Nervos à Flor da Pele

Nervos à Flor da Pele



Aquele dia amanheceu com um gostinho amargo para Rony. Nunca em toda a sua vida ele tinha se sentido tão traído como ele se sentia agora. A cena de Hermione soltando risinhos, sendo abraçada por Draco não saía de sua cabeça. A vontade que ele tinha era de ir até a masmorra da Sonserina e puxar Draco da cama para encher aquele rosto pálido de socos até ele se arrepender de ter encostado as mãos em Hermione.

E Hermione... “Como é que ela teve a coragem de se deixar levar por aquele crápula?”. Tudo o que Rony queria era apagar aquelas imagens de sua cabeça, mas não conseguia. Ele iria puxar Hermione para ter uma conversa e dizer a ela tudo o que estava sentindo. O que ele sentira quando a viu dançando com Victor Krum há dois anos nem se comparava com o que ele estava sentindo agora. Hermione tinha lhe traído a amizade.

Assim que a aula de DCAT terminou, Rony se levantou rapidamente da mesa e foi ao encontro de Hermione.

- Eu quero conversar com você.

- Comigo? – Espantou-se Hermione com a expressão no rosto de Rony.

Havia semanas que eles não se falavam direito. Hermione não esquecera a noite que ele a deixara sozinha após tê-la pedido para estudar, simplesmente por causa de um ciúme doentio de Lilá.

- Está bem, então – ela respondeu secamente.

Rony nada disse. Ele simplesmente girou nos calcanhares esperando que a amiga o acompanhasse. Assim que chegaram a um corredor por onde poucas pessoas passavam, ele parou e se virou para ela sem conseguir encará-la direito.

- Er... O que você estava fazendo ontem à noite? – perguntou o ruivo.

- O-ontem? Como assim? – Hermione sentiu o rosto corar.

- Você sabe. Ontem às nove horas da noite.

- Ah, er... Hum... Ah! Lembrei! Eu estava estudando na biblioteca. – mentiu.

Rony balançou a cabeça lembrando-se do que tinha presenciado.

- Você não tem nem coragem de admitir, né? – disse Rony, com muita raiva.

- Coragem de admitir o quê, Rony? – Hermione começou a sentir o medo de ter sido descoberta. E se ele a tivesse visto? O que ela faria?

Rony socou a parede atrás dele e se virou para enfiar a mão direita nos cabelos enquanto abaixava a cabeça. Ele não conseguia nem dizer o que viu.

- Rony... O-o que é que você está querendo dizer?

- COMO ASSIM O QUE É QUE EU ESTOU QUERENDO DIZER, HERMIONE? – a garota se espantou com o grito. – Você tem certeza que não tem nada a me dizer? Aliás, a dizer a mim e ao Harry? E a todos os seus amigos grifinórios?

Hermione engoliu em seco. Ela começou a sentir lágrimas que queriam descer sobre a face, mas ela não iria permitir.

- É... – disse Hermione, com a cabeça baixa. Ela não sabia por onde começar.

- Eu não te reconheço mais, Hermione. – disse Rony, com cara de nojo. – Qualquer garota seria capaz de fazer isso... Mas você?

- Como assim eu? – Hermione já estava chorando. As últimas palavras de Rony realmente lhe machucaram. Ela nunca tinha se sentido a pior das criaturas, como se sentia agora.

- Você... você era nossa amiga! Mas agora... O que é que você quer do lado dele? O quê?

- Mas eu ainda sou sua amiga!!

Mas Rony balançava a cabeça negativamente, enquanto Hermione chorava sem parar.

- Imagina se Harry descobre uma coisa dessas?

- Ele ainda não sabe? – silêncio. Rony levantava o rosto para analisar a amiga que ele não mais reconhecia para logo em seguida baixar o rosto triste. – Mas como foi que você descobriu?

- Isso não importa agora.

- É claro que importa! Você tem que me dizer como foi que descobriu!

- Tudo bem, eu digo, sim. Eu estava no meu direito!

- No seu direito? – Hermione balançou a cabeça desaprovadoramente.

- Direito, sim! Bem... Há muito tempo que eu venho percebendo esse seu comportamento estranho. Essas suas sumidas todas as noites. E então eu... pedi a Capa da Invisibilidade ao Harry.

- Você o quê??? – perguntou Hermione brava.

- Sim! Eu lhe persegui ontem com a capa!

- Eu não acredito que você fez isso! Não acredito mesmo!

- E quem é você para desaprovar ou não alguma coisa aqui?

O sentimento de culpa que Hermione sentia no começo da conversa mudou rapidamente para um sentimento de fúria. Ele não tinha o direito de lhe perseguir! E tudo o que o ruivo dizia ali lhe machucava profundamente, de uma maneira que ninguém o fizera antes.

- Eu não sei como consegui ser sua amiga durante esses seis anos! Ninguém tem o direito de me tratar assim, ouviu bem? – disse Hermione, com o rosto molhado de lágrimas e a mão apontada para o rosto de Rony. – NUNCA MAIS dirija a palavra para mim! Eu fui clara?

E, com o sangue subindo a cabeça, Hermione saiu correndo daquele corredor em direção ao quarto feminino da Grifinória.

Rony deu mais um soco na parede grossa ao seu lado e em seguida, deslizando as costas na parede, se sentou com os braços apoiados nos joelhos. O ruivo repassou toda a conversa em sua cabeça e reconheceu que tinha extrapolado um pouco. Mas não se arrependia por completo. O que Hermione tinha feito era imperdoável. E, repentinamente, sentiu um choro preso na garganta. Uma vontade de chorar assim ele nunca tinha sentido por nenhuma garota antes. Agora ele a tinha perdido.


Hermione passou o resto do dia trancada no quarto. Pela primeira vez, desde que chegara a Hogwarts, a garota se sentiu completamente indisposta para assistir às aulas. Nem para o almoço ela apareceu. Já estava morrendo de fome, quando resolveu pegar um sapo de chocolate na bolsa e descer para o salão comunal para espairecer um pouco, rezando para que não encontrasse Rony.

- Mione? – disse Gina, sentada em uma poltrona perto da lareira. – Você está bem?

- Ahn? É. Sim! Estou ótima, Gina! Por quê?

- É que você está com os olhos inchados...

Hermione não tinha percebido isso, mas o inchaço só deve ter se dado graças ao seu choro incontrolável naquela tarde. Gina já tinha se levantado da poltrona e começou a passar as mãos sobre o cabelo de Hermione, percebendo que a amiga não estava bem, quando esta lhe abraçou e começou a chorar novamente.

- Vamos subir para o quarto? Você quer me contar alguma coisa, Mione? – perguntou Gina preocupada.

Hermione enxugou as lágrimas e, se soltando do abraço, respondeu com um balançar positivo de cabeça. As duas subiram as escadas que levavam aos quartos e se direcionaram para a cama de Gina. Hermione sentou-se silenciosamente e Gina sentou-se ao seu lado, em seguida.

- Me desculpa, Gina... – começou Hermione.

- Que é isso, Mione! Você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa! Outro dia desses, estávamos numa situação parecida. Só que foi você que me ajudou, lembra?

- É, lembro... – respondeu Hermione, lembrando-se do dia em que encontrou Gina chorando no salão comunal, graças a Harry.

- Então... O que foi que aconteceu?

- Eu nem sei por onde começo, Gina... Estou me sentindo envergonhada, triste e com muita raiva ao mesmo tempo, sabe.

- Nossa! Quanto sentimento ruim, Mione. Mas me fala... O que te fez se sentir assim?

E Hermione acabou contando. Tudo. Desde o dia em que Rony brincara com seus sentimentos, dando-lhe um beijo inesperado até aquela conversa desconfortável. Gina se espantava com cada detalhe contado pela amiga. Nunca imaginaria que tudo aquilo poderia estar acontecendo sem que ela sequer percebesse.

- Você está saindo com Draco Malfoy?

- É... Mas por favor, não me olhe desse jeito...

- Que é isso, amiga! Quem sou eu para julgar alguém? Eu não estive na sua pela para saber o que a levou a isso. Tenho certeza que você simplesmente não se acordou um dia com vontade de se revoltar e dar um beijo em Malfoy. Imagino que tudo deve ter ocorrido de maneira a te levar a esse destino. E acho que ninguém tem o direito de te julgar, sabe.

- Nossa... Você falando desse jeito deixa as coisas parecerem tão mais fáceis!
Gina sorriu.

- Bem, Mione... Acontece que essas palavras não foram só para você.

- Como assim?

- Er... A conversa aqui é sobre você, Mione! Continue o desabafo. Eu sou toda ouvidos!

Hermione agora parecia ter esquecido o que tinha se passado com ela, e começava a ficar muito curiosa para o que Gina poderia ter para falar.

- Nada disso, Gina! Não desconverse! O que foi que aconteceu?

- Ai, Mione... Eu não queria falar disso, mas... Acho até que estou precisando, sabe.

- Foi o Harry de novo? – perguntou Hermione.

- Er... É tão óbvio assim, é? – as duas agora soltaram risinhos. – Foi o Harry, sim. Como sempre, não é mesmo? Bom... O motivo de eu ter acabado meu namoro com o Dino foi porque eu já não conseguia controlar meus sentimentos pelo Harry. Eu já não gostava mais do Dino, entende? E aquela paixão que um dia eu tive pelo Harry voltou com toda a força e eu já não conseguia mais deixar de pensar nele...

- E o que foi que aconteceu depois? – perguntou Hermione curiosa.

- Bem... Eu fui um dia me declarar para ele, mas antes mesmo que eu começasse, ele veio com um papo de que nunca gostou de mim, me pedindo desculpas por ter tentado me beijar naquele outro dia e... no outro dia ele me apresentou a namorada dele.

- Nossa...

Hermione lembrou-se da conversa que tinha tido com Harry. Nunca imaginou que um dia ele fosse se tornar esse garoto insensível que magoa todas as garotas com quem já esteve junto. Ela imaginava que talvez assim tenha sido melhor para Gina. Um dia ela iria esquecê-lo e estaria livre dele para sempre.

- Por que a gente tem que gostar logo dos que não prestam? – comentou Gina e as duas riram entre lágrimas, mais uma vez.




Luna já tinha uma auto-estima muito baixa e agora que descobrira o motivo de Ernesto estar sumido, a garota se sentia a pior pessoa da face da Terra. Assim que suas aulas acabaram naquele dia, ela foi até o corredor onde havia a entrada da Lufa-lufa para ter uma séria conversa com Ernesto.

O problema era que ela não sabia a senha da Casa e não tinha permissão para entrar nela. Teve que esperar pela primeira pessoa que passasse para pedir gentilmente que ela entrasse novamente e chamasse Ernesto.

Poucos minutos depois que ela estava lá, uma garota sorridente saiu animada.

- Oi! Com licença... Er... Qual o seu nome, por favor?

A garota olhou surpresa e respondeu:

- Susana Bones. E você?

- Ah, eu sou Luna Lovegood da Corvinal. Será que você poderia me fazer um favor?

- Claro!

Minutos depois, Susana havia voltado ao lado de Ernesto McMillan, que parecia bastante estupefato. Luna agradeceu a garota e pediu que o amigo lhe seguisse até um lugar mais reservado.

- Então é assim que você respeita as garotas com quem sai? Você fica com elas e depois quando se cansa, simplesmente pára de ir atrás?

- Lógico que não, Luna! O que é isso que você está dizendo? Eu ia atrás de você, sim. É que essa semana eu estive bastante ocupado.

- Ah... ia?

- Ia, sim. Mas eu queria conversar com você, sabe...

- Sobre o que? – Luna já estava preparada para ouvi-lo dizer qualquer desculpa, mas já sabia o verdadeiro motivo de seu afastamento.

- Bom, eu queria te falar que não vai dar mais pra gente ficar junto... Porque...

- Por que, Ernesto? Pode falar!

- É que uma pessoa muito querida para mim está precisando da minha ajuda e eu não poderia negar, então...

- Ah, claro! Você não pode deixar a pobre Jessie desamparada, não é mesmo?

- Ã? O que é que você sabe? – perguntou Ernesto assustado.

- A sua “pessoa querida” deixou escapar o seu plano para lhe afastar de mim...

- Como assim, plano?

- E pelo visto você caiu direitinho, né... – Luna balançava a cabeça indignada.

- Eu ouvi a Jéssica comentando com uma amiga que inventou uma história de problemas de família para você, só para você deixar de sair comigo. Você caiu feito um patinho e ainda me usou!

Dito isso, Luna saiu correndo. Ela se sentia muito chateada pelo que a acontecera e o problema é que ela já tinha começado a gostar realmente de Ernesto.




O café-da-manhã do dia seguinte não poderia ter sido mais estranho. Hermione foi a última a chegar e sentou-se ao lado de Harry. Rony mal a olhou quando ela disse um “bom-dia” quase sem som. E o café prosseguiu em verdadeiro silêncio interrompido apenas pelo barulho de garfos e facas.

Não é que o clima entre Rony e Hermione estivesse maravilhoso antes do que ocorrera no dia anterior, mas dessa vez os dois pareciam estar brigados com o mundo inteiro. Só respondiam o necessário e as pessoas ao redor já estavam percebendo a situação. Harry preferia não interferir, mas Lilá quis saber o que se passava, quando estavam a caminho da primeira aula do dia.

- Roniquinho... Que velório foi aquele no café-da-manhã? – ela perguntou a ele reservadamente.

- Ã? Velório?

- É, você sabe. Que clima estranho aquele!

- Ah... É que existe uma traidora entre nós.

- Traidora? Como assim? – Lilá não entendia onde o namorado queria chegar.

- Hermione. Ela está se encontrando com o nosso pior inimigo. E só por isso já a considero uma traidora.

- Não entendi. Com quem ela está saindo?

- Malfoy – disse Rony, cuspindo no chão, em seguida.

Lilá abriu a boca em espanto.

- Mas ela está saindo com ele do tipo namorando?

- É. Exatamente.

A garota parou exatamente onde estava, analisando o que tinha acabado de escutar. Rony, ao perceber que continuara andando sozinho, olhou para trás e foi até a namorada.

- Por que você parou?

- E-esse tempo todo e eu não percebi... – ela olhava para Rony indignada.

- O que é que você está falando? – Rony parecia perdido.

- Você SEMPRE gostou dela! Por que simplesmente não me falou antes? Teria sido bem mais fácil!

- Espera aí! O QUÊ?

- É! E não se faça de desentendido, Rony! – a coisa estava realmente estranha, porque Lilá nunca chamara o namorado pelo nome. – Você está roxo de ciúmes dela!

- Mas é lógico que não! Você está ficando louca!

- Nosso namoro está acabado, Rony Weasley. Acabado! Agora você pode sofrer de ciúmes mais à vontade!

Lilá pareceu desistir de assistir à aula, porque ela deu meia-volta e foi para algum outro lugar. Rony não sabia ao certo o que fazer. Ele já estava lidando com muitos problemas para ter que aturar mais crise de ciúme doentio da namorada. Mais tarde ele iria conversar com ela com mais calma para ver se ela tinha desistido dessa idéia maluca.




N/a: Ah, gente! Espero que vocês estejam gostando tanto dessa fic como eu!
E os comentários de vocês estão cada vez melhores! Adoro o carinho de vocês, viu? Espero que continuem me dando sugestões, críticas e apoio!
Ah, e muita confusão ainda vem por aí! Aguardem o próximo capítulo ;)
Bjos!
Lina Bars.


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