Sentimentos Indomáveis



Cap. IX - Sentimentos Indomáveis


-Liza? Liza! Acorda, Liza!


-Ah? – disse, tentando abrir os olhos – Bea, está doida? Ainda nem de manhã é!


-Por isso mesmo… A Gina ainda não chegou!


Liza se sentou na cama e esfregou os olhos. Olhou para a cama de Gina e verificou que estava intacta. A sua expressão era de indignação misturada com preocupação.


-Por Merlim, onde ela se meteu? – perguntou Liza.


-Não sei. Isso é o que me preocupa! Ela nunca esconde nada de nós, e agora desaparece sem dizer onde vai ou o que vai fazer…


-Ela disse que iria ficar bem. – disse Liza, lembrando do bilhete.


-E que certezas temos disso, Liza?


-Nada. Apenas a palavra dela que, para mim, é suficiente, até provas do contrário.


-É, você tem razão… Você acha que isso tem a ver com algum garoto? – perguntou Bea deitando do lado de Liza.


-Não sei. Talvez, mas passar a noite toda com um garoto? E se fosse isso porque ela não nos contaria? Hum, não me parece.


-Querem fazer o favor de se calar? – disse Bella irritada – Existe quem queira dormir!


-Ai, Bella, você anda insuportável! – reclamou Bea.


-Não sou a única!


Bea e Liza se olharam e deram ombros. O melhor era dormirem mais um pouco, talvez Gina ainda demorasse. E o sol ainda estava começando a nascer, o que indicava ser muito cedo. Bea voltou para sua cama e fechou os olhos novamente.

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Gina abriu lentamente os seus olhos e bocejou. Quando viu que a sua cabeça estava sobre o peito de Draco caiu na realidade. Lembrou de tudo e ficou eternamente grata por não ter sido apenas um sonho. Instintivamente, olhou para a janela. O céu ainda estava escuro. Era uma boa hora para voltar para o seu dormitório sem ser notada. “Que se dane o dormitório! Eu quero ficar aqui.”, pensou, feliz.


-Você já acordou?


Gina estremeceu. Não estava a espera de ouvir a voz de Draco naquele momento.


-Sim. – respondeu com voz baixa – Pensei que você estivesse dormindo.


Draco sorriu. Não sabia o que dizer à ruiva. Gostava de fazer um monte de pergunta, falar sobre diversas coisas, mas naquele momento as palavras faltavam. Ela também não sabia o que dizer. Tomou a mesma atitude de Draco e, por uns momentos, nenhum falou.


-Eu ainda não consegui entender porque me sinto assim. – declarou Gina, se agarrando ainda mais a ele.


-Assim como?


-Assim… feliz com você! Desejando a toda hora te beijar, ficar descontrolada quando você me toca…


- Porque os sentimentos são mesmo assim! – falou – A gente não consegue controlar, nem escolher e ás vezes nem compreender. Eles vêm quando a gente menos espera, nos manipulam e deixam nossa vida virada do avesso!


Gina ficou surpresa pela resposta. O garoto que parecia não perceber nada de sentimentos estava falando deles com bastante certeza no que estava dizendo. Mas não ficou por ali.


-Por isso, eu acho que eles são incompreensíveis, imprevisíveis e inalteráveis. Resumindo, os sentimentos são indomáveis. – concluiu Draco.


-Nossa, você tirou isso de um livro ou ouviu alguém dizendo? – disse Gina rindo, surpreendida com a teoria do loiro.


-Você está duvidando da minha inteligência, é? – perguntou, tirando a cabeça da ruiva de cima do seu peito e a beijando.


-Não, apenas acho inacreditável ouvir algo tão certo da boca de um Malfoy – disse com um sorriso maroto, soltando-se do beijo.


-Não comece, Virgínia Weasley! – exclamou Draco, colocando-se por cima dela, com os lençóis no meio, beijando-a vorazmente.


Gina sentiu de novo seu estômago se contrair. Era tão boa a sensação de beijar Draco. Passou seus braços no pescoço dele, agarrando nos seus cabelos. Ele começou beijando o seu pescoço, depois de novo sua boca.


Após longos e intensos beijos, Gina convenceu Draco, a muito custo, a deixá-la se vestir para poder voltar para o dormitório, visto estar amanhecendo. Assim, Gina pegou nas suas roupas, se vestiu e foi até ao espelho ajeitar o seu cabelo.


-Fica mais um pouco… - pedia o loiro puxando Gina de novo para os seus braços.


-Não posso!


-Ah, Gina, pode sim… ainda é muito cedo!


Gina olhou para Draco e sorriu. Estava tão feliz que, por sua vontade, ficaria ali o dia todo. Mas sabia que iriam dar pela sua falta e não podiam de maneira nenhuma saber onde ela havia estado aquela noite. “Ainda é cedo. Ninguém vai dar pela minha falta!”, pensava.


Deixou-se ser levada por Draco de novo para cama e os dois permaneceram nos braços um do outro por algum tempo. Lá fora, a chuva caia cada vez com mais intensidade, desfocando toda a visibilidade que se podia ter da janela. O som da chuva era o único som que se fazia ouvir durante aqueles momentos em que eles se beijavam, na tentativa de se despedirem, mas sempre acabando por se beijar mais ainda.


-Agora eu preciso de ir. – declarou Gina, levantando da cama.


-Quando nos vamos encontrar de novo? – perguntou o loiro, se levantando também e puxando Gina, encostando a sua testa na dela.


-Não sei. É difícil me encontrar com você em segredo… sem ninguém saber! – disse Gina.


-Mas você prometeu que não me ia deixar.


-E não vou! Apenas temos de ter um pouco de paciência… e ninguém pode saber, caso contrário nos matarão na hora. – Gina disse, esboçando um sorriso. – Depois a gente se fala.


Gina soltou-se dos braços do loiro com um ultimo beijo, indo em direção à porta. Os seus passos eram vagarosos, esperando talvez que o tempo passasse mais lentamente.


-Como? – perguntou Draco.


-Você sempre soube como falar comigo. Acho que isso não será grande problema.

Olhou uma última vez para ele até que se foi embora, deixando um beijo solto no ar. Draco estava impressionado com tudo aquilo, ainda era algo difícil de acreditar. Havia sido uma noite maravilhosa, a melhor de toda a sua vida.

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Assim que chegou no dormitório, suspirou de alivio por ver as amigas ainda dormindo. Pelo menos não teria de ouvir perguntas impertinentes nem de dar explicações. Caiu sobre a cama e, durante algum tempo, permaneceu imóvel, apenas fitando o teto. Os seus pensamentos se perdiam em Draco e naquela noite. Havia sido tudo tão incrível que ainda punha a hipótese de estar sonhando. “Será que ele é mesmo assim ou só me está enganando?”, perguntava-se. No entanto, isso não importava para ela. Gina não queria tomar uma decisão precipitada de novo, por isso o melhor era deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem medos nem hesitações.


Após esses momentos de reflexão, se levantou, ainda com cara de sonhadora (fazendo até lembrar Luna), e decidiu tomar um banho quente e demorado. Não tardaria as suas amigas estarem acordando e ela queria ter, pelo menos, um banho descansado.


Quase uma hora depois, saiu do banheiro envolvida por uma toalha azul, deixando algumas gotículas de agua molharem o chão, ficando assim um rasto de agua até sua cama. Bella e Bea já estavam acordadas, ainda de pijama. Liza ainda dormia. Como sempre, era a última a acordar.


-Gina! A gente ficou preocupada! – disse Bea, sentando na cama da ruiva, com uma expressão de quem está esperando uma explicação.


-Eu disse que estava bem… - lembrou Gina.


-Mas podia ter acontecido alguma coisa, sei lá!


-Bea, não adianta tentar me fazer falar alguma coisa, porque eu já disse que não posso contar.


-Tudo bem, Gina. – respondeu um pouco amuada.


Após as quatro estarem prontas, desceram para o Salão Principal. Gina estava realmente faminta, já não sentia fome assim fazia muito tempo. Se sentou de frente para a mesa da Soncerina, mas Draco ainda não se encontrava lá. Esperava ansiosamente que ele chegasse. Como seria encara-lo, na frente de todo o mundo, depois de tudo o que aconteceu? Como seria conviver naturalmente com ele como se nada entre eles se passasse? Gina não sabia e essa ideia a atormentava um pouco. “Será que sou capaz de o tratar como antes, depois de tudo?”, pensava. Até que todos esses pensamentos sumiram, assim que ele entrou no Salão. Se sentou do lado de Nott e finalmente os seus olhos encontraram os de Gina. Sorriu abertamente, no que ela gentilmente retribuiu. Mas a ruiva logo desviou o olhar, não fosse alguém perceber.


-Oi, Gina! – falou Harry por detrás dela, quase no seu ouvido.


Ela estremeceu. Estava tão distraída que nem reparara que Harry tinha chegado. Ela olhou para ele um pouco sem graça. Já nem lembrava dele, muito menos da declaração que ele fizera no dia anterior. E, recordando tudo de novo, ficou um pouco embaraçada.


-Você está muito sorridente. Alguma novidade? – perguntou ele, fixando os seus olhos verdes em Gina, o que se havia tornado um hábito ultimamente.


-Não. – respondeu com indiferença.


-Gina, eu preciso falar com você. Será que dá para ficarmos um pouco a sós?


Harry se sentou do lado da ruiva, bem próximo dela. Gina olhou para Draco, que lançava um olhar mortal a Harry, e engoliu em seco. Teria de rejeitar da maneira mais precisa e objetiva que conseguisse.


-Harry, acho que não temos nada para falar… E eu tenho de resolver umas coisas assim que acabe o café.


Ele mais uma vez ficou desiludido com a ruiva. “Porque ela não me dá uma chance, por mínima que seja?”. Mas isso não o faria desistir.


-Gina, por favor, a gente precisa falar. Sabe, pelo que aconteceu ontem e…


-Não aconteceu nada ontem, Harry! – interrompeu Gina, sendo agora observada atentamente pelas três amigas - E espero que você tenha consciência que também não irá acontecer.


-Apenas cinco minutos… Por favor, Gina! – insistia ele.


Bella olhava para Gina com uma ponta de raiva e ao mesmo tempo surpresa. Não fazia ideia do que levava Gina a recusar-se falar com Harry. O mais obvio era não gostar dele. “E que importa? Ele gosta dela, nunca irá olhar para mim… De quem ela gosta não faz diferença nenhuma!”, pensava a morena. Porém, sentia uma súbita felicidade inunda-la. Se Gina não gostava dele, então talvez ela tivesse uma chance. Talvez aqueles ciúmes e inveja que sentia da amiga não passassem de um mero engano. Mas ainda assim não conseguia suportar a maneira como Harry a olhava.


-Harry…


-Cinco minutos, Gina!


-Tudo bem, cinco minutos e nada mais! – concordou ela.


Gina se levantou da mesa da Grifinória, seguindo Harry. Ele segurou no pulso dela, andando aceleradamente para fora do Salão Principal, ansioso de falar com ela longe de todos os olhares.


Draco, que ainda se encontrava na mesa da sua casa do lado de Nott, deixou-se inundar por um sentimento de ira. Não compreendia porque Gina estava acompanhando Harry, não sabia o porquê da pressa dele e não suportava vê-lo com ela. Tinha de correr atrás dela para se certificar que nada aconteceria entre eles. “Não, não posso fazer isso! Não posso demonstrar ciúmes dela. Não posso deixar que esse sentimento me domine!”, ordenava a si próprio. Mas não conseguia se convencer dos pensamentos inúteis que tinha. Ele não queria, mas já estava sendo controlado pelo ciúme de ver Gina com outro e pela raiva que sentia do Potter. Que, para piorar as coisas, estava “roubando” a garota que ele queria.


-Onde você vai? – perguntou Nott sem obter resposta, vendo Draco saindo apressado.


Bella, do outro lado do salão, demonstrava agora um intenso azul escuro, vazio e penetrante, nos seus olhos. Já não brilhavam como antes, quando era feliz com as amigas. Agora refletiam a visível raiva que sentia dentro de si. Mas porque sentia tanta raiva assim? E não era diretamente de Harry. Na realidade, a sua raiva era dirigida a Gina. Parecia obsessão.

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Harry entrou rapidamente numa sala. Não era muito ampla, apenas tendo dois sofás, que faziam um ângulo de 90º entre si, e uma janela enorme que deixava os raios de sol penetrarem na sala. A janela estava ligeiramente aberta, deixando uma leve brisa fria invadir toda a sala. Era a sala precisa.


-Aqui estamos à vontade. – declarou Harry, puxando Gina para perto do sofá. – Sente-se!


-Pois eu não me sinto assim tão confortável. – informou Gina, ainda de pé.


-Por estar sozinha comigo? – perguntou com um meio sorriso.


-Bem,… sim, por estar com você! – admitiu a ruiva.


-Eu não te vou fazer nada. Apenas vamos conversar.


-Fale, então! Eu não tenho o dia todo para estar com você, apenas cinco minutos.


-Eu… - Harry se aproximou dela, ficando cada vez mais perto do seu corpo. – Eu apenas queria que você me dissesse, assim nos meus olhos – continuou, pegando suavemente no queixo de Gina e fazendo-a olhar para ele. As suas faces estavam cada vez mais próximas – que você não gosta de mim. Que você já esqueceu tudo o que sentia por mim.


Gina não sabia como reagir. Estava surpresa, mas assustada. Temia que ele a beijasse. Não por ter medo de não resistir, porque com certeza resistiria, mas porque o seu pensamento apenas pousava em Draco. Eles não eram namorados, nem tinham sequer falado de como era o seu relacionamento. Mas ela sentia culpa de estar falando com Harry, estando ele tão próximo. Principalmente sabendo que Harry gostava dela e as suas bocas se distanciavam por escassos centímetros.


-Eu já disse que era tarde, Harry! – disse ela, tentando se afastar – Eu não gosto de você. Eu sinto muito por te dizer que o melhor é você me esquecer, mas é a verdade. Me esquece, se não quiser ficar magoado!


-Você gosta de outro – afirmou ele, com um olhar mais vazio – É isso, não é?


Ela não sabia o que responder. Sim, ela sentia que gostava de Draco. Mas não queria magoar Harry. Sabia que era difícil a sensação de amar alguém que não retribui esse sentimento. Ele próprio a tinha feito sentir isso. Contudo, ela não queria magoa-lo. Tentava imaginar como seria se Draco lhe dissesse na cara que gostava de outra. Com certeza sentiria vontade de desaparecer e nunca mais voltar. “Mas porque raio estou pensando nele agora?”


-Harry, apenas se convença que eu não gosto de você! – falou o mais firme que conseguiu.

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Alguns metros da sala precisa, encontrava-se Draco. A sua expressão era de raiva e ansiedade. Daria tudo para poder saber o que se passava dentro daquela sala. Ou melhor, daria tudo para poder ver com os seus próprios olhos. Mas assim que eles entraram, Draco deixou de ver a porta. Com certeza Harry tinha desejado não serem encontrados por ninguém. E mesmo que pudesse ver a porta, entrava lá e o que dizia? Não faria sentido algum. Apenas lhe restava esperar. E imaginar o que realmente se passaria entre os dois. “Não, ela não faria isso… Mas porque não? Nós não especificamos se tínhamos ou não algum compromisso. Basicamente, não temos.”, pensou, fazendo o seu estômago se contorcer ainda mais.


Decidiu se afastar. Mais tarde tentaria falar com Gina e exigir que ela explicasse tudo. Mas naquele momento não podia fazer absolutamente nada que interferisse ou impedisse a conversa, ou quem sabe algo mais, entre os dois.


-Draco? – soou uma voz por trás de si.


-Ah, é você – falou ele, olhando para Christina.


-Oh, que bom ver você de novo. Faz algum tempo que a gente…


-Tenho de ir! – declarou antes que ela pudesse terminar a frase.


-Espera! Não quer me fazer companhia?


-Não. – respondeu com frieza.


Ela ficou parada a olhar ele se afastando, até que Draco virou um corredor e deixou de o ver.


Draco não conseguia parar de pensar em apenas uma coisa. A conversa de Harry com Gina. Pela primeira vez estava sentindo algo que podia identificar como ciúmes. Pela primeira vez temia que uma garota o deixasse, principalmente para os braços do seu maior rival. E por mais que tentasse se afastar, sentia vontade de voltar e esperar que Gina saísse.

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-Eu não consigo aceitar isso. Eu amo você! – e mais uma vez se aproximou da ruiva. Mas desta vez, guiando a sua boca de encontro com a dela. Os seus narizes já se tocavam e Gina podia sentir a respiração com um ritmo incerto de Harry.


-Não, Harry! – disse, colocando as mãos no peito dele e o afastando, olhando fixamente os seus olhos – Eu não te amo. Eu não quero um beijo seu porque eu realmente não gosto de você.


O brilho dos olhos de Harry logo sumiu. A sua face adquiriu uma expressão de nítida desilusão. E essa expressão se vincou mais ainda assim que viu a ruiva abrindo a porta para sair.


-Eu não vou desistir de você, Gina! – foi a ultima frase que a ruiva conseguiu ouvir antes de fechar a porta.


Não sabia exatamente o que pensar. Se sentia triste por ter de dizer tudo aquilo a Harry. Mas tinha que o dizer porque essa era a verdade. E ele a obrigava a ter de a dizer de forma que ela considerava dura. Odiava ter de lhe dizer com todas as letras que não o amava. Caminhou alguns metros ainda pensativa. Porém, todos os seus pensamentos foram afastados quando sentiu alguém a puxando.


-Precisamos falar! – falou Draco com ar sério.


-Mas…


Ele agarrou no braço dela e a levou para dentro de uma sala vazia. O sitio era mal iluminado, mas a pouca luz que invadia a sala era suficiente para ela conseguir ver a expressão fria no rosto dele.


-Me explique! Me explique o que estava fazendo com o Potter naquela maldita sala! – disse com voz elevada, deixando Gina surpresa pela reação dele.


-Como você sabe?


-Como eu sei? Então não era para eu saber? Eu sei porque eu vi, oras!


-Para de falar comigo assim! – exigiu ainda indignada pela forma como ele estava reagindo.


-Não enrola! Diz logo o que estava fazendo com o nojento do Potter.


-Apenas conversando – respondeu com serenidade.


-Conversando? Como você quer que eu acredite nisso?


-Se você confiasse em mim, você acreditaria!


-Não dá para acreditar, Gina. Eu vejo muito bem o jeito que ele te olha. Eu sei muito bem que ele gosta de você – disse Draco, bastante irritado. Tinha tudo entalado na garganta. Agora estava mais aliviado, mas ainda assim havia qualquer coisa que o sufocava. – E eu não sei se você gosta dele também.


Gina pareceu perder toda a indignação do seu olhar, substituindo por um sorriso doce em seus lábios. “Ele está com ciúmes!”, pensou.


-Quer saber? Ele se declarou para mim. – disse ela, deixando Draco mais irritado ainda – Mas não foi hoje. Foi ontem! E sabe o que eu fiz?


Draco não sabia o que dizer. Não fazia a mínima ideia de onde Gina queria chegar com aquela conversa. Apenas a fitou sem resposta.


-Eu fui ter com você! Ele me tentou beijar, mas eu não deixei. Porquê? Porque eu queria estar com você e não com ele.


Na face de Draco podia se ver cada vez mais surpresa. Um sentimento positivo nascia de novo no seu peito, ao concluir pelas palavras da ruiva que ela não gostava de Harry.


-Acho que isso é motivo suficiente para você acreditar em mim. – concluiu com um sorriso, aproximando-se mais dele.


O loiro não sabia exatamente o que sentir, mas num impulso puxou a ruiva pela cintura e a envolveu num beijo insaciável. Fizera uma tempestade num copo de água. E só depois se apercebeu que estava sendo um idiota, pois estava na cara de que ela não gostava de Harry. Agora apenas queria senti-la por completo nos seus braços, numa tentativa de assegurar que ela era dele e de mais ninguém.


-Draco, aqui não! – disse ela, sentindo as mãos do loiro levantarem sua blusa. – Nem aqui, nem agora.


-Não importa. Nem o lugar nem a hora. Eu te quero!


-Não, Draco. – insistiu tentando se soltar dele – Não torne as coisas mais difíceis…


Ele entendeu que ela tinha um pouco de razão e se afastou, ficando ainda próximo da ruiva. Tinha que se segurar para não cair na tentação de a beijar novamente.


-Parecia briga de namorados!... – disse Gina, rindo.


-É… parecia. – respondeu, pensando onde ela queria chegar. Estaria sugerindo que fossem namorados? Na verdade, apenas faltava o pedido, porque eles agiam como se fossem.


-Bem, eu tenho de ir. A gente se vê depois. – afirmou Gina, deixando a sala e Draco para trás.


Cada um tomou o seu rumo. Era assim que as coisas tinham de ser. Não podiam simplesmente estar juntos quando quisessem. Se queriam manter segredo, teriam de ser pacientes o bastante para aguentar se separem mesmo nos melhores momentos, para cada um tomar seu rumo. Era o preço que tinham de pagar por gostarem um do outro, com todas as suas diferenças. Injusto, mas era a realidade.

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-Gina, tanto tempo! – disse Liza, vendo a ruiva entrar na sala comunal – Pareceu-me ouvir que eram apenas cinco minutos…


Gina noutra altura teria ficado irritada por se meterem na conversa que ela tinha com outras pessoas. Mas naquela altura isso não interessava. Estava feliz demais para se chatear com tão pouco.


-Então, conte! Como foi a conversa com o Harry? – perguntou Bea animada – Pelo seu sorriso eu diria que foi muito boa…


-Não, a conversa com Harry não foi nada demais. – falou ainda sorrindo.


Bella era a única que parecia lançar um olhar de morte a Gina. E a ruiva reparou que ela a olhava de forma muito estranha. Parecia que tinha raiva.


-Então porque está tão feliz? – perguntou Bea.


-Eu não estou feliz. Estou normal. – disse mas por mais que quisesse não conseguia disfarçar o brilho dos seus olhos.


-Está feliz sim! Está escrito nos seus olhos e nesse sorriso bobo… E se bem a conheço, isso tem a ver com um garoto. E presumo que seja o Harry.


Nesse momento, Bella mandou o livro que tinha na mão contra o chão e saiu da sala comunal. Gina não percebeu a atitude dela, mas tinha que descobrir. Então, se levantou também e correu atrás dela. Bea e Liza apenas olharam uma para a outra, em busca de uma resposta.


Entretanto, Gina tentou acompanhar o passo apressado de Bella, até que a alcançou, já depois do retrato da Mulher Gorda. Agarrou no braço dela e a puxou bruscamente.


-Me larga, sua…


-Sua? – perguntou Gina um pouco surpresa.


-Sua… oferecida! – falou Bella cerrando os dentes.


Gina ficou surpreendida. “Porque ela está assim comigo? Será que eu fiz alguma coisa de errado?”


-Você está doida? Eu te fiz alguma coisa para você falar desse jeito comigo?


-Você é tão falsa que até enjoa, Gina! Eu te odeio! Você sempre acha que é a melhor em tudo, né? Sempre consegue tudo.


-Eu não estou entendendo – disse a ruiva confusa – Porque você diz isso? Eu fiz alguma coisa?


-Você nasceu, Gina! Esse é o problema. Todos adoram a linda, a maravilhosa, a incomparável e perfeita Gina! E você adora isso. Você nem olha a volta para ver que faz sofrer outras pessoas… Você é muito egoísta!


E dizendo isso, soltou-se das mãos de Gina e saiu correndo. A ruiva permaneceu parada, surpresa e revoltada, olhando na direção pela qual Bella havia desaparecido. Nunca tinha pensado que uma amiga podia ferir tanto o seu coração. Como ela poderia ter dito aquilo tudo? Aquelas palavras doíam. Gina começou sentindo uma raiva crescente dentro de si, até que parou para pensar. E se ela realmente fosse como Bella disse? “Não, eu não sou assim! Eu me preocupo com as pessoas”. Até que pensou em Harry e a sua consciência pesou ainda mais. Será que o tinha magoado assim como se sentia magoada com Bella?




N/A - prnt aki esta o 9º... axu k esta mt sem graça mas.. nao tive melhores ideias para est capitulo.. ^^ as ideias k tinha eram todas para uma parte mais avançada da historia por isso teve k ficar assim.. e so Merlim sabe as vezes k eu apaguei e escrevi de novo esse capitulo...^^ bm espero k komentem..

Respondendo aos comentarios:

Miaka-ELA - k bom k vc gostou..^^ eu fikei com vontade de escrever algo bom depois dakele capitulo triste (o 7º).. entao nao descansei ate escrever o 8º.. e depois para este (o 9º) parece k tds as minhas ideias sumiram.. nao tive muita inspiraçao..

Juliana Malfoy Slaviero - eh eu ja li o capitulo novo..^^

carolbacelar - ^^ brigada... adoro spr os seus comentarios.. ker dizer eu adoro todos os comentarios mas vc elogia spr muito^^... e brigada pelas ideias k deu pa fic.. eu ja agradeci no msn mas agradeço aki d novo^^..

Mary Malfoy - k bom k gostou... tb gosto mt da sua fic.. espero k leia o resto da minh qd tiver um tempinho^^

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