A armada dos cinco



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A manhã nasceu trazendo para Harry e Hermione mais um dia. Desta vez, eles não seriam recepcionados pelo convidativo sol dos momentos anteriores, todavia pelos primeiros flocos de neve que começaram a cair, anunciando uma mudança brusca de estação. Provavelmente não haveria espaço para sorvete, nem para um agradável passeio no parque, mas com certeza aquele dia prometia grandes acontecimentos.

Hermione despertou antes de Potter naquela manhã. Desvencilhou-se dele cuidadosamente e se dirigiu ao banheiro para tomar um banho quente; talvez o melhor modo para iniciar um dia tão frio. Particularmente, naquela data, Mione estava se sentindo muito bem e parecia se recuperar do atentado de uma forma mais célere do que a própria Madame Pomfrey previra e informara a Harry. Assim, após a revigorante ducha, a garota procurou um lindo vestido marrom, agasalhando-se também com um casaco grosso. No pescoço, trazia o cachecol do namorado e ainda era possível sentir o cheiro de Potter nele.

Hermione estava melhor de tal modo que decidira cuidar do café da manhã, optando por incrementar os hábitos culinários ingleses, principalmente depois do sonho que tivera. Desse modo, cobriu a mesa com uma toalha branca de renda, pondo sobre ela shortbreads (biscoito costumeiramente usado no chá das cinco), muffins com nozes (pequenos bolos de sabor muito agradável), ovos, torradas, scones recheados (outra modalidade de bolinhos), geléia e um delicioso chocolate quente em substituição ao tradicional chá inglês. Ela estava deliberadamente determinada a surpreender Harry naquela manhã e era bem possível que conseguisse.

O maroto despertou sentindo no ambiente um cheiro doce e extremamente convidativo. Percebeu que Hermione já havia acordado e se apressou em se arrumar a fim de descer também. Foi ao chuveiro do quarto que ocupava e percebeu que o sistema de aquecimento dele não estava funcionando a contento. Resolveu, então, tomar banho no de Hermione, apanhando o que precisava para se vestir. Até aquele instante, Harry ainda não havia observado detidamente o banheiro de Mione, tendo em vista que entrara bastante rápido nele sem, contudo, ater-se aos detalhes. Somente agora via sobre a comprida pia, que o adornava, um conjunto de apetrechos de embelezamento feminino, aparentemente inimagináveis para um lugar habitado por Hermione. A um canto reservado, existia um frasco de perfume, do qual Potter imediatamente se lembrara: foi um presente que ele dera a Mione quando ainda eram apenas amigos, junto com um livro. O garoto ficou surpreso ao perceber que o vidro ainda estava cheio.

― Será que ela não gostou? - pensou Harry em voz alta, dirigindo-se à banheira.

Depois de se arrumar, desceu as escadas cantarolando uma melodia que ainda não conseguira identificar, mas que refletia bem a animação interior da qual estava completamente embebido. Encaminhou-se para a cozinha e viu Hermione sentada numa das cadeiras da mesa com um livro em punhos e uma xícara fumegando em frente a ela. Parou de forma inesperada e observou atenciosamente a precisão com que aquela refeição foi preparada, notando o requinte da arrumação da mesa.

Hermione baixou o livro de forma instantânea, sorveu um gole de chocolate quente e se levantou para receber Harry, que possuía um sorriso quase infantil na face.

― É para mim tudo isso? Sério? - perguntou incrédulo ao encará-la.

― Meu elfo doméstico tem trabalhado demais cuidando de mim. Decidi que hoje seria a folga dele - explicou Hermione, dando um beijo em Potter com sabor de chocolate quente.

― Hum! Que gosto bom! - disse ele, interrompendo o beijo por um momento.

― Ah - riu Hermione -, é chocolate. Senta que eu te sirvo - completou ela se afastando.

― Não, não é - respondeu Harry. - É você mesmo, Mi. Como é bom sentir o seu gosto! – o moreno falou enquanto a puxava pelo braço calmamente para perto de si, desfechando-lhe mais um beijo cheio de vigor. ― Está é a melhor maneira de começar um dia! – Potter concluiu alguns instantes depois de se sentar, deixando Hermione ainda tonta com o último encontro de lábios.

Quando os pensamentos retornaram ao eixo, a morena serviu uma xícara de chocolate ao namorado e tomou um lugar próximo a ele, observando-o se divertir com cada petisco que pendia sobre a mesa.

― Nunca ninguém fez nada assim para mim, Mi - confessou Harry com um olhar ternamente emocionado. - Desde quando você se tornou uma chef de cozinha?

― Andei lendo alguns livros de culinária. Achei que seria útil um dia... Pelo menos, é mais fácil que Poções – explicou Hermione, orgulhosa.

― Talvez por isso eu consiga arriscar alguma coisa na cozinha, mas jamais conseguiria fazer algo desse nível... estes são os melhores bolinhos que já comi e é o melhor chocolate que tomei em minha vida! - acrescentou Potter extremamente satisfeito.

― Eu prometo que os farei em muitos outros momentos dela. Pode ter certeza! - assegurou Hermione sorrindo. Ela não conseguia se esquecer do sonho que tivera naquela noite. - Harry, o que você vai fazer nas férias? Meu avô tem uma casa em Stratford-upon-Avon e eu gostaria de ir até lá com você. Quer dizer, meus pais também vão, é claro... e minha mãe já o convidou para passar as férias conosco - concluiu Hermione que tinha a face em um tom levemente escarlate.

O moreno sorriu, descansando a xícara no pires e confirmando com a cabeça.

― Daremos um jeito de meus tios deixarem. Acredito que eles devem querer se livrar de mim o quanto antes... então, se eu demonstrar que será um lugar horrível e que eu sofrerei muito, acho que eles permitirão sim!

― Não tenho em mente que você sofrerá lá, Harry... Ao menos, não é essa a minha intenção, mas, se é o único jeito de convencê-los a deixá-lo ir, falarei com meus pais - afirmou Mione.

Tudo corria em uma atmosfera perfeitamente envolvente, contudo o clima ameno do café da manhã foi interrompido por uma pequena coruja que entrou de maneira ousada pelo buraco da chaminé. Era Pichitinho, a minúscula ave de Rony que, altiva, entregou a correspondência do dono, esperando agora a resposta. Harry abriu imediatamente a carta e a leu em voz alta para que Hermione pudesse ouvir:


Harry,

Segui quem você me pediu e vi uma coisa muito estranha. Ele recebeu um pergaminho diretamente do pai de alguém que odeia você e do qual não gostamos muito. Eu descobri onde ele guardou o tal pergaminho e vou arrumar um modo de entrar lá e pegá-lo. Acho que há algo muito importante nele, porque ele o trancou... E também pareceu estar planejando algo estes dias todos, depois que recebeu aquele pedaço de papel. Acredito que tem haver com aquele que tem um nome que não devo dizer. Colocarei meu plano em prática ainda esta semana e te digo o que conseguir. Acho que entende tudo o que estou falando, não é? Achei melhor dizer assim... Espero que Hermione esteja melhor.

Seu amigo, Ronald Weasley.



― Harry, ele não pode fazer isso sozinho! É muito perigoso! - falou Hermione bastante preocupada.

― Eu sei, Mi. Não imaginava que Rony fosse tentar algo assim quando deixei minha capa com ele. Temos de conseguir autorização para voltar a Hogwarts antes que a semana termine, ou pelo menos fazer com que Dumbledore saiba que Rony corre perigo - constatou Potter sombriamente.

― Melhor escrevermos uma carta para Rony pedindo que ele não faça nada... Acho que Dumbledore não ficaria feliz em saber que Rony seguiu Snape com a capa de invisibilidade. Nós temos de fazer com que Rony desista! - dizendo isso, Hermione pegou a caneta que se encontrava próxima ao telefone da sala, rabiscou algumas linhas e pediu que Pichitinho a entregasse o mais depressa que pudesse.

A ave não demorou a compreender a necessidade de ser rápida e tomou o caminho da chaminé para a rua. Agora, era pedir que a correspondência chegasse antes que Rony fizesse qualquer coisa. Harry acompanhou a partida da coruja com o olhar e isso o fez lembrar a missão que possuíam:

― Mi, nós temos também que fabricar mais poção para voltarmos a Hogwarts - ponderou o moreno.

― Ah não, Harry! - gritou Hermione, parecendo ter recordado algo que não poderia de forma alguma ter esquecido.

― O que foi? - questionou o garoto ainda sem entender a razão de Mione estar com o semblante ainda mais angustiado.

― Começou a nevar a pouco e eu não me lembrei de pegar a erva de roma no jardim... Ela não suporta baixas temperaturas... o caule sobrevive, mas as folhas murcham e são delas que precisamos!

Potter não aguardou maiores explicações. Abriu a porta depressa, deixando o vento gelado entrar na casa, e correu em direção ao jardim, procurando o lugar onde estaria a cobiçada planta. Seria deveras difícil encontrar àquela altura um canto que não estivesse encoberto por uma grossa camada de gelo, todavia não era impossível e, aparentemente, a sorte estava mais uma vez acompanhando Harry, mesmo sem ele tomar felix felicis. Para alegria do maroto, a erva de roma estava embaixo de uma frondosa macieira, que amparou a neve e impediu a sua chegada ao solo, evitando, conseqüentemente, que a neve atingisse também a erva de roma. O menino se abaixou cuidadosamente e retirou todas as folhas que havia na pequena planta. Sabia que pouco adiantaria deixar alguma, pois em breve nem a macieira conseguiria conter o avanço da nevasca sobre ela. Assim, o moreno se dirigiu para o interior da casa com algumas folhas nas mãos.

― Mi, deu para salvar as poucas folhas que tinham. Acho que é o suficiente para fazermos uma quantidade da poção... - informou Harry, mostrando a ela o que conseguira.

― Não poderemos errar dessa vez - asseverou Hermione. - Não haverá mais erva de roma até o começo da nova estação.

― E não vamos! Sabemos o que faz a poção dar certo e isso nós temos, não é? - o maroto disse com um riso nos lábios enquanto Hermione sentia a face enrubescer suavemente, ao mesmo tempo em que recolhia as folhas das mãos de Harry.

Primeiramente, eles organizaram todo o material necessário para o fabrico da poção da felicidade e somente então iniciaram o cozimento dos ingredientes que mais tarde deveriam compor o preparado mágico. Faziam tudo isso imaginando os acontecimentos em Hogwarts e se Pichitinho conseguiria entregar a correspondência a tempo. De fato, a preocupação de Harry e Hermione não estava direcionada somente para o acerto da poção, apesar de ambos acreditarem na importância dela; estava, sobretudo, voltada aquilo que poderia acontecer ao amigo, Ronald Weasley.

Rony sempre tivera uma inegável qualidade: era capaz de se sacrificar pelos amigos, mesmo que isso custasse por em risco a própria segurança. Já havia demonstrado tal virtude no primeiro ano, durante um jogo de xadrez espetacular que lhe rendeu valiosos pontos à Grifinória, bem como um ano depois disso na visita a Aragogue. Não seria em uma situação como aquela que o ruivo faltaria aos amigos, embora eles dessa forma preferissem.

Em verdade, distante da casa de Mione, no castelo de Hogwarts, Rony já havia planejado exatamente o que faria para retirar o pergaminho da escrivaninha de Snape. Ele sabia que entrar na sala não seria o maior problema, visto que a capa da invisibilidade o possibilitaria um fácil acesso às masmorras. Por certo, a dificuldade seria ultrapassar um possível feitiço que houvesse sido posto naquela gaveta para impedir a aproximação de curiosos, ou até mesmo, de inimigos. Não era sensato desconsiderar a fria e rápida inteligência de Severo. Mesmo assim, Rony esperou a chegada do horário de almoço a fim de visitar a sala de Snape e realizar o que seria a primeira tentativa de obter o pergaminho secreto. Ele correu ao dormitório e apanhou, no malão de Harry, a capa de invisibilidade, rumando imediatamente para as masmorras. Estava prestes a sair pelo retrato quando Gina avistou um pedaço da cabeça dele, que estava descoberta, solta no ar.

― Ronald Weasley, nem pense em sair sem me dizer o que pretende fazer usando isso! - repreendeu Gina com uma voz de comando que até lembrava a sua mãe, Molly.

Rony se descobriu totalmente, revelando um olhar furioso e uma expressão tão compatível com a raiva que faiscava nos seus olhos, que nenhuma pessoa, na posse de suas faculdades mentais, aguardaria a resposta, no entanto Gina esperou.

― O que você está pensando? Fala mais alto para todos saberem o que eu estou fazendo! Tenho certeza de que o Harry ficará feliz com sua brilhante intervenção! - esbravejou Rony, que incrivelmente tomou a cautela de observar se ainda estavam sós quando tocou no nome do amigo.

― Harry? - perguntou Gina, agora envergonhada pela forma como abordou o irmão. - É algo para o Harry? Então quero ajudar como posso...

― Não! Você não pode saber do que se trata. E depois, é arriscado. Você não vai! - continuou o Weasley com a face avermelhada de exaltação.

― Se eu não for, você também não vai! Duvido que Harry o deixe fazer algo perigoso. Você deve ter tido alguma “brilhante” idéia e não vai correr o risco sozinho! Ou vamos juntos, ou você não irá, porque eu não hesitarei em expor à professora Minerva esses passeios...

― Isso é chantagem! - gritou Rony ainda mais tenso.

― Chame do que você quiser... O fato é que Harry é seu melhor amigo, mas não deixa de ser meu amigo também por causa disso! Eu gosto dele, gosto de Hermione e, se for para ajudar, você não vai me impedir, ou será impedido de fazer qualquer coisa! - informou Gina categórica.

― Está bem! Tem um pergaminho na sala do Snape que acredito ser muito importante para descobrir algum plano contra Harry... Bem, vou tentar pegá-lo apenas para descobrir o conteúdo... Preciso ser rápido, entende? - Rony falou isso ao se cobrir com a capa e oferecer um espaço para a irmã.

― Sim, mas antes vamos chamar Neville, Luna e Dino... Precisaremos de toda a ajuda com que pudermos contar!

― Gina, você não me escutou? Eu não poderia nem dizer isso a você! Como quer que fale aos outros? - questionou Rony ainda sem acreditar no que sua irmã falara.

― Rony, eles não são quaisquer pessoas... Fizeram parte da armada e podem, sim, nos ajudar. Temos de ter um plano; não basta se esconder embaixo de uma capa e entrar na sala! Temos que estar prontos para um possível feitiço contra roubo... o Snape não é tolo e nós não podemos nos dar ao luxo de também o ser, já que queremos a informação!

À contragosto, Ronald dobrou a capa, guardando-a. Seria necessário convocar uma reunião extraordinária de alguns membros da Armada de Dumbledore na sala precisa. Caberia a Gina chamar Luna Lovegood enquanto Rony chamaria Neville Longbottom e Dino Thomas. Com esse pensamento, os dois Weasley deixaram para trás o buraco do retrato e seguiram à procura dos amigos, reunindo-se em seguida no lugar combinado.

Para aquele encontro, a sala se transformara em um verdadeiro ponto de reunião com cadeiras na quantidade suficiente dos convocados e uma enorme mesa sobre a qual restava estendido um mapa detalhado da masmorra de Snape. Rony se sentara à cabeceira e iniciara a conversa assim que todos se acomodaram:

― Neville, Dino e Luna... bem, como a situação exige agilidade, vou tentar ser direto... Não é meu hábito, mas, na verdade, tem muitas coisas das quais vocês não sabem e que não poderão saber, mas...

― Rony! - interrompeu Gina nervosa. - Pensei que quisesse ser direto!

― Sim - disse Rony retomando o assunto. - Nós os chamamos aqui porque creio que há um pergaminho na sala do Snape que põe em risco a vida de Harry e o mundo mágico como um todo! Acredito que seja algo Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado... Precisamos entrar, ler o conteúdo e sair sem sermos vistos. É perigoso... quem não quiser ir... bem, entenderemos.

― Eu vou! - informou Dino Thomas com um ar corajoso que fez Gina corar ao encará-lo.

― Se é contra o Lord e para ajudar Harry, também irei! - concordou Neville.

Naquele instante, todos olharam para Luna, que imediatamente assentiu com a cabeça, demonstrando sua anuência àquela empreitada. Eles precisavam agora traçar um plano infalível, porque não somente teriam que burlar Snape, deveriam, antes de mais nada, estar prontos para enfrentar a astúcia dele.

Estava formada a “Armada dos Cinco” e muito haveria ainda a ser feito.


Continua...

Arwen Undómiel Potter

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Fanfic escrita por Arwen Undómiel Potter
Capítulo revisado pela beta-reader Andy “Oito Dedos”

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Agradecimentos:

Meus queridos,

sei que demorei como nunca antes o fiz! Perdoem-me, pois não houve intencionalidade!
Bem, mas estou de volta e quero agradecer a Jejeh pelo desejo tão caloroso e sincero de sucesso. Quero agradecer também a Mrs. Radcliffe pela torcida e compreensão! Vocês são fantásticas!
Mania do Potter, muito obrigada por se fazer sempre presente e comentar esta história!
Julia_granger_potter, agradeço-te também pela paciência, minha linda!
Otavio Bach, muito obrigada mesmo pelos desejos de felicidade no meu aniversário! Você se fez presente em todos os lugares que podia! Valeu, querido!
Diana Potter, minha linda, espero que não tenha feito nada que te impeça de ler o capítulo 18! Sei que você esperou ansiosa por ele (infelizmente não deu para postar antes)... Muitas das suas perguntas serão respondidas ao longo dos próximos capítulos... Um beijo, querida!
Anna Rosa, eu não esqueci o Rony, principalmente depois do teu pedido!
Luis, Aline, Mari e Dani, Suelen, Luisa, Diaz, Anataly, Ana Livia, Bru Watson, Naína, Larissa Batista, Sissi, Bruna S.C, enfim todos que sempre comparecem e contribuem com a presença e/ou com os valiosos comentários (estou me mudando neste exato momento e por isso não posso agradecer desta vez como vocês merecem, mas faço com o coração!).

Muito obrigada e espero logo estarmos juntos novamente!

Arwen Undómiel Potter.

PS.: No meu álbum do orkut está a tradução em imagens deste capítulo! Quem tiver interesse é só olhar em http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=3552765189684549641


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