O Informante



Hermione recebera uma mensagem da professora McGonagall e agora batia a porta do escritório da professora de DCAT. Ao ouvir a permissão para entrar, a garota abriu a porta e se direcionou a cadeira que Melissa lhe indicava.

-Houve algum problema com algum aluno? Quer que eu registre algo? –pergunta em seu eficiente tom de monitora chefe.

-Não, não a chamei aqui interessada em seus serviços de monitora. –a professora fala com um sorriso amável e Hermione a observa com preocupação. –Também não é para lhe repreender por algo, afinal não tenho motivos para isso. –Melissa a tranqüiliza e Hermione adota uma expressão aliviada e interrogativa. –Te chamei porque Minerva me disse que você estava lendo sobre o Egito Antigo. Está interessada em encontrar uma pirâmide, certo?

-Sim, mas ainda não achei nada. –Hermione fala um pouco desconfiada. –O livro é em latim antigo e eu tenho que recorrer muito ao dicionário.

-Entendo. –a professora fala pensativa e depois de alguns segundos em silêncio, volta a falar. –Creio que não saiba disso, mas eu sou especialista no estudo de culturas antigas e em especial a egípcia.

-Sério? Tem alguma informação sobre a pirâmide negra? –Hermione pergunta ficando esperançosa e esboçando um discreto sorriso.

-Não, mas tenho muitos livros sobre a cultura egípcia, principalmente focada em magia e talvez possamos achar algo nesses livros. Esse livro que você está lendo é antigo e foi escrito em latim, ou seja, um bruxo foi até o local e saiu traduzindo as informações que encontrava e o que você está fazendo é passar isso para inglês, ou seja, você está perdendo informação pela segunda vez. O que quero dizer é que o latim antigo tinha um vocabulário mais rígido e diminuto e a tradução de uma língua para esse latim podia sofrer muitas alterações na busca de adaptações de palavras e quando você tenta traduzir isso para inglês perde ainda mais informações, principalmente as entrelinhas onde geralmente está a verdadeira magia.

-Então o que está querendo dizer é que as chances de encontrarmos a localização da pirâmide são remotas? –Hermione pergunta sentindo a esperança lhe escorrer pelos dedos.

-Não, o que quero lhe dizer é que neste livro provavelmente não encontrará muita coisa, mas nos livros que eu tenho, escritos na linguagem nativa e em latim ou inglês paralelamente, podemos achar ótimas pistas. –a professora sustentava um brilho no olhar que Hermione conhecia muito bem, era o amor pelo conhecimento e pesquisa.

-Então, está propondo que estudemos juntas? –Hermione pergunta contendo a expectativa.

-Sim, pensei que poderíamos aproveitar que amanhã é sábado para nos reunirmos após o almoço, o que acha?

-Por mim está ótimo! –Hermione concorda com um sorriso e logo depois as duas acertam o local e a hora antes de se despedirem.

Hermione percorre os corredores ansiosamente até a sala dos monitores chefes onde Harry estaria. Depois da péssima notícia no jornal sobre um grupo de aurores mortos e que Lílian havia complementado dizendo que era uma operação secreta da ordem que havia falhado completamente por algum motivo desconhecido, Hermione sabia que aquela novidade seria um raio de luz em meio à escuridão. Chegando ao escritório dos monitores chefes, observou Harry trabalhando e fechou a porta fazendo barulho para que ele percebesse sua chegada.

-Oi, o que a professora... você está sorrindo! –Harry começa a falar e depois pára ao notar que a namorada sorria, gesto que ela fazia muito raramente desde o ataque a seus pais.

-A professora Melissa me convidou para estudarmos juntas sobre o Egito Antigo! Ela disse que era especialista na área e queria nos ajudar a achar a pirâmide. Isso não é maravilhoso? –Hermione estava exultante, apesar do sorriso que exibia ser bem tímido.

-Qualquer coisa que te faça sorrir é maravilhosa. –Harry fala envolvendo a cintura dela com os braços e sorrindo ao vê-la corar. –Sinto falta do seu sorriso, querida. –fala levantando o queixo dela, de modo que ela pudesse olhar em seus olhos, depois a beijando docemente.

-Então é isso que os monitores-chefes fazem! –Draco fala assim que entra no escritório, assustando-os e os fazendo se separar rapidamente.

-Vai pro inferno Malfoy! –Harry fala irritado, tentando fazer o coração bater normalmente.

-Olha que desse jeito eu acabo ficando magoado e não te digo o que acabei de saber. –Draco fala em tom falsamente afetado.

-Não estou interessado em fofoca, então dê o fora! –Harry fala friamente, enquanto puxava Hermione para perto de si, a abraçando.

-É sobre as horcruxes. –Draco fala quase cantarolando.

-O que sabe sobre elas? –Hermione pergunta olhando-o duramente, como se o repreendesse por estar brincando com coisa tão séria.

-Coisas muito importantes, mas só digo se ele me pedir desculpas! –Draco fala sustentando um sorrisinho cínico.

-Vai sonhando, idiota. –Harry quase rosna, já irritado pela postura do sonserino, que continuava a olhá-lo desafiadoramente.

-Só por causa disso, agora só falo sobre a localização delas depois que a Mione me der um beijinho. –Draco rebate com calma, dirigindo um sorriso malicioso a morena.

-Ou você fala logo tudo o que sabe, ou vou arrancar as informações junto com seu sangue! –Harry o ameaça com um olhar que só dirigia aos comensais, mas Draco parece não se intimidar.

-Ninguém me ameaça, Potter. –Draco fala entre os dentes e já se virando para sair, sem se importar com os outros dois.

-Vou pegar aquela faquinha querido. –Hermione fala se afastando de Harry e Draco pára, parecendo ficar paralisado.

-Você ainda tem aquele molho para salsicha? –Harry pergunta entrando no jogo e Draco ri friamente.

-Eu achei que grifinórios não se importassem com brincadeiras, mas pelo visto vocês dois não tem o mínimo senso de humor. –Draco fala se voltando e indo se sentar na cadeira à frente da mesa de Harry.

-Eu não costumo brincar com coisa, séria, então é melhor você nos falar logo o que e como descobriu. –Harry fala seriamente, se sentando em sua cadeira e depois recebendo Hermione que sentara em seu colo.

-Certo, mas quero que não me interrompam. –os dois assentem e Draco resolve continuar. –Dumbledore quando começou a correr atrás das horcruxes não falou nada a ninguém, nem quando apareceu com a mão negra depois de pegar o anel. Porém isso mudou no dia em que ele voltou de uma caverna onde foi atrás do medalhão de Salazar Slytherin. O velho estava acabado e parecendo muito doente, aí deu uma poção para Snape examinar e encontrar um antídoto, só que o máximo que Snape conseguiu foi achar uma poção que amenizasse os efeitos da “doença” e desse uma sobrevida ao velho. Quando Snape soube sobre minha missão, ficou me rondando a mando do velho e na noite que tudo ia acontecer ele saiu com você para te treinar na caça as horcruxes, então quando chegou aqui ele sabia que ia morrer, fosse por alguém ou não, antes mesmo de ir a tal caverna de novo ele tinha pouco tempo. O que Snape fez foi aliviar meu lado, acabar com o sofrimento do velho a pedido dele e ainda conseguir uns pontos com o Lorde das Trevas. Inclusive ele tem estado como braço direito do lorde até hoje, afinal ele é um dos bruxos mais procurados do mundo bruxo e não poderia ficar andando por aí. A missão dele com isso era descobrir onde estavam as outras horcruxes e foi isso que ele fez. Por segurança deixou para mandar tudo junto, assim se descobrissem o disfarce dele, as informações já teriam sido passadas a diante. Só teremos certeza de que o disfarce não foi descoberto daqui a três dias, se até lá o corpo dele não aparecer jogado por aí ou ele não me mandar uma carta me avisando do novo esconderijo, então significará que ele continuará lá para o usarmos para dar o bote final no lorde maldito.

-Como você soube disso tudo? –Hermione perguntou e Draco retirou um envelope do bolso interno das vestes.

-A história está toda aí, eu só fiz um resuminho. –Draco joga o envelope para o casal e Hermione o pega. Harry parecia estar distante.

-Então ele sabia que o medalhão era falso e que ia morrer... Ele me usou como se eu fosse uma peça de xadrez! –Harry fala com raiva, fazendo Hermione parar de ler e deixar o pergaminho de lado.

-Acalme-se Harry, era uma estratégia delicada e não poderia haver falhas. –Harry dirige um olhar feio a ela, pela defesa a Dumbledore, mas ela não se altera. –E não adianta discutir se ele estava certo ou errado, a questão é que ele agiu assim e agora nós temos a localização das horcruxes.

-Hermione tem razão, devemos nos preocupar em pegá-las de uma vez. –Draco fala seriamente e Harry acaba por assentir.

-Ok, vamos ver o que são e onde estão, então traçaremos um plano para pegar as horcruxes e juntá-las ao medalhão.

Harry e Hermione arranjaram um jeito de chamar Rony, resolvendo que apenas o ruivo deveria saber do plano para que Luna e Gina não corressem riscos desnecessários. No fim da tarde, eles já tinham um plano e o poriam em prática de sábado para domingo.

Draco estava na biblioteca terminando seu trabalho de poções, quando alguém bate com as mãos na mesa a sua frente, chamando atenção para si. Um sorriso se formou no canto dos seus lábios ao ver Gina a sua frente, ela parecia furiosa e isso a deixava ainda mais bonita, em sua opinião.

-Vem comigo, Malfoy! –Ela fala se controlando para manter a voz baixa. Como o loiro apenas ergueu uma sobrancelha como se ponderasse se aceitaria o “pedido”, Gina o segurou pela camisa e o puxou, fazendo-o se levantar e a seguir.

-O que acha que está fazendo, Weasley? Me solta, eu não sou seu cachorrinho para ficar me puxando! –Draco fala irritado e como ela parece ignorá-lo, ele resolve fazê-la soltá-lo a força, mas pára ao ver para onde ela o levava. Estavam indo para a seção de livros sobre trouxas, que por ser de pouco interesse ficavam em um canto mais escondido da biblioteca. –Está com tanto fogo assim, que não pode esperar pra me agarrar? –a pergunta sai em tom malicioso, enquanto ela o empurrava contra a estante.

-Pode parar as gracinhas e me contar quando e onde vai ser a missão. –A ruiva o fitava intensamente, seus olhos demonstrando seriedade e determinação. Draco também fica sério, não gostando nada do que ouvira.

-Quem te contou sobre isso? –A pergunta é firme e o tom de voz é frio.

-Não importa, quero saber por que não me contaram e o que vão fazer. –Responde não se intimidando e insistindo em sua pergunta.

-Se toca garotinha, não vamos fazer compras, vamos arriscar nossas vidas, podemos morrer. –Draco fala friamente, deixando bem claro que a achava incapaz de ir.

-Eu não sou nenhuma garotinha! E não vou deixar meu irmão e meus dois melhores amigos irem numa missão tão arriscada sem que eu esteja por perto para ajudar! Jamais me perdoaria se eles se machucassem enquanto eu estou segura no castelo. –Gina fala segurando-o pela gravata e o puxando como se quisesse deixar os olhos dele no mesmo nível do seu.

-Então é isso... está preocupada com minha segurança, não é? –Draco fala a puxando para si e a abraçando, deixando seus rostos próximos. –Veio me procurar porque está com medo que eu me machuque, não quer perder esse deus nórdico não é? –Sua voz era maliciosa e seus lábios quase tocavam os dela ao falar.

-Deixa de ser pretensioso. –Gina fala juntando todas as suas forças para empurrá-lo, antes que cedesse e o beijasse. –Achei que Hermione estivesse aqui, mas já que só vi você, teve que servir. E não sorria desse jeito, eu estou pouco ligando para o que vai te acontecer, por mim tanto faz se vai voltar vivo, faltando pedaço ou morto.

-Nesse caso vá encher seu irmão com essas perguntas e esquece que eu existo. –Draco fala contendo a raiva, mas não deixando de empurrá-la fortemente contra uma estante para liberar o caminho a sua frente.

Não se importando com a dor que lhe tomou as costas, Gina sentiu seu estômago afundar e uma sensação angustiante de vazio. Não queria admitir, mas de certo modo Draco estava certo, sabia que Harry, Rony e Hermione se protegeriam, mas tinha medo que Draco se machucasse ao agir sozinho ou simplesmente não se adaptasse ao trabalho em equipe. Ergueu-se e se recompôs, não adiantaria ficar se lamentando, havia falado sem pensar e depois tentaria concertar isso, talvez ele esquecesse ou não levasse a sério, o importante naquele momento era achar os outros e descobrir mais sobre a missão.

Luna já havia procurado Rony por todo castelo e já pensava em desistir, quando o viu entrar no hall, vindo dos jardins com Dino e Simas. Aproximou-se e pediu aos outros dois que a deixassem a sós com Rony, pedido prontamente atendido pelos amigos.

-O que quer, Luninha? –Rony pergunta com um sorriso maroto, que a deixa ainda mais furiosa.

-Por que não me falou da missão? –Luna pergunta de forma direta e Rony recua um passo como se houvesse sido golpeado.

-Quem te falou sobre ela? –Rony pergunta confuso, os olhos percorriam o rosto zangado de Luna tentando descobrir algo.

-A pergunta certa é: por que você não me falou sobre ela? –O tom acusativo era evidente.

-Porque é muito perigosa e...

-E você me acha uma garota boba, que vive no mundo da lua, não é? –Além da raiva, Rony pôde ver mágoa nos grandes olhos azuis.

-Isso não é verdade, quando Harry me disse que não iria chamá-las para protegê-las, eu concordei na hora, não poderia ver minha Irma e minha namorada em perigo...

-E você não pensou em mim? Em como eu me sentiria deixada de lado como um estorvo? –Rony engoliu em seco ao ver as lágrimas se formarem nos olhos azuis que tanto amava.

-Você não tem experiência de batalha, é muito nova...

-Você se sente atraído por mim, me acha engraçada e finge se interessar pela minha conversa somente porque sou um bom passatempo, um corpo quente que pode abraçar e beijar... –Luna parou e fungou, já chorava descontroladamente. –Você ainda me vê como a Di-Lua, não gosta de verdade de mim, não se importa nem um pouco comigo, seu... seu... –Apesar do esforço para desabafar, Luna já não conseguia conter o choro e saiu correndo em direção a sua sala comunal.

Rony, em choque, ficou olhando o caminho que a namorada fizera, tentando entender o que havia acontecido. Barulhos de gente se aproximando o fizeram despertar e seguir até o salão principal, onde o jantar devia estar sendo servido e onde esperaria pelos amigos. Cerca de cinco minutos depois viu Harry e Hermione virem em sua direção e se sentarem a frente dele.

-O que houve Rony? Está com uma cara estranha. –Harry perguntou enquanto se servia.

-Luna descobriu sobre o que falamos hoje à tarde, não sei como, mas me acusou de ter mentido pra ela e de não gostar dela, falou um monte de coisas e depois saiu chorando! –Rony respondeu parecendo ainda não ter entendido o que havia acontecido.

-Como ela pode ter descoberto? –Harry repetiu a pergunta a si mesmo, olhando de Rony para Hermione.

-Talvez Saphira tenha desconfiado ou escutado algo e contou a ela. –Hermione pondera pensativa, externando um rápido diálogo que tivera com Sophia.

-Rhavic disse que vai investigar. –Harry fala baixo para que só os dois ouçam.

-Isso já não importa. Ela sabe e está furiosa comigo e provavelmente Gina deve estar da mesma forma! –Rony fala levando as mãos ao cabelo nervosamente, sua comida esquecida no prato e quase intocada.

-Não se preocupe Rony, eu vou pensar em um jeito de contornar essa situação ruim. Luna ainda vai ficar um pouco chateada, mas não deve durar muito, ela realmente gosta muito de você. –Hermione tenta tranqüilizar o amigo que apenas resmunga algo parecendo tentar acreditar no que Hermione dissera.

-Apôpis disse a Rhavic que Draco e Gina discutiram sobre isso. Elas parecem não saber que missão é, quando ou onde será, então acho que não temos que nos preocupar tanto. –Harry os informa, mas Rony parece não muito interessado nisto.

-Melhor falarmos disso depois, no meu quarto. –Hermione propõe e os dois assentem.

Após o jantar, Hermione foi buscar Gina para levá-la ao seu quarto, onde Harry e Rony já as aguardavam. Sophia e Saphira intermediariam a conversa com Luna. Assim que chegaram se sentaram junto aos rapazes na cama, Gina os olhava em um misto de raiva e mágoa.

-Sabemos que está furiosa por não termos contado nada antes, mas você deve entender que é uma missão muito arriscada e nós podemos nos machucar seriamente... –Hermione havia começado de modo prudente, mas Gina a interrompe indo direto ao assunto.

-E eu e Luna como somos duas garotinhas bobas só atrapalharíamos, não é? –O tom de sua voz estava carregado de sarcasmo e irritação.

-Vocês desviaram nossa atenção, ficaríamos preocupados com vocês e acabaríamos nos distraindo. –Harry responde de modo direto e um tanto frio.

-Além disso, ficaríamos sem cobertura. –Hermione se apressa em acrescentar. Gina pareceu aguardar o que ela tinha a falar. –Você e Luna são essenciais para nós, como apoio. Você e Luna não sabem detalhes sobre o que vai acontecer, mas saibam que serão duas missões, Draco e Rony vão atrás de uma horcrux e eu e Harry de outra. Então se acontecer algo a um de nós, os guardiões as informarão através de Saphira, então vocês poderão buscar ajuda para a dupla que se machucar ou até para as duas duplas caso seja necessário. O importante é que com vocês duas aqui, se falharmos teremos a chance de sermos resgatados. –Harry e Rony se olharam com cumplicidade e admiração pela esperta amiga. Gina parecia confusa, sem saber o que pensar.

-Você é mesmo muito esperta! –Gina reconhece após pensar por um tempo, suspirando resignada. –Sabe que eu e Luna não poderíamos nos negar a ficar aqui e apresentar uma chance de resgate caso aconteça um problema. No entanto, não achem que está tudo bem e vou aceitar isso de cabeça baixa.

-Eu sei, Luna está dizendo que era nossa obrigação como um grupo unido compartilhar as informações e tomarmos a decisão juntos. –Hermione transmite a mensagem e Rony parece ficar mais pálido, sabendo que no lugar dela se sentiria igual.

-A culpa foi minha, julguei que vocês não aceitariam ficar de fora, que iriam fazer de tudo para ir conosco. Admito que eu não pensei em uma chance de resgate e resolvi deixá-las de fora porque ainda não tem experiência para uma missão desse porte. Será muito mais perigoso que a nossa ida ao ministério no quinto ano, estaremos em um lugar não seguro, completamente estranho, sem preparação prévia e enfrentando criaturas e não comensais. –Harry faz uma pausa e continua com o tom sério e profundo que usara. –Quando se enfrenta humanos podemos contar com os sentimentos deles, no caso dos comensais no quinto ano, eles pegaram leve conosco porque nos acharam crianças tolas e incapazes de ser uma ameaça a eles. Nesta missão é provável que nos deparemos com criaturas como os inferis, seres que não pensam apenas atacam qualquer um que signifique ameaça ou invada seu território, sendo ele filhote ou não, por isso nossa preocupação maior com vocês duas.

-Eu entendo o que quer dizer, mas precisa aprender a confiar em nós. –Gina fala de modo objetivo, apesar de já estar mais calma.

-Luna está dizendo que enquanto não paramos de as vermos como crianças, não poderemos ser um time, pois sempre nos julgaremos superiores a elas. –Hermione repete as palavras da amiga, sentindo-se culpada pela atitude que tiveram, mas não demonstrando arrependimento.

-Será difícil para nós pararmos de tratar vocês duas assim, mas prometemos que vamos tentar, não é? –Rony fala e busca o apoio dos amigos.

-Sim, mas enquanto não nos mostrarem maturidade para participar de missões mais arriscadas, terão de se contentar com participar apenas das reuniões. –Harry fala de forma firme.

-Terão que nos prometer que até termos certeza de que estão prontas, não exigirão ir a campo quando julgarmos perigoso. –Hermione completa olhando seriamente para Gina, que ponderou por instantes.

-Prometo com a condição de que o teste seja aplicado e julgado pelos guardiões. –Gina propõe e os outros três trocam olhares como se ponderassem sobre a possibilidade.

-Tudo bem, eu concordo. –Hermione fala e os outros dois também concordam a seguir. –Luna disse que sendo assim também aceita a proposta.

Passaram a tratar do assunto e combinar os horários, passando resumidamente os dados que tinham para as meninas, de forma que elas pudessem orientar as equipes de resgate caso fosse necessário.

No dia seguinte pela manhã, Hermione se despediu de Harry para se encontrar com a professora McGonagall, enquanto ele ia passear com a mãe pelos jardins, Thiago estava em Londres em uma missão com Lupin. Já Rony se dedicou a procurar por Luna para conversarem.

Hermione bateu na porta do escritório da professora e a ouviu dar permissão para que entrasse. Melissa pedira um minuto enquanto terminava de ler algo e Hermione passou a se dedicar a observar melhor o escritório. A decoração era clássica, em tons escuros, as cortinas eram azuis e as estantes que cobriam boa parte das paredes estavam abarrotadas de livros, havia entre as estantes esculturas que pareciam de povos antigos e exalavam mistério e magia. Mas foi a mesinha de centro que chamou sua atenção, havia uma pirâmide de cristal e vários pergaminhos com hieróglifos, uns instrumentos estranhos também chamaram sua atenção, mas antes que pudesse examiná-los mais atentamente, sentiu a professora se aproximar.

-Desculpe ter te deixado, mas havia acabado de receber uma carta do meu namorado e não pude deixar de ler. –Hermione a olhou surpresa e viu que a professora corara levemente, enquanto pegava algo em uma estante próxima. –O nome dele é Nick, trabalha como inominável. –Ela parecia apaixonada, o que fez Hermione sorrir e observar o belo rapaz loiro e de olhos castanhos que sorria e acenava charmosamente para a namorada.

-É bonito. Namoram há muito tempo? –Pergunta se sentindo mais à-vontade, e se sentando após Melissa lhe indicar o sofá.

-Três anos. Pensamos em casar quando essa loucura toda terminar. –A resposta veio em tom sonhador, o que fez Hermione se sentir mais próxima da mulher a sua frente.

-Às vezes parece até loucura pensar em amor em meio a uma guerra. –Hermione comenta se deixando levar pelas lembranças tristes dos últimos tempos.

-Meu pai faleceu há pouco tempo e se não fosse Nick e minha mãe, não sei o que teria feito. Éramos muito ligados. –Essa confissão fez Hermione encarar Melissa, que ficara muito séria. –Em uma guerra, o amor é muito importante, porque nos faz lembrarmos-nos do que somos e do porque lutamos, sem pessoas que nos amam, é muito fácil nos perdemos em sentimentos errados como vingança. Quero justiça para o que houve com meu pai, mas não tenho vingança como um objetivo.

-Entendo bem o que quer dizer, aprendi que a vingança não supre nada do que precisamos, não alivia em nada a dor. Também sei que se não fosse Harry, eu não teria resistido a tudo pelo que passei, teria feito uma besteira.

-É bom ouvir isso, prova que está pronta para achar o que procura. –Melissa fala com um ar enigmático, de quem sabia mais do que transparência.

-Então descobriu algo? Tem alguma informação? –Hermione pergunta ansiosa, olhando da professora para os pergaminhos.

-Eu li uma parte de meus manuscritos e descobri algumas referências, mas ainda há muito documento a ser pesquisado, mais precisamente, aquela estante toda com exceção da prateleira de cima, que foi onde procurei até agora. –Melissa aponta para uma estante que estava atrás de Hermione e devia cobrir quase toda a parede dos fundos.

-Tudo bem, começamos por esses e depois passamos para as próximas prateleiras. –Hermione fala sem se intimidar com a quantidade de coisas a serem examinadas, o que parece animar a professora.

As duas passam a procurar pelo material que estava por ali e coleta informações, as quais escrevem em um pergaminho a parte. Duas horas depois estavam terminando de verificar a prateleira inferior a já examinada e voltavam para o centro da sala com diversos pergaminhos e livros que teriam que ser lidos atrás de alguma pista ou referência concreta.

Rony procurara por Luna durante todo o dia e depois do almoço vasculhou mais uma vez pela loira no mapa do maroto, sorrindo ao ver seu nome perto das estufas. Rapidamente o ruivo percorreu a distância até o jardim, examinando mais uma vez o mapa e verificando que ela estava no mesmo lugar. Quando chegou próximo ao local, a viu de quatro no chão, aparentemente procurando por algo na grama.

Abriu a boca para chamá-la, mas sua voz não saiu. Seus joelhos tremiam e suas mãos suavam frio. Mesmo depois de conversar com Harry não sabia direito o que diria a namorada para que tudo ficasse bem, só sabia que tinha que tentar.

-Oi, o que está fazendo? –Pergunta tentando soar casual.

-Você não gostaria de saber. –Luna responde de modo frio e sem se preocupar em parar o que fazia.

-Eu sei que fui um idiota no passado, fiz muitas piadas sobre você e te julguei sem te conhecer realmente. Mas isso foi antes de começarmos a sair... confesso que no início era mais por você estar realmente muito bonita, mas juro que nesse tempo em que namoramos eu passei a te conhecer melhor e não penso mais que você seja uma maluca ou coisa assim. –Rony fala olhando os próprios sapatos, sem coragem para ver a reação de Luna diante de sua confissão.

-Não pensa mesmo que eu seja uma lunática que só fala coisas sem sentido? –Pergunta se levantando e fixando os olhos azuis, nos azuis do namorado.

-Não. Confesso que nem sempre entendo ou presto atenção no que fala, mas também é assim quando converso com a Mione... eu sou meio burro mesmo, sabe? –Rony responde sem jeito, as orelhas ficando tão vermelhas quanto seus cabelos.

-Você não é burro, só é um pouco lento. –Luna fala segurando o riso e Rony sorri mais tranqüilo.

-Mas sou um idiota e insensível, que precisou correr o risco de te perder pra entender o que realmente sente. –Fala soando mais sério do que pretendia, enquanto buscava as mãos da garota. –Eu gosto muito de você, Luna e não quero te perder.

-E o que te garante que isso é realmente verdade? –havia hesitação na voz da loira, seus olhos mostravam que estava em conflito entre aceitar as desculpas dele e se manter firme em sua postura.

-Eu não como desde ontem à noite. Não consegui pensar em mais nada que não fosse te encontrar e pedir desculpas. –A resposta a pegou de surpresa, sabia que para Rony as horas das refeições eram sagradas.

-Então me promete que nunca mais vai me esconder nada tão importante? Que sempre que sair em missão ou acontecer um problema vai me contar? –Luna já estava bem próxima a ele, suas mãos apertavam as dele, que estavam tão frias quanto as suas.

-Prometo! Nunca mais terei segredos para você. –Rony garante não contendo um sorriso, que logo foi desfeito pelo contato dos lábios dela nos seus.



N/A: Oi, fiquei feliz em saber que estão gostando de D/G, nos próximos caps faço eles se acertarem! O casal desse cap foi R/L, mas para esse shipper eu não tenho o mínimo talento, então tentei fazer o melhor que pude.

N/A²: Próximo cap com muita ação, com destaque especial para Draco e Rony, vocês acham que essa dupla dará certo?

N/A³: Essa é uma fic com poucos comentários assim como outras. Sei que muitos lêem e não comentam e nem votam, sei que às vezes dá preguiça, mas acho legal vocês comentarem darem sugestões, fazerem pedidos e reclamarem de algo. Então pensando nisso resolvi mudar meu sistema de postagem, de agora em diante vai funcionar por prioridade. As fics têm sua lista de seqüência e agora passarão a ter uma prioridade também, então todas começarão com zero de prioridade e ganharam um ponto a cada cinco comentários, em um determinado dia vejo qual fic tem mais pontos e ela passa a ser a primeira na lista de atualizadas, se houver fics com a mesma prioridade vale a ordem de postagem! Então comentem bastante e não vale ser só “Atualiza!!!” tem que ser um comentário com conteúdo.

Compartilhe!

anúncio

Comentários (0)

Não há comentários. Seja o primeiro!
Você precisa estar logado para comentar. Faça Login.