Querer é poder



(Autora aqui: Não ficou tão bom esse capítulo, mas adorei escrever os momentos de Lilian e Tiago. Ah, e desculpem a demora!)


 ...



"EU LEIO ENTÃO". Gritou ele, correndo para pegar o livro.


"Nossa, que ansiedade pra ler!". Assustou-se Sirius.


"É o meu filho, pô". Disse quando já tinha voltado a mesa. "Capítulo 3 - Querer é poder".


...


"Esse titulo não me cheira bem". Comentou Sirius, franzindo o nariz. "Parece confusão, e eu adoro confusão!".


Remus mais novo revirou os olhos.


"É claro que não cheira bem, animal. Quero dizer, nem cheira, na verdade".


"Não precisa ofender, Remito". Ele fez um biquinho fofo.


"Não me chame assim". Remus estreitou os olhos.


"Poxa, me deixem ler, vocês dois. Logo agora que vai aparecer meu filho, vocês ficam interrompendo". Tiago mostrou a língua, antes de começar a ler.


Harry Potter


"O meu filho, aleluia!". Exclamou Tiago.


"Ainda diz que é a gente que interrompe a leitura". Remus balançou a cabeça.


"Shhh!". Tiago fez. E então repetiu a frase.


Harry Potter roncava sonoramente.


Sirius e Remus riram, acompanhados de mais algumas pessoas. Tiago fez um bico.


"Pontas, tenho dó da mãe desse menino, porque ele vai ser igual a você". Disse Remus mais novo.


"Ei, eu não ronco, ok?".


"Há, diz isso porque não é você que tem que te aguentar roncando". Concordou Sirius.


"Pff, pelo menos eu sou lindo". E ele bagunçou os cabelos.


"Potter, seu ego me sufoca". Lily verbalizou.


"Eu sei que te deixo sem ar, Gengibre". Sorriu Maroto.


"Argh, pare de me chamar de gengibre!".


Ele riu o voltou a ler, pensando que Lily não havia negado que ficava sem ar perto dele.


Estivera sentado em uma poltrona à janela do seu quarto durante quase quatro horas, contemplando a rua que escurecia, e acabara adormecendo com um lado do rosto encostado na vidraça fria, os óculos tortos e a boca aberta.


"Tal pai, tal filho. Até óculos o garoto usa!". Exclamou Dorcas.


"Fazer o que, né? Ele deve ser lindo igual ao pai".


"Espero que ele seja modesto igual ao pai também". Caçoou Lilian.


"Claro, porque ele vai ser igual a mim. Vai ser perfeito!".


"Pontas, isso foi muito gay". Debochou Sirius.


"É meu filho!". Indignou-se ele, enquanto os outros riam. Resolver voltar á ler.


O bafo que ele exalava refulgia à claridade alaranjada do lampião da rua, e a luz artificial absorvia todo o colorido do seu rosto, fazendo-o parecer fantasmagórico sob seus cabelos pretos e rebeldes.


"Pior que á igual ao Potter mesmo". Disse Lily, ao que Tiago sorriu. "Os cabelos pelo jeito também são tão feios quanto".


Ela não achava realmente que os cabelos de Tiago fossem feios, só nunca admitiria isso.


"Ei, meu cabelo é muito lindo, e eu sei que você gosta dele, ruiva".


"Hunf, você tem essa mania irritante de ficar passando a mão nos cabelos toda hora, espero que esse menino não tenha essa mania".


"Então quer dizer que você repara nos meus cabelos?".


"Argh Potter, você não tem jeito!".


O quarto estava juncado com seus pertences e uma boa quantidade de lixo. Penas de coruja, miolos de maçãs e papéis de bala amontoavam-se pelo soalho, vários livros de feitiços estavam embolados com as vestes sobre sua cama, e havia uma confusão de jornais no círculo iluminado sobre sua escrivaninha.


"Quarto de meninos". Suspiraram Dorcas, Lene e Lily juntas, enquanto a maioria das outras faziam caretas.


Os meninos somente franziram a testa, pensando que gostavam de seus quartos daquele jeito.


Não entendo essa mania de organização! Pensou Remus.


(N/A: Rsrsrs, minha mãe vive dizendo que pareço um menino, as palavras dela: 'Até um lixão é mais organizado que teu quarto, menina!')


"Sério, pra que arrumar o quarto quando se podem fazer coisas mais interessantes?". Questionou Sirius, sorrindo malicioso.


"Pra poder achar as coisas". Rebateu Marlene.


"Bah, me viro melhor na bagunça".


"Pior que é verdade, sei lá. Às vezes, quando alguém arruma meu quarto, eu não consigo achar nada lá. Parece o quarto de um desconhecido". Concordou Tiago.


A manchete de um deles indagava:


 


HARRY POTTER: SERÁ ELE O ELEITO?


"Como assim, Eleito pra que?".


"Só leia Tiago". Remus mais velho incentivou.


Continua a boataria sobre acontecimentos recentes e misteriosos no Ministério da Magia, durante os quais Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado foi mais uma vez avistado.


"Foi nesse dia que Bella me matou?". Questionou Sirius.


Remus somente acenou com a cabeça.


“Não podemos comentar, não me pergunte nada”, disse um agitado obliviador que se recusou a informar o seu nome quando saía ontem à noite do Ministério.


Ainda assim, fontes ministeriais confirmam que o foco do distúrbio foi a famosa Sala da Profecia.


Embora os porta-vozes oficiais continuem a se recusar sequer a confirmar a existência de tal sala, um número cada vez maior de pessoas na comunidade bruxa acredita que os Comensais da Morte, ora cumprindo pena em Azkaban por invasão e tentativa de roubo, tentaram se apoderar da profecia, cujo teor é desconhecido. Especula-se abertamente, no entanto, que deve dizer respeito a Harry Potter,


"É claro, meu filho é famoso".


"Você nem imagina o quanto". Confirmou Remus mais velho.


a única pessoa que sabidamente sobreviveu a Maldição da Morte,


"Ele sobreviveu mesmo á Maldição da Morte?".


"Sim, Lily, sobreviveu. Foi à única pessoa que já sobreviveu".


"Uau!". Exclamaram quase todos.


e dizem ter estado no Ministério na noite em questão. Há quem se aventure a chamar Potter de “o Eleito”, acreditando que a profecia o nomeie como o único que poderá nos livrar de Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.


"E isso é verdade? Meu afilhado é que vai ter que derrotar Voldemort?". Questionou Sirius.


"Nem eu sei Sirius, porque nós ainda não chegamos lá, na nossa época".


"Ah".


Não se conhece o atual paradeiro da profecia, se é que de fato existe, embora (cont. p. 2, coluna 5)


 


Havia um segundo jornal ao lado do primeiro. A manchete era: SCRIMGEOUR SUBSTITUI FUDGE


A maior parte da primeira página estava tomada por uma grande foto em preto e branco de um homem com uma juba leonina e um rosto maltratado. A foto era comovente — ele estava acenando para o teto.


"Porque ele estava acenado para o teto?". Perguntou um aluno da Lufa-Lufa.


"E eu é que vou saber? Pergunte á ele". Rebateu Tonks, fazendo o garoto corar.


 


Rufo Scrimgeour, ex-chefe da Seção de Aurores, no Departamento de Execução das Leis da Magia, substitui Cornélio Fudge no Ministério da Magia. A nomeação foi recebida com entusiasmo pela maioria na comunidade bruxa, embora corram boatos de um sério desentendimento entre o novo ministro e Alvo Dumbledore


"Porque será, hein?".


"Creio, Sr. Potter, que se deva ao fato de eu não concordar com alguma coisa que ele queira fazer na escola". Respondeu Dumbledore, mesmo que achasse que não era sobre isso.


Conhecia-se bem demais, mas ainda não conseguia ver o motivo.


— reconduzido ao cargo de bruxo-presidente da Suprema Corte dos Bruxos


Hmm, imagino que Fudge tenha me tirado do cargo por não aceitar minha opinião sobre o retorno de Voldemort. Deveria estar desesperado para manter seu cargo, ou talvez tenha achado que eu era uma ameaça.


— ocorrido algumas horas depois de Scrimgeour ter assumido o Ministério. Os representantes de Scrimgeour admitem que o ministro se encontrou com Dumbledore logo após sua posse no mais alto cargo da comunidade, mas recusaram-se a comentar a pauta da reunião. Sabe-se que Alvo Dumbledore (cont. p. 3, coluna 2)


"Uh, sempre tem que continuar em outra página". Resmungou Dorcas, curiosa por saber mais.


Mais à esquerda deste jornal, havia outro, dobrado de modo a deixar visível o título da notícia:


 


MINISTRO GARANTE A SEGURANÇA DOS ESTUDANTES.


Ou talvez, pensou Dumbledore, ele estivesse mesmo tentando interferir na escola, por isso tivemos nosso desentendimento.


O recém-nomeado ministro da Magia, Rufo Scrimgeour, falou hoje sobre as rigorosas medidas tomadas pelo seu Ministério para garantir a segurança dos estudantes que retornam agora, no outono, à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.


“Por razões óbvias, o Ministério não poderá entrar em detalhes sobre seu rigoroso projeto de segurança”, disse o ministro, embora um funcionário bem informado confirme que as medidas incluem feitiços e encantamentos defensivos, um complexo conjunto de contra-feitiços e uma pequena força-tarefa de aurores, dedicados unicamente à proteção da Escola de Hogwarts.


"A coisa deve estar feia mesmo, porque nem agora, que Voldemort está à solta por ai, eles colocaram aurores aqui". Deduziu Lilian.


"É, devo dizer que está mesmo ruim a situação no futuro". Remus disse.


A maioria dos cidadãos parece tranqüilizada pela firme atitude do ministro com relação à segurança estudantil. Comentou a Sra. Augusta Longbottom:


"Ah não, que é que minha mãe ta fazendo ai?". Gemeu um menino moreno. "Ah não, ah não, ah não!".


"Relaxa, Frank, pra que tanto desespero?". Perguntou Tiago.


"Minha mãe, ela vai falar alguma coisa idiota". Explicou ele.


"Nem liga, minha ex-mãe só falava coisas idiotas!". Disse Sirius, rindo.


“Meu neto Neville, por sinal um grande amigo de Harry Potter, que lutou ao lado dele em junho no Ministério contra os Comensais da Morte e...”


"Frank, parece que nossos filhos são amigos". Comemorou Tiago.


Á menção do filho, Frank levantou a cabeça, e parecia muito mais animado.


"Legal, eu vou ter um filho! E ele ainda ajudou o seu no Ministério".


Tiago parou de ler e ele e Frank começaram a falar animadamente sobre os filhos, e como eles seriam.  Todo mundo ficou olhando para eles, que nem pareciam perceber a atenção.


"Era só o que me faltava, ter que ouvir sobre o filho do Potter, junto com o do Longbottom!". Exclamou Severo. Mas nenhum dos dois escutou.


"Deixa eles se divertirem, Snape". Rebateu Lily.


"Pelo menos tiveram filhos, mas aposto que ninguém te quer. Ou talvez você tenha se casado com uma Comensal". Riu Sirius.


Snape fuzilou Sirius com o olhar, mas o que mais doeu foi ouvir Lily defendendo Potter.


"E você vai defender o Potter agora, Lilian?". Provocou.


"Defendo, se eu quiser. E eu acho que já disse que pra você, é Evans".


Severo fez uma careta.


"Tiago, você vai ou não voltar a ler?". Perguntou Remus.


O Maroto não respondeu.


"Ótimo, então eu continuo".


"Não!". Gritou Pontas. "Eu leio". E pegou novamente o livro.


 


Mas o resto desta história ficou sombreada por uma enorme gaiola deixada em cima do jornal, dentro da qual havia uma magnífica coruja de penas muito brancas.


"Meu filho tem uma coruja, uma coruja branca!". Exclamou Tiago.


"E o que tem de mais nisso, Potter?". Perguntou Lene.


"A minha coruja é branca!". Exclamou. "Meu filho é igual a mim".


Ela somente revirou os olhos.


Seus olhos cor de âmbar examinavam o quarto autoritariamente, a cabeça virando de vez em quando para olhar o dono que roncava. Uma ou duas vezes, ela abriu e fechou o bico com estalos, impaciente, mas Harry estava dormindo profundamente demais para ouvi-la.


"Essa é uma coruja muito inteligente, pelo jeito". Comentou Minerva.


Havia, ainda, um malão bem no meio do quarto, com a tampa aberta, parecendo aguardar alguma coisa. Estava quase vazio, exceto por umas cuecas velhas,


Nessa hora, as meninas exclamaram um sonoro 'eca!', enquanto os meninos riam.


[O que eu acho uma idiotice, afinal, elas não estão vendo as cuecas]


balas, tinteiros vazios e penas quebradas que forravam o seu fundo. No chão, à pequena distância, via-se caído um folheto roxo com um brasão em que se lia:


 


Por ordem do Ministério da Magia


PARA PROTEGER SUA CASA E SUA FAMÍLIA DAS FORÇAS DAS TREVAS


Atualmente a comunidade bruxa está sendo ameaçada por uma organização que se autodenomina Comensais da Morte. Observando simples diretrizes de segurança, você poderá proteger a si mesmo, a sua família e a sua casa de qualquer ataque.


1. Recomendamos que você não saia de casa sozinho.


"Não me diga, sério que não devo sair de casa sozinho enquanto tem um bruxo super maluco e malvado a solta por ai?". Disse Lene, sarcasticamente, o que fez muitos rir.


"Ué, e que diferença vai fazer se sair sozinho ou não? É Voldemort, porra!". Exclamou Remus. Muitos olharam pra ele, assustados. "O que?".


Somente Remus e os Marotos não entendiam o espanto dos outros.


"Você disse um palavrão". Explicou Dorcas.


Remus mais velho e Dora riram, junto dos Marotos.


"Eu ainda sou um Maroto, não sou?".


2. Tome especial cuidado durante a noite. Sempre que possível, programe suas viagens para começarem e terminarem antes do anoitecer.


3. Repasse as medidas de segurança que cercam a sua casa, cuidando para que todos os membros de sua família conheçam os procedimentos de emergência, tais como os feitiços Escudo e da Desilusão e, em caso de familiares de menor idade, a Aparatação Acompanhada.


"Eu queria aparatar". Suspirou Tiago.


"Há, eu já posso, e você não. Há, há!". Sirius caçoou do amigo. (N/A: Gente, pra quem não sabe, Sirius é dois anos mais velho, só que ele entrou atrasado em Hogwarts. Sorte nossa, e dos Marotos, não é?)


"Aluado, diz pra ele parar". Tiago fez bico, enquanto falava com uma voz de criança. Remus revirou os olhos e deu de ombros.


"Almofadinhas, pare de perturbar a criança". Todos riram com o comentário de Remus.


Tiago lhe mostrou a língua.


4. Combine senhas com seus familiares e amigos íntimos para detectar Comensais da Morte que se façam passar por outras pessoas após a ingestão da Poção Polissuco(veja p. 2).


Os Marotos trocaram um olhar cúmplice, porque eles sempre faziam isso. Conversavam por meio de códigos que só eles saberiam identificar, e então ninguém nunca sabia do que falavam, o que era ótimo.


5. Se você sentir que um familiar, colega, amigo ou vizinho está agindo de modo estranho, entre imediatamente em contato com o Esquadrão de Execução das Leis da Magia. Ele ou ela talvez esteja dominado/a pela Maldição Imperius (veja p. 4).


6. Se a Marca Negra aparecer pairando sobre qualquer prédio, NÃO ENTRE. Contate imediatamente a Seção dos Aurores.


"Eu queria ver a Marca Negra de perto, sei lá". Sirius deu de ombros, mas continuou quando viu os olhares assustados em sua direção. "Não queria que ninguém morresse pra isso, mas ainda sim queria ver".


7. A visão de objetos não identificados sugere que os Comensais da Morte talvez estejam usando Inferi (veja p. 10). Se avistar ou encontrar algum, reporte ao Ministério IMEDIATAMENTE.


"Eu queria ver um Inferi!". Exclamaram os três Marotos juntos.


"Seus idiotas". Disseram Lene, Lily e Dorcas, enquanto Remus mais velho e Dora riam. Era bem o tipo deles, sempre procurando confusão e aventura.


 


Harry resmungou enquanto dormia, e seu rosto escorregou uns centímetros pela vidraça, deixando os óculos ainda mais tortos, mas nem assim ele acordou.


"Sono pesado, mais uma característica do Pontas". Riu Remus.


"É mesmo. Lembro-me daquela vez que ele não queria acordar pra ir a Hogsmeade, que nós tivemos que jogar suco de abóbora nele". Disse Sirius.


"Nem me lembrem, juro que fiquei grudento por uma semana. Mas também, os idiotas tinham que ir lá e me jogar suco de abóbora. Argh, coitado do meu cabelo". Alguns riram.


"E, no final, ele acabou não indo do mesmo jeito, alegando estar grudento demais pra ir, mesmo depois de tomar banho".


"Vocês queriam o que, Aluado? Eu tava grudento!".


"Tiago Potter já perdeu algum passeio a Hogsmeade?". Questionou Lilian. "Pensei que isso nunca fosse acontecer".


"Pra você ver ruiva, mas se quiser sair comigo, eu faço isso de novo. Sabe como é né, a gente pode ir pra outro lugar". Ele botou um sorriso malicioso no rosto.


"Idiota!".


Um despertador, consertado por ele mesmo, há tempos, tiquetaqueava sonoramente no parapeito da janela, indicando que faltava um minuto para as onze horas.


"Definitivamente essa não é uma característica do Pontas, porque ele estraga qualquer coisa que toca". Explicou Remus.


"Ei, isso não é verdade!".


"É sim, lembra daquel...".


"Ta, ta, não precisa falar".


Ao lado do despertador, segura na mão frouxa de Harry, havia uma folha de pergaminho escrita com uma caligrafia fina e inclinada. Harry lera esta carta tantas vezes desde que chegara havia três dias que, embora fosse um pergaminho bem enrolado, ficara completamente esticado.


"Que será que tem de tão importante ai pra ele querer ler tantas vezes uma carta?". Questionou Lily.


"Eu não sei Lily". Disse Remus, abrindo um sorriso Maroto. "Mas Tiago leu tantas vezes aquela carta que você mandou pra ele, que o coitado do papel quase virou pó".


"Ah é". Sirius também sorriu cúmplice ao amigo, enquanto a ruiva corava. "Ele ficava dizendo: 'A Lily me escreveu, ela me escreveu mesmo'. 'A letra dela é tão linda'. 'A carta tem o perfume dela'. Sério, me deu até ânsia".


"Ei...". Tiago começou, mas foi interrompido.


"E não importava o quanto disséssemos que você só tinha mandado aquela carta xingando ele por causa da carta que ele tinha te mandado dizendo que te amava, Pontas não parava". Explicou Remus.


"Eu...". Tentou Tiago, novamente.


"Pensei que fosse morrer". Disse Sirius. "'Ai, eu amo a Lily'. 'Ela é tão linda'. 'Até mesmo me xingando a letra dela fica linda'. Remus e eu evitamos entrar no quarto dele por umas duas semanas".


[Tiago Potter tinha ficado vermelho]


Tiago corado era uma coisa muito rara, tanto que alguns até se espantaram quando se deram conta do fato. Mas Lily estava pior, porque seu rosto atingira a cor de seu cabelo.


Todos gargalhavam com a história dos dois Marotos.


"Então um dia, quando a mãe dele o obrigou a largar a carta para comer, eu e Sirius a pegamos e escondemos".


"Foi divertido!". Concordou o amigo.


Tiago, que antes já os fuzilava, arregalou os olhos.


"Seus malditos! Então que dizer que esse tempo todo tinha sido vocês? Seus malditos!".


Os dois riram, acompanhando a maioria.


Lilian não sabia nem mesmo que falar. Potter fizera isso com uma carta sua? Uma carta em que ela xingara ele!


Por Merlin! Pensou ela.


Pontas, com raiva dos amigos, levantou e pulou pra cima deles.


"Devolvam-me, idiotas!". E todo mundo riu mais ainda.


Que patético, pensou Severo, me da nojo!


"Calma, Pontas. Sabe, ela não ta aqui. Nós a escondemos dentro do seu colchão". Disse Sirius, tentando se livrar do amigo.


"Você dormiu com ela por meses, e nem desconfiou". Riu Remus.


"Argh!". Exclamou ele, olhando feio para os amigos.


Eu tenho dois amigos muito idiotas!


Mas resolveu voltar a ler, pois estava curioso sobre o assunto da carta.


 


Caro Harry,


Se for conveniente para você,


"Muito formal, não deve ser de um amigo, e nem de uma namorada". Ponderou Lene.


farei uma visita à Rua dos Alfeneiros, número 4,


"Rua dos Alfeneiros?". Questionou Tiago. "Mas que porra é essa?".


"Talvez um nome de um lugar trouxa". Sugeriu Dorcas.


"Mas, porque Harry moraria em um lugar trouxa? Eu sei que eu morri, mas então ele deveria ficar com algum de vocês, não?". Perguntou ele, olhando para os amigos. Então se virou para o Remus mais velho. "Certo?".


"Só leia, ok?". Respondeu ele.


Tiago voltou a ler meio relutante.


na próxima sexta-feira, as onze horas da noite, para acompanhá-lo à Toca,


"Toca me parece um lugar bruxo, tipo, uma casa". Disse Dorcas.


"Pelo menos isso". Concordou Pontas. "Mas ainda quero saber quem lhe mandou a carta".


"Se você tivesse um pouco mais de paciência, e lesse de uma vez". Resmungou Sirius, ao que o amigo deu a língua.


onde você está convidado a passar o resto de suas férias escolares.


Se concordar, eu gostaria também de poder contar com sua ajuda em um assunto que espero tratar a caminho d’A Toca. Explicarei melhor quando nos virmos.


Por favor, mande sua resposta pela mesma coruja. Espero vê-lo na sexta-feira.


Muito atenciosamente,


Alvo Dumbledore


Todos se viraram chocados para Dumbledore, que sorriu diante da atenção que passou a receber.


"Mas, professor, o que o senhor iria querer com o filho do Tiago?". Perguntou Lene.


"Também não sei, senhorita McKinnon". Respondeu o velho.


Tinha que ser filho do Potter, para Dumbledore ficar dando tanta atenção. Pensou Severo. Atenção exagerada, e diferente da que dispensa aos outros alunos!


 


Embora já a soubesse de cor, Harry não parava de relancear a carta desde as sete horas daquela noite, quando se instalara junto à janela do quarto, porque esta lhe oferecia uma visão razoável dos dois lados da rua dos Alfeneiros.


Ele parece realmente ansioso para sair dali, e isso me faz imaginar que não gosta do lugar onde está vivendo. Pensou Tiago. Por isso, é melhor eu tratar de não morrer! Não quero deixar meu filho assim.


Ele sabia que não adiantava ficar relendo as palavras de Dumbledore; mandara o seu “sim” pela coruja, conforme pedido, e agora só lhe restava esperar: ou ele viria ou não.


"Ora, certamente que eu irei. Não sou pessoa de descumprir com minha palavra". Respondeu Dumbledore. [Porque Tiago tinha lhe lançado um olhar questionador, do tipo: Você não vai deixar meu filho esperando, vai?]


Mas Harry ainda não aprontara as malas.


Sirius e Remus riram.


"Deixa tudo pra última hora, igual ao pai". Disseram juntos.


"Bah, como se o Almofadinhas não fosse assim também!". Exclamou ele, ao que Sirius lhe mostrou a língua.


Parecia-lhe bom demais para ser verdade que fossem tirá-lo da casa dos Dursley após quinze dias em companhia da família.


"Dursley?". Pontas franziu a testa. "Quem são Dursley?".


"Esse nome me soa familiar". Murmurou Lilian, e somente os mais próximos escutaram. Entre eles, os Marotos.


Dursley. Pensou Lily. Dursley. Mas que merda, da onde conheço isso?


[Da onde será, hein, Lily? Hehe]


Não conseguia se livrar da sensação de que alguma coisa ia desandar — a resposta à carta de Dumbledore poderia ter se extraviado; o bruxo poderia ser impedido de vir buscá-lo; a carta poderia não ser de Dumbledore e não passar de um truque, uma piada ou uma arapuca.


"Nossa, ele é bem pessimista, né?". Expressou Sirius.


"E isso, definitivamente, não é uma característica do Pontas". Concordou Remus mais novo.


Mais é uma da Lily. Pensou Remus mais velho, risonho.


"Deve ter herdado da mãe, porque alguém mais positivo que o Potter, é difícil de encontrar. Ele de certo sempre pensa positivo, depois de levar tantos foras da Lily e continuar tentando mesmo assim, sem desanimar". Riu Lene.


"Aff, eu nem dei tantos foras assim no Potter".


"Não, magina, Lily. Só um cinco por dia desde o primeiro dia do primeiro ano". Disse Sirius, fazendo quase todos rirem.


"Nah, cinco é... Muito pouco". Disse Remus.


"Bah, parem com isso!". Exclamara Tiago e Lilian, juntos. Os outros riram.


"Grande evolução, hein? Já até pensam igual!". Exclamou Marlene.


"Cala a boca, Lene". Disseram novamente juntos. Os outros riram ainda mais.


Harry não teve coragem de aprontar as malas e depois ficar na mão e precisar desfazer tudo. A única concessão que fizera à possibilidade de viajar fora fechar Edwiges na gaiola.


"O nome da coruja dele é Edwiges!". Exclamou Tiago, animado.


"Não vai me dizer que o nome da sua também é esse". Lene olhou incrédula pra ele.


"Não é, porque você pensou que fosse?".


Os Marotos, Lene, Dorcas e Lily reviraram os olhos, enquanto os outros riam.


O ponteiro menor do relógio chegou ao número doze e, neste exato momento, o lampião da rua apagou.


"Uhhhhhh". Fez Sirius, fazendo alguns se assustarem e ele rir.


Harry acordou como se a repentina escuridão fosse um despertador.


Sirius começou a rir escandalosamente, e ninguém entendeu o por que.


"Ele... Tem medo de escuro".


"Não tem não, idiota!". Rebateu Tiago, que começou a ler mais apressadamente. Agora que seu filho acordara, poderia saber mais sobre ele.


Endireitou, apressado, os óculos e, descolando a bochecha da vidraça para, em seu lugar, encostar o nariz, apertou os olhos para enxergar a calçada.


"Viu? Se ele tivesse medo de escuro, não tentaria olhar pra fora da janela, na escuridão". Sorriu, e Sirius lhe mostrou a língua.


Um vulto alto com uma longa capa esvoaçante estava entrando pelo jardim.


Harry levantou-se de um pulo como se tivesse levado um choque elétrico, derrubou a cadeira e começou a pegar todas as coisas ao seu alcance e jogá-las no malão.


Muitos riram do menino.


Na hora em que arremessava as vestes, dois livros de feitiços e uma embalagem de salgadinhos para o outro lado do quarto, a campainha tocou.


"Nossa, como ele cuida dos livros". Disse uma aluna da Corvinal, sarcástica.


"Os livros são dele". Rebateu Tiago, sorrindo irônico.


Sirius mostrou a língua para a menina, num gesto totalmente infantil, fazendo os outros rirem.


[E então, alguém tem algum palpite sobre quem é a garota?]


(N/A: Sério, muito fácil de saber quem é!)


Lá embaixo, na sala de estar, seu tio Válter exclamou com impaciência:


"Válter?". Lily arregalou os olhos, mas falou tão baixo que ninguém escutou. Esse nome, definitivamente, me é familiar!


[Porque será, hein?]


"Eu não tenho nenhum parente com esse nome!". Disse Tiago, indignado.


"Deve ser parente da tua mulher, infeliz". Remus lhe deu um tapa na cabeça.


— Quem será que está tocando a uma hora dessas?


Harry congelou, com um telescópio de latão em uma das mãos e um par de tênis na outra.


"Ué, porque ele teve essa reação?”. Perguntou Remus mais novo, ao mais velho.


O outro só deu de ombros, mesmo sabendo a resposta. Tonks riu sem humor.


Esquecera-se completamente de avisar os Dursley de que Dumbledore talvez viesse. Sentindo ao mesmo tempo pânico e vontade de rir,


"Ele é muito estranho". Expressou Dorcas.


"E esperava que fosse o que, sendo filho do Pontas?". Remus mais novo riu, enquanto o amigo lhe olhava indignado. Alguns outros riram.


saltou por cima do malão e escancarou a porta do quarto, em tempo de ouvir uma voz grave cumprimentar:


— Boa-noite. O senhor deve ser o Sr. Dursley. Será que Harry não o preveniu que eu viria buscá-lo?


"Hmm, isso também não é do Pontas, porque esse daí lembra de tudo!". Meditou Sirius.


"Ih, agora vão ficar analisando todas as características do garoto?". Exclamou Tiago.


"Vamos, ué". Disseram Sirius e Remus, rindo.


(N/A: Já deu pra perceber que eu tenho o costume da falar a palavra 'ué' e a palavra 'né'?)


Harry desceu a escada de dois em dois degraus e parou abruptamente a alguns passos do hall, pois a longa experiência o ensinara a ficar longe do alcance do tio sempre que possível.


"Então quer dizer que esse tal de Dursley é tio dele?". Perguntou Tiago, abismado. "E não estou feliz pelo modo como Harry fala dele. Se Harry não gosta dele, eu provavelmente não gosto!".


Remus riu, balançando a cabeça, indignado. Era cada uma que o amigo arranjava.


"Esse deve ser parente da sua mulher, Pontas. É a única opção!". Disse Remus mais novo, ao que o amigo concordou.


"Bem, eu não gosto dessa irmã, ou cunhado da minha mulher. Não gosto mesmo, e espero que ele fique bem longe de mim". Tiago estremeceu.


Parado à porta, estava um homem alto e magro, com barbas e cabelos prateados até a cintura. Usava oclinhos de meia-lua encarrapitados no nariz torto, uma longa capa de viagem e um chapéu cônico.


"Tio Dumby!!!". Exclamaram os Marotos. O velho homem riu, junto de uma boa parte dos outros alunos.


Minerva olhou severamente pra eles, mas ainda assim não disse nada. Ela gostava daquele quarteto, e deveria ser difícil pra eles a traição do amigo. Mas ainda assim, percebia que levavam tudo com bom humor, que eram felizes. Esses estavam aproveitando a vida. Pensava ela.


Vestido com um roupão cor de vinho, Válter Dursley, cujo bigode era preto mas tão farto quanto o de Dumbledore, encarava o visitante como se não pudesse acreditar nos seus olhinhos miúdos.


Alguma coisa na mente de Lily parecia a incomodar, o nome de Petúnia surgiu de repente, mas ela não conseguiu associar com nada. Porque assim que pensou na irmã, tratou de afastar os pensamentos daquele rumo. Odiava pensar na irmã.


"Pelas cuecas de Merlin, espero que esse cara não seja irmão da minha mulher! Nunca vi pessoa mais feia".


"Pontas, você não ta vendo ele, porque a gente ta lendo um livro". Riu Aluado.


"E, além disso, aposto que ele é sim irmão dela, porque só uma feia iria querer casar com você". Debochou Almofadinhas.


Sirius estava brincando, é claro, porque praticamente todas as garotas de Hogwarts caiam aos pés de Tiago. E aos meus, é claro, porque elas me amam!


"Bah, aposto que foi a garota mais linda que casou comigo, porque só existe uma pessoa que pode me superar". Respondeu o de óculos, para o espanto geral.


"Eu escutei direito? Tiago Potter acabou de dizer que existe alguém que é melhor que ele?". Lene arregalou os olhos para o moreno.


"Pff, e quem seria essa garota, Potter? Porque ela deve ser realmente maravilhosa pra você admitir isso!". Debochou Lily.


"Ela é a pessoa mais maravilhosa do mundo". Suspirou ele.


"Pontas, isso foi muito gay". Riu Sirius.


"Dane-se!". Retrucou o amigo.


Remus mais novo sorriu, ao perceber de quem se tratava. Sabia que o amigo gostava realmente dela.


"Há, já sei quem é". Disse ele.


"Ei, porque você só contou pro Aluado, e não pra mim sobre essa garota?".


"Sirius, seu idiota". Remus deu-lhe um soco no ombro. "Tiago já falou pro mundo inteiro sobre essa garota".


"Mas não pra mim". O amigo fez bico.


Tiago sorriu, sem prestar atenção nos amigos. Ele olhou para Lily, que estava ao seu lado. Ela olhava para o rapaz interrogativamente.


Tiago estava falando dela? Sentiu-se corar.


— A julgar pelo seu ar aturdido e descrente, Harry não o avisou da minha vinda — disse Dumbledore em tom amável. — Mas vamos presumir que o senhor tenha me convidado, cordialmente, a entrar. Não é sensato demorar demais à soleira das portas nestes tempos perturbados.


"Dumbledore, sempre gentil". Disse a professora Minerva.


"É mesmo, até com esses trouxas idiotas". Concordou Dorcas.


"Vocês estão me fazendo corar". Disse o velho, arrancando risos de alguns.


O bruxo cruzou o portal com elegância e fechou a porta ao passar.


— Faz muito tempo desde a minha última visita — falou Dumbledore, olhando por cima dos óculos para o tio Válter. — Devo dizer que os seus agapantos estão bem floridos.


"E ele ainda fala das flores". Riu Lene.


Válter continuou calado. Harry não duvidou que o tio logo recuperasse a fala — a veia que latejava em sua têmpora estava quase explodindo. Mas alguma coisa em Dumbledore parecia ter-lhe roubado temporariamente o fôlego. Talvez fosse a sua inegável aparência bruxa ou o fato de que mesmo o tio Válter podia perceber que ali estava um homem muito difícil de intimidar.


"Isto com certeza é um grande elogio". Dumbledore disse, sorrindo. Sentia que gostaria do menino tanto quanto gostava do pai dele.


— Ah, boa-noite, Harry — cumprimentou Dumbledore, erguendo a cabeça para olhá-lo através dos óculos com ar de satisfação. — Ótimo, ótimo.


"Sintam inveja, invejosos. Dumbledore gosta do meu filho, e vai buscar ele em casa". Gabou-se Pontas.


"Pff, deve ter aprontado um coisa tão grave que teve de ir passar as férias cumprindo castigo. Não me espantaria, porque é igual ao pai". Disse Severo.


"Nunca fiquei de castigo nas férias, Seboso. Além do mais, isso é proibido". Sorriu Tiago.


"É por isso que nós deixamos a melhor pegadinha pro último dia de aula, porque daí não tem castigo nem detenção". Riu Sirius, logo acompanhado pelos outros dois.


Severo os olhou com nojo.


Tais palavras pareceram despertar o tio Válter. Em sua opinião, era óbvio que qualquer homem que pudesse olhar para Harry e dizer “ótimo” era alguém com quem ele jamais concordaria.


"Pela primeira vez, vejo alguma sinal de inteligência nesse trouxa". Sorriu Severo, sarcástico.


"Sério? Pensei que você fosse tão burro que não soubesse nem mesmo o que significa a palavra 'inteligência', Seboso". Provocou Sirius.


"Como se você soubesse, Black. Sendo idiota do jeito que é".


"Eu não sou burro, sabia? Tirei notas muito melhores que você em DCAT, Transfiguração...". Tiago e Remus soltaram um risinho nessa matéria". "E Estudo dos Trouxas... Oops, esqueci que você não faz Estudo dos Trouxas, já que é um Sonserino preconceituoso e idiota!".


Snape lhe olhou de cara feia.


"Só é bom em Transfiguração porque a professora tem vocês como alunos preferidos". Debochou Snape.


"O senhor está insinuando que dou preferência a alguns e a outros não?". Questionou McGonagall, erguendo a sobrancelha para questionar o aluno.


"Ah, não senhora". Respondeu ele, de mau gosto.


— Não quero ser grosseiro... — começou ele, em um tom que ameaçava se tornar grosseiro a cada sílaba.


"Haha, se esse cara conhecesse o tio Dumby um pouquinho, saberia que não se deve mexer com ele". Tiago sorriu Maroto.


"Como se você não fizesse isso todo dia". Rebateu Lilian.


Tiago deu de ombros, rindo.


— ...contudo, a grosseria acidental ocorre com alarmante freqüência — Dumbledore terminou a frase sério. — É melhor não dizer nada, meu caro.


"Isso mesmo, porque a voz desse cara deve ser horrível!". Disse Remus mais novo.


Tiago estremeceu, pensando que se o cara era totalmente horrível, imaginando a voz.


"Ainda bem que é um livro, e não um filme". Disse Dorcas.


"Eu gostaria que fosse um filme, ai poderia ver meu filho".


Remus mais velho e Dorcas riam da animação de todos. Ele ficava cada vez mais feliz pesando como seria melhor a vida de todos se os amigos não tivessem morrido.


Ah, e esta deve ser Petúnia.


Lily congelou, ficando pálida. Ela escancarou a boca. Não, não pode ser. Diz que isso não é verdade!


"Oh não, oh não, oh não!". Balbuciou.


"O que foi Lírio?". Questionou Tiago.


"Oh não, oh não, oh não!". Ela continuava a repetir.


Lene e Dorcas olharam para a amiga, então, de repente, Lene deu um pulo no lugar.


"LILY, PETÚNIA NÃO É AQUELA SUA IRMÃ QUE TUA ODEIA? E VÁLTER NÃO É O NAMORADO BALOFO DELA?". Gritou surpresa.


(N/A: Eu não gosto de usa letras ASSIM, mas foi preciso, ok?)


"Ih, é mesmo Lene!". Exclamou Dorcas, depois continuou, vendo que ninguém tinha entendido. "CARA, SE A TUA IRMÃ É TIA DO HARRY E ELE É FILHO DO TIAGO, ENTÃO ISSO SIGNIFICA QUE A LILY VAI CASAR COM O TIAGO!".


Pontas arregalou os olhos, que automaticamente começaram a brilhar. Ele olhou para Lily, que há essa hora estava totalmente corada e incrédula.


"MERLIN, EU VOU CASAR COM O MEU LÍRIO! EU VOU CASAR COM O MEU LÍRIO. LÍRIO, EU VOU CASAR COM VOCÊ! EU SEMPRE FALAVA ISSO PRA TODO MUNDO, MAS NINGUÉM ACREDITAVA". Gritou, levantando e começando a pular por entre as mesas. "EU SABIA, SABIA, SABIA, SABIA. EU SOU O CARA MAIS SORTUDO DO MUNDO".


Ele continuou pulando, alegremente. Mas havia alguém não tão contente ali mesmo, na mesa da Sonserina.


Severo Snape tinha no rosto uma expressão de surpresa e total desagrado. Estava incrédulo, horrorizado, irritado. Como sua Lily pudera casar com o idiota do Potter, o cara metido e arrogante? Como ela tivera coragem de fazer isso com ele, seu melhor amigo?


[Seboso só se esqueceu de que eles não são mais amigos, e Lily não fez isso pra castigá-lo, mas porque realmente ama Tiago]


(N/A: Talvez eu não seja a melhor pessoa pra julgar o Ranhoso, porque o odeio, mas essa é minha opinião, então...)


Tiago correu de volta a mesa da Grifinória, e parou em frente à Lilian. Então pegou sua mão e puxou-a para cima, fazendo ela se levantar.


"O que pensa que está fazendo, Potter?". Perguntou ela, baixo. Ainda morria de vergonha.


Tiago não respondeu, somente continuou puxando ela e sorrindo bobamente. Até que chegaram a um ponto vazio da mesa, e ele subiu lá, em cima da mesa. Estendeu a mão para a ruiva pra que ela subisse também. Ela relutou, mas por fim aceitou, pensando que coisa louca ele faria agora.


Eu estou maluca, só pode.


Quando por fim Lily já estava ao seu lado, Pontas virou-se pra ela, ainda sorrindo. Lilian pensou que talvez ele acabasse com dor no rosto se continuasse sorrindo desse jeito.


"Lilian Evans". Começou ele, falando alto o suficiente para que todos ouvissem. "Eu sei que você diz que me odeia, mas creio que nem tanto assim, já que no futuro teremos um filho juntos. E, sabe, e pior coisa pra mim é pensar que nós vamos morrer, que você vai morrer. Mas eu vou mudar esse futuro, de qualquer jeito. Eu não sei como consegui te conquistar no futuro, contudo, tenho certeza de uma coisa...". Ele fez uma pausa. "EU TE AMO, PRA SEMPRE, LILIAN. ALWAYS!".


(N/A: Dei uma roubadinha na frase, mas dane-se, eu não gosto do Snape, hehe)


Todos ficaram de boca aberta, olhando sem piscar para a mesa da Grifinória. Lily ficou pasma.


Tiago sorriu, sabendo o que tinha feito. Ele nunca dissera a ela que a amava, mas era a mais pura e simples verdade, e quando falou aquilo, pareceu mais real ainda. Nunca tivera coragem de dizer, com medo de que Gengibre se afastasse ainda mais, mas agora o medo parecia ter ido embora, totalmente. Ele poderia repetir mais um milhão de vezes aquilo, e não se cansaria.


"Eu te amo, muito mesmo". Dessa vez sussurrou pra que só ela escutasse. "E não estou te pressionando, nem nada. Só estou constatando um fato, Lily. Isso era uma coisa que eu tinha guardado pra mim mesmo, com medo de você se afastar ainda mais, mas agora tenho certeza de que posso falar. Só peço que, por favor, não se afaste de mim, como disse, não estou te pressionando. Nós podemos ser amigos, se você quiser!". Estendeu a mão para ela.


Lily tentou digerir as informações. Tiago Potter acabara de dizer que a amava, e ainda por cima se declarar pra ela? E além do mais parecia estar sendo extremamente sincero. Ela pensou, mas por fim decidiu que não seria tão ruim ter ele como amigo.


Enquanto Tiago a observava, Lilian abriu o sorriso mais lindo que ele já vira. Era o primeiro sorriso que lhe dirigia, sem ser sarcástico. Era um sorriso lindo, sincero, deslumbrante. Ele poderia viver pra sempre vendo esse sorriso. Ele jamais vira Lily dar esse sorriso a outro alguém.


E Lilian nem mesmo percebeu que sorria.


"Amigos, Potter". Ela confirmou, enquanto apertava a mão de Tiago. Afinal, vai ser o pai do meu filho. Eu devo ter achado que ele vale a pena!


"Só uma coisa Lily: já que vamos ser amigos, você tem que me chamar de Tiago, sabe". Sussurrou no ouvido dela.


"Claro Pott-Tiago. É o costume". Eles riram, e ninguém estava entendendo nada.


"E agora você pode me chamar de Lily". Disse ela.


"Obrigado Lírio". Ela riu.


Lilian tomou a iniciativa e abraçou Tiago, deixando não só o moreno surpreso, mas também todos os outros. Por fim, ele retribuiu seu abraço alegremente.


Nenhum dos dois lembrava mais que estavam em cima da mesa, mas quando os amigos começaram a gritar e aplaudir, olharam em volta, assustados, se separando.


Os dois riram e desceram da mesa, sentando-se novamente em seus lugares. Tiago pegou o livro.


"E que pensei que esse dia nunca fosse chegar". Caçoou Sirius. "Se deu bem, hein Pontas".


Tiago riu a balançou a cabeça.


(N/A: Sabe, é estranho ficar escrevendo Tiago aqui, porque meu melhor amigo se chama Thiago, então eu fico comparando ele com Tiago Potter, sendo que o meu amigo é loiro de olhos verdes. Sei que vocês não querem saber disso, mas ok, eu sou idiota mesmo, hehe)


A porta da cozinha se abrira, revelando a tia de Harry, de luvas de borracha e um robe por cima da camisola, visivelmente interrompendo sua costumeira limpeza das superfícies da cozinha antes de ir se deitar. Seu rosto cavalar expressava apenas choque.


"Lily, devo dizer que sua irmã é horrivelmente horrível!". Soltou Sirius, se encolhendo.


"Eu sei Sirius. Ela é muito idiota". Concordou a ruiva, para espanto geral, menos das amigas, que já sabiam da relação das irmãs. "Petúnia é estúpida e arrogante".


"Incrível, ela usava as mesmas palavras para descrever Tiago até agora a pouco. Sua irmã é teu novo alvo, Lilica?". Perguntou Sirius.


"Não me chame de Lilica, seu imprestável. E você não viu nada, eu uso coisas piores para descrever minha irmã!".


"Ok, ok". Black ergueu as mãos, em sinal de rendição.


— Alvo Dumbledore — informou o bruxo, já que o tio Válter não o apresentara. — Temos nos correspondido, é claro. — Harry achou que era um modo esquisito do diretor lembrar à tia Petúnia que certa vez lhe enviara uma carta explosiva, mas ela não protestou.


"Dumbledore enviou uma carta explosiva a Petúnia? Eu queria muito ter visto essa!". Lily tinha os olhos brilhando.


"Lily, eu gosto cada vez mais de você depois que começamos a leitura. Sério, nunca pensei que a Lily-toda-certinha pudesse um dia querer ver uma carta explodir na irmã dela". Sirius também tinha os olhos brilhando. "Agora eu sei por que Tiago se casou com você, ou te perseguiu por tanto tempo".


O amigo riu, enquanto a ruiva corava.


"Cala a boca, Black!".


"Opa, opa. Black não, é Potter!". Rebateu ele.


"Ué, mas se a Lily chamar você de Potter também, como vão te diferenciar do Tiago? Porque ela só o chama assim". Perguntou Lene.


"Nós fizemos um acordo, somos amigos agora. Ela vai me chamar de Tiago". Explicou o moreno, sorrindo largamente.


"Sério?". Dessa vez até Remus mais novo estava surpreso.


Lilian acenou, em confirmação.


— E esse deve ser o seu filho Duda, não?


"Ah não, a o leão marinho tem um filho!". Lily estremeceu. "Isso é horrível!". Dramatizou.


Os Marotos riram, adorando a nova Lily que tinham descoberto.


Naquele instante, Duda espiara à porta da sala de estar. Sua cabeça grande e loura, emergindo da gola listrada do pijama, parecia estranhamente separada do corpo, a boca aberta de espanto e medo.


"Merlin, Lily, acho que o filho é pior que o pai, porque se já é assim desse jeito, imagine quando mais velho". Disse Tiago.


"Deuses Tiago, nem me fale. E eu é que vou ter que aguentar duas morsas em casa".


"Não se preocupe, Lírio. Quando nós nos casarmos, você não vai ter que ver eles nunca mais".


Normalmente ela brigaria com ele, e eles acabariam em uma discussão. Lily diria que nunca se casaria com ele, e Tiago acabaria por se declarar novamente pra ela. Mas dessa vez não, porque agora Lilian sabia que no futuro, acabaria mesmo casada com Tiago, e teria um filho com ele. Afinal, o Maroto estivera certo por todos esses anos.


Foi pensando nisso, que em vez de repreendê-lo, ela apenas riu, surpreendendo Pontas.


[Hoje Lily está surpreendendo muito, hein?]


Dumbledore esperou um momento, aparentemente para ver se os Dursley iam dizer alguma coisa, mas, como o silêncio se prolongasse, ele sorriu.


— Posso presumir que os senhores tenham me convidado a sentar em sua sala de estar?


Os alunos riram, acompanhados de alguns professores. Dumbledore sempre fora muito educado, e todos sabiam disso.


Duda afastou-se depressa do caminho quando Dumbledore passou.


"Medroso esse daí, não?". Um aluno da Sonserina disse debochado.


"Se fosse bruxo, iria para a Sonserina". Rebateu Sirius, sorrindo.


(N/A: Sirius, tu tem que parar de debochar da minha casa, desgraça. Rsrsrs...)


Harry, ainda segurando o telescópio e os tênis, saltou os últimos degraus e acompanhou Dumbledore, que se acomodou na poltrona mais próxima da lareira e se deteve a reconhecer o ambiente com uma expressão de educado interesse. Parecia extraordinariamente deslocado.


"Como não pareceria deslocado? Se ele parecesse estar no lugar certo, ai sim eu me preocuparia!". Exclamou Lene.


"Senhorita McKinnon". Repreendeu Minerva, mas Alvo riu.


"Ah professora, eu só estava falando que o professor Dumbledore não é igual eles. Não é idiota igual eles, por isso, fica deslocado nesse lugar".


"Ora, fico muito agradecido". Disse Dumbledore, em resposta.


— Não vamos embora, professor? — perguntou Harry ansioso.


"A casa dos tios deve ser um lugar realmente horrível, e eu fico me perguntando, onde é que eu estou?". Perguntou Remus mais novo, olhando para o mais velho.


O outro suspirou.


"Só digo que não, eu não estava preso ou coisa parecida. Dumbledore achou que fosse melhor que eu não ficasse com o menino". Respondeu ele.


"Mas por quê?". Perguntaram Tiago, Remus e Sirius, incrédulos.


"Quando Voldemort foi a casa de vocês, ele matou Tiago primeiro". Fechou os olhos enquanto contava, para não ver a reação dos amigos. "Depois, Voldemort foi atrás de Lilian e Harry. Ele quis poupar a vida dela...".


Muitos arregalaram os olhos.


"C-como assim? Ele nunca pouparia a vida de uma sangue-ruim!". Exclamou Lily.


Remus deu um sorriso amargo, junto com um olhar de canto de olho para Snape, do outro lado do salão.


"O motivo disso vai ser explicado depois, acho. Mas enfim, é claro que ela não quis, e Lilian deu a vida pelo menino. Quando Voldemort então tentou matar Harry, a maldição da morte ricocheteou e voltou nele, deixando-o fraco durante muitos anos. A única lembrança daquele dia pra Harry foi uma cicatriz que ficou em sua testa". Terminou.


Lilian tinha lágrimas escorrendo pelo rosto, ao imaginar que tudo isso acontecera por seu filho. E ela nem mesmo se acostumara com a ideia de ter um filho, com Tiago Potter.


— Certamente, mas primeiro há umas questões que precisamos discutir. E preferia não fazer isto ao ar livre. Por isso, vamos abusar da hospitalidade do seus tios por mais uns minutinhos.


— E como vão!


"São tão educados, que até dói". Disse Dorcas.


"Você nem imagina, companheira". Falou Tonks, rindo.


Válter Dursley entrara na sala, Petúnia ao seu lado e Duda, mal-humorado, atrás deles.


— É — disse Dumbledore com simplicidade. — Abusaremos.


"Toma!". Gritou Sirius, rindo. "É por isso que eu adoro o tio Dumby".


Muitos alunos olharam admirados para o diretor.


E sacou a varinha com tanta rapidez que Harry mal chegou a vê-la; a um gesto displicente, o sofá arremessou-se para a frente, atingiu os joelhos dos Dursley e os fez perder o equilíbrio e desmontar nele. A um segundo gesto com a varinha, o sofá voltou rapidamente à posição inicial.


Alguns alunos, como Lily, que pensavam que o diretor fosse à pessoa mais gentil do mundo, e que continuaria sendo mesmo com esses trouxas, escancararam as bocas.


Alguns da Sonserina soltaram risinhos, pesando que finalmente o velho houvesse feito algo de útil com os inúteis dos trouxas. Outros somente emburraram mais, pensando em como ele poderia manter a calma mesmo com esse idiotas por perto.


Se fosse eu, já teria amaldiçoado! Pensou a mesma menina que desafiara Tiago anteriormente.


— E é melhor fazermos isso com conforto — disse o bruxo cordialmente.


Quando Dumbledore guardou a varinha no bolso, Harry notou que sua mão estava escura e enrugada; a pele parecia ter sido destruída por uma queimadura.


"Que...?". Tiago leu de novo. "Como isso é possível?".


"Pensei que o tio Dumby fosse imachucavel!". Sirius exclamou.


Remus mais novo revirou os olhos para a idiotice dos amigos, mas também estava curioso.


Remus mais velho e Dora trocaram um olhar triste, sabendo que nem de longe o diretor era imortal... Ou imachucavel, como Sirius dissera.


"Sirius, essa palavra não existe". Lily disse.


"Agora existe, Lilica, porque fui eu que inventei. E tudo que Sirius Potter diz, é lei, porque eu sou demais!".


A maior parte das pessoas que conhecia Sirius pelo menos um pouquinho, revirou os olhos, enquanto Lene dava um soco no braço do cachorro.


Ele soltou um uivo de dor, como o de um cachorro de verdade.


[Porque será, hein?]


"Ui, credo. Que que foi isso?". Ela perguntou, rindo. "Deu pra latir agora, cachorro?".


"Você bate igual a um cara, Lene". Ele respondeu, desviando do assunto.


"Eu sei, e isso não é demais?". Perguntou ela, feliz. "Mas precisava latir?".


Ele olhou emburrado pra ela, e Tiago continuou a ler, antes que a situação complicasse mais pro lado dos Marotos.


— Professor... que aconteceu com sua...?


"Ih, as pessoas que esse garoto convive estão ferradas!". Exclamou Remus. "Tiago e Lily são as duas pessoas mais curiosas que conheço, e juntar esse dois em uma só pessoa, não poderia dar certo".


"Não mesmo, conhecendo os dois do jeito que conheço, digo que ele deve se meter em muitas confusões por causa da curiosidade".


"Você nem imagina o quanto, Dorcas". Respondeu Remus mais velho.


— Mais tarde, Harry. Sente-se, por favor.


"Duvido que ele vá contar mais tarde". Espressou Sirius.


"Cala a boca, pulguento!". Repreendeu Tiago.


"Ué, você pode falar e eu não, viado?". Devolveu Sirius.


"É cervo, porra. C-E-R-V-O!".


"Cervo por quê?". Interrogou Lily.


Os dois se olharam, e depois trocaram um olhar com Aluado.


"Se virem, vocês que se meteram nessa confusão". Disse ele.


"Euvouvoltaráler". Exclamou Pontas, falando rápido e logo em seguida voltando a ler, arrancando um riso dos dois Remus.


O garoto ocupou a poltrona que sobrara, fazendo questão de não olhar para os Dursley, todos mudos de espanto.


— Presumi que fossem me oferecer uma bebida — disse Dumbledore ao tio Válter —, mas, pelo visto, tanto otimismo seria tolice.


Pff, seria realmente muita tolice. Petúnia é uma vaca! Pensou Lily.


Um terceiro gesto com a varinha fez aparecer no ar uma garrafa empoeirada e cinco copos. A garrafa se inclinou e serviu uma generosa dose de um líquido cor de mel em cada copo, que, então, flutuou até cada uma das pessoas na sala.


— É o melhor hidromel envelhecido em barris de carvalho por Madame Rosmerta — explicou Dumbledore, fazendo um brinde a Harry, que apanhou o copo e bebeu.


"Merlin, eu amo Hidromel". Disse Sirius, com os olhos brilhando.


"Você ama qualquer coisa que seja de comer ou de tomar, pulguento". Disse Remus mais novo.


"Isso me lembra alguém". Falou Tonks baixinho, para que somente Remus escutasse. Os dois riram lembrando-se de Rony.


Nunca provara nada parecido antes, mas gostou imensamente. Os Dursley, depois de trocarem olhares rápidos e apavorados, tentaram fingir que não viam seus copos, o que era difícil porque eles davam pancadinhas em suas cabeças.


"Eu gostaria de ver essa cena". Disse Lily divertida, soltando um risinho enquanto imaginava.


Harry não conseguiu afastar a suspeita de que Dumbledore estava se divertindo.


Certamente, pensou ele, devo estar me divertindo um pouco.


— Bom, Harry — disse o bruxo dirigindo-se a ele —, surgiu uma dificuldade que espero que você possa resolver para nós. Por nós, eu me refiro à Ordem da Fênix.


"Viu? O meu filho é muito importante, que até mesmo Dumbledore precisa da ajuda dele". Disse Tiago, olhando com um sorrisinho sarcástico diretamente na direção de Snape. Este que somente lançou-lhe um olhar raivoso.


Antes de mais nada, porém, preciso lhe dizer que encontraram o testamento de Sirius há uma semana, e ele deixou todos os seus bens para você.


"Valeu Almofadinhas, mesmo que tu estejas morto". Agradeceu Pontas.


"Amigo é pra isso, mano. E era óbvio que eu deixaria tudo o que era meu pro teu filho!".


Os dois sorriram um pro outro o Tiago voltou a ler, imensamente agradecido ao amigo, que ele sabia que poderia contar sempre, assim como Remus.


No sofá, tio Válter se virara, mas Harry não olhou para ele nem conseguiu pensar em nada para dizer, exceto:


— Certo.


"Aposto que a morsa já ta interessada na herança de Harry". Lilian estreitou os olhos, prevendo o que o cunhado diria.


"Argh, esse cara não vai encostar em nada que é do Harry!". Exclamou Sirius. "Você vai cuidar disso, não é, Aluado?".


Ele olhou para o mais novo, em expectativa.


"Claro". Ele sorriu, mas olhou mesmo assim por confirmação para seu eu mais velho, que também sorriu.


"Ahan". Disse, deixando os outros aliviados, mesmo sabendo que Remus sempre faria tudo pelo garoto.


— No geral, é um testamento bem simples. Você acrescenta uma boa quantidade de ouro à sua conta no Gringotes e herda todos os bens pessoais de Sirius. A parte ligeiramente problemática do documento...


"Ih, lá vem coisa ruim". Disse Sirius. "Que é que deu problema agora?".


— O padrinho dele morreu? — perguntou tio Válter, em voz alta, lá do sofá.


"Aposto que ele está feliz com isso... Espera, ele disse que sou o padrinho? Haha, eu sou mesmo o padrinho!".


"Idiota, como se algum dia pudesse ser ao contrário". Tiago revirou os olhos.


"Bem, se depender de mim, Sirius não vai ser o padrinho". Disse Lily, fazendo cara séria.


Os dois arregalaram os olhos, e simultaneamente se jogaram no chão aos pés de Lily, de joelhos.


"Por favor, por favor, por favor!". Imploraram. Lilian explodiu em gargalhadas.


"Eu tava brincando, seus idiotas". Disse enquanto ria. "Sirius pode ser o padrinho de Harry".


Sirius e Tiago suspiraram de alivio, enquanto Snape fazia cara de nojo.


[Ele faz bastante essa cara, não?]


"VALEU LILICA!". Sirius abraçou Lily tão forte que quase a sufocou.


"Larga a Lily, pulguento, ela é minha!". Tiago jogou Sirius longe e abraçou Lily também.


Muitos que estavam a volta, riam sem parar.


"Eu não sou sua Pot-Tiago, agora, por favor, me solte".


"Como quiser, mas você não é minha por enquanto, porque nós ainda vamos nos casar, lembra? E ter um filho". Disse ele, soltando-a, e voltando a ler com um enorme sorriso no rosto. Lily ficou extremamente corada.


Dumbledore e Harry se viraram para olhá-lo. O copo de hidromel agora batia insistentemente em sua cabeça; ele tentava afastá-lo. — Morreu? O padrinho dele?


— Morreu — confirmou Dumbledore, sem perguntar a Harry por que não contara aos tios.


"Fez muito bem de não ter contado para esses daí sobre a minha morte, eles não merecem saber nada que venha de mim". Sirius jogou os cabelos para trás, em um gesto que dizia com clareza: Eu sou fabuloso!


[Hehe, sei não...]


"Espera, mas como é que eles sabiam da existência de Sirius?". Remus franziu a testa.


"Ah, Remito, é claro que todos sabem da minha existência, já que eu sou DEMAIS!". Sirius gritou a última parte. Marlene bufou.


"Você não tinha acabado de dizer que era melhor que eles não soubessem nada de você?". Perguntou ela.


"É, mas...".


"Respondendo a sua pergunta". Remus mais velho falou mais alto que os dois, os interrompendo, já prevendo a briga que surgiria dali. "Eles sabiam, porque Almofadinhas havia aparecido em Tele Jornal trouxa, como um prisioneiro muito perigoso. Nessa época, eles ainda não sabiam que Sirius era padrinho de Harry, mas depois, Harry usou Sirius como ameaça contra eles. Deu certo, é claro, porque ficaram morrendo de medo de que Almofadinhas irrompesse a qualquer momento na sua sala de estar para lhes torturar".


Os Marotos riram, acompanhados de mais algumas pessoas.


"E eu fui?".


"Não, na verdade, você estava fugindo do Ministério. Mas eles não sabiam disso, e Harry usava contra eles". Dessa vez foi Tonks que respondeu.


"Puxou ao pai, então". Caçoou Lene. "Lily, acho que você vai ter muito trabalho pra cuidar de dois Marotos em casa". Ela riu.


Lily gemeu ao imaginar a situação. Onde é que eu fui me meter?


"Que isso, eu não vou dar tanto trabalho assim pra ela. Só um pouquinho!". Disse Tiago.


Ela suspirou e balançou a cabeça, mas mesmo assim sorriu, afinal, não importava se ele fosse um Maroto como o pai, já amava seu filho, mesmo que não tivesse nascido ainda.


— Nosso problema — continuou falando com Harry, como se não tivesse havido interrupção — é que Sirius também deixou para você a casa número doze do Largo Grimmauld.


— Deixou uma casa para ele? — perguntou tio Válter, ganancioso, apertando os olhos miúdos, mas ninguém lhe respondeu.


"Pff, eu sabia que ele diria isso. Ele só pensa em dinheiro, e aposto que está de olho nada casa". Lily revirou os olhos. "A propósito, obrigada Sirius, por tudo". Ela sorriu.


"Que isso Gengibre, eu faria muito mais se pudesse". Ele sorriu também.


— Podem continuar a usar a casa como quartel-general — disse Harry. — Não me importo. Podem ficar com ela. Não a quero. — Se dependesse dele, não queria nunca mais pisar na casa do largo Grimmauld.


"Ué, por quê?". Perguntou Dorcas, não recebendo resposta.


Sirius fechou a cara.


"Eu o entendo". Murmurou baixinho, e somente Aluado e Pontas escutaram, sorrindo tristes para o amigo.


Achava que a lembrança de Sirius, vagando solitário pelos aposentos escuros e mofados, prisioneiro de um lugar que tinha tentado desesperadamente abandonar, o atormentaria para sempre.


Almofadinhas estremeceu, pensando o quão terrível era saber que no futuro teria de voltar a aquela casa que ele tanto odiava. Ter de ficar lá, sozinho, num lugar com tantas lembranças ruins. Era horripilante só de pensar.


Tiago e Remus observavam as reações do amigo, sabendo o quanto era difícil pra ele somente pensar em voltar pra lá um dia. Mas eles mudariam esse futuro, custasse o que custasse.


Lene reparou que Black não parecia nada contente com a noticia.


— É um gesto generoso. Mas desocupamos o imóvel temporariamente.


— Por quê?


— Bem — respondeu Dumbledore, não dando atenção aos resmungos do tio Válter, que agora levava na cabeça batidas dolorosas do insistente copo de hidromel —, segundo a tradição da família Black, a casa passa ao descendente masculino mais próximo, em linha direta que tenha o nome Black. Sirius foi o último da linhagem, porque seu irmão mais novo, Régulo, faleceu antes, e nenhum dos dois teve filhos.


Almofadinhas olhou de relance para o irmão, triste por isso. Era um Comensal da Morte nojento, mas ainda era seu irmão. Gostava dele antes de ter a mente corrompida pela mãe. Se não tivesse se juntado a Voldemort, não teria morrido tão cedo. Talvez se não fosse tão idiota!


[Mas muitas pessoas foram idiotas a esse ponto, não é mesmo?]


Enquanto isso, Régulo olhava melancolicamente para o prato a sua frente. Havia morrido servindo o Lorde das Trevas, mas de que isso adiantara? Ele era mesmo um idiota!


Talvez o irmão estivesse certo quando falava todas aquelas coisa pra ele, porque ele era exatamente tudo que Sirius o acusara de ser.


Embora o testamento deixe perfeitamente claro que Sirius desejava que a casa fosse sua, é possível que tenham lançado nela algum encantamento ou feitiço para garantir que não pertença a alguém de sangue impuro.


"E ai a culpa vai ser toda minha, por ter sujado o sangue puro dele". Lily disse, bufando.


"Lily, não é culpa tua. E o que tem a ver se a mãe do Sirius era uma idiota? Não significa que você seja uma pessoa ruim". Disse Tiago.


"Mas eu é que sou a sangue-ruim...".


"Nunca mais diga isso, porque você, Lily, é a melhor pessoa que eu conheço, é uma pessoa maravilhosa. E se não fosse por você, Harry não existiria. Ou você acha que algum dia eu amaria outra mulher além de você? Porque eu posso ser um idiota, mas nunca ficaria com uma pessoa que não amo, e a única mulher que amo, é você. Quero dizer, além da minha mãe, é claro".


Ela riu da última parte, mesmo estando emocionada por tudo que ele dissera. A maioria das meninas soltou um: 'Awn', em conjunto, achando aquilo tudo a coisa mais fofa do mundo, e não entendendo como ela podia negar Tiago.


Lilian não sabia direito o que fazer, ela sempre ficava desse jeito quando Tiago se declarava pra ela. Antes, porém, achava que era apenas mais uma de suas conquistas, e agora, sabia que talvez fosse um pouco mais que isso. Talvez ele realmente a amasse, como dizia, porque ela só conseguia ver sinceridade enquanto ele falava.


Lilian então o abraçou, pegando o moreno de surpresa, mas que logo retribuiu.


Ele não se importa de que eu seja uma sangue-ruim, ou o que for. Ele não se importa de manchar o sangue de sua família. Muito diferente de Snape, que não admitia pra ninguém que era meu amigo. Talvez Tiago Potter não seja aquela pessoa que sempre imaginei que fosse, e talvez, eu devesse lhe dar outra chance.


Snape queria vomitar ao ver a cena, mas se limitou a fazer cara feia.


[Eu queria ver o Snape vomitando... Não, pera, eu não queria não!]


Tiago voltou a ler com Lily ainda abraçada á ele.


A imagem nítida do quadro da mãe de Sirius berrando e cuspindo, no corredor da casa número doze no Largo Grimmauld, passou pela cabeça de Harry.


"Uh, aquilo não foi tirado de lá?". Perguntou Sirius.


"Pode acreditar, nós tentamos de todos os jeitos, mas é impossível". Respondeu Remus mais velho.


"Droga!". Exclamou Almofadinhas.


"O que não foi tirado?". Perguntou Lene.


"Um retrato da minha mãe, que grita com qualquer pessoa que passe por lá. Ou melhor, com qualquer pessoa que não seja sangue-puro, ou seja um traidor de sangue". Respondeu o Maroto. "Não que na minha época tenha entrado alguém assim lá, fora eu. Porque eu fui o único traidor de sangue que pisei lá até hoje. Acho que ela ficou surpresa quando descobriu". Ele riu.


"Uou".


— Aposto que lançaram.


— Sem dúvida — disse Dumbledore. — E, se tal encantamento existir, é muito provável que a propriedade da casa passe ao parente vivo mais velho de Sirius, ou seja, sua prima Belatriz Lestrange.


"Não!". Exclamou o Black mais velho, levantando de um pulo. "Eu nem gosto daquela casa, mas Bella não pode ficar com ela. Ela me matou, pô".


"Ela não ficou, relaxe". Respondeu Dora, rindo.


Sem perceber o que fazia, Harry levantou-se de um pulo; o telescópio e os tênis em seu colo rolaram pelo chão. Belatriz Lestrange, a assassina de Sirius, herdar a casa dele?


— Não — protestou ele.


"Seu afilhado concorda com você, Sirius". Riu Dorcas.


"É claro, eu devo ter ensinado a ele tudo o que sabe". Gabou-se.


"Claro que não, porque eu jamais deixaria você a Tiago ensinarem alguma coisa a ele". Disse Lily.


"Ei, quando é que eu fui parar na conversa?". Perguntou Potter. "E porque eu não poderia ensinar nada ao meu filho, Lírio?".


"Porque o deixaria virado, igual a você!".


"Eu não sou virado".


"Haha, quase acreditei nisso".


"Já vão começar com uma DR?". Perguntou Lene, risonha. "E olha que nem tem nada ainda... Ou tem?".


"É claro que não, e isso não é um DR!". Exclamou ela, ficando vermelha.


Lene somente riu.


— Bem, é óbvio que também preferimos que ela não herde — respondeu Dumbledore calmamente. — A situação é bem complicada. Por exemplo, não sabemos se os encantamentos que nós mesmos lançamos sobre a casa, para impossibilitar sua localização, persistirão, agora que deixou de pertencer a Sirius. Belatriz pode aparecer à porta a qualquer momento. É claro que fomos obrigados a nos mudar até termos esclarecido a nossa posição.


— Mas como é que vamos descobrir se tenho direito a casa?


"Boa pergunta". Murmurou Sirius, não conseguindo pensar em nada que pudesse ser usado como teste.


A não ser... A não ser que aquela coisa estivesse viva ainda. Argh, tomara que não!


— Felizmente há um teste bem simples. — Dumbledore depositou o copo em cima de uma mesinha ao lado de sua poltrona, mas, antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, o tio Válter berrou:


— Quer tirar essas porcarias de cima da gente?


"Porcarias? Ele obviamente não sabe o que é bom". Disse Almofadinhas, indignado.


Harry se virou; os três Dursley estavam encolhidos com os braços para o alto enquanto os copos batiam em suas cabeças, fazendo voar hidromel para todo lado.


O salão explodiu em risadas, todos imaginando a cena.


— Ah, sinto muito — disse Dumbledore, atencioso, e tornou a erguer sua varinha. Os três copos desapareceram. — Mas, sabem, teria sido mais educado aceitarem a bebida.


"Idiotas, aposto que estavam se mordendo de vontade de provar". Resmungou Lilian.


Pelo jeito, tio Válter estava explodindo de vontade de dar várias respostas malcriadas, mas apenas voltou a se afundar nas almofadas com tia Petúnia e Duda, sem dizer nada, nem tirar seus olhinhos de porco da varinha de Dumbledore.


"Medroooosoooo". Cantarolaram os três Marotos juntos, rindo. "Da Sooonseeeriiiinaaa". Continuaram.


"I solemnly swear that I'm up to no good". Tiago gritou do nada.


"Mischief managed". Gritaram os outros dois, em resposta.


"Eu hein, eles são mais malucos do que eu pensava!". Disse Lene.


(N/A: Ali em cima ta em inglês, mas no caso imaginem que eles falam português, portanto, ninguém entendeu o que eles gritaram ali, ok? Ah, a tradução é: Eu juro solenemente que não vou fazer nada de bom. Malfeito feito)


— Entende — continuou Dumbledore, voltando sua atenção para Harry, como se o tio Válter não tivesse se manifestado —, se você tiver de fato herdado a casa, também terá herdado... Ele acenou com a varinha pela quinta vez. Ouviu-se um forte estalo e apareceu, agachado no tapete peludo dos Dursley, um elfo doméstico, com um nariz focinhudo, grandes orelhas de morcego e enormes olhos avermelhados, vestido de trapos encardidos.


"Ah não, essa coisa ainda ta viva". Sirius resmungou. "Porque esse troço pode viver e eu não?".


"Sirius, ele é um elfo, mas ainda assim é um ser vivo. Não fale assim!". Repreendeu Lily.


"Bah, é porque vocês não conhecem esse elfo, mas espere pra ver. Só espere!".


Tia Petúnia soltou um urro de arrepiar os cabelos: não havia lembrança de nada imundo assim ter algum dia entrado em sua casa; Duda tirou do chão os enormes pés rosados e descalços e levantou-os quase acima da cabeça, como se imaginasse que a criatura pudesse subir pelas calças do seu pijama, e tio Válter berrou:


— Que diabo é isso?


— ...o Monstro — apresentou Dumbledore.


"O nome do teu elfo é Monstro?". Perguntou Dorcas, incrédula.


"Ei, essa coisa não é minha. E, sim, o nome dele é Monstro".


— Monstro não quer, Monstro não quer. Monstro não quer — grasnou o elfo doméstico, berrando quase tão alto quanto o tio Válter, batendo no chão os pés nodosos e puxando as orelhas. — Monstro é da senhorita Belatriz, ah, sim, Monstro é dos Black. Monstro quer sua nova dona, Monstro não quer o pirralho Potter, Monstro não quer, não quer, não quer...


Os olhos de Lily inflamaram de raiva.


"Essa peste chamou meu filho de pirralho?". Rosnou ela. "Sirius, como você conseguiu conviver com ele, sem matá-lo?".


O Maroto riu.


"Acredite, eu já tentei estrangulá-lo muitas vezes! Mas aquele elfo cabe em qualquer canto, e minha mãe me mataria se eu tentasse fazer alguma coisa contra ele".


Mataria-me, literalmente, porque um elfo doméstico importa mais pra ela do que seu próprio filho. Mas ok, não ligo mais pra isso!


— Como você está vendo, Harry — disse Dumbledore alteando a voz acima dos grasnidos ininterruptos do Monstro de “não quer, não quer, não quer” —, Monstro está demonstrando uma certa relutância em passar às suas mãos.


— Eu não me importo — repetiu Harry, olhando enojado para o elfo, que se contorcia e batia os pés. — Eu não o quero.


"Sábia escolha". Disse Sirius. "Eu gosto cada vez mais dele".


"É claro, qualquer pessoa que seja meu parente, é irresistível. Não tem como não gostar!". Gabou-se Tiago, sorrindo Maroto.


Lily deu-lhe um tapa no braço.


"Seu ego me sufoca, sabia?".


Ele riu.


"Eu sei que você também me ama, Lily".


Ela revirou os olhos, mas sorriu, sabendo agora diferenciar as brincadeiras do Maroto.


— Não quer, não quer, não quer...


"Esse carinha é muito chato!". Resmungou Lene.


— Você prefere que passe às mãos de Belatriz Lestrange? Mesmo lembrando que ele morou todo o último ano no quartel-general da Ordem da Fênix?


"É obvio que Harry vai dizer que não!". Reclamou Pontas.


— Não quer, não quer, não quer...


Harry encarou Dumbledore. Sabia que não poderia deixar o Monstro ir morar com Belatriz Lestrange, mas a idéia de ser dono dele, de assumir responsabilidade pela criatura que traíra Sirius, era repugnante.


O filho de Pontas se parece demais com ele. Pensou Almofadinhas, sorrindo.


— Dê-lhe uma ordem — disse Dumbledore. — Se ele for seu, terá de obedecer. Se não, teremos de pensar em outros meios de mantê-lo longe de sua legítima dona.


"Brilhante!". Exclamou Lily.


Há, eu já tinha pensado nisso! Pensou Sirius. Adiviné!


— Não quer, não quer, não quer, NÃO QUER!


Monstro agora urrava. Harry não conseguiu pensar no que dizer, exceto:


— Monstro, cala a boca!


"Exatamente a ordem que Pontas daria". Remus riu.


"Fazer o que se meu filho é tão maravilhoso quanto eu?".


Por um instante pareceu que o Monstro fosse engasgar. Levou as mãos à garganta, a boca ainda mexendo furiosamente, os olhos saltando das órbitas. Passados alguns segundos de engolidas em seco, ele se atirou de cara no tapete (tia Petúnia gemeu) e bateu no chão com as mãos e os pés, entregando-se a um violento, mas silencioso, acesso de raiva.


"Funcionou, yes!". Gritou Sirius. "Agora esse peste vai ter que obedecer ao Harry, mas se bem que fiquei com dó do garoto. Ninguém merece esse elfo". Sirius fingiu estremecer.


— Bem, isto simplifica a questão — disse Dumbledore animado. — Parece que Sirius sabia o que estava fazendo. Você é o legítimo proprietário da casa número doze no Largo Grimmauld e de Monstro.


"Bah, eu sempre sei o que estou fazendo!". Ele sorriu de canto, fazendo muitas garotas suspirarem. Lily, Lene e Dorcas reviraram os olhos, enquanto Tonks ria do primo.


— Será que tenho de... de ficar com ele? — perguntou Harry, horrorizado, enquanto Monstro continuava a se debater a seus pés.


— Não, se não quiser — disse Dumbledore. — Se aceita uma sugestão, você poderia mandá-lo trabalhar na cozinha de Hogwarts. Desta maneira, os outros elfos domésticos poderiam vigiá-lo.


"Monstro trabalhando em Hogwarts? É capaz de ele tentar matar o garoto envenenado!". Exclamou Sirius, já recuperado de seu ataque de estou-me-achando-porque-posso-me-achar, que era bem frequente.


"Nem fale uma coisa dessas!". Exclamaram Tiago e Lily ao mesmo tempo, olhando horrorizados para o amigo.


Sirius levantou as mãos em sinal de rendição.


"Ué, mas é verdade".


"Não se preocupem". Disse Dumbledore, antes que um deles se pronunciasse. "Tenho plena certeza de que nada disso aconteceria aqui em Hogwarts, mas Monstro também não pode envenenar seu dono".


Os dois respiraram mais aliviados.


— É — exclamou Harry aliviado —, é o que vou fazer. Ãa... Monstro... quero que vá para as cozinhas de Hogwarts trabalhar com os outros elfos.


Monstro, que agora estava com as costas achatadas contra o chão, e os pés e as pernas no ar, lançou a Harry, de baixo para cima, um olhar do mais profundo desprezo e, com outro forte estalo, desapareceu.


"Unf, bichinho nojento". Murmurou Sirius.


— Bom — disse Dumbledore. — Temos também o problema do hipogrifo. Hagrid tem cuidado dele desde que Sirius morreu, mas o Bicuço agora é seu, por isso, se preferir tomar outras providências...


Os olhos de Sirius brilharam.


"Eu tenho um Hipogrifo?". Perguntou ele, extasiado.


"Almofadinhas, você conseguiu realizar nosso sonho!". Exclamou Tiago.


Remus riu e olhou para sua cópia mais velha.


"Como ele conseguiu o Hipogrifo?". Perguntou, com curiosidade.


"Ele fugiu com Bicuço quando tentaram, err, sugar sua alma? Enfim, Harry conseguiu o animal para que Sirius fugisse".


"Eu amo meu afilhado. Me salvou, e ainda me deu um Hipogrifo! Qual a cor dele?".


"Cinza". Disse Tonks.


"CINZA!". Gritaram Tiago e Sirius, mais animados ainda. Todos olharam para Remus em busca de uma explicação. Mas o foi o mais velho que respondeu.


"É a cor que eles diziam que seria do Hipogrifo deles, quanto tivessem um". Explicou.


"Como você sabe disso?". Questionou Sirius, coçando a cabeça.


Remus mais novo revirou os olhos, enquanto o mais velho ria.


"Idiota, ele é mais velho, o que significa que ela já passou pela mesma situação. Ele sou eu!". Respondeu o mais novo.


"Ah".


— Não — respondeu Harry imediatamente —, ele pode continuar com Hagrid. Bicuço gostaria mais assim.


— Hagrid vai adorar —


"Hagrid, ele sempre adora criaturas perigosas". Disseram Lene e Sirius, juntos. Ela corou, porém, ele somente sorriu Maroto.


disse Dumbledore sorrindo. — Ficou contente de rever Bicuço. Por falar nisso, para garantir a segurança dele, decidimos, por ora, rebatizá-lo de Asafugaz, embora eu duvide que o Ministério possa concluir que é o mesmo hipogrifo condenado à morte.


"Condenado a morte?". Perguntou um Sirius exasperado.


"Longa história". Disse Remus.


"Ah, conta vai. Por favor, por fav...".


"Ok, ok". Rendeu-se ele, antes que o amigo não parasse mais de repetir a mesma palavra. Então Remus fez um breve resumo, explicando a história para eles.


Agora, Harry, suas malas estão prontas?


— Ããã...


"Se ferrou!". Disse Lene, rindo.


— Duvidou que eu apareceria? — insinuou Dumbledore astutamente.


— Num minuto... eh... eu termino — apressou-se Harry a dizer, catando o telescópio e os tênis que tinham caído.


Ele gastou pouco mais de dez minutos para encontrar tudo de que precisava; por fim, conseguiu tirar a Capa da Invisibilidade de baixo da cama,


"Ah, ele ficou com a capa!". Disse Pontas, os olhos brilhando. Tarde demais, percebeu o que tinha feito, e tapou a boca com as mãos. "Merda!".


Os murmurinhos encheram o salão.


"Que capa?".


"Ele disse capa da invisibilidade?".


"Será mesmo?".


"Você é idiota!".


Esse último veio de Sirius.


"É melhor eu continuar a ler, hehe". Tiago rapidamente pegou o livro, e voltou a ler, não dando atenção ás pessoas em sua volta, que ainda lhe perguntavam sobre a capa.


vedou o frasco de Tinta Muda-Cor e forçou a tampa do malão a fechar sobre seu caldeirão. Depois, arrastando o malão com uma das mãos e segurando a gaiola de Edwiges com a outra, desceu.


Harry ficou desapontado ao descobrir que Dumbledore não o esperava no hall, o que significava que teria de voltar à sala de estar.


"Ele gosta bastante da casa, pelo jeito". Dorcas murmurou sarcasticamente.


Ninguém conversava. Dumbledore cantarolava de boca fechada, aparentemente muito à vontade, mas a atmosfera estava densa e gelada, e Harry não se atreveu a olhar para os Dursley quando anunciou:


— Professor... estou pronto.


— Bom — disse Dumbledore. — Uma última coisa, então. — E se virou para falar com os Dursley. — Como os senhores sem dúvida sabem, dentro de um ano Harry atinge a maioridade...


— Não — interrompeu-o a tia Petúnia, falando pela primeira vez desde a chegada de Dumbledore.


— Perdão? — disse o bruxo, educadamente.


— Não. Ele é um mês mais novo que o Duda, e meu filho só vai fazer dezoito anos daqui a dois anos.


"Dezoito?". Perguntaram em conjunto a maioria dos puros-sangues.


"Para os trouxas, dezoito é quando completam a maior idade, e não dezessete". Explicou a professora Minerva.


"Ah, estranho!". Disse alguém da Corvinal.


"Pff, ruim pra eles". Desdenhou um menino da Sonserina.


— Ah — exclamou Dumbledore cordialmente —, mas, no mundo dos bruxos, atingimos a maioridade aos dezessete.


Tio Válter resmungou “que absurdo”, mas Dumbledore não lhe deu atenção.


— Então, como os senhores sabem, o bruxo chamado Lord Voldemort voltou ao país. Atualmente a nossa comunidade está em guerra declarada. Harry, a quem Lord Voldemort já tentou matar em várias ocasiões, está passando por um perigo muito maior do que no dia em que o deixei à sua porta, há quinze anos, com uma carta explicando que seus pais tinham sido assassinados e manifestando a esperança de que os senhores cuidassem dele como se fosse um filho.


"Pff, achou mesmo que isso fosse possível? Que Petúnia, que me odiava, iria cuidar bem do meu filho?". E para a surpresa de todos, Lilian estava desafiando o próprio Dumbledore. Muitos ficaram de boca aberta.


"Devo ter achado que era o melhor para o menino, senhorita Evans". Respondeu o velho, educadamente.


"Bem, isso é impossível. Ele deve ter sofrido tanto nas mãos daqueles dois idiotas". Ela estava triste, sabendo que boa coisa ele não tinha passado.


Tiago também havia ficado triste. Sua infância e adolescência haviam sido felizes, e agora via tudo pelo que o filho tivera que passar. Era horrível!


Mas ele estava decidido a mudar esse futuro.


Dumbledore fez uma pausa, e, embora sua voz continuasse leve e calma, e não deixasse transparecer sua raiva, Harry sentiu que emanava uma certa frieza. Notou também que os Dursley se aconchegaram uns aos outros quase imperceptivelmente.


— Os senhores não fizeram o que pedi. Nunca trataram Harry como um filho. Nas suas mãos, ele só conheceu o descaso e muitas vezes a crueldade. O máximo que se pode dizer a seu favor é que ele escapou do enorme dano que os senhores causaram a esse pobre menino sentado entre os dois.


"Graças a Merlin, Harry não se tornou como ele. Que a maldade deles não o influenciou, e que ele ficou bom, uma das melhores pessoas que conheço". Tonks disse, sorrindo.


"Harry é um menino de ouro". Acrescentou Remus mais velho.


Lily e Tiago gostaram de ouvir sobre o filho, e sobre sua personalidade. Lily agradecia mentalmente por isso. Tiago sorria igual a um bobo, pensando no filho e vendo a felicidade de Lily.


Tio Válter e tia Petúnia se viraram instintivamente, como se esperassem ver mais alguém além de Duda espremido entre eles.


— Nós... tratamos mal o Dudoca? Que conversa...? —


"Não, magina. Alimentar ele até virar uma morsa e não parar significa que estão tratando muuuuiiitooo bem!". Disse Lene sarcasticamente, fazendo alguns rirem.


"Petúnia não percebe como estragaram o menino, e agradeço que isso não aconteceu com meu filho. De certa forma, foi bom eles não o mimarem como fazem com Duda, porque se o fizessem, Harry talvez não fosse esse menino que é!". Disse Lily, fazendo Tiago olhar ainda mais sorridente pra ela.


Como sempre, certa! Pensou ele.


começou tio Válter furioso, mas Dumbledore ergueu um dedo mandando-o silenciar, e o silêncio sobreveio como se o bruxo o tivesse emudecido.


— A mágica que invoquei há quinze anos significa que Harry contará com uma forte proteção enquanto puder considerar esta casa dele. Por mais infeliz que tenha sido aqui, por mais mal recebido, por mais destratado, os senhores lhe concederam pelo menos abrigo, ainda que de má vontade. A mágica cessará no momento em que Harry fizer dezessete anos; em outras palavras, no momento em que se tornar homem. Então só peço uma coisa: que os senhores deixem Harry voltar mais uma vez a esta casa, antes do seu aniversário de dezessete anos, o que garantirá que a proteção se manterá em vigor até aquela data.


"Afinal, eu ter morrido por ele não foi tão mau assim. A magia protegeu Harry durante a vida".


"Não fale assim, Lírio. Nós vamos ficar vivos, e vamos cuidar de Harry. Ele vai ser feliz, e nós vamos protegê-lo!". Respondeu Tiago docemente, o que surpreendeu Lilian.


Ela sorriu para o Maroto, pensando no modo em como ele falara nós. Tiago realmente mudou, e parece que só eu não reparei. Ou talvez, ele sempre tenha tido esse lado, mas nunca dei chance para que me mostrasse.


Agora ela estava um pouco arrependida de ter desperdiçado tanto tempo ignorando-o.


Nenhum dos Dursley disse coisa alguma. Duda tinha a testa ligeiramente enrugada, como se ainda tentasse entender quando fora maltratado. Tio Válter parecia ter alguma coisa entalada na garganta. Tia Petúnia, no entanto, parecia estranhamente corada.


— Bem, Harry... está na hora de irmos andando — disse, por fim, Dumbledore, levantando-se e acertando a longa capa preta. — Até a próxima — disse aos Dursley, que, pelo jeito, pareciam desejar que a próxima não chegasse nunca. E, cumprimentando-os com um aceno do chapéu, saiu teatralmente da sala.


"Até que enfim meu filho vai pra longe desses daí". Pontas suspirou aliviado.


— Tchau — despediu-se Harry, apressado, e acompanhou Dumbledore, que parou junto ao malão com a gaiola em cima.


— Não queremos nos sobrecarregar com isso agora — disse, puxando mais uma vez a varinha. — Vou despachar esta bagagem para A Toca. Mas gostaria que você levasse sua Capa da Invisibilidade... caso precise.


Muitos abriram as bocas para perguntar novamente sobre essa tal capa, mas Tiago começou a ler mais rápido, não dando brecha para que eles o fizessem. Porém Lilian não desistiria, ela o forçaria a dizer, se fosse preciso.


A muito custo, Harry tirou a capa do malão, tentando esconder do diretor a bagunça que havia lá dentro.


"Impossível!". Riu Dora.


Depois que a enfiou de qualquer jeito em um bolso interno do blusão, Dumbledore acenou com a varinha, e o malão, a gaiola e Edwiges desapareceram. Fez um novo aceno, e a porta da casa se abriu para a escuridão fresca e enevoada.


— E agora, Harry, vamos sair para a noite em busca dessa sedutora volúvel, a aventura.


"Que final, hein?". Comentou Tiago.


"Já terminou?". Perguntou Lily. "Nossa, parece que foi tão pouco tempo".


"Só impressão, senhorita Evans. Estão todos dispensados. Amanhã continuaremos a leitura". Dumbledore disse, e então levantou, enquanto os alunos faziam o mesmo, indo para suas respectivas casas.


 
(Autora aqui: Gente, meu comentários diminuiram, hein? Mas ok, porque eu fiquei muito mais que contente com os que recebi. Valeu Arthur. Mas obtigada escpecialmente á linaps e á Clenery, cara amei demais os comentários de vocês, eles que me deram mais inspiração pra escrever o cap. 
Ah, Clenery, você tem uma boa teoria, realmente boa, hehe... Mas ainda assim! :) Eu sou má, hehe.
Ah, e quanto a demora, é que eu entrei de CDC de um pag no facebook e medistrai por lá, mil e uma desculpas, seus lindos!)


 

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Comentários (3)

  • Clenery Aingremont

    Ah, sim. Tem uma coisa que li, não sei se nesse capítulo, uma vez... Você disse que a mulher era a mãe da Pansy Parkinson... Então ela não deveria ter o sobrenome Parkinson. Até mesmo no mundo dos bruxos o sobrenome é puxado pelo do pai. Então o pai da Pansy seria Parkinson e não a mãe.

    2013-08-09
  • linaps

    maravilhoso... amei estou sorrindo ate agora. na verdade acho que estou com um serio  caso de sorriso permanente pois nao consigo para de sorrir desde que abri a floreios e vi que voce tinh atualizado capitulo ficou lindo adorei a declaracao de tiago e ri muito com as marotices dos marotos. amo de paixao o sirius e adoro quando lee faz comentarios. valeu por mais um capitulo nota dez.         bjs ate a proxima.

    2013-05-31
  • Clenery Aingremont

    Antigamente eu reclamaria desse suspense mas, agora que eu virei autora de fanfics também, sei bem como é legal fazer esse suspense. Deixar os outros curiosos hehe ;) Realmente, nos distraímos muito quando viramos CDC de uma página.Eu queria saber se você vai postar capítulos extras, em que os personagens comentam sobre os capítulos lidos e/ou aulas e tal ou se vai postar apenas eles lendo os capítulos (o que eu prefiro, esse último).E ficarei aguardando para ver se você trará outros personagens do futuro para o passado (isso saiu um pouco confuso mas você entendeu)...Bem... Aguardo a próxima atualização. 

    2013-05-31
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