Recomeço



Capítulo 2 - Recomeço


O dia amanheceu, e os pássaros começaram sua cantoria matinal. Draco acordou de um sobressalto. Tivera um sonho estranho, do qual não se lembrava muito bem. Foi até o quarto onde Granger dormia, só para checar mesmo. E de longe pode vê-la quase que seminua. Com um short justo e top curto de malha rosa. Antes de notar com mais detalhe a silhueta da grifinória, algo lhe chamou mais atenção. Um corte profundo acima no umbigo na garota que parecia dormir profundamente. Ele  se aproximou mais e tapou a boca. Incrivelmente, o corte ainda parecia cuspir sangue. Ele pegou algumas poções no armário de baixo, e voltou ao quarto. Sentou-se na cama ao lado dela, e cuidou do ferimento. Enquanto aprendia coisas principais de comensal com seu pai, aprendeu a cuidar dos próprios ferimentos. Não poderia confiar em qualquer um que dissesse ser medi-bruxo. O corte pareceu estancar total e completamente e ele sabia que aos poucos iria se fechar. Em um ou dois dias, estaria como se nunca houvesse tido um corte ali.


Saiu do quarto antes que a morena acordasse e ele tivesse que inventar alguma coisa pela sua presença. Sorriu presunçosamente, e foi a cozinha beber seu rotineiro suco de abóbora. Pegou o pergaminho com as notícias diárias com uma coruja qualquer e se sentou para ler. Revirou as páginas e nada sobre a guerra.Folheou-o mais algumas vezes, até que na última página uma manchete grande o chamou atenção.


 


“A grande guerra se prolonga, alguns poucos comensais sobreviventes sobrevoam o mundo bruxo a procura de reféns”


 


Ele amassou o pergaminho e soltou um muxoxo de raiva.Ouviu um pigarro feminino.Levantou o olhar.


-Qual foi a notíca que deixou você mais feio e irritadiço que o normal?


- Não te devo satisfações?- ele disse ríspido


-Suas boas ações estão o deixando com uns pontos positivos, obrigada.


-Não agradeça!


-Bom, vou indo, foi bom ver seu lado eu-tenho-coração.Até algum dia Malfoy.


Ele não sabia por que, mais não queria que ela fosse.  Talvez fosse, porque se ela fosse embora, ele estaria de fato sozinho, e não iria recorrer a ninguém. Jogou a manchete amassada contra ela. Ela não protestou, pegou o pergaminho e leu.


- Não, não, não, não, não pode ser.


-Mais é Granger.


-Mais não pode, pra aonde eu vou? Como vou saber do Harr..


-Esqueça o cicatriz! Se fosse inteligente de verdade, saberia que não pode sair daqui, a menos que queira ser a donzela em perigo da vez.


-Você não tem amigos, não sabe o que é preocupação.


-EU PERDI O MEU PAI, ACHO QUE PELO MENOS SEI O QUE É PERDA. – ela se chocou.


-Des..Desculpe eu não quis dize..


-É. Mais disse.E não se desculpe eu já disse.Não preciso de sua pena. – ele decretou ríspido.


-Ótimo, mais se vamos conviver, nem que seja por algumas horas, ou... – ela fez um gesto como se fosse vomitar- dias... É melhor parar com os insultos e ironias, por favor. Saiba ser educado senhor Malfoy.


-Não sei se vou conseguir. - ele disse quase que sinceramente.


Assim que o sonserino levantou, eles ouviram um estrondo. Hermione automaticamente se prostou ao lado do garoto. Silêncio. Mais um estrondo e eles viram figuras encapuzadas atravessarem a sala. As mãos de Malfoy se fecharam em punho. Sem a varinha em mãos, eles ficaram inicialmente sem ação. Draco tocou a menina ao seu lado.


-Vamos sair daqui. – ela assentiu assustada.


O mesmo comensal que a torturou antes na floresta proibida sorriu maleficamente. Ele lançou um feitiço transparente que atingiu os dois no momento em que aparataram. O feitiço nunca visto antes mudou o destino dos dois. E assim que sentiu seus pés fixarem o chão firme, ela olhou em volta.


- Que lugar é esse?


- Mar, coqueiros, maresia, brisa, mato, acho que isso é uma ilha, querida mestiça.


- Isso eu poderia deduzir sozinha. – Ele tocou nela a fim de aparatar novamente. Um segundo, dois, três... E ele olhou pra ela com um que de duvida.


- O que..Eu não sei aparatar ,se vira Malfoy. – ele continuou com o mesmo olhar.


- Não estou conseguindo..


- QUE?


-Deve ser resultado daquele feitiço idiota! – ele falou com um toque de desespero na voz.


-Ótimo, eu numa ilha, sem varinha. Praticamente presa aqui com um Malfoy. Não estou feliz..


-Somos dois Granger.


Ele sentou na areia , e cruzou os braços. Virou para trás e viu a mestiça indo em direção ao matagal.


-Onde você vai?


-Arrumar um lugar pra ficar.


-Ta louca? Esse lugar é trouxa- ele fez um careta- deve ter bicho aí dentro.


-São animais, e duvido que algum deles seja pior que você. - ela recomeçou a andar. - ele relutou um pouco, mais depois estava seguindo-a. Ela sorriu de lado e mandou que ele procurasse alguns galhos, e folhas de bananeira. Ela pegou cipós e outras coisas que pudesse ser útil. Podia até não parecer, mais ela já viu alguns filmes trouxas em que o garoto ficava preso numa ilha com a garota, e eles faziam uma casa para se abrigarem ao menos. Ela ia fazer exatamente igual. Exceto pela parte em que eles se apaixonam. Ela balançou a cabeça para afastar a mais remota imagem de uma suposta paixão entre ele dois. O loiro reapareceu segurando tudo o que ela pedira.


- Excelente Malfoy, até que você não é tão ruim.


-Malfoys não trabalham, nem sei o que eu estou fazendo. Mais considerando que para isso ficar bom precisa de um toque meu, eu abro uma pequena excessão.O que eu faço agora? – ele ignorou completamente o comentário da garota. Ela bufou. Eles passaram o resto do dia amarrando troncos com cipós e cobrindo com enormes folhas de bananeira. A parte mais complicada que  Draco – por ser mais alto- teve que fazer praticamente sozinho fora o teto. Hermione passou as costas da mão na testa, em sinal de cansaço e olhou para a sua “ casa “.


-Como sabia fazer isso, sang..Granger? Bem , porque ficou err..bom.


-Há muitas coisas que sei fazer que você não sabe?


Uau.Por essa ele não esperava.Hermione Granger estava realmente aprendendo a se defender. Ele olhou para as curvas da moça. E isso o fez lembrar de algo.


-E roupas Granger? Como vamos fazer? Não quero ter que ficar nu na sua frente e aguentar a sua paixão diária.


-Isso não vai acontecer, o jeito é usá-las até que..bem , até que agente saia daqui.Esperar por um barco é uma alternativa , aliás a única alternativa se bem que..


-Um braço? O que é isso?


-Um barco imbecil, BARCO! É um transporte marítimo, trouxa, devo dizer.


-Claro.


O crepúsculo chegava aos poucos. A maré aumentava, e o inverno se restaurava. Uma ilha, uma ilha para a qual foram mandados equivocadamente, sim porque o autor de tal feitiço não fazia idéia de pra onde tinha enviado os dois. Para ele, aquele era um feitiço novo e cruel. Se enganara, mais uma vez, se enganara. A guerra estava próxima do fim. Poucos inocentes morreram mais ainda sim inocentes morreram. Voldemort estava fraco, não tinha mais tantos fiéis ao seu lado. Os que não estavam mortos estavam mudando de lado. E alguns poucos, bem esses tentavam em vão acabar com a futura vitória de Harry Potter e a Ordem da Fênix. A vitória futura do lado do bem.


Contudo Hermione Granger não sabia de nada. Não sabia de seu futuro totalmente inesperado e quase que inevitável. Não sabia que seu melhor amigo estava ganhando. Não sabia que um sonserino podia mudar. Mudar bastante. Granger só sabia que seus pais – por obra dela- nem sonhavam com sua existência. E que seu coração estava desolado. Ela precisava de um amigo. E aquela foi a primeira noite deles na Ilha de Cruns. Cadra um virado para um lado na mesma cama improvisada. A partir daquele dia, era ele por ela e ela por ele. Deveria ser assim, até pela sobrevivência de ambos. O único som audível era o cricrilar dos grilos e o som de algumas prováveis corujas ali perto. Nem mesmo as ondas, tão perto, eram ouvidas. 

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