Caça às Horcruxes




Harry e Hermione estavam no salão comunal esperando Rony, que conversava com Gina a um canto. Os dois se entreolharam preocupados, Gina não costumava ser tão atenciosa com o irmão, o que já era um reflexo da gravidade da missão.

-Vamos? Está na hora. –Rony fala com ar confiante, ao se aproximar dos amigos.

-Vamos! –Harry fala afastando a tensão.

Os quatro seguiram em silêncio pelos corredores desertos, a capa da invisibilidade estava com Gina e a todo o momento eles verificavam o mapa do maroto para continuarem em segurança. Assim que chegaram ao saguão, encontraram Draco os esperando.

-Fique alerta, Gina, e não tire a capa! –Harry sussurrou a instrução para a ruiva, que assentiu antes de seguir para a sala onde marcara de se encontrar com Luna.

-Prontos? –Draco pergunta e todos assentem antes de seguirem para o jardim.

Atravessaram o jardim sem problemas. Chegando ao portão de Hogwarts, levitaram um ao outro para poder sair sem disparar nenhum alarme, então caminharam alguns minutos para poderem aparatar. Draco que já possuía licença, assim como Harry e Hermione, aparatou com Rony para o centro de Londres, enquanto Harry e Hermione aparataram juntos para a Escócia.

Draco olhou em volta e viu que não havia ninguém na rua. Voltou seu olhar para o beco onde aparatara e fez uma careta ao ver Rony por para fora o jantar. Tudo bem que o ruivo não gostasse de aparatar, mas aquilo era nojento.

A passagem se abriu lentamente revelando um túnel escuro que descia bem abaixo do nível do chão. Draco e Rony notaram escadas de madeira aparentemente muito velhas, o primeiro a entrar fora o ruivo, em seguida veio Draco, que ao pisar na escada, ouviu um barulho e olhou para trás, a passagem se fechara muito rapidamente os trancando ali dentro, lançando agora o local em uma escuridão intensa.

_ Lumus . -Disse Rony levantando a varinha e logo um feixe de luz saiu da ponta da mesma, iluminando melhor o local, apesar de não iluminar muito a frente. Observou a parede de pedra escura e notou que a escada não tinha nenhum corrimão e descia de forma circular até um ponto onde a luz não iluminava.

_ Flame . -Falou Draco chamando a atenção do ruivo, então várias tochas se ascenderam iluminando um pouco melhor o local, mas ao menos dava pra ver onde se pisava. _Preste mais atenção Weasley. -Falou Malfoy em tom superior.

_Quer descer a escada rolando? -Pergunta Rony em tom de ameaça e seus olhos demonstravam o quão realmente queria fazer aquilo com o loiro. _Cuidado onde pisa, essas escadas estão podres. -Disse Rony, então ambos começaram a descer as escadas com cuidado, a madeira ruim rangia sob o peso deles.

Estavam descendo há quase dez minutos quando o Weasley ouviu um barulho seco, olhou para trás e agiu sem pensar, apenas agarrou Draco pelas vestes e puxou-o pulando dois degraus, então, uma parte das escadas se desprendeu da parede, a madeira arrebentara e ruíra, mais uma vez o barulho seco chamou a atenção do ruivo.

_Ta esperando um convite? Corre! -Falou Draco em tom apressado, ambos começaram a descer o mais rápido possível as escadas, atrás deles os degraus iam estourando e a escada caindo, não souberam quanto tempo correram, mas deram graças ao verem que aparentemente faltava apenas dois metros para o chão. A alegria não durou muito, a madeira finalmente estourara debaixo de seus pés, fazendo-os cair de costas no chão, ambos soltaram gemidos de dor e Rony disse um palavrão. Quando abriram os olhos, viram aquele monte de madeira vir em sua direção. _ Protego . -O feitiço fora invocado com rapidez e tanto Rony quanto Draco respiraram aliviados.

A chuva de madeira parou e eles notaram que apenas um túnel tinha a entrada livre e iluminada. Rony fez um feitiço se livrando dos escombros perto deles e abrindo caminho até aquele túnel. Entraram e recomeçaram a andar de forma lenta, não falaram nada pelo caminho, até por que Rony não iria agradecer ao loiro nem morto e o loiro tinha a mesma visão. O clima entre os dois não era dos melhores e depois do que pareceu quase duzentos metros percorridos, eles pararam confusos, o túnel se dividia em três partes, uma passagem a frente uma a esquerda e outra a direita.

_Por aqui. -Falaram ao mesmo tempo, cada um apontando por uma direção diferente.

_Na dúvida, vamos pela que sobrou. -Draco fala dando de ombros, seguindo pelo túnel do meio.

Rony o seguiu e notou que agora o túnel começava a fazer muitas curvas, as paredes se afastaram um pouco, aquilo estava lhe parecendo um labirinto. Ouviu algo como pedra se movendo, mas achou que estava apenas imaginando coisas. Tropeçara em algo e quase caíra no chão, se apoiou na parede amaldiçoando o que quer que o fizera tropeçar, mas quando olhou o que era, viu ossos. Alguns com pedaços de carne podre, eram ossos grandes demais para serem de ratos ou animais trouxas que viveriam naquele lugar, então olhou para trás e se espantou mais ainda.

Draco que não ligara, continuara andando até que ouviu a exclamação de surpresa do ruivo e olhou para trás, estava a cinco metros do companheiro de missão, mas mesmo assim o espanto era o mesmo, o caminho que eles usaram não existia mais. Havia apenas uma parede sólida no local, então as paredes ao redor começaram a tremer fortemente e, em algumas partes, passagens se abriam mostrando longos corredores.

_Que lugar é esse? -Rony resmungou consigo. Depois fez sinal para que Malfoy se aproximasse, este o fez e olhou para onde o ruivo apontava. Não poderia conter a careta involuntária de nojo ao ver aqueles ossos com pedaços pequenos e grandes de carne podre, reconheceu um dos ossos e não lhe agradou nada aquilo. _De que animais são?

_ São ossos humanos. -Falou Draco agora dez vezes mais alerta, sentiu um arrepio gélido descer por sua espinha e não encarou os olhos do ruivo. _Um fêmur humano e, ali no canto, uma mandíbula. O que quer que esteja aqui, se alimenta de humanos, por que pelo que vejo não há restos de nenhum outro animal grande ou pequeno.

_Vamos nos apressar, temos que sair daqui rapidamente. -Falou Rony apressado, e Malfoy não discutiu. Ambos correram pelo túnel e quando viram ao longe que não tinha saída, viraram em uma bifurcação e correram mais ainda. Agora o túnel estava cheio de bifurcações e passagens sem saída, depois de um tempo ambos estavam sem fôlego e pararam trêmulos, de certa forma assustados. _Um labirinto... só pode ser! -Fala Rony entre uma puxada e outra de ar. _Entramos em um maldito labirinto!

_Vamos atravessar essas paredes. -Disse o loiro parando em certo ponto e fazendo Rony pensar por um instante. _ Reducto . -Disse o loiro apontando para uma das paredes, uma forte explosão o lançou de encontro à parede oposta, mas a parede que recebera o feitiço estava intacta.

_Idéia brilhante. -Zomba Rony tocando uma das paredes. _Era de se esperar que elas não caíssem assim, afinal isso tem tudo para ser um labirinto mágico.

Malfoy lançou um olhar mortal ao companheiro e se levantou reprimindo um gemido de dor. Olhou para os lados vendo mais uma bifurcação, recomeçou a andar sem ligar para o ruivo, este apenas deu de ombros e o seguiu, não adiantava correr, muito menos brigar. De repente se surpreenderam ao verem que a bifurcação levava a um grande salão.

O salão tinha um teto muito alto e por todo lugar havia passagens, provavelmente ali era o centro do labirinto e, pela quantidade de passagens, seria impossível sair dali normalmente, poderiam passar a eternidade caminhando. No centro do salão havia uma placa de mármore negro flutuando no ar, ao chegarem perto, viram letras douradas.

“Sejam bem vindos ao meu labirinto, sintam-se em casa e preparem-se para morrer. Para escapar, só há duas chances, pela boca do monstro ou matando o monstro. A escolha é sua.”

_Oh! Placa animadora. -Comentou Rony olhando em volta, percebera que perto de algumas passagens também havia alguns ossos, provavelmente humanos. Olhou para seu companheiro e este não demonstrava nada em sua face. _Vamos andar, é melhor do que esperar essa tal criatura aqui.

O loiro deu de ombros, estava pensativo e olhando para baixo, já ouvira histórias sobre labirintos e seus guardiões. A tal criatura teria que ser algo realmente assustador, não seria uma esfinge, pois esta protegia tesouros e passagens, uma acromântula talvez, mas não viram uma só teia ou algo que indicasse que ali havia uma aranha, serpentes nem pensar, seria óbvio demais, então, o que conseguia devorar um homem, mesmo sendo um bruxo, com tanta facilidade. Quando deu por si já estavam mais uma vez nos intermináveis corredores, já estava entediado de ficar naquele lugar, hora num beco sem saída, hora voltando para onde estavam. Os dois se sentiam observados, mas não trocavam uma só palavra como se houvessem entrado em acordo silencioso sobre guardar as energias para o que viesse.

Rony tinha diminuído os passos, deixando o loiro ir um pouco à frente, pensara que havia ouvido algo, por isso, ficara em alerta. Estava tão concentrado em ouvir qualquer ruído, que mal percebia por onde andava, então se sentiu pisar em algo escorregadio e, para evitar cair, segurou na capa do loiro, mas este também perdeu o equilíbrio e ambos caíram. Milésimos de segundos depois, um forte barulho foi ouvido fazendo-os olhar para o alto, onde um enorme machado de guerra com lâmina dupla estava cravado na parede, bem onde suas cabeças estavam há alguns segundos. Uma forte baforada de ar quente os fez arrepiar e olhar para trás, foi como se eles tivessem planejado, assim que o machado deixou a parede eles se levantaram tremendo e ainda olhando para aquele ser.

Ele parecia ter mais de três metros, possuía corpo humanóide da cintura para cima, mas coberto por pêlos castanhos finos e brilhantes, as pernas eram fortes e largas meio curvadas para frente, também estavam cobertas por pêlos marrons escuros e brilhantes, mas no lugar dos pés, havia enormes cascos negros e foscos, a cabeça parecia ser de um touro com enormes chifres, os olhos de um vermelho sangue cruel e os braços fortes pareciam ter muito alcance. O enorme machado parecia pequeno na mão dele, mas era tão grande que uma pessoa poderia ficar em pé sobre o cabo.

_Mas o que demônios é isso? -Pergunta Draco dando alguns passos para trás, acompanhado de Rony que também estava pálido.

_Minotáuro. -Fala Rony se lembrando vagamente de um dia ter ouvido Hermione ter falado de tal criatura. _Uma criatura com corpo de homem e cabeça de touro e o pior: É carnívoro e tem preferência por carne humana.

_Ótimo! -Exclama vendo a enorme besta levantar o machado acima da cabeça e em seguida descer com força em direção a ambos, que pularam para lados opostos, cada um batendo em uma parede.

O machado, ao tocar o chão, levantou uma leve nuvem de pó, que os permitiu perceber que o chão fora perfurado com uma facilidade extrema, quando um feitiço explosivo não havia conseguido ao menos arranhar.

Como eu o derroto? –Draco pergunta a Apôpis, esperando que o guardião soubesse a resposta.

Na nuca, na junção da vértebra. –Apôpis responde de modo simples.

_O ponto fraco dele é no pescoço, na parte de trás, na junção da vértebra. -Repetiu para Rony.

Ambos se encararam por segundos e se decidiram. Correram em direção à besta, que agora estava tirando o machado do chão com o braço livre. O minotauro tentou acertar o loiro, mas este saltou batendo o pé na parede ao seu lado e se jogando para outra parede, quando o minotauro percebeu isso tentou acertá-lo de novo, mas Draco fizera a mesma coisa na parede oposta, a agilidade dele era muito grande. Enquanto isso, Rony aproveitando que a criatura estava distraída com o Malfoy, chegou perto das enormes pernas, quase maiores do que ele.

_ Diffindo. -Murmura na direção dos joelhos da criatura. Um pequeno corte apareceu em cima do que parecia ser o joelho, esta então olhou para baixo e com seu machado tentou acertar o ruivo na altura da cintura. Rony saltou rapidamente e caiu em cima do machado, percebendo que o cabo do machado era de madeira grossa, portanto poderia separá-lo da lâmina. - Laminare. -Um feixe prateado acertou a madeira e abriu uma enorme fenda.

Draco, atrás da criatura, aproveita a distração desta com Rony e lança um feitiço não-verbal nas dobras do joelho esquerdo, o que fez o minotauro perder o equilíbrio e cair ajoelhado urrando de forma assustadora, o que fez os dois ficarem ligeiramente desnorteados. Porém, Rony não demorou a lançar outro feitiço no cabo do machado, em cima do anterior, quebrando o cabo. A enorme peça de metal caiu no chão e afundou, o que deixou o ruivo impressionado com seu peso.


O minotauro olhou para Rony a sua frente, seus olhos vermelhos demonstravam fúria. Fechou um dos punhos e bateu numa das paredes, esta tremeu fortemente e começou a trincar até chegar ao chão e um pouco acima. Em seguida ele saltou e só então os dois bruxos notaram que o teto era realmente alto, já que a criatura sumiu por uns instantes. Os dois se olharam apreensivos, mas uma forte massa de ar chamou a atenção de Draco, que por instinto saltou para o alto. O minotauro aparecera atrás do loiro e seus olhos vermelhos pareciam demonstrar satisfação, quando o outro punho foi na direção dele.

Pensando rápido, Rony lançou um feitiço expulsório no loiro, que o desviara do punho da besta. Draco girou no ar amaldiçoando Rony, aquele feitiço doía, mas de qualquer jeito estava vivo. Quando tocou o chão, olhou para o machado caído e destruído, fez sinal para o companheiro que pareceu entender.

_ Crucio. -Draco brada apontando para a criatura, esta apenas esticou o braço em um soco, como se o feitiço não fizesse efeito. Draco desviara da enorme mão do minotauro, mas um pedaço do chão que se partira, o acertara na altura do estômago o fazendo ficar sem ar.

_Wingardium Leviosa. -Rony fez o machado caído levitar, então sentiu seu braço pesar, era como levantar uma grande rocha.

O machado levitou alguns centímetros, mas começou a vacilar, parecia que cairia. Colocou mais força no feitiço fazendo o machado levitar a quase dois metros, na altura dos joelhos da criatura, apontou para o direito, pois notara que o ser se apoiava constantemente nele. Respirou fundo, seu braço doía, então, com um movimento rápido e cortante da varinha, o machado voou rapidamente até a criatura e com facilidade decepou a perna direita na altura do joelho. O minotauro urrou de dor, seu sangue espirrou até as paredes e, por fim, ela caiu para frente. Draco se afastou com agilidade, desviando da criatura e de seus braços, em seguida, antes que a criatura se levantasse, transfigurou a varinha em uma adaga e saltou em suas costas. Foi até a junção da vértebra do pescoço e cravou a adaga. O minotauro urrou em agonia, mas em minutos se silenciou. Draco viu a cabeça da criatura ser separada do corpo e presumiu que deveria ser por causa do ponto vital.

_Está bem? -Perguntou a Rony, mas sem olhá-lo.

_Meu braço está doendo um pouco. -Respondeu mais pra si mesmo do que para Draco _Mas nada com que eu não possa lidar.

_Deixa de ser frouxo e levanta logo. -Disse com descaso ainda olhando para o minotauro, o sangue dele estava tomando todo o corredor e estava quase chegando neles. _Pelo que a placa dizia, matando essa coisa nós poderíamos deixar esse lugar.

_Deve ser algum tipo de magia. -Não demorou muito e as paredes começaram a tremer assim como o chão.

O corpo do minotauro começou a desaparecer aos poucos, mas o sangue ficava, parecia que estava sendo absorvido pela pedra. Quando o enorme corpo sumiu, um forte clarão forçou os dois a fecharem os olhos. O primeiro a abri-los fora Rony, ainda piscando e com a visão turva, novamente notou que estava no que parecia ser a parte central do labirinto. Draco pareceu também voltar a enxergar, visto que soltara uma exclamação de surpresa, o local não estava muito diferente tirando, é claro, que agora não havia intermináveis túneis, mas somente um portão enorme que lhes levaria para onde tinham de ir, a placa de mármore negro desaparecera.

Os dois avançaram sem hesitar. O enorme portão de ferro grosseiro abriu sozinho, mas nenhum dos dois parou e assim que atravessaram o portão, este se fechou as costas dos dois, os mergulhando numa escuridão intensa.

_ Flamma. -Falou alguém na escuridão e um jato de fogo fora na direção dos dois.

_ Protego . -Uma barreira amarelada se formou ao redor de Rony e Draco. As chamas bateram na proteção a cercando, o calor era tão intenso que ambos começaram a suar quase que instantaneamente, depois de quase um minuto elas cessaram e uma luz azulada clareou melhor o local.

Era um salão menor do que o anterior e um pouco mais rústico, parecia ter sido escavado na rocha. O chão era áspero e claro, a frente havia uma porta, só que menor, e a frente desta, havia um comensal alto, de cabelos longos e loiros, olhos nebulosos, pele branca e rosto fino. O guarda era um dos maiores comensais da história, Lucius Malfoy.

Ao perceber que era seu pai, um ódio imenso se formou nos olhos do jovem Malfoy, que deu um passo a frente e fez sinal para que Rony não interferisse.

_Olá Malfoy. –Havia desprezo e ironia na voz de Draco. Lucius estreitou os olhos de forma perigosa, era visível o ódio e o desprezo naqueles olhos quase insanos, mas cada partícula de ódio era rebatida pelos olhos de Draco.

_Vejam só, um encontro familiar. -Disse Lucius, sua voz estava mansa e perigosa, os olhos ainda não tinham desprendido do filho. _A que devo sua visita, filho? -A última palavra foi pronunciada com asco.

_Meu nome é Draco. -Fala colocando-se em posição de duelo. _E vim começar a matar o Riddle... -Lucius pareceu vacilar por uns segundos, mas seus os olhos endureceram mais ainda ao ouvir o sobrenome de seu mestre. _No entanto, sua vida vai ser uma deliciosa entrada antes do prato principal.

_ Crucio - Lucius urrou, mas Draco pulara para o lado, sorrindo com arrogância.

_Já foi melhor do que isso Lucius. -Draco sabia que chamar o pai daquele jeito o irritaria, afinal o patriarca Malfoy exigia respeito, principalmente do filho. Um movimento seco e transversal fez um feixe prateado sair da varinha de Draco e ir até Lucius, que com um aceno da varinha fez o feitiço desviar e bater numa parede. Para seu espanto uma grande fenda se abriu na rocha, mas sorriso em seus lábios aumentou.

_Treinou um pouco. –Admitiu interessado e em seguida desapareceu e reapareceu a frente de Draco, após o velho estalo de aparatação. _Mas não muito. –Completa, enquanto com um aceno da varinha arremessava Draco para uma das paredes. Draco sentiu sua vista turvar, mas logo se colocou em pé. _Prepare-se para morrer, insolente!

_Mesmo que morra, farei questão de levá-lo para o inferno comigo! -Retrucou e uma cruz roxa saiu de sua varinha, o pai teve de pular para o lado para não ser atingido. _Glacius. -Disse Draco apontando a varinha para o chão, enquanto seu pai ainda estava no ar. O chão abaixo de Lucius ficou liso como gelo e quando este caiu escorregou perdendo o equilíbrio e caindo de costas. _Cuidado onde pisa, Lucius.

Rony tentou analisar toda a situação. Era divertido ver os dois odiáveis Malfoy brigando, se ambos se matassem seria melhor para a humanidade, mas não era para se divertir que estava ali. Malfoy ainda estava entre ele e a porta, mas com a luta dando movimento aos dois, logo teria a chance de tentar inverter a situação, por isso tentaria ficar o mais atento possível, para na primeira chance se aproximar da porta, que o separava da horcrux que deveria destruir.

_ Flammare. -Urrou ainda deitado e apontando a varinha para o alto.

Uma enorme bola de fogo se formou a alguns metros do chão e o gelo derreteu rapidamente e quando subiu em forma de vapor, Draco sentiu a onda de calor do feitiço. O comensal se levantara e fizera um aceno com a varinha apontando para o filho, fazendo a esfera de fogo ir rapidamente à sua direção. Draco não teve muito em que pensar, lançando o primeiro feitiço que lhe veio à cabeça.

Um forte jato de água saiu de sua varinha e foi em direção a bola de fogo. Antes dos dois se chocarem a água formou uma espiral e envolveu a bola, engolindo-a e a pressionando. Uma forte explosão jogou os dois combatentes para lados opostos, o calor infernal invadiu o local e incomodou até mesmo Rony. Uma espessa nuvem de vapor quase escaldante tomava conta do lugar, Draco sentiu algo em seu braço esquerdo, olhou para ele, mas não conseguia enxergar por causa do vapor, que já o fazia suar como se estivesse em uma sauna. Então, tateou o braço e notou que um pouco acima do cotovelo tinha algo, puxou e rangeu os dentes para não gritar de dor, com assombro notou que era um pedaço afiado de pedra, que provavelmente soltara das paredes ou do chão com a explosão, jogou de lado e ficou em pé tentando divisar a respiração do pai.

Lucius sentia uma dor imensa, em sua perna esquerda havia um grande corte que começava na coxa e ia quase até os calcanhares, usou um feitiço para parar o sangramento, aquilo ajudaria por enquanto. Levantou sentindo-se levemente tonto, aquele idiota queria matar aos dois, só um retardado para fazer fogo e água se chocarem daquela forma. Ao seu redor não dava para ver nada e o calor o estava incomodando, o suor pingava de seu rosto, tentou controlar a respiração.

Quando ouviu algo a frente, Draco lançou um feitiço negro, era atirar no escuro, mas arriscou mesmo sabendo que iria expor sua localização. O feitiço acinzentado saiu de sua varinha e foi na direção que pensou estar seu pai.

Quando viu a luz acinzentada e sentiu o feitiço se aproximar, este estava perto demais para rebater. Saltou para o lado, a parede trincou onde o feitiço batera e um pedaço de pedra caíra.

Lucius não perdeu tempo e, apontando a varinha para o alto, fez uma forte rajada de ar subir em espiral, todo o vapor agora era atraído pelo rodamoinho que chegava quase ao teto, limpando inteiramente o local e dando novamente visibilidade aos dois combatentes. O comensal fez um aceno com a varinha e o rodamoinho sumiu, ambos se encararam com ódio, pai e filho.

_Sabe que fiquei feliz ao saber que o lorde havia ordenado a execução de sua mãe? -Perguntou Lucius com um sorriso em seus lábios, aquelas palavras bateram em Draco com força. O ódio em seus olhos aumentou e seu pai parecia se divertir com isso. _Agora ela não me atrapalha, não se põe em meu caminho. Em pensar que escolhi aquela imprestável para formar a imagem respeitável de uma família de alta classe e me dar um herdeiro a minha altura... Eu devo ter bebido uísque de fogo demais!

_ Flagrate. -Draco urrou na direção do pai, este fez um aceno com a varinha e o feitiço desapareceu.

_Só sinto não está lá para ver o medo em seus olhos, os mesmos olhos que diversas vezes imploraram para que eu não o matasse. Você se lembra, não, Draco? Das vezes que eu tive de discipliná-lo. -Claro que ele lembrava, ainda via em sua mente, em seus pesadelos, o inferno que passara quando pequeno. _Como se sentiu ao receber a varinha dela?

Por um instante Draco viu tudo escurecer e se viu mais uma vez recebendo a varinha da mãe. Sentiu novamente a dor, o ódio e o vazio, era a primeira vez em sua vida que sentia algo assim. Sua mãe fora a única que lhe demonstrou carinho, que o amou.

Lucius não percebeu o feitiço, apenas o sentira em seu peito, o lançando para trás e fazendo-o bater mais uma vez na parede, onde ficou preso por algo invisível. Olhou para o filho que o encaravam como se ele, Lucius Malfoy, fosse o mais ínfimo dos vermes, sentiu um arrepio subir-lhe pela espinha.

_Cachorrinho, você diz. -Falou Draco, o tom baixo e mortal chegou a Lucius como uma golfada de vento ártico, um arrepio incômodo passou por seu corpo. _Inútil, você diz. -Conforme falava Draco se aproximava, uma dor imensa estava oculta por trás de tanto ódio. _Vamos ver como você se sai como meu brinquedo Lucius. -Disse fazendo um aceno com a varinha, Lucius fora lançado para a esquerda batendo na parede com força, sentiu algo estalar e a dor lhe invadiu o corpo até a perna voltara a sangrar. _Vamos ver o quanto você agüenta até quebrar. -Outro aceno com a varinha e o comensal subiu em grande velocidade fechando os olhos e esperando o impacto com o teto alto, mas este nunca veio, abriu os olhos e se viu içado a metros do chão, provavelmente uma queda quase mortal.

_Você não teria coragem, sempre foi fraco. -Mesmo naquela situação, o seu tom de voz demonstrava superioridade e aquilo irritou Draco como nunca em sua vida. Ele queria ver aquele homem se rebaixar de tal forma, que não se sentisse digno de estar vivo.

_Eu tenho mais coragem do que você pensa. -Disse Draco cessando o feitiço.

Lucius, com desespero, sentiu seu corpo em queda livre, tentou usar a varinha, mas notou que ela não mais estava com ele, era tarde, bateria no chão, seria seu fim. O fim de Lucius Malfoy, um dos maiores comensais. Ele não queria morrer, isso era expressado em seus olhos, que temiam a morte. No entanto, quando estava a centímetros do chão, ele parou.

_Não achou que seria tão fácil assim, não é? -Só ai o jovem Malfoy percebeu algo que o fez rir alto, até mesmo Rony rira, só que mais discretamente. Abaixo de Lucius estava uma poça que não era de água. _Veja só que feio, o grande Lucius Malfoy, molhou a calça por medo.

_Você vai morrer, eu juro! - Lucius vociferou humilhado, o coração ainda parecia que sairia de seu peito, mas viu que sua varinha não estava longe.

_Ainda consegue ser orgulhoso? -Pergunta baixando a varinha e o corpo de Lucius despencou os últimos centímetros. Ao cair de rosto no chão, sentiu o nariz quebrar e o sangue escorrer. _Você não percebeu que foi derrotado e humilhado por mim? -Draco já estava furioso. _Eu, Lucius, justamente eu, que um dia você tentou transformar na sua imagem e semelhança! Eu o derrotei e o humilhei. Você é patético e sua vida chega ao fim hoje! -Lucius ignorou aquilo, estava pouco ligando pros latidos do filho, que em breve teria o troco merecido, sua atenção estava em um ruivo que soturnamente tentava abrir a porta que levava a horcrux de seu mestre.

Draco viu o pai apontar a varinha para si lentamente e sorriu achando graça naquilo, no entanto, antes que pudesse desarmá-lo, viu que ele rapidamente mudara a direção da varinha, como se apontasse para algo atrás de si.

_ Sectumsempra. -O feitiço negro disparou rapidamente na direção do ruivo. Primeiro derrotaria o filho, depois acabaria de uma vez com o Weasley, podendo talvez mandar seus pequenos pedaços para Molly e Arthur.

Draco não tinha tempo para rebater o feitiço, já que este não vinha em sua direção, então se limitou a se jogar a frente da maldição negra. Por instantes pôde ouvir a voz de certa ruivinha falando do quão importante era que o irmão regressasse vivo e bem. No entanto, logo viu seu pai se erguer, por isso ignorou a dor que o feitiço lhe provocara e lançou a maldição da morte. Mataria aquele homem nem que fosse a última coisa que faria na vida.

Lucius percebeu que fora condenado ao seu maior medo, iria morrer e o brilho vitorioso foi substituído por um brilho de desespero e medo. Tentou usar o feitiço escudo mais forte que conhecia, mas a maldição da morte o perfurou como se o escudo não existisse e acertando-o no centro de seu tronco.

Draco sentiu o sangue lhe invadir a boca, cortes se abriam em seu corpo, sentia a vida lhe escapar quando viu uma massa disforme de cabelos vermelhos se aproximando, não conseguia enxergar, mas sentiu que seu corpo era erguido, pouco antes de perder a consciência.

Harry e Hermione surgiram em frente ao Castelo de Urquhart, um ponto turístico muito conhecido da Escócia, localizado nas Highlands as margens do Lago Ness. Harry olhou o horizonte, onde se via uma alta montanha e o enorme lago escocês, que ocupava 56,4 km2 e possuía 226 m de profundidade, além de águas extremamente frias.

-Não me agrada em nada ter que mergulhar aí, ainda mais de noite, no entanto não temos escolha, não é? –Hermione fala compartilhando da visão que durante o dia era deslumbrante, mas a noite se tornava um tanto fantasmagórica.

-Não. –Harry olhou para o castelo ou o que outrora fora o maior castelo da Escócia, mas que agora não passava de ruínas. –Tem certeza de que poderemos encontrar o caminho por ali? –Harry duvidava de que pudesse haver qualquer corredor ou túnel inteiro naquele amontoado de pedras.

-Já vim aqui com meus pais uma vez e sei que lugares como as cozinhas e as masmorras estão acessíveis e segundo o mapa do Snape, o acesso ao duto que leva a caverna também. –Hermione tinha o pergaminho em mãos, ele estava bem lacrado em um plástico para protegê-lo da água.

-Então vamos logo terminar com isto. –Harry acende a ponta de sua varinha, iluminando o caminho que seguiriam. –Eu vou à frente para ver se o chão está firme, você me segue e diz para onde devo ir.

-Certo, entre na torre e siga o corredor. –Hermione observa atentamente o mapa, que possuía várias indicações feitas por Snape.

Os dois andaram devagar por cerca de vinte minutos, conseguindo apressar o passa onde o local parecia mais bem conservado e seguro. Hermione indicou a Harry que parasse e procurasse por uma pedra azulada na parede, coisa que levou alguns minutos.

-Achei! –Harry aproximou a varinha da pedra e viu que runas apareciam magicamente diante do brilho de sua varinha. –Sabe o que quer dizer?

-Sim, mas acho que não vai gostar. –Harry apenas observou-a com a sobrancelha erguida. –Antigamente esse símbolo marcava o local onde os bruxos depositavam os resíduos de poções e outras coisas que não poderiam aparecer jogadas por aí.

-Uma espécie de deposito de lixo? –Harry pergunta com cara de nojo.

-Não. Um corredor que segue até o esgoto do castelo. –Hermione fala enquanto batia na parede como o indicado por Snape.

-Hermione, calma aí. Esse riozinho que aparece perto do castelo não é um esgoto, é? –Harry pergunta não gostando nada da idéia, principalmente quando um cheiro pútrido lhe chegou às narinas.

-Sim. Vamos ter que chegar ao esgoto e atravessar esses três metros até a comporta que leva o esgoto até um ponto do lago. De lá nadaremos cem metros até a caverna onde a horcrux está. –Hermione também não gostava da idéia, mas não havia outra passagem.

-Eu vou matar Voldemort duas vezes! -Harry esbraveja irritado, fazendo um feitiço para evitar sentir qualquer cheiro.

-Pelo menos as roupas especiais para mergulho irão nos proteger de qualquer doença. –Hermione se referia as roupas de mergulho que usavam sob os trajes normais e que os protegeriam da baixíssima temperatura do lago.

Harry resmungou algo que Hermione não fez esforço para entender e seguiu em frente. À medida que caminhavam encontravam coisas muito curiosas como esqueletos que pareciam vir de animais totalmente diferentes do que já haviam visto, supondo que poderiam ser fruto de mutações devido aos resíduos mágicos misturado ao esgoto.

Quando o túnel terminou, encontraram um poço cheio de um líquido verde musgo, cujo preferiam ignorar a composição. Após examinar mais uma vez o mapa, Hermione apontou para uma alavanca quebrada e trocou um olhar de lamento com Harry.

-Você não precisa fazer isto. Então eu vou arrombo esta porcaria e você espera uns minutinhos até me seguir. –Harry a olhava de modo que não admitia contestações, mas Hermione tinha que admitir que não fazia a mínima questão de acompanhá-lo.

-Ok, mas antes me deixe fazer algo. –Hermione se aproximou e o abraçou, antes de beijá-lo profundamente, deixando-o atordoado. –Espero que tenha aproveitado, pois depois que você mergulhar aí, vai ficar uns bons dias sem sentir meus lábios. –Hermione fala se afastando e fazendo uma careta para o líquido verde.

-Mas que namorada companheira e apaixonada eu arranjei! –Harry resmunga enquanto cobria a cabeça com o capuz que completava a roupa de mergulho.

Hermione apenas deu um tchauzinho para ele quando este mergulho no líquido incrivelmente pastoso. Enquanto “nadava”, Harry pensou que estava nadando num grande, fedorento e nojento purê. Em alguns minutos chegou a comporta que separava aquilo do lago e, pedindo desculpas a todos os ecologistas do mundo, lançou um feitiço reduto que destruiu a comporta e abriu espaço para as frias e escuras águas do Lago Ness.

Já estava começando a se preocupar, quando viu que o nível da gosma verde diminuía e parecia ficar cada vez menos densa. Em pouco tempo, já podia ver a água tomando o túnel e após iluminar o local agora inundado, pôde ver que o caminho estava livre para seguir. Colocou o capuz da roupa de mergulho, fez um feitiço bolha e mergulhou para se encontrar com Harry, que estava na “boca” do encanamento.

Assim que se encontraram, Hermione apontou para a sua direita e logo depois viu Harry ir à frente. Mesmo juntando a luz das duas varinhas, eles não podiam enxergar nada além de um metro a frente, por isso se assustaram quando algo pareceu refletir a luz e uma gigantesca boca surgiu à frente deles.

Ao mesmo tempo, os dois lançaram feitiços estuporantes, o que fez algo rugir e se afastar. Harry não parou de lançar feitiços no que quer que fosse aquilo e Hermione aproveitou da luz dos feitiços para observar a gigantesca serpente marinha que descrevia um círculo ao redor deles. Na mesma hora identificou o Monstro do Lago Ness, um mito trouxa que os bruxos sabiam muito bem que era um Kelpie e, segundo o que se lembrava do livro monstruoso dos monstros, ela precisaria laçar rédeas através de um feitiço de colocação, o que sob aquela visibilidade, seria impossível.

A enorme serpente marinha investiu com renovado forço contra os dois e tentou morde-los, mas ambos se afastaram usando um feitiço para ganhar impulsão, no entanto o rabo espinhoso bateu contra o braço direito de Harry, quebrando-o. Hermione viu sangue na água e, de alguma forma, soube que era de Harry, então resolveu tomar a frente. Lançou faíscas vermelhas para chamar a atenção do Kelpie e esperou que ele a ataca-se, como não poderia enxergar a aproximação, seu movimento teria que ser preciso, pois caso contrário ela seria devorada. Então, quando viu o reflexo da luz nos dentes serrilhados, Hermione brandiu a varinha e lançou um feitiço explosivo na garganta do animal, que assumiu sua forma de cavalo-do–lago e submergiu rapidamente, para se recuperar do dano.

Harry ainda tremia e seu coração batia sem muita empolgação, seus olhos acompanhavam desesperadamente a luz que se aproximava. Independente de aquela maluquice ter dado certo, Hermione ouviria a maior bronca de toda sua vida!

Ignorando a cara de poucos amigos de Harry, Hermione ajudou-o a ir até a encosta rochosa e alguns metros abaixo encontraram uma fenda, por onde passaram e nadaram mais dois metros antes de chegarem a uma caverna, onde poderiam respirar.

-Você é louca? –Harry estava furioso e havia empurrado Hermione contra a parede. –Minha vontade é de lhe dar umas boas palmadas e...

-Seu osso está aparecendo! –Hermione, chocada, observou o braço de Harry, ignorando o que ele falava e segurando o braço do rapaz, que urrou de dor. –Vai doer um pouco, mas preciso por no lugar.

Harry gritou tom alto que, o som que se assemelhava a um urro furioso, ecoou por todo lugar parecendo se multiplicar em vários gritos agonizantes. Hermione tinha lágrimas nos olhos, mas sorriu ao ver que havia conseguido posicionar o braço, de modo a poder executar um feitiço, que ao menos cessasse o sangramento.

-Não posso dar um jeito no braço quebrado, eu não tenho prática e nós sabemos o que acontece quando alguém sem prática tenta isto. –Harry se lembrava muito bem do que Lockheart lhe fizera e de como doía fazer crescer os ossos.

-Só me prometa que nunca mais fará uma manobra tão suicida! –Harry exigiu ainda ofegante pelo esforço.

-Prometo que não vou me matar. Agora vamos logo pegar esta horcrux e dar o fora daqui. –Ela já caminhava à frente, enquanto Harry resmungava atrás, descontente com a promessa que ela fizera.

Andaram em passo acelerado por pouco mais de dois minutos, chegando a uma câmara ampla e escura. Hermione bradou o feitiço que iluminou todo o local, acendendo velas nas paredes. Havia um grande navio de guerra Viking em um pequeno lago, o qual mal cobria a parte inferior do casco de madeira. No entanto, o mais preocupante eram as centenas de esqueletos que estavam espalhados na câmara e no navio encalhado.

-Acha que podem nos trazer problemas? –Hermione pergunta a Harry em um sussurro.

-Eu espero sinceramente que não. De todo jeito é melhor irmos logo pegar a horcrux, seja lá o que ela for. -Harry fala já seguindo em frente, mas tomando o cuidado para não fazer barulho.

Assim que chegaram perto do navio, viram que havia uma rampa de madeira que facilitaria o acesso ao navio. Subiram com cuidado, se deparando com uma cena nada bonita ao subirem. Ao que parecia, o navio havia encalhado lá, talvez fruto de algum tremor de terra que houvesse formado aquela caverna submersa, já que o navio não parecia ter avarias graves em sua estrutura, no entanto aquilo significava que aqueles guerreiros haviam morrido de fome e sede, pelo menos aqueles que não foram assassinados para serem devorados, pois havia uma série de ossos espalhados pelo convés.

-A horcrux deve estar embaixo, talvez na cabine do capitão ou em algum tipo de depósito, na parte mais inferior. –Harry fala e puxa Hermione pela mão, ao perceber que a garota estava chocada com a cena que via.

Os dois desceram sem maiores problemas até chegarem à cabine do capitão, ali Harry sentiu uma presença mágica um tanto sinistra, mas como era fraca, decidiu não revelar nada a Hermione. Chegaram à parte mais inferior do navio, deparando-se com um pedestal, onde repousava uma estranha estrutura, que se assemelha a dois brilhantes e enormes chifres polidos, ligados por uma espécie de barra de ouro.

-O arco de Rowena! –Hermione exclama, ainda sem se mover.

-Arco? Aquilo não parece um arco. Aliás, do que ele foi feito... Chifres de um búfalo gigante? –Harry não consegue evitar a piada, pois achava difícil que aquela coisa fosse um arco.

-Então que uso você sugere para ele? Chapéu? –Hermione responde de modo atravessado.

-Piada sem graça Hermione. –Harry rosna mal humorado. –Se a coisa é sua, pode pegar. –Completa se recostando a porta.

Hermione sorriu de lado e observou que apesar de haver alguns esqueletos caídos no local, não havia mais nada que parecesse ameaçador ou uma armadilha. Deu um passo a frente e logo se arrependeu. Uma luz esverdeada surgiu debaixo dos seus pés e o navio tremeu por segundos, até que todo o lodo e demais sujeira que havia no chão subisse revelando o piso do navio. Havia um grande pentagrama no chão, que brilhava vivamente e em seu centro se erguia o pedestal.

-Sabia que estava fácil demais. –Harry comenta enquanto pega a varinha com a mão esquerda e observa os esqueletos ganharem vida.

-Você pega o arco e eu cuido dos esqueletos, já que seu braço está quebrado e é você quem tem ligação com Voldemort. –Hermione fala já empunhando sua varinha e lançando um feitiço no esqueleto mais próximo. O inimigo se desmanchou, mas segundos depois os ossos começaram a se juntar de novo.

Harry ao ver o esqueleto se refazendo, não hesitou e foi até o arco, mas no meio do caminho teve que se agachar rapidamente para evitar uma lança, empunhada por um esqueleto. Uma observação rápida lhe permitiu ver que estava cercado por esqueletos armados e que as armas deviam ter algo de mágico, pois pareciam novinhas e muito mortais. Sem perder tempo, fez um aceno com a varinha, mas ao invés de produzir um expelliarmos , acabou sendo lançado para trás, como se houvesse se aplicado um feitiço expulsório.

-Droga! –Harry resmungou dolorido, pois houvera caído em cima de um esqueleto. –Não poderia ter sido o braço esquerdo! –Sabia que o erro devia ter sido provocado pela falta de coordenação motora no punho esquerdo, mas não havia tempo para isso, apanhou a espada do esqueleto e se ergueu para ajudar Hermione.

Uma parte do treinamento que recebia de Rhavic era esgrima, justamente pela arma de Godric ser uma espada, a mesma que usara contra o basilisco em seu segundo ano. De esguelha, viu que Hermione tentava conter a invasão de esqueletos, que arrombara o casco do barco e tentava invadir o local para matar os invasores, esqueletos também surgiam do outro lado, atravessando a porta pela qual haviam entrado.

Focando no arco de Rowena, Harry avançou e brandiu a espada com firmeza na direção do esqueleto. Treinava justamente com a mão esquerda, para que a direita pudesse usar a varinha simultaneamente, por isso seus golpes tinham precisão e potência. Porém uma caveira portava um arco e lançara ao mesmo tempo três flechas em sua direção, não jogaria o adversário na frente por que obviamente as flechas transpassariam, então bloqueou o machado da caveira com a espada, depois se lançou a frente, sobre ela, bem a tempo de deixar as flechas passarem sobre sua cabeça.

-Harry, pega logo esse arco, não vou agüentar muito mais tempo! –Harry viu que Hermione afastava com esforço as dezenas de caveiras que tentavam entrar no barco. No entanto já havia o dobro de caveiras no salão, devido à porta que levava as cabines.

Harry disparou na direção do arco e se deixou atingir por uma flecha, no entanto desmontou mais três caveiras ao golpear uma com um chute, derrubando-a sobre outras duas. Bloqueou uma lança com a espada e depois se esquivou de uma espada movimentando o tronco, então inverteu a empunhadura de sua espada e bloqueou o segundo golpe da caveira, aproveitando a seqüência do movimento para chutar forte a cabeça, que voou até se chocar com a parede. Sem parar nem para respirar, Harry lançou sua espada contra a última caveira à frente do pedestal e usou a mão livre para pegar o arco, sentiu sua mão arder, mas ignorou, puxando a ligação entre os chifres com força e usando o arco para bloquear mais flechas lançadas contra si.

-Para a porta! –Harry ouviu a parceira e foi na direção da porta, vendo um feitiço roxo cruzar o ar e causar uma explosão que fez ossos voarem junto a pedaços de madeira. –Vamos para a cabine do capitão, lá a porta é forte.

Harry não discutiu, ergueu o braço e pronunciou um feitiço para transfigurar, que transformou o arco em um grande escudo. Colocando o escudo a frente, subiu a escada batendo nas caveiras e usando a força mais a impulsão do movimento para abrir caminho, Hermione o apoiava sempre que ele vacilava por pisar em algum osso no degrau, além de lançar feitiços para trás, atingindo as caveiras que se reconstituíam ou as que entravam pelo buraco no casco.

Assim que Harry entrou na cabine, Hermione trancou a porta com um feitiço. Ele havia tirado o feitiço do arco e ia falar com Hermione sobre como sair dali, mas Rhavic o interrompeu surgindo em seus pensamentos.

Apôpis nos avisou que Malfoy foi gravemente ferido. Vocês têm que ir rapidamente para Londres, encontrá-los.

-Precisamos resgatar Draco. –Os dois falam ao mesmo tempo e uma grande batida é ouvida na porta.

-Eu aparato a gente para lá. –Hermione fala já segurando o braço bom de Harry, mas nada acontece. –Acho que Voldemort colocou algum feitiço anti-aparatação na caverna ou no barco. –Harry xingou baixo e Hermione lhe lançou um olhar de “Agora não é o momento”.

-Vamos usar o transveho . –Harry fala repentinamente e Hermione apenas concorda, enquanto solta o braço do namorado e segura sua mão.

Quando a porta foi arrombada pelas caveiras, os dois ficaram translúcidos, logo flutuando para frente rapidamente. Em questão de poucos minutos saíram da caverna e começaram a atravessar a água, passando por dentro do monstro de Loch Ness, e atravessando todo o castelo até estarem novamente em área com permissão para aparatação.



N/A: Oi, depois de meses ausente cá estou eu para atualizar esta fic. Bom, como vocês sabem quanto menos comentários, mais para trás a fic fica no top de postagem. Porém não foi o único problema, para quem não sabe tive problemas na coluna e fiquei as férias de verão sem poder ficar no pc direito, mas estou melhorando e logo pretendo voltar ao ritmo normal.

N/A²: Gostaram das cenas de ação? Deram um trabalhão para fazer e ainda tive ajuda do Black Wolf na parte do Draco e do Rony, que vai mudar um pouco o rumo dos personagens... alguém advinha como? rsrsrsrs

Próxima Atualização: Eximere Tempus e Príncipe de Avalon.

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.