O sonho



Capitulo 01: O sonho

O sol já raiava forte quando Edmund se levantou. Ainda com muito sono o garoto andava lentamente até o banheiro que ficava no final do corredor de sua modesta casa.

No banheiro o garoto viu seu reflexo. O cabelo castanho escuro combinava com seus olhos castanhos claros, o garoto tinha uma boa aparência apesar de desleixada.

Edmund era um garoto excepcional, sempre fora um ótimo filho. Era um pouco preguiçoso e as vezes teimoso, mas que criança não é? Sua mãe Lucy e seu pai Thor sempre se orgulharam muito do garoto apesar de seus onze anos. Os dois sabiam do incrível potencial que o filho tinha para a magia e por isso fizeram de tudo para que o garoto entrasse para a melhor escola de magia do mundo, Hogwarts.

Fazia alguns dias que sua carta de admissão tinha chegado deixando os pais muito entusiasmados. Edmund, no entanto não parecia tão animado com a idéia de passar tanto tempo longe dos pais.

– Ainda não se arrumou? – Perguntou Lucy.

– Mãe, preciso mesmo ir? – Perguntou Edmund com a escova de dente ainda na boca.

– Claro, lutamos muito para que conseguisse essa vaga.. – Respondeu a mãe.

– Mas... - Dizia ele quando foi interrompido.

– Lá você terá os melhores professores, os maiores nomes da magia passaram por lá. Inclusive.

– Harry Potter, É já ouvi milhares de vezes a historia. – Disse ele desanimado.

– E você tem a chance de estudar aonde o escolhido estudou e fica desdenhando. – Disse a mãe.

– É que isso faz tanto tempo que não passa de lenda pra mim. – Disse o garoto para raiva da mãe.

– Essa historia tem sido passada por tantas gerações e você não acredita. – Perguntou Lucy incrédula.

– Não. – Disse ele sem rodeios. Lucy permaneceu por um tempo olhando o filho.

– Não importa, a decisão já está tomada. Você vai para Hogwarts. – Decretou a mulher.

– E o papai? Chega quando? – Perguntou o garoto.

Seu pai era treinador de um time local de quadribol por isso não ganhava muito. Sempre sonhou com um futuro melhor e viu que seu filho tinha potencial para isso. Era um ótimo treinador mas nunca teve chances de entrar em um time de maior expressão. Edmund sabia jogar quadribol desde sempre, brincava com seu pai por horas . Tão novo e com uma tremenda habilidade para voar, afinal já era um animago registrado pelo Ministério da Magia. O garoto adquiriu a habilidade de se transformar em águia aos oito anos , o que surpreendeu até mesmo o mais alto escalão de bruxos no ministério.

– Ele deve chegar em breve.- Disse a mãe. – Ele que te levará no beco diagonal.

– E como chegaremos lá.- Perguntou o garoto agora terminando de se arrumar.

– Irão pegar o trem para chegar em Londres. Lá encontrarão um bar chamado “ O Caldeirão Furado” - Disse a mãe.

– Iremos à um bar? – Disse ele meio sem entender.

– No fundo do bar tem uma parede, e atrás dela a passagem para o Beco Diagonal.

– Mãe. – Disse o garoto com a voz seria. – Nós... temos dinheiro para comprar o que é necessário?

– Não se preocupe com isso. – Disse a mãe se aproximando do garoto e lhe dando um abraço.

– ÔÔ de casa. – Alguém gritava perto da porta de entrada da casa.

– Seu pai chegou . – Disse Lucy. – Se apresse. Ele já deve estar preparado para te levar.

A mulher foi de encontro ao homem que acabava de chegar. Era um homem bonito e alto. A mãe dizia que Edmund era a cara do pai e não havia uma pessoa que discordasse quando via o garoto.

– Iai garotão, está pronto. – Perguntou Thor vendo o filho.

– É acho que sim. – Disse o garoto.

– Não está animado? – Perguntou o pai.

– Estou sim. – Mentiu o garoto quando viu o rosto de alegria do pai. Sempre ouviu as historias de Hogwarts e como seu pai e sua mãe nunca tiveram chances de entrar lá.

Então, vamos? – Perguntou ele.

– Vamos . – Respondeu o garoto.

– Boa sorte querido e faça boas barganhas. – Disse Lucy enquanto Thor e Edmund saiam pela porta.

– Filho, sabia que você será o primeiro mago da nossa família a entrar em hogwarts? – Disse empolgado.

– Sim, você já me disse isso. – Respondeu o garoto, por ele se transformava em águia e voaria dali agora mesmo.

Apesar de chegarem atrasados, conseguiram pegar o trem para Londres. A viagem demoraria cerca de 40 minutos e Edmundo deitou em sua cabina ao lado de seu pai.
Passado alguns minutos de viagem o garoto acabou por pegar no sono.

Edmund voava pelos céus como águia, era o dono daquela imensidão azul. Em sua forma águia ele enxergava muito mais do que na forma humana e lá de cima reparou em algo que acontecia em um campo perto de um riacho. Havia um papel , parecia um pergaminho, estava caído entre duas grandes criaturas que se encaravam ferozmente.

De um lado havia um forte leão, era grande e musculoso, seus dentes poderiam estraçalhar qualquer coisa e em sua boca caberia facilmente um bezerro. Do outro lado uma cobra gigantesca, a criatura exalava perigo e não tinha medo do leão que rugia ferozmente.

Enquanto os animais se encaravam Edmundo voou entre eles e agarrou o pergaminho fazendo com que as duas criaturas que antes pareciam brigar entre si, olhassem para ele. Não sabia o por que tinha feito aquilo, mas agora tanto o leão quanto a cobra o encaravam.

Vendo a águia fugindo com o manuscrito, o leão soltou um rugido tão forte que fez com que Edmundo perdesse sua concentração e voltasse a forma humana, caindo próximo do riacho.

Quando o garoto se virou, viu que tanto o leão quanto a cobra estavam em sua frente e ambos pareciam preste a atacar... e então...

– Acorda filho. – Disse Thor cutucando o garoto que estava suado.

– Hey dorminhoco, estamos chegando. – Completou o pai.

– Tudo bem pai, já acordei. – Disse ele que ainda não havia recuperado do susto. Aquele sonho tinha sido muito real.

Não demoraram muito para acharem o tal bar “ Caldeirão furado” e quando chegaram lá, Thor fez questão que fossem logo para o fundo do bar. Encontraram a parede. Thor tirou sua varinha e tocou cinco tijolos no sentido horário fazendo com que a parede se movesse abrindo uma passagem para o famoso Beco Diagonal.

Edmundo se assustou quando viu o tanto de pessoas que estavam lá, era um vai e vem danado.

– Segure minha mão, com tanta gente assim , se não cuidarmos, será fácil se perder. – Disse Thor.

– E aonde vamos primeiro? – Perguntou o garoto.

– Iremos a Gringotes, lá pegaremos o dinheiro necessário para comprar todas suas coisas. – Disse o pai olhando mais uma vez a lista.

Os dois seguiram em meio a multidão até chegar no famoso banco dos bruxos.

– Filho você espera aqui? – Perguntou o pai.

– Sim, mas por que não posso entrar? – Perguntou Edmund.

– Não é que você não possa, é que vai ser chato. – Disse o pai mentindo, não queria que o filho visse o quanto eles tinham. Essa era uma das razões do garoto não querer ir para Hogwarts.

– Tudo bem, eu espero aqui. – Disse o garoto.

– Posso ir sem medo então? – Perguntou o pai olhando nos olhos castanhos do filho.

– Pode sim pai. – Disse Edmund. Thor não perdeu tempo e logo entrou no banco.

Enquanto esperava o pai, Edmund ficou olhando enquanto as pessoas entravam e saiam das lojas. Era um tremendo deus nos acuda. Garotos de sua idade de frente a “Artigos de qualidade para quadribol” pareciam ver os novos equipamentos para o jogo.

Edmundo morreu de vontade de ir lá dar uma espiada, mas preferiu ficar quieto, afinal tinha dado sua palavra ao pai. Continuou olhando a movimentação, o garoto era ótimo observador e sempre foi muito curioso.

De repente ele viu que as pessoas estavam mais inquietas , mais do que já estavam. Logo ele reparou que uma família era cercada de pessoas, todas muito entusiasmadas.

– Com licença garoto deixe me passar. – Disse um senhor com seu filho .

Edmundo deu licença enquanto o pai e o garoto iam em direção a família. Não sabia o que estava acontecendo mas a curiosidade batia cada vez mais forte no coração de Edmund.

Foi então que conseguiu reparar em um dos integrantes da família. Era uma garota que aparentava ter sua idade. Uma linda menina de cabelos loiros, era magrinha e se vestia muito bem, devia ser alguma riquinha . Não dava pra ver de longe mas seus olhos deveriam ser claro. Edmundo se encantou pela menina, era o que os trouxas chamavam de princesa.

– Tudo bem filho? – Disse Thor que chegava por trás.

– Tudo . – Disse Edmund olhando a cena que ainda continuava acontecer.

– Hum, não sabia que os famosos vinham aqui também. – Disse Thor.

– Como assim? – Perguntou Thor.

– Aqueles ali no meio de tantas pessoas são os Bonouer. São da nobreza na França.

– Nunca imaginei que na nobreza dos trouxas existissem bruxos. – Disse Edmund.

–Pois é, tem muita coisa que você nem imagina meu filho. – Disse o pai.

– E como o senhor sabe disso? – Perguntou o garoto.

– Bem eu leio o jornal . – Disse ele sorrindo.

– Aqueles são Robert e Laura Bonouer e sua filha Lisa.

– Lisa.. – Disse Edmund interessado. O pai olhou o garoto e viu o rosto de interesse que havia nele, passou a mão pelo pescoço fazendo cafuné no cabelo.

– Eles não se misturam com pessoas como nós. – Disse o pai.

– É eu imaginei. – Disse Edmund.

– Bem, vamos começar as compras? – Perguntou Thor.

– Claro pai. – Disse o garoto enquanto seguiam para o Olivaras.

Lá chegando, tiveram que esperar um pouco já que havia umas 5 pessoas na frente. Enquanto não era atendido Edmund andou pela loja, mexia aqui e ali, sempre olhando se o moço que atendia as pessoas não o apanhava.

Edmund notou uma varinha dentro do que parecia ser um aquário. A varinha parecia muito bonita e diferente. Ele sentiu extrema vontade de pega-la, olhou para trás e o moço que atendia pareceu ocupado. Seu pai estava na fila para serem atendidos e nem notou que o garoto estava colocando a mão dentro do aquário para pegar a varinha que se destacava das demais.

Quando o garoto alcançou a varinha, algo diferente aconteceu, um feixe de luz intenso e azul saiu da varinha causando um enorme flash. Todos na loja pararam para observar o que tinha acontecido.

Edmundo estava super envergonhado. Tinha sido pego com a mão na massa, talvez aquela varinha tivesse um alarme e assim que alguém a pegasse, uma luz alertaria o dono da loja.

– Ei garoto, foi você que pegou nessa varinha? – Disse o rapaz.

– Foi . – Disse ele com a cara vermelha de vergonha.

– Humm, interessante. – Disse o homem deixando o cliente que atendia de lado e indo para o rumo do garoto. Thor via tudo da fila.

– Essa varinha está aqui a mais de quinhentos anos e nunca encontrou seu dono.Até agora. – Disse ele.

– Meu nome é Laert Olivaras, e essa loja é da minha família desde sua fundação. Com certeza, essa foi a varinha que mais demorou a achar o seu dono.
– Quer dizer que essa será a minha varinha? – Perguntou o garoto

– Sim, por que quem escolhe o bruxo é a varinha e não o contrario. – Completou Laert. O garoto ficou feliz, aquela varinha tinha lhe agradado desde a primeira vez em que vira. Parecia que tinham uma conexão.

– Então, do que é feito essa varinha? – Perguntou Thor que se aproximava.

– É uma varinha muito rara, feita de carvalho com dezesseis centímetros com cordas de coração de dragão.Mas não qualquer dragão . Essa varinha foi feita com o cordas de coração do Demônio submarino. A criatura mais temida dos mares.

–É muito bom que essa varinha saia da loja sobre a minha tutela. Opps, desculpe-me deixe que eu atenda os outros clientes.

O moço voltou a conversar com os outros clientes enquanto Edmund parecia maravilhado com a varinha. Thor sentiu orgulho do filho.

Logo os dois saíram da loja. No final do dia quando voltavam com todas as compras, a maioria de segunda mão, o pai olhou o filho, parecia muito mais empolgado que o menino.

– O que foi filho? – Perguntou Thor

– Nada pai, só acho que esse dinheiro possa fazer falta para você e para a mamãe. – Disse o garoto. O pai passou a mão na cabeça dele.

– Já disse pra não se preocupar com isso. Você tem um ótimo futuro pela frente. O garoto sorriu meio sem graça.

– Agora vamos nos apressar que sua mãe já deve estar fazendo o jantar.

– Hummm, ainda bem por que eu estou com fome. – Disse o garoto.

O pai sorriu e os dois pegaram o trem de volta.

[Continua]

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