Capítulo 1



Bill limpou o suor da testa com uma das mãos. Estava bastante abafado ali. Mas havia árvores espalhadas por toda a extensão do jardim, o que era bom. Apesar do calor, pelo menos ele trabalhava na sombra.


Ele se levantou e pegou a jarra de água que havia deixado embaixo de uma macieira. Sem pestanejar, encheu um copo e bebeu tudo de uma vez. Em seguida, voltou-se para os arbustos e as flores que ainda não podara. Gostava do serviço que fazia – ou melhor, que tinha aprendido a fazer. Por uma questão de sobrevivência.


Enquanto ajeitava as flores, gostava de pensar na vida. E aquele dia, em particular, era muito importante para ele. Porque há exatos sete anos, ele tinha tido que tomar a decisão que julgava ser a mais importante de sua vida. A decisão de abandonar toda a família em Londres. Abandonar o emprego e a sanduicharia que tanto batalhara para montar. Abandonar vinte e seis anos. Tudo. Para protegê-los de um traficante mafioso.


Sim, Lucius Malfoy era um dos mais perigosos traficantes mafiosos de todo o Reino Unido. A família dele tinha origem italiana. Quando Bill abrira a sanduicharia, tinha conseguido comprar o ponto, localizado em um subúrbio de Londres, por um preço módico. Isso porque o local não era muito bem visto. Dizia-se, sorrateiramente, que Malfoy realizava seus “negócios” ali por perto. Mas, na época, ele havia acabado de ser preso, e Bill achara que não teria problemas. Ledo engano.


Apenas seis meses depois, sabe-se lá como, Malfoy escapara da prisão. E dois meses depois, queria de volta o local em que trabalhava. Ou o domínio de todo o subúrbio. E mandara Crabbe atrás de Bill, porque, obviamente, não podia correr o risco de ser visto na rua. Não com toda a Scotland Yard atrás dele.


Da mesma forma, embora estivesse apavorado, Bill não poderia correr o risco de perder a própria família. Não podia arriscar a vida daqueles a quem mais amava por causa de um sonho bobo. Depois de passar quase três horas sentado no meio-fio, apavorado com a ideia de perder todos eles, um a um, voltou para onde havia estacionado o carro e conseguiu ligá-lo. Voltou para casa e deu de cara com Molly e Gina sentadas à mesa da cozinha, cada uma com uma caneca de chá à sua frente, esperando por ele, preocupadas. Ron, Fred, George, Arthur e Charlie já estavam igualmente acordados, assistindo ao noticiário matinal.


Foi com um enorme peso no coração que Bill se deixou abraçar por todos eles, um a um. Pensava no que falariam se soubessem que ele iria embora. Não sabia exatamente para onde. Mas iria.


Ironia das ironias, Percy chegou de Oxford pouco mais de vinte minutos depois de Bill ter chegado em casa.


- Percy? O que você está fazendo aqui? E a faculdade? – questionou o mais velho, apenas pensando em como a chegada do irmão era, ao mesmo tempo, uma dificuldade a mais e uma bênção. Ao menos o veria uma última vez antes de partir. E seria ainda mais difícil largar tudo para trás.


- Essa semana em Oxford vai ter um festival da cidade, não sei bem o quê. Como não vamos ter aulas durante a semana, resolvi vir para cá, fazer uma surpresa para vocês. – explicou, sorrindo, enquanto se voltava para cumprimentar os demais.


Em meia hora, Molly havia preparado um farto café da manhã, contente por todos estarem ali, e os nove Weasley se reuniram em volta da mesa.


Calado, Bill apenas observava a família, pensando em como sentiria falta de todos eles. Todos ruivos. Molly, com a habitual preocupação materna – “Coma direito, Bill, querido, e depois vá se deitar. Você está cheio de olheiras, precisa descansar!” – Arthur, com a tranquilidade que lhe era característica, sempre a par das notícias sobre o governo britânico, que gostava de discutir com Percy, sempre pomposo e meio almofadinha. Preocupadíssimo com regras, leis e prazos. Charlie, que adorava fingir tocar instrumentos musicais durante o café – usava facas e pratos para imitar baquetas de baterias, ou guitarras – enquanto inventava histórias escabrosas sobre os animais que atendia para explicar como adquirira determinados machucados na clínica veterinária. Fred e George, idênticos, contando piadas e fazendo as palhaçadas de costume. Ron, rindo dos gêmeos e acompanhando o desenrolar dos acontecimentos do time de futebol em que jogava na escola. E, por fim, Gina. Doce, forte e delicada Gina. O xodó de Bill. Sempre às voltas com revistas de moda, livros com matérias de provas e namorados. Atualmente, namorava Michael Corner, embora Bill soubesse que ela era encantada, mesmo, era pelo melhor amigo e companheiro de time de Ron, Harry Potter.


- Bill, querido? Está tudo bem com você? – perguntou Molly, arrancando-o de suas divagações.


- Sim, mamãe. Estou ótimo. – mentiu, engolindo uma garfada enorme de ovos mexidos.


- A quem você acha que engana, William Arthur? – perguntou Gina, sentada de frente para ele, os olhos castanhos faiscando. – A mim, não.


- Não estou enganando ninguém, Gina. – replicou, servindo-se de mais leite.


- Vou fingir que acredito, então. – retrucou a ruiva, voltando a ler a revista que tinha em mãos.


Depois do café, cada um seguiu seu rumo: Arthur foi para a sede do governo, Charlie, para a clínica, Fred e George, para o curso de Sixth Form para prestarem A Levels, Ron e Gina, para o colégio e Molly foi fazer compras no supermercado.


Bill foi para o próprio quarto. Pegou quatro malas de viagem e jogou roupas dentro delas, aleatoriamente. No fundo do guarda-roupas, achou um violão antigo e alguns álbuns de fotos. Resolveu que iria levá-los também. Deu uma última olhada no quarto. Não levaria nada além daquilo.


Apressado, rezando para que Percy não resolvesse sair do quarto, desceu as escadas carregando duas malas e as colocou dentro do carro. Voltou e buscou as que faltavam.


- Percy? – chamou Bill, batendo à porta do quarto do irmão.


- Sim? – respondeu, sem tirar os olhos do livro que lia.


- Eu vou dar uma saída. Depois vou passar na sanduicharia, mas volto para o almoço. Avise à mamãe, por favor.


- Pode deixar. – respondeu, sorrindo para o mais velho. Ele sorriu de volta e, às pressas, desceu as escadas e entrou no carro.


Bill passou no banco. Sacou todo o dinheiro que tinha na conta. Foi para a sanduicharia, ainda fechada. Estava cedo, e só costumavam abri-la lá pelas 10 da manhã. Permitiu-se um tempo de saudosismo, relembrando o tempo em que fazia faculdade de Administração. Fora lá que começara a vender sanduíches. Antes disso, fazia-os somente para si e para os irmãos, quando Molly tinha que sair e deixá-los sozinhos. Depois, na faculdade, levava dois ou três de lanche todos os dias e, às vezes, repartia-os com os colegas. Essas “repartições” faziam tanto sucesso que Bill começou a fazer sanduíches e levá-los para a faculdade em uma caixa térmica para vender. Finda a faculdade, ele começou a sonhar com o dia que teria a própria sanduicharia. Inicialmente, pegou uns trocados que tinha na poupança e pegou um empréstimo para comprar uma van apropriada para que pudesse vender cachorros-quentes na rua. Todo o lucro que recebia era milimetricamente contado, investido e guardado, quando não era usado para quitar o empréstimo. Usando os conhecimentos da faculdade de Administração, depois de quatro anos Bill conseguiu montar a própria sanduicharia. Sem pegar mais nenhum empréstimo. Como dizia Arthur, orgulhoso do filho, um feito incrível para um rapaz de vinte e seis anos.   


Mas apenas oito meses depois, a ameaça de Lucius Malfoy mudava tudo.


Enquanto esperava os funcionários chegarem, Bill se sentou em uma das mesas da sanduicharia e começou a fazer contas. Para saber exatamente quanto deveria pagar para cada um deles a título de verbas rescisórias. Finalmente, aplicava algo que Percy lhe ensinara há algum tempo sobre empregados e empregadores. Provavelmente era uma das poucas coisas que o irmão falara em que ele realmente prestara atenção.


Sorriu tristemente enquanto assinava recibos de quitação. Até dos falatórios monótonos e irritantes de Percy sentiria falta. Falatórios em que ele tanto se esforçava para prestar atenção. Para entender. De forma que o irmão não ficasse magoado.


Sem se alongar muito, Bill demitiu os funcionários. Pagou um a um. Recolheu assinaturas e recibos de quitação. Para não deixá-los em uma situação muito ruim, escreveu cartas de recomendação para cada um deles. Via o desespero no olhar dos – agora ex – funcionários. A dúvida. A frustração. Porque, bem ou mal, eles tinham famílias e contas a pagar.


Bill esperava sinceramente que o dinheiro das verbas rescisórias desse ao menos para cada um se manter até arrumar um novo emprego. Gostava muito de cada um deles. Naquele curto período de tempo, todos eles tinham se tornado uma espécie de irmãos.


Depois de sair da sanduicharia, pegou o celular e ligou para casa. Avisou a Percy que almoçaria fora de casa – na verdade, Bill parou em um restaurante e não conseguiu engolir nada além de alguns caroços de arroz. Foi à uma imobiliária e deixou as chaves do ponto da sanduicharia lá, assinando um contrato para que a vendessem. E passou toda a tarde perambulando pelas ruas de Londres.


Ao entardecer, finalmente foi para casa e disse a todos que iria embora. Não gostava de relembrar a frustração de Gina, o desespero de Molly ou a palidez de Arthur, tampouco as brincadeiras que Fred e George fizeram, achando que tudo não passava de um mal entendido. Dizendo simplesmente que “precisava morar em um lugar mais tranquilo”, Bill virou as costas e deixou todos eles, perplexos, sentados no sofá da sala. Entrou no carro, desligou o celular e se pôs a dirigir. Finalmente, deixou as lágrimas que contivera o dia inteiro escorrerem livremente pelo rosto. Junto com as lágrimas, o nó que estava em sua garganta desde o dia anterior começava a se desfazer. Sentiria falta da família. De todos eles. Principalmente de Gina, que era o seu xodó. A única menina da família. Mas sabia que, no fundo, estava fazendo algo de bom para todos eles.


Pegou uma estrada qualquer para o sul da Inglaterra. E dirigiu durante toda a noite. Parou uma ou duas vezes para abastecer o carro.


Quando já era quase meia-noite, chegou à costa sul da Inglaterra. À frente dela, estendia-se uma praia, majestosamente. O mar refletia a lua cheia. Viu uma placa indicando que havia uma cidadezinha por ali. Resolveu que dormiria lá.


A cidade deveria ter cerca de 30 mil habitantes. Era bem cuidada, com jardins impecáveis na frente de cada uma das casinhas. Bill viu um bar – o Três Vassouras, nome que teria achado esquisito se não estivesse tão triste – e parou o carro em frente a ele. Não tinha muita gente, mas não importava. Precisava de beber. E de algumas informações sobre a cidade.


Saiu do carro e se aproximou do balcão, tocando a sineta que havia em cima dele. Enquanto esperava, olhou de esguelha para os dois homens que estavam sentados a uma mesa no canto do bar. O de cabelos castanhos parecia sóbrio, mas o de cabelos pretos e longos estava claramente bêbado. Havia uma garrafa de uísque em cima da mesa deles. Bill tocou a sineta de novo.


- Sirius, eu já disse que... – dizia, com raiva, uma mulher que vinha de dentro do bar. Ela parou abruptamente ao ver Bill. Era uma mulher de meia-idade, bonita e curvilínea. Usava um robe por cima do pijama.


- A senhora pode me servir uma cerveja, por favor? – pediu o ruivo.


- Eu não conheço você. – comentou ela, voltando-se para o freezer.


- Sou Bill Weasley. – respondeu, enquanto a mulher colocava uma garrafa de cerveja e um copo em cima do balcão.


- Madame Rosmerta. – ela disse, apresentando-se. – E me desculpe, querido, mas não aguento mais ficar de pé; estou morta de sono. Se não fosse por Sirius, já teria fechado há muito tempo. Fique à vontade. Boa noite. – disse Rosmerta, saindo pela porta dos fundos.


Bill fitou a garrafa de cerveja, confuso. Em que mundo uma dona de bar saía, dizia “fique à vontade” para o cliente e nem ao menos abria a garrafa? Não em Londres, definitivamente.


Pegou a garrafa e o copo e se aproximou dos dois homens que estavam ali.


- Vocês têm um abridor de garrafas?


- Abrir garrafas é com a gente mesmo! Usamos os dentes de abridor, quer ver? – disse o homem de cabelos compridos, com a língua enrolada, pegando a garrafa das mãos de Bill.


O outro tomou a garrafa dele e a devolveu a Bill, junto com um abridor.


- Já chega. – disse ao moreno.


- Obrigado – agradeceu Bill, abrindo a garrafa.


- Por que não se senta com a gente? A propósito, sou Remus Lupin. – disse o homem de cabelos castanhos, enquanto Bill enchia um copo de cerveja.


- Bill Weasley. – disse, sentando-se.


- E eu sou Black! Sirius Black! O homem que mais pegou mulher no sul da Inglaterra! – berrou o homem de cabelos compridos, com a voz engrolada.


Remus revirou os olhos e se voltou para Bill:


- De onde você é?


- Londres.


- Veio morar aqui ou está só de passagem? – Bill bebeu um gole de cerveja, enquanto pensava.


- Ainda não tenho certeza. – respondeu, vagamente.


- Você chorou, companheiro? – quis saber Sirius, tentando fitá-lo, sem muito sucesso. Não conseguia focalizar nada por muito tempo. – Porque eu chorei o dia inteiro pela Marlene! Ela disse que me odeia! O que eu serei sem a Lene? – gritou, desesperado.


Bill piscou, assustado com a reação do homem. Quem era Marlene? E estava assim tão óbvio que havia chorado?


- Não ligue para o Sirius, ele faz perguntas indiscretas quando bebe muito. – interveio Remus. – Normalmente, ele não bebe tanto, mas hoje ele levou um pé na bunda épico, então...


- Por quê, Marlene? POR QUE VOCÊ FEZ ISSO COMIGO? – dizia Sirius, aos gritos. No minuto seguinte, ele destampou a chorar, deitando a cabeça na mesa.


- Quem é Marlene? – quis saber Bill, assustado.


- Marlene McKinnon é a professora de balé da cidade. Sirius tem uma queda por ela desde o colegial, porque ela é a única mulher que nunca caiu na conversa dele. – explicou Remus. – Ele sempre tenta alguma coisa com ela, mas sempre leva portas na cara. Noite passada eles dormiram juntos finalmente, mas a Marlene o expulsou da casa dela depois que eles... hm... acabaram o serviço, por assim dizer. E o Sirius está depressivo assim desde hoje de manhã. A sorte dele é que Rosmerta gosta dele, para deixar a gente ficar no bar.


- Eu amo a Marlene, Remus. Lene, eu te amo. – murmurava Sirius, ainda com a cabeça sobre a mesa.


- Mas Sirius não vai aguentar muito tempo. – disse Remus, observando o amigo com atenção. – Daqui a pouco ele dorme. Aí amanhã acorda de ressaca, vai atrás da Lene, ela vai xingar ele, e a novela começa novamente.


- Eu quero dormir com a Lene, Remus. – cochichou Sirius, começando a roncar logo em seguida.


Bill e Remus ainda ficaram algum tempo conversando, mesmo com os roncos de Sirius. Depois de três cervejas, resolveram ir embora. Deixaram, no balcão, o dinheiro das cervejas e dos uísques de Sirius e fecharam o bar. Levaram Sirius em casa e Remus mostrou a Bill onde ficava a pensão da cidade, O Caldeirão Furado.


Por não dormir há quase duas noites, Bill passou praticamente todo o dia dormindo. Na semana que se seguiu, Remus e Sirius – com raiva de Marlene – lhe mostraram a cidade, contando tudo sobre os hábitos e os 30 mil moradores de lá. Bill decidiu que moraria por lá mesmo. A cidade era tranquila. E ficava bem longe de Londres. O que significava que a família dele estaria a salvo de Lucius Malfoy. Porque ele, Bill, estaria longe o suficiente para ser uma “ameaça” aos negócios de Malfoy. Bill não duvidava nada de que ele comprasse o ponto onde era a sanduicharia, suposição que foi confirmada quando, alguns dias depois, o cara da imobiliária ligou para ele dizendo que havia conseguido vender o ponto por um valor superior ao de mercado, para um tal de Crabbe. Bill ficou com o dinheiro que era o valor real do imóvel e comprou uma casinha simples na cidadezinha. O restante do dinheiro ele doou para um convento que havia ali por perto. Não o conhecia, mas, segundo Rosmerta, ele estava praticamente em cacos e as freiras de lá ainda cuidavam de um orfanato.


Aos poucos, Bill foi se ajeitando à nova vida, embora não tivesse conseguido falar com ninguém da família ainda. Quando ligava em casa, o telefone chamava até cair na caixa postal. Certa vez, tentou ligar no celular de Gina, mas tudo o que conseguiu foi ouvir um “Eu te odeio, Bill” da irmã. Com certeza ainda estavam magoados demais para falar com ele.


Remus e Sirius tornaram-se grandes amigos de Bill, sem muitas perguntas. Remus era professor de música e tinha uma namorada, Dorcas Meadowes, que Sirius chamava de “esquisitinha” pelas costas do amigo. Por sua vez, Sirius trabalhava para uma microempresa de jardinagem cujo dono – excêntrico – era um velho chamado Albus Dumbledore. Sirius era o único jardineiro empregado de Dumbledore, por isso não foi preciso muito esforço para convencê-lo a contratar Bill para ajudá-lo.


Bill, Sirius e Remus também formaram uma banda de rock com Frank Longbottom, professor de química – Sirius e Bill alternavam entre vocais e guitarras, Frank tocava baixo e Remus, bateria. Bill se surpreendeu ao ver, no primeiro ensaio, que ainda sabia tocar guitarra, embora não tocasse nem mesmo violão desde que começara a fazer faculdade.


Quando não faziam shows nos fins de semana, Bill, Sirius e Frank iam para as cidades vizinhas, maiores, se divertir com boates, bebidas e mulheres. Mas Frank logo os abandonou porque começou a namorar Alice, professora da escola primária da cidade – segundo Sirius, “antes tarde do que mais tarde ainda” – isso porque Frank e Alice tinham uma história cheia de idas e vindas desde o colegial.


E assim Bill levava a vida. Cuidando de jardins, ensaiando com os rapazes na garagem da casa de Sirius, bebendo duas ou três cervejas toda sexta-feira no Três Vassouras, fazendo shows e saindo para se divertir, vez ou outra. Acompanhava, também, as apresentações que os alunos de Remus e de Marlene faziam ocasionalmente.


Depois de uns seis meses na nova vida, finalmente conseguiu falar com a mãe e o pai, para dizer que estava tudo bem e que gostava da vida que estava levando. De fato, era muito mais tranquilo e revigorante do que morar em Londres, e havia uma praia há alguns metros da cidade. Molly e Arthur, já recuperados do baque que fora Bill se mudar tão repentinamente, foram visitá-lo. Depois foram Charlie, Percy, Fred, George, Ron e Gina.


Nos sete anos que haviam se passado, Dumbledore havia morrido, e deixado a casa dele, o dinheiro e a empresa de jardinagem para Bill e Sirius, meio a meio, em testamento. Havia bastante dinheiro no banco (“o que esse cara era? Mafioso?”, havia questionado Sirius, surpreso com a quantidade de dinheiro que era) e a empresa era bastante rentável. Com Bill administrando-a, havia melhorado ainda mais, mesmo que ele e Sirius tivessem optado por continuarem sendo os únicos jardineiros dela. Frank e Alice haviam se casado. Remus e Dorcas continuavam namorando. Sirius e Marlene continuavam o jogo de gato e rato, embora nunca mais tivessem dormido juntos. Bill achava bobagem se casar, e continuava saindo ora com uma mulher, ora com outra.


Em Londres, as coisas também haviam mudado bastante na família de Bill. Molly começara a trabalhar em um bufê, fazendo doces e comidas das mais variadas. Arthur havia se tornado diretor do Banco Central britânico. Charlie montara a própria clínica veterinária. Morava junto com Charlotte, que, assim como ele, achava casamento desnecessário. Percy havia se tornado promotor, e estava noivo de uma moça chamada Audrey. Fred e George eram comediantes stand-up e roteiristas de um seriado de comédia de sucesso. Ron era goleiro de um dos times de futebol mais prestigiados da Inglaterra, em que Harry, seu melhor amigo, também jogava de atacante. Harry agora era namorado de Gina, que fazia faculdade de moda.


Embora sentisse falta da família e os visse com uma frequência menor do que gostaria, Bill estava feliz. E em paz. Lucius Malfoy nunca mais o incomodara. Tornara a ser preso depois de uns três anos, é verdade, mas quem tinha assumido os “negócios” fora seu filho, Draco, que estudara no mesmo colégio em que Ron e Gina estudaram. Draco fora, inclusive, colega de classe de Ron em algumas matérias, e sempre procurava confusão com ele e Harry.


Bill terminou de podar o jardim e levantou-se para olhá-lo de longe. Tinha ficado ótimo, modéstia à parte. Olhou no relógio e viu que já tinha passado um pouco da hora que Apolline, a madre do convento, combinara de buscar a jarra de água e pagá-lo. Ela sempre evitava que ele e Sirius entrassem lá dentro quando um deles ia podar o jardim externo. Sirius costumava ir lá mais do que Bill, mas pediu a Bill que fosse todas as vezes, porque achava um desperdício mulheres de rosto tão bonito serem freiras, tendo por base algumas que já vira, acidentalmente. Além disso, Sirius admitiu que ficava maluco quando, por acaso, via uma ou duas freiras por perto usando aquele hábito, porque isso o fazia imaginar o que havia por baixo dos hábitos e ter sonhos estranhos em que ele arrancava os hábitos das freiras, um por um – o que devia ser um pecado, segundo ele mesmo. Com certeza, algum dia isso o faria arder no fogo do inferno por toda a eternidade.


Bill sorriu, lembrando-se das palavras do amigo. Tinha sido o suficiente para convencê-lo a assumir a jardinagem do convento. Sentou-se na grama, esperando pela madre.


Passaram-se vinte minutos e nem sinal de Apolline. Pegou o celular e ligou para o telefone do convento, que chamou até cair a ligação.


Suado, com sede e com fome, Bill se levantou com a jarra de água em uma mão e o copo em outra e se aproximou do portão. Com cuidado, empurrou-o, só a título de teste, e viu que ele estava aberto. Era estranho. Apolline sempre o trancava. A chave estava caída no chão, do lado de dentro. Parecia que alguém havia fechado o portão com pressa. Bill pegou a chave e a guardou no bolso, encostando o portão do convento. De um lado, havia o orfanato. O prédio dele era bem cuidado, mas o prédio do convento propriamente dito parecia mal cuidado. O que será que Apolline fizera com o dinheiro que ele doara há algum tempo?


Sem pensar duas vezes, Bill resolveu que entraria lá e procuraria por Apolline. Mesmo que ela o esfolasse vivo depois.

***
N/A.: Olá, pessoinhas lindas! Eu sei que só a Dani comentou, mas como eu sou um poço de virtudes, resolvi postar o primeiro capítulo assim mesmo, porque eu amo a história e espero que consiga contá-la decentemente para vocês. :)
E aí está explicado o que aconteceu com o Bill, tadinho. E no próximo capítulo (já tá praticamente pronto, viu?) tem o primeiro encontro Bill/Fleur e a aparição de Tonks, para bagunçar um pouquinho a vida do Remus. Mas só posto com comentários! ;)
                                                        Beijos,
                                                                    Luhna 

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Comentários (3)

  • willi santana

    menina que babado!! tou adorando o enredo de sua fic, e esse capitulo então deixou um suspense no ar, hum..... quero mais!

    2013-11-23
  • Neuzimar de Faria

    (Leitora distraída): Acabei de ver que você já está apoiando a Campanha. Muito bom!

    2013-11-12
  • Neuzimar de Faria

    Você acaba de ganhar uma fã. Vou aguardar o próximo capítulo, sua história parece muito boa. Há uma Campanha rolando por aqui para animar as coisas na F&B. Dê uma olhadinha lá. Há ficwriters excelentes com propostas para tornar as coisas ainda melhores! Então, até o próximo.

    2013-11-12
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