Desligada e lunática



Draco andava pelos vagões do trem de Hogwarts como se desejasse estar em qualquer lugar, menos ali. O garoto procurava uma cabine vazia, pois talvez fosse rejeitado pelos seus "amigos" devido aos recentes acontecimentos envolvendo Lúcio Malfoy, e Draco achava que a rejeição seria uma experiência desnecessária.

Depois de muito andar, o garoto finalmente achou uma cabine que, apesar de não estar vazia, estava ocupada apenas por alguém que se escondia atrás de uma revista, e que Draco considerou inofensiva.

- Hum...com licença, todas as outras cabines estão cheias, então...bom, eu pensei que talvez...talvez eu pudesse me sentar aqui - perguntou um Draco meio desconcertado, afinal, fazia anos que o garoto não precisava praticar a "arte da boa educação".

A pessoa não respondeu. Draco imaginou se ela sequer teria percebido que ele se encontrava dentro da cabine, e já levemente irritado com a falta de atenção do ocupante da cabine, levantou um pouco o tom de voz e voltou a perguntar:

- Por favor, as outras cabines estão ocupadas, posso me sentar aqui?

A pessoa abaixou um pouco a revista, parecendo notar pela primeira vez que alguém, além dela, estava na cabine, o que era um feito, pois Draco se encontrava a menos de um metro dela.

- Vivemos em um país livre - respondeu simplesmente, antes de voltar a se esconder atrás da revista que lia da ponta cabeça.
Antes de ela voltar a se esconder atrás do exemplar de "O Pasquim" que lia,

Draco pôde notar que se tratava de uma garota de grandes e profundos olhos azul-turquesa, um pouco saltados por sinal e longos cabelos loiro-acinzentados , que conservavam a aparência de não terem sido aparados nos últimos cinco anos. Não era uma garota feia, mas conservava um estranho ar surpreso, que fazia a garota parecer meio lunática, possivelmente porque a garota guardava a varinha atrás da orelha e lia uma revista de cabeça para baixo.

- Então, quem é você? - perguntou a garota, de repente.

- Draco, Draco Malfoy - por estranha razão, que ele não conseguia explicar, Draco sentiu, pela primeira vez na vida, um certo alívio por alguém não saber quem ele era.- E você? Qual seu nome?

- Luna, Luna Lovegood, ou Di-Lua Lovegood...talvez você já tenha ouvido esse apelido, algumas pessoas me chamam assim, sabe, me acham meio...lunática.

Aquele apelido realmente era familiar ao garoto, afinal o passatempo preferido de Crabbe e Goyle era esconder os pertences da garota e vê-la pregar avisos sobre os pertences desaparecidos nos quadros de aviso de Hogwarts.

- E você? Qual é o seu problema? Você não me parece muito feliz...

- Não é da sua conta - respondeu o garoto, fazendo a sua parcela Malfoy, que até aquele momento se encontrava adormecida despertar.
Draco achou que havia sido demasiado grosso com a garota, mas ela pareceu não se importar, deu de ombros e voltou a se esconder atrás da revista que estava lendo.

O resto da viagem até a estação de trem foi tranqüila, muda. Ignorando os comentários que já tinha ouvido sobre a sanidade mental da garota, Draco estava começando a considerar Luna uma ótima companheira de cabine, principalmente pelo fato de que ela quase não falava. Era bom ter alguém ao seu lado, melhor ainda porque não teria que responder a mais perguntas embaraçosas sobre a prisão de seu pai, que o garoto tinha se habituado a ignorar.

O silêncio só foi quebrado quando faltavam quinze minutos para a chegada na estação, e Luna comunicou ao garoto que era melhor que eles trocassem as roupas trouxas pelos uniformes de Hogwarts.Com breves "nos vemos por aí", os garotos se despediram e tomaram o caminho para as carruagens que os conduziriam ao castelo; Luna com Gina e Neville, e Draco sozinho.

Lá no fundo, Draco desejava que Luna não tivesse ido se juntar com os colegas e ficasse mais um tempo com ele. Mas isso ia totalmente contra a natureza dos Malfoy: ele nem ao menos tinha perguntado sobre a família da garota! E se ela não fosse puro-sangue? Na opinião de Draco, ele poderia, sem saber, estar "confraternizando com o inimigo", e essa idéia o aterrorizava. De repente, sua parcela Malfoy voltou a ativa, e ele se viu pensando em qual imagem fariam dele, o famoso Draco Malfoy, se o vissem andando com uma garota de indiscutível impopularidade, que julgavam ser lunática, e que poderia até mesmo não ser puro-sangue, o que ia totalmente contra os "princípios" da família dele.

- Ei, Draco! Dracooo!!! Uhuu!!

Uma voz esganiçada e irritante o despertou de seus pensamentos. Ele se virou e viu Pansy Parkinson abrindo caminho pela multidão de alunos do salão principal para se juntar a ele.

- Ai, ufa, ainda bem que te encontrei...eu te procurei por todos os vagões do trem, onde você estava?

- Eu...ah...eu estava em uma vagão - respondeu Draco, julgando desnecessário falar à garota que estava em companhia de Luna Lovegood.

- Não seja bobo Draquinho, é claro que você estava em um vagão, mas eu te procurei por todas as cabines que os sonserinos geralmente usam e você não estava em nenhuma. A menos que...você não estava com nenhum babaca de outra casa estava?

- Claro que não, olha bem pra minha cara, Pansy! Você acha que eu ando com pessoas que não estejam ao meu nível? -mentiu ele, um pouco deprimido, tentando parecer mortalmente irritado.

- Não, não, claro que não, eu só perguntei...

- Nunca mais volte a perguntar essas...essas inutilidades a mim , ouviu bem, Parkinson? Além de eu não ser obrigado a responder esse tipo de pergunta inútil, eu não lhe devo satisfações, Ok?

- Claro, claro Draquinho...eu...me desculpe.

- Tá bom, tá bom, sem melodrama agora, e vamos andando, a seleção começa daqui a pouco, e somos monitores, temos que indicar o caminho para as malditas criancinhas...

Draco tentava reunir toda a arrogância que conseguia para usa-la contra Pansy, talvez para mostrar a ela que a prisão do pai não tinha o abalado. Mas no fundo, Draco sentiu um imenso alívio por saber que Pansy não tinha se afastado dele. No geral, a maioria dos sonserinos haviam cortado relações com ele e com os outros garotos que tinham pais Comensais da Morte, pelo fato de não denunciarem a intimidade que tinham com a família dos garotos, evitando assim eventuais suspeitas do ministério. Mas Pansy não. Draco tinha certeza que os pais da garota a haviam alertado sobre as desvantagens da sua amizade com Draco, mas ela havia preferido continuar amiga dele, ou não o teria procurado.

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