Celebração de Natal



Pela primeira vez, Harry e Ron arrumaram as malas na noite anterior à partida, em vez de deixarem para o dia seguinte. A antiga tradição da louca correria para jogarem tudo o que conseguiam para dentro dos malões tinha sido abolida.

– É estranho, não é? – Perguntou Ron.

– O quê? Preparar tudo com mais de cinco minutos faltando?

Ron riu.

– Isso também. Mas eu digo, ir para casa, para a Toca. Mal tive tempo de a ver antes da mamãe começar a me apressar para ter tudo pronto. – Ele sorriu com carinho, nada chateado com isso. – Eu tinha esquecido o quão alto a voz dela pode chegar.

Eles estavam na Sala Precisa e podiam conversar com mais calma sem ter Snape e Dumbledore querendo discutir estratégias ou táticas, ou Hermione querendo discutir a Pedra Filosofal. Eles não se ressentiam desse tempo também, mas as duas horas que eles tinham pela frente para relaxar completamente eram como um presente de Natal adiantado.

– Você acha que foi estúpido? – perguntou Harry de repente – Dar aquele livro para Hermione? – Eles haviam encomendado uma cópia de Memória Sem Restrições como presente para a amiga e Harry estava tendo dúvidas sobre a escolha (mesmo que a ideia tivesse vindo dele em primeiro lugar), desde aí.

– Nah, eu já te falei, – Disse Ron preguiçosamente – Ela nunca vai acreditar naquilo. Você estava certo, cara, vai ajudar para quando contarmos a verdade. Ela irá pensar que é um monte de besteira.

Harry assentiu.

– Ela vai gostar dos Sapos de Chocolate, ao menos.

– E nem tudo ali é algo em que ela nunca vai acreditar. – disse Ron – Tem coisas que não são conto de fadas. Tem até um capítulo inteiro sobre Oclumência.

Harry olhou para Ron. As suas pernas já longas estavam estendidas na direcção do fogo e ele tinha os seus braços atrás da cabeça. Ele parecia completamente relaxado, mas Harry conhecia bem o seu melhor amigo e consequentemente os pequenos sinais de ansiedade que o traíam: o ocasional coçar do seu longo nariz, o modo como ele batia com o pé no chão. Nada de muito óbvio, mas Harry sabia disso. Ele também sabia o que o incomodava. Harry não era o único que conhecia Ron tão bem e eles iam estar na companhia da sua família.

– Apenas relaxe, – aconselhou Harry – Ginny conseguiu fazer isso durante todos esses meses, sem problema nenhum. – Ao menos ela não o mencionou. Seria bem dela se meter numa confusão do tamanho de Londres e não contar nada a eles.

Ron respirou pesadamente.

– Como se ela fosse contar algo para nós.

– Se fosse algo importante, tenho certeza que ela contaria, – murmurou Harry, apesar de estar pensando no mesmo que Ron. – Não vejo a hora de a ver. Ela me lembrou que não ficamos tanto tempo separados desde a destruição da Toca.

– Você vai vê-la em menos de dez horas, – falou Ron distraidamente – Nós temos que dar um jeito de sair da Toca, só nós os três. Com sorte, hoje à noite. E muitas outras noites durante o Natal.

– Não é a coisa mais louca? – Perguntou Harry – Passamos tantos anos só os três sozinhos, sem mais ninguém, e agora estamos preocupados em escapar só os três.

Ron riu.

– Não é uma das melhores sensações do mundo?

– Ron, – disse Harry seriamente, depois de um tempo – Você acha que estamos fazendo o certo com a Pedra Filosofal? Deixar tudo acontecer da mesma forma?

Ron olhou para ele.

– Você está tendo dúvidas?

Harry estava, mas não tinha contado a Ron sobre as suas incertezas.

– Estou com medo. – Ele admitiu, mas quando Ron o olhou chocado ele fez um aceno com a mão bruscamente. – Não dos obstáculos, obviamente. Estou preocupado com Voldemort. E se ele tentar usar Legilimência em mim?

– Snape está te treinando em Oclumência novamente, não está?

– Sim, – admitiu Harry – Eu estou um pouco melhor, mas não muito e terei de ter dominado perfeitamente até o encontrar. Imagine se ele descobre alguma coisa? Eu tenho muitos segredos perigosos, você sabe, e ser do futuro é apenas um deles. As Horcruxes também. E ele poderia facilmente escondê-las todas de novo. Pelo menos nós temos a tiara e o medalhão perfeitamente a salvo em Grimmauld Place.

– E quanto à taça? – Perguntou Ron astutamente – Ele não pode exactamente invadir Gringotts outra vez. Ao menos não pode invadir o cofre dos Lestrange.

– Nós o fizemos, – Harry recordou racionalmente.

– Mas só porque Hermione se passou pela Bellatrix – contestou Ron – E mais, aposto que ele não pensaria no Dragão.

– Eu continuo preocupado. – disse Harry teimosamente. – O diário não me preocupa. Tom Riddle pode descobrir tudo o que quiser sobre isso antes de eu o matar de novo. E mesmo que ele descubra quando voltar ao corpo dele não será o fim do mundo. Mas nós apenas teremos destruído uma Horcrux; e não quero mudar muito as coisas. E se não conseguirmos encontrar um modo de vencer?

– Continue com a Oclumência. – Esse parecia o único conforto que Ron podia dar.



– – –



O primeiro mês de regresso a Hogwarts tinha sido muito emocional para Harry. Rever todo mundo vivo e bem outra vez, intocados pela escuridão que ainda viria, trouxe-lhe um nó na garganta e lágrimas aos olhos durante as primeiras semanas. Demorou mais algumas até que ele se ajustasse a esta realidade, uma realidade em que Harry estava outra vez no primeiro ano. Ele duvidava que seu Eu de onze anos fosse completamente incapaz de experimentar todas estas emoções: medo, alegria, celebração e culpa. Mas ele tinha uma maior experiência nisso, agora; o seu corpo e mente tinham-se ajustado às diferenças e aos milagres.

Além disso, Harry estava tão aliviado que não corria o risco de fazer algo embaraçoso e suspeito como chorar no regresso de carro da plataforma 9 3/4 para casa.

Artur Weasley, magro, alto e começando a ficar careca, pegou-os com o Ford Anglia. Após uma rápida apresentação a Harry e a ternamente se negar a usar a invisibilidade e poder de vôo do carro, ele os guiou até lá. Os barulhentos garotos Weasley fizeram uma fila para colocar todos os malões no porta-malas do carro, magicamente aumentado. Harry não ficou surpreendido quando viu Percy requisitar o banco da frente como o filho mais velho presente.

Londres estava húmida e cinza, mas a atmosfera dentro do carro era viva e alegre.

– Daí Penélope Clearwater, outra monitora, falou, – comentou Percy do banco da frente.

– Mas onde Lee espera que a gente ache?

– Não faço ideia George, se ele espera que a mamãe nos deixe entrar na Travessa do Tranco…

– Como está sendo o ano, meninos? – falou Arthur em voz alta, depois de alguns minutos. Harry conseguia ver os olhos dele pelo retrovisor, então sabia que ele estava falando com ele e Ron.

– Foi divertido, Papai, eu amo Hogwarts! – falou Ron entusiasmado.

– Mesmo tendo um início tumultuado? – Os olhos de Arthur brilharam – Não pense que sua mãe se esqueceu disso, Ron. Falando em Poção da Confusão, – Arthur olhou ternamente para os gémeos. – A vossa mãe acha que foram vocês que lhes deram.

– Não foi a gente! – George disse imediatamente.

– Mas só porque não pensamos nisso – disse Fred honestamente. – Foi brilhante!

– Eu queria ter estado lá, – acrescentou George – Só para poder ver a cara do velho morcegão.

– George, – Avisou Arthur.

– Desculpe, – Falou ele não parecendo nada arrependido. – O velho Professor morcegão.

Até mesmo Arthur riu, Percy tentou esconder o sorriso, embora Harry tenha notado antes que o garoto mais velho o conseguisse esconder.

Harry decidiu falar depois disso.

– Percy nos ajudou com os trabalhos de Poções depois disso, já que o Professor Snape estava tão furioso.

– Verdade, – concordou Ron. – Se Percy não nos tivesse dados dicas sobre os ingredientes comuns e dos que não são, eu e Harry teríamos perdido ainda mais pontos para Gryffindor.

Percy sentou reto no acento.

– Só fazendo o meu trabalho, Ron. Monitores ajudam os outros alunos.

– Não precisa de fingir que o facto de eu ser seu irmão favorito não tem nada a ver com isso. – gozou Ron e Harry riu.

Fazia parte do plano deles tentar incluir Percy. Quando começaram a preparar o esquema, Ron foi derrubado pela a ideia.


Flashback

Era Verão e os moradores da casa com vista para o rio tinham mudado quase completamente nos últimos meses. Kreacher estava simplesmente deliciado e corria por ali numa azáfama para preparar as refeições que não eram completamente desapreciadas. O apetite de Ron, especialmente, tinha voltado com toda a força.

– Uhmm – gemeu Ron, dando uma mordida no sanduíche. – A comida do Elfo fica melhor a cada dia. Acho que temos que dar a ele outro pertence da família Black.

Ginny olhou para ele, exasperadamente, mas ao mesmo tempo divertida.

– Ron, se você conseguir parar de falar sobre comida por um momento, temos que falar sobre nossa família, principalmente sobre Percy.

– O que tem o Percy? – perguntou Ron. Aparentemente, ele não tinha estado a ouvir os outros dois durante os últimos cinco minutos.

– Nós não queremos que ele apoie o Ministério novamente. – explicou Harry, – Nós sabemos que ele voltará no final mas...

– Bem, eu não sei como podemos fazer isso, mas podemos simplesmente tratá-lo melhor. – falou Ron após dar mais uma mordida. – Nós sempre o tratamos como o basbaque da família, com exceção do papai e da mamãe. Ele sempre foi pomposo, mas eu me arrependo de várias coisas que lhe disse ao longo dos anos.

– Muito introspectivo, Ron, – Ginny sorriu, – Pode até não funcionar, mas...

– Ele, ao menos, vai saber que nós o amamos, – disse Ron – Sempre e sempre.

Fim do Flashback



Assim, Harry e Ron recorriam, de vez em quando, a Percy durante o seu primeiro trimestre em Hogwarts. Nada muito grande ou devastador. Mas faziam uma pergunta aqui e outra ali, que Percy respondia com um inesperado calor crescente. Apesar do anterior conhecimento sobre o assunto, as respostas sobre poções e transfiguração (nenhum dos dois, Ron ou Harry, tinha particular habilidade nisso, nem da outra vez, nem agora) sempre ajudavam.

Harry se perguntou sobre as mudanças que estavam causando e sentiu-se razoavelmente confiante que eram para melhor. A perda de Percy tinha sido devastadora, muito particularmente para Ron e Ginny. Eles tinham estado zangados por anos quando ele escolheu ficar do lado do Ministério, mesmo depois que Harry provou estar certo. Foi logo depois da sua reunião com a família que ele foi morto, defendendo a sua mãe de um ataque por detrás. Mesmo se Percy escolhesse o lado do Ministério outra vez, Harry achava que ele se sentiria mais confortável para regressar antes.

– Porque vocês dois estão tão quietos? – Perguntou Fred repentinamente. Harry olhou pela janela e percebeu que já estava anoitecendo enquanto ele se tinha perdido em seus pensamentos.

Ron deixou um baixo lamento escapar de sua garganta.

– Pensando na mamãe e no que ela vai dizer sobre a Poção da Confusão e sobre trasgo.

George sorriu maldosamente.

– É melhor começar a colocar os seus deveres em ordem.

– Não parece que você vá viver muito depois que mamãe colocar as mãos em você.

– Sua mãe está muito orgulhosa de você, Ron, – interveio Arthur – Mas ela está um pouco furiosa, sim.

Percy se virou no banco e sorriu marotamente a Ron.

– É melhor começar agora, a Toca está só a um quilómetro de distância.

Cumprindo as palavras de Percy, logo estavam atravessando a pequena cidade de Ottery St. Catchpole e Harry podia ver as árvores que demarcavam o início do terreno da Toca e que escondiam o campo de Quiddich. Era uma vista bonita, pensou Harry. O Sol estava se pondo por trás das montanhas e fez a neve, que cobria o chão e as árvores, tingir-se de vermelho, laranja e amarelo. Não demorou muito para ter uma visão ainda mais bonita: a Toca. Continuava tão curvada, decrépita e amorosa como sempre.

Harry saiu do carro, retirando seu malão, e olhou à sua volta. As velhas galochas ainda guardavam a porta das traseiras, havia um caminho demarcado para o campo de Quidditch (Ginny obviamente não resistia a voar), e as pequenas pegadas na neve que pertenciam a muitos gnomos do jardim espalhavam-se à volta da Toca por causa do coração bondoso de Arthur.

– Espero que Molly tenha o jantar pronto, – contou Arthur aos seus filhos. – Certifiquem-se que não deixam sujeira no corredor, sabem como a mãe de vocês fica.

– É só um pouco de neve, – contestaram os gémeos em uníssono. – Que mal um pouquinho de água pode fazer?

Arthur ignorou-os, virou-se para Harry com um sorriso gentil e apertou um ombro de Ron com afecto.

– Seja bem-vindo à Toca, Harry.



– – –



Eles tiveram sorte de Arthur ter enviado o seu Patrono ao filho mais novo, na noite em que os Comensais da Morte atacaram. Harry, Ron e Hermione tinham estado sentados em sua tenda, quase sem falar. Tinha sido um longo ano, se escondendo, e quase sem sinal de que isso fosse acabar, e tinham sido tomados pela exaustão. O fato de não terem notícias do mundo exterior à tenda também não ajudava.

– Honestamente, Ron, você não pode esperar que eu faça toda a limpeza, – falou Hermione, com irritação. Ela estava polindo a varinha dela, pelo que pareceu a décima quinta vez nos últimos dias.

Ron estava prestes a retorquir quando eles foram surpreendidos ao ver a inconfundível e nebulosa forma do Patrono de Arthur aparecer na frente deles.

– Toca sob Ataque! – ele disse, e depois sumiu.

Os três nunca haviam desmanchado a tenda tão rápido. Logo tudo já estava na bolsa da Hermione, em menos de um minutos. Eles deram as mãos e desaparataram.

Por um momento, a única coisa que Harry conseguia fazer era olhar com horror o que parecia uma dúzia de pessoas com capas pretas a duelar com cinco ruivos… incluindo duas bruxas.
Ginny. Ele correu e começou a disparar maldições e feitiços a todos os Comensais da Morte que podia, com cuidado para não atingir nenhum Weasley. Derrubou um com um Sectumsempra – mais tarde, reconheceu aquele homem como Yaxley. Ele não se levantou de novo; Harry só pensou mais tarde que aquele pudesse ter sido o primeiro homem que tinha matado.

Não tinha tempo para se preocupar, voltou a atacar. Ron estava urrando, Hermione estava gritando. Os gémeos, com expressões sérias nos rostos, duelavam com dois Comensais que Harry não reconheceu.

– Ótima noite para isto! – Gritou George, enquanto acertava seu oponente com uma azaração particularmente nojenta, que fizera sair um líquido preto dos olhos, nariz e ouvidos.

Harry acertou outro feitiço nas costas de um outro homem, enquanto fazia seu caminho para o lado de Ginny. O seu cabelo cor flamejante voava ao redor dela, enquanto ela desviava, esquivava e se abaixava, acertando finalmente em seu oponente com uma poderosa maldição. Ele se dobrou tossindo, enquanto ela procurava por outro adversário. Os olhos dela caíram sobre ele.

– Harry – Ela gritou. Foi um erro! Várias cabeças se viraram na direção dele. A Sra. Weasley aproveitou a distração e atordoou o encapuzado, perto dela. O Sr. Weasley foi atirado contra uma parede, por um homem com uma expressão dura, cabelos pretos e um sorriso maldoso, e continuou caído imóvel.

– Bem, bem, – disse Bellatrix Lestrange – O pequeno bebé Potter veio salvar a sua família de mentirinha, não é? O Lord das Trevas sabe sempre tudo.

Harry a atordoou, pegando-a de surpresa. Ela gostava de brincar com suas vítimas e eles geralmente deixavam-na. Harry se negava a deixá-la distraí-lo. Apenas precisou de um momento para a amarrar, com cordas que conjurou, e voltou a lutar de novo.

Ele e Ginny lutaram de costas um para o outro; conseguiram evitar quase todas as maldições, até que o homem de cabelos pretos intensificou o ataque.

Harry podia vê-lo pelo canto de seu olho; ele olhava para Ginny de uma maneira que fez seu sangue ferver nos vasos. O seu próprio adversário estava enfraquecendo, mas a luta ainda não tinha acabado.

– Crucio! – O homem gritou e Harry foi muito lento por apenas um instante. Agonia atravessou-o, enquanto caía no chão gemendo de dor. Escutou alguém gritando e sabia que era ele mesmo. Parecia que ia durar para sempre, mas após longos momentos parou. Ele se levantou trémulo e fez um som de lamentação, que o humilhou ainda mais.

O homem de cabelos pretos estava se aproximando de Ginny e ele podia ver que ela estava ficando cansada. O braço dela que segurava a varinha não se movia mais com a mesma graça a que ele havia se acostumado. Virando-se, ele lançou um outro Sectumsempra no Comensal da Morte de cabelos negros e viu um grande corte aparecer no peito dele, antes de, mais uma vez, sentir a agonia da maldição Cruciatus.

Durou menos de um minuto, desta vez, antes de ele abrir os olhos e ver um dos gêmeos tirar ele do caminho.

Ele se levantou, tremulamente. Havia uma pequena pausa na batalha, a Sra. Weasley ajudava o Sr Weasley a levantar-se, enquanto Ron e Hermione colocavam Selwyn fora de combate.

Bellatrix escapou de suas cordas e levantou a sua varinha, apontando para as costas de Fred. Ele viu os lábios dela se moverem e sabia que era a Maldição da Morte.

– Protego! – Harry gritou e uma brilhante barreira apareceu entre ela e Fred. Ela amaldiçoou-o e gritou uma outra maldição que criou grandes e vivas chamas a surgir de todo o lado. Elas tinham a forma de dragões, cobras e outras criaturas de fogo, como um macabro e quente circo de feras.

– FUJAM AGORA! – gritou Harry – PARA GRIMMAULD PLACE! – Ron se apressou em apoiar seu pai no ombro e pegar na mão da mãe, antes de desaparatar. Hermione girou no mesmo lugar, os gêmeos seguraram os braços um do outro e também se foram. Harry se sentia cego – os óculos estavam caindo de um lado – buscou pela mão de Ginny. Quando a encontrou, endireitou os óculos e pensou no degrau da frente da casa do seu padrinho: o último lugar em que queria estar, mas o único em que podia se sentir um pouco seguro.

A Toca se encheu de chamas e ele sentiu como que uma facada em seu peito pelo lugar em que viveu o que de mais perto teve de uma infância!




– Oi! Acorda! – a voz de Ron interrompeu o sonho que estava tendo da Toca pegando fogo, pelo que Harry era grato. – O que você esta sonhando?

– A Toca, – murmurou Harry, procurando pelo seus óculos.

– Não é surpresa, – disse Ron depois de um momento. – Eu também não consigo tirar isso da minha cabeça.

Era o terceiro dia do feriado e Harry se via entre frustrado e eufórico. Era tudo tão maravilhoso como ele lembrava, aquele lugar e aquelas pessoas. A Sra. Weasley tinha sido amorosa e carinhosa – depois de os ter repreendido pelo trasgo. Ela havia amolecido depois que eles explicaram que só tinham ido atrás da Hermione. Nunca havia um momento de solidão com os irmãos de Ron. Eles eram barulhentos e adoravam celebrações, especialmente nessa época do ano.

Harry mal conseguia parar de encarar Ginny. Lembrava-o um pouco do tempo que ele tinha passado ali entre seu primeiro e segundo anos. Mas dessa vez, os dois ficavam vermelhos – algo que ele esperava fervorosamente que os gêmeos não percebessem. Não era por timidez, no entanto, mas sim pelo forte sentimento que não tinham como expressar de outra forma.

– Escute, – Ron quebrou o seu momento de sonhos. – Eu sei como nós podemos escapar com Ginny. Você tem a sua Capa, não é? – Harry olhou para ele sem dizer uma palavra. – Estou surpreso por não ter pensado nisso antes.



– – –



Apesar do pouco descanso que teve, Harry não se sentia cansado quanto ele e Ron seguiam, nas pontas dos pés, para o quarto de Ginny, debaixo da Capa da Invisibilidade. O brilhante plano de Ron incluída nada mais do que a Capa e da confirmação de que todos estavam dormindo. Passava da meia-noite e o pequeno quarto era iluminado apenas pela luz da lua. Uma pequena forma dormia enrolada nos lençóis. Harry caminhou calmamente até uma adormecida Ginny. Parou um momento para apreciar aquela visão, saciando-se dela.

Ron o cutucou.

Ele se abaixou até ela e murmurou.

– Ginny, acorda. – atrás dele pôde ouvir Ron murmurar “Muffliato”.

Ela murmurou e se mexeu um pouco, mas não acordou. Harry tirou os cabelos dela do seu rosto e, se abaixando, pressionou um suave beijo nos seus lábios. Os olhos dela abriram de repente.

– Harry… – ela sorriu para ele e, por um momento, ele não conseguiu fazer nada além de abobadamente sorrir em retorno.

– Nós conseguimos, – ela sussurrou – Nós conseguimos!

Os três sorriam uns para os outros e Harry estava extasiando de felicidade. Ele sentou ao lado dela e ela afastou-se um pouco para lhe dar espaço, pelo que Harry pegou na mão dela e apertou-a delicadamente.

– Então, – disse ela – Contem-me tudo.

Foi o que eles fizeram. Não demorou muito tempo. Eles se demoraram mais nas partes particularmente engraçadas com Snape, que a fizeram rir com gosto. E ela os apressou enquanto eles narravam a luta com o trasgo, que se tinha mostrado ser mais difícil do que eles pensavam, já que eles tinham muito poucos feitiços úteis, no seu arsenal.

– Que bom que a Hermione está bem! – Ginny parou de rir após um momento. – Mas me falem sobre a profecia! Venho morrendo de curiosidade faz tempo.

Eles contaram e a cara dela caiu.

– Achei que pudesse ser algo assim. Eu finalmente consegui arrancar a verdade da mamãe quando Ron pediu se Harry podia ficar aqui. – Por alguma razão ela parecia desconfortável e um pouco envergonhada. – Mamãe… ela não estava certa se o Harry deveria ficar.

– O quê? – falou Ron com a voz alta. – Desde quando?

– Bem – disse Ginny devagar – A única parte que todos sabem – embora todos pareçam saber que existe algo mais – fala sobre um terrível poder. Isso não estava na versão mais antiga e eu tive de imaginar o que queria dizer. Mantenha em mente… Harry, ninguém pensa que Voldemort vai voltar. Mamãe e Papai falam sobre ele como se estivesse morto para sempre. O que as pessoas têm medo é o facto de que, aparentemente, você tem esse terrível poder que “matou” Voldemort e agora estão um bocadinho assustados com você. Mamãe disse que, há cinco anos atrás, houve um artigo do Profeta Diário que questionava se você seria um bruxo do bem ou um do mal.

Demorou um pouco para as palavras serem processadas. Pareceu engraçado, no escritório de Dumbledore, no primeiro dia de aulas, que as pessoas tivessem medo dele. Mas a graça tinha-se perdido agora. Se a Sra. Weasley não o aceitasse mais…

– O que pensa a mamãe? – perguntou Ron calmamente. Ele tinha-se sentado aos pés de Ginny enquanto ela falava. – E porque ela não queria o Harry por perto?

– Bem… – ela fez uma pequena pausa – Você sabe como a mamãe é. Você não deve pensar que ela culpa só o Harry pelo que aconteceu no seu primeiro dia de aula. Ela culpa você também Ron.

– Eu roubei as Bombas de Bosta, – falou Ron modestamente.

Ginny riu.

– Verdade. Ela deveria saber que uma criança que não tenha crescido com bruxos – não me olhe assim, Harry, ela acha que tudo que você conhece desde que tinha um ano, são os Dursleys – também poderia ter feito isso. E ela deu a volta por cima nisso, quando ouviu falar da Poção da Confusão… mas eu acho que ela pensa que, se você não estivesse com o Harry, não teria falado nada.

– O que é verdade, – comentou Harry sensatamente.

– De fato, – Ginny concordou – Mas com o artigo, com semanas e mais semanas de detenção e com o trasgo… ela ficou pensando este tempo todo, é isso.

Harry embrulhou-se em pensamentos, enquanto acariciava a palma da mão de Ginny com a ponta do seu dedo. A Sra. Weasley sempre o amou praticamente desde o primeiro encontro deles, mesmo quando ele levou a que os seus filhos ficassem em perigo. A batalha do Ministério, para começar, quando Sirius tinha morrido. Ela nunca falou uma palavra para ele ou lhe disse (ou a qualquer um dos filhos dela, pelo menos ele assim achava) que o culpava por todas essas perigosas situações em que ele se metia. Ele perguntava-se, durante as suas duas semanas de depressão após aquela batalha e antes de Dumbledore o ir buscar, se a Sra. Weasley estaria zangada com ele por ter levado Ginny e Ron. Quando ele apareceu na Toca, no entanto, todas essas dúvidas desapareceram.

– Escutem, – ele disse – Eu sei que a mãe de vocês acha que eu sou um pouco perigoso para ter como amigo.

– Harry…

Mas ele impediu Ginny de continuar.

– Ela está certa, e vocês sabem disso. Eu não estou dizendo, pela menos na maioria das vezes, que eu tenha feito pouco caso da vida de vocês, pelos menos não intencionalmente.

– Nós sabemos, – Ron rolou os olhos.

– Não! – protestou Harry – Isto é sério. Eu não vou entrar em uma das minhas crises induzidas pela culpa para que vocês se afastem de mim. Gosto de pensar que já superei isso… mais ou menos. Não que eu queira que vocês se afastem de mim, mas lembrar do que nós perdemos…

– Nós sentimo-nos da mesma forma, Harry, – Ginny apertou a mão dele – Que eu lembre, nenhum de nós confiou no Snape e todos nós sabíamos que Dumbledore confiava nele por algum motivo. Foi um erro que todos nós cometemos juntos.

– Sim, – Harry lamentou.

– Mas não dessa vez, – disse-lhe Ron – Agora sabemos o que está acontecendo.

– Exceto pelo “terrível poder” que eu devo ter. – Falou Harry – Não sei porque isso mudou. Eu sei que minha maior arma é o amor. E sei que foi isso que o destruiu da primeira vez, mas e se neste tempo for diferente?

Eles sentaram em silêncio por um tempo, pensando e tentando encontrar uma solução fácil que explicaria as ramificações da profecia diferente. Era um silêncio confortável, na maior parte do tempo. O fato da Sra Weasley não confiar imediatamente em Harry não era algo que preocupasse muito Ron e Ginny. Mas Harry esperava que, no momento da verdade, qualquer mal entendido e falta de confiança tivessem sido deixados para trás. Mas isso não o deixou mais seguro e um pouco mais confiante.

– Me preocupa quando descobrirem que eu sou um Ofidioglota. – falou Harry finalmente. – Se as pessoas estão tão preocupadas por causa da proferia, inseguras quando a mim, isso não vai causar ainda mais desconfiança?

Ginny pareceu pensativa por um momento.

– Pelo que pude percebe, acho que não pode ser pior. E acho que poderá melhorar, agora que Dumbledore sabe de tudo.

– E Harry irá dar um jeito no Basilisco no final. – interrompeu Ron – Isso irá servir para algo.

– Eu fico imaginando quem escreveu aquele artigo. – admitiu Ginny – Parece algo da Rita Skeeter, mas parece ser anónimo. Não consigo imaginá-la escrevendo algo tão turbulento sem assinar. Me pergunto se, na verdade, não terá sido um Comensal da Morte.

– Faria sentido. Mesmo não sabendo as medidas que Voldemort tomou para assegurar a sua existência, seria bom me ver desacreditado. – concordou Harry. – Lucius Malfoy, seria um.

Ron suspirou.

– Eu vou comemorar quando contarmos a Hermione, disso tenho a certeza. Aposto que ela nos dirá na hora o que estamos deixando passar.

– Por falar em Hermione… – começou Ginny cautelosamente e Ron corou.

– Fique quieta – avisou ele.

Ginny abriu os olhos com a maior inocência, mas não enganou ninguém. Ela adorava atormentar um pouco o irmão dela.

– Eu espero que ao menos que você esteja sendo simpático com ela agora.

Ron sorriu, apesar das orelhas dele continuarem vermelhas.

– Estou sendo.

– Eles ainda discutem, – Harry sentiu a necessidade de dizer. – Mas não é tão ruim.

– Eu não consigo imaginar Ron e Hermione sem as discussões, – Falou Ginny com compaixão. – É como um preliminar para eles.

Ron escolheu aquele momento para ir embora.

– Eu vou indo para cama. – ele anunciou, se levantando e virando para a porta. Ele parou com a sua mão no batente e olhou de volta para eles. – Não fiquem acordados até tarde, crianças. – ele disse alegremente.

– Eu vou em alguns minutos, – prometeu Harry, apesar de não querer. Ele estava exausto e se ele ficasse e acabasse dormindo ia ser desastroso. Ele estava agradecido com o tempo sozinho com ela e, assim que Ron fechou a porta, ele se virou e deu um suave beijo nela.

Ela suspirou.

– Difícil de acreditar que não vamos ter nada além de beijos, pelos próximos anos.

– Não reclame. – falou Harry ternamente. – Você tem sorte que não é mais tempo.

Ela aninhou-se contra ele.

– Eu sei. Este corpo, – ela olhou para o seu próprio corpo desgostosamente. – É difícil conciliar o desejo de uma mulher crescida com um corpo que ainda nem entrou na puberdade. Não me interprete mal, Harry, o desejo não foi embora…

– Eu sei. – Harry beijou o cabelo dela. Ele cheirava a flores. – Eu sei. Estou aliviado que não tenha desejo de fazer alguma coisa além de alguns beijos. Estaria bem preocupado se eu tivesse. Mas quando olho para você, eu posso ver a mulher em que se irá tornar. Isso é o que me faz querer que estes anos passem depressa.

– Eu sei, – Ginny sorriu marotamente para ele, – Estou feliz em ter conseguido baixar para catorze anos.

– Mas ainda é nova, – apontou Harry.

– Mas só em corpo, Harry, como eu falei. Às vezes eu penso que o perigo do sexo aos catorze anos é mental e emocional, não físico. Muitas mulheres no decorrer dos anos já estavam casadas no momento em que tiveram o seu primeiro ciclo.

– Eu sei, – falou Harry – Os catorze vão chegar logo, eu acho. O seu corpo vai estar fisicamente maduro e não precisamos nos preocupar com a parte mental e psicológica. Eu te amo, Ginny.

– Sempre e sempre, Harry – ela concordou. Harry sabia que ela estava caindo no sono rapidamente e que precisava do seu sono. Mas ele continuou a acariciar o cabelo dela. Intimidade não precisava de ter a ver com sexo, até onde ele sabia. Tinha a ver com o amor que ele sentia por aquela mulher que nunca tinha sentido por ninguém, e que traduzia tudo o que ele tinha feito até ali. Eles salvaram-se um ao outro da agonia dos três primeiros anos e do desespero dos últimos quatro. Ele iria amá-la para sempre. Esses momentos silenciosos eram cheios de amor.

Ele finalmente saiu, deixando Ginny dormindo pacificamente. Ela tinha adormecido nos seus braços como tantas vezes antes. Ele sorriu e saiu.



– – –



– Harry! – Ron gritou – Acorde! É Natal!

Ele pulou da cama, não totalmente acordado. Procurou a sua varinha, percebendo onde estava e caindo de volta na cama com uma lamúria.

– Ron, precisa fazer isso?

Ele viu a figura borrada do garoto ruivo, sorrindo de orelha a orelha.

– Levanta, Harry. Aposto que os outros já devem estar esperando pela gente. Nós temos que manter as aparências.

Aparências porcaria nenhuma., pensou Harry. Inacreditavelmente, Ron ainda ficava animado com as manhãs de Natal, apesar de saber exatamente que presentes iria receber. Mas pensando nisso melhor, Harry também estava excitado. Jogando os lençóis para o lado, Harry se levantou, colocando a roupa dele por cima das roupas de baixo, e logo seguindo Ron pelas escadas.

A árvore estava adoravelmente decorada como das outras vezes na Toca. Harry encarou com suspeita o topo árvore. Sem ter certeza se era um gnomo ou não, ele se virou para a modesta pilha de presente com o seu nome escrito. Apenas ele e Percy foram lentos a abrirem os presentes. Ron, os gêmeos e Ginny, rasgavam com vontade os pacotes. Papel de presente voava para todo o lado, enquanto o Sr. e a Sra. Weasley olhavam com profunda admiração.

– Mmm, – disse Ron – Sapos de chocolates da Hermione – Ele os ergueu em sinal de vitória, enquanto Harry ria.

– Eu ganhei o mesmo dela. – Falou Harry. – Vou poder construir a minha coleção.

– Eu vou te dar os meus repetidos, – assegurou-lhe Ron. – Minha coleção está completa, mas sempre tenho alguns extras. Acho que devo ter uns dez de Dumbledore, ele é o mais comum.

– Valeu Ron, – Agradeceu Harry.

O dia passou num tão alto nível de diversão e frivolidade, que Harry quase se sentiu com a cabeça leve. Após todos terminarem de abrir os presentes, todos colocaram o suéter Weasley. Todos menos Harry; ele não tinha recebido nenhum nesse ano, mas a sensação de preocupação e mau estar que tinha sentido quando conversaram no quarto de Ginny tinha diminuído. Harry podia esperar para que o Sr. e a Sra. Weasley confiassem nele. Além disso, a Sra. Weasley podia simplesmente não ter tido tempo para fazer o seu suéter. E, depois de um grande e delicioso café da manhã que demorou mais de duas horas, todos eles se dirigiram para o pátio da casa onde iniciaram uma sucessão de guerras de bola de neve. Quando eles voltaram para dentro, com os rostos vermelhos da neve congelante e discutindo quem tinha ganho, xícaras com chocolate quente fumegavam à espera deles.

– Isso é delicioso Sra. Weasley, – falou Harry, entusiasmadamente. – Obrigado por me receber.

Se ele não estivesse olhando atentamente, não teria percebido a dúvida que pairou no seu rosto redondo e bondoso.

– De nada, Harry.

Eu não posso esperar que ela confie em mim imediatamente pensou Harry, mais tarde, deitado na sua cama, apenas com os roncos de Ron como companhia. Não é justo. Mas depois ele lembrou as palavras que ela disse quando descobriram que Remus e Dora Lupin tinham sido encontrados mortos, junto do filhinho deles, Teddy..

Harry estava sentado na cozinha do Grimmauld Place, com um crescente peso no seu coração. Ele estava sozinho no escuro. Ron e Hermione tinham desaparecido horas atrás, ele suspeitava que Hermione tinha chorado até adormecer e Ron tinha estado lá para confortá-la. Ginny estava também a dormir no quarto ao lado. Ela sentou com ele e segurou as suas mãos por horas, sem dizer uma única palavra, mas a exaustão finalmente tinha tomado conta dela e Harry retirou-se silenciosamente.

– Harry, – a Sra. Weasley falou com suavidade. Ela disse “Lumus” e a sua varinha fez um floreado, iluminando um pouco mais o lugar.

Ele se virou para ela e não conseguiu mais segurar as lágrimas. Ela o envolveu num abraço quente e apertou enquanto ele chorou, com o coração partido.

– Nós vamos superar isso. – ela murmurou.

Mas Harry achou difícil acreditar nisso. Remus Lupin, o último verdadeiro Maroto, tinha desaparecido, e com ele a última ligação que tinha com o pai que nunca tinha conhecido. E a vida de Dora ceifada também, a charmosa, desastrada Dora, com o seu sorriso que podia alegrar quase toda a gente. O pequeno Teddy, nem dois anos tinha, também morto antes de poder viver realmente, o afilhado de Harry.

– Sra. Weasley, – disse Harry finalmente. Ele se afastou e ela sentou na cadeira ao lado dele. – Você realmente acha que eu posso fazer isso?

– Eu sei que irá, – ela respondeu imediatamente. Eu vi você crescer, Harry. Eu te conheço. Se alguém o consegue fazer é você. E você não irá parar até derrotar Você-sabe-quem.

– Tem certeza? – Harry se sentiu um pouco humilhado quando a sua voz saiu tão baixa. Ele quase parecia uma criança, não um homem de quase vinte anos.

– Eu tenho fé nisso! – falou ela – Assim como o resto da família e todo mundo que o conhece. Você vai derrotá-lo. A não ser que eu esteja errada, você é o único que pode. Não – ele disse lugubremente, agitando a mão que não segurava a varinha acesa, – que eu saiba todo o conteúdo da profecia. Mas você é um bruxo extraordinário, Harry. E acho que sempre soube, de alguma forma, desde que você salvou Ginny da Câmara dos Segredos, e talvez antes. Talvez saiba desde que recebi uma certa carta de Hogwarts dizendo que você e o meu filho resgataram uma menina que mal toleravam, de um trasgo. Você é a nossa melhor esperança. Deve ser um pesado fardo, mas eu sei que você é a pessoa para a tarefa. Nunca houve a mínima dúvida na minha mente…


Mas agora ela estava questionando, Harry sabia disso. Ele não sabia como provar para ela que ele estava muito longe de ser um Senhor das Trevas. Eles não podiam dizer-lhe o segredo. O retrato de Dumbledore os tinha expressamente avisado para não dizerem a ninguém a não ser a ele e ao Professor Snape, por tanto tempo quanto conseguisse. Harry tinha cometido o erro de não confiar nele antes e não poderia fazê-lo de novo.

Ele entrou em sonhos ansiosos, onde pessoas falavam sobre ele em sussurros, por detrás de portas fechadas, enquanto andava por uma enorme casa, e podia ouvir pessoas que ele amava mas, para onde quer que ele olhasse, elas não estavam lá. Ele chorou como um bebé e a certa altura ele olhou para baixo, para perceber que ele era um bebé e que estava totalmente sozinho, chutando e se mexendo dentro de um suéter decorado com um W. Mas depois a Professora McGonagall veio e lhe disse que ele não podia ter o suéter; ela levou o suéter, deixando-o sozinho e despido, chorando no chão.

Ele acordou com a familiar sensação da sua cicatriz ardendo.



N/A: obrigado a todos que leram, comentaram e votaram, que bom que vocês estam gostando, a fic vai ficar com mais ação a partir do próximo cap.
Flavinha eu tb nunca iria imaginar quem é o Merlin, o grande mistério da fic ehhehe

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