As Cartas de Ninguém



A fuga da jibóia brasileira rendeu a Harry e Lilian o seu castigo mais longo. Na altura em que lhe permitiram sair do armário, as férias de verão já haviam começado e Duda já quebrara a nova filmadora, acidentara o aeromodelo e, na primeira vez que andara na bicicleta de corrida, derrubara a velha Sra. Figg quando ela atravessava a Rua dos Alfeneiros de muletas.


 


Harry e Lilian ficaram contentes que as aulas tivessem acabado, mas não conseguia escapar da turma de Duda, que visitava a casa todo dia.


 


Pedro, Dênis, Malcolm e Górdon eram todos grandes e burros, mas como Duda era o maior e o mais burro do bando, era o líder.


 


Os demais ficavam bastante felizes de participar do esporte favorito de Duda: perseguir Harry.


Por esta razão Harry passava a maior parte do tempo possível fora de casa com a irmã, que também fugiadas agressões verbais deDuda e sua gange, perambulando e pensando no fim das férias, no qual conseguiam vislumbrar um raiozinho de esperança. Quando setembro chegasse, eles iria para a escola secundária e, pela primeira vez na vida, não estaria em companhia de Duda. Duda tinha uma vaga na antiga escola de tio Válter, Smeltings. Pedro ia para lá também. Harry e Lilian por outro lado, iam para a escola secundária local. Duda achava muita graça nisso.


 


— Eles metem a cabeça dos garotos no vaso sanitário no primeiro dia de escola — contou ele a Harry — quer ir lá em cima praticar?


 


— Não, obrigado — respondeu Harry.


 


— O coitado do vaso nunca recebeu nada tão horrível quanto a sua cabeça, é capaz de passar mal. — Disse Lilian correndo junto com o irmão antes que Duda conseguisse entender o que dissera.


 


Certo dia de julho, tia Petúnia levou Duda a Londres para comprar o uniforme da Smeltings e deixou os gêmeos com a Sra. Figg.


 


A Sra. Figg não estava tão ruim quanto de costume. Afinal, fraturara a perna porque tropeçara em um dos gatos e não parecia gostar tanto deles quanto antes. Deixou Harry assistir a televisão, ensinou Lilian a fazer tricô e deu um pedaço de bolo de chocolate a cada um que pelo gosto parecia ter muitos anos.


 


Naquela noite, Duda desfilou para a família reunida na sala de estar vestindo o uniforme novo da Smeltings. Os alunos da Smeltings usavam casaca marrom-avermelhada, calções cor de laranja e chapéus de palha. Carregavam também bengalas nodosas, que usavam para bater uns nos outros quando os professores não estavam olhando isto era considerado um bom treinamento para o futuro.


 


Ao contemplar Duda nos calções laranja novos, tio Válter disse com a voz embargada que aquele era o momento de maior orgulho em sua vida. Tia Petúnia rompeu em lágrimas e disse que não podia acreditar que era o seu Dudinha, estava tão bonito e adulto.


 


Harry não confiou no que poderia dizer. Lilian achou que duas de suas costelas talvez já tivessem partido só com o esforço para não rir.


 


Havia um cheiro horrível na cozinha na manhã seguinte quando Harry e Lilian entraram para o café da manhã. Parecia vir de uma panela de metal dentro da pia. Harry se aproximou para espiar.


 


A tina aparentemente estava cheia de trapos sujos que boiavam na água cinzenta.


 


— O que é isso? — perguntou à tia Petúnia... Os lábios dela se contraíram como costumavam fazer quando ele se atrevia a fazer uma pergunta.


 


— O uniforme novo da escola de vocês — respondeu.


 


Harry espiou para dentro da tina outra vez.


 


— Ah — comentou — eu não sabia que tinha que ser tão molhado.


 


— Não seja idiota Harry ela está tirando o sugeira dos uniformes — respondeu Lilian dando um tapa no irmão.


 


— Não, e não... — retorquiu tia Petúnia com rispidez. — Estou tingindo de cinza umas roupas velhas para vocês. Vão ficar iguaizinhas às dos outros quando eu terminar. Lilian tinha sérias dúvidas, mas achou melhor não discutir, recebendo um olhar de apoio do irmão.


 


Sentaram-se à mesa e tentaram pensar na aparência que teria no primeiro dia de aula como se estivesse usando retalhos de pele deelefante velho, provavelmente.


 


Duda e tio Válter entraram ambos com os narizes franzidos por causa do cheiro do novo uniforme dos gêmeos . Tio Válter abriu o jornal como sempre fazia e Duda bateu na mesa com a bengala da Smeltings, que ele carregava para todo lado, onde Lilian podia jurar que iria machucar todos da sala com a bengala quando o professor não estiver olhando...


 


Ouviram o clique da portinhola para cartas e o som da correspondência caindo no capacho da porta.


 


— Apanhe o correio, Duda — disse tio Válter por trás do jornal.


 


— Mande o Lilian apanhar.


 


— Apanhe o correio Lilian.


 


— Mande o Harry apanhar. — Harry fuzilou a irmã com o olhar mas nada disse.


 


— Os dois apanhem o correio.


 


—Mande Duda apanhar. — Disseram em uníssemo som.


 


— Cutuque eles com a bengala da Smeltings, Duda.


 


Harry e Lilian se esquivaram da bengala da Smeltings e foram apanhar o correio. Havia quatro coisas no capacho: um postal da irmã do tio Válter, Guida, que estava passando férias na ilha de Wihgt, um envelope pardo que parecia uma conta e uma “carta para Harry e Lilian”.


Harry apanhou-a e ficou olhando, o coração vibrando como um elástico gigante e entregou para irmã. Ninguém, jamais, em toda avida deles, lhe escreveram. Quem escreveria? Eles não tinha amigos, nem outros parentes, não era sócio da biblioteca, só Lilian mas sempre entregava os livros um dia antes, de modo que jamais receberam sequer os bilhetes grosseiros pedindo a devolução de livros. Contudo, ali estava, uma carta, endereçada tão claramente que não podia haver engano.


 


Sr. H. e Srta. L. Potter


O Armário sob a Escada


Rua dos Alfeneiros 4


Little Whinging Surrey


 


O envelope era grosso e pesado, feito de pergaminho amarelado e endereçado com tinta verde-esmeralda. Não havia selo.


 


Quando Lilian virou o envelope, com a mão trêmula, viu um lacre de cera púrpura com um brasão, um Leão, uma Águia, um Texugo e uma Cobra circulando uma grande letra "H".


 


— Andem depressa, pestes! — gritou tio Válter da cozinha. — fazendo o quê, procurando cartas-bombas? — E riu da própria piada.


 


Eles voltou à cozinha, ainda de olhos fixos na carta. Entregou a conta e o postal ao tio Válter, sentaram-se e começaram a abrir lentamente o envelope amarelo.


 


Tio Válter rasgou o envelope da conta, deu um bufo de desdém e virou o postal.


 


— Guida está doente — informou à tia Petúnia. — Comeu um marisco suspeito...


 


— Pai! — exclamou Duda de repente. — Pai, Harry e Lilian receberam uma carta!


 


Harry ia desdobrar a carta, escrita no mesmo pergaminho que o envelope, quando tio Válter arrancou-a de sua mão.


 


— É nossa! — disseram Harry e Lilian, tentando recuperá-la.


 


— Quem iria escrever para vocês? — zombou tio Válter, sacudindo a carta com uma das mãos para desdobrá-la e percorrendo com o olhar. Seu rosto passou de vermelho para verde mais rápido que um sinal de tráfego. E não parou ai. Segundos depois ficou branco-acinzentado, cor de mingau de aveia velho.


 


— P-P-Petúnia! — ofegou.


 


Duda tentou agarrar a carta para lê-la, mas tio Válter segurou-a no alto fora do seu alcance. Tia Petúnia apanhou-a cheia de curiosidade leu a primeira linha. Por um instante pareceu que ela talvez fosse desmaiar. Levou as duas mãos à garganta e produziu ruído de engasgo.


 


— Válter! Ah, meu Deus, Válter!


 


Eles se encararam parecendo ter esquecido que Harry, Lilian e Duda continuavam na cozinha. Duda não estava acostumado a ser desprezado. Deu uma bengalada forte na cabeça do pai.


 


— Quero ler esta carta — falou alto.


 


— Quero lê-la — disse Harry furioso —, porque é minha...


 


— E eu também já que tem o meu nome e do Harry. — Disse a irmã mais furiosa que Harry.


 


— Saiam, os três — ordenou com voz rouca tio Válter, enfiando a carta no envelope.


 


Harry e Lilian não se mexeram.


 


— QUERO MINHA CARTA! — Gritaram juntos.


 


— Me deixa ver! — exigiu Duda.


 


— Fora! — berrou Tio Válter, e agarrando os três, pelo cangote atirou-os no corredor e bateu a porta da cozinha. Harry,Lilian e Duda na mesma hora tiveram uma briga furiosa, mas silenciosa, para saber quem ia escutar à fechadura, Duda ganhou, por isso Harry, os óculos pendurados em uma orelha, deitou-se de barriga no chão para escutar pela fresta entre a porta e o chão e Lilian tentava ouvir algo com a orelha encostada na porta.


 


— Válter — disse tia Petúnia com voz trêmula — olhe só o endereço. Como é que eles poderiam saber onde eles dormem? Você acha que estão vigiando a casa?


 


— Vigiando, espionando, talvez nos seguindo — murmurou tio Válter enlouquecido.


 


Harry via os sapatos pretos lustrosos do tio Válter andando para cá e para lá na cozinha.


 


— Não — disse ele decidido. — Não, vamos ignorá-la. Se não receberem uma resposta... É, é o melhor... Não vamos fazer nada...


 


— Mas...


 


— Não vou ter dois deles em casa, Petúnia! Nós não juramos quando os recebemos que íamos acabar com aquela bobagem perigosa?


 


Aquela noite, quanto voltou do trabalho, tio Válter fez uma coisa que nunca fizera antes, visitou os sobrinhos no armário.


 


— Cadê a nossa carta? — perguntou Lilian, no instante em que tio Válter se espremeu pela porta.


 


— Quem nos escreveu? — Perguntou Harry completando o pensamento da irmã.


 


— Ninguém. Endereçaram a você por engano — disse tioVálter secamente. — Queimei a carta.


 


— Não foi um engano — retrucou Harry com raiva, — tinha o endereço do nosso armário.


 


— CALADO! — gritou tio Válter e algumas aranhas caíram do teto. Ele inspirou algumas vezes e então fez força para produzir um sorriso que pareceu bem penoso.


 


— Hum, sim, Harry sobre este armário. Sua tia e eu estivemos pensando... Vocês realmente estão ficando grandes demais para ele... Achamos que seria bom se vocês se mudasse para o segundo quarto de Duda.


 


— Por quê? — perguntou Lilian.


 


— Não façam perguntas — disse com rispidez o tio. — Levem essas coisas para cima agora.


 


A casa dos Dursley tinha quatro quartos: um para tio Válter e tia Petúnia, um para hóspedes (em geral a irmã de tio Válter, Guida), um onde Duda dormia e um onde Duda guardava todos os brinquedos e pertences que não cabiam no primeiro quarto. Harry e Lilian precisaram de apenas uma viagem para mudar tudo o que tinha do armário para o quarto no andar de cima.


Sentou-se na cama única cama que tinha no quarto e deu uma olhada à sua volta. Quase tudo ali estava quebrado. A filmadora com apenas um mês de uso estava jogada em cima de um pequeno tanque com que certa vez Duda atropelara o cachorro do vizinho, no canto estava o primeiro televisor de Duda, no qual ele enfiara o pé quando seu programafavorito fora cancelado, havia uma grande gaiola de pássaros, antigamente habitada por um papagaio que Duda trocara na escola por uma espingarda de ar de verdade, e que estava guardada numa prateleira com a ponta dobrada porque Duda se sentara em cima dela. Outras prateleiras estavam cheias de livros. Eram as únicas coisas no quarto que pareciam nunca ter sido tocadas. Lilian começou a arrumar as coisa com a ajuda de Harry levando os pertences de Duda para o quarto de dele retirando todos os brinquedos do quarto.


 


Lá de baixo veio o barulho de Duda gritando com a mãe:


 


— Eu não os quero lá... Eu preciso daquele quarto.... Mande-os sair.


 


Harry suspirou e se esticou na cama e sua irmã caiu em cima dele fazendo-os rirem.


 


— Lily, tenho que admitir que vece é muito boa com arrumação.


 


— Obrigada, Harry, mais isso não é nada, já que até tio Valter comprar uma cama para cada não vamos arrumar mas nada. E quanto tivermos vamos botar na parede, um do lado do outro colado na janela.


 


Passaram um tempo falando da decoração do quarto até que veio uma pergunta que não quer calar em Harry.


 


— Lilian, você acha que era alguém que conhece nossos pais e quer nos tirar daqui?


 


— Não sei, se fosse, tio Valter e tia Petúnia deixariam ler, para se livrar de nós.


 


— É você tem razão. —Disse Harry abraçando a irmã e dormindo, sendo seguida por ela.


 


Eles combinaram em dividir a cama de casal como já estavam acostumados a dormirem assim não ligaram para isso. Ontem eles teria dado qualquer coisa para estar ali. Hoje, preferiam estar no seu armário com aquela carta do que ali em cima sem ela. Na manhã seguinte, no café, todos estavam muito quietos. Duda estava em estado de choque.


 


Berrara, batera no pai com a bengala, vomitara de propósito, dera pontapés na mãe e atirara sua tartaruga pelo teto da estufa de plantas e nem assim conseguira o quarto de volta. Harry e Lilian pensavam no dia anterior àquela hora, desejando com amargura que tivesse aberto a carta no hall. Tio Válter e tia Petúnia se entreolhavam, ameaçadores.


 


Quando o correio chegou tio Válter, que parecia estar tentando ser agradável cômodo subrinhos, fez Duda ir buscá-lo. Eles o ouviram bater nas coisas do corredor com a bengala da Smeltings. Então ele gritou:


 


— Chegou outra! Sr. H. e Srta. L. Potter, O Menor Quarto da Casa Rua dos Alfeneiros 4...


 


Com um grito sufocado tio Válter saltou da cadeira e saiu correndo pelo corredor, Harry e Hanna logo atrás dele. Tio Válter teve que lutar e derrubar Duda no chão para lhe tirar a carta, o que foi dificultado por Harry que agarrara o pescoço do tio Válter por trás ehanba uma de suas pernas.


 


Depois de um minuto confuso de luta, em que todos levaram varias bengaladas, tio Válter se endireitou, ofegante com a carta de Harry e Hanna apertada na mão.


 


— Vão para o seu armário, quero dizer, para o quarto — chiou para os sobrinhos — Duda, saia, saia logo.


 


Harry deu voltas e mais voltas no novo quarto, enquanto Lilianolhava para ele pensando em algo. Alguém sabia que eles se mudara do armário e parecia saber que eles não receberam a primeira carta. Isto significava com certeza que ia tentar outra. Outra vez? E desta vez ele tomariam providências para que desse certo.


 


Lilian tinha formado um plano.


 


O despertador consertado tocou às seis horas na manhã seguinte não o suficiente para acordar Harry mais sim Lilian. Lilian desligou o despertador e jogou Harry para fora da cama para acordar-lo depressa e se vestirem em silêncio.


 


Não podia acordar os Dursley. Desceram as escadas sorrateiros sem acender nenhuma luz. La esperar pelo carteiro na esquina da Alfeneiros e receber primeiro as cartas endereçadas ao numero quatro. Seus corações batiam com força quando atravessaram sem ruído o corredor escuro até a porta de entrada.


 


— AAAAAIIIIIEEE!!!


 


Harry deu um salto no ar e Lilian ficou paralisada, pisaram em alguma coisa grande e mole no capacho, uma coisa viva!


 


As luzes se acenderam no primeiro andar e, para seu horror, Harry percebeu que a coisa grande e mole tinha a cara do tio Válter estava dormindo junto à porta de entrada em um saco de dormir para impedir que os gêmeos fizesse exatamente o que estava tentando fazer. Gritou com Harry quase meia hora as veses tirada a atenção para gritar com Lilian e depois lhe disse para irem preparar uma xícara de chá. Eles foram para a cozinha, arrastando os pés, infeliz, e quando conseguiram voltar o correio tinha sido entregue, bem no colo de tio Válter. Harry viu seis cartas endereçadas em tinta verde.


 


Tio Válter não foi trabalhar naquele dia. Ficou em casa e pregou a portinhola para cartas.


 


— Entende — explicou à tia Petúnia por entre os lábios cheios pregos — se eles não puderem entregar então terão de desistir.


 


— Não tenho muita certeza de que isto vai dar certo, Válter.


 


— Ah, a cabeça dessa gente funciona de maneira estranha, Petúnia eles não são como você e eu — disse tio Válter tentando bater um prego com um pedaço de bolo de frutas que tia Petúnia acabara de lhe trazer.


 


Na sexta-feira chegaram nada menos que vinte e quatro cartas para Harry e Hanna. Como não passavam pela portinhola da correspondência, tinham sido empurradas por baixo da porta, metidas pelos lados e algumas até forçadas pela janelinha do banheiro no térreo. Tio Válter ficou em casa de novo. Depois de queimar todas, apanhou martelo e pregos e fechou com tábuas as frestas das portas da frente e dos fundos, de modo que ninguém podia sair.


Cantarolou "Pé ante pé no campo de tulipas" enquanto trabalhava, e se assustava com qualquer ruído.


 


No sábado as coisas começam a fugir ao seu controle. Quarenta e oito cartas acabaram entrando em casa enrolada e escondida em duas dúzias de ovos que o leiteiro, muito confuso, entregara à tia Petúnia pela janela da sala de estar. Enquanto tio Válter dava telefonemas furiosos para o correio e a leiteria tentando encontrar alguém a quem se queixar, tia Petúnia picava as cartas no processador de alimentos.


 


— Mas quem é que quer falar tanto assim com vocês? — Duda perguntou espantado aos primos.


 


Na manhã do domingo, tio Válter sentou-se à mesa do café parecendo cansado e um tanto doente, mas feliz.


 


— Não tem correio aos domingos — lembrou a todos, contente passando geléia nos jornais —nada de cartas idiotas hoje...


 


Alguma coisa desceu chiando pela chaminé do fogão enquanto ele falava e bateu com força em sua nuca. No instante seguinte, trinta ou quarenta cartas saíram velozes da lareira como se fossem tiros. Os Dursley se abaixaram, mas Harry e Lilian se entre olharam e deram um salto no ar para apanhar uma...


 


— Fora! Fora!


 


Depois que tia Petúnia e Duda tinham corrido para fora protegendo o rosto com os braços, tio Válter bateu a porta. Eles podiam ouvir as cartas disparando para dentro da cozinha, ricocheteando nas paredes e no chão.


 


— Já chega — disse tio Válter, tentando falar com calma, mas ao mesmo tempo, arrancando tufos de pêlos dos bigodes. — Quero vocês aqui de volta em cinco minutos prontos para sair. Vamos viajar. Ponham apenas algumas roupas nas malas. Não quero discussão!


 


Ele parecia tão perigoso com metade dos bigodes arrancados que ninguém se atreveu a discutir. Dez minutos depois eles tinham retirado as tábuas para passar nas portas e estavam no carro, correndo em direção a estrada. Duda fungava no banco traseiro, o pai tinha lhe dado um tapa na cabeça por atrasá-los tentando empacotar a televisão, o vídeo e o computador na mochila esportiva.


 


Eles viajaram no carro. E viajaram. Nem tia Petúnia se atrevia a perguntar aonde iam. De vez em quando tio Válter fazia uma curva fechada e seguia na direção oposta por algum tempo.


 


— Para despistá-los... Despistá-los — resmungava sempre que fazia isso.


 


Não pararam para comer nem beber o dia inteiro. Quando a noite caiu Duda estava uivando. Nunca tivera um dia tão ruim na vida. Estava com fome, sentia falta dos cinco programas de televisão que queria assistir e nunca levara tanto tempo sem explodir um alienígena no computador.


 


Tio Válter parou finalmente à porta de um hotel de aspecto sombrio na periferia de uma grande cidade. Duda, Harry e Lilian dividiram um quarto com duas camas iguais e lençóis úmidos que cheiravam a mofo. Duda roncou, mas os gêmeos ficaram acordados, Harry sentado no peitoral da janela e Lilian aninhada ao seu peito, espiando as luzes dos carros que passavam enquanto pensavam…


 


— Harry, será que eles não vão desistir? — Perguntou Lilian depois de pensar um pouco


 


— Porque desistiriam?


 


— Porque não respondemos as cartas.


 


—claro que não, se não desistiram até agora não será por isso. Eu so gostaria de ler pelo menos uma carta. — Falou Harry mais distraído que nunca olhando para a rua.


 


— Talvez a casa esteja tão loda de de cartas, que possamos surrupiar uma para olhar quando voltarmos.


 


— Quem sabe, mais vamos dormir se não Tio Valter vai gritar conosco até desistir de fugir. — Dito isso Lilian se aconchegou mais em seu peito e dormiu, Harry não ligava já que o peitoral da janela era mais confortável que a cama e dormiu.


 


Comeram cereal velho e torradas com tomates enlatados frios no café da manhã do dia seguinte. Tinham acabado de comer quando a proprietária do hotel aproximou-se da mesa.


 


— Com licença, mas um dos senhores é o Sr. Harry Potter e ou Srta. Lilian Potter? É que eu tenho umas cem dessas na recepção. — E ergueu uma carta para eles poderem ler o endereço em tinta verde:


 


 


Sr. H. e Srta. L. Potter


Quarto 17


Railview Hotel Cokewrth


 


Harry tentou pegar a carta assim como Lilian, mas tio Válter afastou suas mãos. A mulher ficou olhando.


 


— Eu recebo as cartas — disse tio Válter, levantando-se depressa e seguindo a mulher que se retirava do salão de refeições.


 


— Não seria melhor simplesmente irmos para casa, querido? — tia Petúnia sugeriu timidamente horas depois, mas tio Válter não parecia ouvi-la. Exatamente o que andava procurando ninguém sabia. Ele os levou até o meio de uma floresta, desceu do carro, espiou a volta, sacudiu a cabeça, tornou a embarcar no carro e partiram outra vez. A mesma coisa aconteceu no meio de um campo arado, no meio de uma ponte pênsil e no alto de um edifício garagem.


 


— Papai enlouqueceu, não foi? — Duda perguntou, cansado, à tia Petúnia no fim daquela tarde. Tio Válter estacionara no litoral, passara a chave no carro com todos dentro e desaparecera.


Começou a chover. Grandes gotas batiam no teto do carro.


 


Duda choramingou.


 


— É segunda-feira — falou à mãe. O Grande Humberto vai se apresentar hoje à noite. Quero estar em algum lugar que tenha televisão.


 


Segunda-feira. Isto lembrou aos gêmeos uma coisa. Se era segunda-feira e em geral podia-se confiar que Duda soubesse os dias da semana, por causa da televisão, então o dia seguinte, terça-feira, era o décimo primeiro aniversário deles.


 


Naturalmente seus aniversários não eram lá muito divertidos, no ano anterior, os Dursley tinham-lhe dado dois cabide e um par de meias velha do tio Válter, para Harry e um sapato furado da tia Petúnia, para Lilian. Ainda assim, não se fazia onze anos todos os dias.


 


Tio Válter voltou sorrindo. Carregava um pacote comprido e fino e não respondeu à tia Petúnia quando ela perguntou o que comprara.


 


— Encontrei o lugar perfeito! — falou. — Vamos! Saiam todos!


 


Fazia muito frio do lado de fora do carro. Tio Válter apontou para o que parecia ser um grande rochedo no meio do mar.


 


Encarrapitado no alto do rochedo havia o casebre mais miserável que se pode imaginar. Uma coisa era certa, ali não havia televisão.


 


— Estão anunciando uma tempestade para hoje! — disse tio Válter alegre, batendo palmas. — E este senhor teve a bondade de concordar em nos emprestar seu barco!


 


Um homem desdentado vinha descansadamente em direção a eles, e apontava com um sorriso muito maldoso para um barco a remos velho que subia e descia nas águas cinza-grafite lá embaixo.


 


— Já comprei algumas rações para nós — disse tio Válter — portanto, todos a bordo!


 


Fazia muito frio no barco. Salpicos de água gelada do mar escorriam pelos pescoços deles e um vento cortante fustigava seus rostos. Depois do que pareceram horas eles chegaram ao rochedo, onde tio Válter, escorregando, levou- os ate a casa em ruínas.


 


O interior era horrível, cheirava a algas marinhas, o vento assobiava pelas frestas nas paredes de tábuas e a lareira estava úmida e vazia. Havia apenas dois quartos.


 


Afinal as rações de Tio Válter eram uma embalagem de cereal para cada um e cinco bananas. Ele tentou acender a lareira, mas a embalagem de cereal apenas fumegou e carbonizou.


 


— Aquelas cartas viriam a calhar agora, hein? — disse ele animado.


 


Estava de muito bom humor. Obviamente achava que ninguém teria chance de alcançá-lo ali, durante uma tempestade, para entregar cartas. Harry e Lilian concordavam intimamente, embora este pensamento não os animassem nem um pouco.


 


Quando a noite caiu, a tempestade prometida desabou ao redor deles. A espuma das altas ondas chapinhava nas paredes do casebre e um vento ameaçador sacudia as janelas imundas. Tia Petúnia encontrou uns cobertores mofados no segundo quarto e preparou uma cama para Duda ao sofá comido pelas traças. Ela e tio Válter foram se deitar na cama cheia de calombos ao lado e deixaram Harry procurar a parte mais macia do assoalho enquanto Lilian tentava arrumar o canto para os dois e se enrolaram no cobertor mais rasgado e ralo.


 


A tempestade rugia cada vez com maior ferocidade à medida que a noite avançava. Harry não conseguia dormir. Tremia e revirava, tentando encontrar uma posição confortável, seu estômago roncando de fome. Os roncos de Duda eram abafados pela trovoada que começou por volta da meia-noite. O mostrador luminoso do relógio de Duda, que estava pendurado para fora do sofá em seu pulso gordo, informava a Harry que dentro de dez minutos ele e sua irmã completariam onze anos. Deitado, ele viu seu aniversário se aproximar, então resolveu acordar a irmã e indicar que o aniverssário deles se aproximava, perguntando-se se os Dursley se lembrariam, perguntando-se onde estaria o remetente das cartas agora.


 


Faltavam cinco minutos. Os gêmeos ouviram alguma coisa estalar lá fora. Desejou que o teto não caísse, embora quem sabe conseguisse se esquentar se isto acontecesse. Quatro minutos.


 


Talvez a casa na Rua dos Alfeneiros estivesse tão abarrotada de cartas que quando voltasse ele pudesse surrupiar uma.


 


Três minutos. Seria o mar batendo tão forte na rocha? E faltavam dois minutos, que barulho esquisito de trituração era aquela? Será que a rocha estava se desintegrando no mar?


 


Mais um minuto e eles completariam onze anos. Trinta segundos... Vinte... Dez... Nove... Talvez acordassem Duda, só para aborrecê-lo... Três... Dois... Um...


 


— Feliz Aniversário Harry — Falou Lilian olhando para a porta que o barulho só aumentava.


 


— Feliz Aniversário Lily.


 


Dito isto casebre todo estremeceu e Harry sentou-se reto e Lilian se abrasou ao irmão, arregalando os olhos para a porta. Havia alguém lá fora, que batia querendo entrar.



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‘‘ Lumos


Juro Solenemente que não farei nada de bom

Oi pessoal estão gostando? Bem eu sei que está pequeno mais estou tentando ok? Bem tirando isso Como foi o Natal de vocês? Espero que foram bons.

Não tenho mais nada a falar a não ser PESSOAL UM OTIMO ANO NOVO PARA TODOS!!! Que 2015 venha com muitas felicidasdes!!! Vejo vocês ano que vem.

Boas festa,

Lilian.

Malfeito feito.

Nox‘‘ 

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