O Abraço



Tonks aparatou numa rua deserta perto do Largo Grimmauld. Não podia aparatar dentro da casa diretamente. Foi andando até lá. Ao chegar em frente às casas nº 11 e nº 13, Tonks se concentrou, lembrando do feitiço que Dumbledore havia colocado na casa para se tornar visível apenas aos membros da Ordem, e logo em seguida a casa nº 12 apareceu. A primeira parte estava completada, faltava ver se ela conseguiria entrar na casa. Se precisasse tocar a campainha, certamente Lupin não iria atendê-la. Mas por sorte, ou ironia do destino, a porta não estava trancada. Entrou na sala, esta estava deserta e escura. A casa não estava tão limpa quanto antes, quando Sirius morara ali. Tinha poeira nas prateleiras e estantes, mas estava melhor do de quando tornaram aquela casa na sede da Ordem. Só precisava de uma pequena limpeza, afinal Lupin não ficava muito tempo em casa, estava sempre fora cumprindo missões pela Ordem.

Ela pegou sua varinha e murmurou

- Lumus.

Uma luz saia da ponta de sua varinha, iluminado o caminho para que pudesse ver alguma coisa. Não queria tropeçar em nada para não acordar o velho retrato da Sra. Black e nem assustar Lupin. Foi andando devagar, tentando escutar algum barulho que lhe informasse onde Remo poderia estar. Resolveu ir primeiro a cozinha, era o lugar que sempre se encontrava com ele. Não deu outra!! Ao abrir a porta da cozinha o viu sentado em uma das cadeiras do outro lado da mesa. Estava desmontado na cadeira, olhando para o teto.

Tonks entrou na cozinha, conjurou um feitiço para acender as velas em cima da mesa e foi para perto do fogão.

- Sabe, estou morrendo de fome. – disse ela, já que ele não falou nada com a entrada dela na cozinha – Não como nada desde o almoço. Você também deve estar com fome. Vou preparar algo para nós.

Lupin não respondeu nada, apenas continuou olhando para o teto, como se fosse encontrar alguma coisa ali.

Ela aceitou aquele silêncio como um sim. Mesmo que ele não quisesse comer, ela queria. Realmente estava com fome. Continuou sua caminhada até o fogão e começou a preparar algo. Não demorou muito para que derrubasse uns talheres e deixasse um prato cair no chão, quebrando-o. Era normal ser desastrada!!

Levou dois pratos cheios de sopa para mesa, com o maior cuidado possível, colocando um deles em frente de Lupin e se sentando em uma cadeira ao lado dele para comer.

- Se você não comer logo vai esfriar, e ai vai ficar bem ruim. – disse ela ao ver que ele não se mexia na cadeira.

Ela não queria ficar insistindo. Ele não era uma criança. Continuou tomando sua sopa. De vez em quando pegava uns pedaços de pão para acompanhar com a comida. Nem repara que Lupin agora estava comendo também.

- Está ótima!! – disse ele numa voz morta.

Ela quase deixou a colher cair de sua mão, com o susto que tomou.

- Você me assustou – disse ofegante.

- Desculpe. Não foi minha intenção. Só queria agradecer pela sopa. Está realmente boa!!

Lupin não resistiu. A sopa estava cheirando muito bem. E ele também estava com fome. Não adiantava ficar ali na cozinha na presença dela e fingir que não gostava. Ela era uma ótima companhia, sempre animada, sempre disposta a ajudar. Gostava de quando estava ao lado dela e mais uma vez sentiu aquele perfume suave que ela sempre usava, aquele perfume que o fazia lembrar dela, aquele perfume que ele sempre sentia quando a tocava.

- Não precisa mentir Remo – disse Tonks dando uma risada.

- Não estou mentindo. Porém estou com muita fome!!

- É isso então. Qualquer coisa que eu fizesse ia estar uma delícia para você.

- Não é verdade. - Lupin estava ficando encabulado, não sabia o porque.

Ela o olhava com intensidade. Estava acostumado com aquele olhar dela e gostava. Mas estava se sentindo como antes de namorá-la, quando ainda trocavam olhares medidos, olhares comprometedores.

- É uma receita de família, – disse sem perceber nada – meu pai quem me ensinou.

Mais uma vez se fez silêncio. Ambos estavam comendo, absortos em pensamentos. Ninguém falava nada. Acabaram de comer e continuaram em silêncio.

Foi então que Lupin se mexeu na cadeira, sentou de frente para a cadeira de Tonks, que ao ver o que ele fazia, fez o mesmo, ficando os dois um de frente para o outro.

Ele olhou nos olhos dela. Aquele mesmo brilho de sempre. Já os dele estavam cheio de lágrimas, que estavam prestes a derramar. Parecia sem vida, com medo, com o mesmo desespero de quando saíram do castelo. Então uma lágrima escorreu pelo seu rosto, que estava com uma aparência de cansado e velho.

Tonks não suportava aquilo. Via que ele estava sofrendo, e muito. E ele nada falava ou fazia. Então ela o abraçou. mostraria a ele que queria ajudá-lo. Mostraria a ele que não iria embora, que estava disposta a ficar, e um gesto era melhor que qualquer palavra de consolação.

Lupin não se desfez do abraço, pelo contrário, apertou-a ainda mais contra seu peito. Não queria que ela fosse embora. Gostava daquele abraço. Era como se o mundo lá fora parasse. Sentia-se seguro, sua dor diminuía. Ela o fazia sentir-se bem.

Ele continuou abraçado com ela, sua cabeça no ombro dela. E ela continuava abraçando-o, deixando-o chorar em seu ombro. Se aquilo estava ajudando-o ela não iria interromper então. Não soube quanto tempo ficaram assim. As velas na mesa começavam a se apagar, haviam chegado ao fim. Tonks não queria mexer, não queria que Lupin achasse que ela queria se desfazer daquele abraço, mas precisava se mexer, ficara muito tempo sentada na mesma posição, não estava mais sentindo sua perna como antes.

- Remo. – sussurrou ela no ouvido dele.

Nada. Ele não se mexeu nem respondeu.

- Remo. – dessa vez ela disse um pouco mais alto, cutucando o ombro dele de leve.

Nada ainda. Ele continuava quieto e sem responder.

- Não acredito que você dormiu no meu ombro! Como é que vou te levar lá pra cima?! Não agüento te carregar!! – disse em voz alta para si mesma, na esperança que ele estivesse apenas brincando.

Lupin continuou imóvel. Tonks tentou se levantar, sem fazer nenhum movimento brusco para não acordá-lo. Sabia como foi difícil para ele aceitar a morte de Dumbledore. Era difícil para todo mundo.

Sem dúvida não conseguiria carregar ele até o quarto. Era pesado demais para ela. Precisava de um feitiço para deixá-lo mais leve, assim não teria problema algum. Com a mão que não estava segurando o corpo dele, pegou sua varinha no bolso interno das vestes e fez o feitiço, torcendo para ele não acordar.

Com cuidado para não bater e tropeçar em nada, saiu da cozinha, subiu as escadas e entrou no quarto dele. Continuava a mesma coisa desde a última vez que estivera ali. Gostava dos dias que passaram ali dentro, apenas se amando, sem se preocupar com nada. Sem se preocupar com essa guerra idiota que estava acontecendo.

Tonks sacudiu a cabeça e varreu aquelas lembranças de seus pensamentos. Entrou dentro do quarto carregando Lupin. Colocou-o na cama, do jeito que estava, apenas retirou-lhe os sapatos. Ele deu uma mexida na cama e resmungou alguma coisa. Ela continuou olhando para ele por algum tempo. Não sabia se devia ficar ali com ele, mas e se ele precisasse de alguma coisa?!

Sentou então no chão, ao lado da cama. Pegou a mão dele e segurou. Ele deu um pequeno aperto na mão dela, como se pedisse para não soltar. Tonks ficou ali, a cabeça deitada na cama dele, as mãos dadas, as pernas embaixo da cama, numa posição um pouco confortável. Adormeceu desse jeito sem perceber ....

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