O Beco Diagonal



Lilian acordou cedo na manhã seguinte. Embora soubesse que já era dia, continuou com os olhos bem fechados como o irmão ainda entava dormindo começou a pensar.


 


"Foi um sonho", disse a si mesmo com firmeza. “Sonhei que um gigante chamado Rúbeo Hagrid veio dizer que eu e meu irmão iriamos para uma escola de magia. Quando abrir os olhos estarei em casa no meu armário do lado do meu irmão.”


 


De repente ouviu um ruído alto de batidas.


 


"É a tia Petúnia batendo na porta", pensou Lilian, desanimanda. Mas, ainda assim, não abriu os olhos. Tinha sido um sonho tão bom.


 


Bum. Bum. Bum.


 


— Está bem — resmungou Lilian — já estamos levantando.


 


Sentou-se e o pesado casaco de Hagrid escorregou de seu corpo. O casebre estava inundado de sol, a tempestade passara, o próprio Hagrid estava dormindo no sofá desmontado e havia uma coruja batendo com a garra na janela, trazendo um jornal no bico. Vendo isso Lilian resolve acordar o irmão.


 


— Harry, acorda! Acho que eu ainda eutou sonhando ou você vai me falar que isso é real?


 


Nesse instante Harry abre o olho e olha ao seu redor.


 


— Se você esta sonhando eu estou também.


 


Harry ergueu-se de um pulo, sentia-se feliz como se houvesse um grande balão crescendo dentro dele.  Lilian foi direto à janela e abriu-a com um puxão. A coruja que estava batendo na janela entrou voando e deixou cair o jornal em cima de Hagrid, que nem acordou. A coruja então voou pelo chão e começou a atacar o casaco do gigante Hagrid.


 


— Não faça isso. — falou Harry.


 


Harry tentou espantar a coruja, mas ela o ameaçou com o bico e continuou a atacar ferozmente o casaco.


 


— Rúbeo! — chamou Lilian alto. — Tem uma coruja...


 


— Pague a ela — resmungou Hagrid dentro do sofá.


 


— Com o quê? — perguntaram juntos.


 


— Ela quer receber o pagamento pela entrega do jornal. Procure nos bolsos.


 


O casaco de Hagrid parecia ser feito só de bolsos, molhos de chaves, fichas de metal, rolinhos de barbante, balas de hortelã, saquinhos de chá... E finalmente, Lilian puxou um punhado de moedas estranhas.


 


— Dê a ela cinco Nuques — disse Hagrid sonolento.


 


— Nuques?


 


— As moedinhas de bronze.


 


Lilian contou cinco moedinhas de bronze e a coruja esticou a perna para ela enfiar o dinheiro numa carteirinha de couro que trazia presa. Em seguida saiu voando pela janela aberta.


 


Hagrid bocejou alto, sentou-se, espreguiçou-se.


 


— É melhor nos despacharmos, Harry, Lilian, temos muito que fazer hoje, temos que ir a Londres comprar todo o material escolar de vecês. Harry revirava as moedas mágicas, que tinha pego da irmã, para examiná-las. Acabara de pensar em uma coisa que o fez se sentir como se o balão da felicidade que havia dentro dele tivesse furado.


 


— Hum... Hagrid?


 


— Hum? — respondeu Rúbeo, calçando as enormes botas.


 


— Não temos dinheiro nenhum, e você ouviu tio Válter à noite passada, ele não vai pagar para aprendermos magia.


 


— Não se preocupe com isso — disse Hagrid, coçando a cabeça enquanto se levantava. — Vocês acham que seus pais não lhes deixaram nada?


 


— Mas se a casa foi destruída... — falou Lilian procurando entender.


 


— Eles não guardavam o ouro que tinham em casa, garota! Não, nossa primeira parada vai ser em Gringotes. O banco dos bruxos. Comam umas salsichas, elas não são ruins frias, e eu não deixaria de comer uma fatia do bolo de aniversário de vocês.


 


— Bruxos têm bancos?


 


— Só este. Gringotes. É administrado por duendes.


 


Harry deixou cair o pedaço de salsicha que tinha na mão.


 


— Duendes?


 


— É, e por isso que só um louco tentaria roubar o banco, é o que lhe digo. Nunca se meta com duendes, Harry, Gringotes é o lugar mais seguro do mundo para qualquer coisa que você queira guardar bem, com exceção de Hogwarts, talvez. Aliás, preciso mesmo ir a Gringotes. Para Dumbledore. Negócios de Hogwarts. — Hagrid se endireitou, orgulhoso. — Ele sempre me manda tratar de assuntos que acha importante. Buscar vocês, pegar coisas em Gringotes, sabe que pode confiar em mim, entendem? Apanharam tudo? Vamos, então.


 


Harry e Lilian seguiram Hagrid em direção ao rochedo. O céu estava bem claro agora e o mar cintilava ao sol. O barco que o Válter alugara continuava lá, com muita água no fundo depois da tempestade.


 


— Como foi que você chegou aqui? — perguntou Harry, procurando um segundo barco.


 


— Voando — respondeu Hagrid.


 


— Voando? — perguntou Lilian estranhando.


 


— É... Mas vamos voltar nisso ai. Não tenho permissão de usar mágica depois de apanhar vocês.


 


Eles se acomodaram no barco, Hanna ainda de olhos arregalados para Hagrid, tentando imaginá-lo voando.


 


— Mas parece um desperdício remar — disse Hagrid, lançando aos gêmeos um dos seus olhares de esguelha. — Se eu quisesse... Hum... Apressar um pouco as coisas, vocês se importaria de não dizer nada em Hogwarts?


 


— Claro que não. — falaram Harry e Lilian ansiosos para ver mais mágicas.


 


Hagrid puxou outra vez o guarda-chuva cor-de-rosa, deu duas pancadinhas no lado do barco e eles dispararam em direção ao continente.


 


— Por que só um louco tentaria roubar Gringotes? — perguntou Harry.


 


— Feitiços... Encantamentos — disse Hagrid desdobrando o seu jornal. — Dizem que há dragões guardando os cofres de segurança.


 


— Dragões? — perguntaram juntos.


 


— Sim, e depois é preciso conhecer o caminho. Gringotes fica embaixo de Londres, centenas de quilômetros abaixo.


 


— Como o metrô? — perguntou Harry tentando entender.


 


— Entendam mais fundo que o metrô. Você morreria de fome tentando sair de lá, mesmo que conseguisse pôr as mãos em alguma coisa.


 


Harry ficou sentado pensando no que ouvira enquanto Hagrid lia o jornal, O Profeta Diário. Harry e Lilian aprenderam com o tio Válter que as pessoas gostavam de ser deixadas em paz quando faziam isso, mas era muito difícil, nunca tivera tantas perguntas para fazer na vida.


 


— O Ministério da Magia anda aprontando as trapalhadas de sempre — resmungou Hagrid, virando a página.


 


— Tem um ministro da Magia? — perguntou Lilian antes que conseguisse se conter.


 


— Claro. Queriam nomear Dumbledore ministro, é claro, mas ele nunca ia largar Hogwarts, então o velho Cornelius Fudge ficou com o cargo. Trapalhão como ele só. Por isso ele bombardeia Dumbledore com corujas, toda manhã, pedindo conselhos.


 


— Mas o que é que o Ministério da Magia faz? — perguntou Harry.


 


— Bom, a principal tarefa é esconder dos trouxas que ainda existem bruxas e bruxos andando pelo país.


 


— Por quê? — perguntaram juntos.


 


— Por quê? Ora, Harry, Lilian, todo o mundo ia querer solucionar os problemas com mágicas. Não, é melhor que nos deixem em paz.


 


— Rúbeo, você pode me chamar de Lily se quiser.


 


— Tudo bem, Lily.


 


Nesse instante o barco bateu suavemente na parede do cais.Hagrid dobrou o jornal e eles subiram os degraus de pedra que levavam a rua.


 


As pessoas que passavam olhavam muito para Hagrid enquanto os três atravessaram a cidadezinha até a estação. Harry e Lilian não podia culpá-los. Não só Hagrid era duas vezes mais alto do que todo o mundo, como também não parava de apontar para coisas absolutamente comuns como parquímetros e comentar em voz alta:


 


— Está vendo isso, crianças? As coisas que esses trouxas inventam, hein?


 


— Rúbeo — disse Harry, meio ofegante de correr para acompanhar o passo dele seguido da irmã. — Você disse que há dragões em Gringotes? Mais como nunca vimos ou ouvimos nada de dragões, como isso é possível?


 


— Bem, é o que dizem que possuem, mas deve ter feitoços para abafar o som — Calou Hagrid. — Maneiro, eu gostaria de ter um dragão.


 


— Você gostaria de ter um? — dessa vez foi à vez de Lilian perguntar.


 


— Sempre quis ter um desde pequeno, é aqui que vamos.


 


Tinham chegado à estação. Havia um trem para Londres dali a cinco minutos. Hagrid, que não entendia o dinheiro dos trouxas, como o chamava, entregou as notas a Harry e Lilian para comprar as passagens.


 


No trem as pessoas ficaram olhando ainda mais Hagrid quando ocupou dois lugares e se pós a tricotar uma coisa amarelo-canário que lembrava uma lona de circo.


 


— Um de vocês gardou a carta? — perguntou enquanto contava as malhas do tricô.


 


Harry tirou o envelope de pergaminho do bolso.


 


— Ótimo. Aí tem uma lista de tudo que vocês vão precisar.


 


Harry desdobrou um segundo pedaço de papel em que não reparara na noite anterior e leu para irmã:


 


ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS


 


Uniforme:


 


Os estudantes do primeiro ano precisam de:


 


1. Três conjuntos de vestes comuns de trabalho (pretas)


2. Um chapéu pontudo simples (preto) para uso diário


3. Um par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)


4. Uma capa de inverno (preta com fechos prateados)


As roupas do aluno devem ter etiquetas com seu nome.


 


Livros:


 


Os alunos devem comprar um exemplar de cada um dos seguintes:


 


• Livro padrão de feitiços (1ª série) de Miranda Goshawk


• História da magia de Batilda Bagshot


• Teoria da magia de Adalberto Waffing


• Guia de transfiguração para iniciantes de Emerico Ewitch


• Mil ervas e Fungos mágicos de Fílida Spore


• Bebidas e poções mágicas de Arsênio Jigger.


• Animais fantásticos e seu habitat de Newton Scamander


• As Corças das trevas: Um guia de autoproteção de Quintino Trimble.


 


Outros Equipamentos:


 


• 1 varinha mágica


• 1 caldeirão (estanho, tamanho padrão 2)


• 1 conjunto de frascos


• 1 telescópio


• 1 balança de latão


 


Os alunos podem ainda trazer uma coruja ou um gato ou um sapo.


 


LEMBREMOS AOS PAIS QUE OS ALUNOS DO PRIMEIRO ANO NÃO PODEM USAR VASSOURAS PESSOAIS.


 


— Podemos comprar tudo isso em Londres? — perguntou-se Lilian em voz alta.


 


— Se vocês souberem aonde ir — respondeu Hagrid.


 


Harry e Lilian  nunca estiveram em Londres antes, Hagrid, embora parecesse saber aonde ia, obviamente não estava acostumado a chegar lá pelos meios comuns. Ficou entalado na roleta do metrô e queixou-se em voz alta que os assentos eram demasiado pequenos e os trens demasiado lentos.


 


— Não sei como os trouxas conseguem se arranjar sem mágica — disse, quando subiam uma escada rolante gasta que levava a uma rua movimentada com saídas dos dois lados.


 


Hagrid era tão grande que abria caminho pela multidão sem esforço, Harry e Lilian só precisava segui-lo de perto. Passaram por livrarias e lojas de musica, lanchonetes e cinemas, mas nenhuma loja parecia vender varinhas mágicas.


 


Aquela era apenas uma rua comum cheia de gente comum. Seria realmente possível que houvesse montes de ouro dos bruxos enterrados quilômetros abaixo dali? Haveria realmente lojas que vendessem livros de feitiços e vassouras? Não seria talvez uma grande peça que os Dursley tinham pregado? Se os gêmeos não soubessem que os Dursley não tinham senso de humor, poderia ter tirado uma dessas conclusões, mas, por alguma razão, embora tudo que Hagrid tivesse dito até ali fosse inacreditável, eles não podia deixar de confiar nele.


 


— É aqui — disse Hagrid parando. — O Caldeirão Furado. É um lugar famoso.


 


Era um barzinho sujo. Se Hagrid não o tivesse apontado, Harry ou Lilian nem teriam reparado que existia. As pessoas que passavam apressadas nem olhavam para aquele lado. Os olhos delas corriam da grande livraria a um lado a loja de discos no outro como se nem conseguissem ver O Caldeirão Furado. Na verdade Lilian teve a sensação muito estranha de que somente ela, irmão e Hagrid eram capazes de vê-lo. Antes que pudesse comentar isto, Hagrid os empurrou para dentro.


 


Para um lugar famoso, o Caldeirão era muito escuro e miserável. Havia umas velhas sentadas a um canto, bebendo pequenos cálices de xerez. Uma delas fumava um longo cachimbo.


 


Um homenzinho de cartola conversava com o velho garçom do bar, que era bem careca e parecia uma noz viscosa. O zunzum das conversas parou quando eles entraram. Todos pareciam conhecer Hagrid, acenaram e sorriram para ele, e o garçom apanhou um copo, perguntando:


 


— O de sempre, Hagrid?


 


— Não posso, Tom, estou a serviço de Hogwarts — disse Hagrid, dando uma palmada com a manzorra nos ombros de Harry e de Lilian, o que fez joelhos dos dois dobrarem.


 


— Meu Deus — exclamou o garçom, fitando os dois. — É... Será possível?


 


O Caldeirão Furado repentinamente parou e fez-se um silêncio total.


 


— Valha-me Deus — murmurou o velho garçom. — Os gêmeos Potter... Que honra.


 


E saiu correndo de trás do balcão, precipitou-se para Harry e agarrou suas mãos depois a de Lilian, as lágrimas nos olhos.


 


— Sejam bem-vindos, Sr. e Srta. Potter, sejam bem-vindos.


 


Harry e Lilian não sabiam o que dizer. Todos tinham os olhos neles. A velha com o cachimbo puxava o fumo sem se dar conta de que o cachimbo apagara. Hagrid sorria radiante.


 


Logo houve um grande arrastar de cadeiras e no momento seguinte os gêmeos se viram apertando as mãos de todos no Caldeirão Furado.


 


— Dóris Crockford, Sr. Potter não acredito que finalmente posso conhecêlo e você também Srta. Potter.


 


— Estou tão orgulhosa, Sr. e Senhorita Potter, tão orgulhosa.


 


— Sempre quis apertar suas mão estou nas nuvens. Encantado, Sr. e Sra. Potter, nem sei lhes dizer o quanto, Diggle é o meu nome, Dédalo Diggle.


 


— Já o vi senhor antes! — disse Harry, e a cartola de Diggle caiu de tanta excitação.


 


— É verdade. O senhor se curvou para nós uma vez numa loja.


 


— Eles se lembram! — exclamou Dédalo Diggle, olhando todos à volta. — Vocês ouviram isso? Eles se lembram de mim!


 


Harry apertou muitas mãos, seguido por Lilian. Dóris Crockford não parava de voltar para um novo aperto.


 


Um rapaz pálido adiantou-se, muito nervoso. Um olho trêmulo.


 


— Professor Quirrell! — disse Hagrid. — Harry, Lilian, o Professor Quirrell vai ser um dos seus professores em Hogwarts.


 


— P... P... Potters. — gaguejou o Professor Quirrell, apertando a mão de Harry depois de Lilian — N... N... Nem sei o que d... D... Dizer que p... P... P... Prazer enorme é c... C... Conhecê-los.


 


— Que tipo de mágica o senhor ensina, Professor Quirrell? — perguntou Lilian.


 


— D... Defesa c... C... Contra as a... Artes das t... Trevas — murmurou o Professor Quirrell, como se preferisse não pensar no assunto. — não que vocês p... P... Precisem, hein, Potters? — Ele riu nervoso. – V... Vocês vieram c... Comprar o material, suponho? Tenho que c... Comprar um livro n... Novo sobre vampiros — Parecia aterrorizado só de pensar.


 


Mas os outros não queriam deixar o Professor Quirrell ficar com os gêmeos só para ele. Levou bem uns dez minutos para os dois se livrarem de todos. Finalmente, Hagrid conseguiu se fazer ouvir naquela balbúrdia.


 


— Precisamos nos apressar. Temos muitas compras a fazer. Vamos, crianças.


 


Dóris Crockford apertou a mão de Harry e Lilian uma última vez e eles passaram pelo bar e saíram num pequeno pátio murado, onde não havia nada exceto uma lata de lixo e um pouco de mato.


 


Hagrid sorriu para os dois.


 


— Eu lhes falei, não foi? Falei que vocês eram famosos. Até o professor Cessar Quirrell ficou tremendo de emoção de o conhecer, mas, em geral, ele está sempre tremendo.


 


— Ele é sempre tão nervoso? — perguntou Harry.


 


— Ah, é, coitado. Uma cabeça brilhante. Foi bem enquanto estudou em livros, mas quando tirou um ano para aprender na prática... Dizem que encontrou vampiros na Floresta Negra e teve um problema feio com uma feiticeira, nunca mais foi o mesmo. Tem pavor dos alunos, tem pavor da matéria que ensina, agora, cadê o meu guarda-chuva?


 


Vampiros? Feiticeiras? As cabeças dos gêmeos estavam girando.


 


Entrementes, Hagrid contava tijolos na parede por cima da lata de lixo.


 


— Três para cima... Dois para o lado... — murmurou. — Certo, chegue para trás, Harry e você também Lily.


 


Ele bateu na parede três vezes com a ponta do guarda-chuva. E o tijolo que tocou estremeceu, torceu-se. No meio apareceu um buraquinho, que se foi alargando cada vez mais. Um segundo depois se viram diante de um arco bastante grande até para Hagrid, um arco que abria para uma rua de pedras irregulares, serpeava e desaparecia de vista.


 


— Bem-vindos — disse Hagrid — ao Beco Diagonal.


 


Ele riu do espanto de Harry e Lilian. Atravessaram o arco. Harry deu uma espiada rápida por cima do ombro e viu o arco encolher instantaneamente e virar uma parede sólida enquanto a irmã via o mesmo.


 


O sol refulgia numa pilha de caldeirões à porta da loja mais, próxima.


 


Caldeirões — Todos os Tamanhos — Cobre, Latão, Estanho, Prata — todos os tamanhos, dizia um letreiro acima.


 


— É vocês vão precisar de um cada, uma coisa que quase me esquci, a professora McGonagall me disse se vocês quiserem pode comprar um livro só para cada matéria para vocês usasem juntos que não teria problema, mas em poções teria que comprar tudo dobrado. Certo, só se quiserem, é claro — disse Hagrid —, mas temos de apanhar o dinheiro de vocês primeiro.


 


Harry e Lilian desejaram ter oito olhos. Viravam a cabeça para todo o lado enquanto caminhavam pela rua, tentando ver tudo ao mesmo tempo: as lojas, as coisas as portas, as pessoas fazendo compras.


 


Uma mulher gorducha do lado de fora de uma farmácia abanou a cabeça quando passaram por ela e disse:


 


— Fígado de dragão, dezessete sicles trinta gramas, eles endoidaram... Um pio baixo e suave veio de uma loja escura com um letreiro onde se lia "Empório de Corujas — douradas, das torres, do campo, marrons e brancas".


 


Vários garotos mais ou menos da idade dos gêmeos espremiam os narizes contra a vitrine que tinha vassouras.


 


— Olhe — Harry, ouviu um deles dizer — a nova Nimbus 2000, mais veloz que nunca.


 


Harry e Lilian se encararam não entendendo nada que tinham dito e proseguiram a andar. Havia lojas que vendiam vestes, lojas que vendiam telescópios e estranhos instrumentos de prata que Harry e Lilian nunca viram antes, janelas com pilhas de barris contendo baços de morcegos e olhos de enguias, pilhas mal equilibradas de livros de feitiços, penas de aves para escrever e rolos de pergaminhos, vidros de poções, globos de...


 


— Gringotes — anunciou Hagrid.


 


Tinham chegado a um edifício muito branco que se erguia acima das lojinhas. Parado diante das portas de bronze polido, usando um uniforme vermelho e dourado, havia...


 


— É, é um duende — disse Hagrid baixinho, enquanto subiam os degraus de pedra branca até o duende. Ele era uma cabeça mais baixa do que Harry.


 


Tinha uma cara escura e inteligente, uma barba em ponta e, Harry reparou, mãos e pés muito compridos. O duende os cumprimentou com uma reverência quando entraram. Em seguida depararam com um segundo par de portas, desta vez de prata, onde havia gravado o seguinte:


 


Entrem, estranhos, mas prestem atenção,


Ao que espera o pecado da ambição,


Porque os que tiram o que não ganharam


Terão é que pagar muito caro,


Assim, se procuram sob o nosso chão,


Um tesouro que nunca enterraram,


Ladrão, você foi avisado,


Cuidado, pois vai encontrar mais do que procurou.


 


— Esclarecedor. — disse Lilian ao terminar de ler.


 


— Não disse? Só um louco tentaria roubar o banco — lembrou Hagrid.


 


Dois duendes se curvaram quando eles passaram pelas portas de prata e desembocaram em um grande saguão de mármore.


 


Havia mais de cem duendes sentados em banquinhos altos atrás de um longo balcão, escrevendo em grandes livros-caixas, pesando moedas em balanças de latão, examinando pedras preciosas com óculos de joalheira. Havia ao redor do saguão portas demais para contar, e outros tantos duendes acompanhavam as pessoas que entravam e saiam por elas. Hagrid, Lilian e Harry se dirigiram ao balcão.


 


— Bom dia — disse Hagrid a um duende desocupado. Viemos sacar algum dinheiro do cofre do Sr. Harry Potter e da Sra. Lilian Potter.


 


— Os senhores tem a chave?


 


— Tenho em algum lugar — disse Hagrid e começou a esvaziar os bolsos em cima do balcão, espalhando um punhado de biscoitos de cachorro mofados em cima do livro-caixa do duende. O duende franziu o nariz. Harry observou o duende do lado direito pesar um monte de rubis do tamanho de carvões em brasa e Lilian observou que o duende do lado esquerdo estava contando algumas moedas de ouro.


 


— Achei — exclamou Hagrid finalmente, mostrando uma chavinha de ouro.


 


O duende examinou-a cuidadosamente.


 


— Parece estar em ordem.


 


— E tenho aqui também uma carta do professor Dumbledore — falou Hagrid com ar importante, tirando-a do bolso do casaco. — É sobre Você-Sabe-O-Quê que está no cofre setecentos e treze.


 


O duende leu a carta com atenção.


 


— Muito bem! — Calou, devolvendo a carta a Hagrid. — Vou mandar alguém levá-lo aos dois cofres. Grampo!


 


Grampo era outro duende. Depois que Hagrid enfiou todos os biscoitos de cachorro de volta nos bolsos, ele, Lilian e Harry acompanharam Grampo a uma das portas que havia no saguão.


 


— O que é o Você-Sabe-O-Quê no cofre setecentos e treze — perguntou Harry.


 


— Não posso lhe contar — respondeu Hagrid misterioso — Muito secreto.  Negócios de Hogwarts. Dumbledore me confiou. Meu emprego vale mais do que à vontade de lhe contar.


 


— Não se preocupa, sem mais perguntas sobe isso. — falou Lilian tranquilamente.


 


Grampo segurou a porta aberta para eles passarem. Harry e Lilian, que esperaram mais mármore, surpreenderam-se. Encontravam-se em uma passagem estreita de pedra, iluminada por archotes chamejantes. Era uma descida íngreme, em que havia pequenos trilhos. Grampo assobiou e um vagonete disparou pelos trilhos em sua direção.


 


Eles embarcaram Hagrid com alguma dificuldade e partiram, Harry havia se espremido no espaço que ainda restava do vagonete e Lilian em seu colo. A princípio eles apenas viajaram em alta velocidade por um labirinto de passagens cheias de curvas. Harry tentou memorizar com ajuda da irmã, esquerda, direita, direita, esquerda, em frente no entroncamento, direita, esquerda, mas era impossível. O vagonete barulhento parecia conhecer o caminho, porque Grampo não o estava dirigindo.


 


Os olhos de Harry ardiam no ar frio que passava rápido por eles, mas mantinha-os bem abertos enquanto Lilian abraçava o irmão para se esquentar mais mantinha os olhos tanbem bem abertos. Uma vez, eles pensaram ter visto uma labareda no fim da passagem e se virou para conferir se era um dragão, mas foi tarde demais, eles mergulharam ainda mais fundo, passaram por um lago subterrâneo onde se acumulavam no teto e no chão enormes estalactites e estalagmites.


 


— Eu nunca sei — gritou Harry para Hagrid e Hanna poderem ouvi-lo — qual é a diferença entre uma estalactite e uma estalagmite.


 


— Estalagmite tem um "m" — disse Hagrid — E não me faça perguntas agora acho que vou enjoar.


 


— Em casa eu te explico, e toma coudado acho que Rúbeo vai vomitar — gritou Lilian para ser ouvida.


 


Ele realmente estava muito verde e quando o vagonete afinal parou ao lado de uma portinhola na passagem, Hagrid saltou e precisou se apoiar na parede para os joelhos pararem de tremer.


 


Grampo destrancou a porta. Saiu uma grande nuvem de fumaça verde e enquanto ela se dissipava, Harry e Lilian ficaram sem respirar. Dentro havia montes de moedas de ouro. Colunas de prata. Pilhas de pequenos nuques de bronze.


 


— É tudo de vocês — sorriu Hagrid.


 


Tudo deles — era inacreditável. Os Dursley com certeza não sabiam da existência daquilo ou teriam tirado tudo mais rápido do que uma piscadela. Quantas vezes tinham se queixado do quanto lhes custava criar Harry e Lilian? E durante todo aquele tempo havia uma pequena fortuna que lhes pertencia, enterrada no subsolo de Londres. Hagrid ajudou Harry e Lilian a guardar um pouco do dinheiro em uma saca.


 


— As moedas de ouro são galeões — explicou ele. — Dezessete sicles de prata fazem um galeão e vinte e nove nuques fazem um sicle, é bem simples. Certo, isto deverá ser suficiente para uns dois períodos letivos, guardaremos o resto bem guardado para vocês. — Hagrid virou-se para Grampo. — O cofre setecentos e treze agora, por favor, e será que podemos ir mais devagar.


 


— Só tem uma velocidade — calou Grampo.


 


Viajaram mais para o fundo agora e ganharam velocidade. O ar foi se tornando cada vez mais frio enquanto disparavam pelas curvas fechadas. Sacolejavam por uma ravina subterrânea e Harry e Lilian debruçaram-se para um lado para tentar ver o que havia no fundo, mas Hagrid gemeu e o puxou-os para trás pelo cangote.


 


O cofre setecentos e treze não tinha fechadura.


 


— Para trás disse Grampo com ar de importância. Alisou a porta devagarinho com o seu dedo comprido e ela simplesmente se dissolveu. — Se alguém que não fosse um duende de Gringotes tentasse o mesmo, seria engolido pela porta e ficaria preso lá dentro — explicou Grampo.


 


— Com que freqüência você vem ver se tem alguém lá dentro? — perguntou Harry.


 


— Uma vez a cada dez anos — disse Grampo, com um sorriso maldoso.


 


Devia haver alguma coisa realmente extraordinária nesse cofre de segurança máxima, Harry e Lilian tinham certeza, e se curvaraam para frente pressuroso, esperando ver no mínimo jóias fabulosas, mas no primeiro momento acharam que estava vazio. Depois notaram um embrulhinho encardido no chão. Hagrid apanhou-o e o guardou muito bem no casaco.


 


Harry tinha muita vontade de saber o que era, mas sentia que era melhor não perguntar olhou para irmã e percebeu que também estava com vontade de perguntar também, mas comcordaram ficar quietos só com o olhar de um ao outro.


 


— Vamos voltar para esse vagonete infernal, e não falem comigo no caminho de volta é melhor eu ficar de boca fechada — comentou Hagrid.


 


Depois de mais uma viagem no vagonete descontrolado, eles chegaram à claridade do sol do lado de fora de Gringotes. Harry e Lilian não sabia aonde correr primeiro agora que tinham uma saca cheia de dinheiro. Não precisava saber quantos galeões faziam uma libra para saber que estavam carregando mais dinheiro do que jamais tiveram na vida inteira mais dinheiro até do que Duda jamais tivera.


 


— Vamos comprar logo os seus uniformes — falou Hagrid, indicando com a cabeça a loja Madame Malkin — Roupas para Todas as Ocasiões.


 


— Escute aqui, Harry, Lily, vocês se importa se eu der uma corrida no Caldeirão Furado para tomar um tônico? Detesto esses vagonetes de Gringotes. — Ele realmente parecia meio enjoado, por isso Harry e Lilian entraram na loja Madame Malkin sozinhos, um pouco nervosos.


 


Madame Malkin era uma bruxa baixa, gorda e sorridente, toda vestida delilás.


 


— Hogwarts, queridos? — perguntou quando Hanna começou a falar. — Tenho tudo aqui. Para falar a verdade, tem outro rapazinho agora ajustando uma roupa.


 


Nos fundos da loja, um garoto de rosto pálido e pontudo estava em pé em cima de um banquinho enquanto uma segunda bruxa encurtava suas compridas vestes pretas. Madame Malkin colocou Harry num banquinho ao lado do outro e Lilian ao seu lado em outro banhinho, enfiou-lhes uma veste comprida pela cabeça e começou a marcar a bainha na altura certa.


 


— Alô — cumprimentou o garoto. — Hogwarts também?


 


— É — confirmaram Harry e Lilian juntos.


 


— Meu pai está na loja ao lado comprando meus livros e minha mãe está mais adiante procurando varinhas — disse o garoto. Tinha uma voz de tédio arrastada. — Depois vou levar os dois para dar uma olhada nas vassouras de corridas. Não vejo por que os alunos de primeira serie não podem ter vassouras individuais. Acho que vou obrigar papai a me comprar uma e vou contrabandeá-la para a escola às escondidas.


 


O garoto lhes lembrou muito o Duda.


 


— Vocês têm vassouras? — perguntou o garoto.


 


— Não. — responderam juntos


 


— Sabem jogar Quadribol?


 


— Não. — responderam novamente, Harry olhou para irmã que possuia a mesma cara que ele, onde os dois se perguntavam-se que diabo seria esse tal de Quadribol.


 


— Eu sei, meu pai falou que vai ser um crime se não me escolherem para jogar pela minha casa, e sou obrigado a dizer que concordo. Já sabem em que casa vocês vão ficar?


 


— Não. — responderam novamente, sentindo-se a cada minuto mais idiotas.


 


— Bom ninguém sabe mesmo até chegar lá, não é, mas sei que vou ficar na Sonserina, toda a nossa família ficou lá, imagine ficar na Lufa-Lufa, acho que eu saia da escola, você não?


 


— Hum-hum — concordou Harry, desejando que pudesse responder algo um pouquinho mais interessante.


 


— Eu não sei mais acho que quero ficar em qualque lugar onde ele não estiver. — cochichou Lilian só para Harry ouvir.


 


— Caramba, olha aquele homem! — falou o garoto de repente indicando com a cabeça a vitrine. Rúbeo estava parado diante dela, rindo para Harry e Lilian e apontando para três grandes sorvetes para explicar que não podia entrar.


 


— É o Rúbeo — disse Harry, contente por saber alguma coisa que o garoto não sabia.


 


— Ele trabalha em Hogwarts. — completou a irmã satisfeita com a cara do menino.


 


— Ah ouvi falar dele. E uma espécie de empregado, não é?


 


— É o guarda-caça — explicou Harry. A cada segundo gostava menos do garoto.


 


— É, isso mesmo. Ouvi falar que é uma espécie de selvagem. Mora num barraco no terreno da escola e de vez em quando toma um pileque, tenta fazer mágicas e acaba tocando fogo na cama.


 


— Acho que ele é brilhante — retorquiu Lilian com frieza, gostando cada vez menos dele.


 


— Ah, é? — disse o garoto com um leve desdém. — Porque é que ele está acompanhando você? Onde estão os seus pais?


 


— Estão mortos — respondeu Harry secamente. Não tinha muita vontade de alongar o assunto com esse garoto.


 


— Ah, lamento, vocês são irmãos então? — disse o outro, sem parecer lamentar nada.


 


— Sim.


 


— Mas eram do nosso povo, não eram?


 


— Eram bruxos, se é isso que você está perguntando. — disse Lilian quase cuspindo as palavras.


 


— Eu realmente acho que não deviam deixar outro tipo de gente entrar, e vocês? Não são iguais a nós, nunca foram educados para conhecer o nosso modo de viver. Alguns nunca sequer ouviram falar de Hogwarts até receberem a carta, imagine. Acho que deviam manter a coisa entre as famílias de bruxos. Por falar nisso, como é o sobrenome de vocês?


 


Mas antes que um deles pudesse responder, Madame Malkin anunciou:


 


— Terminei com vocês, queridos. E, Harry, nada frustrado com a desculpa para interromper a conversa com o garoto, pulou do banquinho para o chão e puxou a irmã para fora.


 


— Bom, vejo vocês em Hogwarts, suponho — disse o garoto de voz arrastada.


 


Harry e Lilian ficaram muito quietos enquanto comiam os sorvetes que Hagrid trouxera (chocolate e amora com nozes picadas).


 


— Que aconteceu com vocês? — perguntou Hagrid.


 


— Nada — mentiu Harry e Lilian juntos.


 


Eles pararam para comprar pergaminho e penas. Harry se animou um pouco quando descobriu um vidro de tinta que mudava de cor enquanto a pessoa escrevia e Lilian com uma pena de auto correção. Quando saíram da loja,  Lilian pergunto:


 


— Rúbeo, o que é Quadribol?


 


— Caramba, Lily, vivo me esquecendo que vocês não sabem quase nada, raios, não saberem o que é Quadribol!


 


— Não nos faça sentir pior — disse Harry e contou a Hagrid sobre o garoto pálido na loja de Madame Malkin.


 


—... E ele disse que nem deviam permitir a gente que pertence à família de trouxas...


 


— Vocês não pertencem a uma família de trouxas. Se ele soubesse quem vocês são... Ele cresceu sabendo os seus nomes e se os pais dele forem bruxos. Você viu o pessoal do Caldeirão Furado. Em todo o caso, o que é que ele sabe das coisas, alguns dos melhores bruxos que já conheci vinham de uma longa linhagem de trouxas. Veja a sua mãe! Veja só quem é irmã dela!


 


— Então, o que é Quadribol. — perguntou Lilian finalmente.


 


— É o nosso esporte. Esporte de bruxos. É como o futebol no mundo dos trouxas. Todos praticam Quadribol. A gente joga no ar montado em vassouras com quatro bolas. É meio difícil explicar as regras.


 


— E o que são Sonserina e Lufa-Lufa?


 


— Casas na escola. São quatro. Todo mundo diz que Lufa-Lufa só tem panacas, mas...


 


— Aposto que estou na Lufa-Lufa — disse Harry — deprimido.


 


— Então somos dois. — completou a irmã.


 


— É melhor a Lufa-Lufa do que a Sonserina — sentenciou Hagrid, misterioso. — Não tem um único bruxo nem uma única bruxa desencaminhados que não tenham passado por Sonserina. Você-Sabe-Quem foi um deles.


 


— Vol ... Desculpe... Você-Sabe-Quem esteve em Hogwarts?


 


— Há muitos e muitos anos.


 


Eles compraram os livros escolares de Harry e Lilian  em uma loja chamada Floreios e Borrões, onde as prateleiras estavam abarrotadas até o teto com livros do tamanho de paralelepípedos encadernados em couro, livros do tamanho de selos postais com capas de seda, livros cobertos de símbolos curiosos e alguns livros sem nada. Até Duda, que nunca lia nada, teria ficado doído para pôr as mãos em alguns desses livros. Decidiram que cada um teria o seu livro para não depender um do outro o tempo todo. Hagrid quase teve de arrastar Harry para longe do Pragas e Contrapragas (Encante os seus amigos e confunda os seus inimigos com as últimas vinganças: perda de cabelos, pernas bambas, língua presa e muitas, muitas mais) do Professor Vindicto Viridiano e arrastar Lilian para fora da loja dizendo que em Hogwarts possuia uma biblioteca imensa com os mesmos livros da loja e até mais.


 


— Eu estava tentando descobrir como jogar uma praga para o Duda.


 


— Isso seria legal, pelomenos assim ele pararia de encher o nosso saco.


 


— Não vou dizer que não é uma boa idéia, mas vocês não podem usar mágicas no mundo dos trouxas a não ser em situações muito especiais — disse Hagrid — De qualquer modo, vocês ainda não poderiam lançar nenhuma dessas pragas, vão precisar de muito estudo antes de chegar a esse nível.


 


Hagrid não deixou Harry comprar um caldeirão de ouro maciço tampouco como não deixou Lilian comprar um encravado de diamantes ("Diz estanho na sua lista”), mas compraram duas balanças bonitas para pesar os ingredientes das poções e um telescópio desmontável de latão para cada. Visitaram a farmácia, que era bem fascinante para compensar seu cheiro horrível, uma mistura de ovo estragado e repolho podre. Havia no chão barricas de coisas viscosas, frascos com ervas, raízes secas e pós coloridos cobriam as paredes, feixes de penas, fieiras de dentes e garras retorcidas pendiam do teto. Enquanto Hagrid pedia ao homem atrás do balcão um conjunto de ingredientes básicos para preparar poções para Harry e Lilian, os próprios Harry e Lilian examinavam chifres de prata de unicórnios, a vinte e um galeões cada, e minúsculos olhos faiscantes de besouros (cinco nuques uma concha). Ao saírem da farmácia, Hagrid verificou a lista dos gêmeos mais uma vez.


 


— Só falta a varinha. Ah é, e ainda não comprei o presente de aniversário de vocês.


 


Harry e Lilian sentiram-se o rosto corar.


 


— Você não precisa. — falaram em uníssemo som.


 


— Eu sei que não preciso. Vamos fazer o seguinte, vou comprar um bicho para cada. Não vai ser sapo, os sapos saíram de moda há muitos anos, todo mundo ia rir de vocês, e não gosto de gatos, eles me fazem espirrar. Vou-lhes comprar duas corujas. Todos os garotos querem corujas, são muito úteis, levam cartas e tudo o mais.


 


Chagando Ao Empório de Corujas foram pego por muitas corujas a loja ia do chão ao teto, gaiolas e mais gaiolas com corujas de todos os tamanhos e cores. A loja era escura e cheia de ruídos e brilhos e olhos que cintilavam como jóias. 


 


 — Então esconham a sua! — falou Hagrid vendo o sorriso dos Gêmeos.


 


Lilian foi para um canto da loja e Harry para o outro mais nenhuma coruja os animava até que Harry tombou com a irmã no meio da loja e viram uma gaiola com duas corujas muito idênticas, uma branca e uma acinzalada muitos bonitas.


 


— Então já decidiram que coruja querem? — perguntou o dono da loja aos dois.


 


— Eu quero aquela — responderam ao mesmo tempo, Harry apontando para uma coruja branca e Lilian para a acinzalada.


 


— Hum... Interessante, são corujas das neves irmãs uma não sai do lado da outra por quase nada. — dito isso foi preparar as corujas para os clientes.


 


Vinte minutos depois, eles saíram do Empório de Corujas. Harry agora carregava uma grande gaiola com uma bela coruja branca como a neve, que dormia profundamente, a cabeça debaixo da asa e Lilian uma gaiola com uma coruja acinzentada que olhava para todos os lados. Eles não paravam de agradecer, parecia até o Professor Quirrell.


 


— Não tem do quê — respondia Hagrid rouco. — Acho que vocês nunca ganharam muitos presentes dos Dursley. Agora só falta Olivaras, a única loja de varinhas, Olivaras, e vocês precisam ter as melhores varinhas do mundo.


 


Uma varinha mágica... Era realmente o que Harry e Lilian andaram desejando.


 


A última loja era estreita e feiosa. Letras de ouro descascadas sobre a porta diziam Olivaras Artesãos de Varinhas de Qualidade desde 382 A.C. Havia uma única varinha sobre uma almofada púrpura desbotada, na vitrine empoeirada. Um sininho tocou em algum lugar no fundo da loja quando eles entraram. Era uma lojinha mínima, vazia, exceto por uma única cadeira alta e estreita em que Hagrid se sentou para esperar. A loja tinha uma escada à direita, um balcão à esquerda e centenas de caixinhas retangulares na parede, e parecia ter mais ao fundo.


 


Harry e Lilian tiveram a mesma sensação esquisita como se tivesse entrado em uma biblioteca muito exclusiva, engoliram um monte de perguntas novas que tinham acabado de lhes ocorrer e ficaram espiando os milhares de caixas estreitas arrumadas com cuidado até o teto. Parecia não ter ninguém. Lilian deu uma marteladinha no sino do balcão e esperou até alguem aperecesse. A própria poeira e o silêncio ali pareciam retinir com uma magia secreta.


 


— Boa tarde — disse uma voz suave. Harry se assustou. Hagrid devia terse assustado também, porque se ouviu um rangido alto e ele se levantou rapidamente da cadeira alta e estreita, mas Lilian parecia que não já que foi a única a não dar um salto e foi a primeira a responder sem muita reação.


 


— Boa tarde, senhor.


 


Havia um velho parado diante deles, os olhos grandes e muito claros brilhando como duas luas na penumbra da loja.


 


— Alô — disse Harry sem jeito.


 


— Ah, sim — disse o homem. — Sim, sim. Achei que ia vê-los em breve. Harry e Lilian Potter. — Não era uma pergunta. — Você tem os olhos de sua mãe Sr. Potter e você Sra. Potter tem os olhos do seu pai. Parece que foi ontem que eles esteveram aqui, comprando a primeira varinha. Vinte e seis centímetros de comprimento, farfalhante, feita de salgueiro, de sua mãe. Uma boa varinha para encantamentos.


 


O Sr. Olivaras chegou mais perto dos dois. Eles desejaram que ele piscasse. Aqueles olhos prateados lhes davam um pouco de medo.


 


— Já o pai de vocês, deu preferência a uma varinha de mogno. Vinte e oito centímetros. Flexível. Um pouco mais de poder e excelente para transformações. Bom, digo que seu pai deu preferência, na realidade é a varinha que escolhe o bruxo, é claro.


 


O Sr. Olivaras chegara tão perto que ele, Harry e Lilian estavam quase encostando os narizes. Harry viu-se refletido naqueles olhos.


 


— E foi aí que...


 


O Sr. Olivaras tocou a cicatriz feita pelo relâmpago na testa de Harry com um dedo branco e longo e depois repetiu o movimento no ombro esquerdo de Lilian.


 


— Lamento dizer que vendi a varinha que fez isso — disse ele suavemente. — Trinta e cinco centímetros. Nossa. Uma varinha poderosa, muito poderosa nas mãos erradas... Bom, se eu tivesse sabido o que a varinha ia sair por aí fazendo...


 


Ele sacudiu a cabeça e então, para alivio de Harry e Lilian, viu Hagrid.


 


— Hagrid! Hagrid, Hagrid! Que bom ver você de novo... Carvalho, quarenta centímetros, meio mole, não era?


 


— Era, sim senhor.


 


— Boa varinha, aquela. Mas suponho que a tenham partido ao meio quando o expulsaram? — disse o Sr. Olivaras repentinamente sério.


 


— Hum... Partiram, é verdade — disse Hagrid, arrastando os pés. — Mas ainda guardo os pedaços — acrescentou animado.


 


— Mas você não os usa? — perguntou o Sr. Olivaras severo.


 


— Ah, não senhor — respondeu depressa Hagrid. Lilian reparou que ele apertou o guarda-chuva cor-de-rosa com força ao responder


 


— Hum — resmungou o Sr. Olivaras, lançando um olhar penetrante a Hagrid. — Bom agora, Sr. e Srta. Potter vamos ver. — E tirou uma longa fita métrica com números prateados do bolso. — Qual é o braço da varinha?


 


— Hum... Bom, somos destros — respondeu Harry.


 


— Estiquem o braço. Isso. — Ele mediu Harry do ombro ao dedo, depois do pulso ao cotovelo, do ombro ao chão, do joelho à axila e ao redor da cabeça. Enquanto media, disse — Toda varinha Olivaras tem o miolo feito de uma poderosa substância mágica, Sr. Potter. Usamos pêlos de unicórnio, penas de cauda de fênix e cordas de coração de dragão. Não há duas varinhas Olivaras como não há unicórnios, dragões nem fênix iguais. E é claro, o senhor jamais conseguirá resultados tão bons com a varinha de outro bruxo. Agora você senhorita — E repetiu as mesmas medidas em Lilian.


 


Lilian de repente percebeu que a fita métrica, que o media entre as narinas, estava medindo sozinha. O Sr. Olivaras andava rapidamente em volta das prateleiras, descendo caixas.


 


— Já chega — falou, e a fita métrica afrouxou e caiu formando um montinho no chão. — Certo, então, Sr. Potter. Experimente esta e você Srta. esta. Faia e corda decoração de dragão, e carvalho e pelo de unicórnio. Vinte e três centímetros e vinte dois centímetros. Boas e flexíveis. Apanhem e experimentem.


 


Harry e Lilian apanharam as varinhas e (sentindo-se bobos) fizeram alguns movimentos com ela, mas o Sr. Olivaras a tirou de sua mão quase imediatamente.


 


— Bordo e pena de fénix. Dezoito centímetros. Bem elástica. E para você Srta. Carvalho e pena de fénix dezoito centímetros. Inflexível. Experimentem.


 


Harry experimentou, mas mal erguera a varinha quando, mais uma vez, o Sr. Olivaras a tirou de sua mão, jesto repitido pela irmã.


 


— Não, não. Tome, ébano e pêlo de unicórnio, vinte e dois centímetros, flexíveis. E uma de boldo e coração de dragão. Vinte três centimetros, bem maleável. Vamos, vamos, experimentem.


 


Harry e Lilian experimentaram. E experimentaram. Não faziam idéia do que é que o Sr. Olivaras estava esperando. A pilha de varinhas experimentadas estava cada vez maior em cima da cadeira alta e estreita, mas, quanto mais varinhas o Sr. Olivaras tirava das prateleiras, mais feliz parecia ficar.


 


— Freguêses difícis, hein? Não se preocupe, vamos encontrar as varinhas perfeitas para os senhores em algum lugar, estou em duvida, agora... É, por que não? Uma combinação incomum, azevinho e pena de fênix, vinte e oito centímetros, boas e maleávels.


 


Harry e Lilian apanharam as varinhas. Sentram um repentino calor nos dedos. Ergueram-as acima da cabeça, baixaram-as cortando o ar empoeirado com um zunido, e uma torrente de faíscas douradas e vermelhas saíram da ponta e cada uma como um fogo de artifício, atirando fagulhas luminosas que dançavam nas paredes. Hagrid gritou entusiasmado e bateu palmas e o Sr. Olivaras exclamou:


 


— Bravo! Mesmo, ah, muito bom. Ora, ora, ora... Que curioso...Curiosíssimo...


 


Repôs as varinhas de Harry e Lilian nas caixas e embrulhou-as em papel pardo, ainda resmungando:


 


— Curioso... Curioso...


 


— O senhor me desculpe — disse Harry —, mas o que é curioso?


 


O Sr. Olivaras encarou Harry com aqueles olhos claros.


 


— Lembro-me de cada varinha que vendi Sr. Potter. De cada uma. Acontece que a fênix cuja pena está nas suas varinhas produziu mais uma pena, apenas mais uma. É muito curioso que os senhores tenha sido destinado para estas varinhas porque a irmã dela, ora, a irmã dela produziu as suas cicatrizes. Enquanto eu fazia esta varinha, não sei porque, a pena da mesma fênix da que fez essas cicatrizes se duplicou. Eu guardei a duplicata. Há onze anos, no final de julho - os gêmeos engoliram em seco. Era quando haviam nascido. - peguei uma das pena e fiz uma nova varinha. E então essa varinha se partiu ao meio enquanto eu a fabricava. Nada muito anormal quando se aprende a fazer varinhas, mas eu já tinha certa experiência, então estranhei. As joguei fora. No dia seguinte, onde estavam os restos da varinha... achei estas duas. Quase idênticas, tirando o fato de que a senhorita possue uma bem mais feminina. E a pena duplicada havia sumido - A varinha de Hanna era rodeada de pequenas estrelas esculpidas por todo o cabo e era uniforme, como um cone bem fino. A de Harry era lisa e completamente estável até na base, onde tinha algo como um suporte para se segurar. - É curioso que vocês dois venham a comprar as varinas que se originaram da de Você-Sabe-Quem. A varinha escolhe o bruxo senhores, não o contrário, então eu estava me perguntando o porquê essas varinhas escolheram vocês. Mas apenas isso.


 


Harry engoliu em seco e Lilian procurava palavras para falar.


 


— Ela tinha trinta e quatro centímetros. Puxa. É realmente curioso como essas coisas acontecem. A varinha escolhe o bruxo, lembrem-se... Acho que podemos esperar grandes feitos dos senhores, Sr. Potter e Srta. . Afinal, Aquele-Que-Não-Se-Deve-Nomear realizou grandes feitos, terríveis, sim, mas grandes.


 


Harry estremeceu e Lilian ficou séria. Não tinham muita certeza se gostavam do Sr. Olivaras.


 


Pagaram quatorze galeões pelas varinhas e o Sr. Olivaras curvou-se à saída deles. O sol de fim de tarde quase chegara ao horizonte quando Harry, Lilian e Hagrid refizeram o caminho para sair do Beco Diagonal, atravessar a parede e passar novamente pelo Caldeirão Furado, agora vazio. Harry e Lilian não disseram uma palavra enquanto caminhavam pela rua, nem ao menos repararam quantas pessoas se boquiabriam para eles no metrô, carregados que estavam com todos aqueles pacotes de formatos esquisitos, a coruja branca adormecida no colo de Harry e a acinzentada no colo de Lilian.


 


Subiram a escada rolante para a estação de Paddington, os gêmeos só perceberam onde estavam quando Hagrid bateu em seus ombros.


 


— Temos tempo para comer alguma coisa antes do trem sair — falou.


 


Comprou um hambúrguer para Harry e outro para Lilian e se sentaram em bancos de plástico para comê-los. Harry não parava de olhar a toda volta e Lilian estava olhando muito concentrada para sua coruja. Por alguma razão tudo parecia tão estranho.


 


— Vocês estão bem? Harry? Lily? Estão muito calados — comentou Hagrid.


 


Eles não tinham muita certeza de poder explicar. Tiveram o melhor aniversário de sua vida, porém... E mastigavam o hambúrguer, tentando encontrar as palavras.


 


— Todo o mundo acha que somos especiais — disse Lilian finalmente. — Todas aquelas pessoas no Caldeirão Furado, o Professor Quirrell, o Sr. Olivaras... Mas...


 


— Mas não conheçnhecemos nadinha de mágica. Como podem esperar grandes feitos de nos? — terminou Harry entendendo o que a irmã queria falar. — Somos famosos e nem ao menos nos lembramos o porquê. Não sabemos o que aconteceu quando Vol... Desculpe... Quero dizer, na noite que nossos pais morreram.


 


Hagrid se debruçou sobre a mesa. Por trás da barba e das sobrancelhas desgrenhadas tinha um sorriso bondoso.


 


— Não se preocupem Harry, Lily. Vocês vão aprender bem depressa. Todos começaram pelo começo em Hogwarts, vocês vão se dar bem. Sejam vocês mesmos. Sei que é difícil. Vocês vão ser discriminados e isso é muito duro. Mas vão se divertir para valer em Hogwarts. Eu me diverti: e ainda me divirto, para dizer a verdade. E outra coisa vocês tem um ao outro para se apoiarem. Vocês são gêmeos, que derrotaram juntos as trevas e não saem um do lado do outro. Vocês se ajudam custe o que custar.


 


Hagrid ajudou Harry e Lilian a embarcar no trem que o levariam de volta aos Dursley, então lhes entregou um envelope.


 


— As suas passagem para Hogwarts. Primeiro de setembro, na estação de Kong‘s Cross, está tudo na passagem. Qualquer problema com os Dursley me mande uma carta pela coruja, ela saberá onde me encontrar... Vejo vocês em breve, crianças.


 


O trem parou na estação. Harry e Lilian queriam ficar espiando Hagrid até ele desaparecer de vista, levantaram-se, espremeram o nariz contra o vidro da janela, mas quando piscaram os olhos Hagrid tinha desaparecido.


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‘‘ Lumos

Juro Solenemente que não farei nada de bom

Oi pessoal demorei muito né? Eu sei mil desculpas por issoeu estava meio atolada mais eu reconpensei com um capitulo grande. Não lancem um Avada em mim por isso. Mais eu talvez poste o proximo capitulo semana que vem tá? vou tentar o possível.

Beijos,

Lilian.

Malfeito feito.

Nox‘‘  

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