Predestinados



10º capítulo – Predestinados


 


"Existe uma força invisível, mais forte que qualquer magia negra que possa nos assombrar, que segue rodeando-nos e jogando-nos em uma esfera interminável de caos e desventura. E tem outra, conhecida por Destino, transbordando calmaria e certezas, nos dando a mensagem de que, não importa o caminho, o tempo, o lugar... Se for seu, lá há de estar, ficar ou até mesmo voltar."


 


Ginevra Weasley


 


 


 Draco saiu da escadaria de emergência a tempo de vê-la parar na calçada e acenar para um táxi que passava. Ele correu, o coração a mil, todas as perguntas do mundo correndo em sua mente. Ela tinha ido até ele, assim como ele tinha ido até ela.


  


 ***


 


SEIS ANOS ATRÁS...


 


 Arthur e Molly ficaram na janela da sala, vendo Gina e Colin saindo em um conversível. Ela mal tinha voltado de Hogwarts, mas parecia ansiosa pelo mundo que a esperava. Molly não contou para o marido, mas a ouvira falando com Colin, sabia que a filha estava indo até a Mansão Malfoy.


 Ela não era cega, sabia dos rumores, ouvia as fofocas no Beco Diagonal. O menino Malfoy apaixonado pela jovem Weasley. Seria verdade?


 O carro de Colin sumiu na curva e um novo carro apareceu, de aparência cara, com um menino loiro dirigindo. O carro parou na entrada da casa, e  Molly o reconheceu.


 


-O que Draco Malfoy faz em nossa casa? - Arthur olhou, consternado.


 


-Ele veio atrás da nossa menininha - Molly suspirou - Eles se desencontraram por minutos, talvez ele a tenha visto quando cruzaram na estrada.


 


 Draco abriu na porta e foi surpreendido pela expressão de Arthur Weasley, que não só parecia calmo, como também tinha o olhar de quem sabia de algo. Draco esperava gritos e maldições, proferidas pelos trezentos irmãos de Ginevra, não aquele silêncio perturbador.


 


-Senhor Weasley - disse respeitoso - Gostaria de conversar com sua filha.


 


-Sim, eu sei Malfoy - Arthur sorriu levemente - Ela acabou de sair, mas eu gostaria de conversar com você. Se possível.


 


 ***


 


 Draco não soube de onde o tiro veio, mas o som do revólver disparando ecoou em seu corpo, paralisando seu coração enquanto a via ofegar e se curvar. Ele não podia correr rápido o suficiente para chegar até ela.


 


-Ginevra! - ele gritou - Ginevra... - ofegou, engasgado em horror.


 


 Ajoelhou-se no chão e a segurou contra o seu corpo, observando cada pequeno detalhe dela. Desde os olhos verdes que pareciam se apagar, até a pele fantasmagórica. Ela sentia dor, ele sabia.


 


-Calma, calma - ele a embalou, como um bebê - Eu tenho você.


 


 Pessoas se amontoavam ao redor deles, ele podia ouvir Terrence falando com alguém, sequer ciente de como todos estavam ali com eles. Um carro parou derrapando, era Blaise dirigindo. Scarlett e Hermione choravam abraçadas, o que seria um evento por si só, se ele não estivesse cego para tudo.


 


-Eu te procurei... - ela sorriu, piscando lentamente, exausta - Assim que eu voltei... Eu te amava Draco. Me desculpe por não ter falado.


 


-Eu amo você! - ele chorou, abraçando-a com força - Como nunca amei nada em toda a minha vida.


 


-Draco! - Terrence gritou, ajoelhando-se ao lado dele - Precisamos levar ela pro hospital.


 


 Mais de dez pessoas ao redor deles, trouxas que gritavam polícia e outras coisas que ele não compreendia. Draco levantou-se com ela no colo, já desacordada.


 Tudo parecia mais lento, fora de foco.


 


 ***


 


SEIS ANOS ATRÁS...


 


 Arthur e Draco sentaram na pequena sala de visitas, sozinhos. Ele sabia que a mãe de Ginevra estava por ali, tinha visto-a quando entrou na casa, mas não ouvia nenhum barulho, então talvez os quatrocentos irmãos não estivessem por perto.


 


-Ginevra conseguiu uma bolsa em Paris, ela parte hoje - Arthur começou - Imagino que você também tenha todos os seus planos, possivelmente bem longe daqui.


 


-Sim, eu estudo nos Estados Unidos - Draco falou desconfiado, sem entender para onde essa conversa estava indo.


 


-Mais longe do que pensei então  Arthur sorriu - Ginevra é uma menina muito esperta, mas não conseguimos dar tantas oportunidades a ela, como você deve imaginar, não somos ricos. Minha menina agora tem algo muito bom Draco Malfoy, não quero que ela perca isso.


 


-Eu jamais tiraria algo dela - Draco começou - Posso estudar na França, se for o que ela tanto quer, ou posso levá-la comigo para os Estados Unidos. Eu sou um homem já, Sr. Weasley, e consigo sustentar sua filha com todas as comodidades que ela desejar.


 


-É esse meu ponto, Malfoy. Se você iniciar tudo, ela nunca vai se sentir independente, ela não vai se conhecer, não vai amadurecer - Arthur respirou fundo antes de continuar - O que eu quero pedir, Sr. Malfoy, é que a deixe ir para Paris.


 


-Sem mim... - Draco murmurou.


 


-Sim, sem você.


 


 ***


 


 Quando Harry entrou no hospital parecia um cenário de guerra. Todos os Weasleys estavam ali, todos falavam sem parar. Ele encontrou Draco, sentando no canto, parecendo estático, imóvel, sua camisa branca, seus braços, seu rosto, tudo tinha sangue. Scarlett estava sentando em um sofá, a cabeça no ombro de Terrence.


 Hermione andou até Draco com um pano nas mãos, sentou-se do lado dele, e sem dizer nada, começou a limpar os braços, rosto. Draco não se moveu em momento nenhum, absolutamente sem reação.


 


-O que aconteceu? - perguntou para Blaise, que estava tentando ligar para Rony há horas - Pansy recebeu uma ligação da Scarlett, mas ela não disse nada com nada.


 


-Draco e Ginevra brigaram, ela correu e ele correu atrás dela. Descemos todos em seguida, pra evitar qualquer discussão pública, você sabe como as coisas são - Blaise suspirou - Quando chegamos lá embaixo ele já estava com ela no colo. Vários trouxas gritavam sobre tiros.


 


-Hei - Colin andou até eles - Acabei de falar com meu contato na polícia. O relatório diz que uma briga em um bar, lá perto, gerou o disparo. Dois caras, foi caso de bala perdida. Estão procurando pela moça baleada, mas ninguém sabe que foi ela, ou que ela estava no prédio.


 


-Vou cuidar disso - Harry falou, já pegando o celular.


 


 ***


 


DEZESSETE ANOS ATRÁS...


 


 O pequeno Draco Malfoy entrou na sala de visitas, estranhando todas aquelas pessoas em sua casa. Uma mulher, mais velha, se aproximou.


 


-Olá Draco - ela sorriu - Sou Cedrella, lembra-se de mim?


 


-Desculpe senhora, não me recordo. - disse polido, como sua mãe o ensinara.


 


-Não tem problema - ela sorriu - Você era ainda menor. Sua mãe me disse que tem tido problemas pra dormir, sonha com uma moça ruiva, não é?


 


-Sim - ele murmurou, já irritado porque sua mãe estava espalhando história sobre ele - Não é grande coisa.


 


-Não se preocupe - ela ajoelhou-se, ficando na altura dele - Essa menina, a que você sonha, é a mesma que vai preencher seu coração. Apenas ela.


 


-O que quer dizer, senhora? - ele a encarou, desconfiado.


 


-Ela é predestinada a você, jovem Malfoy. É sua alma gêmea, como alguns dizem.


 


 ***


 


 Rony acordou no meio da noite com o barulho do celular, que não parava de vibrar. Esticou-se na pequena poltrona, os olhos em Elisha, que dormia despreocupadamente. Amanhã ela teria alta, ele já sabia, totalmente recuperada.


 Talvez ele pudesse levá-la para um almoço no parque. Sim, faria isso. Com a ajuda de sua irmã, claro. Gina certamente teria aquelas toalhas ridículas e...


 


-Eu deveria saber que você estava aqui - Blaise entrou no quarto - Você precisa vir Rony, aconteceu algo com a sua irmã.


 


-O que foi? - ele levantou-se de uma vez.


 


-Ela está em cirurgia nesse momento Ronald. Ela foi baleada.


 


 ***


 


ONZE ANOS ATRÁS...


 


 Draco assistiu Ginevra Weasley andar com seus irmãos gêmeos, os demoníacos Fred e Jorge Weasley. Ela parecia pequena e fora de lugar, não que ele próprio não fosse pequeno perto dos gigantes Weasleys.


 


-O que você tanto olha essa garota? - Blaise implicou com ele - Você pelo menos terminou o trabalho do Snape? Preciso copiar o seu, você sabe como sou péssimo em...


 


-Zabini! - Draco o cortou ríspido - Copie o maldito trabalho, só pare de falar tanto.


 


 Blaise o encarou por alguns segundos, desconfiado do comportamento anormal de Draco. Talvez fosse curiosidade pela garota, ou talvez ele só a achasse bonita, o que ela realmente era.


 


-Você é muito esquisito Malfoy.


 


 Draco não se deu ao trabalho de responder.


 


 ***


 


 Três horas depois e Gina continuava em cirurgia. Draco continuou sentado no mesmo sofá, ainda imóvel, completamente perdido em memórias antigas. Ele se lembrou do choque ao vê-la no Beco Diagonal, e saber, mesmo antes de saber o nome dela, que aquela garota ruiva era a sua garota.


 Lembrou-se de atormentá-la nos anos seguintes, fazendo o possível para nutrir raiva, pois se recusava a ter qualquer associação com uma Weasley. Ainda sentia o gosto amargo da frustração, e ciúmes, ao vê-la perseguir Harry Potter por todos os cantos. Ele a odiava desde sempre... A amava muito antes disso.


 


-Draco - Blaise sentou-se ao lado dele, ocupando o espaço em que Hermione estivera até pouco tempo - Preciso de algumas informações, para os aurores.


 


-Diga Blaise... - suspirou pesadamente.


 


-Você viu algo suspeito? Algo que conteste a conversa de bala perdida? - ele estava sério - Você fez inimigos poderosos nos últimos ano... Devemos checar muito bem tudo.


 


-Eu não... Eu não estava olhando nada além dela Blaise - Draco o encarou - Eu só a vi cair... E todo o sangue.


 


-Está tudo bem - Blaise levantou, a mão no ombro do amigo - Ela vai sobreviver, tenho certeza absoluta. Ninguém derruba a Ruiva Má do Oeste.


 


 Draco deu um leve sorriso, voltando, no instante seguinte, a ficar imerso em lembranças.


 


I dare not cough
Nor breathe deep
There‘s been a pain in my chest for nearly a week


 ***


 


NOVE ANOS ATRÁS...


 


-Ok! - Draco levantou com dificuldade - Venci o maldito jogo Terrence. Feliz?


 


 Blaise riu alto, porque Terrence tinha tombado há mais de uma hora. Os três estavam bebendo desde o início da tarde, aproveitando a detenção e o fato de que não puderam ir a Hogsmeade para passar o tempo.


 


-Draco... - Blaise resmungou, deitado na grama gelada - Precisamos entrar, está anoitecendo.


 


-Ninguém vai nos ver aqui - Draco falou com a confiança de um garoto de 14 anos. Um que, obviamente, era o maior herdeiro da Grã-Bretanha no mundo bruxo - Aqueles idiotas voltam por outro caminho.


 


 Os dois meninos ficaram deitados em silêncio por alguns segundos, observando o céu, perdidos em pensamentos bêbados confusos.


 


-Sabe Blaise... - Draco começou a falar, mal sentia a boca se mexer - Ginevra Weasley é... Eu sei que você fica me perguntado...


 


-Qual a sua obsessão com a garota Weasley? - ele se sentia um pouco mais sóbrio agora, feliz por estar perto de descobrir o grande segredo.


 


 Segredo esse que só ele parecia perceber... Só Blaise via os olhares de Draco, que seguiam a menina por todos os cantos, só ele parecia ver o melhor amigo obcecado pela mulher mais improvável do mundo.


 


-Ela é minha Zabini - Draco estava tão bêbado que suas palavras saiam arrastadas e confusas, mas Blaise estava entendendo o principal - Predestinados... Essa porra de destino... A garota é minha... - ele se virou de lado, encarando o amigo, ou o pouco que conseguia ver dele - Se não for ela, me disseram, não será nenhuma outra. Minha...


 


I want to be famous for falling in love
I went to the hopital
They put me in a bed


 E então ele estava dormindo. Blaise ainda durou uns cinco minutos, chocado com as revelações. Scarlett e Pansy voltaram de Hogsmeade e levaram mais de uma hora para encontrá-los. O primeiro porre, mas não o último.


 


 ***


 


 Tad estava no celular, conversando com algum investigador, pelo que Faith podia perceber. A cirurgia estava durando mais de cinco horas, o que a deixava cada vez mais apreensiva. Blaise e Rony estavam com a equipe médica, e a cada meia hora um dos dois vinha com uma atualização.


 Hermione e Scarlett estavam fora, comprando comida para todos. Dakota e Lola estavam na porta, conversando com as dezenas de jornalistas que não paravam de aparecer.


 Terrence e Harry estavam no canto, conversando com um auror aos sussurros. Ela podia pegar fragmentos da conversa. Eles estavam desconfiados do tiroteio, queriam respostas.


 Colin estava falando no celular há mais de quarenta minutos, o assunto era o mesmo. Suspeitas... Todos estavam suspeitando do acidente (se é que aquilo tinha realmente sido um acidente).


 Faith podia sentir no ar um energia eletrizante, quase arrepiando seus cabelos tão bem penteados. Ela sabia, de alguma forma, que ninguém chegaria ao fundo daquilo. Talvez fosse a magia negra, sua antiga companheira de cela, mas ela via o atirador caído no chão, já sem vida.


 Ela imaginava todos devidamente comprados e silenciados, do chofer até a garçonete. Então ela fez a decisão mais inteligente de todos.


 


-Hei - a menina do outro lado da linha atendeu animada, ainda não sabia das notícias.


 


-Preciso conversar com você - Faith quase sorriu - Tenho um trabalhinho.


 


-Como nos velhos tempos? - a menina riu.


 


-Isso mesmo Delilah.


 


 ***


 


OITO ANOS ATRÁS...


 


 Draco e Blaise vagavam pelos corredores, tentando encontrar Scarlett e Terrence, que estavam escondidos. Era mais uma das brincadeiras idiotas de Pansy, que todo mundo aceitava simplesmente porque ela tinha a habilidade de conseguir as melhores bebidas.


-Então você e Pansy... - Blaise começou, um sorrisinho debochado no rosto.


 


-Não enche Zabini - Draco revirou os olhos - Não estamos rotulando nada.


 


-Ah é? - ele riu alto - Então cadê a sua "Não Rotulada" namorada?


 


-Ela e Noah foram dar um jeito no Filch - ele deu de ombros, absolutamente despreocupada com a localização de Pansy Parkinson?


 


-Você está sabendo da Weasley? - Blaise provocou.


 


-O que tem ela?


 


-Está namorando Harry Potter.


 


 ***


 


 Draco vagou pelo hospital, cansado da movimentação da sala de espera. Ele ia fazer o pedido, torná-la sua esposa... Não deveria ter ouvido Arthur Weasley. Talvez ele quisesse o bem da filha, mas Draco sabia mais. Ele a conhecia de uma maneira que nenhum Weasley saberia.


 Ele a tinha amado desde aquele momento na Floreios e Borrões. Lembrava-se da garota ruiva e cheia de fuligem, olhando-o com um desdém surpreendente. Ela já odiava os Malfoys antes de conhecê-lo, e ele também odiava a família dela.


 Mas não ela.


 


Because I always do
What my mother says
Why should I lie


 


 Ele era uma criança quando Cedrella Black lhe contou tudo, seu futuro, seu destino. Ele ainda se lembrava de todas as palavras, do sentimento que se enfiou dentro de seu coração e nunca mais saiu.


 Talvez tenha odiado-a na mesma intensidade em que a amou. Sempre pensou que teria tempo... Que depois de formados eles se topariam. Era destino, ia acontecer.


 Então Ginevra e Terrence eram um casal, e ele não podia suportar. Ela o enfrentou, de igual para igual, uma megere vingativa, a Rainha Má do Oeste, Rainha Malévola, ou apenas Rainha. Ela desejou reinar por Hogwarts, e eventualmente conseguiu, mas nunca soube que reinava dentro dele, como um rio com uma corrente forte demais para que ele pudesse se salvar.


 Agora via. Ele entendia.


 Nunca teve chance.


 Ela era uma corrente de lava, passando por onde quisesse, sem nunca se deter.


 Não era tarde demais para os dois, nunca seria.


 Ela era sua.


 Ele era dele.


 Predestinados...


 


About results of a test?
I may soon be gone
To pluck on a harp


 


 ***


 


OITO ANOS ATRÁS...


 


 Blaise e Terrence arrastaram Draco até o dormitório. Ele tinha acabado sozinho com duas garrafas de whisky, e estava praticamente inconsciente.


 


-Tomara que ele melhore - Terren soluçou - O que vamos dizer na enfermaria?


 


 Os dois meninos se encararam e riram.


 


-Vamos dizer que ele tropeçou e caiu dentro de um tonel de whisky.


 


 Scarlett e Pansy estavam com os outros garotos do dormitório no salão comunal. Continuariam a beber, tinham decidido. Terrence foi na frente, Blaise ficou para trocar de roupa, já que estava ainda com o uniforme da Sonserina.


 


Like those colored pencil portraits of dogs
We saw on a blue tarp
But I spotted a damsel if memory serves


-Eu a amo... E a odeio... - Draco murmurou, bêbado demais para pensar no que dizia.


 


 Blaise se aproximou devagar para escutar, sabia que apenas nesses momentos ele conseguia falar sobre ela.


 


-Eu sempre soube que ela ia me destruir - Draco agora parecia delirar - Me contaram quando eu era um menino... Eu não deveria ter sabido... Aquela maldita bruxa me contou! Eu a amo... Não! Odeio!


 


 Aquela foi a última vez que Blaise ouviu qualquer coisa sobre Ginevra Weasley. Eventualmente ele se esqueceu disso, principalmente quando Draco e Pansy oficializaram o namoro. Tudo ficou adormecido em sua memória... Até o último ano começar.


 


I went to the hospital
They put me in a bed
I always do what my mother says
Why should I lie abou results of a test?
So_.


 Talvez se Blaise não estivesse tão preocupado com quadribol, teria previsto toda a pintura antes que a tela tivesse, sequer, sido iniciada. Mas não, ele se esqueceu. Até que fosse impossível ignorar que Ginevra e Draco Malfoy eram um casal. Mas foram anos depois, detalhes quase irrelevantes para a mente de um garoto.


 


 ***


 


-DRACO! Draco! - Scarlett o perseguiu por todo o hospital, recebendo diversas críticas pelos gritos.


 


 O encontrou parado na frente de uma imensa janela, os olhos perdidos no céu escuro, quase sem estrelas. Se aproximou com cuidado, não querendo perturbar a pequena paz que ele tinha construído ali.


 


-Eu consigo te ver pelo reflexo, Scarlett. - ele murmurou, ainda sem se virar.


 


-Estava te procurando - ela tomou fôlego.


 


Who is your provider?
Uh_.
Where‘d you get that bread?
Is it dying that terrified you?
Or Just being dead?


 


-O que houve? - Draco se virou para encará-lo, preocupado de um jeito que o fazia sentir-se doente.


 


-Ela acordou!


 


 ***


 


SETE ANOS ATRÁS...


 


 Draco estava escondido nas arquibancadas, fumando o último cigarro do pacote que Marcus Flint tinha vendido a ele. Por mais independente que se sentisse aos dezesseis anos, ainda se escondia para fumar. Era um idiota, suspirou. Então a viu. Ginevra estava sozinha, andando sem rumo pelo campo, olhando os aros, quase saudosa. Ela tinha deixado o cabelo solto, e o sol parecia dar mil tons de vermelho a ele... Quase uma paleta sobrenatural que só ela tinha.


 Pensou em descer, se apresentar (não que ela não o conhecesse), tentar conversar com ela... Mas desistiu. Ginevra Weasley, ele decidiu naquele momento, não era uma garota para se correr atrás dentro daquele lugar. Ele a encontraria lá fora, quando já fosse dono de sua própria vida, e ela estivesse longe daqueles mil irmãos de cabelo ruivo.


 Continuou observando por quase quarenta minutos, o tempo que ela gastou ali. Ela era linda, decidiu naquela manhã. Tão linda que lhe doíam os olhos.


 Foi a última vez que a viu sozinha.



We are living in an era of kings
Why should I lie about results of a test.


(Cass McCombs – I Went to the Hospital)

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