Slytherin ou Gryffindor?

Slytherin ou Gryffindor?



Albus Potter caminhava pelo salão principal seguindo a fila dos calouros ao lado de Rose Weasley, sua prima. Ele olhava para o Chapéu Seletor pousado num banquinho de três pernas logo na frente da diretora Minerva McGonagall com certo nervosismo.


Apesar das palavras tranqüilizadoras do pai na estação de King’s Cross, Albus estava realmente amedrontado com a perspectiva de ter de se juntar à casa de Slytherin. Lembrava-se do choque de toda a família quando Victoire, sua prima mais velha que naquele ano cursaria o sétimo e último ano em Hogwarts, fora selecionada para Hufflepuff. Ela era a primeira Weasley em três gerações que não estava na casa de Gryffindor.


Observou a professora McGonagall se erguer de sua cadeira com alguma dificuldade, sorrindo para os novos alunos, e lhes dar as boas vindas, explicando como ocorreria a seleção. Albus percebeu que muitos colegas suspiravam aliviados. Era bastante comum haverem boatos a respeito da seleção para amedrontar os alunos nascidos trouxa. James, irmão mais velho de Albus, era um dos que os divulgava com mais dedicação.


Enquanto a professora explicava o procedimento que Albus conhecia de cor das histórias contadas por suas primas, seu irmão e Teddy Lupin, afilhado de seu pai, o menino voltou os olhos para a mesa dos professores tentando identificá-los para distrair-se do seu próprio nervosismo.


O professor que os acompanhara até o salão principal era o professor Hagrid, que ele conhecia pelas constantes visitas que o gigante fazia a sua casa. Ao lado da professora McGonagall, estava um professor velho e baixinho que Albus soube ser o Flitwick, professor de feitiços e diretor da casa Ravenclaw, por sua aparência peculiar que batia com a descrição que James e seu pai lhe deram alguns dias antes. Albus também reconheceu o professor Neville Longbottom, de Herbologia, que também era um grande amigo dos seus pais e atual diretor da casa Gryffindor.


Outro conhecido era o professor Malfoy, que lecionava Defesa Contra as Artes das Trevas. Seu tio Ron o apontara na plataforma de Hogwarts em King’s Cross na manhã daquele mesmo dia e Domenique, sua prima e irmã mais nova de Victoire que cursava o quarto ano em Hogwarts, lhe dissera enquanto passavam pelos corredores do Expresso de Hogwarts buscando uma cabine vazia que Draco Malfoy pertencera a Slytherin e era um ótimo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas e muito justo.


Percebeu que Scorpius, que seu tio Ron dissera ser o filho dele, tremia a poucos metros dele e seus olhos procuravam não encontrar com os do pai, que o encarava com um sorriso. O professor parecia querer encorajar o filho, mas não estava obtendo muito sucesso.


- Vamos começar a seleção, então, - falou McGonagall, finalmente despertando Albus dos seus devaneios.


Ela ajeitou os óculos no rosto e começou a chamar os nomes que estavam na lista. Albus amaldiçoou o pai por ter um sobrenome começado com a letra “P”, que o colocava como um dos últimos a serem selecionados.


Albus ficou tentando se distrair observando os alunos e tentando encontrar seus parentes. Não foi difícil localizar James, que batia forte na mesa e assobiava alto toda vez que o nome de sua casa era pronunciado pelo Chapéu. Victoire estava com suas amigas de Hufflepuff e não dava muita atenção à seleção. Domenique estava sentada a poucos metros de James olhando para Albus, quando seus olhares se cruzaram, ela lhe lançou um sorriso encorajador. Molly, que cursava o terceiro ano junto com James em Gryffindor, ria de alguma piada que o rapaz contara.


Molly adorava o primo e era sua companheira em muitas travessuras na infância, mas tornara-se mais comportada quando entrara em Hogwarts, sempre preocupada em se tornar monitora e aluna modelo como o pai que ela tanto admirava, Percy. Por esta razão, se limitava a rir das brincadeiras de James quando estava na escola.


Albus foi novamente despertado de seus devaneios quando o nome “Malfoy, Scorpius” foi pronunciado pela professora e o menino louro encaminhou-se trêmulo até o banco. Albus observou o menino se sentar no banco e colocar o Chapéu na própria cabeça, enquanto seu pai abria ainda mais o sorriso e olhava interessado para a cena. O Chapéu se demorou a decidir o destino de Scorpius, mas, por fim, disse em voz alta a sentença: “Slytherin!”


O moreno viu Scorpius olhar para o pai esperando sua aprovação. Draco sorriu e bateu palmas junto com os alunos de Slytherin, mostrando sua aprovação. Apenas depois disso, Scorpius se levantou e correu com o rosto corado de felicidade até a mesa da casa. Naquele momento, Albus percebeu que não se importava mais em ir para Slytherin, o modo receptivo dos alunos da casa e o jeito tímido e obediente de Scorpius dissolveram completamente o preconceito do menino.


Voltou a observar a seleção, ansioso e sentindo-se muito menos pressionado. Lembrou-se que o nome Severus, seu nome do meio, pertencera a um diretor de Hogwarts que era da casa de Slytherin. Seu pai sempre falava bem daquele Severus, dizendo que ele era um homem corajoso e inteligente, que defendera Hogwarts e seus alunos da melhor forma que pôde em um momento em que Voldemort já controlava todo o Ministério da Magia, se passando por aliado do bruxo das trevas.


- Potter, Albus! – Exclamou a professora, para a surpresa de Albus.


O menino ouviu vozes exclamando espantadas. Albus era o nome do diretor mais famoso e brilhante que Hogwarts conhecera, Potter era o sobrenome do homem que salvara o mundo bruxo e derrotara Voldemort. Muitas histórias eram ouvidas a respeito dos dois nomes, lendas eram criadas a respeito dessas duas pessoas que a maior parte dos jovens bruxos considerava como grandes heróis.


Albus colocou o Chapéu na própria cabeça.


Albus Severus Weasley Potter. Difícil, muito difícil.


O garoto se surpreendeu com o fato do Chapéu conhecer seu nome completo. Será que aquele chapéu sabia ler mentes? Mas Albus apenas ficou escutando, sem dizer nem pensar em nada para comunicar ao Chapéu, esperando que ele lhe dissesse para onde o moreno iria.


Parecido com o pai. Inteligente, corajoso, audacioso. Os Potter e os Weasley realizaram grandes feitos na casa Gryffindor. Entretanto… herdou mais que o nome de Severus Snape e não posso deixar de considerar colocá-lo em Slytherin.


Albus se surpreendeu com a afirmação do Chapéu. Jamais se considerara parecido com Severus Snape, apesar de tentar fazer justiça aos dois nomes que recebera. Pelas histórias que James lhe contava quando os pais não estavam ouvindo, Snape não fora um homem tão bom.


A gentileza e lealdade combinadas com a astúcia, a coragem e a frieza para realizar feitos grandiosos. Creio que já me decidi. Será SLYTHERIN!


A última palavra foi dita em voz alta, para todo o salão ouvir. Albus tirou o Chapéu para encarar um salão que ficara praticamente mudo pela primeira vez em toda a noite. A mesa da casa Slytherin demorou alguns segundos para perceber o que acontecera realmente, apenas se deram conta quando todos ouviram alguém bater palmas entusiasmadas na mesa dos professores, era Draco Malfoy, que logo foi seguido por Rubeus Hagrid e Neville Longbottom. Então, começou uma enorme algazarra entre os alunos de Slytherin enquanto Albus se encaminhava até a mesa e se sentava ao lado de Scorpius, que lhe apertou a mão.


- Espero que possamos ser amigos, diferente dos nossos pais! – Disse o menino loiro.


- Claro, - falou o moreno ainda corado pelos olhares que lançavam para ele. Ele evitara olhar para James, que com certeza desaprovaria a sua seleção.


Quando finalmente conseguiu se concentrar novamente na seleção, percebeu que seu amigo de infância, Locan Scamander se encaminhava para a mesa de Slytherin, seguido por seu irmão gêmeo, Lysander. Os dois apertaram a mão de Albus e a de Scorpius com entusiasmo.


O moreno ouvira seu pai comentando que aqueles dois eram como sucessores dos gêmeos Weasley, irmãos de sua mãe. Seu tio Fred morrera na última batalha contra Voldemort, mas o moreno conseguia ver alguma semelhança através das histórias que seu tio George contava sobre as travessuras que ele e o irmão aprontavam na escola.


Locan e Lysander eram filhos de uma das melhores amigas dos pais de Albus, Luna Lovegood, e netos do editor de uma revista maluca que a mãe de Albus o proibira de ler. Segundo ela, a proibição se devia ao fato do filho ser novo demais para saber o que era ou não verdade, mas o menino lia mesmo assim para rir dos absurdos escritos.


A última pessoa a ser selecionada foi “Weasley, Rose”. O Chapéu não se demorou muito para decidir sobre a casa em que Rose ficaria: “Gryffindor!”


Albus percebeu que Rose lhe lançava olhares, espantada, enquanto se encaminhava para a mesa e se sentava ao lado dos demais alunos de Gryffindor.


Sentado à mesa de Slytherin, Albus se sentiu muito bem recebido. Ninguém parecia se importar com o fato do garoto ser filho do homem que derrotara Voldemort, que fora um dos alunos mais brilhantes que a casa formara. Alguns até chegaram a pedir a Albus um autógrafo de Harry Potter.


Os tempos mudaram e, com isso, a casa de Salazar Slytherin.

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