando a volta na cama e se aproximando dele. – Dor de cabeça? – perguntou preocupada.


Harry levantou os olhos e olhou friamente pra ela.


- Pare de teatro, está bem!? – disse ele. – Está ficando sem graça.


James tinha seguido a esposa, e estava ao lado dela.


- Que teatro? – indagou o auror com uma careta. – Do que está falando?


Harry se endireitou, estremecendo quando a queimação em sua cicatriz atingiu novos níveis.


- Essa máscara irritante de falsa doçura que vocês dois estão usando, parem com isso! – sibilou. – Eu sei o que sentem de verdade, então me poupem do drama e vão embora!


- Você sabe o que sentimos? – indagou Lily com os olhos arregalados. – Duvido que saiba exatamente como nos sentimos, Harry.


O garoto de cabelos negros sorriu debochado para ela, olhos igualmente verdes a encarando.


- Vocês estão desapontados – disse calmamente. – Posso ver. Após anos acreditando que eu estava morto, não podem suportar que eu esteja vivo e respirando.


Lily parecia indignada. Ela abriu a boca para falar, mas James se adiantou.


- Isso não é verdade, Harry – disse ele, balançando a cabeça. – Nem pense assim!


O jovem inclinou a cabeça para o lado, examinando o auror cuidadosamente.


- Então quer dizer que vocês estão o quê? Satisfeitos por eu ainda estar vivo? - indagou


James olhou incrédulo para ele.


- É claro que estou! Por que ainda pergunta?


Harry continuou a observá-lo, os olhos verdes o encarando sem hesitação.


- Foi por isso que saiu correndo de Nurmengard quando viu a prova de quem eu era? – questionou ele.


James se calou, as palavras morrendo em sua boca. Engoliu pesadamente, incrivelmente envergonhado com a forma que reagira.


- Harry, veja, – começou ele – eu estava... eu estava surpreso, chocado por você estar... estar vivo...


O garoto assentiu, sorrindo vitorioso e recostou-se na cama.


- Como eu disse, decepcionado por eu ter sobrevivido.


- Não! Não dessa forma! – argumento James. – Eu estava chocado porque pensei que Voldemort tivesse te matado!


Os olhos do adolescente se estreitaram para o auror e ele sorriu furioso dessa vez.


- Estou vendo que ainda insiste em mentir – disse ele.


- Não somos nós que estamos mentindo para você – disse Lily, aproximando-se dele. – Seja o que for que ele te contou, não é a verdade – disse ela. – Nós te amamos, Harry. Sempre te amamos.


O jovem desviou o olhar, fechando os olhos enquanto levantava a mão para esfregar furiosamente a testa e respirava fundo, suspirando de frustração.


- Como queiram – murmurou.


James se abaixou, ficando de joelhos e na mesma altura do adolescente.


- Harry, por favor, nos dê uma chance. Deixe-nos explicar...


- Eu não preciso de uma explicação – cortou o garoto, olhando para ele. – O que eu preciso é de vocês dois o mais longe possível de mim.


- Por quê? – ofegou Lily, emocionada. – Por que não quer a gente perto de você? Nós somos seus pais...


- Não, não são – interrompeu o rapaz novamente, seu olhar endurecendo.


- Harry...  – começou James, estendendo a mão para ele.


O adolescente se afastou, ficando em pé em um piscar de olhos.


- Não toque em mim! – sibilou, a raiva irradiando dele.


- Harry, eu não vou te machucar – implorou James, levantando-se também.


O garoto ficou com mais raiva ainda.


- É mesmo? Por que se segurar agora? – questionou.


James corou quando seu comportamento agressivo no dia anterior voltou ligeiro à sua mente.


- Eu... eu sinto muito – disse ele, olhando com franqueza para Harry. – A forma que te tratei ontem, eu não estava pensando direito – explicou. – Eu não queria gritar com você e eu nunca... eu nunca quis te acertar com um feitiço. Eu nem sequer sei como aconteceu – tentou explicar. – Eu não lancei nada em você, o feitiço saiu sozinho e te jogou do outro lado da rua, direto na vitrine. Eu jamais fiz aquilo de propósito! Ficou como... como instinto ou algo assim.


O jovem arqueou as sobrancelhas para ele.


- Então está dizendo que é seu instinto me machucar? – perguntou furioso.


- Não, não é isso que eu quis dizer! – O auror se apressou em explicar. – É que... saiu errado...


- Não, saiu certo! – interrompeu o garoto. – Você acabou de dizer o que realmente sentia, é tudo que eu preciso saber!


- Harry... – tentou James.


O garoto de repente levou a mão à testa, soltando um gemido abafado e assustando os dois adultos.


- Harry? – Lily deu um passo adiante, mas o garoto recuou, erguendo a mão e gesticulando para que ela parasse.


- Não! – rosnou para ela. – Apenas, vá embora!


Quando os dois não se mexeram, Harry se virou e dirigiu-se ao banheiro, batendo a porta ao passar. Escorregou até o chão, as mãos agarrando a cicatriz, que doía furiosamente. Mordeu o lábio para conter os gemidos enquanto a cicatriz continuava a queimar em uma dor agonizante.


James e Lily esperarem por um ou dois minutos antes de baterem na porta, chamando o nome dele e perguntando se estava bem. Tudo que receberam de volta foram mais gritos de “vão embora”. Relutantes e sentindo-se completamente derrotados, os dois saíram, fechando a porta do quarto do filho suavemente.


 


xxx


Arthur: Obrigada pelos comentários nos dois sites rs ;) Sim, eu tento postar rápido, ainda mais que quero que chegue em um ponto nessa história onde eu possa traduzir as oneshots também! A escritora fez histórias de um capítulo explicando muita coisa sobre a infância do Harry, outras com situações de “e se...”, que são super legais! Por isso quero muito chegar a esse ponto :D


N/T: Espero que gostem do capítulo, vou correr no 18 para não demorar. Beijocas e comentem ^^

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.