Por Teddy



Por Teddy

Olhou-se no espelho. Não era a mulher mais bonita no momento. Pelo menos não se sentia. Seus pés estavam inchados, a barriga parecia que ia explodir a qualquer hora, seu rosto demonstrava as noites mal dormidas. Seu cabelo estava na cor natural, castanho. Sabia que ele gostava, então os deixa assim, também não estava disposta a mudanças de cor...

Vestiu um pijama confortável, na verdade era o único que servia. Havia abandonado há um bom tempo as camisolas sensuais que gostava de usar. Lembrou com uma certa nostalgia que havia ido com Gina ao Beco Diagonal comprar algumas peças intimas uns dias antes do casamento.

“- Gina... Uma camisola sensual sempre quebra a resistência de qualquer homem...” – Gina havia dado um sorriso triste. Sabia bem porque, Harry. Esse menino às vezes era tão parecido com Remo. Sempre se negando e achando que não era certo ser feliz, querendo proteger a todos... E ele era só um menino e já havia passado por tanto sofrimento nessa vida.

O bebê em sua barriga chutou, fazendo a trazer a realidade novamente. Mas ainda pensava em Harry, em Gina... Tinha que achar um jeito de junta-los novamente. O bebê chutou de novo, como se chamasse a sua atenção.

- Ei... Mamãe tá aqui! – Preferiu não saber o sexo do bebê, mas sua intuição dizia que era um menino. Um menino! Como seria ser mãe de um menino, ou melhor, como seria ser mãe? Será que iria dar conta? Seria uma boa mãe? Ultimamente pensava muito nisso... Tinha uma preocupação infundada, uma angústia, um medo terrível de não ver seu filho crescer...

Tratou de afastar esses pensamentos da cabeça e se deitou na cama. Remo logo entrou no quarto, tinha as feições preocupadas. Ele andava sempre assim...

- Tudo bem? – Perguntou só para ter um motivo para conversar. – Seu filho não para de me chutar! – Acariciou a barriga e percebeu que ele suavizou as feições, sempre que falavam do filho, Remo relaxava.

- Sim... Ele ou ela devem ter puxado a mãe! – Ele falou deitando do seu lado e acariciado a sua barriga. – Dora... Precisamos decidir o nome dele ou dela!

- Sim... Precisamos, mas ainda temos tempo, não consigo pensar em nenhum para menina.. – Deu uma pausa e continuou. - Alguma noticia do Harry, Rony e Hermione? – Não conseguia tirar da cabeça a imagem de Harry.

- Não... Nada! Mas sei que não estão mais no Largo Grimmauld... – Ele falou e acomodou mais alguns travesseiros em suas costas. – Quanto ao nome do bebê... Você gostaria de algum em especial?

- Se for um menino... Se você não se importar, gostaria que tivesse o nome do meu pai! – Uma lágrima escorreu, ela limpou rapidamente. – São os hormônios!

- Ted... É um lindo nome! – Falou beijando seus cabelos, sabia que as lágrimas não eram só culpa dos hormônios. – Gosta de Ted? Se você for um menino é claro! – Falou dirigindo-se a barriga saliente dela.

O bebê deu outro chute no ventre da mãe, como se dissesse que gostava do nome.

- Ted Remo Lupin! Eu gosto! – Ela se aninhou no peito do marido. – Remo... Tem falado com os Weasley’s? Gina está bem depois do que aconteceu na escola?

- Na medida do possível, estão todos bem, Dora... – Ele sabia onde ela queria chegar. – Harry se afastou dela somente pensando no seu bem... É isso que fazemos quando amamos!

- Não, é isso que fazem quando são idiotas! – Rolou os olhos para cima - Harry andou convivendo demais com você! – Falou usando um tom divertido.

- Ele herdou isso do pai! Tiago sempre fez tudo para proteger Lilian... E, eu acho que aprendi isso com o Tiago... Só queremos o bem de quem amamos! – Ele beijou novamente sua testa e repousou a mão na barriga dela, percebendo que o bebê se movia mais uma vez.

- Ei... Tive uma idéia! – Falou sorrindo. – Já sei como vamos unir Harry e Gina. Porque depois que tudo isso terminar, pois um dia vai terminar... Vou dar um motivo para eles terem que se ver!

- Dora... Se eles tiverem que ficar juntos ficarão... Acho que não devemos interferir muito! - Remo fez uma careta de surpresa e se preparou para ouvir o que sua linda esposa estava pensando.

- Vamos convidar Harry e Gina para serem padrinhos do nosso filho! – Ela falou satisfeita com a sua própria ideia.

- Hum... Padrinhos do bebê! – Remo sorriu, era uma excelente ideia. – Eu gosto! Mas será que eles vão gostar?

- Hum... Você fala para o Harry e eu para a Gina... E na hora eles descobrem! Simples não! Eles não iriam negar isso para nós! – Falou decidida. – Uma criança deve sempre unir um casal! Não é verdade?

- Ok! Se você diz... Mas nem sempre é tão romântico assim! – Ele falou, mas como sabia que ela estava sensível, achou melhor não questionar. – Falarei com o Harry, assim que for possível e você com Gina... Mas agora tá na hora de descansar!

- Se seu filho me deixar né! Ele tá mexendo tanto e eu não consigo achar uma posição para dormir com essa barriga, ontem dormi sentada naquela poltrona! – Reclamou.

- São só mais algumas semanas... – Tentou conformá-la. – E depois, as mães esquecem-se de tudo que passaram quando estão com seus bebês no colo...

Ela confirmou com um gesto afirmativo e se aconchegou mais no seu peito. Fechando os olhos...

*******

Caminhava lentamente pelo corredor da casa dos pais. Remo a convenceu que era a melhor opção no momento. Sua mãe não poderia ficar sozinha, não depois do que houve com o pai. O bebê já estava para nascer e ela iria precisar de ajuda.

Mas sabia que na verdade ele queria protegê-la. Ela e o bebê. Viu Comensais perto do apartamento onde moravam, Remo não havia confirmado nada, mas ela sabia muito bem o que havia visto.

Como se entendesse os temores da mãe, seu bebê mexeu. Ela sorriu e acariciou a barriga e continuou em direção ao velho escritório do pai. Agora, Remo passava uma boa parte do dia ali, quando estava em casa. Reparou que nos últimos dias ele havia saído pouco, estava sempre perguntando se ela estava bem, cochichava com sua mãe e quando ela chegava mudava de assunto.

Era como se estivessem evitando falar da guerra perto dela, não a queriam nervosa. Pela suas contas o bebê nasceria daqui duas ou três semanas. Sua mãe havia preparado um berço para ele, o enxoval tinha peças coloridas, mas intuitivamente, ela optou por muitas em tom de azul.

Sentiu uma pontada. Mas não deu bola. Era a terceira que sentia naquela tarde. Era uma dorzinha incomoda, mas preferiu não comentar nada, nem com a mãe e muitos menos com Remo. Ficariam preocupados a toa.

- Não sei por que você ainda lê essa porcaria? – Falou irritada quando viu que Remo lia o Profeta Diário.

- Infelizmente, ainda é uma fonte de informação! – Remo deu um longo suspiro. – Voldemort está cada vez mais poderoso...

- Mamãe tá terminando o jantar... – Ignorou o que o marido falou, não costumava fazer isso, mas no momento só queria pensar no seu filho. – Ela tá tão empolgada com o enxoval do bebê!

Remo se levantou e colocou as mãos em seu ombro. Sabe bem o que se passa naquela cabecinha. Ela sofre muito por causa do pai, sofre por não estar na ativa e sofre mais ainda por causa do bebê. Ele percebeu que toda vez que ela dorme tem pesadelos, acorda chamando pelo filho, mas depois de acalmá-la ela não dorme de novo e ele tem medo de perguntar sobre o pesadelo, para não fazê-la reviver os momentos ruins.

- Vai ficar tudo bem... Eu prometo! – Beijou de leve seus lábios e foram jantar.

O jantar transcorreu em silêncio. Ninfadora comeu pouco, as pontadas continuavam, cada vez mais próximas e mais fortes. Talvez, estivesse na hora que falar com o marido e a mãe.

- Ai! – Dessa vez não conseguiu segurar o gemido de dor. A pontada foi tão forte, que se não estivesse sentada teria se curvado de dor.

- Dora! – Remo já estava de pé ao seu lado. – Algum problema?

- Estou sentido umas pontadas... – Falou com dificuldade, pois novamente sentia outra pontada, a mais forte de todas até agora. – Ai!

- Dora! O bebê!

- Não, ainda faltam três semanas! – Remo a ajudou a levantar, talvez caminhando a dor passasse. – Não é mamãe, ainda não pode ser?

- Dora, minha filha, pode ser sim! – Andromeda falou calmamente. – Com tudo que vem acontecendo... É bem provável que meu neto esteja querendo nascer!

Sentiu outra pontada, mas forte que as outras, sua barriga contraiu, sentiu uma pressão como se a empurrassem para baixo. Remo segurou sua mão. Sim, seu filho iria nascer. Respirou fundo, tentando suportar a dor que sentia sem gritar.

- Há quanto tempo está sentido dor Dora? – A mãe perguntou.

- Já faz tempo, mas achei que não era nada... – De repente sente um líquido escorrer por suas pernas. – Mãe...

- A bolsa estourou... Vamos para o quarto! Vai dar tudo certo. – Andrômeda tomou o controle da situação. – Remo! Ajude ela ir para o quarto!

- Não é melhor le... Levá-la para o St Mungus? – Ele falou branco.

- Eu sei o que fazer, não é necessário... – Andrômeda baixou o tom de voz. – Depois pode ser arriscado! Vamos logo... Que esse menino tá apressado!

******
Então era aquela coisinha que estava dentro dela. Olhava encantada para o seu filho embrulhado em uma manta azul no seu lado na cama.

Remo cochilava na poltrona ao lado da cama. O parto foi rápido e fácil. Sua mãe disse que foi melhor assim, o que ela não concordava muito. As dores que sentiu foram indescritíveis, parecia que queriam rasgá-la! Tudo durou aproximadamente duas horas, muito tempo ela pensou! Mas finalmente ouviu o choro alto e forte de seu filho.

- Teddy! – Olhou novamente para menino que bocejava, tentava identificar traços de Remo nele.

- Ei... – Remo se aproximou da cama e ficou olhando para o Teddy, pegou a sua mãozinha e ele segurou com força seu dedo. – Ele é mais parecido com você sabia.

- Acho que ele tem os seus olhos, sua boca, seu nariz... – Falou rindo.

- Olha o cabelo dele era preto e agora já ta ruivo! – Remo exclamou. – Preciso contar que ele nasceu... Vou até a casa de Gui! Volto logo!

- Vai sim... Avisa a todos! – Remo beijou seus cabelos e a testa do filho. – Coloque- o no berço para mim... Acho que preciso dormir um pouco.

Ele pegou um pouco sem jeito o filho e o colocou no bercinho. Deu um beijo rápido nos lábios dela e saiu do quarto.

Ela deu um sorriso bobo e se acomodou na cama. Estava cansada, mas estava feliz. Muito feliz...


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N/B: Que momento mais lindo! Um casal (bem explorado nos livros, e pouquíssimo explorado nas telas – bom, mas depois do beijo “empamonhado” do meu shipper preferido, o que dizer das telas?) que desperta um carinho imenso... Pela dificuldade de entenderem-se, pelo senso de mártir e resignação de Remo, pelo fim trágico e mais um órfão no mundo mágico. Amei o momento e a forma de você nos contar essa história, Day. A parte triste, todos nós conhecemos.... A parte doce, só você poderia nos contar com tanta propriedade! Beijos a todos, Alessandra.


N/A: Gente… chegou ao fim! Espero que tenham gostado... Agradeço a todos que leram, aos que comentaram... E aguardo vocês no próximo projeto de short fic que estou alinhavando... BEIJOS!!!! MUITO OBRIGADO!!!!

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