Brasa sob cinzas



 



Oi, leitor(a) querido(a)! 



Está conseguindo acompanhar bem a história com suas indas e vindas entre presente e passado? Gostaria de saber o que está achando. Aguardo novos comentários! 



Beijos :*







 



Para ouvir antes, durante ou depois da leitura do capítulo:



Photograph



(Ed Sheeran)



http://bit.ly/2aiyYgh



 



 



"É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,

teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento

das horas ponha um frêmito em teus cabelos…"



(Mario Quintana)



 



 



 



 



Não era fácil para Hermione se comunicar com A Toca estando assim tão distante e ainda hospedada em um hotel trouxa. Mas precisava falar com Ron. O rapaz insistira para mandasse logo notícias da Austrália e, além do mais, ela estava morrendo de saudades do seu ruivinho.



única referência bruxa dela naquele distante e enorme país era Alice McGonagall. Sobrinha-neta da professora Minerva, Alice trabalhava no Ministério Bruxo da Austrália e estava ajudando Hermione a encontrar os pais. Precisou vencer um grande constrangimento, mas por fim pediu a jovem bruxa de longos cabelos louros e olhos cinzentos o favor de usar a lareira da casa dela, que estava conectada à Rede Internacional de Pó de Flu.



— Eu preciso falar com uma pessoa - não conseguia chamar Ron apenas de amigo, mas ainda não podia dizer que ele era o seu namorado. - Não vai ser demorado, mas é urgente.



— Pode ficar à vontade, Hermione. Eu devo analisar uns documentos que trouxe do Ministério e vou para o meu quarto, no segundo andar. Se precisar de algo, é só me chamar - a voz de Alice era suave.



Quando algumas figuras de cabelos laranja surgiram ainda embaçadas à sua frente, é que Hermione se deu conta. Não teria privacidade alguma para falar com Ron.



— Mione! Minha querida, que grata surpresa! Estamos muito felizes em entrar em contato com você - disse a sempre simpática Molly.



Logo em seguida foi saudada com entusiasmo por Gina, com cordialidade por Arthur e com fina ironia por Jorge. "Morrendo de saudades do Roniquinho, hein? Ele vai enfartar quando ver você na lareira", o rapaz brincou.



— Todos nós vamos até a cozinha para fazer um lanche de portas fechadas. Todos. Ouviu, Jorge? - ela puxou o filho pelos braços. - Vou chamar Ron para vocês poderem conversar com tranquilidade.



Menos de um minuto depois, Ron surgiu na frente da lareira esbaforido e com um largo sorriso no rosto. "Finalmente! Por que demorou tanto a se comunicar? Estava muito preocupado com você", o rapaz disparava.



A garota explicou as suas dificuldades. Desde que chegara à Austrália, há pouco mais de uma semana, só havia circulado por bairros trouxas. Ainda não obtivera qualquer pista do paradeiro dos pais. Por fim resolveu abrir mão do que seria seu último recurso e procurou pela sobrinha da professora Minerva.



— Amanhã vou até uma bruxa que é muito experiente na localização de pessoas desaparecidas. Foi indicação de uma feiticeira que conheci hoje no Ministério - ela falou.



— Hermione, isso pode ser muito perigoso! E se essa bruxa não for de confiança? -  Ron alertou-a.



— A sobrinha da professora Minerva vai comigo. Estou há dez dias aqui e não tenho sequer uma ideia de onde encontrar meus pais. A Austrália é um país enorme. Preciso fazer algo, entende? - a jovem bruxa argumentou.



Não acho uma boa ideia, mas se a sobrinha da professora Minerva vai com você, fico menos preocupado. Não demora a dar notícias. Por favor. Estou sentindo muita falta de você - com um jeito encabulado, ele confessou.



— Eu também sinto muita falta de você, Ron. E não vejo a hora da gente ter aquela conversa que já devia ter acontecido desde o fim da batalha - a garota deixou escapar.



— Sim, precisamos ter aquela conversa. Na verdade, queria estar com você pessoalmente agora. É muito sem graça se encontrar pela Rede de Pó de Flu - e, antes que a menina respondesse algo, completou: - A gente não pode se abraçar, se beijar...



Ron! - ela reclamou sem êxito, já que o sorriso denunciou que ficara feliz ao pensar em beijar novamente o ruivo. - Não posso demorar mais. Eu pedi o favor de usar a Rede de Flu da Alice e não me sinto muito confortável aqui.



— Hermione, eu... Eu tenho tanta coisa para dizer, mas não sei bem como falar. Gosto muito de você, Mione. Muito mesmo. E de um jeito mais forte até do que eu queria - ele tentou se declarar.



— De um jeito mais forte do que queria? Depois precisa me explicar isso. Mas não agora. Vamos deixar para concluir essa conversa quando eu voltar à Inglaterra - Hermione, apreensiva ao ouvir um barulho no andar de cima, interrompeu a fala do rapaz.



Eles se despediram com os corações batendo forte, sem imaginar que o relacionamento dos dois sofreria um grande abalo. No dia seguinte, Hermione se separaria do anel que ganhara do rapaz e o sentimento que os ligava, antes tão límpido, começaria a se enturvar.



 



 



 



* * * * * * * * * *



 



 



 



Aquela conversa pela lareira, que trazia tantas promessas, agora fazia parte de um passado remoto. Lembrava cada dia mais do ex-namorado e isso era dolorido. Se não tivesse agido de forma tão imatura, talvez os dois estivessem juntos até hoje.



Impossível mudar os acontecimentos. Melhor se concentrar no que podia fazer a partir de agora.



Antes não pensava, pelo menos não seriamente, na possibilidade de procurar pelo rapaz. Achava que Ron poderia estar em um relacionamento sério e sentir-se feliz distante dela. Mas depois da conversa com Gina...



Não podia mentir mais para si mesma. Queria muito encontrar com Ron, mas morria de medo de ser rejeitada e tratada mal por ele. Ao mesmo tempo acreditava que não tinha o direito de interferir na vida do rapaz. Afinal, não tinha escolhido se afastar do ex-namorado?



Mas o fato era que sofria muito sempre que se lembrava das palavras de Gina: "Tenho notícias do meu irmão pela mamãe. Ela também andou preocupada. Disse que Ron estava abatido, magro, triste". Será que o bruxo realmente não estava bem? E por que, mesmo tentando se convencer do contrário, achava que tinha alguma responsabilidade sobre isso?



Desde a conversa com Gina, há uma semana, Hermione não havia tomado mais qualquer iniciativa para ter notícias ou se reaproximar de Ron. Mas sentia que devia fazer alguma coisa. "Sou ou não uma grifinória? Tenho que agir com coragem", tentava convencer a si mesma.



Experimentava uma grande tensão e apenas uma pessoa podia confortá-la naquele momento: a sua grande amiga Isobel. Foi até a casa dela incerta sobre o que deveria dizer. Talvez precisasse apenas de uma companhia. Sentia-se muito solitária.



— Nesses dois últimos anos, fiz de tudo para me manter distante de Ron. Agora sinto que devo me reaproximar dele. Não sei por que, mas acho que Ron precisa de mim. Será que enlouqueci? - perguntou à amiga.



— Não, com certeza não enlouqueceu. Você fala que acha que Ron precisa de você. E eu lhe pergunto: será que você também não precisa dele? - Isobel a questionou.



— Eu devo estar tendo um momento de fraqueza. Na verdade, eu e Ron temos que ficar mesmo longe um do outro. Nosso relacionamento, desde sempre, foi muito conturbado. Brigamos demais e nos magoamos muito - tentou sair pela tangente.



 Você já falou isso muitas vezes, Hermione. Mas a verdade é que sua boca diz uma coisa, mas o tom de voz, olhos, expressão facial, gestos, tudo em você contradiz essas palavras. Podia deixar de lado todos esses conceitos, preconceitos e o grande medo que sente para ser guiada pelo coração - a velha bruxa aconselhou.



 Isobel, por favor, você não pode me pedir isso. Eu e Ron já magoamos demais um ao outro - repetiu como quem tenta convencer a si mesma. - Esse é um caminho sem volta.



— Seja como for, você precisa fazer o que o Ron do seu sonho sugeriu e voltar à Austrália para procurar por este anel - Isobel foi enfática.



— Sim, eu tenho pensado nisso. Mas não sei por onde começar - admitiu a jovem bruxa.



— Por que você finalmente não aceita o meu conselho e faz uma consulta com Constance Murdock. Tenho certeza que ela pode lhe ajudar - Isobel insistiu.



Hermione já havia recusado muitas vezes aquela sugestão. Nunca acreditara em previsões de futuro e em qualquer tipo de clarividência. O seu racionalismo, no entanto, não a tinha ajudado a fazer boas escolhas.



 Tudo bem. Eu aceito procurar por ela - a garota rendeu-se.



 



 



 



* * * * * * * * * *



 



 



 



Definitivamente, aquela sala desagradava Hermione. A luz difusa em tons rosados, a cortina adornada por desenhos orientais, a estátua de uma esfinge feita de mármore localizada em frente à porta de entrada e refletida no espelho dourado com arabescos, a mesa redonda de vidro sobre a qual ficava uma bola de cristal, as almofadas de tecido acetinado. Tentou fazer o que Isobel aconselhou e não julgar pelas aparências.



— Então, minha jovem, o que se passa em seu coração? - a bruxa à sua frente era de baixa estatura, tinha serenos olhos azuis e um sorriso sincero e acolhedor.



— Minha história é muito confusa. Complicada até de explicar - a menina começou.



— Cada um tem a sua complicação. Mas como você se sente no momento presente? - ela parecia olhar a alma de Hermione, que percebeu que não podia mentir.



— Estou sentindo muito medo. Acho que tomei algumas decisões erradas no passado que, naquele tempo, me pareciam certas - falou acreditando que não seria entendida.



— O arrependimento não muda o passado, mas nos ajuda a tomar decisões certas no presente. Aliás, o tempo presente é o que realmente importa. Essa é a ocasião que temos em mãos para fazer o bem, salvar uma vida, ser feliz - afirmou a bruxa que aparentava ter 10 anos a menos que a sua idade real.



Quiromancia, leitura das folhas de chã e bola de cristal. Hermione não acreditava em nada disso. Aliás, sempre detestara Adivinhação. Mas em consideração a Isobel, que pediu que desse um voto de confiança à amiga de longa data, aceitou ser submetida a tudo aquilo. Ficou surpresa ao ver que Constance, ao contrário da professora Sibila que fazia questão de falar as suas infundadas profecias, apenas sorria durante os momentos de consulta aos elementos mágicos.



— Você tem algum objeto que pertenceu a ele? Pode ser uma foto. Ou mesmo uma carta, algo que tenha escrito - Constance a questionou.



Hermione logo se lembrou daquele cartãozinho azul que guardava com tanto cuidado na carteira, junto com os documentos. Ficou em dúvida se devia retirá-lo do esconderijo e revelar tanto assim a sua intimidade. Mas já estava exposta, não havia jeito.



— Só tenho esse cartão aqui comigo. Não sei se serve - disse tímida.



— Ótimo! Está perfeito - a bruxa tirou o cartãozinho das mãos de Hermione.



A jovem bruxa sentiu um frio na barriga. Depois de tanto tempo, aquelas poucas palavras ainda mexiam com ela. "Hermione, eu não sei qual vai ser a sua resposta. Mas seja qual for, nunca vou sair de perto de você. Eu te amo. Ron".



Uma pontada de dor atingiu o coração de Hermione. Ron não cumpriu o que prometera. Estava distante, muito distante dela. Um ocea­­no e cerca de nove mil quilômetros separavam os dois.



Não tinha como culpar o ruivo. Sabia que era a principal responsável por Ron ter se afastado dela. Praticamente o obrigara a isso ao recusar um novo pedido, que ele prometeu que seria o último, para reatarem o namoro.



Sentiu-se tonta. Sua cabeça parecia girar sem parar. Ainda bem que estava sentada porque tinha a sensação de que não se sustentaria em pé. "Tudo bem com você, Hermione? As minhas consultas costumam mexer muito com as pessoas. Algumas chegam a perder os sentidos por alguns poucos minutos", afirmou Constance.



 Só estou um pouco tonta. Mas vai passar - a menina detestava mostrar-se frágil.



— Você pode escrever uma frase, qualquer uma, a primeira que lhe vier à cabeça, nesta folha - Constance pediu estendendo um pergaminho em branco e uma pena para a garota.



"Desejo que o medo não vença a guerra contra a esperança". Foi a primeira frase que veio à cabeça de Hermione, que a escreveu rapidamente, entregando o pergaminho a bruxa. "Muito bem. Agora vamos ver as duas letras juntas", Constance sorriu ao erguer um pêndulo que oscilava suavemente do cartão antigo para o texto em tinta fresca.



— Vou servir a você um chá enquanto conversamos - ela anunciou. - E não adianta recusar por que vai lhe fazer muito bem.



A jovem mal teve tempo de pensar se queria ou não um chá. Constance pousou a xícara em sua frente e Hermione reconheceu que qualquer coisa quente cairia muito bem naquela hora tensa. Olhou para a bruxa de cabelos pintados de louro, batom e esmalte vermelhos que sorria.



— O sentimento que existe entre vocês dois é muito forte, puro, verdadeiro, generoso. Não é de modo algum superficial ou feito para durar uma estação. Vi que existe um arco que os liga de eternidade a eternidade. Infelizmente este sentimento foi aprisionado por uma estranha força. Ainda existe, mas não consegue se mostrar - Constance Murdock explicou.



— Mas o que fez isso acontecer? - Hermione questionou.



— Não tenho uma resposta. Na verdade, acho que você vai precisar procurá-la sozinha. Quem sabe revisitando pessoas e lugares. Isso se achar importante reverter essa situação - ponderou.



 



 



* * * * * * * * * * * *



 



Será que Hermione finalmente vai tomar coragem e ir atrás de Ron? Ou pelo menos vai procurar o anel perdido na Austrália? Algo mais difícil do que achar uma agulha no palheiro, não é mesmo? 



Não percam o próximo capítulo!



 



 



 


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Comentários (3)

  • Morgana Lisbeth

    Oi, Aninha!Obrigada por estar me fazendo companhia.Pode deixar que não vou desistir da postagem. Na minha primeira fic, só recebi os comentários de uma leitora em tempo real; mas foi o suficiente para eu não desistir de postar.Bjs! 

    2016-08-01
  • Ana Clara Molina Ramos

    "O arrependimento não muda o passado, mas nos ajuda a tomar decisões certas no presente. " Frase boa demais! Adorei ! E essa indicação de música ? Perfeita

    2016-07-29
  • Ana Clara Molina Ramos

    Para Hermione: Aja como uma grifinória, atravesse um oceano e vai ser feliz, mulher. Pena que não é tão simples assim. Mas estou ansiosa por mais capítulos. Fic incrível ! *-*

    2016-07-29
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