Prólogo



O dia havia sido estafante.


Apesar disso, Bill estava satisfeito. A cada dia que se passava, os negócios melhoravam. E ele tinha cada vez mais certeza de que sua vida estava totalmente nos eixos.


Depois de se despedir do último funcionário, Bill terminou de fechar a sanduicharia e guardou as chaves em um dos bolsos da calça jeans. Lentamente, atravessou a rua, praticamente deserta, fitando os poucos garotos que ainda jogavam futebol na quadra da praça. Devia ser, o quê, três horas da madrugada?


“Malucos”, pensava Bill, tirando a chave do carro de outro bolso e apertando o botão para destravar o alarme.


Era um carro popular, simples. Mas era o xodó do rapaz.


Entrou no carro e colocou a chave na ignição, girando-a.


Nada.


Tentou de novo.


Mais uma vez, nada.


Frustrado, Bill bateu as mãos no volante.


Comprara o carro há pouco mais de um mês! Como aquilo era possível? Principalmente quando estava exausto e tudo o que queria era se jogar na cama e dormir até a hora do almoço. Que se danasse o encontro que marcara com a tal Rachel. Ou seria Amanda? Não importava. Talvez o “bolo” a fizesse perceber que ele não era o tipo de cara que se prendia a alguma mulher.


Bill ainda tentou dar a partida no carro umas cinco ou seis vezes, sem sucesso. Praguejando baixinho, saiu do carro e bateu a porta com força, travando o alarme. Sem paciência para verificar o motor ou para ligar para a mecânica autorizada, jogou a chave no bolso e resolveu que pegaria um ônibus ou o metrô para voltar para casa.


Deu as costas para a praça, onde os garotos ainda jogavam futebol e se pôs a caminhar. Mal notou que um deles o fitava com atenção, afastado dos demais, enquanto conversava em um celular.


Bill havia caminhado apenas por uns três quarteirões quando ouviu alguém lhe chamando:


- Ei, Weasley!


Ele se virou e deu de cara com um grandalhão. De cara emburrada. Não se lembrava de tê-lo visto antes.


- Sabe quem eu sou? Crabbe. Braço direito de Lucius Malfoy. – respondeu, aproximando-se do ruivo, sem esperar resposta. – Ele mandou um recado para você.


- Garoto de recados de Lucius Malfoy? – disse Bill, em tom de zombaria, embora estivesse gelado por dentro. Malfoy não era flor que se cheirasse. – Um cara do seu tamanho?


Furioso, Crabbe puxou Bill pela gola da camisa, com violência, tirando os pés do rapaz do chão:


- Não me faça perder a cabeça, Weasley. – grunhiu, ameaçadoramente, o rosto a poucos centímetros do de Bill.


Houve um momento de silêncio. Crabbe soltou Bill, ainda o encarando com rancor.


- Você está atrapalhando os negócios de Lucius por aqui com seus sanduíches idiotas. Pegue todos eles e dê o fora. – ordenou o homem.


- Mas...


- Se você quiser ficar, – interrompeu Crabbe – Lucius disse que visita sua família. Todos eles. Um a um. Molly, na casa em que vocês moram. Arthur, no gabinete do governo do Primeiro-Ministro. Charlie, na clínica veterinária. Percy, na faculdade de Direito de Oxford. Fred, George, Ronald e Ginevra, naquele colégio secundário. – Crabbe tirou uma faca do bolso, apenas o suficiente para Bill vê-la. – É o seu trabalho ou a sua família. E a escolha é sua.


Bill nada disse.


- A propósito, se tiver interesse, pode vir buscar o seu carro mais tarde. – comentou Crabbe, em tom de conversa. – E Lucius mandou dizer que você tem quinze dias para tomar uma decisão.


Tão de repente quanto aparecera, Crabbe desapareceu.


Sozinho, Bill se deixou cair sentado no meio-fio, a cabeça entre as mãos. 

***

N/A.: lembrem-se de comentar! E o próximo capítulo vai ser maior, prometo. 

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